Adolescente usada para promover eutanásia, mudou de opinião e recebeu coração

Arquivado em: Bioética, Testemunhos — vidanova at 1:49 pm on segunda-feira, agosto 3, 2009

Em novembro do ano passado, o drama da adolescente britânica Hannah Jones foi usado como bandeira para promover a eutanásia. Com o apoio de seus pais, Hannah, de 13 anos, negava-se a receber um transplante de coração defendendo seu suposto direito a morrer. Meses depois, mudou de opinião e optou por salvar sua vida.

Vários anos atrás Hannah foi diagnosticada com um tipo estranho de leucemia. Quando os especialistas obtiveram a remissão do câncer descobriram uma cardiomiopatia; seu coração tinha uma cavidade e era necessário removê-lo para que Hannah seguisse com vida.

Ao conhecer os riscos da operação e a eventual necessidade de um novo transplante depois de dez anos, a menor disse aos seus pais e às autoridades de saúde que não queria mais tratamentos e que voltaria para casa embora isso implicasse sua morte.

Ante a sua negativa, a direção do hospital que a atendia, o Herefordshire Primary Care Trust de Hereford (Reino Unido), decidiu ir aos tribunais para retirar temporalmente a custódia a seus pais e “obrigar” a adolescente a submeter-se à cirurgia; entretanto, depois de vários procedimentos legais e o relatório de um funcionário do gabinete do defensor do menor, o hospital decidiu retirar a demanda.

Seu caso foi usado como bandeira por vários grupos anti-vida para promover a legalização da eutanásia e o suicídio assistido.

Segundo o jornal Telegraph, Hannah mudou de opinião após sofrer uma falha parcial no rim no dia 7 de julho, cinco dias antes de fazer 14 anos.

A adolescente não pôde receber uma diálise devido ao seu coração que era muito fraco para o tratamento. Hannah devia voltar para a lista de receptores de coração doado ou sofreria uma falha renal grave e uma morte segura.

“Sei que tinha decidido que não queria isto de nenhuma maneira, mas todo mundo tem direito a mudar de opinião”, indicou Hannah depois de submeter-se ao bem-sucedido transplante e expressou sua alegria porque “agora estou tomando 27 remédios, mas logo terei que tomarapenas 12″.

***

Querer viver é um impulso natural em todos nós.Embora saibamos que vamos morrer um dia, o anseio pela vida sempre bate mais forte!

A vida é um dom de Deus e não nos pertence manipulá-la como se fosse propriedade nossa.Somos administradores dos dons de Deus e devemos usá-los para sua glória e louvor!

A vida eterna é nossa esperança de viver para sempre na presença de Deus e de nossos queridos.Fomos criados para isso e nisso repousa nossa alegria e esperança!!

É legitimo matar para salvar?

Arquivado em: Bioética, Noticias — vidanova at 9:19 am on terça-feira, julho 14, 2009

da BBC Brasil

Uma equipe de cientistas de Newcastle, na Inglaterra, anunciou ter criado espermatozoides em laboratório pela primeira vez no mundo.

Os pesquisadores acreditam que, eventualmente, seu trabalho poderia ajudar homens com problemas de fertilidade.

espermatozoide Outros especialistas, no entanto, não se convenceram com os resultados. Em um artigo publicado pela revista especializada Stem Cells and Development, a equipe de Newcastle diz que seriam necessários pelo menos mais cinco anos até que a técnica seja aperfeiçoada.

Os cientistas começaram a pesquisa com linhagens de células tronco derivadas de embriões humanos doados após tratamentos de fertilização artificial.

As células tronco foram removidas dos embriões masculinos com poucos dias de vida e armazenadas em tanques de nitrogênio líquido.

As células tronco então foram trazidas à temperatura do corpo e colocadas em uma mistura química que estimulou seu crescimento. Elas foram “rotuladas” com um marcador genético para que os cientistas pudessem identificar e separar aquelas que dão origem a óvulos e espermatozoides.

As células tronco masculinas passaram pelo processo de meiose, dividindo pela metade seu número de cromossomos. As células sexuais (óvulos e espermatozoides) tem apenas 23 cromossomos, enquanto todas as outras células do corpo têm 23 pares de cromossomos, num total de 46.

O processo de criar e desenvolver os espermatozoides durou de quatro a seis semanas.

Os cientistas da Universidade de Newcastle afirmam que os espermatozoides criados no processo alcançaram maturidade e mobilidade, e produziram um vídeo documentando os resultados.

