Homilia de Bento XVI na Praça da Manjedoura

Filed under: Noticias,Santa Sé — vidanova at 9:07 am on quinta-feira, maio 14, 2009

“Construam suas igrejas locais, façam delas oficinas de diálogo, tolerância e esperança”
BELÉM, quarta-feira, 13 de maio de 2009

Publicamos o texto da homilia que Bento XVI pronunciou hoje na missa celebrada na Praça da Manjedoura, em frente à Basílica da Natividade, em Belém. 

* * * 

Queridos irmãos e irmãs em Cristo, 

Agradeço ao Deus Onipotente por me proporcionar a graça de vir a Belém, não apenas para venerar o lugar do nascimento de Cristo, mas também para estar ao lado de vocês, meus irmãos e irmãs na fé, nestes Territórios Palestinos. Sou grato ao Patriarca Fouad Twal pelos sentimentos que expressou em seu nome, e saúdo com afeição meus irmãos bispos e todos os padres, religiosos e leigos fiéis que trabalham diariamente para confirmar esta Igreja local na fé, na esperança e no amor. De uma forma especial meu coração se dirige aos peregrinos da martirizada Gaza: peço-lhes que levem para suas famílias e comunidades meu abraço fraterno e minha tristeza pelas perdas, pela dificuldade e o sofrimento que vocês tiveram de suportar. Por favor, estejam certos de minha solidariedade para com vocês no imenso trabalho de reconstrução que agora levam adiante, e minhas orações para que o embargo seja logo suspenso. 
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Em seu dia, o Papa reza à Virgem da Fátima pelas crianças e pela paz em Terra Santa

Filed under: Mariologia,Noticias,Santa Sé — vidanova at 8:50 am on quinta-feira, maio 14, 2009

Ao finalizar sua visita ao Cáritas Baby Hospital em Belém, o Papa Bento XVI elevou uma especial oração na qual pediu à Virgem Fátima, cuja festa se celebra hoje, pelas crianças do mundo e o dom da paz para Terra Santa.

Depois de “concluir invocando a María enquanto reparto minha Bênção Apostólica às crianças e a todos vocês”, o Papa elevou a seguinte oração:
“María, Mãe dos doentes, dos refugiados e dos pecadores, Mãe do Redentor: unimos-nos às gerações que te chamaram ‘Bendita’. Escuta os teus filhos enquanto invocamos teu nome. Você prometeu aos três meninos de Fátima que ‘ao final, meu Imaculado Coração triunfará’. Que assim seja! Que o amor triunfe sobre o ódio, a solidariedade sobre a divisão, e a paz sobre qualquer tipo de violência!

Que o amor que deu a seu Filho ensine a amar a Deus com nosso coração, fortaleza e alma. Que o Todo-poderoso nos mostre sua misericórdia, nos fortaleça com seu poder e nos encha com toda boa coisa.

Pedimos ao teu Filho Jesus que abençoe a estas crianças e a todas as crianças que sofrem em todo o mundo. Que recebam a saúde do corpo, a força de mente e a paz na alma. Mas, sobre tudo, que saibam que são amados com um amor que não conhece fronteiras nem limites: o amor de Cristo que ultrapassa todo entendimento. Amém”.

Fonte: ACI Digital

Crianças assassinadas, crianças assassinas

Filed under: Formação Humana — vidanova at 8:48 am on quinta-feira, maio 14, 2009

Maria Emmir Oquendo Nogueira

 Dia 2 de abril de 2008. Os jornais voltam a aterrorizar o mundo com duas notícias para as quais se fica a buscar explicações no labirinto de evidências da crueldade humana: no Brasil, uma criança de seis anos é jogada do sexto andar, provavelmente pelo próprio pai. Nos Estados Unidos, três crianças, de 7,8 e 9 anos planejam os pormenores do assassinato de uma professora. Tendo pego os potenciais assassinos mirins com a arma do crime e um plano minucioso para executá-lo, a diretoria da escola procura os pais que se mostram totalmente surpresos diante do plano que afirmam ignorar.

