A luz dos anjos e il mistero nero

Filed under: Formação Humana — vidanova at 8:42 am on segunda-feira, setembro 29, 2008

Certa vez uma irmã, muito chegada e sincera, disse-me: “Emmir, as histórias que acontecem contigo… se eu não te conhecesse, diria que são mentiras”, ao que lhe respondi, sem demora: “Eu também!”

A história que narro abaixo, graças a Deus, dispõe de testemunhas vivas e acessíveis em todas as suas fases. Por isso, cito os seus nomes. Assim, dá para conferir. Não fosse isso, eu mesma diria: “Meu Deus! Parece mentira!”

Quando a contei a alguns membros uma comunidade amiga na casa de meus irmãos Carla, Rita e Alessandro, em Roma, o fundador saiu-me com a seguinte piada que, segundo ele, corre no meio acadêmico:

“O anjo do Senhor anunciou a Maria e ela, ao ouvir seu anúncio, perturbou-se. Ele, porém, respondeu-lhe: ‘Não te perturbes, Maria. Sou apenas uma figura literária, fruto da imaginação e estilo de Lucas, autor deste Evangelho”.

É para rir e para chorar. Para rir, porque a hipótese é, de fato, hilária. Para chorar porque, se os anjos são figuras literárias, então Deus não intervém por meio deles na história dos homens e seriam falsas as teofanias do Antigo Testamento nas quais, segundo Santo Agostinho, Deus se manifesta aos homens e intervém em sua história através de anjos.

A história que tenho para contar é exatamente mais um testemunho de quanto os anjos estão próximos a nós e prontos a nos servir segundo a vontade de Deus, que cuida de nós em todas as situações. Como ela decorreu entre 28 de junho e 8 de julho, doze dias, tive tempo bastante para louvar, confiar e meditar acerca da maravilhosa ação de Deus através dos seus anjos e saí da “aventura” (há algo que envolva os anjos que a nós, humanos, não nos pareça uma verdadeira aventura?) muitíssimo mais convicta do amor pessoal e constante de Deus por mim, profundamente agradecida a Deus por meus irmãos e maravilhada com algo que não me sai da cabeça: desde a criação dos anjos, antes, portanto de criar o homem e todas as coisas, Deus já pensou em mim e criou para mim, como um presente magnífico, pelo menos um anjo da guarda, que me acompanha e serve durante toda a minha vida e que me acompanhará por toda a eternidade. Este pensamento me enche de alegria, de gratidão, de assombro diante do amor de Deus que me criou e cuida de mim, que me salvou e tudo fez e fará por minha salvação e santificação. Tenho pelo menos um anjo da guarda, criado exclusivamente para mim antes da criação do tempo, que tem por missão me mostrar o caminho do céu, que é o amor de Deus e a Deus, e que permanecerá comigo a contemplar a Trindade por toda a eternidade!

Eis o que aconteceu: no dia 28 de junho, a fim de fazer a viagem mais barata, saímos de carro de Toulon para visitar as comunidades de Volterra e Asciano e, em seguida, ir a Roma para o Pentecostes com Bento XVI. No caminho, paramos em Pisa para que alguns de nós conhecêssemos sua famosa torre. Ao sairmos de lá, paramos em um posto de gasolina Esso, por volta do km 77, para ir ao toalete. Enquanto esperávamos alguns irmãos voltarem para o carro, Rômulo e eu ficamos conversando ao seu lado, com a porta aberta. Comentávamos sobre as maravilhas de Deus e de como Deus se utiliza de fatos corriqueiros para manifestar seu amor e seu poder.

Contava ao Rômulo como, durante a última Escola Nacional para a Formação de Autoridades, em Fortaleza, ao chegar já em cima da hora para uma palestra, a Renata me tinha avisado que não poderíamos utilizar o power point porque o projetor acabara de pifar. Apressada, lhe tinha dito: “Ah, isso não é problema! É só dizer: ´Eu te ordeno, projetor, que funcione
em nome de Jesus’!”. E, embora tenha dito isso para tranqüilizá-la e quase em tom de brincadeira - entretanto sem duvidar – o projetor começou a funcionar imediatamente e demos a palestra sem problemas. Talvez essa história tenha provocado a raiva do Inimigo, não sei. Ele é tão invejoso que tudo é possível. A vitória final, porém, foi de Deus, através de Miguel, Rafael, Gabriel, meus anjos da guarda e só ele sabe quantos anjos e santos mais.

Os irmãos que haviam ido ao toalete ainda chegaram a tempo de ouvir o final da história e entramos todos no carro, comentando alegremente sobre o amor de Deus. Em seguida, começamos a rezar mais um terço do nosso rosário (tínhamos, ainda uma hora e meia de viagem à frente) e ninguém percebeu que eu havia deixado a bolsa com passaporte, passagem de volta ao Brasil, dinheiro que não era meu (havia um envelope para comprar um remédio para uma irmã e outro para comprar livros para a
Assessoria de Formação), dinheiro que alguns irmãos me haviam dado para a viagem, todos os documentos brasileiros, telefone celular, óculos de grau, maquiagem, uma prótese dentária que havia caído no dia anterior, uma flor que o Fábio me havia dado e, muito mais preciosos: um crucifixo abençoado por
João Paulo II, que sempre me acompanha e um terço comprado em Lourdes, bem precioso de que se despojara uma senhora que se havia convertido ao catolicismo e que está ligada à Comunidade de Avignon. Ah! Havia também a escova de dentes!

Só demos pela falta da bolsa ao chegar a Volterra, quase duas horas depois, tendo vencido um engarrafamento causado por obras na estrada e dezenas de curvas. Chegando ali, ainda no jardim, enquanto a Carla, Responsável Local, nos apresentava a D. Ivo, padre responsável pela comunidade que havia ido especialmente para me conhecer, celebrar conosco a Eucaristia e jantar, percebia logo atrás de mim os primeiros sinais do rebuliço dos irmãos com relação ao que viria a ser conhecido pela polícia italiana como “il mister onero”, o mistério negro. Para mim, “il miracolo bianco”, sim, branquíssimo, cheio de luz e de alegria!

Tendo deixado o
padre com a
Teka e os outros, a Murielli, Rômulo e Noelson comprovaram sua caridade fraterna voltando comigo ao posto de gasolina, apesar do adiantado da hora e da exaustão de terem dirigido por mais de seis horas. Para melhor procurarmos a bolsa, precisávamos chegar lá antes de escurecer – que, nesta época, acontece entre 9 e 10 horas da noite.

A caminho, três lembranças nos ocorreram: louvar, invocar os anjos e evitar qualquer murmuração ou falta de confiança no amor do Pai e dos irmãos. Havia acabado de escrever sobre o louvor na vocação Shalom (o livro “Louvor, Brasa Vida”) e sabia bem o quanto, em nossa espiritualidade e história, o louvor é arma de combate, é ascese, é uma maneira de nos unirmos aos anjos que louvam diante da Trindade, uma fortíssima intercessão, uma prova de confiança na Providência de Deus.