O professor Karim Nayernia, da Universidade de Newcastle e do NorthEast England Stem Cell Institute disse que “este é um avanço importante, já que vai permitir aos pesquisadores estudar em detalhes como os espermatozoides se formam e levar a uma melhor compreensão sobre a infertilidade entre os homens “ por que ocorre e o que a causaria”.

“Esta compreensão poderia nos ajudar a desenvolver novas formas de ajudar casais que sofrem de infertilidade para que possam ter um filho que seja geneticamente deles.”
“Isto também permitiria aos cientistas estudar como as células envolvidas na reprodução são afetadas por toxinas, por exemplo, ou por que meninos jovens com leucemia que passam por quimioterapia podem ficar inférteis para o resto da vida “ e possivelmente levar a uma solução.”

Mas o biólogo Allan Pacey, especialista em espermatozóides da Universidade de Sheffield, disse que não estava convencido de que os espermatozoides tenham se desenvolvido totalmente.

“A qualidade das imagens não tem resolução suficientemente alta e eu precisaria de mais dados. Eles são espermatozoides jovens, mas seriam necessários testes funcionais para saber exatamente o que foi alcançado.”

Os espermatozoides produzidos em laboratório não podem ser usados em tratamento de infertilidade, já que isso é proibido pelas leis britânicas. Os cientistas de Newcastle afirmam que são necessários pelo menos mais cinco anos para que a técnica seja aperfeiçoada.

A pesquisa também levantou algumas questões éticas. Josephine Quintavalle, do grupo Comment on Reproductive Ethics (Corethics), afirmou que “este é um exemplo de loucura imoral. Embriões humanos perfeitamente viáveis foram destruídos para a criação de espermatozoides sobre os quais haverá grandes questões sobre sua saúde e viabilidade”.

É tirar uma vida em ordem para, talvez, criar outra. Sou muito a favor de curar a infertilidade, mas não acho que você possa fazer o que quiser.”

***

É o que nós já sabemos: Com a “legalização” das experiências com células tronco embrionárias,qualquer coisa é possível e aceitável,infelizmente.

A Igreja não é contra o autêntico progresso,claro!

Porém não consiste progresso a “liberdade”,mesmo que amparada pela lei,para destruir embriões,com o fim de salvar vidas.Um meio mal não pode ser usado para um fim bom.

Essa é a verdade!

Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/1664-e-legitimo-matar-para-salvar

Querida Mami

Arquivado em: Bioética — vidanova at 7:54 am on terça-feira, maio 12, 2009

Maria Emmir O. Nogueira
Co-Fundadora da Com. Católica Shalom

 Posso chamar-lhe assim? Afinal, esta é a única vez que vou falar com você. Deixe-me chamar-lhe como quiser, por favor. Pensei em chamar-lhe “mamãe”, mas achei que você ia considerar antiquado demais. Sei que você é uma mulher moderna, uma mãe moderna. Então, pensei que “mami”, assim mesmo, abrasileirado, seria melhor, mais aceitável para sua mentalidade emancipada, e que faria você mais feliz.

 Como você já deve ter deduzido, sou seu filho. No entanto, você nunca me viu e nunca lhe falaram de mim. Na verdade, neste momento, estou agarrado a uma irmã minha, também filha sua, que, certamente, não conseguirá sobreviver, como também eu não conseguirei. Esta é, portanto, uma carta de “oi” e “adeus”, de “obrigado” e “mas, por quê?”.

 Eu, minha irmãzinha e mais uns seis, estamos, neste momento, mergulhados em vidros de nutrientes, reproduzindo nossas células. Minha irmã e eu estamos colocados, por engano, em um mesmo vidrinho e, daqui, conseguimos ver os outros irmãos, mas não tocá-los. Tanto nós quanto eles fomos rejeitados por você e pelo papi – ele que também é emancipado deve preferir ser chamado assim. O médico escolheu outros quatro para fazer a inseminação artificial, colocando-os em você, para serem gestados e terem vida. Dos quatro, não sei ainda quantos “vingarão” em seu útero. Gostaria que todos “vingassem”, pois sei o quanto é triste ter de morrer tão cedo, sem nem mesmo ter sentido o calor do seu ventre, o aconchego de seu útero.

 Da prateleira onde me encontro, pude ver o seu rosto e o do papi, quando chegaram, ansiosos, para implantar os quatro escolhidos. Você é jovem e bonita! Pude ver seus quadris, que agora serão alargados pela gravidez, seus seios redondos e firmes que amamentarão – talvez – meus irmãos, seu sorriso, seus olhos que jamais me verão, suas mãos bem cuidadas que jamais me segurarão. Pude sentir seu cheiro e ouvir sua voz, que nunca se dirigirá a mim, pois não me dará nome.

