O Espírito, primícia e prenda

Filed under: Espiritualidade — vidanova at 7:40 am on sexta-feira, abril 17, 2009

Passando de Lucas a Paulo, entra-se em uma perspectiva nova, teologicamente muito mais profunda. Ele enumera diferentes objetos da promessa: a justificação, a filiação divina, a herança; mas o que resume tudo, o objeto por excelência da promessa, é precisamente o Espírito Santo, a quem chama de «promessa do Espírito» (Gál 3, 14) e «Espírito da promessa» (Ef 1, 13)

Duas são as ideias novas que o Apóstolo introduz no conceito de promessa. A primícia é que a promessa de Deus não depende da observância da lei, mas da fé e portanto da graça. Deus não promete o Espírito a quem observa a lei, mas a quem crê em Cristo: «Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela fé na pregação?», «Se a herança dependesse da lei, já não procederia da promessa» (Gál 3, 2.18)

Através do conceito de promessa, a teologia do Espírito Santo se liga, em Paulo, com o resto de seu pensamento e se converte em sua demonstração concreta. Os cristãos sabem bem que é depois da pregação do Evangelho que tiveram a experiência nova do Espírito, não por ter observado a lei com maior fidelidade que de costume. O Apóstolo pode remeter-se a um dado da realidade.

A segunda novidade é em certo sentido desconcertante. É como se Paulo quisesse cortar pela raiz toda tentação «entusiasta», dizendo que a promessa não se cumpriu ainda… ao menos por completo! A respeito disso, são reveladores dois conceitos aplicáveis ao Espírito Santo: primícia (aparche) e prenda (arrabôn). O primeiro presente em nosso texto de Romanos 8; o outro se lê na Sagrada Carta aos Coríntios: «Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo» (Rm 8, 23). «Ora, quem nos confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus. Ele nos marcou com o seu selo e deu aos nossos corações o penhor do Espírito.» (2 Co 1, 21-22). «Aquele que nos formou para este destino é Deus mesmo, que nos deu por penhor o seu Espírito (2 Cor 5,5).»

O que o Apóstolo quer dizer desta forma? Que o cumprimento operado em Cristo não esgotou a promessa. Nós – diz com singular contraste – «possuímos… esperando», possuímos e esperamos. Precisamente porque o que possuímos não é ainda a plenitude, mas só uma primícia, uma antecipação, nasce em nós a esperança. É mais, o desejo, a espera, o anseio se tornam mais intensos ainda que antes, porque agora se sabe o que é o Espírito. Na chama do desejo humano, a vinda do Espírito em Pentecostes colocou combustível, por dizê-lo de alguma.

Acontece exatamente como em Cristo. Sua vinda cumpriu todas as promessas, mas não pôs fim à espera. A espera se relança sob a forma de espera de seu retorno na glória. O título «promessa do Pai» situa o Espírito Santo no próprio coração da escatologia cristã. Portanto, não se pode aceitar sem reservas a afirmação de certos estudiosos para quem «na concepção dos judeus cristãos, o Espírito era primariamente a força do mundo futuro; na dos cristãos helenos é a força do mundo superior». Paulo demonstra que as duas concepções não se opõem necessariamente entre si, mas que podem coexistir: o Espírito é, ao mesmo tempo, realidade do mundo superior, divino e força do mundo futuro.

No passar das primícias à plenitude, as primeiras não se desfarão para dar lugar à segunda, mas elas mesmas se transformarão mais em plenitude. Conservaremos o que já possuímos e adquiriremos o que ainda não temos. Será o próprio Espírito que se expandirá em plenitude.

O princípio teológico «a graça é o início da glória», aplicado ao Espírito Santo, significa que as primícias são início do cumprimento, o início da glória, parte dela. Neste caso, não é preciso traduzir arrabôn por «penhor» (pignus), mas só por prenda (arra). O penhor não é o início do pagamento, mas algo que se dá em espera do pagamento. Uma vez que este se efetua, o penhor é restituído. Não assim as prendas, que não se restituem no momento do pagamento, mas que se completam. Fazem parte dos pagamentos. «Se Deus nos deu como penhor o amor através de seu Espírito, quando nos der toda a realidade, é que nos tirará o penhor? Certamente não, mas completará o que já deu».

