UNICEF e OPS querem “aliança” com Igreja… mas sem renunciar ao aborto

Filed under: Bioética,Noticias — vidanova at 8:44 am on quarta-feira, abril 15, 2009

Representantes de UNICEF e da Organização Panamericana da Saúde (OPS) têm proposto à Igreja da América Latina e o Caribe, durante uma recente reunião do CELAM, formar uma “aliança estratégica”, mas sem renunciar ao aborto, a promoção da pílula do dia seguinte, a ideologia de gênero e muitos outros tópicos que contradizem os ensinamentos da Igreja Católica.
O Diretor para a América Latina do Population Research Institute (PRI), Carlos Polo, assinalou a ACI Prensa que a proposta se apresentou no último “Encontro de Pastoral Social da Infância e Adolescência em Risco”, organizado pelo Departamento de Justiça e Solidariedade do CELAM, realizado de 23 a 27 de Março na cidade de Quito (Equador).
Polo, que participou do encontro como parte da delegação da Comissão de Vida, Família e Infância da Conferência Episcopal Peruana (CEP), explicou que “me interessou muito saber o que poderiam dizer os representantes de UNICEF e OPS aos membros da pastoral da infância e adolescência das distintas Conferências Episcopais da América Latina”.
“Conheço muitos dos que assistiram e sabia que estariam ao tanto do duplo discurso destas organizações envolvidas no controle natal e o aborto em todo mundo. Em efeito, vários dos Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos participantes escutamos com perplexidade a proposta destes funcionários”, adicionou.
O Diretor do PRI para a América Latina explicou que durante a reunião se fez evidente que “não é possível trabalhar com organismos que promovem ativamente uma ideologia que afasta a muitos de sua fé; nem permitir que, sou pretexto de ajudar a uns meninos, a outros os aborte”.
Polo solicitou entrevistas com o Dr. Oscar Suriel, Assessor Internacional em saúde da família e comunidade da OPS e com o Dr. Manuel Manrique Castro, quem se apresentou como um funcionário de longa trajetória em UNICEF agora encarregado de relançar as relações de UNICEF com a Igreja Católica.
Em ambos os casos se explicitou a estes funcionários que se tratava de entrevistas de caráter jornalístico e filmadas, ao qual acederam voluntariamente tal como consta nos vídeos que Polo compartilhou com ACI Prensa.
“Ao perguntar ao Dr. Suriel sobre a promoção do aborto que OMS/OPS realiza, este ao princípio negou rotundamente qualquer ação de sua organização nessa linha. Logo lhe citei alguns documentos de OPS e como tinha sido um dos agentes políticos para pressionar ao governo nicaragüense a que restitua o chamado aborto ‘terapêutico’, ao qual me respondeu que ‘a OPS sim apóia o aborto terapêutico e não o aborto per se’”.
Polo segue narrando seu encontro: “Disse-lhe que muitos, não só na Igreja, estávamos a par da falácia do ‘aborto terapêutico’ e que contudo sua resposta era incongruente com o apoio da OPS à lei de aborto do Distrito Federal de México, onde o aborto é legal para todo menino menor de 12 semanas de gestação”.
“Frente a isto –diz Polo– não teve resposta. As contradições de Suriel foram crescendo à medida que tratamos o tema da pílula do dia seguinte e dos chamados direitos reprodutivos”.
Posteriormente, o Diretor do PRI para a América Latina entrevistou ao Dr. Manrique sobre os questionamentos da Santa Sé ao UNICEF por seu envolvimento com o aborto e a chamada “saúde reprodutiva”.
Manrique respondeu que “se tratava de pequenas contingências que não têm maior trascendência” e que “não eram temas de fundo”. Polo, entretanto, insistiu assinalando que nesse mesmo instante na página Web oficial de UNICEF constava que esta compra e distribui máquinas de sucção para fazer abortos.
A resposta do Manrique foi que não achava isso e que conhecia essa acusação mas que nunca tinha sido sustentada.
Ao citar o apoio de UNICEF ao aborto terapêutico em Nicarágua e no México, Manrique respondeu que se tratava de “casos que concernem a pessoas particulares”.
“Em uma tentativa fracassada de explicar essa situação –adicionou Polo–, fez caso omisso a que a assinatura do representante e o logotipo de UNICEF consta em documentos assinados publicamente como o fiz notar”.
“Ainda mais incrível foi sua explicação sobre a promoção de preservativos para a prevenção de AIDS que UNICEF propõe em adolescentes. Manrique me disse que não era uma posição oficial da Igreja Católica e me citou exemplos de alguns Bispos que apóiam o uso do preservativo nesses casos”.
Segundo Polo, o Dr. Manrique mencionou ao Secretário da Conferência Episcopal da Colômbia e vários Bispos brasileiros. “Imediatamente lhe perguntei se acaso o Papa Bento XVI, que acabava de sofrer múltiplos ataques por dizer o contrário, não era a voz oficial da Igreja. Diante disso Manrique me respondeu ‘isso é o que você diz’”.
“Tanto Manrique como Suriel ao final das entrevistas e já fora de câmaras criticaram duramente minhas perguntas a respeito destes temas e insistiram a não difundir essas imagens. Suriel me disse ‘Não sabem quanto dinheiro se perderia se esta colaboração não se leva a cabo’”.
Comentando estas afirmações, registradas por Carlos Polo em vídeo, Dom José Antonio Eguren, Presidente da Comissão de Vida, Família e Infância da CEP, destacou que “muitos católicos que ignoram as políticas anti-vida destes organismos internacionais merecem conhecer a fundo sua ideologia e as ações concretas de realizam, e como são totalmente incompatíveis com a doutrina e a pastoral da Igreja”.
“A UNICEF e a OPS parecem não entender que somos apóstolos e não meros trabalhadores sociais. Nós transmitimos ao Senhor da Vida em cada obra social que fazemos. Se deixarmos de ser apóstolos, a perda da Igreja seria incalculável em termos de sua identidade. A isso se refere Jesus quando diz que se o sal perdesse seu sabor, serviria só para ser pisada. Assim ao que nós respeita, podem conservar seu dinheiro, nós conservaremos nossa Fé e nosso compromisso com a dignidade humana”, concluiu o Prelado.