Cantando, louvando, rezando o terço dos anjos (lembrei-me muito da Ana Silvia e pedi a Deus que me unisse a ela neste terço que reza todos os dias) e conversando acerca do louvor em nossa vocação e no espírito do fundador, enfrentamos novamente o engarrafamento, as dezenas de curvas na descida da serra e… perdemos a entrada que levava ao outro sentido da estrada! Perdidos, resolvemos retornar a Pisa, uma vez que – pensávamos – de lá saberíamos sair.

Ledo engano! Depois de muito rodarmos, perdidos em Pisa, recomeçamos a invocar mais fortemente os anjos. Eram, já, dez e meia da noite e as ruas estavam desertas. Em meu coração, invocava especialmente os arcanjos. Vimos, então, um casal em uma sorveteria (Claro que eram anjos! Anjos adoram sorvete, como eu! Por isso falo do sorvete da Barbaresco no livro Papo Careta, justamente influenciada pelo Rafael!). O jovem senhor, depois de tentar explicar em vão como sair da cidade – a Murielli até italiano falou! – entrou no próprio carro, sem se importar que a caixa de sorvete que sua esposa trazia em um saco plástico pudesse derreter, e nos conduziu até à estrada (como não me lembrar dos anjos que me abriram caminho até Pacajus estando eu em um carro sem as taxas pagas?). Em meu coração, apelidei-o de Gabriel, apesar de, pela lógica, dever tê-lo apelidado de Rafael, que viajou com Tobias. Talvez, a explicação seja que, de certo modo, anunciava a salvação.

Ao chegar finalmente ao posto de gasolina do km 77, encontramos apenas um frentista que atendia aos esparsos clientes noturnos. Ele nos atendeu maravilhosamente bem, telefonou para a polícia, olhou
o vídeo do sistema de segurança que havia registrado as cenas da hora em que havíamos perdido a bolsa, orientou-nos sobre como dar queixa, anotou nosso nome e telefone, e acrescentou: “O ideal seria vocês falarem com alguém da empresa que limpa a estrada (irmãos brasileiros, na Itália há uma empresa que limpa as estradas e corta o mato dos acostamentos!), mas a esta hora eles não estão mais de serviço. Recomeçam amanhã cedo. O nome da empresa é Salia”.

Agradecemos muito ao nosso jovem amigo e, intuindo que ele era o segundo arcanjo, perguntei-lhe, ao me despedir: “Como é seu nome?” ao que ele respondeu: “Michael”. Como todos caíssemos na risada, tive oportunidade de contar-lhe a história com meu pobre italiano (confiada na caridade dos anjos, claro!) e, de quebra, evangelizá-lo, se é que anjo precisa ser evangelizado…

Ainda surpresos com o Michael, ao sairmos do posto, demos de cara com um jovem senhor, negro, bem mais alto do que a média das pessoas. Aparentemente, ele acabara de descer de um carro estacionado perto da porta, onde havia a logomarca de uma firma: Salia!!!

Abordamos, então, nosso terceiro arcanjo:

“ O senhor trabalha na Saila?”

“Sim”, respondeu sem surpresa, parando para nos ouvir.

“Está de serviço agora?”

“Não. Trabalho até as cinco horas.”

Antes que perguntasse o que ele estava fazendo ali (era óbvio, a estas alturas), explicamos o que nos havia ocorrido e ele me perguntou se havia dinheiro na bolsa. Ao ouvir a resposta afirmativa, disse:

“Preciso, então, pedir permissão à polícia para procurar a bolsa”. Não nos demos conta no momento, mas foi a primeira notícia que a polícia de Livorno teve da bolsa. Esta informação viria a ser utilíssima, depois.

Após ligar para a polícia de seu próprio celular e receber a necessária permissão para procurar a bolsa, orientou-nos a dar queixa na Polizia Stradale de Livorno. Era a segunda notícia que Livorno, conhecida como a cidade mais comunista da Itália, tinha da bolsa. Agradecemos ao rapaz – infelizmente não perguntamos seu nome! – e, dois ou três passos depois, pelo menos eu e a Murielli nos voltamos para trás e… constatamos que nosso assim apelidado Rafael e seu carro haviam… desaparecido!

Neste momento, disse, feliz aos meus três irmãos: “Pronto! Ninguém precisa mais se preocupar. Achamos a bolsa! É só uma questão de tempo. Como diz o Moysés, Deus está no comando. E os anjos também”. Interessante é que a Murielli e eu não comentamos uma com a outra que havíamos percebido o repentino “desaparecimento” do nosso anjo negro no otimamente iluminado posto Esso do Km 77 até jantarmos juntas em Fortaleza, no dia 30 de junho!

Saímos a pé e depois de carro procurando a bolsa pelo local onde havíamos passado, na velocidade média da Europa, que não é 80, como aqui, mas 130 km. As estradas, lá, ao invés do recuo no acostamento, têm recuos, a espaços regulares, para que os carros com problemas possam estacionar e ligar pedindo ajuda. Ainda à tarde, a Murielli havia visto, em um desses espaços, uma família que havia acenado freneticamente para nós quando passamos por ela. Teriam visto a bolsa? Tê-la iam achado? Tê-la iam visto cair?

Em qualquer dos casos, a esperança era pouca. À beira da estrada, havia uma forte inclinação, que teria conduzido a bolsa a sair rolando ribanceira abaixo. Além disso, ainda que tivesse caído para o outro lado, ninguém se arriscaria, em uma estrada sem acostamento na qual os carros passam a 130 km, a atravessar para pegar uma bolsa. Nem mesmo nós nos arriscamos a procurá-la a pé no escuro da noite, no qual os carros passavam uivando de tão velozes. Desistimos da busca, mas não da oração e do louvor e da invocação dos anjos, agora ajudados também pelo Pe. João Wilkes que havia telefonado e dito que iria invocar os anjos do Pe. Pio.

Do posto, fomos à Polizia Stradale da cidade de Livorno, que não registrava queixas, mas nos informou como registrar e que não havia tido notícias da bolsa perdida. Somente no final fui entender porque, orientados pelo segundo anjo, havíamos ficado tão ligados à polícia de Livorno e seu sistema de computadores…

De volta a Volterra, três horas depois, os irmãos da comunidade já haviam providenciado tudo. A
Teka havia ligado para
o Brasil sobre os documentos, o bilhete aéreo e o celular, e para os irmãos de todas as comunidades da Europa e Israel, que se encontravam em Roma, e eles já haviam providenciado dinheiro suficiente para tirar um novo passaporte: 80 Euros, as fotos do passaporte brasileiro (realmente excepcionais, pois acabei tirando 16!), a multa do bilhete aéreo: 100 Euros, e dinheiro para transporte. Juntamente a eles, a Betzeida despojou-se do apertado dinheiro que levava para a viagem e me enviou ajuda acompanhada de um cartão que deveria tornar-se símbolo da comunhão de bens. Enfim, tudo foi providenciado, até a maquiagem (precisava dela para estar bem arrumada para o Congresso de Comunidades e o Pentecostes
com o Papa!). Percebi, ainda uma vez, que os irmãos também são anjos quando amam e pedi a Deus que me libertasse do meu comodismo egoísta para que também eu fosse anjo para os outros. Para o dia seguinte, ficaram apenas a queixa oficial na polícia de Volterra, os óculos comprados em um supermercado, para que eu conseguisse, pelo menos, ler, e… a escova de dentes que – absurdo dos absurdos, não entendo porquê!- ninguém na comunidade quis me emprestar.

