O verdadeiro Messias

Filed under: Espiritualidade — vidanova at 7:53 am on terça-feira, março 31, 2009

“A crucificação é a mais cruel e revoltante penalidade. A própria palavra cruz devia não apenas ficar longe do corpo de um cidadão romano, mas também de seus pensamentos, seus olhos e seus ouvidos”.
Marco Túlio Cícero (106-43 a.C.).
O Maior Orador Romano e Político

Pelo fator histórico sabemos que Jesus foi mais um entre milhares de crucificados pelo poder romano na Palestina.
Jehohanan, judeu como Jesus, foi crucificado, e quase ninguém ouviu falar dele.
Se Jesus não fosse o verdadeiro Messias, filho de Maria, filho adotivo de José, o filho de Deus, batizado por João Batista e não tivesse se refugiado no Egito, certamente a sua vida mergulharia no esquecimento da História Universal.
O que Jesus trouxe para ser aceito e reconhecido como o verdadeiro Messias? Quem responde é o Papa Bento XVI: “A resposta é dada de um modo muito simples: Deus nos trouxe Deus. Jesus trouxe Deus e assim a verdade sobre a nossa origem; a fé, a esperança e o amor. Somente por causa da dureza do nosso coração é que pensamos que isso seja pouco”.
Foi o próprio Jesus que disse: “É pelos seus frutos que os reconhecereis” (Mt 7,20).
1. Todas as profecias do Antigo Testamento se cumpriram com precisão em Jesus Cristo (Lc 24,44).
2. O único a ser gerado por obra e graça do Divino Espírito Santo no seio de uma virgem. É assim foi aceita como esposa de um homem justo (Mt 1,19).
3. Testemunhos de várias pessoas: a mulher cananéia: “Senhor, filho de Davi” (Mt 16,22). Simão Pedro: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (Mt 16,16). O centurião e os que com ele guardavam a Jesus, ao verem o terremoto e tudo mais que estava acontecendo, ficaram muito amedrontados e disseram: “De fato, este era o Filho de Deus” (Mt 27,54). Nicodemos, um notável entre os judeus, mestre de Israel. Á noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: “Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como um mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3,1.2).
4. Milagres, curas, libertação dos oprimidos dos demônios e ressurreição de mortos. “Quem é este a quem até os ventos e o mar obedecem?” (Mt 8,27). “Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. Se esse homem não viesse de Deus, nada poderia fazer” (Jo 9,32.33). “Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição”. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. Crês nisso? Disse Marta: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo” (Jo 11,25-27). “Pois tinha mais de quarenta anos o homem em quem se operara aquele milagre de saúde” (Atos 3,1-8.16; 4,22).
5. Julgamento de um homem inocente que só fez o bem e amou a todos. Seu julgamento injusto, controvertido, que envolveu o Império Romano, o Sinédrio, o rei, Herodes e o povo. “Vendo Pilatos que nada conseguia, mas, ao contrário, a desordem aumentava, pegou água e, lavando as mãos na presença da multidão, disse: Estou inocente desse sangue. A responsabilidade é vossa” (Mt 27,24). Esta é a principal cena do mais importante julgamento da História que jamais será apagada e esquecida.
6. Ressuscitado dos mortos. O primeiro historiador da Igreja Lucas escreve: “É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” (Lc 24,34). São vários testemunhos da ressurreição do Messias: “Maria Madalena”, “os apóstolos” (Jo 20,11-30). “Os dois discípulos no caminho de Emaús” (24,13-35). “Ao apóstolo Paulo e por mais de quinhentos irmãos” (1 Cor 15,1-8). Depois dessas provas irrefutáveis, temos do Espírito Santo a revelação divina que cremos pela graça da fé.
CONCLUSÃO

