Celibato dos padres: repressão, egoísmo ou amor?

Filed under: Doutrina — vidanova at 8:41 am on segunda-feira, julho 20, 2009

No dia 13 de junho de 1525, o ex-monge Martinho Lutero casou com a ex-freira Catarina von Bora. De acordo com suas palavras, «assim como não está em meu poder deixar de ser homem, também não está em meu poder ficar sem mulher. O mesmo princípio vale para a mulher. Não se trata de livre escolha ou decisão, mas de algo necessário e natural. Quem é homem tem de ter uma esposa, e quem é mulher tem de ter um marido».

Ao comentar a palavra de Jesus – «há pessoas que não casam pelo Reino de Deus» (Mt 19,12) –, Lutero afirma que «elas existem, mas são raras. Ninguém deve tomar a iniciativa de seguir por este caminho, senão unicamente por um chamado especial de Deus, ou seja, que sinta a graça de Deus tão forte dentro de si, que o mandamento “crescei e multiplicai-vos” não lhe diga respeito».

Contudo, depois de ter feito a experiência do casamento, Lutero percebeu que, se não houver uma maturidade humana e cristã, ele não resolve nenhum dos problemas afetivos e sexuais que inquietam as pessoas, tanto que muitas delas casam e descasam sem nunca encontrar a solução das angústias existenciais que as atormentam: «A vida matrimonial não é assunto para brincadeira ou curiosidade atrevida, mas algo excelente e matéria de divina seriedade. O casal precisa conviver em amor e concórdia, para que um queira o outro de coração e com fidelidade integral. Onde houver esse cuidado, a castidade será espontânea, e não uma obrigação imposta».

Podemos concordar ou discordar de muitas das afirmações do líder da Reforma, menos de uma delas, inculcada desde as primeiras páginas da Bíblia: «Não é bom que o ser humano fique sozinho» (Gn 2,18). Mas, será que esta palavra de Deus se refere sempre, ou somente, ao cônjuge? Há casados que se sentem sozinhos, na mais profunda solidão… De outro lado, são milhões as pessoas que se realizaram plenamente no celibato.

A resposta é outra: quem realiza o homem, criado à imagem de um Deus que é comunhão, é sempre e somente o amor. Quanto mais ele for verdadeiro, maior a realização humana. Se os laços do sangue não são sempre suficientes para garantir e perpetuar essa união, muito menos o serão o instinto sexual e a carência afetiva.

É o que pensa também o Papa Bento XVI: para não se identificar com repressão e egoísmo, o celibato precisa ser alimentado por um amor sem medidas: «O sacerdote deve conhecer verdadeiramente Deus a partir de dentro e, assim, levá-lo aos homens. Este é o serviço prioritário que a humanidade atual busca e precisa. Se se perde esta centralidade de Deus na vida sacerdotal, esvazia-se pouco a pouco também o zelo pela missão. No excesso das coisas externas, falta o centro que dá sentido a tudo e o reconduz à unidade. O celibato pode ser compreendido e vivido só por essa orientação de fundo. As razões pragmáticas, a referência à maior disponibilidade, não são suficientes. Esta maior disponibilidade de tempo poderia facilmente tornar-se uma forma de egoísmo, que se poupa aos sacrifícios e às fadigas exigidas pelo aceitar-se e suportar-se reciprocamente no matrimônio; poderia até levar a um empobrecimento espiritual, a uma dureza do coração. O verdadeiro fundamento do celibato está contido apenas na frase: Tu, Senhor, és a minha herança e a minha taça (Sl 16, 5)».

Como se percebe, para Lutero e Bento XVI o celibato é feito para quem consegue dizer com o coração: «Deus me basta para ser feliz!». Ambos fundamentam suas palavras na doutrina de São Paulo, para quem a única razão do celibato é a «dedicação integral ao Senhor, sem outras distrações» (1Cor 7,35). Mas isso só acontece quando se busca um conhecimento vital de Deus – e não apenas teórico e abstrato –, a exemplo de Jó, que repetia, depois de longos anos de sofrimento: «Antes, eu conhecia o Senhor apenas por ouvir dizer. Agora, porém, o vejo com meus próprios olhos» (Jó 42,5). Se faltar este contato íntimo com o Senhor, é mais prudente seguir o conselho de São Paulo: «Se não consegues conter-te, casa, pois é melhor casar do que queimar» (1Cor 7,9). Em todo o caso, o amor a Deus e aos irmãos deve ser, no mínimo, tão forte quanto são as exigências da carne e as tentações da sociedade atual – umas e outras cada dia mais acentuadas e sorrateiras. Foi essa realidade que levou o cardeal Carlos Maria Martini, arcebispo emérito de Milão, a afirmar com a sabedoria que a experiência lhe concedeu: «Esta forma de vida é muito exigente; ela pressupõe profunda religiosidade, uma vida comunitária sadia, uma personalidade forte e, sobretudo, vocação ao celibato».

