Semana da Família

Filed under: Matrimonio — vidanova at 7:45 am on quinta-feira, agosto 13, 2009

 

Dom Orani João Tempesta

A semana que se inicia com o Dia dos Pais é a escolhida como Semana Nacional da Família, que quer ajudar a reforçar os laços familiares de nosso povo, proporcionando, assim, que as células saudáveis do tecido social ajudem o nosso corpo a viver melhor.

 

O recente Documento de Aparecida consta que “família é um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e é patrimônio da humanidade inteira. Em nossos países, uma parte importante da população está afetada por difíceis condições de vida que ameaçam diretamente a instituição familiar. Em nossa condição de discípulos e missionários de Jesus Cristo, somos chamados a trabalhar para que esta situação seja transformada e que a família assuma seu ser e sua missão no âmbito da sociedade e da Igreja”. (DAp 451)

A Constituição Apostólica sobre a Igreja no mundo de hoje, do Concílio Ecumênico Vaticano II, “Gaudim et Spes” (Alegria e esperança), afirma que o bem-estar da pessoa e da sociedade humana está intimamente ligado com uma favorável situação da comunidade conjugal e familiar, porém, alerta aos cristãos sobre questões que a afligem e lhe tiram o brilho desta comunidade de amor: “Porém, a dignidade desta instituição não resplandece em toda parte com igual brilho. Encontra-se obscurecida pela poligamia, pela epidemia do divórcio, pelo chamado amor-livre e outras deformações. Além disso, o amor conjugal é muitas vezes profanado pelo egoísmo, amor ao prazer e por práticas Ilícitas contra a geração.”

Em brevíssimas palavras, aqui está toda a problemática da família no mundo de hoje, situação que no momento está mais agravada por distorções geradas por modelos de família que não se abrem para a vida, situação esta infelizmente legalizada em alguns países.

Bem, entretanto, se fizermos uma nova leitura do livro do Gênesis, vemos com muita clareza que o Criador, no momento que deu gênese ao ser humano, homem e mulher, os fazendo à sua imagem e semelhança, instituiu, também, a família, que reflete a mesma semelhança da família trinitária, pois Deus não é solitário, mas uma família; Pai (Criador), Filho (Redentor), Espírito Santo (Deus amor): “Deus criou o homem à sua imagem, criou-os à imagem de Deus; ele os criou homem e mulher”I (Gn 1, 27). Abençoando os novos seres que criou Deus, disse-lhes: “Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e dominai a terra”(Gn, 1,28). Em outra narrativa da criação, aliás, a primeira do livro das origens, o Gênesis, o Criador, uma vez criado o homem à sua imagem e semelhança disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma companheira que lhe corresponda.” (Gn 2, 18). E, criada a mulher, que tem a mesma dignidade do homem, Adão, o pai dos viventes, admirado, exclamou: “Desta vez sim, é osso dos meus ossos e carne de minha carne”! “Ela será chamada ´humana´, porque do homem foi tirada.” “Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá a sua mulher, e eles serão uma só carne.”(Gn, 2, 23).

Pois bem, em sendo a família humana uma instituição de origem divina, com semelhança da família trinitária, ela somente readquirirá a dignidade perdida quando voltar a ser o reflexo da família trinitária, na qual Deus não só é Pai, mas paternidade, Jesus Cristo não é apenas filho, mas filiação e o Espírito Santo, não é somente união, mas unidade.

A família, então hoje, para cumprir sua missão de promotora do bem-estar do ser humano terá que cada vez mais ser poço de paternidade, berço da filiação e comunidade de amor.

É bom relembrar o compromisso solene do casamento cristão, que sempre é proclamado pelos noivos perante a comunidade eclesial: “Recebo-te por minha (por meu) esposa (esposo) e te prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te todos os dias de minha vida.”

Vê-se, pois, que o vínculo matrimonial que nasce do amor recíproco se exprime por esse juramento conjugal, que começa e se realiza diante da infinita majestade de Deus por aquele mesmo amor com que o Pai nos amou no seu Filho, Jesus Cristo, e nos santifica pelo Espírito desse Amor, que é o Espírito Santo.