 Centenas de pessoas, diante do noticiário televisivo devem ter repetido atônitas: “Meu Deus! Crianças de 7, 8 e 9 anos! Crianças de 7, 8 e 9 anos!!!” Eu mesma fiz parte deste coro, para em seguida me questionar o que levou crianças de três famílias diferentes – e provavelmente três séries diferentes na mesma escola – a simplesmente tentar “eliminar” a professora que os havia desgostado. Encontro somente duas respostas: materialismo exacerbado – e, portanto, ausência de Deus e de valores evangélicos – e total desrespeito à vida – que é conseqüência inevitável da primeira resposta.

 Há algumas décadas, Dostoievski afirmava, em triste profecia: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”. Será que chegamos a este ponto de anarquia? Parece não restar muita dúvida. Não sei quem são as crianças, se são ricas ou pobres, negras, brancas ou ameríndias, orientais ou ocidentais. Não sei se seus pais são casados ou divorciados, idosos ou jovens, presentes ou ausentes de casa. Creio que ao chegarmos a este ponto não podemos mais ficar arranjando justificativas socioeconômicas para todo comportamento inadequado. Propostas a cada impacto moral, essas justificativas não têm explicado a grande maioria de nossos impasses há pelo menos um século. Diante de um caso como o dessas três crianças é preciso dizer: “Basta! O problema não está aí. O problema não é a riqueza nem a pobreza. Não é a classe social ou o grupo racial. O problema é que o homem tem cada vez mais acintosamente prescindido de Deus!”

 

 Ao prescindir de Deus, Autor da vida, a vida perde seu valor e não é mais digna de nenhum respeito. Descartam-se pessoas jogando-as do 6º andar ou matando-as com requintes de detalhes com menos pejo do que se descartam copos de plástico. Afinal, o plástico polui, leva centenas de anos para degradar-se e é nocivo ao planeta. O corpo, não, é rapidamente degradável e até ajuda na fertilização da terra! Quanto à alma, nem se fala, pois esta turminha que está aí, não crendo nem temendo a Deus, também não crê na existência da alma. Talvez seus pais – se é que tinham fé – eram por demais ocupados para falar-lhes sobre isso, mesmo enquanto os levavam de uma aula para outra. A escola pública há muito é não-confessional nos Estados Unidos – caminho que o Brasil segue em mais um de seus desvarios de “modernidade”. A TV e a internet, que estatisticamente ocupam a maior parte do tempo das crianças americanas (e das brasileiras!) falam de tudo, menos de Deus e apresentam uma profusão inacreditável de valores anti-evangélicos.

 Até hoje, dia 13 de abril, não se tem conclusão clara sobre quem terá espancado e atirado Isabella do 6° andar. Quanto às crianças quase assassinas de 7, 8 e 9 anos, sumiram do noticiário, talvez porque o caso de Isabella trouxesse mais interesse ao público. Nossa reflexão, porém, não se dirige a ninguém que seja “culpado” destes fatos. Dirige-se a nós, a mim e a você que temos em mãos esta revista católica. Nós conhecemos a Deus. Cremos Nele. Possivelmente temos uma experiência pessoal com Jesus crucificado. Isso faz de nós, entre todos, os mais culpáveis, por morosidade e omissão. Conhecemos Aquele que pode trazer salvação ao homem e à humanidade, mas insistimos em nossa letargia e inépcia sendo menos atuantes do que “os filhos do mundo”, como nos diz a Palavra.

 Paradoxalmente, mantemo-nos paralisados diante da TV, espantados com a pouca idade dos quase assassinos americanos ou com a possibilidade de alguém ter jogado uma criança do 6° andar de um prédio bem ali em São Paulo. Alguns de nós nos limitamos a arregalar os olhos, por vezes cheios de lágrimas compassivas. Outros de nós nos contentamos em entreabrir a boca diante das notícias, correr para a TV para conhecer maiores detalhes e discutir os casos no transporte, no elevador, no trabalho, na escola. Afinal, pensamos, ainda que pudéssemos fazer alguma coisa, não faria muita diferença mesmo!

