O que é o amor e quem é o Amor? (Caso Eloá)

Filed under: Formação Humana — vidanova at 3:51 pm on sexta-feira, outubro 31, 2008

 Ainda estamos acompanhando na imprensa o desenrolar das investigações do assassinato da adolescente Eloá (15 anos) pelo seu ex-namorado, o jovem Lindemberg (22 anos), em Santo André / SP. Mais um crime que nos choca e mais uma vez uma pessoa inocente é vítima de um desequilíbrio emocional.

Diante de tal acontecimento que leva, infelizmente, o nome do “amor”, o “matar por amor”, ficamos pasmos. Como não lembrar da expressão do Papa Bento XVI [1] que diz: “O eros inebriante e descontrolado não é subida (…), mas queda, degradação do homem (…), o eros necessita de disciplina.” Caso contrário, seu desequilíbrio chega ao extremo de fazer sofrer e até aniquilar uma pessoa a quem se ama, como a si mesmo.

  Somente o eros elevado até o amor “ágape” pode então se transformar em “amor que cuida, que não busca a si próprio, mas busca o bem do amado: torna-se renúncia, está disposto ao sacrifício, antes, procura-o pelo bem da pessoa amada”.[2] Mas a renúncia é um valor muito pouco valorizado nos nossos tempos. Filhos de um imediatismo cruel, de uma sociedade que tudo descarta quando se trata de um valor moral, religioso, evangélico, somos treinados inconscientemente para o desequilíbrio emocional. Aceitar perder, calar mesmo estando certo, silenciar para não ferir o outro , desculpar-se quando formos grosseiros… tudo parece sinônimo de ser abobalhado e, alguns ainda dizem: não é mais possível viver isso!

 O que diria Freud se estivesse vivo a contemplar esse “libido” enlouquecido dos nossos jovens onde tudo deve gerar, a qualquer custo, satisfação pessoal, prazer egoísta e possessividade? Também o filósofo Nietzsche precisaria ficar convencido de que o Cristianismo não põe veneno no eros, mas pelo contrário, dignifica-o, eleva-o e impulsiona-o a ir além da emoção, ou seja, torna-o amor que quer a felicidade do outro, saindo assim o eros da sua embriagues irracional.

 Recordo o Evangelho do Domingo em que morreu no hospital a adolescente Eloá (Mt 2, 15-21: Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César!) Fiquei pensando comigo: “Quem são os Césares do nosso tempo?” Não serão todos aqueles nos quais depositamos todas as nossas expectativas humanas como busca desesperadora por felicidade, por ser amado? César se proclamava “deus” e precisava corresponder às expectativas dos seus súditos. Eloá veio assim a se tornar “uma deusa” para o jovem Lindemberg. Ela não pôde corresponder às expectativas do ex-namorado e a ordem era a mesma de Herodes quanto ao pequeno menino Jesus: matar! Se não compartilha dos meus interesses não pode viver! Não é esta a nova “regra de ouro da violência” nos nossos dias?

 O amor eros é uma vitalidade indispensável! Ele é a mola propulsora das nossas emoções e essa capacidade de fazer emanar os impulsos, mas se não faz uma ascendência ao amor ágape, único capaz – diz o Papa Bento XVI – de prometer infinitude e eternidade, não pode amadurecer no cuidar, na promoção da felicidade de si e nem do outro. Tal amor eros não terá condições de deixar o outro livre, mas sua liberdade será sempre uma ameaça para mim.

 Será que a jovem Eloá tinha o direito de fazer sua opção enquanto digna do direito e da possibilidade de construir o seu futuro? Lindemberg não conseguiu compreender que “somos livres”, que Deus nos criou livres, com o altíssimo dom da liberdade e que, por meio dela, podemos até mesmo cometer a loucura de rejeitar amar o próprio Deus. Apesar disso, Deus não deixa de nos amar, ama-nos ao extremo de dar a vida do seu próprio Filho pela nossa salvação.

 Os pais costumam afirmar: “Nossos meninos não sabem mais amar!”. Nossos jovens não sabem mais o amor de altruísmo, que cuida, que dá a vida pelo outro e não o contrário, que rouba desastrosamente a vida do outro. Mas os pais não sabem mais dar limites aos filhos. As conseqüências desta educação são catastróficas. Nossos jovens estão amando errado porque já não conseguem encontrar nos pais aquele modelo de amor que renuncia pelo bem do outro, que perdoa, que protege, que sabe sempre recomeçar no amor quando o outro erra, que simplesmente ama.