“Os esposos participam da função redentora de Cristo ao assumirem integralmente, por vocação divina, a finalidade para a qual o matrimonio foi instituído. Cada união nasce pelo pacto entre um casal, mas com um conteúdo divinamente estabelecido, a unidade e a indissolubilidade, ordenado à procriação da prole.” (Alocução de João Paulo II, aos fieis da Arquidiocese de Campo Grande, quando de sua visita ao Brasil).

Sejam oportunas pequenas reflexões sobre a família, remetendo o leitor cristão para duas passagens lindíssimas da Sagrada Escritura: A primeira do Livro de Tobias, quando este, após ter aceitado Sara como sua esposa, rezou a Deus e terminou sua oração desta forma: “Agora, não é por luxúria que me caso com essa minha irmã, mas com reta intenção. Tem misericórdia de mim e dela, e que possamos chegar, ambos, a uma ditosa velhice.” (Tobias. 8,7). A segunda vem do Livro de Rute, mulher maobita, Nora de Noemi, de cuja descendência nasceu David, o grande rei de Israel: “Booz casou-se com Rute, tornando-a sua esposa. Eles se uniram e, com a graça do Senhor, ela ficou grávida e deu à luz um filho. As mulheres disseram a Noemi: “Bendito seja o Senhor, que hoje não te deixou sem redentor e preservou o nome de tua família em Israel. Que ele venha restaurar a tua vida, sustentar-te na velhice, pois nasceu de tua nora, que te ama e para ti está sendo melhor que sete filhos.” (Rute, 4, 14 e 14).

Nesse contexto, celebramos, em toda a Igreja no Brasil, a Semana Nacional da Família, entre os dias 9 e 15 de agosto de 2009. A Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar lançaram o tema deste ano que é: “Família, Igreja Doméstica, Caminho para o Discipulado”, em articulação e comunhão com a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética num compromisso conjunto com o Ano Catequético. Os subtemas publicados no subsídio “hora da família” nos ajudam a aprofundar esse importante assunto e, principalmente, nos motiva a viver ainda mais como famílias cristãs.

Celebrando em nossas comunidades e redes de comunidade a Semana Nacional da Família, a Igreja no Brasil quer, uma vez mais, salientar a importância da família, que, talvez mais que outras instituições, tem sido posta em questão pelas amplas, profundas e rápidas transformações da sociedade e da cultura. Por isso, é fundamental um olhar atento, dirigido com carinho, afeto e atenção à família, patrimônio da humanidade e tesouro dos povos.

O Episcopado Brasileiro lançou, em abril passado, o “Manifesto em favor da Família”, onde reafirmam que “Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, homem e mulher ele os criou (cf. Gn 1,27), destinando-os à plena realização na comunhão de vida, de amor e de trabalho. Por essa razão, o matrimônio e a família constituem um bem para os esposos e a sociedade. O amor conjugal aberto à geração e educação dos filhos proporciona a experiência de paternidade e maternidade, através das quais os pais se tornam colaboradores do Criador”.

Assim, valorizando a família autêntica, de marido e mulher, com uma família bem estruturada, a Igreja no Brasil conclama a todos para que prossigam no objetivo pastoral de Evangelizar pela Família e para a Vida, continuando com o empenho sócio-evangelizador pela promoção da vida, do matrimônio e da família, lembrando sempre do importante e insubstituível papel subsidiário da família cidadã para o bem da sociedade. Por isso conclamamos (a) todas as forças vivas para realçar que “os meios de comunicação, os poderes públicos, os profissionais de saúde, as universidades, o sistema educacional, as empresas, as instituições e os organismos não-governamentais e todas as igrejas sejam conclamados a promover os valores da família e agirem como seus amigos”, enfatizam os bispos brasileiros.

Por isso, ao saudar os pais pelo seu dia, como o fiz solenemente aos pés do Cristo Redentor, domingo passado, quero convidá-los para que junto de sua esposa e filhos sejam cada vez mais comprometidos com a valorização de sua família, e para não medirmos esforços em protegê-la e defendê-la das grandes pressões externas. Que a família brasileira seja respeitada como espaço privilegiado para a existência e a convivência humana! Que a Sagrada Família, Jesus, Maria e José, abençoe nossas famílias!

 

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por
Arquidiocese do Rio de Janeiro/RJ

 

Educar os filhos a pensar.

