Cardeal Vanhoye: A Bíblia deve ler-se em atitude de oração

Arquivado em: Biblia — vidanova at 7:45 am on quinta-feira, janeiro 29, 2009

Em uma entrevista publicada esta semana pela revista católica espanhola Ecclesia o Cardeal Albert Vanhoye, S.J., antigo Reitor do Pontifício Instituto Bíblico de Roma e Secretário emérito da Pontifícia Comissão Bíblica, assinalou que a maneira de vencer a tentação de ler a Sagrada Escritura com uma aproximação racionalista, como realizam alguns biblistas contemporâneos, é a de lê-la em autêntico espírito de oração.
O destacado biblista, criado Cardeal por razão de seu mérito teológico e bíblico pelo Papa Bento XVI no consistório de 24 de março de 2006, assinalou na entrevista que “a Providência tem feito que eu tenha podido consagrar verdadeiramente toda minha vida ao aprofundeamento da Escritura para proveito de tantos estudantes de todo o mundo. Portanto, agradeço ao Senhor me haver dado este privilégio”.
O Cardeal jesuíta de 85 anos destacou além que suas premissas para o estudo da Bíblia “foram claramente premissas de fé. A Bíblia é um texto que expressa a fé. Para acolher a de modo sério e profundo, terá que estar em quão corrente a produziu. portanto, aproximar-se do texto inspirado com uma atitude de fé é essencial. Por outra parte, existe também a convicção de que a Bíblia é ao mesmo tempo um livro histórico, não uma palavra simplesmente teórica; é uma revelação com feitos, com eventos; uma realidade existencial histórica que, portanto, terá que acolher baixo este aspecto”.
“A Sagrada Escritura –adicionou– é essencial para conhecer cristo, para lhe seguir, para investigar todas as dimensões do mistério de Cristo. A estreita relação entre investigação exegética e aprofundamento da fé e da vida espiritual. Isto tem feito que não tenha duvidado nunca em estudar, investigar e empregar todas minhas forças e minhas capacidades neste estudo de importância fundamental para a vida da Igreja”.
O Cardeal Vanhoye explicou além que “a Palavra de Deus nutriu minha vida espiritual de modo muito fecundo. Por exemplo, quando era ainda estudante do Instituto Bíblico Pontifício, realizei um estudo sobre duas frases do Evangelho de João que expressam a relação entre a obra de Jesus e a obra do Pai. Jesus recebeu o dom das obras”.
“Em duas frases –prosseguiu–, Jesus fala das obras que o Pai lhe entregou. Vi a insistência: ‘Meu pai trabalha sempre e eu também trabalho’ (João 5, 17). Um tema muito importante para aprofundar na vida espiritual não só de modo especulativo mas também especialmente no mesmo atuar. Do mesmo modo que o Pai entregava suas obras a Jesus, este nos dá as nossas”.
“Este é um ponto que me alimenta: devo fazer sempre com o Senhor a obra do Senhor. E compreendi por outra parte que, para fazer com o Senhor a obra do Senhor, é essencial estar unidos ao Coração do Senhor, porque a obra do Senhor não é uma obra administrativa que se pode fazer com certo desapego, senão uma obra de amor. Esta para mim é uma orientação formosa, profunda e exigente a que volto sempre. É Ele o autor principal, eu sou um pobre e modesto ajudante, mas que se deve empenhar, porque a obra é importante, uma obra formosa que faz o Senhor. Em minha relação com a Escritura, isto é o mais importante.
O biblista explicou logo que, para que a Escritura entre cada vez mais na vida espiritual dos católicos “faltam duas coisas principais: por uma parte, os meios, os instrumentos, os materiais que possam ajudar aos fiéis a acolher bem a Palavra de Deus; e, por outra, a meditação dos fiéis sobre os textos da Bíblia. As duas coisas estão já presentes, graças a Deus, na vida da Igreja, e se têm feito mais presente graças ao Concílio Vaticano II. Entretanto, fica sempre algo no que progredir”.
“Como afirmou repetidamente o Papa Bento –seguiu o Cardeal–, a Lectio Divina pode ser um meio muito adequado a este fim”.
“Este método tem o grande mérito de levar a primeiro atenção para o texto bíblico considerado em si mesmo, em seu significado exato, concentrar o esforço de atenção nele antes de fazer especulações que poderiam não ter nenhuma relação com o texto. A Lectio Divina parte da ‘lectio’, da leitura atenta”, explicou.
Finalmente, perguntado sobre como evitar que a Bíblia se converta em um mero objeto de estudo, separado da própria vida espiritual entre os biblistas de hoje, o Cardeal
Vanhoye assinalou que “o remédio principal é a meditação dos textos bíblicos, com uma atitude de fé e de oração. Os exegetas não se podem contentar estudando os textos. Devem meditá-los em um ambiente de busca do Senhor e de união com Ele, e conscientes sempre de que só em Cristo se dá toda a riqueza da Escritura inspirada; que é Ele quem abre plenamente nossas mentes à inteligência da Escritura, como diz o Evangelho de Lucas ao final. portanto, o remédio é, diria, a oração, entendida como meditação que procura a união com o Senhor, a acolhida de sua luz, a acolhida de seu amor. Só isto pode preservar do perigo de uma atitude racionalista e esterilizadora, que pode converter-se em um obstáculo para a vida dos fiéis”.