As atividades previstas para aqueles dias continuaram normalmente. Nem nos passou pela cabeça cancelá-las:
Escola de Formação para as autoridades da Europa e Israel, Congresso de Novas Comunidades, noite de louvor e missa na Basílica de Santo Antonio, Pentecostes na Praça de São Pedro, viagem para Asciano, encontro
com uma comunidade italiana interessada
em adotar o Tecendo o Fio de Ouro para seu ministério de cura interior, pregação em nosso grupo de oração em Roma, tudo sem documento! No entanto, nem nos trens nem no Sagrado da Praça de São Pedro, onde celebramos Pentecostes – local mais próximo ao Santo Padre – nos pediram documentos.

Carla,
com a Rita, Alessandro e sua filhinha Maria Francesca, além de terem saído da própria casa para me acolher em seu apartamento em Roma, me deram uma carteira novinha e uma bolsa já usada, além de mil outros mimos, entre eles um vinho branco frisante delicioso. Enquanto isso, Deus permanecia calado. Nenhum sinal da bolsa. Tentei comprar um cartão para ligar para meus parentes no Brasil. Não consegui. Em determinado momento, no Congresso das Comunidades, Deus permitiu que me desse conta de como estava desprotegida do ponto de vista civil e me lembrei de meus irmãos missionários, especialmente de Israel e de Toronto, que tantas vezes passam por situações semelhantes e sentem o mesmo tipo de insegurança e angustia, certamente intensificada. Neste dia, contei à mesa do jantar, minha história, mal disfarçando a vontade de chorar. Pe. Jonas e Luzia, de Canção Nova, que jantavam conosco, lembraram que o Moysés poderia me emprestar o seu celular para ligar para o Brasil. Acabei não precisando, pois a
Teka me enviou o número para ligar a cobrar, mas o incidente me mostrou como é belo que irmãos de outra comunidade também sejam anjos que nos consolam na aflição.

Os dias se passavam e Deus continuava calado sobre este assunto. Eu continuava a louvar e esperar, mas agora só me lembrava que estava sem nada à noite, antes de dormir. Estava sempre ocupada demais. Ao “despojamento forçado” da bolsa, acrescentou-se ainda outro: sem lembrar-me de que poderia ter de ficar mais tempo em Roma, enviei minha mala com todas as roupas, exceto a que estava usando, para a casa comunitária de Anguilara. Isso viria a significar 5
dias com a mesma roupa, sem que ninguém, exceto eu, naturalmente, notasse. Implicava, também, em lavar a roupa, de cima e de baixo, à noite, escondido da dona de casa, e vesti-la, em geral, molhada, pela manhã. Como também isso foi bom! Quanta coisa Deus me ensinou entre um espirro e outro!

Na terça feira, dia 06, Deus finalmente resolveu falar. Encontrei, largado em minha bolsa herdada, um papel azul com a seguinte passagem em inglês: “And my God will fulfil all your needs out of the riches of his glory in Christ Jesus” (Ph 4, 19). “E meu Deus irá socorrer todas as vossas necessidades com as riquezas de sua glória em Cristo Jesus” (Fil. 4,19). A mensagem era clara. Perguntei à ex-dona da bolsa se o papelzinho era dela e ela respondeu que não, que havia examinado a bolsa antes de me entregar e que nunca havia visto o papel na vida, ainda mais em inglês; se pelo menos fosse em italiano… Percebi que era chegado o tempo de Deus e preparei-me para ficar mais atenta à presença visível dos anjos, que conhecem muito bem o significado afetivo da língua inglesa na minha vida.

No dia seguinte, consegui finalmente tempo para ir à Embaixada Brasileira, tirar um novo passaporte. Dali, iria
com a Maria (nome italiano da Socorrinha da Aliança) resolver o problema da passagem. Ao chegar minha vez de ir até o guichê blindado, a brasileira que estava atendendo as pessoas que vieram antes de mim, foi substituída por outra que, ao me ver, perguntou: “Eu conheço a senhora?” Quase que eu respondia: “Depende, se você for um anjo que trocou de lugar com sua predecessora, conhece. Se não, nunca a vi”. No entanto, apenas tentei ser gentil, dizendo que não me lembrava. Ela, então, examinou com muita atenção as cópias dos documentos que haviam enviado do Brasil e, estranhamente, disse: “Mas porque a senhora quer tirar um novo passaporte? Teria de pagar 70 dólares (ela não sabia que eu tinha 80!). Por que a senhora não aguarda um pouco enquanto eu lhe preparo um documento de permissão para viagem pelo qual não terá de pagar nada? É melhor para a senhora…”

Pensando nos 80 dólares que iria economizar e nos livros que poderia comprar com eles (o dinheiro para comprar livros estava na bolsa, lembra?) e tendo tempo de sobra até a hora do encontro
com a Maria, aquiesci e sentei-me para esperar. Todos os outros clientes entravam e saiam rapidamente. Só eu ficava… Finalmente, quando só havia eu e outra pessoa, dez minutos antes de o setor fechar, minha amiga veio me encontrar no lado de fora do guichê ara dar-me esta notícia surpreendente:

“Bem que eu sabia que conhecia seu nome! Sua bolsa foi encontrada em Livorno. Aqui está
o telefone da pessoa que está com ela, na Questura de Livorno e o telefone.”

Perguntei como ela tinha sabido e ela respondeu: “Estava substituindo uma colega em outro setor e chegou para ela um e-mail dizendo que sua bolsa havia sido encontrada, caso viesse aqui”. E, diante do meu estonteamento, acrescentou: “Se eu fosse a senhora, iria lá pegar…”. Em seguida, despediu-se e saiu pela porta interna sem voltar ao guichê.

“É anjo!” pensei, enquanto ligava para a Rita, que me havia emprestado um celular com crédito e tudo. No dia seguinte bem cedo, ela me levaria à estação de trem, sempre recomendando: “Você não devia ir sozinha! Cuidado! Vão cobrar muito dinheiro a você no táxi! Leva mais estes 50 Euro, porque vão te cobrar pelo menos 40! Ainda bem que a Helga vai te encontrar lá! Qualquer coisa, me ligue…” La Rita, carissima, a fatto la mamma!

Chegando à estação ferroviária de Livorno, quatro horas depois, a Helga, da comunidade de Volterra, não estava me esperando (havia tido um problema com o carro) e resolvi pegar um táxi. O único táxi disponível era uma camioneta Besta e já estava lotada. Esperei outra, que chegou vazia, mas preocupei-me que, quando lotasse, eu já tivesse o horário da Questura, que fechava às 12:30. Além disso, para que ficasse mais barato, havia comprado em Roma ida e volta e a volta era às 14:20 horas!