Somente o sangue imaculado de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo derramado na dolorosa cruz do Calvário tem o poder de purificar todo o pecado na alma do mais vil pecador.
Esse é único sacrifício que a humanidade depende para salvação.
A missão de Cristo na cruz é o único meio que faz transportar a pessoa do erro para verdade, das trevas para luz, do pecado para o perdão e santificação, da maldição para benção, da perdição para salvação do inferno para o céu.
O escândalo da Cruz de Cristo é uma obra de maior feito e riqueza na História do mundo que ainda é para muita gente incompreensível e não aceito.
Esse tão rico tesouro e tão profundo é esse mistério, é revelado aos filhos de Deus por graça e fé na pessoa do Redentor.
A cruz é contraditória e paradoxal para mente racional, no entanto, nela centraliza toda justiça e a radicalidade do amor de Deus para remissão do gênero humano.
É ao pé da Cruz do Redentor que todos precisam se ajoelhar para contemplar seu estado de pecador e ao mesmo tempo de perdoado e regenerado pelo sangue do Cordeiro Imaculado e depois contemplar as mansões celestiais.
Foi no Calvário que se abriu no coração de Jesus Cristo a nossa morada eterna.
O nosso lar celestial no coração de Jesus nasceu no Calvário e graças à misericórdia do amor bom Deus.
A missão de Jesus Cristo na cruz foi obra perfeita e única da redenção humana. A maior expressão do amor de Deus.

 

 

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por
Católicos na Rede

POR QUE A IGREJA CATÓLICA TEM SIDO TÃO DURAMENTE ATACADA?

Filed under: Sem categoria — vidanova at 7:52 am on terça-feira, março 31, 2009

Por Marcos Monteiro Grillo

Que a Igreja Católica, nos últimos anos, tem sofrido uma série de ataques, isso não é novidade alguma. Especialmente por causa da defesa dos princípios e valores morais cristãos, a Igreja tem sido acusada de “ultrapassada”, “retrógrada”, “insensível”, “obtusa” etc. Não obstante, nas últimas semanas temos visto a Igreja Católica no Brasil ser alvo de impropérios ainda mais furiosos. Isso por causa das atitudes de dois Bispos: o Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Di Cillo Pagotto, e o Arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho. O primeiro por ter suspenso o Pe. Luiz Couto de suas atividades sacerdotais, em razão do referido padre ter manifestado, numa entrevista, ser contrário ao celibato clerical, a favor do uso da camisinha e contra a discriminação aos homossexuais (sendo importante salientar que os ativistas homossexuais costumam classificar como “discriminação” qualquer crítica que se faça ao comportamento homossexual). Já Dom José Cardoso Sobrinho tem sido execrado por ter anunciado a excomunhão dos médicos, familiares e outras pessoas que participaram do aborto de dois bebês gêmeos, filhos de uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto.

Muito já se tem dito sobre as atitudes dos dois Bispos citados, razão pela qual não pretendemos nos alongar comentando-as. O objetivo do presente artigo é propiciar uma reflexão sobre as razões pelas quais esses dois episódios têm causado tanta celeuma e despertado tanto ódio.

Em primeiro lugar, chama-nos a atenção a ignorância daqueles que se apressam em comentar os acontecimentos em questão. No caso de Dom Aldo Pagotto, a grande maioria das pessoas demonstra ignorar completamente o grande significado que o ofício sacerdotal tem na Igreja Católica. Com efeito, a responsabilidade de um sacerdote católico é muito grande. Ao sacerdote compete ministrar os sacramentos da Igreja, os quais foram instituídos pelo próprio Senhor Jesus Cristo para a salvação e crescimento espiritual dos fiéis. Não é à toa que, quando ministra um sacramento, o sacerdote atua in persona Christi, ou seja, ele faz as vezes de Cristo, é como se fosse o próprio Cristo a ministrar o sacramento! Sendo assim, é evidente que o sacerdote deve estar em íntima e perfeita comunhão com a Igreja, de quem recebeu, pelo sacramento da Ordem, o múnus sacerdotal, e isso para que não venha a causar confusão ou escândalo entre os fiéis na sua condição de sacerdote, e para que não exista o risco de que esse sacerdote ministre sacramentos invalidamente. No caso do Pe. Luiz Couto, restou claro que ele não está em perfeita comunhão com a doutrina da Igreja (a qual prevê o celibato clerical, proíbe o uso da camisinha e não hesita em reprovar a prática homossexual como pecaminosa, ainda que tal reprovação seja considerada “discriminação”). É por essa razão, ou seja, pelo fato do Pe. Luiz Couto demonstrar publicamente suas discordâncias com relação à doutrina católica e sua insubordinação à autoridade da Igreja, causando escândalo e outros danos aos fiéis, que Dom Aldo o suspendeu de suas funções sacerdotais. No entanto, nada disso é levado em consideração pelos críticos do Arcebispo da Paraíba. Para tais críticos, Dom Aldo não passa de um “Inquisidor”, um Bispo “insensível” que está “perseguindo” o Pe. Luiz Couto. Não existe a menor preocupação em saber as verdadeiras razões da suspensão do sacerdote, muito menos em conhecer as responsabilidades e os deveres de um Bispo no cuidado do rebanho que lhe foi confiado.