O amor de Deus que pré-experimentamos aqui, graças às prendas do Espírito, é então da mesma qualidade do que experimentaremos na vida eterna, mas não da mesma intensidade. O mesmo se deve dizer da posse do Espírito Santo.

Como se vê, houve uma profunda transformação no significado da festa de Pentecostes. Em sua origem, Pentecostes era a celebração das primícias, ou seja, o dia em que se ofereciam a Deus as primícias da colheita. Continua sendo a festa das primícias, mas das que Deus oferece à humanidade, em seu Espírito. Inverteram-se os papéis do doador e do beneficiário, em perfeita sintonia com o que ocorre, em todos os campos, na passagem da lei à graça, da salvação como obra do homem à salvação como dom gratuito de Deus.

Isso explica por que a interpretação de Pentecostes, como festa das primícias, não teve, estranhamente, quase nenhuma correspondência no âmbito cristão. Santo Irineu fez um intento em tal sentido, dizendo que no dia de Pentecostes «o Espírito oferecia ao Pai as primícias de todos os povos», mas praticamente não teve eco no pensamento cristão.

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por Frei Raniero Cantalamessa – ofmcap, Pregador do Vaticano
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O discernimento na vida pessoal

Filed under: Espiritualidade — vidanova at 1:17 pm on terça-feira, abril 14, 2009

Vamos à guia do Espírito no caminho espiritual de cada crente. Situa-se sob o nome de discernimento de espíritos. O primeiro e fundamental discernimento de espíritos é o que permite distinguir «o Espírito de Deus» do «espírito do mundo» (cf. 1 Co 2, 12). São Paulo dá um critério objetivo de discernimento, o mesmo que havia dado Jesus: o dos frutos. As «obras da carne» revelam que certo desejo vem do homem velho, pecaminoso; «os frutos do Espírito» revelam que vem do Espírito (cf. Gál 5, 19-22). «A carne, de fato, tem desejos contrários ao Espírito e o Espírito tem desejos contrários à carne» (Gál 5, 17).

Contudo, às vezes este critério objetivo não basta, porque a eleição não é entre o bem e o mal, mas entre um bem e outro bem, e se trata de ver o que é que Deus quer em uma circunstância precisa. Sobretudo para responder a esta exigência, Santo Inácio de Loyola desenvolveu sua doutrina sobre o discernimento. Convida a olhar sobretudo uma coisa: as próprias disposições interiores, as intenções (o «espírito») que estão detrás de uma escolha.

Santo Inácio sugeriu os meios práticos para aplicar estes critérios. Um é o seguinte. Quando se está diante de duas possíveis opções, é útil deter-se primeiro em uma, como se tivesse que segui-la sem dúvida; permanecer em tal estado durante um ou mais dias; então avaliar as reações do coração frente a tal eleição: se dá paz, se harmoniza com o resto das próprias eleições, se algo em você o alenta nessa direção, ou, ao contrário, se o tema deixa um pouco de inquietude… Repetir o processo com a segunda hipótese. Tudo em um clima de oração, de abandono à vontade de Deus, de abertura ao Espírito Santo.

Uma disposição habitual de fundo a realizar, em qualquer caso, a vontade de Deus, é a condição mais favorável para um bom discernimento. Jesus dizia: «meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou» (Jo 5, 30).

O perigo, em algumas formas modernas de entender e praticar o discernimento, é acentuar até tal ponto os aspectos psicológicos, que se esquece que o agente primário de todo discernimento é o Espírito Santo. Há uma profunda razão teológica nisso. O Espírito Santo é, Ele mesmo, a vontade substancial de Deus, e quando entra em uma alma «se manifesta como a própria vontade de Deus para aquele em quem se encontra».

O fruto concreto desta meditação poderia ser uma renovada decisão de confiar-se em tudo e para tudo à guia interior do Espírito Santo, como em uma espécie de «direção espiritual». Está escrito que «quando a nuvem se elevava de cima da morada, os israelitas levantavam o acampamento. Mas se a nuvem não se elevava, eles não levantavam o acampamento» (Ex 40, 36-37). Tampouco nós devemos empreender nada se não é o Espírito Santo – de quem a nuvem, segundo a tradição, era figura – quem nos move e sem tê-lo consultado antes de cada ação.