 

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por
CNBB

O Bispo e a sua orquestra

Filed under: Doutrina — vidanova at 8:04 am on terça-feira, maio 5, 2009

Dom Eurico dos Santos Veloso

 

O dom do episcopado trata-se do exercício do ministério de unir a grande diversidade de dons existentes no Corpo de Cristo em sua Diocese para que todos funcionem bem e de modo harmônico visando a edificação do mesmo corpo e o testemunho missionário da Igreja. O bispo preserva a unidade dos carismas. Ele não acumula carismas, mas tem o dever de integrá-los e harmonizá-los, principalmente quando um carisma quer sobressair-se, colocando em risco a unidade do corpo. Tem-se esse aspecto do ministério episcopal como a função do regente de uma orquestra sinfônica, isto é, ele não toca nenhum dos instrumentos da orquestra, mas sua ação é que possibilita que todos os instrumentos toquem no momento devido, da forma devida, de maneira a resultar numa harmonia. Ele não é a orquestra, mas a orquestra se reconhece na pessoa dele. Não é ele que manda na orquestra, mas tampouco a orquestra manda nele. Ambos obedecem à mesma partitura que no caso é a Palavra de Deus. Ambos estão sob a Palavra, o Verbo de Deus.

 

Naturalmente, um regente não precisa saber tocar todos os instrumentos da orquestra e nem mesmo poderia fazê-lo. Porém, deve saber coordenar os instrumentos que são os dons e carismas, a fim de que toquem no momento certo. Usando de modo competente sua autoridade como regente, a orquestra há de se reconhecer nele, pois toda orquestra sabe que sem seu regente, não conseguirá executar uma sinfonia de modo adequado. Tal como os músicos de uma orquestra reconhecem em seu regente o princípio da unidade, os diversos carismas de uma diocese (tanto do ministério ordenado quanto do chamado “ministério leigo”) devem reconhecer em seu bispo o elo da unidade diocesana.

 

 

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por
CNBB

OS PENHORES ESPIRITUAIS DA IGREJA

Filed under: Doutrina — vidanova at 7:35 am on sexta-feira, abril 24, 2009

Por Ana Maria Bueno Cunha

A Primeira Declaração Apologética de Pedro Papa

 

Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia […] Israelitas, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, homem de quem Deus tem dado testemunho diante de vós com milagres, prodígios e sinais que Deus por ele realizou no meio de vós, como vós mesmos o sabeis, depois de ter sido entregue, segundo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de ímpios. Mas Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porque não era possível que ela o retivesse em seu poder [...] Este Jesus, Deus o ressuscitou, e disso todos nós somos testemunhas […]Tenha, pois, por certo a casa de Israel que Deus fez Senhor e Cristo a Jesus, que vós crucificastes”. (Atos 2, 15. 22 – 23. 32. 36)

 

 Temos diante de nós, proclamada por São Pedro – homem escolhido pelo próprio Cristo para ser o condutor visível de Sua Igreja neste mundo -, a primeira e majestosa declaração apologética existente e que aconteceu no instante em que começou a historia cristã, declaração esta que era também uma declaração de guerra ao mundo. Como entender esta certeza da mensagem que levavam e esta força, vinda de homens tão simples e de tão pequeno número, que estavam dispostos a dar a vida para mostrar ao mundo que o que acreditavam era a mais pura e única Verdade, aquela tão esperada e tão aguardada por todos?

 

Devemos nos recordar que o próprio Cristo os escolheu um a um, para serem seus discípulos fieis, que levariam adiante o anúncio de seu Reino que Ele acabara de inaugurar, para levar os homens de volta ao Pai e restabelecer a paz, a tudo que existia, na terra e no céu, morada de Deus. Este grupo de discípulos que eram chamados de irmãos, anunciavam intrepidamente a boa nova, viviam em harmonia, unidos numa fé viva e exemplar e que assiduamente frequentavam o Templo, rezando, jejuando segundo o costume e participando das refeições em comum, mas que para eles tinham agora, um novo significado.

 

Que laço, que mistério havia no meio deles para os tornar ao mesmo tempo tão fortes e tão acolhedores, já que diz as Escrituras que cada dia crescia entre eles o número de fieis, mesmo sendo eles tão perseguidos pelas autoridades? A resposta resume-se numa única frase: “O Messias veio para o meio de nós“. Lembremo-nos que a raiz messiânica era muito forte naquele povo de Israel e foi exatamente a espera deste Messias libertador, que fez com este povo se tornasse um povo forte, lutador e certo de sua eleição divina. Quantas batalhas travaram e nunca sucumbiram por causa da esperança que não enganava seus corações. Os profetas com muita propriedade O anunciava e fazia brotar nos corações uma certeza de que quando chegasse a plenitude dos tempos, o Altíssimo cumpriria Sua promessa e ela se realizaria na pessoa de um Ungido, de um Messias, de um Cristo. Cada um esperava um Messias a seu modo, o que não mudava o fato de que quando este chegasse, traria a paz, a dignidade muitas vezes perdida e a restauração deste povo, que afinal era a menina dos olhos de Deus.