Fonte: ACI Digital

Ritmo Sinodal - repercursões do Sínodo dos Bispos

Arquivado em: Biblia, Noticias — vidanova at 7:04 am on quinta-feira, novembro 27, 2008

Dom Luiz Demétrio Valentini

 

No mês de outubro tivemos um sínodo, cujas repercussões ainda continuam. Seu tema era atraente. Tratava-se da Bíblia, com tudo o que envolve este vasto assunto de dimensões religiosas e culturais muito importantes para a humanidade.  Daí o interesse, não só da Igreja Católica, e de outras Igrejas, mas também de outras religiões.

Basta ver a repercussão da presença de um rabino judeu, convidado a falar diante do papa e dos bispos, ocasião que ele aproveitou para reiterar uma queixa dos judeus sobre a atuação de Pio XII. Na opinião deles poderia ter feito mais do que fez para evitar o holocausto contra os judeus praticado pelo regime nazista.

Foi notável também a presença do patriarca de Constantinopla, Bartolomeu Primeiro, sinalizando a lenta mas persistente reaproximação entre Católicos e Ortodoxos, incentivada  pelo atual papa.

Mas isto mostra também que o sínodo, e os sínodos em geral, se tornaram o melhor palco para a Igreja fazer suas propostas, administrar suas estratégias, e apresentar seus objetivos.

Existe um fato mais amplo e mais consistente. Os sínodos, na maneira como são realizados atualmente, nasceram do concílio. Foram instituídos por Paulo VI com a declarada intenção de prolongar o processo conciliar.   Com isto, vai sendo retomada uma dimensão eclesial fundamental e indispensável para a vivência da unidade e da missão da Igreja, que é o seu caráter sinodal.  A Igreja necessita cultivar a postura de quem se reúne, para refletir, para escutar o que os outros têm a dizer, e buscar saídas para os impasses existentes. A Igreja não tem todas as respostas prontas. Ela precisa se perguntar o que Deus lhe pede nas circunstâncias históricas que vão mudando, e perguntar aos outros, de onde vêm, com freqüência, as melhoras observações.

Este caráter sinodal não é expresso só pela realização eventual de algum sínodo, ou durante o tempo em que se realiza determinado sínodo. Os sínodos são manifestações de uma realidade que tem caráter de permanência e de constituição. 

Prova disto é a continuidade que a Igreja procura dar aos diversos sínodos já realizados. Nesta semana, por exemplo, se reuniu a Comissão do Sínodo da América. Ora, ele foi realizado ainda em 1997. Mas ele continua como referência para a “Igreja na América”, como diz o título do documento que resultou dele. Não só pelas recomendações que ele fez. Mas também para lembrar que a Igreja tem necessidade permanente de conferir os acontecimentos, e ver quanto eles repercutem na sua vida.

Em vista da celebração do solene jubileu do milênio, a Igreja realizou “sínodos continentais”, nos cinco continentes. Pois bem, todos estes sínodos continuam com os seus “conselhos pós sinodais”, como se chamam oficialmente as comissões eleitas no final de cada sínodo para levar adiante o seu processo.