Os anjos, entretanto, não falham nunca! O anjo que me serviu de motorista, mandou-me sentar na frente (graças a Deus!) e, assim que sentei, viu que eu trazia o livro de
João Paulo II, “Alzate!” Quase caí para trás quando o “temerário motorista de táxi da cidade mais comunista da Itália” me disse: “A senhora está gostando deste livro? Acabei de lê-lo na semana passada”. Pronto! As portas estavam abertas! Ao ouvir minha história (com direito a anjo e evangelização) não esperou o táxi encher, mas levou-me até a porta da Polícia, onde normalmente é proibido o acesso de táxi, enquanto conversávamos sobre a Igreja,
João Paulo II, a necessidade de evangelizar o mundo do trabalho e a cidade de Livorno. Como não me lembrar da ocasião
em que Pe. João, Moysés, eu e a
Teka pegamos em Roma um táxi dirigido por um anjo que não parou de conversar sobre Medjugorje?

Ao chegar à polícia, subi correndo a escadaria e na portaria me indicaram uma sala  no final do corredor mais comprido que já vi na vida. À porta, um senhor magro e alto me esperava. Ao ver-me, fez-me entrar e entabulou com uma colega loira e gorda, sentada em um birô, o seguinte diálogo:

“Olha! Esta é a senhora da bolsa perdida!”, ao que ela, arregalando os olhos para mim, respondeu:

“Ma che fortuna!”, “Mas que sorte! Trabalho na polícia há vinte anos e jamais vi uma bolsa perdida na estrada ser encontrada com tudo dentro!”. Foi o bastante para eu contar-lhe toda a história, dizendo que não era sorte, mas graça e ajuda dos anjos. Falei sobre o amor de Deus, o cuidado dele para comigo e para com todos, enfim, durante uns bons dez minutos não dei chance de ninguém falar (este, às vezes, é um truque útil na evangelização). Quando, finalmente, terminei minha história, sem que ninguém tentasse interromper, o senhor alto disse:

“Sua bolsa, porém, não está aqui!” Quase desmaiei. Eram já 12:30. Ele então levou-me à janela e eu reparei que o único birô na sala era o da senhora loira. Onde estava o birô dele? Por que me tinha esperado à porta? Como sabia da bolsa? Perguntas que não tive tempo de fazer e sobre as quais só fui pensar depois.

Meu anjo magrela me havia indicado, à janela, um outro prédio histórico. Saí correndo, pedindo a ajuda dos anjos e o milagre do tempo. Quando, finalmente, consegui chegar ao prédio, depois de errar uma vez e de uma caminhada de uns oito quarteirões e duas avenidas cheias de carros para atravessar, eram, já, 12:40. Contei minha história ao guarda que estava na porta e ele me informou: “Mi dispiace, signora, mas desde a semana passada o horário deste departamento mudou. Agora é à tarde, começa às 3 horas”. Expliquei-lhe que tinha um trem às 2:20 e uma palestra no grupo de oração às 7:30. Para minha surpresa, ele respondeu:

“Bom… essa Eliana que a senhora está procurando chegou mais cedo hoje. Venha comigo. Como vê, a repartição está fechada. Me acompanhe. A senhora pode subir escada?” Respondi que sim, pensando que àquela altura subiria até o monte Evereste, quando mais uma escada…

Meu novo anjo destrancou a porta de entrada, subiu a primeira escada; destrancou a segunda porta, subiu a segunda escada; destrancou a terceira, subiu a terceira. Enquanto subíamos, em meio ao tintilar de suas chaves, travamos a seguinte conversação, sem dúvida meio surrealista:

“Estou tão grata ao senhor! Lei è proprio gentile! Deve ser um homem muito bom…” Diante do seu silêncio acrescentei, para ver se era anjo mesmo: “Deve fazer isso por muitas pessoas…”

Sua resposta me deixou ainda mais em dúvida: “Para falar a verdade, é a primeira vez que faço isso…”

Abriu, então, a quarta porta, subiu a quarta escada e interfonou para minha outra “anja” enquanto eu me perguntava: “É a primeira vez que faz isso porque não trabalha aqui e veio para me acudir? Ou nunca fez isso por ninguém em seu trabalho?”

Não pude deixar de lembrar-me da ocasião em que um anjo abrira os ferrolhos da casa comunitária em Natal, quando eu e um irmão que me havia dado carona, exaustos de um encontro que se seguira à inauguração do Centro de Evangelização Santa Teresa e tendo saído mais cedo, oramos pedindo isso, já que não havia ninguém em casa e não havíamos trazido as chaves. Em resposta à nossa oração, os ferrolhos de uma das portas (eram cerca de 4, que davam para a mesma varanda) se abriram com um alto “tlec!” Seria o mesmo anjo? Certamente não, pois aquele havia dito que era a primeira vez que fazia isso…

Ao desligar o interfone, o anjo-guarda disse: “A senhora Eliana já estava avisada…” Depois percebi que a Helga tinha ligado para ela e, novamente, me enchi de perguntas: “Aonde a Helga havia falado com ela, se ela não tinha ido trabalhar pela manhã? Alguma colega teria recebido o telefonema lhe teria ligado? Ela havia dado seu telefone particular para a embaixada? Era pelo telefonema que estava ali antes da hora?” Não tive tempo de perguntar. Era, já, 1 hora da tarde.

Eliana apareceu acompanhada de duas colegas e me levou até uma pequena
sala com três birôs, retirando de um armário a famosa bolsa, com apenas um arranhão e um ínfimo descascado no viés, e colocando-a sobre a mesa. Ao fazê-lo, uma delas comentou:

“Até que fim nós a encontramos! Já estávamos chamando este caso de “Il Mistero Nero!” Foi a dica para eu evangelizá-las, contando toda a história e dizendo que para Deus nada é mistério, que Ele nos ama, e que aquele, na verdade, não era o mistério negro, mas o milagre branco. Nenhuma das três habitantes da “cidade mais comunistas da Itália” me interrompeu. Pelo contrário, ouviram-me atentamente e depois contaram todo o seu esforço e peripécias para me encontrar: tentaram o celular, mas não estava habilitado para ligações internacionais; tentaram chamar a Elena e a Ângela, cujos nomes eram italianos e cujos telefones estavam na agenda, mas não havia código de cidade; telefonaram para a repartição que corresponde ao nosso IML, pois pensaram que eu me havia acidentado ou suicidado; procuraram a Policia Stradale de Livorno, onde me havia enviado o Anjo da companhia de limpeza e eles relataram o caso da bolsa. Eis a razão para o anjo enviar-me para lá! Como é importante obedecer! Hebreus nos ensina que quando hospedamos peregrinos por vezes hospedamos anjos. Eu acrescentaria que, quando obedecemos aos irmãos por vezes obedecemos a anjos.

Diante da informação da Polizia Stradale, resolveram, então, procurar a Embaixada Brasileira, mas já se haviam passado dez dias e eu não aparecia. Expliquei-lhes, então, o que havia feito naqueles oito dias e disse-lhes que, como havia dito Jesus ao ser encontrado no Templo, era preciso cuidar primeiro das coisas do meu Pai e deixar que ele cuidasse das minhas, conforme sua vontade. Elas não davam uma palavra, talvez duvidando de minha sanidade mental… ou das suas próprias!