 Também – dizem os pais – os nossos meninos não suportam mais ouvir um “não”! Qualquer “não” é sempre uma ameaça. Não se tem mais estrutura, maturidade humana para viver a abnegação e a capacidade de querer sempre a felicidade do amado mesmo que eu tenha que perder. Aqui não se pode esquecer daquela adolescente da cidade de Nazaré, a Virgem Maria, que soube refletir sobre o pedido do anjo, pediu-lhe uma explicação, mas livremente renunciou aos seus lindos planos para fazer a vontade de Deus. Quão bela foi a atitude do jovem José, seu castíssimo esposo: amou aquela adolescente e se dispôs a dá a vida por ela! O amor simplesmente ama em qualquer situação. Ah se os casais de hoje conseguissem viver isso e o comunicassem aos seus meninos e meninas!

 E perguntamos: por que nossos jovens não refletem mais suas decisões? A agressividade, o desespero e a violência são as respostas quando o coração não mais se eleva para dá uma resposta positiva aos “nãos” da vida? O amor, o verdadeiro amor não pode matar, mas ele se entrega livremente: “Ninguém me tira a vida, eu a dou por mim mesmo” (Jo 10,18). O verdadeiro amor não interrompe a beleza e o curso da vida, não arranca dela a única oportunidade de fazer sua escolha e buscar seus planos e sonhos. O amor não pode fazer de “uma paixão não correspondida” uma decisão cruel de destruir tal vida, por sua vez, tão jovem. Eloá só queria o direito de poder escolher um namorado que pudesse, com ela, construir uma família feliz e que pudessem como casal ensinar aos filhos o que é amar até o extremo para se querer a felicidade do outro. Realmente ela estava certa na sua decisão, mas não pode exercer sua liberdade de ao menos ter a chance de tentar no exercício de aprender a amar.

 Nada se pode justificar tamanha covardia, mas, apesar de tudo, não se pode esquecer que a misericórdia de Deus nunca destruirá a liberdade dos seus filhos. Essa misericórdia é a única que pode elevar a vida à sua altíssima vocação que é o amor a Deus. Lindemberg é hoje mais um réu de uma justiça humana, mas será sempre convidado a ser filho na comunhão do amor. Não vim para os bons, mas para os doentes, diz o Senhor da vida. Precisamos – nós cristãos – sair de um simples sensacionalismo e nos conscientizarmos de que o homem de hoje, as Famílias e, especialmente, os nossos jovens, precisam encontrar o Evangelho, que é uma Pessoa, Jesus Cristo, o único que pode satisfazer a todos os nossos mais profundos anseios do coração e da alma.

 Rezemos ao Pai, com Bento XVI,[3] através do coração de Maria: “Mostra-nos, ó Virgem e Mãe, o que é o amor, onde este tem sua origem e de onde recebe incessantemente sua força”. Ensina-nos Mãe e, aos pais de hoje, aos filhos e aos jovens namorados, o que é o amor e quem é o amor! Assim seja!

_______________________________________________________________
[1] Cf. Deus Caristas Est, 4. [2] Cf. Ibidem, 6.

[1] Deus Caristas Est, 40

- – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - -
por Antonio Marcos , Missionário na Comunidade de Vida Shalom ,
Comunidade Católica Shalom

O Humanóide das seitas

Filed under: Seitas e Religiões — vidanova at 3:49 pm on sexta-feira, outubro 31, 2008

Padre Inácio,OSBM

 

De acordo com estimativas de um estudo divulgado em 2006 pela Federação Internacional de Robótica, existe quase um milhão de robôs industriais em uso no mundo todo e, desses, quase a metade está na Ásia.

Os robôs são dignos do seu nome, derivado da palavra tcheca robota, que significa “trabalho forçado”.

 

Calcula-se que, em 2005, a indústria automobilística tinha um robô para cada dez trabalhadores.

Depois de onze anos de trabalho de extensas pesquisas e desenvolvimento – e de custos fabulosos em milhões de dólares -, engenheiros japoneses conseguiram criar um robô humanóide capaz de andar como uma pessoa em setembro de 1997.

Segundo um relatório divulgado pelo governo japonês prevê que em 2025 robôs vão conviver com os seres humanos e cuidar de crianças, doentes, idosos, e ajudar na educação dos filhos e realizar atividade do lar.

A administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA), dos Estados Unidos, está desenvolvendo um “robonauta”, um humanóide capaz de executar tarefas perigosas no espaço.