 

Neste contexto que se inseria os apóstolos e discípulos, dizendo que tudo já havia sido realizado e que Aquele Jesus a quem mataram era exatamente Aquele que esperavam. Jesus verdadeiro Deus e verdadeiro homem chegou ao mundo mostrando e revelando o Pai com prodígios e milagres, e foi preso exatamente por ter-se considerado o Cristo, Filho de Deus e consequentemente Deus. São Marcos nos narra sua resposta ao Sumo Sacerdote ao ser inquerido sobre ser Ele o Cristo, Filho do Deus Altissímo, no qual obteve como resposta: – Eu o Sou, e vereis o Filho do homem sentado a direita do Todo-Poderoso e vir sobre as nuvens do céu (Mc 14,61-62). Por causa desta revelação foi sumariamente julgado e condenado, morto e sepultado. Seria seu testemunho de sangue forte o suficiente para unir o grupo que Ele havia chamado? Continuariam acreditando que o Crucificado do Calvário era realmente o enviado do Pai tão ansiosamente aguardado?

 

Sabemos muito bem pelo relato dos escritores sagrados, que Jesus foi traído, renegado e abandonado pelo seus discípulos, e que aos pés da cruz sobraram apenas um deles, o mais jovem e algumas mulheres. Mas por incrível que possa parecer, estes irmãos se uniram novamente apesar do desfecho humano tão inesperado e surpreendente, não por um apego sentimental, mas porque estavam na posse de provas flagrantes de sua messianidade e a respostas que davam se baseavem agora no plano de realidades sobrenaturais. Lembremo-nos de que conviveram com o Mestre durante três anos e que Este, os ensinou tudo que era preciso para se manterem unidos e fortes, apesar de muitas vezes não o entenderem. Essas garantias, esses penhores sobrenaturais eram três e todos os Evangelhos, os Atos e as Epístolas, os revelam e mostram claramente que era sobre elas que se repousava a fé daqueles homens, e que seriam a segurança da continuidade de sua mensagem a todos os povos de todos os tempos e nações. Estava nelas a raiz e a base de toda salvação humana, pois são baseadas nelas que todo homem pode crer no Filho de Deus usando a razão e aderindo a grandeza e loucura de Sua mensagem. A garantia da vida de todo homem consiste na fé em Cristo e esta se fundamenta nestes penhores tão divinamente revelados por estes homens tão carnais as vezes, mas ao mesmo tempo tão enraigados da graça e do poder do alto.

 

O Primeiro Penhor – A Morte Sacrifical de Cristo

 

O primeiro penhor foi dado pelo próprio Cristo, na véspera da sua morte, na noite da quinta-feira Santa, quando ao partilhar com os seus a sua última Ceia Pascal, partira o pão, tomara a taça de vinho e dera graças, dizendo: – “Este é o meu corpo, que é entregue por vós […] Este cálice é o Novo Testamento em meu Sangue, que é derramado por vós (cf Lc 22, 19-20). O gesto sintetizava numa fórmula sacramental um ensinamento em que muitas vezes Ele insistira dar e que mostrava a necessidade de sua morte num carater sacrifical de Si mesmo. Naquelas ocasiões não foi compreendido, talvez por estarem cegados pela espera do Messias glorioso e poderoso tão difundido e esperado por todos. Mas ao passar aqueles momentos trágicos, não foi difícil se lembrarem das tantas vezes em que Ele se referiu a sua morte e esta passou a ser uma ligação a mais entre eles, afinal se cumpriu o predito. 

 

Compreenderam também o que significava seu sacrificio como o cordeiro imolado, já que estavam familiarizados com o mistério da Aliança, que desde o sacrifício de Abrãao até o Cordeiro pascal sempre estivera ligado a necessidade de sacrifício e assim eles puderam compreender o verdadeiro alcance da imolação do Calvário. No Antigo Testamento Israel se sustentou na Antiga Aliança, confiando nas promessas de Javé, enquanto no Novo Testamento os seguidores de Cristo, se apoiariam na certeza de que a morte de Jesus, era o ‘penhor’ de uma Nova Aliança: “Na antiga aliança, o pão e o vinho são oferecidos em sacrifício entre as primícias da terra, em sinal de reconhecimento ao Criador. Mas eles recebem também um novo significado no contexto do Êxodo: os pães ázimos que Israel come cada ano na Páscoa comemoram a pressa da partida libertadora do Egito; a recordação do maná do deserto há de lembrar sempre a Israel que ele vive do pão da Palavra de Deus. Finalmente, o pão de todos os dias é o fruto da Terra Prometida, penhor da fidelidade de Deus às suas promessas. O “cálice de bênção” (1Cor 10,16), no fim da refeição pascal dos judeus, acrescenta à alegria festiva do vinho uma dimensão escatológica: da espera messiânica do restabelecimento de Jerusalém. Jesus instituiu sua Eucaristia dando um sentido novo e definitivo à bênção do Pão e do Cálice” (Catecismo da Igreja Católica nº 1334)

 

Ainda hoje cantamos nós, cristãos deste tempo, na quinta-feira Santa quando relembramos a noite de Sua Paixão e Morte: “O Cálice por nós abençoado, é nossa comunhão com o Sangue do Senhor. Que poderei retribuir ao Senhor Deus, por tudo aquilo que Ele fez em meu favor, elevo o cálice da minha salvação, relembrando o Nome Santo do Senhor”. (Salmo 115)

 

O Segundo Penhor – A Ressurreição

 