Estes “conselhos” se reúnem cada ano. Para o continente africano já está decidido que em breve será feito outro “sínodo para a Igreja na África”.  Pode ser que se decida realizar também um outro sínodo para a América. Motivos não faltariam, se olhamos as significativas transformações políticas ocorridas ultimamente, não só nos Estados Unidos com a crise de agora e com a eleição de Barak Obama, mas também na maioria dos países latino americanos, onde estão em curso, com muita evidência, grandes transformações que a Igreja não pode ignorar.

Mas me parece que a Igreja tem um interesse especial com sua presença na América. Nosso continente traz marcas profundas da Europa. Pois bem., a Igreja se dá conta que o Evangelho tem a vocação de se encarnar nas culturas de cada continente, continuando a dinâmica da encarnação do Filho de Deus. A experiência americana, com sua dose européia e com sua criatividade própria, serve de ponte para a presença da Igreja em outros continentes, onde ainda ela precisa abrir os caminhos de sua inserção.  A Igreja na América precisa se dar conta deste seu compromisso.

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por ,
CNBB

Os católicos e a Bíblia

Arquivado em: Artigos, Biblia, Noticias — vidanova at 2:41 pm on terça-feira, novembro 18, 2008

A Diocese de Cachoeiro de Itapemirim acaba de definir, no dia 26 de outubro, em Assembléia Pastoral, que a Sagrada Escritura será o centro de tudo o que se diz e se faz na Igreja nos próximos três anos. Alguns questionaram se essa opção não seria redundante, uma vez que a Igreja já brota da Palavra de Deus, se fundamenta nela e, ao mesmo tempo, foi quem forjou, pela ação do Espírito Santo, a Escritura dessa Palavra, por meio da Tradição, que lhe deu autoridade para definir a lista de quais livros são, de fato, inspirados por Deus.
Mas na prática, o resultado da pesquisa Futura, encomendada pela Diocese em preparação para essa Assembléia, apontou essas constatações, segundo a interpretação dos cerca de 140 participantes do evento: o preocupante percentual de católicos distantes da Igreja se deve a uma sua grande falha na formação catequética (e portanto, bíblica); e uma das principais causas da transferência de católicos para outras denominações cristãs é justamente que eles acabam lá se deparando mais intensamente com a Bíblia – daí dizerem que “agora, sim, conheceram Jesus”, pois como dizia São Jerônimo, “desconhecer a Escritura é desconhecer Cristo”.
É bom deixar claro que esse déficit é pedagógico e não de conteúdo. Explico: se o aluno não aprende como deve, isso não significa que não haja livros na escola, mas sim que uma série de fatores acabou dificultando ao aluno a motivação para desfrutar deles. Quem diz que não encontra a Bíblia na Igreja Católica ou está caluniando ou anda muito desatento. A Missa, por exemplo, é uma grande declamação pública e ritualística da Palavra de Deus, da primeira à última fala do sacerdote: do “em nome do Pai…” (Mt 28,19), passando pela saudação inicial (cf. 2Cor 13,13), o ato penitencial (cf. Mc 10,48), o hino do Glória (cf. Lc 2,14), toda a liturgia da Palavra, a oração eucarística (cf. Lc 22,19-20), o rito da comunhão (cf. Mt 8,8), até às antífonas, hinos litúrgicos etc.
O ex-pastor protestante estadunidense Scott Hahn conta, no livro O Banquete do Cordeiro; a missa segundo um convertido (Ed. Loyola), como ficou admirado ao ir a uma missa, por curiosidade, pela primeira vez na vida, para fins de pesquisa teológica, e constatou: “a Bíblia não estava só ao meu lado. Estava diante de mim – nas palavras da missa! Um versículo era de Isaías, outro dos Salmos, outro de Paulo. A experiência foi prodigiosa” (p. 22). O calvinista acabou se convertendo ao catolicismo depois desse forte impacto. Se o esforço da liderança católica conseguir pelo menos banir de vez essa caricatura preconceituosa de que “catolicismo e bíblia não têm nada a ver”, já terá obtido sucesso.
O consenso da Assembléia Diocesana de Cachoeiro pela centralidade da Palavra de Deus aconteceu exatamente no dia em que todo o povo católico meditava, na liturgia, sobre Mt 22,34-40, em que um fariseu questiona Jesus sobre qual seria o maior mandamento da Lei, isto é, o que seria realmente essencial e indispensável na vida espiritual. E Jesus responde citando um versículo do Antigo Testamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento” (v. 37; Dt 6,5). Jesus gosta de fazer sínteses, de ir ao cerne das questões. Ele sempre aponta para o que é mais fundamental: “Buscai o Reino de Deus a sua justiça, e tudo mais vos será dado em acréscimo” (Mt 6,33). É isso que Ele está mostrando à Diocese de Cachoeiro: concentra-te no que é essencial para ti, investe no que é mais próprio teu, aplica-te no que não te pode faltar, e o mais será decorrência; debruça-te sobre a minha Palavra e “ela não voltará para mim sem produzir seu resultado, sem fazer aquilo que planejei, sem cumprir com sucesso a sua missão” (Is 55,11).
Parabéns, Igreja do sul do Estado do Espírito Santo! Você acertou em cheio, deixou-se levar pelo Espírito Santo, captou a vontade de Deus. Agora, resta-lhe ser fiel a essa inspiração, “sem se afastar nem para a direita nem para a esquerda” (Dt 17,11).