Comentando sobre os desafios técnicos da robótica, Jordan B. Pallack, pesquisador na área de inteligência artificial, afirmou: “Nós basicamente subestimamos a alta capacidade de programação da Mãe Natureza”.

“A complexidade de desenvolver supercomputadores, construir arranha-céus ou até planejar cidades inteiras é insignificante perto da tarefa de dar a máquinas características humanas como coordenação motora e sentidos como visão, olfato, audição e tato artificial, e algo que se aproxima da inteligência humana” escreveu a revista Business Week.

Nem tudo se consegue realizar pelo avanço da ciência e pelo progresso tecnológico. Mas se tudo isso fosse conseguido para o bem da humanidade, o mundo seria um “paraíso”.

 

A MANIPULAÇÃO

 

O humanóide – um robô semelhante ao ser humano. Hoje, como nunca, o ser humano é um verdadeiro robô com poucas atitudes humanas. São marionetes, vaquinhas de presépio e boçais nas garras dos líderes políticos corruptos, de falsos líderes religiosos e sectários.

A pior de toda manipulação é a religiosa. Porque está em jogo o destino da alma e o respeito das coisas sagradas. Usando o sagrado para promoção pessoal e a política para fins obscuros, é fazer desacreditar em tudo que é transcendental e fazer que muitos abominem a religião.

O falso líder religioso é o maior escandalizador e o mais perverso do que outros líderes. É o que tem de pior em sua ideologia. A sua principal prática é enganar e bradar com toda sua bizarra blasonar pelo maior número de fiéis robôs.

Não é tarefa fácil libertar os fiéis de tais líderes. É quase impossível. Mas temos o dever de trabalhar incansavelmente pela conscientização da verdade que revela quem são esses cruéis lobos vestidos de cordeiros.

A robótica religiosa sectária tem crescido assustadoramente. É a maior máquina da manipulação do mundo.

Seus líderes são os mercadores da fé. São capitalistas de “Deus”. Donos de palácios, do petróleo, de grandes meios de comunicação, belos templos e magnatas do tráfico.

Suas empresas religiosas – igrejas – seitas – promovem a luxúria, o cisma do ódio religioso, o terrorismo e a guerra.

O renomado escritor americano Norman Mailer (1923 – 2007), vaticinou: “Se o mundo for destruído ao longo deste século, acredito que será por guerras religiosas”.

A ganância, a soberba e a luxúria estacionaram em boa parte dos líderes religiosos. Por isso, não temem em guerrear pela defesa dos seus prazeres.

A falsa religião, sempre fez dos seus adeptos robôs. O trabalho forçado para aumentar o lucro, daí advém o poder religioso, político e econômico.

Os fantoches dormem pouco e trabalham muito, são escravos e ausente do prazer, para que tudo isso, goze o líder de liberdade e de todo tipo satisfação carnal.

“Na religião quantos erros diabólicos por algum sóbrio cenho são abençoados e aprovados em textos que cobrem a podridão com belos ornatos”, disse com categoria monumental o maior dramaturgo e gênio inglês em O mercador de Veneza, William Shakespeare (1564 – 1616).

 

CONCLUSÃO

 

Um dos principais mistérios a ser revelado para o aparente triunfo do poder radical do mal do tempo do fim é a robótica.

Conectados com a trindade satânica (o diabo, o falso profeta e o anticristo), com a ciência e a tecnologia, os falsos líderes religiosos, dominadores do poder religioso, político e econômico, vão liderar e influenciar governos para robotizar maiores número de pessoas em prol do seu projeto maquiavélico com roupagem religiosa. Irão comandar o mundo e lutar pela destruição total da Santa Igreja de Deus e seu projeto de vida, amor e justiça.

Não tenhamos medo, não somos robôs, e sim filhos do Eterno e Todo-Poderoso. A nossa vitória e de absoluta certeza
em Jesus Cristo.

“Vi então o céu aberto: eis que apareceu um cavalo branco, cujo montador se chama “Fiel” e “Verdadeiro”; ele julga e combate com justiça. Ele é: Reis dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19,11 e 16).

“O diabo que os seduzira foi então lançado no lago de fogo e enxofre, onde já se achava a besta e o falso profeta. E serão atormentados dia e noite, pelos séculos dos séculos” (Ap 20,10).

Maranata!!!