“A senhora não vai examinar a bolsa?”, perguntou Eliana, retirando da mesma vários envelopes, nos quais se lia: “Documentos”, “Dinheiro”, “Medicamentos e óculos”, “Pertences Pessoais”. Peguei o dos pertences pessoais, perguntando se lá havia a cruz de
João Paulo II e o terço. Ela disse que sim e mencionou a prótese. Morremos de rir, enquanto eu mostrava minha banguela. Parecia que nos conhecíamos há tempo…

Eliana pediu-me que conferisse o dinheiro e eu lhe contei que havia confiado o dinheiro de minha viagem a São José e a São Cotolengo e que, por isso, havia prometido não contá-lo. Ela pareceu entender e, depois de conferir a foto do passaporte com meu rosto, contou-me que a bolsa havia sido encontrada por um certo – pasme! – Giuseppe Giudio (José Juiz!) e deu-me seu endereço, em Rimini, cidade italiana conhecida por seu fervor na Renovação Carismática Católica, na qual o Moysés já pregou e a comunidade participou de vários encontros carismáticos nacionais. Enquanto ela falava, eu me lembrava que havia invocado São José, que é o responsável pelos bens materiais e espirituais da comunidade e de minha família. Lembrei-me também do livro do Cassiano Azevedo sobre São José, quando ele diz que o carpinteiro, na sua época, era procurado para conselhos e consultado para resolver questões difíceis entre os habitantes da aldeia, como um juiz!!! Coincidência? Aguarde! A história ainda não acabou…

Após agradecer muitíssimo às minhas três “anjas” – sempre três! – e prometer-lhes que rezaria por elas e que poderiam pedir a Deus o que quisessem porque ele lhes daria, voltei para a estação ferroviária de ônibus, pois não encontrei táxi. Agora, pedia aos anjos o milagre do tempo, que já vi acontecer tantas vezes. Não sei por que, mas o motorista estava enlouquecido, arriscando os passageiros que, como bons italianos, reclamavam aos berros, interpelando-o diretamente. Isso me ajudou a chegar mais depressa.

Na estação à ferroviária, encontrei a Helga, que me contou o que havia acontecido com o carro e ouviu, pacientemente, meu lado da nossa aventura. Entramos no toalete juntas e, para que eu não andasse com duas bolsas, ali passamos juntas os objetos para a minha tradicional bolsa preta, ganha da Ana Silvia há uns três anos, agora parte ainda mais integrante de minha história da salvação pessoal. Mais uma surpresa nos aguardava: ao passarmos as coisas de uma bolsa para a outra, encontramos uma pequena medalha milagrosa dourada, em formato um pouco mais comprido do que as nossas daqui do Brasil, que, tenho a mais absoluta certeza, não estava na bolsa, arrumada pela Elena por ocasião de minha saída do Brasil e por mim quando ainda na França. Quem a havia deixado? Miguel? Rafael? Gabriel?Meu anjo da guarda? Giuseppe Giudio?

Não sei. Talvez jamais venha a saber. Era, entretanto, um sinal claro do amor de Deus, que é capaz de revirar meio mundo por causa de uma bolsa perdida por uma filha avoada, pecadora e ingrata, mas amada. Era sinal de que os anjos existem, sim, e são próximos, amigos fiéis, dedicados a nos levar pelos caminhos da vontade de Deus. Era sinal de que José, Maria e Padre Pio tinham conseguido de Deus que os anjos colocassem a meu serviço o seu poder. Era um pálido, apenas pálidíssimo sinal da alegria de sua companhia na terra e no céu.

Atualmente, via internet, procuro um certo senhor Giuseppe Giudio, residente à Via Due Possessioni, 4c, RN, Itália. O Renilson, em Roma, consultando a Lista Bianca de telefones italianos, encontrou vários Giuseppes Giudios. No Brasil, mais uma vez os anjos me ajudaram da forma que se segue.

Foi perdido, em Roma, o nome e endereço do “meu” Giuseppe. Chegada ao Brasil, procurei meu amigo intensamente, no mesmo site, sem encontrá-lo. Cansada, pedi ajuda aos anjos e fui espairecer lendo um pouco o Portal Shalom e, Deus sabe porquê, acessei Asciano. No site deles, em italiano, encontrei a palavra giudizio, que me chamou atenção e me fez lembrar da grafia de Giudio e, agora com a grafia correta, encontrar mais de 20 Giuseppes Giudios na Lista Bianca, pela Internet. Não encontro, entretanto, a rua Due Possessioni, cujo nome assusta a princípio, mas assume outra conotação quando nos lembramos que “possessão angélica” não se refere somente aos anjos maus, mas também aos bons. Será que, ao longo desta história, não encontrei inúmeras pessoas “possuídas”, no bom sentido, por anjos bons? Será que, conforme pensa Santo Agostinho, pelo poder de Deus os anjos não se utilizaram de formas humanas e/ou de pessoas reais para me ajudar? A tal rua existe ou não existe? Mudou de nome? Quem colocaria em uma rua um nome tão estranho?

Não sei. Continuo a ligar para todos os Giuseppes Giudios da lista, aos pouquinhos, para não sair muito caro em um mês só. Um dia, encontro o “nosso”. Volto, então, a escrever para terminar a história. Se não o encontrar, com certeza, lá no céu, vamos conversar sobre tudo isso, tudo o que aprendemos, tudo o que você, que me lê, aprendeu com esta história. Para mim, foi uma confirmação de Deus e, como diria Santa Teresinha, uma piscadela dele por causa do livro “Papo Careta. Careta?” Fico feliz. Isso significa que ele coloca seu poder a serviço de quem o vier a ler.

No céu ou na terra, com você, com os anjos e com “nosso Giuseppe” continuaremos a louvar a Deus por toda a eternidade. Enquanto isso, a cada dia, bendigo o Senhor, que vive em mim e em você e que está sempre pronto a me amar através dos seus anjos, mostrando que o céu e a terra são muito mais próximos a nós do que podemos sequer sonhar e que os anjos, bem… os anjos não somente não são figuras literárias, mas também nos fazem viver uma realidade que para muitos, até mesmo para nós, poderiam parecer mentira. Para quem experimenta, porém, é pura prova do amor de Deus, que não nos quer vivendo na mediocridade de nossas próprias forças, mas nas maravilhas da sua!

 

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Comunidade Católica Shalom

Pregador do Papa: “Não banalizar a tragédia da prostituição”

Filed under: Liturgia — vidanova at 11:17 am on domingo, setembro 28, 2008

Comentário do Padre Raniero Cantalamessa, OFM Cap., pregador da Casa Pontifícia, sobre a Liturgia da Palavra deste domingo.

XXVI Domingo do Tempo Comum
Ezequiel 18, 25-28; Filipenses 2, 1-11; Mateus 21, 28-32
“As prostitutas vos precederão no Reino dos céus”

“Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: – Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha. Respondeu ele: – Não quero. Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi. Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: – Sim, pai! Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? O primeiro, responderam-lhe.”.