Fonte: www.acidigital.com

A gravidade do aborto

Filed under: Bioética,Doutrina — vidanova at 1:20 pm on quinta-feira, março 26, 2009

Dom Fernando Arêas Rifan

Na polêmica suscitada em torno da questão da menina violentada em Pernambuco, alvo depois de um aborto provocado, há o perigo de se desviar o foco do ponto central de toda a questão: a gravidade do pecado do aborto voluntário.

Considerando-se o feto como um ser humano, apesar de ainda em formação, – como, aliás, também o é um bebê recém-nascido – com código genético, conjunto de cromossomos e personalidade independente da sua mãe, como o comprova a própria ciência moderna, a sua morte provocada vem a se constituir em um voluntário e direto ato de se tirar a vida de um ser humano inocente, ato ilícito perante a lei natural e a lei positiva de Deus.

A conseqüência dessa consideração é que nada poderá justificar o tirar diretamente a vida de um inocente, nenhuma razão ou pretexto, por mais louváveis e bem intencionados que sejam, como proteger a vida de outrem, salvar a honra de alguém, diminuir a pobreza da família, evitar o escândalo, etc. É princípio básico de moral que não se pode fazer diretamente o mal para se obter um bem. E quando se trata de princípios, não adianta tentar contradizê-lo apelando para argumentos sentimentais.

Assim como a Igreja, Estado também considera como o maior bem a vida humana.
A excomunhão é uma pena aposta pela Igreja a um pecado grave, com o objetivo de alertar os católicos sobre a gravidade de tal ato, no nosso caso, o pecado grave do aborto voluntário e o prejuízo irreparável causado ao inocente morto. Isso não quer dizer que outros pecados graves, que não tenham sobre si tal pena, sejam permitidos ou com culpabilidade diminuída. A Igreja está tomando a defesa de um inocente, que não tem voz nem outros meios de se defender, o feto no útero materno.