Temos o exemplo mais luminoso disso na própria vida de Jesus. Jamais empreendeu nada sem o Espírito Santo. Com o Espírito Santo foi ao deserto; com o poder do Espírito Santo regressou e iniciou sua pregação; «no Espírito Santo» escolheu seus apóstolos (cf. Atos 1, 2); no Espírito orou e se entregou a si mesmo ao Pai (cf. Hb 9, 14).

São Tomás fala desta condução interior do Espírito como de uma espécie de «instinto próprio dos justos»: «Como que na vida corporal o corpo não é movido mais que pela alma que o vivifica, assim na vida espiritual cada movimento nosso deveria provir do Espírito Santo». É assim como atua a «lei do Espírito»; é o que o Apóstolo chama de «deixar-se guiar pelo Espírito» (Gál 5, 18).

Devemos abandonar-nos ao Espírito Santo como as cordas da harpa aos dedos de quem as toca. Como bons atores, ter o ouvido atento à voz do apontador escondido, para recitar fielmente nossa parte no cenário da vida. É mais fácil do que se pensa, porque nosso apontador nos fala dentro, ensina-nos todas as coisas e nos instrui em tudo. Basta às vezes um simples olhar interior, um movimento do coração, uma oração. De um santo bispo do século II, Meliton de Sardes, lê-se este belo elogio que desejo que pudesse se repetir sobre cada um de nós depois de morrer: «Em sua vida fez tudo movido pelo Espírito Santo».

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por Frei Raniero Cantalamessa – ofmcap, Pregador do Vaticano
Site Frei Raniero

SOFRIMENTO, ORAÇÃO E DESAPEGO

Filed under: Espiritualidade — vidanova at 8:43 am on quinta-feira, abril 9, 2009

Por Santa Catarina de Sena

Carta 187

Para João Sabbatini, Tadeu Malovoti e os Monges de Belriguardo

1-Saudação e Objetivo

Em Nome de Jesus Cristo crucificado e da amável Maria, caríssimos filhos em Jesus Cristo, eu Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo, vos escrevo no Seu precioso sangue, desejosa de vos ver como soldados sem nenhum temor servil.

2- Valor do Sofrimento na Vida Cristã

De fato, nosso Salvador quer que tenhamos medo dele, não das pessoas deste mundo. Cristo disse: ”Não temais aqueles que podem matar o corpo, mas a Mim, que posso enviar ao inferno a alma e o corpo”(cfr. Mt 10,28). Por isso eu quero que vos afogueis no sangue do Filho de Deus, inflamados no fogo da divina caridade. É onde se perde todo temor servil, restando na pessoa apenas o temor reverencial. E que podem fazer o mundo, o demônio e seus servidores contra quem atingiu o amor sem medida pelo sofrimento? Nada! Eles apenas nos fornecem a ocasião para provarmos nossa virtude. Realmente, a virtude é posta à prova pelo que lhe é contrário. A pessoa deve até alegrar-se e rejubilar-se, deve procurar sofrer sempre com Cristo crucuficado, deve aniquilar-se por Ele, deve humilhar-se. Deve deleitar-se na dor e na Cruz. E ao desejar o sofrimento, encontrará alegria. Mas se procurar a alegria, achará a dor.

A melhor coisa é, portanto, afogar-se no sangue e eliminar nossas perversas vontades mediante um amor livre pelo Criador, sem termos  nenhuma compaixão de nós mesmos. Só então aquela alegria estará em vós. E deveis esperar os sofrimentos sem nenhuma angústia. Por nenhuma ordem, que nos for dada, deveremos nos queixar. Pelo contrário, devemos até nos alegrar. De fato, nenhuma ordem humana será capaz de nos afastar de Deus. Tais ordens até serão aptas a nos dar a virtude da paciência, tornando-nos solícitos em abraçar a árvore da Cruz, em procurar a visão invisível que jamais nos será tirada. Se assim decidimos, a caridade amorosa jamais nos será tomada. Que doce coisa sermos perseguidos por causa de Cristo crucuficado! Quero que vos alegreis quando a cruz vos é dada, qualquer que seja o modo! Não escolhamos o modo. Que ele seja escolhido por quem nos faz sofrer. Julgai-vos até indgnos de sofrer perseguição por Cristo crucificado.