Padre Juliano Ribeiro Almeida

Paróquia Nossa Senhora do Amparo

Itapemirim-Es

http://julianoribeiro.blogspot.com/

A INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS SEGUNDO A IGREJA

Arquivado em: Biblia — vidanova at 8:03 am on segunda-feira, setembro 15, 2008

Por Sociedade de Evangelistas Papa João Paulo II

Tradução: Maite Tosta

Fonte: www.pjpiisoe.org

A Igreja já definiu oficialmente a interpretação para diversas passagens da Escritura, mas a maioria das pessoas, católicas ou não, não se apercebem disso. Dentre as que o fazem, até mesmo um Católico bem informado não costuma ser capaz de dizer que passagens foram autoritativamente interpretadas ou quais foram tais interpretações.

O que se segue é uma série de interpretações autoritativas que a Igreja faz da Escritura, retiradas da obra de Heinrich Denzinger, Fontes do Dogma Católico, nºs 789, 858, 874, 913, 926, 949, 1822. Deve-se ter em mente que a palavra “anátema” não quer dizer “condenado ao inferno”, e sim “formalmente excomungado”, e é usada em afirmações explícitas do que a Igreja rejeita mais veementemente. Deve-se também lembrar que as interpretações autoritativas dessas passagens não excluem a possibilidade de interpretações adicionais e não-contraditórias. Significa somente que os trechos em referência certamente carregam os significados definidos. Alguns perguntam, também, porque a Igreja não define formalmente o significado e interpretação de cada linha da Escritura. A Igreja ensina o necessário para que compreendamos– ela diz o que precisa ser dito, nem uma palavra a mais do que o necessário. Da mesma forma que é necessária uma eternidade para perscrutar os profundos mistérios de Deus, também seria preciso uma eternidade para perscrutar os mistérios de Sua Palavra. Essas passagens foram definidas contra heresias perniciosas. Toda heresia é originada em uma interpretação errônea de alguma dessas passagens ou de combinação delas.

 

Rom 5,12 – Concílio de Trento, 17 de junho de 1546, “Decreto sobre o Pecado Original”, seção 2

Se alguém afirmar que o pecado de Adão prejudicou apenas a ele mesmo e não à sua descendência; que a santidade e justiça, recebidas de Deus, que ele perdeu, as perdeu para si mesmo e não também para nós; ou que, tendo sido marcado com a culpa de sua desobediência, apenas repassou a morte e penas corporais a todo gênero humano e não o pecado, que é a morte da alma, que seja anátema, pois contradiz ao Apóstolo que disse: Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram [Rom 5,12]

Jo 3,5 – Concílio de Trento, 3 de março de 1547, “Cânones sobre o Sacramento do Batismo”, cânon 2

Se alguém disser que a água verdadeira e natural não é necessária para o sacramento do Batismo, e por este motivo distorcer em algum sentido metafórico aquelas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo: “quem não renascer pela água e pelo Espírito Santo” [Jo 3,5], seja anátema.