Mas existe sim uma gradação na gravidade dos pecados. Jesus disse a Pilatos que quem o havia entregue a ele tinha maior pecado do que ele, Pilatos (Jo 19,11).

Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, que tem toda a nossa solidariedade, não excomungou os que diretamente provocaram tal aborto, apenas anunciou que tal ato constituía um delito canônico punido automaticamente com a excomunhão. Nem muito menos defendeu o crime hediondo do padrasto.

Ademais, há que se ter em conta uma segunda opinião de médicos abalizados: a menina não corria risco de vida imediato e a gravidez poderia ter sido levada até mais adiante, quando os fetos já seriam considerados viáveis, fazendo-se então até mesmo um parto cesariano, se fosse preciso. Assim se teriam salvado duas vidas, sem o trauma do aborto para a mãezinha e sem o pecado diante de Deus.

Infelizmente, só quem defendeu essas duas vidas que se perderam foi a Igreja. E a voz delas foi a única que não se ergueu contra a Igreja.      

 

- – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - -
por
CNBB

Bispo lembra que a Igreja defende “o sim definitivo à vida, sem ambigüidades”

Filed under: Bioética,Noticias — vidanova at 8:53 am on quinta-feira, março 12, 2009

 O Bispo de Coria-Cáceres, Dom Francisco Cerro, afirmou que a Igreja “sempre foi clara” em sua postura respeito ao aborto e asseverou que a instituição a que pertence defende “o sim terminante à vida, sem ambigüidades”.
O Prelado realizou estas declarações a Europa Press Televisão em Cáceres, depois da inauguração do Centro de Divulgação da Semana Santa cacerenha, onde esteve presente junto à conselheira de Cultura e Turismo da Junta de Extremadura, Leonor Flores e a prefeita do Cáceres, Carmen Fira, entre outras autoridades civis e eclesiásticas.
Ao ser perguntado pela futura Lei do Aborto que está elaborando o Governo, Dom Francisco Cerro disse que a postura de sua instituição é a defesa de “um sim terminante a todo tipo de vida”, desde “a concepção” da mesma até seu “final”, tal e como o reflete o Evangelho, conforme lembrou.
Por isso, expôs que os fiéis desta religião “não podem dizer outra coisa” diferente a que dita a “lei de Deus”, em relação à interrupção voluntária da gravidez.
Do mesmo modo, perguntado se por acaso terão lugar mobilizações por parte de grupos cristãos em protesto pela futura lei do aborto, o prelado opinou que “sim haverá gente que atue” e “expresse-se” neste sentido, porque “de algum jeito tem que manifestar sua opinião”, concluiu.

Felizes os abortistas de hoje?

Filed under: Bioética — vidanova at 8:51 am on quinta-feira, março 12, 2009

D. Carlos Alberto Navarro

Os inimigos invadiram o convento, violentaram as religiosas. Várias delas ficaram grávidas. O fato sucede-se em combate entre as etnias, Em todas as guerras, aliás sucedem-se fatos análogos. E vem a pergunta: “E neste caso, é possível o aborto?”. Uma jovem, após anos de namoro e noivado, vai se casar. É assaltada, estuprada, engravida. “E neste caso, é possível o aborto?”.

 A resposta exigiria longas considerações. Não temos aqui o espaço suficiente. Afinal, como a Igreja aconselha a religiosa em situação semelhante ao acima descrito? A freira não pode abortar. Deve dar à luz aquele pequenino ser, inocente do crime do pai. Após seu nascimento, há duas opções. A freira sente nascer o desejo de criar o seu filho e deixa o mosteiro para fazê-lo. Ou então, escuta falar mais alto sua vocação de consagrada; dá seu filho para que outros o adotem.

Dirá alguém: Isto é uma maldade! Eu não tenho coragem de dar meu filho!”. Outro responde: “Muito bem! Então o que você prefere fazer?”. A única alternativa que sobra como resposta é: “Prefiro matá-lo!” (Em outras palavras, decide abortá-lo!)