Filed under: Matrimonio — vidanova at 9:46 am on sexta-feira, julho 24, 2009

11 Conselhos para ensinar os filhos a pensar

Aprende a pensar aquele que pergunta sempre, que sai da jaula das modas, que se atreve a inventar problemas e a pensar sobre si mesmo, sobre a vida, sobre tudo.

1. Em primeiro lugar, é preciso agir conforme a verdade das coisas: ensinar os filhos a não se enganarem, a serem sinceros, a agirem com coerência. “Podemos conhecer a química cerebral que explica o movimento de um dedo, mas isso não explica por que esse movimento é usado para tocar piano e não para apertar um gatilho” (Marcus Jacobson). E também não podemos baratear a verdade” (F. Suárez), rebaixando o seu valor, como se fosse uma liquidação.

2. Um segundo ponto é que “o treinamento é um privilégio da inteligência humana” (José Antonio Marina). É preciso enriquecer a linguagem, é preciso estimular o diálogo, o exercício mental de raciocinar, de defender uma causa, de ter argumentos para as próprias decisões, e não somente fazer o que fazem os outros, como os bois no pasto. Aprender a pensar é descobrir como é grande o poder da moda sobre o mundo inteiro, e saber sair da jaula em que a moda pode encerrar-nos. O pensador livre – ou seja: o pensador – não deve sacrificar a sua liberdade no altar da moda. Sacrificar a verdade no altar da moda é uma das perversões mais nocivas para um pensador… E no entanto é excessiva a freqüência com que a razão fica presa na jaula da moda. Treinamento e cultivo, porque “a terra que não é lavrada, trará abrolhos e espinhos, ainda que seja fértil. Assim sucede com o entendimento do homem” (Santa Teresa de Ávila).

3. Já que é impossível não se equivocar nunca, pelo menos por utilidade e por dever temos de aprender com os nossos enganos: se quisermos aprender a pensar, deveremos descobrir o mundo tão humano do erro. “Errar é humano”, diziam já os antigos. O erro é o preço que o animal racional tem que pagar.

4. Seremos mais inteligentes e mais livres quando conheçamos melhor a realidade, quando saibamos avaliá-la melhor e quando sejamos capazes de abrir mais caminhos novos. Seria um erro pensar – observa Leonardo Polo – que o homem inventou a flecha porque tinha necessidade de comer pássaros. Também o gato tem essa necessidade, e o ilustre felino nunca inventou nada. O homem inventou a flecha porque a sua inteligência descobriu a oportunidade escondida no graveto.

5. Manter aberta a nossa capacidade de dirigir a própria conduta mediante valores pensados. É preciso passar do regime do impulso irracional para o regime da inteligência. Mais do que ensinar a pensar, a função dos pais há de ser a de motivar os filhos para que queiram pensar por sua própria conta. Com atitudes positivas, as crianças topam qualquer parada; com atitudes negativas, pensar parece lhes uma coisa cansativa e agir parece lhes uma coisa medíocre.

6. Ensinar a tomar decisões. A inteligência é a capacidade de resolver problemas vitais. Não é muito inteligente quem não seja capaz de decidir, mesmo que dentro do seu refúgio isolado consiga resolver facilmente problemas de trigonometria. Se admitirmos que educar é essencialmente ajudar a crescer na liberdade e na responsabilidade, então aprender a decidir bem acaba sendo um dos aspectos chave nessa tarefa: quanto maior a capacidade de decisão, mais liberdade.

7. Devemos recuperar – e estimular – nas crianças a sadia estratégia de perguntar continuamente. As três perguntas fundamentais são: “O que é?”, “Por que isso é assim?” e “Como é que você sabe?” Aristóteles definia a ciência como “o conhecimento certo pelas causas”: portanto, é preciso habituar-se a perguntar os porquês. Os pais devem estimular, comentar e favorecer (criando o clima adequado) os hábitos intelectuais dos filhos.

