Evangelização e Missão, significado hoje

Filed under: Conheça Mais,Missões — vidanova at 7:07 am on terça-feira, fevereiro 10, 2009

O termo “evangelizar” e seus derivados são muito mais antigos que a palavra “missão”. Voltaram a ser usados no início do século passado e a ter importância a partir dos anos 70 no mundo protestante e católico.

Divisor das águas foi a publicação da Evangelii Nuntiandi e a Assembléia de Nairóbi do Conselho Mundial das Igrejas (1975). Nestes anos, o uso dos dois termos – missão e evangelização – foi sintoma do fluxo e refluxo do pensamento missionário. Podemos notar quatro tendências:

Inicialmente, alguns sugeriram que “missão” significa o ministério junto aos que ainda não são cristãos; enquanto “evangelização”, o ministério junto aos cristãos. Uma segunda tendência considerou a “evangelização” em sentido mais restrito do que “missão”; esta última diria respeito a um campo muito mais amplo de atividades eclesiais.

A partir dos anos 40, nota-se a tendência a considerar “missão” e “evangelização” como sinônimos. E mais recentemente a confusão aumentou, quando o termo “evangelização” começou a ser usado em vez de “missão”, tanto no campo católico quanto no campo protestante.

O exemplo mais significativo é a Evangelii Nuntiandi, que evita o termo “missão” e usa “evangelização” e seus derivados 214 vezes. O termo é tomado como conceito que engloba toda a atividade da Igreja enviada ao mundo.

Tento, agora, delinear um conceito de evangelização adequado ao momento atual. Parto da convicção de que “missão” e “evangelização” não são sinônimos, no entanto estão indissoluvelmente unidos na teologia e na prática.

A missão é mais ampla que a evangelização. Missão significa a tarefa global que Deus confiou à Igreja para salvar o mundo: a Igreja é enviada ao mundo para amar, servir, pregar, ensinar, curar, libertar. “Evangelização é missão, mas a missão não é somente evangelização” (Moltmann).

A evangelização não deve, pois, ser identificada com a missão. Quando isso acontece, sente-se a necessidade de recorrer, depois, a neologismos como “pré-evangelização”, “re-evangelização”, “nova evangelização”, para completar o sentido. Portanto, é preferível manter o caráter distinto de evangelização dentro da missão global da Igreja, apesar de ser impossível separá-las.

 ANÚNCIO DO REINO

 Evangelização é testemunhar o que Deus realizou, realiza e realizará. É o anúncio que Deus, criador e Senhor do Universo, interveio pessoalmente na história humana e o fez de modo mais extremo na pessoa e na prática de Jesus de Nazaré: em Jesus encarnado, crucificado e ressuscitado, o Reino de Deus foi inaugurado.

Essencialmente, a evangelização não é um apelo a tornar algo mais efetivo, como se o Reino de Deus fosse inaugurado a partir da nossa resposta ou estivesse comprometido com a nossa recusa. A nossa é uma resposta a quanto Deus já realizou. Portanto, a evangelização não pode ser definida em base a resultados, como se ela dependesse do número de convertidos.

A evangelização é sempre um convite. Evangelizar é comunicar alegria, é transmitir uma mensagem positiva, é uma esperança oferecida ao mundo. Não deve nunca degenerar em sedução, pior ainda, em ameaça.

NÃO É PANACÉIA PSICOLÓGICA

 
Evangelizar não é oferecer uma panacéia (remédio milagroso) psicológica para curar frustrações e desilusões . Não consiste em inculcar sentimento de culpa para que as pessoas, desesperadas, se dirijam a Cristo. Não é exigir a conversão através de narrações sobre os horrores do inferno. Dirigimo-nos a Deus porque somos atraídos pelo seu amor.

Devemos ser modestos sobre o caráter e eficácia do nosso testemunho, mas a evangelização continua sendo um ministério indispensável. Não é mais facultativo, mas um dever sagrado “que incumbe a toda a Igreja. Sim esta mensagem é necessária. É única. Não pode ser substituída” (EN 5). Não é suficiente dizer que a dimensão evangelizadora está incluída em tudo que a Igreja diz e faz; deve ser explícita. Cada pessoa tem o direito de escutar a Boa Notícia.

A evangelização oferece a salvação como dom para hoje e como promessa paro o futuro. No entanto, se na evangelização despertamos a atenção principalmente para estas ofertas para o futuro, reduzimos o Evangelho a um produto de consumo.

Ocorre sublinhar que a vantagem da salvação nunca é o tema central das narrações bíblicas sobre a conversão. Se os cristãos se considerarem os favorecidos de uma imensa fortuna particular, acabam reduzindo Cristo a um simples “distribuidor de bênçãos especiais, e a evangelização a um meio para procurar os próprios interesses piedosos” (Barth).