A mesma ignorância ficou patente no episódio envolvendo Dom José Cardoso Sobrinho. Ora, o Arcebispo de Olinda e Recife não excomungou ninguém! Ele apenas tornou pública a pena prevista pelo Código de Direito Canônico vigente para aqueles envolvidos na prática do aborto:

Cân. 1398 – Quem provoca o aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae.”

Em outras palavras, quem colabora na realização de um aborto está automaticamente excomungado, não sendo necessário nenhum processo prévio e nem que alguma autoridade eclesiástica profira a sentença [1]. Essa é a lei da Igreja, e Dom José Sobrinho não fez nada além de torná-la pública. (Obs.: se algum leitor deste artigo envolveu-se, direta ou indiretamente na prática de um aborto, pedimos que, caso não se sinta à vontade para continuar a leitura, vá direto para o último parágrafo, e depois, se assim o desejar, pode voltar e ler o artigo na íntegra.)

Mas, além disso, Dom José Sobrinho também tem sido criticado por pelo menos outros dois motivos: 1) por não ter “excomungado” o estuprador da menina; e 2) por ter dito que o aborto é um pecado mais grave do que o estupro. Ora, com relação à primeira acusação, a verdade é que, como já dissemos, Dom José Sobrinho não excomungou ninguém, mas apenas tornou pública a pena prevista pelo Código de Direito Canônico para pessoas envolvidas na prática do aborto. Além disso, o estupro, embora seja um pecado gravíssimo, não é punível com pena de excomunhão de acordo com a lei da Igreja, o que não quer dizer, de forma alguma, que o estupro é um pecado “tolerado” pela Igreja. A pena de excomunhão para quem pratica o aborto visa proteger a vida humana em seu estágio mais frágil, isto é, proteger o ser humano quando este se encontra totalmente indefeso e inocente. Quanto à segunda acusação, é o caso de perguntarmos: o que é mais grave, um estupro ou a morte de um ser humano? A resposta parece-nos óbvia. E ninguém pode negar que todo aborto significa a morte de um ser humano absolutamente inocente e indefeso.

Mas a ignorância não é o único fator dentre aqueles aos quais podemos atribuir a onda de ódio que tem se abatido sobre a Igreja no Brasil. Podemos destacar, em segundo lugar, o hedonismo, ou seja, a filosofia segundo a qual tudo que importa (ou o que mais importa) é o prazer individual e imediato, filosofia essa que grassa em nossos dias. Sendo assim, tudo que represente um obstáculo a essa busca desenfreada pelo prazer torna-se objeto de repulsa, e essa é uma das razões pelas quais Dom Aldo Pagotto e Dom José Sobrinho passaram a ser vistos com maus olhos pela grande maioria da opinião pública: o primeiro por ter reafirmado a moral católica ao suspender um sacerdote que vinha insistindo em se posicionar ao lado do ativismo homossexual (e, como já dissemos, a moral católica reprova a prática homossexual), devendo-se ressaltar que a moral católica prescreve a vivência da sexualidade de forma responsável, dentro do matrimônio e aberta à vida, princípios que constituem um empecilho a uma experiência mais “livre” da sexualidade; já com relação a Dom José Sobrinho, sua radical e contundente crítica ao aborto (em total consonância com a doutrina da Igreja, diga-se de passagem) não poderia mesmo ser vista de forma positiva numa época em que o aborto de gestações “não planejadas” (ou “indesejadas”) parece algo “normal”, um “direito” da mulher (como se o direito da mulher sobre o seu corpo incluísse a possibilidade de decretar a morte de um ser humano que tivesse a “desventura” de surgir em seu ventre).