8. A inteligência tem de saber aprender, mas sobretudo tem de desfrutar aprendendo. Trata-se de formular perguntas que levem à reflexão, a perguntar-se sobre o próprio pensamento: “Por que o homem pensa?”, “Você já pensou porque é que lembramos das coisas?” “Pensamos quando estamos dormindo?” “O que é que mais faz você pensar?” “Você pode pensar duas coisas diferentes ao mesmo tempo?” Leonardo Polo define o homem como um ser que não somente resolve problemas, mas que também os formula. Com efeito, o ser humano progride propondo a si mesmo novos problemas e tentando resolvê-los.

9. A inteligência deve ser eficazmente lingüística. Graças à linguagem, não somente nos comunicamos com os outros, mas também conosco próprios. A inteligência não se parece a uma coleção de fotografias, mas a um rio. Rio e inteligência “discorrem”. A nossa língua original – a língua materna – é um rio em que deságuam milhares de afluentes. “A pluma e a palavra são as armas do pensador” (J.A. Jauregui): aprender a pensar é aprender a tocar os instrumentos do pensamento: a pluma e a palavra.

10. Fomentar a leitura e controlar o uso da televisão. Já que estamos falando do vôo da inteligência, trata-se de “ser mais inteligentes que a televisão” (Jiménez). Os livros “tem de ser obras que alimentem a inteligência sem deixar o coração seco”, ou seja, devem “iluminar a mente com a verdade e não mergulhá-la nas névoas da dúvida ou na escuridão do erro” (F. Suárez).

11. Urge encontrar momentos para refletir, para pensar, coisa aliás muito menos trabalhosa do que muitas das necessidades que inventamos. Pensar sobre o sentido da vida, das coisas, do homem, de Deus. Quando Unamuno disse que costumava sair para passear com os pastores de ovelhas para aprender a pensar, para desprender-se dos preconceitos e dos dogmas de escola, muitos rasgaram as vestes. Unamuno, porém, estava sendo sincero. Um pastor de ovelhas tem tempo para pensar, para dar rédea solta à sua imaginação e para descobrir horizontes filosóficos que jamais foram vistos por nenhum outro pensador. Fernando Corominas diz que é preciso “instalar” na mente e no coração dos filhos as coisas boas antes que cheguem as nocivas. Esse “chegar antes” é educar pensando no futuro. Sempre que nos abandonamos, retornamos à selva. Essa selva de que falo metaforicamente é sempre uma claudicação da inteligência.

Luis Olivera
Escritor e Jornalista

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Pensar!

Nossa sociedade não privilegia o pensar.A tecnologia instatânea,por exemplo, pode nos viciar a receber tudo pronto sem passar pelo crivo da verdade.

A Internet com seus usuários sempre apressados,que rejeitam textos e artigos mais elaborados,testemunha essa “aversão” de alguns para buscar o sentido das coisas, a razão e o porque das coisas.Prefere-se o pronto e o curto.Acaba-se perdendo o melhor da reflexão e se iguala a aqueles que vão por onde todos vão,que acha o que todo mundo acha,que veste o que todo mundo veste..”mais um na multidão”,sem coragem de ser diferente,não pelo simples fato de ser diferente, mas porque tem sentido e ideias próprias.SABE O QUER E QUAL  A DIREÇÃO CERTA A IR!

As sugestões acima,embora direcionadas a educadores,podem servir de reflexão para os jovens e adultos para se reavaliarem se são ,ou não,pessoas “pensantes”.

Casamentos arruinados

Filed under: Matrimonio,Noticias,Santa Sé — vidanova at 9:36 am on segunda-feira, junho 29, 2009

Estudo detalha os altos custos econômicos do divórcio
Por Padre John Flynn, LC

ROMA, domingo, 28 de junho de 2009

A separação familiar está causando anarquia social, de acordo com o discurso feito por um juiz inglês, Paul Coleridge, juiz sênior da Divisão de Família para Inglaterra e País de Gales.

Coleridge acusou pais e mães de falharem no compromisso mútuo da união num jogo de “descartar o parceiro”, o que tem deixado milhões de crianças “marcadas por toda a vida”, de acordo com um relatório do jornal Daily Mail do dia 17 de junho.

Em um discurso de incentivo ao casamento, Coleridge apelou para uma mudança nas atitudes, de mo do a barrar a destruição da vida familiar.

“O que é uma questão de interesse privado em pequena escala torna-se uma questão de interesse público, quando atinge proporções epidêmicas”, afirmou.