Haveria de ter mais uma confirmação deste caráter sobrenatural do destino de Cristo, e podemos expressá-lo nas palavras de Sua Santidade João Paulo II sobre a Misericórdia Divina: “Que nos ensina a cruz de Cristo que é, em certo sentido, a última palavra da sua mensagem e da sua missão messiânica? Em certo sentido — note-se bem — porque não é ela ainda a última palavra da Aliança de Deus. A última palavra seria pronunciada na madrugada, quando, primeiro as mulheres e depois os Apóstolos, ao chegarem ao sepulcro de Cristo crucificado o vão encontrar vazio, e ouvem pela primeira vez este anúncio: «Ressuscitou». Depois, repetirão aos outros tal anúncio e serão testemunhas de Cristo Ressuscitado. Este é o Filho de Deus que na sua ressurreição experimentou em Si de modo radical a misericórdia, isto é, o amor do Pai que é mais forte do que a morte. [Carta Encíclica Dives in Misericordia]

 

São Paulo nos diz em sua Epístola aos Corinthios: ”Cristo ressuscitara como primícias dos que morreram” (I Cor 15,20). Insistindo na união entre Cristo e os cristãos, como membros de um mesmo Corpo, de que Cristo é a Cabeça, e com Ele constituimos um único Corpo. A ressusrreição de Cristo realizava a espectativa do homem manifestada pelos profetas ao longo dos séculos que esperavam a visão de Deus e também respondia à interrogação muito comum que se conhecia: “para que eu acredite na imortalidade, seria preciso que um homem ressuscitasse!” (Sêneca, o pagão, citado por: ROPS, Daniel: A Igreja dos Apóstolos e dos Martires, p.17) Ora, a promessa foi cumprida, porque Cristo ressuscitou ao terceiro dia, fazendo acontecer a certeza de que tudo o mais era possível, pois se Cristo ressuscitou podiam eles experimentar as coisas do mundo que havia de vir e suas vidas seriam atraídas por Cristo ao seio da vida divina “afim de que não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou.“ (2 Cor 5, 15). Se Cristo ressuscitou tudo o mais seria realizado, como a vitória sobre o mundo, sobre o mal, pois a morte foi vencida constituindo assim Cristo como Senhor do Universo e Redentor do mundo. A ressurreição passou a ser o centro da nova fé e tornou-se o arremate de todo edifício doutrinal da Igreja Santa e Católica. Tanto que ao substituir Judas no colegio que dirigia a pequena comunidade, insistiu-se que o novo membro fosse “testemunha da ressurreicão”e mais tarde São Paulo vem afirmar: Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã é a nossa fé”. (I Cor 15,14)

 

Um fato concreto, certo e constituído de excelsa vontade, culminaria também num grande sinal e que firmaria mais ainda os corações destes apostólos de Jesus: Sua Ascenção ao céu, à vista deles e que Ele também o havia predito: “Porque nunca ninguém subiu ao céu, senão Aquele que desceu do céu, o Filho do homem” (Jo 3,13). 

 

O Terceiro Penhor – A Vinda do Espírito Santo

 

A Morte foi consumada, a Ressurreição era uma realidade, Sua Ascenção acontecera a vista deles, e estes homens precisariam de forças suficientes para enfrentar todas as barreiras que viriam, já que a luta que travavam era espiritual, luta em que almas seriam salvas, que Deus seria manifestado e que o Reino seria implantado com toda plenitude.

 

Para isso, o Senhor não os deixou sós e lhes deu o terceiro e definitivo penhor, enviando seu Espírito Santo, o Espírito da Verdade que revelaria a eles o que deveriam falar e os transformariam em testemunhas fieis. “Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que Eu vá! Porque, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei […] Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão.”(Jo 16, 7 – 13). Jesus cumpriu Sua promessa no dia de Pentecostes, quando enviou sobre Eles a força do alto, o Seu Espirito que estaria com eles todos os dias até a consumação dos tempos. Sabemos que o Ungido de Deus é que enviaria o Espírito, a sua Efusão seria o último sinal da era messiânica e este mesmo Espírito transformaria o mundo, a partir da transformação do coração do homem dando a eles um coração de carne, fazendo-os amar a Deus e os tranformando em filhos agradaveis ao Pai.

 

Ezequiel anuncia este tempo de graça onde Deus mesmo habitaria no coração do homem: ”Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um Espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Dentro de vós meterei meu Espírito, fazendo com que obedeçais às minhas leis e sigais e observeis os meus preceitos. Habitareis a terra de que fiz presente a vossos pais; sereis meu povo, e serei vosso Deus.Purificar-vos-ei de todas as vossas imundícies. Farei vir o trigo, farei com que seja produzido em abundância e isentar-vos-ei da fome”. (Ez.36,26 e ss).

 

Diante desta força nasceu nos Apóstolos um amor sem medidas e uma certeza de que Aquele a quem anunciavam era de fato o Cristo o Senhor, e Sua morte, Sua ressurreição e Sua Ascenção, tornou-se a partir daquele momento algo esplendoroso e tudo muito claro e com significado, já que seus olhos se abriram e tudo lhes foi revelado. Dali em diante, nada os impedia de anunciar e testemunhar, pois descobriram que já não eram mais um grupo de pessoas comuns, mas que faziam parte de uma entidade ao mesmo tempo humana e sobrenatural de almas escolhidas, completamente renovadas e prontas para assumir todos os riscos da defesa de sua fé; uma comunidade que se chama Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana

 

A vinda do Espírito transforma os homens em cristãos seguidores do Messias esperado, pois como diz São Paulo, ”quem não tem o Espirito de Cristo, não é de Cristo” (Rom 8,9). A partir de Pentecostes a fé destes homens não só se tornou inabalável como conquistadora, e eles compreenderam muito bem que dependeria deles a propagação da Verdade, mas que agora não estavam sós, o próprio Deus iria à frente, e muito mais que isso, Ele estava dentro de cada um deles, com uma força avassaladora e transformadora de almas, e que eram eles os chamados a bradar os céus para tirar os cativos do pecado que conduz ao inferno, onde estariam as almas sem Cristo.