 

 

Pe. Inácio José do Vale

Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo

Professor de História da igreja

Faculdade de Teologia de Volta redonda

Futuro sacerdote deve ter maturidade psicológica e equilíbrio afetivo

Filed under: Afetividade e Sexualidade,Formação Humana,Noticias,Santa Sé — vidanova at 7:09 am on sexta-feira, outubro 31, 2008

A Santa Sé publica um documento com orientações para formadores e bispos

 

Por Carmen Villa

 

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 30 de outubro de 2008 – A Sagrada Congregação para a Educação Católica divulgou hoje o documento «Orientações para o uso das competências da psicologia na admissão e na formação dos candidatos ao sacerdócio», apresentado numa coletiva de imprensa pelo prefeito, Cardeal Zenon Grocholewsky, e pelo secretário, Dom Jean-Louis Brugues. 

 

O texto ressalta a importância de que os bispos e formadores possam orientar os aspirantes em uma sólida maturidade psicológica e afetiva, assim como em uma rica vida espiritual, que lhes permitam enfrentar as exigências próprias da vocação ao sacerdócio, especialmente no que referente ao tema do celibato. 

 

O documento assegura que quem sente a vocação cristã ao sacerdócio, além de estar chamado a viver as virtudes morais e teologais, deve ter um «sólido equilíbrio humano e psíquico, particularmente no campo afetivo, de forma que permita ao sujeito estar predisposto de maneira adequada a uma doação verdadeiramente livre na relação com os fiéis, segundo a vida celibatária». 

 

Assinala também as qualidades que devem caracterizar todo sacerdote: «o sentido positivo e estável da própria identidade viril e a capacidade de relacionar-se de forma madura com outras pessoas ou grupos de pessoas; um sólido senso de pertença, fundamento da futura comunhão com o presbitério e de uma responsável colaboração com o ministério do bispo». 

 

Segundo o documento, o candidato poderá ter uma correta compreensão do significado de sua vocação se esta for cultivada em um «clima de fé, oração, meditação da Palavra de Deus, estudo da teologia e vida comunitária». 

 

Também adverte que quem aspira a entrar no seminário reflete em maior ou menor medida os males da sociedade atual como o materialismo, a instabilidade familiar, o relativismo moral, uma visão errada da sexualidade e uma influência negativa por parte dos meios de comunicação. 

 

O papel dos formadores 

 

O documento afirma que a pessoa que se encarrega da formação de seminaristas deve ser «um bom conhecedor da pessoa humana, de seus ritmos de crescimento, de suas potencialidades e fraquezas e de seu modo de viver a relação com Deus». 

 

Assegura que é necessário que se conheça prudentemente a história do candidato; este não deve ser o único critério decisivo, mas é necessário que o formador veja «a pessoa em sua globalidade e em seu progresso de desenvolvimento», para assim evitar que se cometam erros no discernimento, freqüentes na preparação dos candidatos para a vida sacerdotal. 

 

Indica também que é dever dos formadores conhecer com precisão «a personalidade, as potencialidades, as disposições e a diversidade dos prováveis tipos de feridas, avaliando sua natureza e intensidade». E adverte as tendências de alguns dos candidatos a «minimizar ou negar as próprias fraquezas, temendo a possibilidade de não serem entendidos e, por este motivo, não serem aceitos». 

 

Ajuda da psicologia 

 

A publicação assegura que, nos casos excepcionais que apresentem particulares dificuldades, o recurso ao psicólogo pode «ajudar o candidato na superação daquelas feridas, visando sempre a uma cada vez mais estável e profunda interiorização do estilo de vida de Jesus, Bom Pastor, Cabeça e Esposo da Igreja». 

 

Para isso, recomenda a realização de testes ou entrevistas com o «prévio, explícito, informado e livre consentimento do candidato» e, por sua vez, pede evitar «o uso de técnicas psicológicas e psicoterapêuticas especializadas por parte dos formadores». 

 

Os psicólogos que realizem este tipo de trabalho devem ter uma «sólida maturidade humana e espiritual» assim como uma «concepção cristã sobre a pessoa humana, a sexualidade, a vocação sacerdotal e o celibato». 

 O documento deixa claro que o candidato deve fazer uma livre escolha sobre o psicólogo que for de seu agrado. E declara que «a direção espiritual não pode ser de forma alguma substituída por formas de análise ou de ajuda psicológica» e que a vida espiritual «por si mesma favorece um crescimento nas virtudes humanas, se não existem bloqueios de natureza psicológica». 