Mt 26,26ss; Mc 14,22, Lc 22,19ss; 1Cor 11,23ss – Concílio de Trento, 11 de outubro de 1551, “A Real Presença de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia”, capítulo 1

Em primeiro lugar, ensina o Santo Concílio, claramente, e sinceramente confessa que depois da consagração do pão e do vinho, fica contido no saudável sacramento da Santa Eucaristia, verdadeira, real e substancialmente nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e Homem, sob as espécies daqueles materiais sensíveis, pois não existe com efeito, incompatibilidade que o mesmo Cristo nosso Salvador esteja sempre sentado, no Céu, à direita do Pai, segundo o modo natural de existir e que ao mesmo tempo nos assista sacramentalmente com Sua presença, e em sua própria substância em outros lugares, com existência que ainda que apenas o possamos expressar com palavras, poderemos, não obstante, alcançar com nosso pensamento ilustrado pela fé, que é possível a Deus, e devemos firmemente acreditar.

Assim pois, professaram clarissimamente todos os nossos antepassados que viveram a verdadeira Igreja de Cristo, e trataram deste santíssimo e admirável Sacramento, a saber: que nosso Redentor o instituiu na última ceia, quando depois de ter benzido o pão e o vinho, atestou a seus Apóstolos, com claras e enérgicas palavras que lhes dava Seu próprio Corpo e Seu próprio Sangue. E sendo fato consumado que as ditas palavras mencionadas pelos mesmos Santos Evangelistas [Mt. 26, 26 ss; Mc. 14, 22 ss; Lc. 22, 19 s] e repetidas depois pelo Apóstolo São Paulo [1 Cor. 11, 23 ss], incluem em si mesmas aquele próprio e patentíssimo significado, segundo as entenderam os santos Padres, é sem dúvida execrável a maldade com que certos homens pretensiosos e corruptos as distorcem, violentam e tentam explicar em sentido figurado, fictício ou imaginário, negando a realidade da Carne e Sangue de Jesus Cristo contra a inteligência unânime da Igreja, que sendo coluna e apoio da Verdade[1 Tim. 3, 15], sempre detestou por serem diabólicas estas ficções expressas por homens ímpios e sempre conservou indelével a memória e gratidão deste tão sobressalente benefício que nos fez Jesus Cristo.

Jo 20,22ss – Concílio de Trento, 25 de outubro de 1551, “Cânones sobre o Sacramento da Penitência” – Cânon 3

Se alguém disser que aquelas palavras de nosso Senhor e Salvador: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos “[Jo 20,22ss], não devem entender-se como poder de perdoar ou não perdoar os pecados no Sacramento da Penitência, como o é entendido desde o princípio pela Igreja Católica, e em vez disso as distorça e as entenda (contra a instituição deste Sacramento), simplesmente como uma autoridade de pregar o Evangelho, seja anátema.

Tiago 5,14 – Concílio de Trento, 25 de outubro de 1551, “Cânones sobre a Unção dos Enfermos”, Cânon 1

Se alguém disser que a Unção dos Enfermos não é verdadeira e propriamente um sacramento instituído por Cristo Nosso Senhor [cf Mc 6,13], e promulgado pelo bem-aventurado apóstolo São Tiago [Tg 5,14], senão que apenas é uma cerimônia feita pelos Padres, ou uma ficção dos homens, seja anátema.

Lc 22,19, 1Cor 11,24 – Concílio de Trento, 17 de Setembro de 1562, “Cânones sobre o Sacratíssimo Sacrifício da Missa”, Cânon 2

Se alguém disser que naquelas palavras: “Fazei isto em memória de Mim”[Lc 22,19; 1Cor 11,24], Cristo não instituiu como sacerdotes os Apóstolos, ou que não lhes ordenou e aos demais sacerdotes que oferecessem Seu Corpo e Sangue, seja anátema.

Mt 16,16; Jo 21,15ss – Concílio Vaticano I, 18 de julho de 1870, “A Instituição do Primado Apostólico em S. Pedro”, capítulo 1 [contra hereges e cismáticos].