O filho da parábola que diz “sim” mas não faz representa aqueles que conheciam Deus e seguiam sua lei, mas depois, em sua atuação prática, quando se tratava de acolher Cristo, que era “o fim da lei”, deram um passo atrás. O filho que diz “não” e faz representa aqueles que antes viviam fora da lei e da vontade de Deus, mas depois, com Jesus, se arrependeram e acolheram o Evangelho. Daqui a conclusão que Jesus põe diante “dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos do povo”: “Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus”.

Nenhuma frase de Cristo foi mais manipulada que esta. Acabaram criando às vezes uma espécie de aura evangélica em torno da categoria das prostitutas, idealizando-as e opondo-as a todos os demais, indistintamente, escribas e fariseus hipócritas. A literatura está cheia de prostitutas “boas”. Basta pensar na Traviata, de Verdi, ou na humilde Sonia de Crime e castigo, de Dostoiévski!

Mas isso é um terrível mal-entendido. Jesus apresenta um caso limite, como se estivesse dizendo: “inclusive as prostitutas – e é muito dizer – vos precederão no Reino de Deus”. A prostituição é vista com toda sua seriedade, e tomada como termo de comparação para estabelecer a gravidade do pecado de quem rejeita obstinadamente a verdade.

É preciso perceber também que idealizando a categoria das prostitutas se costuma idealizar também a dos publicanos, que sempre a acompanha no Evangelho. Se Jesus aproxima estas duas categorias não é sem um motivo: ambos puseram o dinheiro acima de tudo na vida.

Seria trágico se esta palavra do Evangelho fizesse que os cristãos perdessem o empenho por combater o fenômeno degradante da prostituição, que assumiu hoje proporções alarmantes em nossas cidades. Jesus sentia muito respeito pela mulher para não sofrer, ele em primeiro lugar, pelo que esta chega a ser quando se reduz a esta situação.

É por isso que ele valoriza a prostituição não por sua forma de viver, mas por sua capacidade de mudar e de pôr ao serviço do bem sua própria capacidade de amar. Como Madalena que, após converter-se, seguiu Cristo até a cruz e se converteu na primeira testemunha da ressurreição (supondo que foi uma delas).

O que Jesus queria dizer com essa palavra aparece claramente no final: os publicanos e as prostitutas se converteram com a pregação de João o Batista; os príncipes dos sacerdotes e dos anciãos não. O Evangelho não nos impulsiona portanto a promover campanhas moralizadoras contra as prostitutas, mas tampouco a não levar a sério este fenômeno, como se não tivesse importância.

Hoje, por outro lado, a prostituição se apresenta sob uma forma nova, pois consegue produzir muito dinheiro sem nem sequer correr os tremendos riscos que sempre correram as pobres mulheres condenadas à rua. Esta forma consiste em vender o próprio corpo, ficando tranqüilamente na frente de uma máquina fotográfica ou uma câmera de vídeo, sob a luz dos refletores.

O que a mulher faz quando se submete à pornografia e a certos excessos da publicidade é vender seu próprio corpo aos olhares. É prostituição pura e dura, e pior que a tradicional, porque se impõe publicamente e não respeita a liberdade nem os sentimentos das pessoas.

Mas feita esta necessária denúncia, trairíamos o espírito do Evangelho se não destacássemos também a esperança que esta palavra de Cristo oferece às mulheres que, por diversas circunstâncias da vida (com freqüência por desespero), se encontram na rua, a maioria das vezes, vítimas de exploradores sem escrúpulos. O Evangelho é “evangelho”, ou seja, boa notícia, notícia de resgate, de esperança, também para as prostitutas. E mais, antes de tudo para elas. Jesus quis que fosse assim.

CARACTERÍSTICAS DAS HERESIAS

Filed under: Seitas e Religiões — vidanova at 11:15 am on domingo, setembro 28, 2008

Por Marcus Grodi

Tradução: Carlos Martins Nabeto

Fonte: http://www.prodigos.org

No ano 144 d.C., durante um dos momentos mais difíceis da História da Igreja Católica, surgiu a heresia Marcionita que logo se estenderia principalmente pelo Império Bizantino e sobreviveria pelos próximos três séculos, até ser absorvida pelo Maniqueísmo e desaparecer. É possível que seu fundador, Marcião, fosse filho de um dos primeiros bispos de Sinope, uma diocese da Ásia Menor, de onde Marcião era originário. Há quem suponha (baseando-se na conhecida habilidade de Marcião para citar as Escrituras) que ele fosse um bispo renegado pela Igreja. Qualquer que fosse o caso, o certo é que Marcião deu origem a uma das mais persistentes heresias de seu tempo e, para isso, fez uso, pela primeira vez, de certas armas que todos os cristãos dissidentes empregariam no futuro até os nossos dias.

O gênio divisionista de Marcião criou uma nova doutrina pseudocristã, modificando a História Sagrada e publicando um cânon próprio das Escrituras. Isto que hoje nos parece tão familiar – depois de tantos séculos de Bíblias cerceadas, lendas negras e traduções deturpadas da Escritura – era então uma assombrosa novidade que cativou a muitos. Marcião sustentava, como muitos vieram a fazer desde então, que o Deus do Antigo Testamento era vingativo e colérico, que não podia corresponder à mansa e amorosa pessoa de Jesus. A partir de então, desenvolveu uma doutrina dualista que sustentava a existência de duas divindades, uma má (a do Antigo Testamento) e outra boa (a do Novo Testamento).

Ao iniciar uma nova igreja, sempre se tropeça com este problema: o que fazer com a Igreja Católica? Marcião não podia destruir a Igreja de Cristo, porém, podia desqualificá-la. Para isso, teve uma idéia que para nós parece bem desgastada, mas que era muito original naquela época: usar as Escrituras para impugnar a veracidade da doutrina católica.

O problema de usar essa estratégia é que as Escrituras do Antigo Testamento – inspiradas por um “deus mau”, segundo Marcião – ofereciam amplo e suficiente testemunho da futura vinda de Jesus. Essa “pequena” inconsistência não foi grande problema para o líder herege, que declarou nulo todo o Antigo Testamento. Ao fazer isto, Marcião estabeleceu outro grande princípio, que quase todo movimento herético seguiria no futuro: eliminar as partes da Bíblia que não convenham à nova doutrina enquanto que, ao mesmo tempo, se exalta a Escritura (modificada) como a autoridade sobre a qual o novo grupo eclesial é fundado.

Recordemos que Marcião apareceu no cenário cristã menos de cinco décadas depois de ter falecido o último Apóstolo de Cristo. A Igreja de então suportava freqüentes perseguições, algumas locais e outras mais estendidas. Os Evangelhos e os demais escritos cristãos circulavam sem que houvesse um cânon definido e universal. A Bíblia da Igreja Católica desses anos era a versão dos LXX (ou Septuaginta Alexandrina), que consistia basicamente dos livros que hoje encontramos no Antigo Testamento da Bíblia Católica.

As razões para a ausência de um cânon cristão eram várias, principalmente as constantes perseguições que tornavam impossível aos bispos se reunirem em sínodos gerais, os quais seriam muito perigosos por razões óbvias. Passariam-se quase três séculos até que se apagassem as perseguições imperiais e os bispos pudessem se reunir livremente para considerar quais escritos deveriam ser aprovados para sua inclusão no Novo Testamento. Uma das boas coisas que ocorreu por conseqüência da heresia marcionita foi justamente isto: a Igreja Católica tomou consciência da importância de possuir uma lista ordenada de escritos cristãos autorizados.