A dimensão pública da quebra do casamento foi o tema de um relatório recente do Instituto de Casamento e Família do Canadá. Intitulado “Escolhas Privadas, Custos Públicos: Quanto uma família desestruturada custa a todos nós”, o Instituto detalhou o impacto econômico do matrimônio fracassado.

O estudo fez uma estimativa do custo da ruptura familiar em relação à despesa pública para o ano fiscal 2005-06. O impacto sobre o orçamento de ajuda às famílias com dificuldades financeiras equivale a aproximadamente 7 bilhões de dólares Canadenses (US$6,1 bilhões) po r ano.

O relatório também destacou como a separação no casamento tem um impacto econômico particularmente prejudicial para as mulheres, levando ao que ele definiu como “feminização da pobreza”.

Embora o estudo tenha se concentrado sobre os custos econômicos da união familiar fracassada, pode-se reconhecer também o mesmo impacto sobre as crianças. O divórcio não é somente ligado à pobreza, mas um grande campo de investigação mostra que as crianças são melhor criadas com a presença dos seus pais, o instituto salientou. 

Impacto social

“Quando famílias fracassam, como tantas vezes hoje, cabe a nós, através de agências governamentais e instituições, pagar por esses fracassos”, comentou o relatório.

A desagregação familiar é muito mais do que o divórcio, o estudo apontou. Inclui casais que coabitam, mães solteiras que nunca se casaram ou viveram com os pais de seus bebês.

Alguns afirmam que a estrutura familiar não importa –apontou o relatório. A vida familiar, no entanto, não é apenas uma questão de escolha de quem irá vivê-la. Diante dos dados do impacto econômico de tais decisões, é perfeitamente legal que os governos estejam preocupados com o futuro da vida familiar. Estas escolhas são mais do que apenas um acordo privado, são vitais para parte da sociedade, afirmou o estudo.

Embora programas do governo possam oferecer algum tipo apoio, eles são um fraco substitutivo para uma vida familiar estável. O instituto citou o relatório de 2005 que analisou a situação das pessoas sob o ponto de vista sócio-assistencial, na prov&iacut e;ncia de Nova Brunswick.

No estudo, pessoas comentaram sobre a grande perda da auto-estima e o sentimento de desamparo de estarem dependentes da ajuda social. O instituto acrescentou que a ruptura familiar leva ao que tem sido descrito como: dissolução, disfunção e ausência paterna.

O relatório canadense se refere a um estudo publicado em 2007 no Reino Unido, que analisou o problema da pobreza. Em larga escala –assinala o estudo britânico– as tentativas do governo para aliviar a pobreza falharam, a pobreza das pessoas que vivem nas margens da sociedade está, em vez disso, se tornando cada vez maior.

O estudo constatou que a desunião da estrutura familiar tem desempenhado um papel significativo no problema da pobreza no Reino Unido, levando à conclusão de que os casais, em matrimônio, obtêm melhores resultados tanto para as crianças, quanto para os adultos.

O estudo canadense reconhece que famílias intactas também exigem do estado ajuda, através de assistência social. Mas a proporção de pessoas que necessitam dessa assistência é, no entanto, muito inferior a de famílias de pais solteiros.

Impacto sobre as crianças

O Instituto comentou que, quando as leis do divórcio foram liberadas no Canadá, achou-se que o que fosse bom para os pais seria bom para as crianças. Posteriormente, a investigação empírica mostrou que este não foi o caso.

“O fato dos pais serem casados ou não incide nas crianças em muitas escalas sociais, mesmo quando fatores econômicos estão excluídos”, afirma o relatório.

Dados sociais, tais como o consumo de droga, resultados acadêmicos, saúde e felicidade são afetados pela estrutura familiar. Tanto as crianças como os adultos se sentem muito melhor com uma situação estável no casamento.

“O ponto do debate não deveria ser se a falta de pais casados importa para as crianças, e sim o que fazer com a realidade que isto causa”, o relatório comentou.

Infelizmente –prossegue o estudo–, a proporção de famílias com pais casados indiscutivelmente diminuiu, assim como o número de famílias de união amigável e de pais solteiros aumentou. Esta tendência é também prejudicial para a estabilidade econômica, visto que adultos casados tendem a participar mais plenamente na economia e gerar aumento das receitas fiscais.