 Não quero me fazer de vítima. Sei que antes de mim, outros “se foram”, fecundados na margem de 1% de “falha” do DIU que você usou e dos anticoncepcionais que tomou quando o DIU teve de ser retirado. Fecundados em sua trompa, na faixa de “1% de possibilidade de gravidez”, desceram até seu útero, mas, lá, encontraram a inflamação constante causada pelo DIU e, mais tarde, com o anticoncepcional, a falta dos hormônios que possibilitam a nidação, a fixação do ovo no útero e morreram, como eu e minha irmã morreremos em breve.

 Mami, você que é tão inteligente, tão estudada, tão emancipada, não soube ler nas bulas que a gravidez que, por acaso existisse, poderia ser transformada em aborto? Você, tão esclarecida, não entendeu que a expressão “interrupção da gravidez” é um eufemismo para “morte da criança”, para “aborto”? O que cegou você, mami? O que a confundiu? O que a iludiu? Que afã, que interesse, que plano, que necessidade foi mais importante que a vida desses meus irmãos? Quem a convenceu – mesmo com a evidência da bula do fabricante! – de que o DIU de cobre não é abortivo? Quem a iludiu dizendo que não há a mínima possibilidade de haver uma gravidez e conseqüente aborto quando se toma anticoncepcionais? Quem convenceu seu coração bondoso de que existe algo, além de Deus, mais importante que a vida? Depois do DIU, dos anticoncepcionais, nada de engravidar! Veio então a sugestão do próprio médico: a inseminação artificial que tem também uma coleção de eufemismos, entre eles “gravidez induzida”.

Sei disso tudo porque estava lá, dentro de você. Era parte de você, como óvulo, desde o seu nascimento, pronto para ser maturado, fecundado, ansioso por viver. Vi cada menstruação sua, em sua adolescência e juventude, sofri todas as intromissões dos hormônios artificiais depois que você se casou e decidiu tomá-los, tendo tentado o DIU. Estive lá até que aquela dose cavalar de hormônio, em preparação para a gravidez inseminada, me forçou a amadurecer e fui retirado, junto com os outros meus irmãos e mergulhado em um vidro contendo o esperma do papi. O esperma era estranhamente indiferente. Os espermatozóides, mais que me fecundar, me agrediam, como animais que cumprem com raiva um dever indesejado. Fui fecundado, como meus outros irmãos, mas não fui escolhido. Sou normal, como os outros. Foi puro acaso. Sobrei!

Você e o papi ainda fazem de conta que não existo. O médico nunca falou de mim e dos outros que sobraram. Ele finge que não existimos e vocês fingem que não sabem que existimos. É “ciência” esta desinformação estranha. Ajuda a entorpecer a consciência de quem pensa que só existe aquilo que se vê, que se toca, que se menciona. Na verdade, mami querida, o que existe é aquilo que se ama.

De minha parte, não consigo fazer de conta que você e o papi não existem. Foi de vocês que nasci. São minha referência de vida, minha origem biológica. Sei bem que minha vida vem de Deus, que me deu a alma, compungido e humilhado pela situação da inseminação que o fere, mas fiel à vida, com a qual se compromete sempre, apesar do pecado. Sei que é Deus a origem de minha vida, mas Deus quis precisar de vocês e vocês, queiram ou não, saibam ou não, mencionem ou não, são vida de minha vida.

Ontem, ouvi o pessoal que trabalha aqui dizer que os meus irmãos que estão nos outros vidros serão congelados para experiências científicas com células tronco. Ficarão esperando que o governo sancione a lei que permitirá a retirada dessas células de embriões humanos. Quando lhes retirarem as células tronco, é claro, morrerão. Pego-me a imaginar como se sentirão, congelados, estáticos, vivendo mas sem viver, sem mais poderem multiplicar suas células, esperando, indefinidamente, a morte, com sua alma vivendo neles sem que eles saibam ou percebam, porque alma, mami, não se congela!