Antes que a Igreja pudesse produzir tal lista, Marcião criou um “evangelho” de sua própria lavra. Nele declarava que o invisível, indescritível e benévolo Deus (aoratos akatanomastos agathos theos) teria se apresentado entre os judeus pregando no dia de sábado. O pseudo-evangelho de Marcião era uma versão modificada do Evangelho de Lucas, editado para apoiar as doutrinas dualistas do fundador da seita.

A esta altura, encontramos no movimento marcionista as características que logo se repetem nas heresias surgidas posteriormente:

1. A base da doutrina é um texto – a Escritura – e não o Depósito da Fé recebido por toda a comunidade, como na Igreja Católica.

2. O texto da Escritura é alterado ou redigido para afirmar as doutrinas do novo grupo, criando assim uma nova e distinta tradição. O oposto ocorre na Igreja Católica, que preserva cuidadosamente e exalta o papel da Escritura dentro do contexto da Sagrada Tradição.

3. Altera-se o contexto histórico ou até a própria História. Isto é feito com o duplo sentido de afirmar a própria doutrina e, ao mesmo tempo, impugnar a Igreja Católica, acusando-a de ser ela quem “conta a História à sua maneira”. Curiosamente, estas acusações tão imaturas imprimiram na Igreja o costume de documentar o desenvolvimento da sua própria doutrina na História. Na Igreja Católica a História, as Escrituras e a Doutrina da Igreja devem estar obrigatoriamente de acordo, sempre sem deixar espaço para dúvidas. É por isso que sabemos com certeza que hoje cremos na mesma fé declarada por Cristo e pelos Apóstolos.

Conseqüentemente, um dos testemunhos mais fortes que pode ser oferecido em favor do Catolicismo é a sua consistência e coerência durante vinte [e um] séculos de História. O mesmo não ocorreu com os marcionitas, que se dividiram em diversas seitas e, de uma espécie de puritanismo original, logo passaram para o Gnosticismo e, depois, para o Maniqueísmo, movimento que acabou absorvendo o Marcionismo por completo. Disto podemos deduzir uma quarta característica das heresias: sua instabilidade.

4. A instabilidade doutrinária e sua conseqüência (as divisões sectárias), identificam todas as heresias. Seguindo o ditado de “quem com o ferro mata, pelo ferro morrerá”, os criadores de divisões na Igreja logo recebem na própria carne o seu amargo remédio.

Podemos afirmar, sem medo de errar, que todos os movimentos dissidentes do Cristianismo que se afastaram da Igreja Católica possuem estas quatro características em menor ou maior grau. Quando Cristo pregou a parábola da videira, disse assim:

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem. Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo. O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15,1-14).

É inegável a importância destas palavras de Cristo. A Igreja deve operar em união com Cristo e em unidade interna. É a única maneira de produzir “fruto”, isto é, a salvação das almas. Quem espera agir fora desta ordem que Cristo estabeleceu deixa de permanecer em Seu amor. Para permanecer no amor de Cristo, entende-se que devemos guardar os Seus mandamentos. Nesta simples parábola, Cristo resumiu as qualidades da Igreja que deverá durar até o fim do mundo. Todas elas provêm do amor cristão:

- A primeira qualidade é a humildade. Cristo é a videira, a plenitude da fé e o todo da Igreja, enquanto que seus discípulos são os ramos que se nutrem Dele. Não existe outra ordem pela qual algum dos ramos possa dar origem a outra videira distinta.

- A segunda qualidade é a obediência. Somos amigos de Cristo se fizermos o que Ele nos diz. Não há outra opção se O amamos.

- A terceira qualidade é conseqüência das outras duas: a unidade. A indivisibilidade da planta produz fruto que dá glória a Deus em Cristo. Essa união é o resultado visível do amor que começa em Cristo e se multiplica nos discípulos.

Como não ocorre – nem nunca ocorrerá – entre aqueles que se separam da Igreja Católica, estas três qualidades distintas produzem o milagre da duração da Igreja na História, que é por si mesma um poderoso testemunho da verdade do Evangelho. Quando Cristo nos adverte que sem Ele não podemos fazer nada, também agrega que nossa relação com Ele só pode ser frutífera. Sem Cristo, os ramos morrem sem dar fruto; com Cristo, a Igreja continua no mundo e na História, dando testemunho do Seu amor em perfeita união. Este é o fruto cristão por excelência!

Tendo comparado as qualidades próprias das heresias e da Igreja, não nos surpreende que as Palavras de Cristo se cumpram na História. Apenas a Igreja fundada por Cristo sobrevive dando testemunho ao longo dos séculos e ao mundo inteiro com a doutrina integral recebida de Cristo. Não importa quão numerosos sejam os membros de uma seita; sabemos que passarão enquanto que a Igreja continuará sua missão até que Jesus retorne. Os poderes malignos continuarão criando divisões, pois isto é da sua natureza; mesmo assim, não prevalecerão contra toda a Igreja (Mateus 16,13-20).

A Igreja já viu passar centenas de seitas, movimentos dissedentes, heresias crassas e toda espécie de inimigos. O testemunho da História é apenas um: a Igreja SEMPRE permanece e seus inimigos SEMPRE passam, pouco importando quão forte ou astuto tenham sido seus adversários. Aquele que a sustenta nunca dorme e Seu braço protetor jamais descansa!

Com ajuda de Deus crise matrimoniais purificam e amadurecem o amor, diz o Papa

Filed under: Matrimonio,Santa Sé — vidanova at 11:13 am on domingo, setembro 28, 2008

VATICANO, 26 Set. 08 / 11:23 am .- O Papa Bento XVI explicou que quando um matrimônio atravessa por uma crise, os esposos se encontram diante de uma oportunidade que, guiados por Maria e com a ajuda do Senhor, “ajudará-lhes a crescer”, e permitirá que o amor se purifique, amadureça e se reforce.

Ao receber esta manhã no Palácio Apostólico de Castelgandolfo a 300 participantes do encontro internacional do movimento Retrouvaille, cujo objetivo é ajudar aos matrimônios em crise, o Santo Padre assinalou que quando os esposos “atravessam momentos difíceis ou –como demonstra sua experiência– incluso se separaram, se confiarem em Maria e se dirigem a Aquele que tem feito dos dois ‘uma só carne’, podem ter a certeza de que aquela crise, com a ajuda do Senhor, ajudará-lhes a crescer, e que o amor se purificará, amadurecerá e se reforçará”.

Seguidamente, o Pontífice lembrou que “realizam um serviço ‘contra-correnteza’. Cada vez que um casal entra em crise encontra tantas pessoas dispostas a aconselhar a separação. Também aos cônjuges que se casaram em nome do Senhor se lhes propõe com facilidade o divórcio, esquecendo que o ser humano não pode separar o que Deus uniu”.