Dia dos fiéis defuntos: Bento XVI convida a meditar sobre eternidade

Filed under: Liturgia,Noticias,Santa Sé — vidanova at 6:57 am on quinta-feira, outubro 30, 2008

Uma reflexão diferente do Halloween

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 29 de outubro de 2008 – Bento XVI propôs meditar sobre a eternidade neste fim de semana, já que em 2 de novembro se comemora o dia dos fiéis defuntos. Com sua proposta o Papa convidou a orientar a vida aos valores que não perecem, uma autêntica alternativa a muitas das festas de Halloween que acontecerão neste fim de semana. Falando em esloveno, o pontífice explicou que «no próximo domingo, a Igreja convida a rezar pelos falecidos.

Que sua lembrança nos leve a meditar sobre a eternidade, orientando nossa vida aos valores que não perecem».No dia anterior, 1º de novembro, a Igreja celebrará a solenidade de todos os santos.

Esta festa, como todas as solenidades, começa na noite anterior. Por isso, a noite de 31 de outubro se chama, em inglês, All hallow’s eve (véspera de todos os santos). Mais tarde All hallow’s eve abreviou-se para Halloween. Mas, como as celebrações de um povo refletem sua cultura e sua fé, Halloween deixou de ser uma festa cristã para converter-se em uma fantasia de bruxas e fantasmas. 

Bento XVI nos 50 anos da eleição de João XXIII

Filed under: Noticias,Santa Sé — vidanova at 6:54 am on quinta-feira, outubro 30, 2008

Discurso após a celebração eucarística na Basílica de São Pedro, no Vaticano

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 29 de outubro de 2008 - Publicamos o discurso que Bento XVI pronunciou após a celebração eucarística que o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado, presidiu às 18h desta terça-feira, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, para celebrar o qüinquagésimo aniversário da eleição de João XXIII como papa. 

 

* * *

 

Senhor cardeal secretário de Estado, 

 

venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio, 

 

queridos irmãos e irmãs: 

 

Compraz-me poder compartilhar convosco esta homenagem ao beato João XXIII, meu querido predecessor, no aniversário de sua eleição à cátedra de Pedro. Alegro-me convosco pela iniciativa e agradeço ao Senhor que nos permita reviver o anúncio de «grande alegria» (gaudium magnum) que ressoou há cinqüenta anos, neste dia a esta hora, desde o balcão da Basílica Vaticana. 

 

Foi um prelúdio e uma profecia da experiência de paternidade, que Deus nos teria oferecido abundantemente através das palavras, dos gestos e do serviço eclesial do Papa Bom. A graça de Deus preparava uma estação comprometedora e promissora para a Igreja e para a sociedade, e encontrou na docilidade ao Espírito Santo, que caracterizou toda a vida de João XXIII, o bom terreno para fazer germinar a concórdia, a esperança, a unidade e a paz, para o bem de toda a humanidade. O Papa João apresentou a fé em Cristo e a pertença à Igreja, Mãe e Mestra, como garantia do fecundo testemunho cristão no mundo. Deste modo, nas fortes contraposições de seu tempo, o Papa foi um homem e pastor da paz, que soube abrir no Oriente e no Ocidente inesperados horizontes de fraternidade entre os cristãos e de diálogo com todos. 

 

A diocese de Bérgamo está em festa e não podia perder o encontro espiritual com seu filho mais ilustre, «um irmão convertido em pai pela vontade de nosso Senhor», como ele mesmo disse. Junto à confissão de apóstolo Pedro, descansam seus venerados restos mortais. Desde este lugar amado por todos os batizados, ele vos repete: «Sou Giuseppe, vosso irmão». Viestes para reafirmar os laços comuns e a fé os abre a uma dimensão verdadeiramente católica. Por este motivo, quisestes encontrar-vos com o bispo de Roma, que é pai universal. Guia-vos vosso pastor, Dom Roberto Amadei, acompanhado por vosso bispo auxiliar. Agradeço a Dom Amadei pelas amáveis palavras que me dirigiu m nome de todos e expresso a cada um minha gratidão por vosso afeto e devoção. Sinto-me alentado por vossa oração, enquanto vos exorto a seguir o exemplo e o ensinamento do Papa, vosso conterrâneo. O servo de Deus João Paulo II o proclamou beato, reconhecendo que os traços de sua santidade de pai e pastor continuavam resplandecendo diante de toda a família humana. 