Podemos ainda citar, dentre as causas da ira acirrada contra a Igreja Católica nas últimas semanas, o relativismo e o subjetivismo que imperam em nossos dias. Na atualidade, parece só existir uma única verdade absoluta, a saber, que não existem verdades absolutas! Assim sendo, o posicionamento da Igreja Católica seria tão-somente um posicionamento entre outros igualmente “legítimos” e “válidos”, todos “equivalentes”, não podendo a Igreja Católica ter a “pretensão” de deter a verdade sobre o que quer que seja (nem mesmo em matéria de fé e de moral!). Já o subjetivismo pode ser entendido como a idéia de que cada um pode e deve ter a sua própria opinião sobre tudo (mesmo que se ignore completamente o assunto em questão), que a verdade varia de acordo com a percepção de cada um, e que por isso ninguém pode pretender “impor” a sua “opinião” a outrem. Por causa desse relativismo e desse subjetivismo, Dom Aldo e Dom José Sobrinho cometeram “crimes inaceitáveis”, o primeiro por suspender um padre que manifestou publicamente suas opiniões contrárias à doutrina da Igreja (“ora, todo mundo tem o ‘direito’ de expressar suas opiniões sem corre o risco de ser punido por isso!”), e o segundo por anunciar, em conformidade com a lei da Igreja, a excomunhão de pessoas envolvidas numa prática radicalmente condenada pela Igreja (“mas, ora, o aborto deve ser um ‘direito’ que as pessoas possam exercer quando bem entenderem, e a Igreja não tem nada com isso!”).

Destaque-se também a superficialidade que caracteriza os nossos dias. O que vemos atualmente é que a grande maioria das pessoas parece não levar nada muito a sério. Tanto as relações interpessoais quanto as relações com a Igreja e as demais religiões, com as instituições, enfim, tudo parece ser vivido de forma superficial, sem comprometimento, sem seriedade. Por isso soam tão “absurdas” as atitudes de Dom Aldo e de Dom José Sobrinho, que se prendem a “filigranas”, a “dogmas” que não têm espaço nem valor num tempo no mundo de hoje, cujo lema bem poderia ser: “viva e deixe viver”!

Finalmente, dentre as causas da ojeriza da qual a Igreja tem sido alvo nas últimas semanas, citamos o laicismo feroz que tem se difundido em nossos dias, segundo o qual a Igreja não deve se intrometer na vida pública, ou deve se intrometer o mínimo possível. Por isso se tem defendido com veemência o banimento de crucifixos e demais símbolos católicos dos espaços públicos; por isso se tem rechaçado energicamente a intervenção da Igreja na discussão das “políticas públicas” relativas, por exemplo, à legalização do aborto, ao uso das células-tronco embrionárias em pesquisas científicas, à distribuição de camisinhas, à criminalização da “homofobia”, etc. Nesses e em outros assuntos, a ordem é que “Igreja e Estado não devem se misturar”, como se a Igreja Católica, tendo sido fundada há 2.000 anos por Nosso Senhor Jesus Cristo (de quem recebeu a missão de anunciar ao Evangelho, preservar a doutrina e ministrar os sacramentos) e tendo influenciado decisivamente toda a civilização ocidental, não pudesse ter o direito nem a “pretensão” de expressar o seu posicionamento com relação a assuntos de suma importância para os indivíduos e para a sociedade como um todo. Infelizmente, esse laicismo exacerbado é sinal de um afastamento cada vez maior de Deus e do sagrado, num mundo onde as pessoas parecem muito mais preocupadas em “curtir a vida” (por isso também o culto ao corpo e à saúde, e a avidez por mais e mais bens materiais) do que em encontrar o verdadeiro e único sentido da nossa existência: Deus. Também por isso Dom Aldo Pagotto e Dom José Sobrinho tornaram-se pessoas “inconvenientes”. A própria Igreja Católica torna-se a cada dia mais “inconveniente”, e por isso deve calar-se, como devem se calar Dom Aldo Pagotto e Dom José Sobrinho. Mas a Igreja de Cristo jamais se calará, e “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt. 16,18).