 Não foi desta forma que pensaram os primeiros apóstolos. Deram tudo de si e a própria vida para que todos conhecessem Jesus Vivo, pessoalmente, e, através dessa experiência pessoal com Ele, acolhessem pela fé o Evangelho e a graça da salvação. Estes dois passos são, afinal, o segredo: experiência pessoal com Jesus Ressuscitado e acolhida da graça da salvação pela fé. Quem viver isso será capaz de transformar o mundo através de seu testemunho, de sua ação, de suas obras, da graça de que é instrumento.

 Uma pessoa humana sem Deus é capaz de tudo. Certo. A recíproca, porém, é verdadeira: uma pessoa humana com Deus também é capaz de tudo. Não se trata de medir o alcance de potências humanas, mas a abrangência eterna da força da graça. No primeiro caso, a pessoa humana sem Deus, pela ausência da graça, da fé, da esperança e da caridade é capaz de cometer as mais profundas perversidades. No segundo, o da pessoa que crê e tem uma experiência pessoal com Jesus, precisamente pela força da graça, da fé, da esperança e da caridade, pelo poder da Ressurreição de Jesus, que, agindo em nós é capaz de transformar a mais mínima ação, a mais ínfima obra em um mundo transformado pelo amor.

 Onde fica a decantada “inocência infantil” diante dos instrumentos e planos das crianças de 7 a 9 anos para matar a professora? Existe ou não, afinal, inocência infantil onde não há abertura para a graça, para a fé, para Cristo? Qual a força do pecado original e da concupiscência em uma sociedade que não mais crê, não mais batiza seus filhos e prescinde de Deus? Uma das respostas certamente será: o homem é considerado como objeto descartável, não mais como imagem e semelhança de Deus, mas como algo a ser eliminado quando incomodar. As outras respostas girarão em torno do mesmo conceito: sem Deus o homem perde o seu valor, quer tenha entre 7 e 9 anos, quer seja uma professora adulta, quer seja alguém perdido o suficiente para atirar uma criança prédio abaixo. 

Fonte: www.comshalom.org

Homilia de Bento XVI no Monte das Oliveiras

Filed under: Noticias,Santa Sé — vidanova at 3:11 pm on quarta-feira, maio 13, 2009

“Na Terra Santa há espaço para todos”
JERUSALÉM, terça-feira, 12 de maio de 2009

Publicamos a homilia que Bento XVI pronunciou hoje durante uma missa no Vale de Josafá em Jerusalém, em frente à basílica do Getsêmani e o Monte das Oliveiras.

* * *

Queridos irmãos e irmãs no Senhor, 

“Cristo ressuscitou, aleluia!” Com estas palavras, saúdo-vos com imensa afeição. Agradeço o patriarca Fouad Twal por suas palavras de boas-vindas em vosso nome, e antes de tudo eu expresso minha alegria por poder celebrar esta Eucaristia convosco, a Igreja em Jerusalém. Estamos unidos ao lado do Monte das Oliveiras, onde nosso Senhor orou e sofreu, onde ele chorou por amor a esta Cidade e pelo desejo de que devesse conhecer “o caminho para a paz” (Lc 19, 42), de onde retornou ao Pai, dando sua última benção terrena a seus discípulos e a nós. Hoje aceitemos esta benção. Ele a dá em uma forma especial a vocês, queridos irmãos e irmãs, que se colocam em uma linha inquebrável com aqueles primeiros discípulos que encontraram o Senhor Ressuscitado no partir do pão, aqueles que experimentaram a vinda do Espírito Santo no andar superior e aqueles que foram convertidos pela pregação de São Pedro e dos outros apóstolos. Minha saudação também vai para todos aqueles presentes, e em um modo especial àqueles fiéis da Terra Santa que por várias razões não puderam estar conosco hoje. 