3- Perseverai na Oração e no Amor Mútuo

Ficai sabendo, meus bondosos filhos em Jesus Cristo, que foi essa a senda percorrida pelos santos que imitaram Jesus Cristo. Não existe outra que nos conduz a vida! Quero, pois, que com empenho vos esforceis por trilhar essa senda, feliz e reta. Perseverai na oração com boa vontade, sempre que o Espírito vos oferecer ocasião. Não haja desprezo ou fuga em vós, também com perigo de vida. Não deixeis a oração para poupar e agradar o próprio corpo. O que o demônio mais deseja ver em nós, para nos afastar da oração, é que tenhamos cuidados com o corpo e tibieza espiritual. Por motivo algum tais coisas devem afastar-nos da prece. Recordando-nos de que Deus é bondoso e reconhecendo nossos defeitos, afastemos as tentações do diabo e toda autocompaixão. Escondei-vos nas chagas de  Cristo crucificado, nada voa amedronte. Por Cristo crucificado vós tudo podeis. Ele estará convosco e vos fortalecerá.

4 –Sede Obedientes e Desapegados. Conclusão.

Sede obedientes até a morte no que vos for imposto, por mais grave que seja. Não desprezeis o prêmio por causa da dificuldade ou de alguma tentação do diabo querendo enganar-vos, sob pretexto de virtude, sugerindo-vos: ”Isto sera a alegria de minha vida e faria aumentar a virtude em mim”. Não acrediteis no diabo, mas sim em Deus, o qual  vos dará de outro modo o que esperais dessa consolação. Vós sabeis que nenhuma folha cai de uma árvore sem a providência divina. Desse modo, tudo o que o diabo ou as pessoas fazem para nós, por providência divina colabora para a nossa salvação e progresso na perfeição. Portanto, acolhei tudo com respeito e despojai-vos dos bens materiais não necessários. Revesti-vos de Cristo crucificado, inebriai-vos no seu sangue. Nele encontrareis a alegria e a paz completa.

Nada mais acrescento. Permanecei no santo e doce amor de Deus. Jesus doce, Jesus amor.

 

Fonte: Catarina de Sena, Santa, 1347 -1380.  Cartas Completas – Tradução: Frei João Alves Basílio O.P. São Paulo: Paulus 2005. ( Espiritualidade) .pag. 607 a 609.

Páscoa: Feriadão ou grande Semana?

Filed under: Artigos,Doutrina,Espiritualidade,Liturgia — vidanova at 7:53 am on terça-feira, abril 7, 2009

Dr. Frei Antônio Moser
Teólogo

 

As chamadas da mídia não deixam dúvidas: Para muitos Páscoa virou sinônimo de “feriadão”, por excelência. Ao lado de outros feriadões resultantes de “esticadas” e “pontes” geniosamente criadas por quem deseja quebrar a monotonia da vida, o “feriadão” da Páscoa é sempre aguardado com ansiedade.

 

Ademais, é nessa época que, além das ofertas de viagens maravilhosas, todo tipo de peixe vem exaltado como sendo a única “obrigação” gostosa, resultante de um antigo mandamento da Igreja: não comer carne na sexta feira santa.

Tendo em vista esse contexto, onde um sempre maior número de pessoas parece ir se distanciando de suas origens, talvez não seja demais recordar a importância do mistério pascal não só para os cristãos mas para todas as pessoas que ainda conservam um mínimo de sensibilidade religiosa.

Antes de mais nada, embora agora inseparavelmente ligada à figura do Cristo que triunfa da morte, a Páscoa tem raízes muito antigas e muito profundas também para os israelitas. Cristo deu uma nova dimensão àquele mesmo mistério de um Deus Salvador que intervém na história humana para libertar seu povo de todos os tipos de escravidão. É o mistério de um Deus que caminha com seu povo seja através do deserto do Sinai, seja através dos desertos que de um modo ou de outro se fazem presentes na vida de todos os mortais. O importante é observar que esse Deus que caminha com a humanidade o faz sempre indicando uma mesma direção: a terra da promessa.