Fonte: www.veritatis.com.br

“Nós, os Bispos não temos sentido sem a comunhão com o Papa “, diz Arcebispo

Filed under: Doutrina,Noticias — vidanova at 7:36 am on quinta-feira, abril 23, 2009

O Arcebispo de Corrientes, Dom Andrés Stanovnik, ofereceu detalhes de sua recente visita ad limina em uma conferência de imprensa em que explicou que “nós, os bispos, não temos sentido sem a comunhão com o Santo Padre”.
Na roda de imprensa organizada pela Junta de Leigos e realizada no salão do santuário Nossa Senhora da Mercê, o Prelado correntino explicou, além disso, as implicâncias que tem uma visita ad limina.

“A Igreja é um organismo vivo, cuja cabeça é Cristo, que é quem governa. Ele o realiza por meio do Pedro e os Apóstolos, presentes em seus sucessores: o Papa   e o colégio dos bispos. Nós, os bispos, não temos sentido sem a comunhão com o Santo Padre”, disse e explicou que a visita ad limina “expressa precisamente isso, nossa comunhão com o Papa ”.

Bento XVI, disse Dom Stanovnik, “é muito diferente a como dizem alguns meios mal intencionados que  querem fazê-lo aparecer como um Papa intransigente, rígido, conservador, afastado da realidade, insensível, dogmático, e não é assim, mas exatamente o contrário. O lamentável é que isto que sustentam alguns meios acreditam alguns setores de nossa Igreja”.

“Bento XVI é extremamente agradável, desde o exato momento em que alguém se encontra com ele sente que não há distâncias porque é um homem simples e por isso faz tudo muito simples. As pessoas se sentem recebidas, acolhidas e próximas. Além disso, ele é uma pessoa que sabe escutar, porque as perguntas que faz são sobre o que alguém vai lhe comentando”.

“O interior deste cristão que a Igreja ungiu como Bispo de Roma é de abertura, um homem que escuta; e, portanto, uma pessoa que escuta no âmbito pessoal também escuta a Deus; é um homem de profunda oração. É uma bênção ter um Pastor Universal assim”, concluiu.

Fonte: ACI Digital

CREIO NA RESSURREIÇÃO DA CARNE

Filed under: Conheça Mais,Doutrina — vidanova at 5:34 pm on sexta-feira, abril 10, 2009

Por Ana Maria Bueno Cunha

Eu, por minha parte, confessa Santo Inácio de Antioquia – sei muito bem e nisto ponho a minha fé que, depois da Sua Ressurreição, o Senhor permaneceu na Sua carne. E assim, quando Se apresentou a Pedro e aos companheiros, disse-lhes: Tocai-Me, palpai-Me e compreendei que não sou um espírito incorpório. E prontamente tocaram-No e acreditaram, ficando persuadidos da Sua carne e do Seu espírito (…). Mais ainda, depois da Sua Ressurreição comeu e bebeu com eles, como homem de carne que era, embora espiritualmente estivesse feito uma coisa com Seu Pai. (Santo Inácio de Antioquia – Carta aos Esmirna, III, 1-3 – Padres apostólicos – Paulus –)

Nossa fé em Cristo e em tudo que Ele nos ensinou nos leva a crer que Ele para nos remir, se Encarnou no seio da Virgem Maria, padeceu sob Poncio Pilatos, foi morto e sepultado, mas que no terceiro dia ressuscitou.

Vemos pelos Evangelhos que Cristo ressuscitou à muitas pessoas, mas Sua Ressurreição difere das outras, segundo São Tomás de Aquino, porque Cristo por ser Deus e Homem, ressuscitou pelo Seu próprio poder. Sua divindade em nenhum momento se separou nem de Sua alma, nem de Seu corpo. Cristo ressuscitou para uma vida gloriosa e incorruptível e foi em virtude de Sua Ressurreição que todos ressuscitaram: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram… assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida” (1Cor 15,20-22).(Exposição sobre o Credo – São Tomás de Aquino – )

Sua ressurreição é para nós motivo de júblilo, de esperança e estímulo para vivermos na santidade, esperando o dia de estarmos com Ele, também vivos na glória. ”Não tardes na conversão para o Senhor, e não a delongues dia por dia ”(Ecle 5,8).

A ressurreição de Cristo nos convida a sermos santos, chamados a todo instante a viver uma vida nova e para nos santificar, foi nos dado, pelo nosso Batismo, o Espírito Santo que veio então, habitar em nós. Ele é autor de toda santificação. Além desta graça da santificação que realiza nos filhos de Deus, Ele pelo seu poder ressuscitará os corpos. “ Cremos n’Aquele que dos mortos ressuscitou Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação”(Rom 4, 24-25). “Porque a morte veio por um homem, por um homem também virá a ressurreição dos mortos “(1 Cor 15,21).