Como o sucessor de São Pedro, refiz seus passos para proclamar o Cristo Ressuscitado em seu meio, para confirmá-los na fé de seus pais e invocar sobre vocês a consolação que é dom do Paráclito. Aqui, diante de vocês, eu desejo conhecer as dificuldades, as frustrações, a dor e o sofrimento que tantos de vocês suportam por causa dos conflitos que afligiram estas terras, e as amargas experiências de deslocamento que tantas famílias experimentaram e possam ainda experimentar. Espero que minha presença aqui seja um sinal de que vocês não estão esquecidos, que sua perseverante presença e testemunho são de fato preciosos aos olhos de Deus e importantes para o futuro destas terras. Precisamente por causa de sua profunda raiz nesta terra, sua antiga e forte cultura cristã, e sua inabalável confiança nas promessas de Deus, vocês, cristãos da Terra Santa, são chamados a servir não apenas como farol de fé para a Igreja universal, mas também como um fermento de harmonia, sabedoria e equilíbrio na vida de uma sociedade que tradicionalmente foi, e continua sendo, pluralista, multiétnica e multi-religiosa. 

Na segunda leitura de hoje, o Apóstolo Paulo diz aos Colossenses: “buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Col 3, 1). Suas palavras ressoam com particular força aqui, ao lado do Jardim do Getsêmani, onde Jesus aceitou o cálice de sofrimento em completa obediência à vontade do Pai, e onde, de acordo com a tradição, ele subiu para a direita do Pai para fazer perpétua intercessão por nós, os membros de seu Corpo. São Paulo, o grande arauto de esperança cristã, sabia o custo daquela esperança, seu preço de sofrimento e perseguição pelo amor de Deus, mas ele nunca se abalou em sua convicção de que a ressurreição de Cristo foi o início de uma nova criação. Como nos diz: “Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória” (Col 3, 4). 

A exortação de Paulo, “buscar as coisas do alto”, deve ecoar constantemente em nossos corações. Suas palavras nos apontam para a realização da visão da fé na Jerusalém celeste, onde, em fidelidade aos profetas antigos, Deus enxugará as lágrimas dos olhos e preparará um banquete de salvação para todos os povos (cf. Is 25, 6-8, Apo 21, 2-4). 

Esta é a esperança, esta é a visão, que inspira todo que ama esta Jerusalém terrestre para vê-la como uma profecia e promessa da reconciliação e paz universal que Deus deseja para toda a família humana. Infelizmente, ao lado das muralhas desta mesma Cidade, também somos levados a considerar quão longe nosso mundo está da completa realização dessa profecia e promessa. Nesta Cidade Santa onde a vida venceu a morte, onde o Espírito foi derramado como primeiros frutos da nova criação, a esperança continua a combater o desespero, a frustração e o cinismo, enquanto a paz que é dom de Deus e chamado continua a ser ameaçada pelo egoísmo, o conflito, a divisão e as cinzas de erros passados. Por esta razão, a comunidade cristã nesta Cidade que testemunhou a ressurreição de Cristo e a vinda do Espírito Santo deve agarrar-se ainda mais a esperança oferecida no Evangelho, guardando a promessa da vitória definitiva de Cristo sobre o pecado e a morte, testemunhando o poder de perdoar, e mostrando a natureza profunda da Igreja como o sinal e sacramento de uma humanidade reconciliada, renovada e unificada em Cristo, o novo Adão. 

Unidos ao lado dos muros desta cidade, sagrada aos seguidores de três grandes religiões, como não voltar nossos pensamentos à vocação universal de Jerusalém? Anunciada pelos profetas, esta vocação também emerge como um fato indiscutível, uma realidade irrevogável marcada na complexa história desta cidade e seu povo. Judeus, muçulmanos e cristãos chamam esta cidade de sua casa espiritual. Quanto precisa ser feito para fazê-la verdadeiramente uma “cidade de paz” para todos os povos, onde todos possam vir em peregrinação em busca de Deus, e ouvir sua voz, uma voz que fala de paz” (cf. Salmo 85, 8)!

