Por que Belém?
Por que Deus escolheu Belém para nascer?
Geralmente se destaca apenas o lado modesto desta pequena cidade de Judá, que no tempo de Jesus fazia parte do território do rei Herodes, o Grande. Jesus nesse sentido escolheu a modestia, a humildade como sendo a base sobre a qual construiria seu reino. Para você que deseja conhecer um pouco mais, aqui apresento uma meditação com base nos trechos bíblicos onde Belém é presente.
“Eles partiram de Betel. Faltava uma pequena distância para chegar a Éfrata, quando Raquel deu à luz. Seu parto foi doloroso e, como desse à luz com dificuldade, disse-lhe a parteira: ‘Não temas, é ainda um filho que terás!’ No momento de entregar a alma, porque estava morrendo, ela o chamou de Benoni, mas seu pai o chamou de Benjamim. Raquel morreu e foi enterrada no caminho de Éfrata que é Belém” (Gn 35,16-19).
Detalhe: esse caminho onde Rachel deu à luz, é o mesmo percorrido por José e Maria que estava prestes a dar à luz.
O parto foi doloroso e muito difícil, por isso Rachel dá ao seu filho o nome Benoni, que significa “filho da minha dor”. Para o judeu, dar um nome a um filho significa revelar a sua identidade. Benoni seria portanto um homem que viveria na dor. Jacó, como pai muda o nome da criança para Benjamim, que significa “filho da direita”, “filho da minha alegria”.
Séculos depois quando o povo estava prestes a entrar na Terra Prometida, Deus abençoa a tribu de Benjamim dizendo: “O amado do Senhor repousa tranquilo junto a ele; o Altíssimo o protege todo o dia” (Dt 33,12). Benjamim e seus filhos seriam portanto os amados do Senhor, aqueles que receberam a benção da paz e da alegria.
Belém é o lugar onde Deus transforma a dor em alegria.
Em Belém viveu também Noemi, seu nome significa “minha doçura”, após a morte de seu marido e de seus filhos, ela quis ser chamada de Mara “a amarga”, porque assim estava sendo a experiência de sua vida. Seu único apoio era Rute, a qual após a morte de seu marido, escolheu ficar com Noemi. Elas viviam na pobreza e no sofrimento, até que Deus as visitou, colocando Booz na vida de Rute. Com isso Noemi não seria mais desamparada e Rute recebeu uma benção profética:
“Que o Senhor torne essa mulher que entra em tua casa semelhante a Rachel e a Lia, que formaram a casa de Israel. E que, graças à posteridade que o Senhor te vai dar desta jovem, tua casa seja semelhante à de Farés, que Tamar deu à luz para Judá” (Rut 4,11-12).
Rute foi a bisavó do rei Davi!
Belém é o lugar onde Deus dá esperança aos desesperados.
Deus havia se “arrependido de ter feito” Saul rei de Israel (cf. 1Sm 15,35) e por isso, envia o profeta Samuel à Belém para eleger Davi, um “homem segundo o seu coração”. Davi de humilde pastor se torna rei de Israel. E Deus lhe promete que de sua descendência nasceria o Messias.
Belém é o lugar onde se cumpre a palavra “derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes” (Lc 1,52).
Nessa cidade nasceram também os bravos soldados de Davi: Joab, Abisai e Asrael, estes marcaram a história de Israel por sua coragem em dar a vida pelo reino de Davi.
Belém é terra de heróis, daqueles que combatem pelo Reino dos céus.
A pequena cidade porta consigo uma grande profecia:
“Mas tu, Belém, Éfrata, embora o menor dos clãs de Judá, de ti sairá para mim, aquele será o dominador em Israel” (Mq 5,1)
A profecia se realiza em Jesus, descendente de Davi, “nascido em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes” (Mt 2,1). Belém é portanto o lugar onde o Verbo feito carne no seio de Maria vem ao mundo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Belém é o lugar onde o homem-Deus, transformou nossa dor em alegria, nosso desespero em esperança, nossa fraqueza em força, onde demonstra, que os humildes são os maiores de seu reino. E por último: por que Jesus nasceu em Belém? Para humanizar a divindade e divinizar a humanidade (cf. CIC 526)
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