Nele, os cristãos “experimentaram… as forças do mundo que há de vir” (Hb 6,5) e suas vidas são atraídas por Cristo ao seio da vida divina “a fim de que não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles” (2Cor 5,15)

“Que nos ensina a cruz de Cristo que é, em certo sentido, a última palavra da sua mensagem e da sua missão messiânica? Em certo sentido — note-se bem — porque não é ela ainda a última palavra da Aliança de Deus. A última palavra seria pronunciada na madrugada, quando, primeiro as mulheres e depois os Apóstolos, ao chegarem ao sepulcro de Cristo crucificado o vão encontrar vazio, e ouvem pela primeira vez este anúncio: “Ressuscitou”. Depois, repetirão aos outros tal anúncio e serão testemunhas de Cristo Ressuscitado. Este é o Filho de Deus que na sua ressurreição experimentou em Si de modo radical a misericórdia, isto é, o amor do Pai que é mais forte do que a morte. “(Sua Santidade Papa João Paulo II – Dives in Misericórdia – sobre a Misericórdia Divina)

Cristo, “primogênito dentre os mortos” (Cl 1,18), é o princípio de nossa própria ressurreição, desde já pela justificação de nossa alma, mais tarde pela vivificação de nosso corpo”.(Catecismo da Igreja Católica)

A união entre Cristo e os cristãos, como membros de um mesmo corpo, onde Cristo é cabeça, constituem um único organismo. Por isso quando se afirma a Ressurreição de Jesus, é necessário afirmar a ressurreição dos justos, daqueles que morreram na graça de Deus. Jesus por ser o novo Adão mereceu a ressurreição de todos.”A Ressurreição de Cristo produziu a ressurreição dos nossos corpos, quer porque foi a causa eficiente deste misterio, quer porque todos devemos ressuscitar, a exemplo do Senhor. Deus se valeu da humanidade de Seu Filho como de instrumento eficiente. Por conseguinte, a Sua Ressurreição foi um instrumento para conseguir a nossa”.(Catecismo Romano, I,6,13)

A ressurreição passou, então, a ser o centro da nova fé e tornou-se o arremate de todo edifício doutrinal da Igreja Santa e Católica e mais tarde São Paulo vem afirmar: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã é a nossa fé”. (I Cor 15,14)

Para entendermos como se dá a ressurreição de nossa carne após a morte, no dia final, temos que compreender como Deus, nosso Pai, nos constituiu, e o fez de uma forma maravilhosa, já que somos obra de Suas mãos santíssimas e feitos à Sua imagem e semelhança.

O homem é uma ponte entre o mundo do espírito e o da matéria, formado de corpo e alma. A alma do homem é espírito, de natureza similar ao anjo; o seu corpo é matéria, similar em natureza aos animais. Porém, o homem não é nem anjo nem animal. É um ser à parte por direito próprio, um ser com um pé no tempo e outro na eternidade. Os filósofos definem o homem como “animal racional”, o que indica que sua alma é espiritual; e animal, o seu corpo físico.

O corpo e a alma não se unem de modo circunstancial. Foram feitos um para o outro, fundem-se, compenetram-se tão intimamente que, ao menos nesta vida, uma parte não pode existir sem a outra. A maravilha de nosso corpo mostra o poder e sabedoria de Deus. Mas ele é nada comparado com a magnitude da alma que é como dizemos, um espírito: é um ser inteligente e consciente, invisível e imaterial, não se divide, pois é uma substancia simples, portanto é imortal.

Quando nosso corpo estiver tão prostrado pela doença ou pelas lesões que não possa continuar a sua função, há a separação da alma e do corpo, o corpo cai na corrupção e a alma o abandonará – é a morte.

Mas a alma não morre, pois não pode ser destruída ou danificada. Ela depois do julgamento particular a que passará todo homem após sua morte, recebe o prêmio – por ter buscado a graça e uma vida santa de boas obras – ou a condenação – por não ter aceitado a Cristo e Sua morte, rejeitando até o fim a graça que Deus com tanta liberalidade dispôs para que esta vivesse eternamente em Sua presença.

A Igreja se preocupou em nomear o 11 artigo do Credo como:” Creio na Ressurreição da Carne”, para rebater a heresia de Himeneu e Fileto, o qual afirmavam eles que, quando a Escritura falando da ressurreição, não era para entender a ressurreicão corporal, mas da espiritual que faz ressurgir, da morte do pecado, para a vida da graça e inocência. O artigo do Credo portanto, exclui este erro e confirma a realidade da ressurreição corporal (Catecismo Romano 11 artigo – II – c – pag. 179)

O Apóstolo Paulo nos diz que o “corpo semeado na corrupção, há de ressurgir incorruptível”, (Icor 15,42). Os escritores eclesiásticos afirmam a reesurreição do corpo para se unir à alma, pois seria contrário à natureza, que as almas ficassem eternamente separadas, já que sendo imortais pendem naturalmente a se conservarem unidas ao corpo.