Não que seja um mal ou não seja bíblico beneficiar-se da salvação. Somos chamados a ser cristãos não simplesmente para receber a vida mas, sobretudo, para doá-la.

A evangelização não é proselitismo. A evangelização serviu muitas vezes para reconquistar a influência eclesiástica perdida. Sobretudo nos contextos onde as Igrejas são vistas como “número de pessoas”, implicitamente (e até explicitamente) surge a necessidade de competir.

E quantos estão fora das comunidades, mesmo se já pertencem a outras Igrejas, são vistos como peixes, a serem pescados. Esta mentalidade, queiramos ou não, destrói a convicção de que as pessoas são salvas, não graças a um dom gratuito, mas à adesão à nossa denominação.

ENCONTRO PESSOAL

 Distinguir evangelização e recrutamento não significa negar que exista uma relação entre ambos. Justamente o Concílio Vaticano II no decreto Ad Gentes (6), inclui a implantação e o crescimento da Igreja na definição da finalidade da missão.

Diga-se de passagem, que a estatísticas é a coisa menos adequada para medir a eficácia da evangelização. Uma evangelização autêntica e comprometida pode comportar até uma diminuição numérica da Igreja, em vez de um aumento.

Na Evangelização somente as pessoas são interpeladas e somente elas podem responder. Não há dúvida, a autêntica evangelização tem uma dimensão pessoal. O Evangelho é o anúncio de um encontro pessoal, graças ao Espírito Santo, com Cristo vivo.

Uma das contribuições do Evangelho é a importância dada à responsabilidade e decisão pessoais. É, portanto, errado procurar converter as pessoas através de apelos dirigidos à sociedade, às Nações, às famílias, porque não são estas entidades que aderem à fé, mas as pessoas. Tais apelos são necessários e são parte da missão, mas não são propriamente evangelização.

A evangelização autêntica é sempre contextualizada. É falsa a evangelização que separa as pessoas do seu contexto, que considera o mundo somente um obstáculo, que desvaloriza a história e vê somente o “espiritual”.

Este tipo de evangelização preocupa-se em satisfazer as pessoas, mais do que em transformá-las. Por isso a evangelização não pode ser desligada da proclamação e da prática da justiça. Refletindo no Evangelho de Mateus, notamos que tornar-se “discípulo” de Jesus implica uma série de compromissos. Em primeiro , o de aceitar comprometer-se com Cristo e com o Reino de Deus. No centro do convite que Jesus dirige às multidões para que o sigam a fim de serem seus discípulos, está a pergunta: a quem quereis servir? O Evangelho é um apelo para colocar-se a serviço.
 

 

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por por David Bosch
site:www.revistamissoes.org.br

São Paulo e o alto preço da Missão

Filed under: Espiritualidade,Missões,Santos — vidanova at 7:12 am on terça-feira, dezembro 16, 2008

Padre Geraldo Gabriel de Bessa
Diocese de Divinópolis/MG

Deus sabe o que faz e com quem pode contar para anunciar o Evangelho. A vida do missionário, no entanto, não é fácil e nem poderia ser diferente, para quem segue os caminhos de Jesus. O Mestre, aliás, já havia alertado para isso: “Quem quiser me seguir tome sua cruz e siga-me”. Além disso, afirmou: “se perseguiram a mim haverão de perseguir também a vocês”.

São Paulo pagou um alto preço para atender ao chamado de Cristo. É bom entender, que antes de sua conversão, ele também perseguiu os cristãos. Ao mudar de posição, foi visto com desconfiança dos dois lados: Os cristãos ainda não confiavam nele; os judeus o viram como um “traidor” da religião tradicional. O certo é que Paulo, após ser “apanhado” por Cristo, ficou sozinho! Assim como Cristo passou pelo deserto antes de abraçar sua missão; Paulo também enfrentou a solidão e o abandono para readquirir a plena posse de si mesmo, enquanto homem novo, marcado pela graça de Deus. Chegou a dizer: “Todos me abandonaram…” Após sua conversão, Paulo passou por um “retiro espiritual” prolongado. Ele deve ter se convertido aos 28 anos e somente viajou em missão aos 41. Com essa idade já estava pronto para se entregar totalmente a Cristo. Por isso disse: “Vivo, mas não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim”. Em suas viagens, o que não faltaram foram conflitos e provações. Vou relacionar apenas alguns para que você tenha uma idéia:

- Em Patmos enfrentou um conflito com um “curandeiro” local (Atos 13, 6-12);
- Conflito com os judeus (Atos 14, 1-5);
- Foi ignorado em Atenas (Atos 17,32);
- Os judeus conspiraram contra ele (Atos 20,3);
- Foi apedrejado em Listra (Atos 14, 9)
-Enfrentou um conflito com a religiosidade popular manipulada pelo poder econômico (Atos 19, 24 ss);
- Esteve preso mais de uma vez (Filêmon 1.9);
- Naufragou e foi picado de cobra (Atos 28, 3-6);
- Foi abandonado por todos ( 2Timóteo 4,16).