Ensinamos, pois, e declaramos, segundo o testemunho do Evangelho, que Jesus Cristo prometeu e conferiu imediata e diretamente o primado de jurisdição sobre toda a Igreja ao Apóstolo S. Pedro. Com efeito, só a Simão Pedro, a quem antes dissera: Chamar-te-ás Cefas [Jo 1,42], depois de ter ele feito a sua profissão com as palavras: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo, foi que o Senhor se dirigiu com estas solenes palavras: Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque nem a carne nem o sangue to revelaram, mas sim meu Pai que está nos céus. E eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E dar-te-ei as chaves do reino dos céus. E tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra será desligado também nos céus [Mt 16,16 ss]. E somente a Simão Pedro conferiu Jesus, após a sua ressurreição, a jurisdição de pastor e chefe supremo de todo o seu rebanho, dizendo: Apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas [Jo 21,15 ss.]. A esta doutrina tão clara das Sagradas Escrituras, tal como sempre foi entendida pela Igreja Católica, opõe-se abertamente as sentenças perversas daqueles que, desnaturando a forma de governo estabelecida na Igreja por Cristo Nosso Senhor, negam que só Pedro foi agraciado com o verdadeiro e próprio primado de jurisdição, com exclusão dos demais Apóstolos, quer tomados singularmente, quer em conjunto. Igualmente se opõem a esta doutrina os que afirmam que o mesmo primado não foi imediata e diretamente confiado a S. Pedro mesmo, mas à Igreja, e por meio desta a ele, como ministro dela.

Como a Bíblia foi escrita

Arquivado em: Biblia — vidanova at 4:01 pm on quarta-feira, dezembro 19, 2007

Na condescendência de sua bondade, Deus, para revelar-se aos homens, fala com eles em palavras humanas: “A Palavra de Deus, expressada em línguas humanas, se faz semelhante à linguagem humana, como a Palavra do Eterno Pai, assumindo a nossa frágil condição humana, se fez semelhante aos homens” (DV 13).

Deus é o autor da Sagrada Escritura. “As verdades reveladas por Deus, que estão contidas e se manifestam na Sagrada Escritura, se consignaram por inspiração do Espírito Santo.” Ele inspirou os autores humanos dos livros sagrados.

A Tradição apostólica fez a Igreja discernir quais escritos constituem a lista dos Livros Santos. Esta lista integral é chamada “Cânon das Escrituras”. Cânon vem da palavra grega “kanon” que significa “medida, regra”.

O Cânon compreende para o Antigo Testamento 46 escritos e 27 para o Novo. Estes são: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Ruth, os dois livros de Samuel, os dois livros dos Reis, os dois livros das Crônicas, Esdras e Neemias, Tobias, Judith, Esther, os dois livros dos Macabeus, Jó, os Salmos, os Provérbios, o Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico, Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, para o Antigo Testamento.

Para o Novo Testamento, os Evangelhos de Mateus, de Marcos, de Lucas e de João, os Atos dos Apóstoles, as Epístolas de Paulo aos Romanos, a primeira e segunda aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, a primeira e segunda aos Tessalonicenses, a primeira e segunda a Timóteo, a Tito, a Filemôn, a Epístola aos Hebreus, a Epístola de Thiago, a primeira e segunda de Pedro, as três Epístolas de João, a Epístola de São Judas e o Apocalipse.

Antigo testamento

Os judeus consideravam que existiam dois cânones dos Livros Santos: o Cânon Breve (palestinense) e o Cânon Longo (alexandrino).
O Antigo Testamento em hebreu (Cânon Breve) está formado por 39 livros e se divide em três partes: “A Lei”, “Os Profetas”e “Os Escritos”.

O Antigo Testamento em grego (Canon Longo) está formado por 46 livros. A versão grega da Bíblia, conhecida como dos Setenta, conta com 7 livros a mais: Tobias, Judith, Baruc, Eclesiástico, I e II Macabeus e Sabedoria. Além disso, algumas sessões gregas de Esther e Daniel. Estes livros são conhecidos freqüentemente, embora a expressão não é necessariamente a mais adequada, como “deutero-canônicos”.