Queremos concluir este artigo com uma palavra a todas as pessoas que porventura tenham contribuído, direta ou indiretamente, para realização de um aborto. Não é desejo da Igreja condenar ninguém, nem mandar ninguém para o inferno. A Igreja não deseja que ninguém sofra sob o peso da culpa. A Igreja tem o dever de ser “sal da terra” (Mt 5,13) e “luz do mundo” (Mt 5,14-16), isto é, o dever de indicar à humanidade os modelos a serem seguidos. E tal dever, longe de ser uma “absurda pretensão da Igreja”, é um dever que foi confiado a ela pelo Seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo, dever esse ao qual a Igreja jamais se furtará. Não obstante, à Igreja também foi outorgado o poder do perdão e da reconciliação (“Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.” Jo 20, 23). Nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio da Sua Igreja, está pronto a perdoar a todo aquele que estiver sinceramente arrependido. Por isso pedimos a todos os católicos que eventualmente participaram de um aborto que procurem, o quanto antes, um padre que seja reconhecidamente sério, responsável e fiel à doutrina da Igreja (dizemos isso porque, lamentavelmente, nem todos os padres têm essas características), ou mesmo o Bispo de sua Diocese, a fim de confessarem os seus pecados e receberem a graça do perdão e da reconciliação com Deus e com Sua Igreja

 

 

[1] Com relação à aplicação das penas previstas no Código de Direito Canônico, especialmente no que diz respeito ao caso em questão (bem como ao delito do aborto de um modo geral), é importante ressaltar as informações abaixo, todas extraídas do referido Código:

Cân. 1323 – Não é passível de nenhuma pena, ao violar a lei ou o preceito:

1º quem ainda não completou dezesseis anos de idade;

(…)

Cân. 1324 – § 1. O autor da violação não se exime da pena, mas a pena estabelecida pela lei ou pelo preceito deve ser mitigada ou substituída por uma penitência, se o delito foi cometido:

1º (…)

5º Por alguém que foi coagido por medo grave, mesmo que só relativo, ou por necessidade, ou por grave incômodo, se o delito for intrinsecamente mau ou redundar em dano das almas;

(…)

§ 3. Nas circunstâncias mencionadas no § 1, o réu não incorre em penas latae sententiae.”

Dessa forma, há que se levar em consideração as informações acima quando do julgamento e da aplicação de penas a mulheres, adolescentes ou mesmo crianças cujos filhos venham a ser abortados.

Fonte: www.veritatis.com.br

Páscoa, passagem da velhice à juventude

Filed under: Artigos,Liturgia — vidanova at 7:46 am on terça-feira, março 31, 2009

Tentemos agora assinalar algumas consequências práticas que esta visão bíblica do papel do Espírito Santo pode ter para nossa teologia e para nossa vida espiritual. Quanto às aplicações teológicas, recordo apenas uma: a participação dos cristãos no empenho pelo respeito e a salvaguarda da criação. Para o crente cristão, a ecologia não é apenas uma necessidade prática de sobrevivência ou um problema apenas político e econômico, mas tem um fundamento teológico. A criação é obra do Espírito Santo!