São João Crisóstomo, em sua homilia ao povo de Antioquia, nos diz que a justiça divina também é um fator importante para se entender este assunto.”Deus, justo juiz, estabeleceu penas para os maus e prêmios para os justos. Tendo o corpo servido ao homem como instrumento de prevaricação ou de santidade, devem participar dos premios ou dos castigos das almas, na proporção dos crimes ou das virtudes, que houverem praticado. “(Io Chrysost Hom. 13 )

Quem irá ressucitar? Nos diz São Paulo que “assim como todos morreram em Adão, todos serão vivificados em Cristo”( I Cor 15,22). Todos, bons e maus hão de ressurgir dos mortos, mas nem todos terão a mesma sorte, “os que praticaram o bem, ressurgirão para a vida, os que praticaram o mal, ressurgirão para a condenação”(Jo 5,29).

Os que morreram em Cristo, nos diz São Paulo,” ressuscitarão primeiro, e os que ficam serão arrebatados, por sobre as nuvens, para ir de encontro a Cristo nos ares”(I Tes 4,16).

Santo Ambrósio nos diz: “Nesse arrebatamento sobrevirá a morte. À semelhança de um sono, a alma se desprenderá para voltar ao corpo no mesmo instante. Ao serem arrebatadas morrerão. Chegando, porém, diante do Senhor, novamente receberão sua almas, em virtude da própria presença do Senhor, porquanto não pode haver mortos na companhia do Senhor”( Aug. de Civ. Deis XX 20)

Os corpos dos ressuscitados terão propriedades, à semelhança do corpo ressuscitado de Cristo, portanto ser-lhe-á restituído tudo o que pertença a integridade da natureza, os dons, as excelências do homem como tal .

Santo Agostinho descreve-nos essa transformação de uma maneira interessante: “Nos corpos, diz ele, não restará então nenhuma deformidade. Era alguém muito nutrido e cheio de corpo, não retomará o mesmo volume. O que excede as proporções, é considerado supérfluo. Ao contrário, tudo o que velhice ou doença destruírem no corpo, será refeito pela divina virtude de Cristo. Tal acontece, por exemplo, com quem for de excessiva magreza, porque Cristo não Se limita a ressuscitar o corpo, mas repõe ao mesmo tempo o que [nele] definhou com as privações desta vida”. ( Aug de civ. Deis XXII 19 ss)

Tudo em nós será restaurado à semelhança de Cristo, já que a ressurreição faz parte das grandes obras de Deus, em pé de igualdade com a própria Criação . Deus fez tudo perfeito no começo e tudo será perfeito no final. Santo Agostinho afirma que “não só aos mártires acontecerá estas maravilhas, mas a todos. Os mutilados, os degolados, todos terào restituídos seus corpos, mas terão as marcas tal qual ficou em Cristo a marca dos pregos.”

São Tomás na Exposição ao Credo diz que porque os corpos serão incorruptíveis e imortais, não terão necessidade de alimento, nem usarão do sexo. Lê-se: na ressurreição nem os homens terão mulheres, nem as mulheres terão maridos,· mas serão como Anjos de Deus no Céu (Mt 22,30).

Quanto à idade, ele diz que todos ressurgirão na idade perfeita, aos trinta e dois anos. A razão disto é que, os que ainda não atingiram esta idade, não chegaram à idade perfeita, e, os velhos, já a ultrapassaram. Eis porque aos jovens e às crianças será acrescido o que falta, e, aos velhos, restituído. Lê-se: “Até que cheguemos todos … ao homem perfeito, na medida da plenitude da idade de Cristo” (Ef 4,13).

Quanto aos maus, este também recuperarão seus membros, ainda que lhes caiba a culpa da amputação. Só que quanto maior for a restituição, maior serão os tormentos, pois ela não lhe acarreta felicidade, mas dores sem fim.

Todos, bons ou maus, serão imortais após a ressurreição, pois por Cristo, pela Sua Cruz a morte foi vencida, foi o ultimo inimigo a bater. Mas os corpos dos justos terào como que adornos lhes conferindo uma nobreza a que nunca sonharam neste mundo: impassibilidade, sutileza (ou penetrabilidade), agilidade e claridade. Pois bem, os corpos dos justos serão transformados e glorificados segundo o modelo do Corpo de Cristo, o que nos faz exultar e querer a todo custo a vida diante de Deus.

 Entre os dons dos corpos ressuscitados dos santos , segundo São Tomás e o catecismo Romano, estão:

Impassibilidade: Dom especial cuja virtude é impedir que os corpos sintam qualquer dor, sofrimento ou incômodo. “Semeia-se o corpo na corrupção, diz oApóstolo, e ressurgirá na incorruptibilidade” (I Cor. XV, 42). A impassibilidade não é comum aos condenados, cujos corpos podem, apesar de imperecíveis, podem padecer de todas as formas de sofrimento.

Claridade: Dom especial pelo qual os corpos dos Santos refulgirão como o sol. Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem-aventurança. Diz Nosso Senhor: “Os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai” (Mat. XIII, 43). Esse é o dom que às vezes o Apóstolo chama de “glória”.