Imaginemos que os homens tivessem inventado a máquina capaz de substituir a mãe gestante. Logo após a fecundação, alguém pediria licença, extrairia da mãe o ovo fecundado e o colocaria neste novo aparelho. Nove meses depois voltaríamos para descobrir o que foi gerado. Seria um sapinho? Um macaquinho? Uma couve-flor? Não! Encontraríamos um menino ou uma menina. A conclusão lógica é que se nasceu um ser humano, é que desde o inicio já era uma pessoa, só lhe faltavam as condições para desabrochar plenamente. Não era mais o “corpo da mulher” (Como dizem certas feministas). Ela é no máximo, dona de “seu” corpo, não porém do corpo de seu filho.

Todos nós – eu e os leitores inclusive – já tivemos 8 meses, 3 meses, 7 semanas, 5 horas. Se nossos pais tivessem pensado em nos eliminar não estaríamos aqui. Felizes os abortistas de hoje! Eles deveriam, pelo menos, agradecer a seus pais e responsáveis por eles não terem sido, então, também defensores e praticantes do aborto. Caso contrário, não estariam agora vivos para propugnar pelo sacrifício dos inocentes nascituros.

O Projeto de Lei nº 20/91, regulamentando “os caos de abortamento admitidos pelo Código Penal”, foi aprovado pela Comissão de Seguridade e Família da Câmara dos Deputados. Foram 21 votos contra 17. Tal projeto é ilegal (por ser contra o direito natural) e imoral.

Dentro de poucos dias, o assunto voltará a ser considerado e votado pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação da mesma Câmara.

  Quem não entende a crescente propaganda para a legalização do aborto, no Brasil e no mundo, deveria saber que no relatório confidencial do então Secretário de Estado, Henry Kissinger, em 1974, se pontificava: “Nenhum país já reduziu o crescimento de sua população sem recorrer ao aborto” (!) E tal sedução é necessário para a segurança e os interesses externos dos Estados Unidos (!).

GRÁVIDA DE GÊMEOS EM ALAGOINHA

Filed under: Bioética — vidanova at 8:24 am on terça-feira, março 10, 2009

Por Pe. Edson Rodrigues

Fonte: http://padreedson.blogspot.com/

O lado que a imprensa deixou de contar


Há cerca de oito dias, nossa cidade foi tomada de surpresa por uma trágica notícia de um acontecimento que chocou o país: uma menina de 9 anos de idade, tendo sofrido violência sexual por parte de seu padrasto, engravidou de dois gêmeos. Além dela, também sua irmã, de 13 anos, com necessidade de cuidados especiais, foi vitima do mesmo crime. Aos olhos de muitos, o caso pareceu absurdo, como de fato assim também o entendemos, dada a gravidade e a forma como há três anos isso vinha acontecendo dentro da própria casa, onde moravam a mãe, as duas garotas e o acusado.


O Conselho Tutelar de Alagoinha, ciente do fato, tomou as devidas providências no sentido de apossar-se do caso para os devidos fins e encaminhamentos. Na sexta-feira, dia 27 de fevereiro, sob ordem judicial, levou as crianças ao IML de Caruaru-PE e depois ao IMIP (Instituto Médico Infantil de Pernambuco), de Recife a fim de serem submetidas a exames sexológicos e psicológicos. Chegando ao IMIP, em contato com a Assistente Social Karolina Rodrigues, a Conselheira Tutelar Maria José Gomes, foi convidada a assinar um termo em nome do Conselho Tutelar que autorizava o aborto. Frente à sua consciência cristã, a Conselheira negou-se diante da assistente a cometer tal ato. Foi então quando recebeu das mãos da assistente Karolina Rodrigues um pedido escrito de próprio punho da mesma que solicitava um “encaminhamento ao Conselho Tutelar de Alagoinha no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do fato”. A Conselheira guardou o papel para ser apreciado pelos demais Conselheiros colegas em Alagoinha e darem um parecer sobre o mesmo com prazo até a segunda-feira dia 2 de março. Os cinco Conselheiros enviaram ao IMIP um parecer contrário ao aborto, assinado pelos mesmos. Uma cópia deste parecer foi entregue à assistente social Karolina Rodrigues que o recebeu na presença de mais duas psicólogas do IMIP, bem como do pai da criança e do Pe. Edson Rodrigues, Pároco da cidade de Alagoinha.