Paulo nos falou de uma criação que “geme e sofre dores de parto”. A esta dor de parto, hoje se mescla uma dor de agonia e morte. A natureza está submetida, uma vez mais “sem sua vontade”, a uma arrogância e corrupção, diferentes daquelas de ordem espiritual que Paulo entendia, mas derivadas da mesma fonte que é o pecado e o egoísmo do homem.

O texto paulino que estamos meditando poderia inspirar mais de uma consideração sobre o problema da ecologia: nós que recebemos as primícias do espírito estamos apressando a “plena libertação do cosmo e sua participação na glória dos filhos de Deus”, ou a estamos atrasando, como os demais?

Mas vamos à explicação mais pessoal. Dizemos que o homem é um microcosmo; a ele, portanto, como indivíduo, aplica-se tudo o que dissemos em geral do cosmo. O Espírito Santo é aquele que faz passar a cada um de nós do caos ao cosmo; da desordem, da confusão e da dispersão, à ordem, unidade e beleza. Essa beleza que consiste em ser conformes à vontade de Deus e à imagem de Cristo, passando do homem velho ao homem novo.

Com uma referência veladamente autobiográfica, o apóstolo escrevia aos Coríntios: “É por isso que não desfalecemos. Ainda que exteriormente se desconjunte nosso homem exterior, nosso interior renova-se de dia para dia” (2 Cor 4, 16). A evolução do espírito não acontece paralelamente à do corpo, mas em sentido contrário.

Nestes últimos dias, através dos três prêmios Oscar recebidos e da celebridade do protagonista, falou muito do filme “O curioso caso de Benjamin Button”, tomado de uma narrativa do escritor Francis Scott Key Fitzgerald.

É a história de um homem que nasce velho, com fortes traços de um octogenário, e, crescendo, rejuvenesce, até morrer como uma verdadeira criança. A história é naturalmente paradoxal, mas pode ter uma aplicação verdadeira se se transfere ao plano espiritual. Nós nascemos como “homens velhos” e devemos nos converter em “homens novos”. Toda a vida, não apenas a adolescência, é uma idade evolutiva”!

Segundo o Evangelho, criança não se nasce, mas se chega a ser! Um Padre da Igreja, São Máximo de Turim, define a Páscoa como uma passagem “dos pecados à santidade, dos vícios à virtude, da velhice à juventude, que se entende não em idade, mas em simplicidade. Éramos de fato decadentes pela velhice dos pecados, mas pela ressurreição de Cristo fomos renovados na inocência das crianças”.

A Quaresma é o tempo ideal para aplicar-se neste rejuvenescimento. Um prefácio deste tempo diz: “Tu estabeleceste para teus filhos um tempo de renovação espiritual, para que se convertam a ti com todo coração e, livres dos fermentos do pecado, vivam as vicissitudes deste mundo, orientados sempre para os bens eternos”. Uma oração que remonta ao Sacramentário Gelasiano do século VII e que ainda se usa na vigília pascal, proclama solenemente: “Que todo o mundo veja e reconheça que o que está destruído se reconstrói, e tudo volta a sua integridade, por meio de Cristo, que é o princípio de todas as coisas”.

O Espírito Santo é a alma desta renovação e deste rejuvenescimento. Comecemos nossos dias dizendo, com o primeiro verso do hino em sua honra: “Veni, creator Spiritus”: Vem, Espírito criador, renova em minha vida o prodígio da primeira criação, sopra sobre o vazio as trevas e o caos do meu coração, e guia-me para a realização plena do “plano inteligente” de Deus sobre minha vida.

 

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por Frei Raniero Cantalamessa – ofmcap, Pregador do Vaticano
Site Frei Raniero

A Semana Santa: simbolos e significado

Filed under: Liturgia — vidanova at 8:01 am on segunda-feira, março 30, 2009
A Igreja propõe aos cristãos os sagrados mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus, tornado Homem, para no martírio da Cruz e na vitória sobre a morte, oferecer a todos os homens a graça da salvação.

 

Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus.A Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus, com ramos e matos proclamando: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38; Mt 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor.