Impossível, também, não imaginar minha própria morte. Minha irmã, creio, morrerá nos próximos minutos. Sinceramente, espero que isso aconteça enquanto estou ainda perto dela. Deve ser muito triste morrer sozinho…

Acaba de entrar o chefe deste setor. Ouvi-o ordenar que me “descartem”. Minha irmã, sua filha, mami, graças a Deus, acaba de morrer bem ao meu lado. Estou, agora, sozinho. Não sei, ainda, se me jogarão fora com o vidro ou não. Às vezes, desejo que o façam, para que eu possa viver um pouquinho mais, mergulhado nos nutrientes. Mas logo vejo que um vidro desses de laboratório é muito caro para jogarem fora, assim, sem mais nem menos. É difícil de admitir, mas ele tem mais valor que minha vida!

Fico desejando que, quem sabe, me joguem em um saco plástico com algum nutriente. Assim, além de sobreviver mais, não terei que conviver com os dejetos do esgoto e da fossa ou com o restante do lixo. No entanto, desisto do desejo, com medo de enganchar em alguma curva e ficar sendo bombardeado pelos dejetos que passam, ou ficar boiando em cima de… bem, você sabe bem de quê.

Devo despedir-me, agora. O chefe acaba de mandar um funcionário fazer algo com o vidro que me contém e não vejo nenhum saco plástico por perto. Preciso agradecer a você e ao papi pela breve vida que me deram. Obrigado pelo dom da vida! Quero que diga aos meus irmãos que “vingarem” que os amo e que foram muito bons os anos em que convivemos em seu ovário. Preciso dizer a você e ao papi que os perdôo e que, junto a Deus, estarei rezando por vocês. Está na hora de dizer “adeus” e, diferentemente do que planejei no início, não vou perguntar “por quê”. Não quero que você se sinta mal ou acusada. Poderia fazer mal aos meus irmãos que estão dentro de você. Digo apenas “adeus” e “te amo”. No céu, a gente se encontra e eu darei em você os beijos que, aqui, não pude dar. Até lá, se Deus quiser.

 Ass: HSF2495-3702, meu número de série

 

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por Maria Emmir Nogueira, Co-fundadora da Comunidade Shalom

“Salvem a criança, pois tem o direito de viver e ser feliz!”

Arquivado em: Bioética, Espiritualidade, Santos — vidanova at 7:47 am on sexta-feira, maio 8, 2009

Neste mês de maio, mês em que celebramos o dia das mães, também trouxemos para vocês um pouco da história da Santa Gianna Beretta Molla. Esta mulher, filha de Deus, esposa e mãe que deu a sua vida para que sua filha tivesse o direito de viver…

Gianna Beretta Molla, o décimo segundo filho do casal Alberto Bereta e Maria de Micheli, ambos da Ordem Terceira Franciscana, nasceu em Magenta (Milão,Itália), no dia 4 de outubro de 1922, dia de São Francisco. Desde sua primeira juventude, acolhe plenamente o dom da fé e a educação cristã, recebidas de seus ótimos pais. Esta formação religiosa ensina-lhe a considerar a vida como um dom maravilhoso de Deus, a ter confiança na Providência e a estimar a necessidade e a eficácia da oração.

 No dia 4 de abril de 1928, com cinco anos e meio, fez a Primeira Comunhão. Desde esse dia, mesmo muito pequena, todos os dias acompanhava sua mãe à Santa Missa. Foi Crismada dois anos depois na Catedral de Bérgamo.

 Durante os anos de estudos e na Universidade, enquanto se dedicava diligentemente aos seus deveres, vincula sua fé com um compromisso generoso de apostolado entre os jovens da Ação Católica e de caridade para com os idosos e os necessitados nas Conferências de São Vicente. Formou-se com louvor em medicina e cirurgia em 30 de novembro de 1949 pela Universidade de Pavia (Itália), em 1950 abre seu consultório médico em Mêsero (nos arredores de Milão). Entre seus clientes, demonstra especial cuidado para as mães, crianças, idosos e pobres.

  Especializou-se em Pediatria na Universidade de Milão em 1952, mas freqüentou a Clínica Obstétrica Mangiagalli, pois por seu grande amor às crianças e às mães pretendia unir-se ao seu irmão, Padre Alberto, médico e missionário no Brasil que, com a ajuda do seu outro irmão engenheiro, Francesco, construíram um hospital na cidade de Grajaú, no Estado do Maranhão. A Beata Gianna, por sua saúde frágil, foi desaconselhada pelo Bispo Dom Bernareggi em vir ao Brasil.