Responsabilidade econômica

O relatório constatou que as opiniões divergem quanto aos benefícios econômicos do casamento. Mas muitos reconhecem que o matrimônio p romove uma maior responsabilidade em ambos os cônjuges. Também melhora a capacidade dos dois parceiros se especializarem em dividir as tarefas e cuidar da família.

Certamente há um impacto econômico. O instituto se referiu a uma série de estudos internacionais sobre o custo da ruptura familiar. Um relatório de fevereiro de 2009 da Fundação Britânica de Relacionamentos, descrita como não-partidária, dedicada a reforçar e melhorar as relações de uma sociedade mais forte, assinalou o custo da ruptura familiar em 37,03 bilhões de libras esterlinas ($ 61,07 bilhões) anualmente.

Outro relatório, do Centro Social da Justiça de Londres, colocou o custo da ruptura familiar, no Reino Unido, a uma taxa anual de 20 bilhões de libras esterlinas ($ 32 bilhões).

Voltando ao Canadá, o Instituto calculou que, se as rupturas familiare s pudessem ser cortadas pela metade, os custos diretos do contribuinte para a redução da pobreza destinados a casais separados e pai solteiros seriam reduzidos a aproximadamente 2 bilhões de dólares canadenses ($ 1,76 bilhão de dólares americanos) anualmente.

Dados canadenses censitários revelaram que as famílias com pais unidos são as menos dependentes de ajuda governamental; as famílias com pais solteiros são mais dependentes; e as famílias com mães solteiras são ainda mais dependentes.

Mais felizes e mais saudáveis

Além disso, tal redução também reduziria grandemente o sofrimento e o trauma da ruptura familiar. “Os membros de famílias que permanecem intactas seriam mais felizes, saudáveis e prósperos, mas também há benefícios que vão além destas famílias”, assinala o relatório.

A sociedade precisa famílias saudáveis, a fim de prosperar. “Locais em que homens adultos são maus modelos contribuem para uma cultura de machismo, violência e irresponsabilidade para os jovens, o que prejudica até mesmo as crianças que vivem com ambos os pais”, alegou.

O Instituto concluiu o relatório com uma lista de recomendações. Elas se estenderam da educação para o casamento em escolas secundárias a tornar disponíveis informações para o público sobre os benefícios do casamento, e os custos do divórcio.

O relatório também apelou para o governo para publicar dados mais claros de quanto é gasto no apoio à coabitação e pais solteiros. Também recomendou a reforma do sistema fiscal para aliviar a despesa dos casais.

Os g overnos precisam entender a diferença entre o casamento e a coabitação, e eles deveriam promover o casamento por todos os benefícios que ele oferece a mais do que a coabitação –pede o estudo com urgência. Pontos válidos, fundamentados em forte evidência empírica.

Fonte: Zenit

O Sacramento do Matrimônio

Filed under: Matrimonio — vidanova at 11:01 pm on segunda-feira, abril 27, 2009

Os Sacramentos se destinam ao culto a ser prestado a Deus, à edificação e ao crescimento da Igreja, à santificação dos homens e à mudança radical da própria sociedade humana, como conseqüência.

Como sinais – destinam-se também à instrução dos fiéis, supõem a fé, mas ao mesmo tempo também a alimentam, fortalecem e exprimem. Como sinais característicos insinuam a graça que significam, produzem e conferem.

A graça sacramental apela para uma resposta pessoal e só produz o pleno efeito, quando houver essa resposta integral, mediante a aceitação da “missão” que cada Sacramento confia a quem o recebe, por uma vida cristã de sinceridade e total adesão.

Sacramentos, teologicamente falando, são sinais que simbolizam a graça que produzem e conferem. Os Sacramentos produzem até bem mais do que significam. Por exemplo: o óleo, na Unção dos Enfermos, insinua medicamento e cura, mas o efeito do Sacramento vai bem além: perdoa até mesmo os pecados de quem estiver disposto para tanto e sem a possibilidade da reconciliação sacramental.