 

Na santa missa presidida pelo senhor cardeal secretário de Estado, a Palavra de Deus vos acolheu e introduziu na ação de graças perfeita de Cristo ao Pai. N’Ele encontramos os santos, beatos e todos que nos precederam no sinal da fé. Sua herança está, pois, em vossas mãos. Um dom verdadeiramente especial, oferecido à Igreja com João XXIII, foi o Concílio Ecumênico Vaticano II, decidido por ele, preparado e iniciado. Todos nós estamos comprometidos em acolher de maneira adequada esse dom, meditando em seus ensinamentos e traduzindo na vida suas indicações operativas. É o que vós mesmos procurastes fazer nestes anos, como indivíduos e como comunidade diocesana. Em particular, recentemente, vos haveis comprometido no Sínodo diocesano, dedicado à paróquia: nele voltastes ao manancial conciliar para buscar a luz e o calor necessários para voltar a fazer da paróquia uma articulação viva e dinâmica da comunidade diocesana. Na paróquia se aprende a viver concretamente a própria fé. Isso permite manter viva a rica tradição do passado e voltar a propor os valores em um ambiente social secularizado, que se apresenta com freqüência hostil e indiferente. Pensando precisamente em situações deste tipo, o Papa João disse na encíclica Pacem in terris: os crentes «sejam como centelhas de luz, viveiros de amor e fermento para toda a massa, efeito que será tanto maior quanto mais estreita for a união de cada alma com Deus» (n. 164). Este foi o programa de vida do grande pontífice e nisso pode converter-se o ideal de todo crente e de toda comunidade cristã que souber encontrar, na celebração eucarística, a fonte do amor gratuito, fiel e misericordioso do Crucificado ressuscitado. 

 

Permiti-me que mencione em particular a família, sujeito central da vida eclesial, seio de educação na fé e célula insubstituível da vida social. Neste sentido, o futuro Papa João escrevia em uma carta aos familiares: «A educação que deixa marcas mais profundas sempre é a de casa. Eu me esqueci de muito do que li nos livros, mas recordo muito bem ainda tudo o que aprendi dos pais e idosos» (20 de dezembro de 1932). Em particular, na família se aprende a viver o preceito cotidiano e fundamental do amor. Precisamente por este motivo a Igreja atribui tanta importância à família, pois tem a missão de manifestar por toda parte, por meio de seus filhos, «a grandeza da caridade cristã, para o qual não há nada mais válido para extirpar as sementes de discórdia, não há nada mais eficaz para favorecer a concórdia, a justa paz e a união fraterna de todos» (Gaudet Mater Ecclesia, 33). 

 

Concluindo, volto a referir-me à paróquia, tema do sínodo diocesano. Vós conheceis a solicitude do Papa João XXIII por este organismo tão importante para a vida eclesial. Com muita confiança, o Papa Roncalli confiava à paróquia, família de famílias, a tarefa de alimentar entre os fiéis os sentimentos de comunhão e de fraternidade. Plasmada pela Eucaristia, a paróquia poderá converter-se – segundo ele acreditava – em fermento de sã inquietude no difundido consumismo e individualismo de nosso tempo, despertando a solidariedade e abrindo na fé o olhar do coração para reconhecer o Pai, que é amor gratuito, desejoso de compartilhar com os filhos sua própria alegria. 

 

Queridos amigos: acompanhou-vos em Roma a imagem de Nossa Senhoa que o Papa João recebeu como presente em sua visita a Loreto, poucos dias antes da inauguração do Concílio. Ele quis que a estátua fosse colocada no seminário episcopal dedicado ao seu nome na diocese natal, e vejo com alegria que há muitos seminaristas entusiasmados com sua vocação. Ponho nas mãos da Mãe de Deus todas as famílias e paróquias, propondo-lhes o modelo da Sagrada Família de Nazaré: que elas sejam o primeiro seminário e saibam fazer crescer em seu âmbito vocações ao sacerdócio, à missão, a consagração religiosa, à vida familiar segundo o coração de Cristo. Em uma famosa visita durante os primeiros meses de seu pontificado, o beato perguntou a quem o escutava qual era sentido daquele encontro e o próprio Papa deu a resposta: «O Papa pôs seus olhos nos vossos e seu coração junto ao vosso» (em seu primeiro Natal como Papa, 1958). Peço ao Papa João que nos permita experimentar a proximidade de seu olhar e de seu coração para sentir-nos verdadeiramente família de Deus. 

 

Com estes desejos, envio com alegria minha afetuosa benção aos peregrinos de Bérgamo, em particular aos de Sotto il Monte, berço do beato pontífice, que tive a alegria de visitar há alguns anos, assim como às autoridades, aos fiéis romanos e orientais aqui presentes, e a todas as pessoas queridas. 

 

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri 

 © Libreria Editrice Vaticana]

Próxima Página »