Quinta-feira Santa

Celebramos a Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a eucaristia. Na Quinta-feira Santa, destacamos dois grandes acontecimentos:

Bênção dos Santos Óleos

Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos. Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia. O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:

Óleo do Crisma - Uma mistura de óleo e bálsamo, significando a plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma), quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento para ungir os “escolhidos” que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.

Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.

Óleo dos Enfermos - É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como “extrema unção”. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.

Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés

Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde de quinta-feira, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia, na qual Jesus Cristo, na noite em que vai ser entregue, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores. Nesta missa faz-se, portanto, a memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés dos seus apóstolos.O sermão desta missa é conhecido como sermão do Mandato ou do Novo Mandamento e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus Cristo. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda a noite.

Sexta-feira Santa

Celebra-se a paixão e morte de Jesus Cristo. O silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam, não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna. Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.

Sábado Santo

No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a “Vigília Pascal”.

Vigília Pascal

Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “a mãe de todas as santas vigílias”, porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia eucarística.

Domingo de Páscoa

A palavra “páscoa” vem do hebreu “Peseach” e significa “passagem”. Era vivamente comemorada pelos judeus do Antigo Testamento. A Páscoa que eles comemoram é a passagem do mar Vermelho, que ocorreu muitos anos antes de Cristo, quando Moisés conduziu o povo hebreu para fora do Egito, onde era escravo. Chegando às margens do Mar Vermelho, os judeus, perseguidos pelos exércitos do faraó teriam de atravessá-lo às pressas. Guiado por Deus, Moisés levantou seu bastão e as ondas se abriram, formando duas paredes de água, que ladeavam um corredor enxuto, por onde o povo passou. Jesus também festejava a Páscoa. Foi o que Ele fez ao cear com seus discípulos. Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é verdadeiramente o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus, na Sexta-Feira, transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.

A data da Páscoa

A fixação das festas móveis decorre do cálculo que estabelece o Domingo da Páscoa de cada ano. A Páscoa deve ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que segue o equinócio da primavera, no Hemisfério Norte (21 de março). Se esse dia ocorrer depois do dia 21 de abril, a Páscoa será celebrada no domingo anterior. Se, porém, a lua cheia acontecer no dia 21 de março, sendo domingo, será celebrada dia 25 de abril. A Páscoa não acontecerá nem antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. Conhecendo-se a data da Páscoa, conheceremos a das outras festas móveis. Domingo de Carnaval – 49 dias antes da Páscoa. Quarta-feira de Cinzas – 46 dias antes da Páscoa. Domingo de Ramos – 7 dias antes da Páscoa. Domingo do Espírito Santo – 49 dias depois.Corpus Christi – 60 dias depois.

Símbolos da Páscoa

Cordeiro: O cordeiro era sacrificado no templo, no primeiro dia da páscoa, como memorial da libertação do Egito, na qual o sangue do cordeiro foi o sinal que livrou os seus primogênitos. Este cordeiro era degolado no templo. Os sacerdotes derramavam seu sangue junto ao altar e a carne era comida na ceia pascal. Aquele cordeiro prefigurava a Cristo, ao qual Paulo chama “nossa páscoa” (1Cor 5, 7).
João Batista, quando está junto ao Rio Jordão em companhia de alguns discípulos e vê Jesus passando, aponta-o em dois dias consecutivos dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jô 1, 29 e 36).Isaías o tinha visto também como cordeiro sacrificado por nossos pecados ( Is 53, 7-12). Também o Apocalipse apresenta Cristo como cordeiro sacrificado, agora vivo e glorioso no céu. ( Ap 5,6.12; 13, 8).

Pão e vinho: Na ceia do Senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos para celebrar a vida eterna.

Cruz: A cruz mistifica todo o significado da Páscoa na ressurreição e também no sofrimento de Cristo. No Conselho de Nicéia, em 325 d.C., Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Símbolo da Páscoa, mas símbolo primordial da fé católica.