Mas não devemos crer que todos sejam dotados da mesma claridade, como o serão da mesma incorruptibilidade. O fulgor do corpo ressuscitado será proporcional à santidade da alma. Diz São Paulo: “Uma é a claridade do sol, outra a das estrelas. Com efeito, uma estrela difere da outra em claridade. Assim acontecerá na ressurreição dos mortos” (I Cor XV, 41-42). Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem aventurança da alma. Vem a ser a participação da felicidade, de que goza a própria alma, pois nela recai uma parcela da felicidade divina

Sutileza: O corpo ficará inteiramente sujeito ao império da alma, prestando-lhe serviço, e executando suas ordens com prontidão. “Semeia-se um corpo animal, ressuscitará um corpo espiritual” (I Cor. XV, 44). É bem notar que a sutilidade, de modo nenhum, implica que o corpo ressuscitado deixe de ser matéria para se converter em espírito; é matéria autêntica, contudo matéria mais intensamente penetrada pelo espírito; o que quer dizer: enriquecida de qualidades mais nobres dos que as que possui atualmente.

A expressão paulina “corpo espiritual” não significa senão corpo de matéria em que o Espírito Santo expande plenamente a vida e glória de Deus.

Explica Santo Agostinho: “Assim como o espírito, servindo à carne, é, com razão, dito carnal, assim a carne, servindo ao espírito, é adequadamente chamada espiritual, não porque se torne espírito, como julgam a alguns baseados em I Cor. XV…; mas porque se sujeitará ao espírito numa suma e admirável prontidão para obedecer… removido todo sentimento de dor, toda corruptibilidade e lentidão. Não somente o corpo não será tal como é agora no melhor estado de saúde, mas nem mesmo tal como foi nos primeiros homens antes do pecado.” (De civ. Dei 13, 20).

Agilidade: Devido ao dom da sutileza, poderão se mover para onde a alma queira. No Cristo ressuscitado tem-se claro exemplar de tal prerrogativa: com admirável facilidade o Senhor se transpunha de uma região a outra da Palestina.

Em conclusão, verifica-se que os quatro dotes distintivos dos corpos gloriosos derivam da perfeita harmonia que reinará entre carne e espírito no estado de consumação. A alma do justo, tendo entrado definitivamente no seu lugar de criatura sujeita ao Criador, aderindo a Deus com toda inteligência e afeto, será grandemente dignificada: adquirirá sobre os seres inferiores, a começar pelo próprio corpo, o domínio que em vão ela procuraria obter rompendo os seus vínculos de sujeição ao Senhor; doutra parte, por esse domínio que sobre o corpo exercerá a alma, o próprio corpo está nobilitado.

O primeiro homem, cobiçando dignidade e poder independentimente de Deus, perdeu todos os dotes, preternaturais e sobrenaturais, de que gozava no Paraíso; ora, eis que na restauração de todas as coisas Deus Se dignará não propriamente restituir os dons perdidos, mas ultrapassá-los, concedendo à criatura humana prerrogativas muito superiores às do primeiro Paraíso.

Ao contrário, os corpos daqueles que tiverem recusado a restauração trazida por Cristo, isto é, os corpos dos réprobos, que sofrerão as penas eternas, os seus corpos possuirão quatro qualidades más:

Serão obscuros, conforme se lê: Os seus rostos serão como fisionomias inflamadas (Is 13,8) serão como imagens hediondas do mais deplorável estado de alma.

Serão passíveis, mas jamais corrompidos, pois arderão para sempre no fogo e nunca serão consumidos: “Os vermes nunca morrerão nos seus corpos, e o fogo neles nunca se extinguirá” (Is 66,24).Crassos, resistentes aos impulsos da alma.

Serão pesados, porque as almas estarão como que acorrentadas:” Para prender os seus reis com grilhões” (SI 149,8).

Finalmente, os corpos e as almas serão, de certo modo, carnais:” Os animais apodrecerão nos seus excrementos” (Jl 1,17).Sào passíveis de dor.

Em uma palavra, serão expressão fiel da horrenda situação produzida na alma pelo ódio a Deus.

“Virá o dia da retribuição, quando os corpos ressurgirão e o homem inteiro receberá o que merecer… Assim como muito difere a alegria dos que sonham da alegria dos que estão acordados, assim grande diferença haverá entre a felicidade dos mortos e a dos ressuscitados; não porque as almas dos defuntos sejam induzidas em ilusões como as que dormem, mas porque uma coisa é o repouso das almas separadas dos corpos, outra coisa é a glória e a felicidade das almas unidas aos corpos celestes” (Santo Agostinho, Serm. 280, 5).

Podemos depois de todo o exposto, dar graças a Deus que não nos deixou na ignorância, já que Ele não esconde Seus mistérios aos pequenos. Pois quantos neste mundo tem perdido a vida pelo desconhecimento de tão grandes bens? Bendito seja Jesus, nosso Senhor, que nos mereceu o céu e que nos chama à vida juntamente com Ele. É preciso tirar bons frutos deste conhecimento, rejeitando a todo instante o pecado que nos alicia, mata e nos afasta de Deus, buscando solidamente o bem, na esperança de uma futura ressurreição.

Deus seja louvado!

Fonte de pesquisa: Catecismo Romano, A Fé Explicada – padre Leo Trese, Catecismo da Igreja Católica – Exposição sobre o Credo segundo São Tomás de Aquino e Escritos dos Santos.

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