No sábado, dia 28, fui convidado a acompanhar o Conselho Tutelar até o IMIP em Recife, onde, junto à conselheira Maria José Gomes e mais dois membros de nossa Paróquia, fomos visitar a menina e sua mãe, sob pena de que se o Conselho não entregasse o parecer desfavorável até o dia 2 de março, prazo determinado pela assistente social, o caso se complicaria. Chegamos ao IMIP por volta das 15 horas. Subimos ao quarto andar onde estavam a menina e sua mãe em apartamento isolado. O acesso ao apartamento era restrito, necessitando de autorização especial. Ao apartamento apenas tinham acesso membros do Conselho Tutelar, e nem tidos. Além desses, pessoas ligadas ao hospital. Assim sendo, à área reservada tiveram acesso naquela tarde as conselheiras Jeanne Oliveira, de Recife, e Maria José Gomes, de nossa cidade.


Com a proibição de acesso ao apartamento onde menina estava, me encontrei com a mãe da criança ali mesmo no corredor. Profunda e visivelmente abalada com o fato, expôs para mim que tinha assinado “alguns papéis por lá”. A mãe é analfabeta e não assina sequer o nome, tendo sido chamada a pôr as suas impressões digitais nos citados documentos.


Perguntei a ela sobre o seu pensamento a respeito do aborto. Valendo-se se um sentimento materno marcado por preocupação extrema com a filha, ela me disse da sua posição desfavorável à realização do aborto. Essa palavra também foi ouvida por Robson José de Carvalho, membro de nosso Conselho Paroquial que nos acompanhou naquele dia até o hospital. Perguntei pelo estado da menina. A mãe me informou que ela estava bem e que brincava no apartamento com algumas bonecas que ganhara de pessoas lá no hospital. Mostrava-se também muito preocupada com a outra filha que estava em Alagoinha sob os cuidados de uma família. Enquanto isso, as duas conselheiras acompanhavam a menina no apartamento. Saímos, portanto do IMIP com a firme convicção de que a mãe da menina se mostrava totalmente desfavorável ao aborto dos seus netos, alegando inclusive que “ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus”.


Na segunda-feira, retornamos ao hospital e a história ganhou novo rumo. Ao chegarmos, eu e mais dois conselheiros tutelares, fomos autorizados a subirmos ao quarto andar onde estava a menina. Tomamos o elevador e quando chegamos ao primeiro andar, um funcionário do IMIP interrompeu nossa subida e pediu que deixássemos o elevador e fôssemos à sala da Assistente Social em outro prédio. Chegando lá fomos recebidos por uma jovem assistente social chamada Karolina Rodrigues. Entramos em sua sala eu, Maria José Gomes e Hélio, Conselheiros de Alagoinha, Jeanne Oliveira, Conselheira de Recife e o pai da menina, o Sr. Erivaldo, que foi conosco para visitar a sua filha, com uma posição totalmente contrária à realização do aborto dos seus netos. Apresentamo-nos à Assistente e, ao saber que ali estava um padre, ela de imediato fez questão de alegar que não se tratava de uma questão religiosa e sim clínica, ainda que este padre acredite que se trata de uma questão moral.


Perguntamos sobre a situação da menina como estava. Ela nos afirmou que tudo já estava resolvido e que, com base no consentimento assinado pela mãe da criança em prol do aborto, os procedimentos médicos deveriam ser tomados pelo IMI dentro de poucos dias. Sem compreender bem do que se tratava, questionei a assistente no sentido de encontrar bases legais e fundamentos para isto. Ela, embora não sendo médica, nos apresentou um quadro clínico da criança bastante difícil, segundo ela, com base em pareceres médicos, ainda que nada tivesse sido nos apresentado por escrito.