Círio Pascal: É uma grande vela que é acesa no fogo novo, no Sábado Santo, logo no início da celebração da Vigília Pascal. Assim como o fogo destrói as trevas, a luz que é Jesus Cristo afugenta toda a treva do erro, da morte, do pecado. É o símbolo de Jesus ressuscitado, a luz dos povos. Após a bênção do fogo acende-se, nele, o Círio. Faz-se a inscrição dos algarismos do ano em curso; depois cravam-se cinco grãos de incenso que lembram as cinco chagas de Jesus, e as letras “alfa” e “ômega”, primeira e última letra do alfabeto grego, que significam o princípio e o fim de todas as coisas.

Ir. Ili Alves
Coordenadora diocesana da Catequese da Diocese de Palmas -Francisco Beltrão

 

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Diocese Palmas-Francisco Beltrão/PR

Final da Santa Quaresma. E os frutos?

Filed under: Formação Humana — vidanova at 4:06 pm on sexta-feira, março 27, 2009

Dom Roberto Gomes Guimarães
Bispo Diocesano de Campos

Na caminhada cristã, é sempre de fundamental importância a revisão de vida, pelo chamado exame de consciência . Como se procede nas atividades comerciais, devemos recorrer ao “balanço” espiritual, para à averiguação dos lucros ou prejuízos. Ao final de mais uma Santa Quaresma, igualmente muito oportuno examinarmo-nos quanto à nossa conduta, no decorrer de todo este período tão marcante em nossa vida cristã.

No tempo quaresmal, a Santa Igreja assim nos convida a oração:” Hoje, se ouvirdes a sua voz, não fecheis o vossos corações”. São palavras do salmo 94, onde o salmista nos desperta para a fiel acolhida à Graça Divina, sem jamais incorrermos na censura do Senhor: ” Eis um povo extraviado, seu coração não conheceu os meus caminhos.” (Sl 94) Na preparação para a Semana Santa, o mistério da cruz do calvário se destaca com o brilho fascinante do amor infinito de Jesus, e como força motivadora para os frutos a ser colhidos no progresso espiritual. Disse-nos o Mestre: ” Se Eu for erguido da terra, atrairei tudo para Mim.”( Jo 12,32 ) Com o olhar do coração dirigido para o Divino Crucificado, o esforço da conversão é superado mais facilmente, não obstante a renúncia heróica à nossa vontade rebelde. Através do profeta Joel, o Senhor Deus nos admoesta:” Voltai para Mim, com todo vosso coração: rasgai o coração com o arrependimento, e voltai para o Senhor vosso Deus.” ( Jl 2, 12-13) Este é o critério para avaliarmos os verdadeiros frutos a serem colhidos pela resposta de amor ao Deus que nos amou primeiro: perseverarmos com mais constância , a contemplar, com o máximo enlevo, a deslumbrante misericórdia de Jesus, sacrificado no calvário pelos pecados de toda a humanidade.

Do alto da cruz, Jesus parece repetir-nos o desabafo amargurado do profeta Jeremias: ” Ó vós todos que passais pelo caminho, considerai e vede se existe dor semelhante à minha.” Sob pena de nos deixarmos levar por injustificável ingratidão, jamais nos esqueceremos do titulo de Jesus, em razão dos acerbos sofrimentos pela redenção de todos: ” O homem das dores”. Assim compreendemos o edificante exemplo dos santos a aprender no livro da cruz a fiel resposta de gratidão ao Senhor Deus, extasiados perante a maior prova de amor. Com muita razão se afirma não podermos atestar o verdadeiro amor a Deus, se conosco não trouxermos a disponibilidade para suportar toda a cruz e sacrifício, na busca de total conformidade com a agrado da vontade divina. A Santa Quaresma foi o tempo de graças a se derramar sobre nós com tanta profusão. Não as recebamos sem os frutos espirituais de autêntica mudança de vida, como prova efetiva de terno reconhecimento perante as graças de redenção proveniente da cruz bendita do Santíssimo Salvador.

 

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Diocese de Campos/RJ
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