Jerusalém, na verdade, sempre foi uma cidade em cujas ruas ecoam diferentes línguas, cujas pedras são pisadas por pessoas de toda raça e idioma, cujos muros são um símbolo do carinho providente de Deus para com toda a família humana. Como um micro-cosmo de nosso mundo globalizado, esta Cidade, se viver sua vocação universal, deve ser um lugar que ensina a universalidade, o respeito pelos outros, o diálogo e a compreensão mútua; um lugar onde o preconceito, a ignorância e o medo que os alimenta são superados pela honestidade, a integridade e a busca pela paz. Não deveria haver lugar entre estes muros para mesquinhez, discriminação, violência e injustiça. Crentes em um Deus de misericórdia – que se identificam como judeus, cristãos e muçulmanos – devem ser os primeiros a promover esta cultura de reconciliação e paz, por mais lento que possa ser o processo e grave o peso das lembranças passadas.

Aqui eu gostaria de falar diretamente da trágica realidade – que não pode deixar de ser um motivo de consenso para todos que amam esta Cidade e esta terra – da partida de tantos membros da comunidade cristã nos anos recentes. Enquanto compreensíveis razões levam muitos, especialmente os jovens, a migrar, esta decisão trás consigo um empobrecimento cultural e espiritual para a cidade. Hoje quero repetir o que disse em outras ocasiões: na Terra Santa há espaço para todos! Enquanto chamo as autoridades a respeitar, apoiar e valorizar a presença cristã aqui, também quero assegurar-lhes a solidariedade, o amor e o apoio de toda a Igreja e da Santa Sé. 

Queridos amigos, no Evangelho que acabamos de ouvir, São Pedro e São João correm ao sepulcro vazio, e João, como ouvimos, “viu e acreditou” (Jo 20, 8). Aqui na Terra Santa, com os olhos da fé, vocês, junto com os peregrinos de todo o mundo que enchem suas igrejas e basílicas, são abençoados por “ver” os lugares santificados pela presença de Cristo, seu ministério terreno, sua paixão, morte e ressurreição, e o dom do Espírito Santo. Aqui, como o apóstolo São Tomé, vocês recebem a oportunidade de “tocar” as realidades históricas que sublinharam nossa confissão de fé no Filho de Deus. Minha oração por vocês hoje é para que continuem, dia após dia, a “ver e acreditar” nos sinais da providência de Deus e infalível misericórdia, e a “tocar” as fontes de graça nos sacramentos, e encarnar para os outros sua promessa de novos tempos, de liberdade nascida do perdão, da luz interior e da paz que podem trazer cura e esperança para até mesmo as realidades humanas mais obscuras. 

Na Igreja do Santo Sepulcro, peregrinos em todo século veneraram a pedra que a tradição diz ter estado na entrada do túmulo na manhã da ressurreição de Cristo. Retornemos frequentemente àquele túmulo vazio. Lá reafirmemos nossa fé na vitória da vida, e oremos para que cada “pedra pesada” que se coloca ante a porta de nossos corações, bloqueando nossa entrega completa ao Senhor em fé, esperança e amor, seja abalada pelo poder da luz e vida que brilhou de Jerusalém para todo o mundo naquela manhã de Páscoa. Cristo ressuscitou, aleluia! Ele está verdadeiramente ressuscitado, aleluia!

[Tradução de Élison Santos

© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]

Primeira missa de um Papa ao ar livre em Jerusalém

Filed under: Noticias,Santa Sé — vidanova at 2:45 pm on quarta-feira, maio 13, 2009

Bento XVI pede que se evite o êxodo de cristãos da Terra Santa

JERUSALÉM, terça-feira, 12 de maio de 2009

A missa que Bento XVI celebrou na tarde desta terça-feira no Vale de Josafá converteu-se na manifestação de apoio da Igreja universal aos sofridos católicos da Terra Santa e em uma reivindicação perante as autoridades para que evitem seu êxodo. 

Pela primeira vez na história, um Papa celebrava uma missa ao ar livre em Jerusalém, com a participação de cerca de seis mil fiéis. O lugar não podia ser mais sugestivo, pois se encontra sob o Horto das Oliveiras, no qual Jesus sofreu a agonia antes da morte. 