Justificou-se com base em leis e disse que se tratava de salvar apenas uma criança, quando rebatemos a idéia alegando que se tratava de três vidas. Ela, desconsiderando totalmente a vida dos fetos, chegou a chamá-los em “embriões” e que aquilo teria que ser retirado para salvar a vida da criança. Até então ela não sabia que o pai da criança estava ali sentado ao seu lado. Quando o apresentamos, ela perguntou ao pai, o Sr. Erivaldo, se ele queria falar com ela. Ele assim aceitou. Então a assistente nos pediu que saíssemos todos de sua sala os deixassem a sós para a essa conversa. Depois de cerca de vinte e cinco minutos, saíram dois da sala para que o pai pudesse visitar a sua filha. No caminho entre a sala da assistente e o prédio onde estava o apartamento da menina, conversei com o pai e ele me afirmou que sua idéia desfavorável ao aborto agora seria diferente, porque “a moça me disse que minha filha vai morrer e, se é de ela morrer, é melhor tirar as crianças”, afirmou o pai quase que em surdina para mim, uma vez que, a partir da saída da sala, a assistente fez de tudo para que não nos aproximássemos do pai e conversássemos com ele. Ela subiu ao quarto andar sozinha com ele e pediu que eu e os Conselheiros esperássemos no térreo. Passou-se um bom tempo. Eles desceram e retornamos à sala da assistente social. O silêncio de que havia algo estranho no ar me incomodava bastante. Desta vez não tive acesso à sala. Porém, em conversa com os conselheiros e o pai, a assistente social Karolina Rodrigues, em dado momento da conversa, reclamou da Conselheira porque tinha me permitido ver a folha de papel na qual ela solicitara o parecer do Conselho Tutelar de Alagoinha favorável ao aborto e rasgou a folha na frente dos conselheiros e do pai da menina. A conversa se estendeu até o final da tarde quando, ao sair da sala, a assistente nos perguntava se tinha ainda alguma dúvida. Durante todo o tempo de permanência no IMIP não tivemos contato com nenhum médico. Tudo o que sabíamos a respeito do quadro da menina era apenas fruto de informações fornecidas pela assistente social. Despedimo-nos e voltamos para nossas casas. Aos nossos olhos, tudo estava consumado e nada mais havia a fazer.


Dada a repercussão do fato, surge um novo capítulo na história. O Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, e o bispo de nossa Diocese de Pesqueira, Dom Francisco Biasin, sentiram-se impelidos a rever o fato, dada a forma como ele se fez. Dom José Cardoso convocou, portanto, uma equipe de médicos, advogados, psicólogos, juristas e profissionais ligados ao caso para estudar a legalidade ou não de tudo o que havia acontecido. Nessa reunião que se deu na terça-feira, pela manhã, no Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, estava presente o Sr. Antonio Figueiras, diretor do IMIP que, constatando o abuso das atitudes da assistente social frente a nós e especialmente com o pai, ligou ao hospital e mandou que fosse suspensa toda e qualquer iniciativa que favorecesse o aborto das crianças. E assim se fez.


Um outro encontro de grande importância aconteceu. Desta vez foi no Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, na tarde da terça-feira. Para este, eu e mais dois Conselheiros, bem como o pai da menina formos convidados naquela tarde. Lá no Tribunal, o desembargador Jones Figueiredo, junto a demais magistrados presentes, se mostrou disposto a tomar as devidas providências para que as vidas das três crianças pudessem ser salvas. Neste encontro também estava presente o pai da criança. Depois de um bom tempo de encontro, deixamos o Tribunal esperançosos de que as vidas das crianças ainda poderiam ser salvas.