 Enquanto exercia sua profissão médica, que a considerava como uma “missão”, aumenta seu generoso compromisso para com a Ação Católica, e consagra-se intensivamente em ajudar as adolescentes. Através do alpinismo e do esqui, manifesta sua grande alegria de viver e de gozar os encantos da natureza. Através da oração pessoal e da dos outros, questiona-se sobre sua vocação, considerando-a como dom de Deus. Opta pela vocação matrimonial, que a abraça com entusiasmo, assumindo total doação “para formar uma família realmente cristã”.

 Em 1954 conheceu o engenheiro Pietro Molla. Noivaram em 11 de abril de 1955. Prepara-se ao matrimônio com expansiva alegria e sorriso. Na basílica de São Martinho, em Magenta, casa aos 24 de setembro de 1955, tendo a cerimônia sido presidida por seu outro irmão Padre Giuseppe. Transforma-se em mulher totalmente feliz. Em novembro de 1956, já é a radiosa mãe de Pedro Luís (Pierluigi); em dezembro de 1957 de Mariolina (Maria Zita) e, em julho de 1959, de Laura. Com simplicidade e equilíbrio, harmoniza os deveres de mãe, de esposa, de médica e da grande alegria de viver.

 Na quarta gravidez, aos 39 anos em setembro de 1961 no final do segundo mês de gravidez, vê-se atingida pelo sofrimento e pela dor. Aparece um fibroma no útero. Três opções lhe foram apresentadas: retirar o útero doente, o que ocasionaria a morte da criança, abortar o feto, ou a mais arriscada, submeter-se a uma cirurgia de risco e preservar a gravidez. Antes de ser operada, embora sabendo o grave perigo de prosseguir com a gravidez, suplica ao cirurgião “Salvem a criança, pois tem o direito de viver e ser feliz!”, então, entrega-se à Divina Providência e à oração. Submeteu-se à cirurgia no dia 6 de setembro de 1961. Com o feliz sucesso da cirurgia, agradece intensamente a Deus a salvação da vida do filho. Passa os sete meses que a distanciam do parto com admirável força de espírito e com a mesma dedicação de mãe e de médica. Receia e teme que seu filho possa nascer doente e suplica a Deus que isto não aconteça.

 Alguns dias antes do parto, sempre com grande confiança na Providência, demonstra-se pronta a sacrificar sua vida para salvar a do filho: “Se deveis decidir entre mim e o filho, nenhuma hesitação: escolhei - e isto o exijo - a criança. Salvai-a”. Deu entrada, para o parto, no hospital de Monza, na sexta-feira da Semana Santa de 1962. Na manhã do dia seguinte, 21 de abril de 1962, nasce Gianna Emanuela. Apenas teve a filha por breves instantes nos braços. Apesar dos esforços para salvar a vida de ambos, na manhã de 28 de abril, em meio a atrozes dores e após ter repetido a jaculatória “Jesus eu te amo, eu te amo” morre santamente. Tinha 39 anos. Seus funerais transformaram-se em grande manifestação popular de profunda comoção, de fé e de oração. A Serva de Deus repousa no cemitério de Mêsero, distante 4 quilômetros de Magenta, nos arredores de Milão (Itália).

 “Meditata immolazione” (imolação meditada), assim Paulo VI definiu o gesto da Beata Gianna recordando, no Ângelus dominical de 23 de setembro de 1973, “uma jovem mãe da Diocese de Milão que, para dar a vida à sua filha sacrificava, com imolação meditada, a própria”. É evidente, nas palavras do Santo Padre, a referência cristológica ao Calvário e à Eucaristia.

 O milagre da beatificação aconteceu no Brasil, em 1977, na cidade de Grajaú, no Maranhão, naquele hospital onde queria ser missionária, onde foi beneficiada uma jovem que tinha dado à luz.

 Foi Beatificada pelo Papa João Paulo II, em 24 de abril de 1994 no Ano Internacional da Família, tendo sido considerada esposa amorosa, médica dedicada e mãe heróica, que renunciou à própria vida em favor da vida da filha, na ocasião da gestação e do parto.

Aborto e dignidade da pessoa humana

Arquivado em: Bioética — vidanova at 7:45 am on sexta-feira, maio 8, 2009

Prof. Dr. Frei Nilo Agostini, ofm

Professor de Teologia Moral, Diretor da Faculdade de Teologia da PUC-Rio

 

Amplia-se o debate sobre o aborto em nosso país. Muitas são as visões que se interpõem, díspares muitas vezes. Nos meios de comunicação em geral, as posições aí aportadas nem sempre são um consenso; muitas vezes são contraditórias. Por isso, é indispensável estimular a nossa atenção, aguçar a razão e esclarecer a consciência sobre problemas importantes de nossa sociedade.