São gestos concretos de amor do Cristo, feitos, um dia, em favor dos homens e, hoje e agora, repetidos para mim, através da Igreja. Os gestos amorosos de Cristo perduram para todo o sempre pelo fato de Ele ser Deus. São aplicados, aqui e agora, através de gestos, palavras, pessoas e sinais. Cada gesto, cada palavra, cada pessoa, a comunidade ali presente, encerra algo desse amor misericordioso e salvífico do Cristo.

Os Sacramentos nos dão a possibilidade concreta e palpável de encontrá-lo por meio dos sinais eficazes, que Ele mesmo ou a Igreja fixaram para esse fim. Encontro-O, vejo-O: batizando, curando, alimentando, perdoando, abençoando e visitando os casais, chamando para o ministério ordenado, conclamando para o testemunho de fé através dos sinais sacramentais, através de pessoas e palavras…

Os Sacramentos nos dão uma certa antecipação dos bens futuros. Em cada um deles aparece o apelo para a transcendência do Reino e “um pedacinho de saudade” desse Reino…

Por exemplo: quando se desfruta da união familiar no Matrimônio, nos vem à lembrança a grande família dos filhos de Deus, que um dia há de estar reunida na Casa do Pai, para louvá-lo por toda a eternidade.

Primeiramente, recordamos o grande amor com que Cristo amou a Igreja e se entregou por ela: foi um amor de altruísmo, de doação desinteressada e dolorosa. Foi uma entrega de vida até à morte de Cruz.

Dessa entrega amorosa nasceu a Igreja, nasceu essa multidão de filhos de Deus “não nascidos do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1,13).

O Matrimônio simboliza esse amor de doação e participa de sua eficácia. Deverá ser para as nubentes, igualmente uma entrega generosa, desinteressada e vital. Essa entrega amorosa e permanente terá também a sua fecundidade própria.

Na História da Salvação Deus fez muitas alianças (berit) com o seu povo escolhido. Essas alianças conclamavam para a responsabilidade recíproca dos “aliados” (Deus e o homem) e santificavam o povo, abrindo-lhe até o íntimo, o coração de Deus. O Matrimônio atualiza essas alianças, participando de suas bênçãos, de todos os demais efeitos. O casal assume uma responsabilidade recíproca que enriquece a ambos e os integra em uma comunidade de vida.

Esta aliança – como as de Deus com o povo – será selada com um juramento que dura para todo o sempre. É uma aliança de amor, permanente, íntimo e abençoado.

Cristo nasceu no âmbito de uma família humana, amparou as famílias do seu tempo, visitando-as e abençoando-as. O Matrimônio garante essa atuação de Cristo no seio da família que nasce. Ele estará presente também ali para apoiar, para abençoar, para fortalecer no amor e para sustentar nos momentos difíceis. A presença da Igreja, através do ministro e da comunidade dos fiéis, simboliza e garante essa presença de Cristo.

Vários são os gestos, os símbolos sacramentais no Matrimônio: o dar-se as mãos, as palavras do juramento recíproco de amor e fidelidade, a doação ou entrega, a vida comum. Tudo isto apela para uma realidade viva e concreta.

A graça sacramental possibilita e garante ao casal o apoio recíproco e multiforme, a fidelidade inquebrantável ao compromisso assumido, o clima de amor desinteressado, que regerá a doação e entrega, a verdadeira fraternidade que será a maior riqueza da vida em comum. Por tudo isto essa união conjugal, por certo, não deixará de ser fecunda, auferindo da riqueza de Cristo na Cruz a sua força maior.

No Matrimônio, os próprios nubentes são os ministros. Como é sabido, isso acontece pelo fato de participarem do sacerdócio de Cristo pelo Batismo e demais Sacramentos.

Uma vez que ambos são os ministros do Sacramento, a Igreja lhes pede o que solicita aos demais ministros “sacramentais”: fé, estado de graça, vivência cristã. Que os noivos tenham consciência dessa responsabilidade.

A vida de amor familiar, que brota do Matrimônio, apela para o momento final e culminante da História, quando “Deus será tudo em todos” (1Cor 15,28). Os nubentes deveriam estar conscientes também disso… Lá viveremos a vida familiar em plenitude.

 

Cardeal Eusébio Scheid
Arcebispo do Rio de Janeiro

Desafio à nossa sociedade

Filed under: Matrimonio — vidanova at 8:08 am on quinta-feira, abril 2, 2009

Cardeal Geraldo Majella Agnelo

Estão vindo a público dramas humanos de meninas que engravidam após uma história de abusos por parte de padrastos e pais.