Já a caminho do Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, por volta das cinco e meia da tarde, Dom José Cardoso recebeu um telefonema do Diretor do IMIP no qual ele lhe comunicava que um grupo de uma entidade chamada Curumins, de mentalidade feminista pró-aborto, acompanhada de dois técnicos da Secretaria de Saúde de Pernambuco, teriam ido ao IMIP e convencido a mãe a assinar um pedido de transferência da criança para outro hospital, o que a mãe teria aceito. Sem saber do fato, cheguei ao IMIP por volta das 18 horas, acompanhado dos Conselheiros Tutelares de Alagoinha para visitar a criança. A Conselheira Maria José Gomes subiu ao quarto andar para ver a criança. Identificou-se e a atendente, sabendo que a criança não estava mais na unidade, pediu que a Conselheira sentasse e aguardasse um pouco, porque naquele momento “estava havendo troca de plantão de enfermagem”. A Conselheira sentiu um clima meio estranho, visto que todos faziam questão de manter um silêncio sigiloso no ambiente. Ninguém ousava tecer um comentário sequer sobre a menina.


No andar térreo, fui informado do que a criança e sua mãe não estavam mais lá, pois teriam sido levadas a um outro hospital há pouco tempo acompanhadas de uma senhora chamada Vilma Guimarães. Nenhum funcionário sabia dizer para qual hospital a criança teria sido levada. Tentamos entrar em contato com a Sra. Vilma Guimarães, visto que nos lembramos que em uma de nossas primeiras visitas ao hospital, quando do assédio de jornalistas querendo subir ao apartamento onde estava a menina, uma balconista chamada Sandra afirmou em alta voz que só seria permitida a entrada de jornalistas com a devida autorização do Sr. Antonio Figueiras ou da Sra. Vilma Guimarães, o que nos leva a crer que trata-se de alguém influente na casa. Ficamos a nos perguntar o seguinte: lá no IMIP nos foi afirmado que a criança estava correndo risco de morte e que, por isso, deveria ser submetida ao procedimentos abortivos. Como alguém correndo risco de morte pode ter alta de um hospital. A credibilidade do IMIP não estaria em jogo se liberasse um paciente que corre risco de morte? Como explicar isso? Como um quadro pode mudar tão repentinamente? O que teriam dito as militantes do Curumim à mãe para que ela mudasse de opinião? Seria semelhante ao que foi feito com o pai?


Voltamos ao Palácio dos Manguinhos sem saber muito que fazer, uma vez que nenhuma pista nós tínhamos. Convocamos órgãos de imprensa para fazer uma denúncia, frente ao apelo do pai que queria saber onde estava a sua filha.


Na manhã da quarta-feira, dia 4 de março, ficamos sabendo que a criança estava internada na CISAM, acompanhada de sua mãe. O Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (FUSAM) é um hospital especializado em gravidez de risco, localizado no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife. Lá, por volta das 9 horas da manhã, nosso sonho de ver duas crianças vivas se foi, a partir de ato de manipulação da consciência, extrema negligência e desrespeito à vida humana.

Isto foi relatado para que se tenha clareza quanto aos fatos como verdadeiramente eles aconteceram. Nada mais que isso houve. Porém, lamentamos profundamente que as pessoas se deixem mover por uma mentalidade formada pela mídia que está a favor de uma cultura de morte. Espero que casos como este não se repitam mais.


Ao IMIP, temos que agradecer pela acolhida da criança lá dentro e até onde pode cuidar dela. Mas por outro lado não podemos deixar de lamentar a sua negligência e indiferença ao caso quando, sabendo do verdadeiro quadro clínico das crianças, permitiu a saída da menina de lá, mesmo com o consentimento da mãe, parecendo ato visível de quem quer se ver livre de um problema.


Aos que se solidarizaram conosco, nossa gratidão eterna em nome dos bebês que a esta hora, diante de Deus, rezam por nós. “Vinde a mim as crianças”, disse Jesus. E é com a palavra desde mesmo Jesus que continuaremos a soltar nossa voz em defesa da vida onde quer que ela esteja ameaçada. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente” (Jo, 10,10). Nisso cremos, nisso apostamos, por isso haveremos de nos gastar sempre. Acima de tudo, a Vida!

Pe. Edson Rodrigues
Pároco de Alagoinha-PE

« Página anteriorPróxima Página »