Depois de elogiar o trabalho desta instituição nascida em 1977 como iniciativa do matrimônio de Guy e Jeannine Beland, Bento XVI ressaltou que “vós não sois uns profissionais; são esposos que freqüentemente vivesteis em primeira pessoa as mesmas dificuldades, as superarasrteis com a graça de Deus e o apoio de Retrouvaille e advertiram o desejo e a alegria de pôr, por sua parte, a própria experiência ao serviço de outros. Entre vós há vários sacerdotes que acompanham aos casais em sua caminhada”.

O Papa disse também que as graves crises conjugais “são uma realidade que tem duas caras. Por uma parte se apresenta, especialmente em sua fase aguda e mais dolorosa, como um fracasso; esta é a cara negativa”. Entretanto, disse, “existe outra cara, que com freqüência desconhecemos, mas que Deus vê. Cada crise –nos ensina isso a natureza– é um passo a uma nova fase de vida. No momento da ruptura, oferecem ao casal uma referência positiva em que confiar frente ao desespero”.

Deste modo, “seus encontros oferecem uma ajuda para não se perder totalmente e superar aos poucos esta situação”, precisou.

Finalmente o Santo Padre destacou a necessidade de realizar esta missão de ajuda aos casais em crise sem deixar de “alimentar continuamente a vida espiritual” e pondo “amor no que fazem, para que ao estar em contato com realidades difíceis, não se esgote sua esperança nem se reduza a uma fórmula”.

Fonte: ACI Digital

Rcc: uma corrente de graça

Filed under: Novas Comunidades — vidanova at 11:09 am on domingo, setembro 28, 2008

- frei Raniero Cantalamessa, ofm, é atual pregador da Casa Pontifícia. Entrevista de 2003

Frei Raniero Cantalamessa
Frei Raniero Cantalamessa

Na Igreja há fiéis que consideram que o “batismo no Espírito” é uma invenção dos carismáticos. Inclusive que puseram nome a uma vivência, mas que não está “catalogada” na Igreja. Poderia explicar, desde sua própria experiência, o que é o batismo no Espírito?

O batismo no Espírito não é uma invenção humana, é uma invenção divina. É uma renovação do batismo e de toda a vida cristã, de todos os sacramentos. Para mim foi também uma renovação de minha profissão religiosa, de minha confirmação, de minha ordenação sacerdotal. Todo o organismo espiritual se reaviva como quando o vento sopra sobre uma chama. Por que o Senhor decidiu atuar neste tempo desta maneira tão forte? Não sabemos. É a graça de um novo pentecostes. Não é que a Renovação Carismática tenha inventado o batismo no Espírito.

De fato, muitos o receberam sem saber nada da Renovação Carismática. É uma graça; depende do Espírito Santo. É uma vinda do Espírito Santo que se traduz em arrependimento dos pecados, que faz ver a vida de uma maneira nova, que revela Jesus como o Senhor vivo –não como um personagem do passado– e a Bíblia se converte em uma palavra viva. A verdade é que não se pode explicar.

Há uma relação com o batismo, porque o Senhor diz que quem crê será batizado e será salvo. Nós recebemos o batismo de crianças e a Igreja pronunciou nosso ato de fé; mas chega o momento em que nós temos que ratificar o que sucedeu no batismo. Esta é uma ocasião para fazê-lo, não como um esforço pessoal, mas sob a ação do Espírito Santo.

Não se pode afirmar que milhões de pessoas estejam equivocadas. Yves Congar, este grande teólogo que não pertencia à Renovação Carismática, em seu livro sobre o Espírito Santo afirmava que a realidade é que esta experiência mudou profundamente a vida de muitos cristãos. E é um fato. A mudou e iniciou caminhos de santidade.

Como vive seu ministério como pregador da Casa Pontifícia desde sua experiência na Renovação Carismática?

Para mim tudo o que passou desde 1977 é um fruto de meu batismo no Espírito. Era professor na Universidade. Dedicava-me à pesquisa científica na história das origens cristãs. E quando aceitei não sem resistência esta experiência, depois tive o chamado de deixar tudo e colocar-me à disposição da pregação, e também a nomeação como pregador da Casa Pontifícia chegou depois de que tinha experimentado esta “ressurreição”. Vejo isso como uma grande graça. Depois de minha vocação religiosa, a Renovação Carismática foi a graça mais assinalada de minha vida.

Desde seu ponto de vista, os membros da Renovação Carismática têm uma vocação específica dentro da Igreja?

Sim e não. A Renovação Carismática, temos que dizer e repetir, não é um movimento eclesial. É uma corrente de graça que está destinada a transformar toda a Igreja: a pregação, a liturgia, a oração pessoal, a vida cristã. Assim que não é uma espiritualidade própria. Os movimentos têm uma espiritualidade e acentuam um aspecto, por exemplo a caridade. Antes de tudo, a Renovação Carismática não tem fundador; nenhum pensa em atribuir à Renovação Carismática um fundador porque é algo que começou em muitos lugares de diferentes maneiras. E não tem uma espiritualidade; é a vida cristã vivida no Espírito.

Mas pode-se dizer que como a gente que viveu esta experiência constitui socialmente uma realidade –são pessoas que fazem determinados gestos, oram de certa maneira– então se pode identificar uma realidade social cujo papel é simplesmente o de colocar-se à disposição para que outros possam ter a mesma experiência. O cardeal Leo Jozef Suenens, que foi o grande protetor e partidário da Renovação Carismática no início, dizia que o destino final da Renovação Carismática poderá ser o de desaparecer quando esta corrente de graça tenha contagiado toda a Igreja.

A ponto de concluir a pregação de um retiro no qual estiveram mil líderes carismáticos de todo o mundo, que mensagem gostaria de deixar ao crente que desconhece a Renovação?

Quero dizer aos fiéis, aos bispos, aos sacerdotes, que não tenham medo. Desconheço por que há medo. Talvez em alguma medida porque esta experiência começou entre outras confissões cristãs, como pentecostais e protestantes. Contudo, o Papa não tem medo. Falou dos movimentos eclesiais, inclusive da Renovação Carismática, como de sinais de uma nova primavera da Igreja, e muito com freqüência faz referência na importância disso. E Paulo VI afirmou que era uma oportunidade para a Igreja.

Não há que ter medo. Há Conferências Episcopais, por exemplo na América Latina –é o caso do Brasil–, onde a hierarquia descobriu que a Renovação Carismática não é um problema: é parte da solução ao problema dos católicos que se afastam da Igreja porque não encontram nela uma palavra viva, a Bíblia vivida, uma possibilidade de expressar a fé de maneira gozosa, de forma livre, e a Renovação Carismática é um meio formidável que o Senhor pôs na Igreja para que se possa viver uma experiência do Espírito, pentecostal, na Igreja católica, sem necessidade de sair dela.

Tampouco se deve considerar que se trata de uma “ilha” na qual se reúnem algumas pessoas que são um pouco emocionais. Não é uma ilha. É uma graça destinada a todos os batizados. Os sinais externos podem ser diferentes, mas em sua essência é uma experiência destinada a todos os batizados.

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por Frei Raniero Cantalamessa,of ,
site: www.cantalamessa.org

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