A ferida aberta em nossa sociedade que deve ser compreendida em suas causas, implicações e respostas operativas para reduzir esses casos que constituem uma fonte de sofrimentos, humilhações e traumas tremendos.

O drama vivido por essas meninas e suas famílias nos provoca e questiona.

O primeiro passo quando se enfrentam essas situações, encaminhando-as para o que parece a melhor solução do ponto de vista dos atores sociais, é compartilhar a dor das pessoas envolvidas, acolhendo-as, ouvindo suas histórias de sofrimentos, procurando compreender quais circunstâncias tornaram possíveis esses abusos.

Resulta desumano reduzir esses fatos a material para defender bandeiras, para marcar pontos nas batalhas ideológicas.

Também, a imposição de solução por parte de alguns adultos que não têm nenhum compromisso maior com as pessoas envolvidas a não ser a emissão do parecer supostamente técnico e valorativamente neutro pode agravar ainda mais o sofrimento dessas pessoas, tratadas como objeto, primeiro por familiares que delas abusaram e agora por estranhos, com o sistema de saúde interferindo com o propósito de promover o aborto  a fim de “resolver” o problema, até contra a vontade das próprias meninas mães.

Vale a pena perguntar-se porque acontecem abusos e violências em muitas famílias nos dias de hoje. Que valores movem uma pessoa que abusa de uma criança indefesa e vulnerável ferindo-a no mais profundo de sua alma? Onde terá assimilado esses valores? Que escolas eles terão freqüentado, que programas de rádio e de televisão eles terão acompanhado, que igrejas eles terão seguido?

Tenho certeza que uma família cujos membros rezam juntos em casa ao começar o dia e de noite, preparando-se para dormir, que lêem o Evangelho, que procuram aprender a vida seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo, que freqüentam uma comunidade cristã ficaria livre desses problemas. Por isso a Igreja Católica está preocupada com a evangelização missionária em todo o Brasil, aliás, em todo o Continente latino-americano.

Por outro lado, a figura do pai foi tão desvalorizada e desprestigiada que pouco sobra hoje da nobreza de sua tarefa educativa. Se uma criança, um adolescente, um jovem, crescem entendendo que ser pai não significa nada além de fornecer os gametas para a reprodução acontecer, se não associam mais à sua condição de pai uma tarefa de fundamental importância, uma responsabilidade sagrada para introduzir a criança que geraram à compreensão da realidade e da vida, conduzindo-a e acompanhando-a até a maturidade, então tudo pode acontecer. Faltando a compreensão da própria paternidade, a relação pode decair e ser vivida como qualquer outra, não mais orientada pelo ideal da paternidade, mas movida pela busca de alguma vantagem ou de algum prazer. 

Crianças gravemente abusadas pelas pessoas que mais delas deveriam cuidar questionam a nossa maneira de construir a sociedade moderna, a obsessão com a qual nos dedicamos a desconstruir tudo o que nos foi legado pela tradição ou possa relembrar o horizonte religioso da vida. Pelo contrário, parece-me extremamente saudável olhar para a paternidade de Deus, o Criador, o amor com o qual acompanha a cada um, Ele que sabe até o número dos cabelos que estão em nossa cabeça. Ele pese o nosso coração segundo à ternura e à compaixão com a qual pede o nosso coração, muitas vezes ferido pelo ódio e pelo desamor, para curá-lo. Mas, aqui se abre o misterioso espaço da liberdade de cada pessoa, para responder ao Seu apelo ou recusá-lo. Jesus no livro do Apocalipse diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo” (AP 3, 20). Será verdade que para ser “moderno” é necessário recusar essa companhia potente e misericordiosa? Não será mais sábio quem nele confia e constrói sua vida sobre essa Rocha?

Neste quarto domingo da Quaresma, ouvimos o evangelho de João 12, 20-33: “Havia alguns gregos que vieram à Jerusalém e aproximaram-se de Filipe e pediram: gostaríamos de ver Jesus” para ouvi-lo e quem sabe segui-lo. E nós?

 

 

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por
CNBB
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