Os judeus em Alexandria tinham um conceito mais amplo da inspiração bíblica. Estavam convencidos de que Deus não deixava de se comunicar com seu povo mesmo fora da Terra Santa, e de que o fazia iluminando os seus filhos nas novas circunstâncias em que se encontravam.
Os Apóstolos, ao levar o Evangelho ao Império Greco-romano, utilizaram o Cânon Alexandrino. Assim, a Igreja primitiva recebeu este cânon que consta de 46 livros.

No século III começaram as dúvidas sobre a inclusão dos assim chamados “deutero-canônicos”. A causa foram as discussões com os judeus, nas quais os cristãos só utilizavam os livros proto-canônicos.

Alguns Padres da Igreja denotam estas dúvidas nos seus escritos -por exemplo Atanásio (373), Cirilo de Jerusalém (386), Gregório Nazianzeno (389)-, enquanto outros mantiveram como inspirados também os deutero-canônicos -por exemplo Basílio ( 379), Santo Agustinho (430), Leão Magno (461)-.

A partir do ano 393 diferentes concílios, primeiro regionais e logo ecumênicos, foram fazendo precisões à lista dos Livros “canônicos”para a Igreja. Estes foram:

* Concílio de Hipona (393)
* Concílio de Cartago (397 y 419)
* Concílio Florentino (1441)
* Concílio de Trento (1546)

Neste último, solenemente reunido no dia 8 de abril de 1546, se definiu dogmaticamente o cânon dos Livros Sagrados.

Os protestantes só admitem como livros sagrados os 39 livros do cânon hebreu. O primeiro que negou a canonicidade dos sete deuterocanônicos foi Carlostadio (1520), seguido de Lutero (1534) e depois Calcino (1540).

Novo testamento

O Novo Testamento está formado por 27 livros, e se divide em quatro partes:
“Evagelhos”, “Atos dos Apóstolos”, “Epístolas” e “Apocalipse”.

Nas origens da Igreja, a regra da fé se encontrava no ensinamento oral dos Apóstolos e primeiros evangelizadores.
Passado o tempo, sentiu-se a urgência de consignar por escrito os ensinamentos de Jesus e os traços ressaltantes da sua vida. Esta foi a origem dos Evangelhos.

Por outro lado, os Apóstolos alimentavam espiritualmente os seus fiéis mediante cartas, segundo os problemas que iam surgindo. Esta foi a origem das Epístolas.

Ademais circulavam entre os cristãos do primeiro século mais duas obras de personagens importantes: “Os Atos dos Apóstolos”, escrita por Lucas, e o “Apocalipse”, saído da escola de São João.

Ao final do século I e começo do II, o número de livros da coleção variava de um Igreja a outra.
Na metade do século II, as correntes heréticas do Marcionismo (que afirmava únicamente o Evangelho de Lucas e as 1 Epístolas de Paulo tinham origem divino), e do Montanismo (Montano pretendia introduzir como livros santos seus próprios escritos), urgiram a determinação do Cânon do Novo Testamento.

Por volta do final do século II, a coleção do Novo Testamento era quase a mesma nas Igrejas do Oriente e Ocidente.

Nos tempos de Agustinho, os Concílios de Hipona (393) e de Cartago (397 e 419) reconheceram o Cânon de 27 livros, assim como o do Concilio de Constantinopla (692) e o Concílio Florentino (1441).
Com a chegada do protestantismo, quiseram renovar antigas dúvidas e exculiram alguns.
Lutero rechaçava Hebreus, Thiago, Judas e o Apocalipse. Carlostadio e Calvino aceitaram os 27. Os protestantes liberais não costumam falar de “livros inspirados”, mas de “literatura cristã primitiva”.

No Concílio de Trento foi apresentado oficial e dogmaticamente a lista íntegra do Novo Testamento.

O cristério objetivo e último para a aceitação do Cânon do Novo Testamento será sempre a revelação feita pelo Espírito Santo e transmitida fielmente por ela.

Quanto aos critérios secundários levados em conta, foram os seguintes:

1.- Sua origem apostólica (ou de geração apostólica).
2.- Sua ortodoxia na doutrina.
3.- Seu uso litúrgico antigo e generalizado.

José Eduardo Arêas Caetano

Comunidade Vida Nova