Foi tendo vivamente presente os acontecimentos da Paixão, morte e ressurreição de Cristo que desde os seus primórdios os seguidores dele passaram espontaneamente a celebrar a quinta, a sexta e o sábado que precedem a Páscoa da Ressurreição como o “tríduo pascal”. E com o tempo não se contentaram apenas com o tríduo, mas passaram a celebrar o que denominaram de “a grande semana”, que se inicia com o domingo de ramos.

Para quem acompanha com atenção a riqueza das celebrações litúrgicas, ficam evidenciados sentimentos contrastantes, mas que são aqueles que mais caracterizam a vida humana: angústia e esperança, tristeza e alegria. Claro que o tom dominante, mesmo da sexta feira da Paixão, é o da esperança e da certeza de que após a cruz vem a ressurreição.

Por fim, talvez não seja demais lembrar que muitas vezes as manchetes enganam, passando a impressão de que “todo mundo” abraça o feriadão, esquecendo o mistério pascal. E contudo, um olhar mais atento à realidade, não deixará de nos garantir que milhões e milhões de pessoas não deixam de “sintonizar” com a razão de ser dessa semana tão especial. Milhões de pessoas no Brasil e pelo mundo afora, através de um grande número de procissões e rituais diversificados, vai muito além do que aos olhos dos “leigos” distanciados de suas raízes religiosas e até mesmo culturais podem alcançar.

Não se trata de mero folclore, mas de uma expressão, ainda que por vezes confusa, de uma espécie de anseio humano de se reencontrar com as aspirações mais profundas do seu ser. Para quem vai além das aparências, até mesmo na busca do melhor peixe para a sexta feira santa, ou de um saboroso chocolate para a Páscoa, esconde-se a figura do Cristo estampada nas catacumbas e em monumentos religiosos através de sinais misteriosos. Os pagãos nada entendem, mas os que não se fecharam às suas origens ao menos intuem que a Páscoa é mais que um “feriadão”: é uma “grande semana” na qual vivenciamos os mistérios da vida de Cristo e os mistérios da nossa própria vida.

Como saber se tenho uma vida espiritual?

Filed under: Espiritualidade — vidanova at 8:16 am on segunda-feira, abril 6, 2009

Não faço o bem que quero e faço o mal que não quero (Rm 7,19).

São Paulo nos mostra, através desse versículo, muito claramente como funciona esse processo que todos nós necessitamos: uma Vida Espiritual.

Veja bem: São Paulo diz que em determinados momentos ele não consegue fazer o bem que ele quer fazer e que acaba fazendo o mal que ele não quer fazer. Há uma luta declarada aí. Uma luta interior entre fazer o bem ou fazer o mal.

Nisso consiste, segundo Santo Inácio de Loyola, a nossa Vida Espiritual. Para o santo, se existe luta, há um conflito interior, e que por isso existe aí uma vida espiritual. Ou seja, a vida espiritual se traduz na luta.

Você pode estar se perguntando: E eu, como vou saber se tenho uma vida espiritual?

A partir das dicas de São Paulo e Santo Inácio você pode começar por identificar se, por vezes, acontece dentro de você essa luta, esses conflitos interiores. Se você, como São Paulo, com certa freqüência, fica nessa briga entre fazer o bem ou o mal, então você tem sim uma vida espiritual.

E caso você perceba que dentro de você não há essa luta, então é começar a se questionar se possui realmente uma vida espiritual. Pois essa ausência de luta pode significar que, espiritualmente, sua vida está morna, está parada, está estagnada. E a espiritualidade é peça fundamental para que nos realizemos como pessoas, como seres humanos.

Uma vantagem em saber que vida espiritual se traduz em luta é que dessa maneira você não irá mais cair no desânimo por causa das suas lutas interiores, dos conflitos que às vezes te atordoam. Use isso a seu favor. Nessa hora é preciso perceber que, se existe esta luta é porque você tem uma vida espiritual que te faz, sobretudo, experimentar e viver com o auxílio da graça de Deus. E essa graça é muito maior do que qualquer falha, defeito ou imperfeição que você possua. A graça de Deus é maior que tudo isso.

Que Deus nos abençoe!

 

 

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por Denis Duarte, Professor, escritor e pesquisador, formado em Letras, Cientista da Religião na área d
www.denisduarte.com
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