Quando o assunto é o aborto, importa salientar alguns pontos básicos. Inicialmente, apontamos para o valor da dignidade da pessoa humana. Subjaz a esta o reconhecimento de uma realidade intrínseca, inerente ao próprio ser humano. Presente em cada pessoa, em sua essência mesma, esta dignidade é reconhecida como incomparável, inviolável e inalienável. A humanidade, depois de guerras, holocaustos, genocídios etc, assimilou este reconhecimento como um valor universal que não se pode simplesmente vender, transferir, abdicar ou anular. Trata-se de um respeito devido a cada pessoa.

A diversidade existente entre povos, culturas e mesmo civilizações não implica em diferentes valorações da dignidade das pessoas. O Cristianismo traz, como experiência própria, o testemunho de uma comunidade/povo que se constitui sem fronteiras de raça, povo ou nação. Todos são iguais e reconhecidos em igual nível e valor, porque dotados da mesma dignidade. Cada ser humano, indistintamente, traz estampado em si mesmo este valor em todo o percurso da vida, valor que o marca em todas as suas dimensões, quer corporal/somática, quer psico/afetiva, quer familiar/comunitário/social, quer espiritual/transcendente. Assume-se o ser humano integralmente, incluído todo o percurso de sua vida, o que afasta qualquer resvalo reducionista.

Desde o primeiro instante de sua existência, que se inaugura com o aparecimento de um genoma humano distinto dos pais, o ser humano tem direito à vida; ele traz estampada em si, desde aquele primeiro instante, a dignidade humana. Estamos ante o momento da concepção, a partir do qual o ser humano, no estágio de zigoto, não é mais uma “coisa”, um “meio”; a partir de então, o conceptus humano tem direito à vida, tornando-se sujeito de direitos. E o primeiro dentre estes é o de poder prosseguir o seu caminho de vida, sendo respeitada a sua dignidade. Não estamos diante de algo abstrato, nem mesmo relativo, passível de apreciações subjetivas ou utilitaristas ou ainda de flexibilizações retóricas diversas.

Também neste caso, a consciência, que se queira certa, busca fundar-se e formar-se de maneira reta e verídica. Isto significa que ela busca ter clareza e certeza dos valores que busca, fundando-se no bem e na verdade. Este empenho permite a emergência de um juízo moral esclarecido, não resvalando em juízos errôneos. É neste contexto que o Catecismo da Igreja Católica afirma que “o ser humano deve sempre obedecer ao juízo certo da sua consciência” (n° 1790). Descuidando-se da procura da verdade e do bem, a consciência pode deslizar em julgamentos errôneos, padecer de ignorância, permanecer obcecada por visões relativas, ficar comprometida com o hábito do pecado.

Ante o aborto, afirmamos que “o respeito à vida aparece como um dos princípios mais fundamentais e evidentes”, como bem sublinha o teólogo espanhol E.L. Azpitarte. A Santa Sé, na Carta dos Diretos da Família, de 1983, é contundente ao dizer que “a vida humana deve ser respeitada e protegida de modo absoluto, desde o momento da concepção” (n° 4). A noção de base é o respeito da vida humana, integralmente, do início ao fim. Não podemos sujeitar o respeito de sua dignidade a elementos ou circunstâncias que lhe sejam externos, como se ela fosse algo marginal, relativo, suscetível a mutações segundo interesses, visões e/ou utilizações várias. Grandes desastres na humanidade, como genocídios, holocaustos, abortos e mesmo guerras, começaram por cultivar visões estreitas, reducionistas, utilitaristas, resvalando em maniqueísmos demonizadores do diferente, este rapidamente apontado como adversário malévolo, em seguida suscetível à eliminação.

Importa, hoje, assumir uma posição clara em favor da vida de todos os seres humanos. Desde o primeiro instante da gravidez, quando o óvulo é fecundado, há uma nova vida que precisa de proteção, de acolhida e de amor. Isto implica, conseqüentemente, numa proteção e expansão da vida humana em todas as suas dimensões, na globalidade e unidade de seus componentes, aspectos, dimensões, valores, exigências. Esta antropologia integral é o fundamento, a medida, o critério, a força para a solução que é proposta acerca dos mais diversos problemas. Estes referenciais formam um grande consenso na comunidade teológica. Teólogos, da magnitude do italiano Dionigi Tettamanzi, os têm apresentado com especial clareza e contundente atualidade.

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