“Desejo conhecer as dificuldades, as frustrações, a dor e o sofrimento que tantos de vocês suportam por causa dos conflitos que afligiram estas terras, e as amargas experiências de deslocamento que tantas famílias experimentaram e possam ainda experimentar”, disse o Papa detrás da muralha de Jerusalém. 

O patriarca latino de Jerusalém, Sua Beatitude Fouad Twal, ao início da missa, descreveu a situação em que vivem os católicos da Terra Santa com palavras fortes. 

“Assistimos por um lado à agonia do povo palestino, que sonha em viver em um Estado palestino livre e independente, mas não chega – afirmou o patriarca –; e assistimos por outro lado à agonia do povo israelense, que sonha com uma vida normal na paz e na segurança mas, apesar da força midiática e militar, esta vida não chega”. 

O Papa desejou que sua presença “seja um sinal de que vocês não estão esquecidos, que sua perseverante presença e testemunho são de fato preciosos aos olhos de Deus e importantes para o futuro destas terras”. 

“Precisamente por causa de sua profunda raiz nesta terra, sua antiga e forte cultura cristã, e sua inabalável confiança nas promessas de Deus, vocês, cristãos da Terra Santa, são chamados a servir não apenas como farol de fé para a Igreja universal, mas também como um fermento de harmonia, sabedoria e equilíbrio na vida de uma sociedade que tradicionalmente foi, e continua sendo, pluralista, multiétnica e multi-religiosa”. 

O Papa lançou um enérgico chamado para que se evite a migração dos cristãos da Terra Santa. Segundo dados da Custódia da Terra Santa, em 1946, dois anos antes da fundação do Estado de Israel, a comunidade cristã de Jerusalém contava com 31 mil membros; 20% da população. Hoje os cristãos representam 2% da população, cerca de 14 mil, incluindo religiosos e sacerdotes estrangeiros. 

O Santo Padre mencionou “a trágica realidade que não pode deixar de ser um motivo de consenso para todos que amam esta Cidade e esta terra – da partida de tantos membros da comunidade cristã nos anos recentes. Enquanto compreensíveis razões levam muitos, especialmente os jovens, a migrar, esta decisão traz consigo um empobrecimento cultural e espiritual para a cidade”, assegurou. 

O Papa repetiu uma mensagem que já havia pronunciado no passado: “na Terra Santa há espaço para todos!”. 

O Papa exortou “as autoridades a respeitar e apoiar a presença cristã” e assegurou a esses seguidores de Cristo em sua própria terra “a solidariedade, o amor e o apoio de toda a Igreja e da Santa Sé”. 

Amnon Ramon do Instituto de Jerusalém para os Estudos de Israel, autor de amplos estudos sobre as comunidades cristãs do país, afirma que a comunidade católica em Jerusalém é a mais numerosa, com cerca de 4.500 membros; os greco-ortodoxos são 3.500, os armênios 1.500, os protestantes em suas diferentes denominações 850, os siro-coptos 250 e os etíopes 60. 

A missa foi celebrada em vários idiomas, sobretudo em latim e árabe. Nas orações dos fiéis se rezou em hebraico, francês, espanhol, inglês e italiano. 

A mensagem que o Papa deixou com sua homilia, aplaudida já no primeiro instante, foi antes de tudo de esperança. 

“Nesta Cidade Santa onde a vida venceu a morte, onde o Espírito foi derramado como primeiros frutos da nova criação, a esperança continua a combater o desespero, a frustração e o cinismo, enquanto a paz que é dom de Deus e chamado continua a ser ameaçada pelo egoísmo, o conflito, a divisão e as cinzas de erros passados”. 

Nesta quarta-feira, o Papa visitará a cidade cisjordaniana de Belém, onde celebrará a missa na Praça do Manjedoura, visitará a Gruta da Natividade, o campo de refugiados Aida, sendo recebido pela Autoridade Nacional Palestina.

Fonte: Zenit

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