Esses foram alguns conflitos que São Paulo enfrentou corajosamente para pregar o Evangelho. Além desses, não podemos esquecer a falta de recursos, fome, frio, sede, noites mal dormidas e muitas perseguições. Teve que “matar um leão por dia” para evangelizar. Mas em tudo isso, “tirou de letras”. Estava certo do amor de Cristo. Em sua carta aos Romanos (Rm 8,35) afirma: Nada vai nos separar do amor de Cristo. Nem a tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada, morte, vida, anjos… Em tudo isso, somos mais do que vencedores. Se Cristo é por nós, quem será contra nós?

Refletir sobre São Paulo faz a gente pensar no quanto somos pequenos e lentos para as coisas de Deus. Fazemos pouco, quando poderíamos fazer muito mais. Facilmente arranjamos desculpas para não assumir um compromisso na Igreja. Uma teia de aranha nos impede de evangelizar! Alguns acham difícil, até participara da missa uma única vez na semana! Temos um número grande de católicos, mas poucos, de fato, assumem os compromissos do batismo. Que São Paulo nos ajude e nos dê forças para servir a Cristo, nosso Senhor!

 

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por
Diocese de Divinópolis/MG

São Geraldo Magela, rogai por nós !

Filed under: Missões,Santos — vidanova at 11:41 am on terça-feira, outubro 9, 2007

Não existem dois santos iguais.
Cada um é obra única de Deus.
Cada um de seu jeito,
houve muitos que podem
ser chamados “santos do povo”.
Um deles,
e de modo muito especial,
pode ser chamado de
 “o santo dos simples”:
pela sua vida,
pelas suas preferências,
pelas suas preocupações,
pelo seu jeito de ser
“redenção abundante
para os abandonados”.
Seu nome é Geraldo e sua vida,
na boca e na saudade do povo,
fez-se poema.

No dia 07 de Outubro de 2007, na cidade de Bom Jesus do Norte, a Comunidade Vida Nova, juntamente com a Paróquia São Geraldo Magela do nosso querido amigo Padre Luciano realizou o II Vida Nova em Cristo.

Nós tivemos a oportunidade de iniciarmos a festividade da Paróquia com seu padroeiro e Santo São Geraldo Magela que se comemora no dia 16 de Outubro.Com aproximadamente 100 jovens participando conosco, o II Vida Nova em Cristo foi marcado por momentos de pregação, música, dinâmicas e principalmente de momentos de oração aonde Deus de forma misericordiosa manifestou-se na vida de todos.

A busca dos 100 jovens foi justamente o abandono no pedido que nosso Papa João Paulo II fez aos jovens dizendo: “Não tenhas medo de se entregar a Cristo, pois Ele não tira nada de nós…” E confirmada pelo nosso Papa Bento XVI em suas primeiras palavras como Papa.

Como o jovem padroeiro e santo da cidade de Bom Jesus do Norte, São Geraldo Magela, cada jovem estava em busca de respostas, em busca de responder ao chamado que Deus fez a cada um deles e com certeza tiveram a certeza no coração da verdadeira vocação que Deus chamou-os: A Santidade.

Em um mundo marcado pela banalização do sagrado, do ser humano, a juventude necessita de mostrar aos adultos que a vocação acertada é sinal de felicidade plena e que cada jovem casto, cada jovem em busca da santidade, sente felicidade e alegria verdadeira de ter feito a opção por Deus.

A Igreja é o melhor refugio destes futuros pais de famílias, futuros profissionais, futuros sacerdotes e freiras, futuros homens e mulheres santos que mostrarão com suas escolhas o caminho da paz e felicidade plena.

Na missa dominical do dia, o nosso querido Pastor da Diocese, Dom Célio de Oliveira Goulart, presidiu a Santa Missa, concluindo assim o ápice daqueles que buscam sem cessar a vontade de Deus, Eucaristia.

Que Deus abençoe a juventude da Igreja, em especial os jovens da nossa Diocese de Cachoeiro de Itapemirim para que todos vivam a santidade dando resposta com a vida ao mundo marcado pela ausência de paz e esperança. 

José Eduardo Arêas Caetano

Comunidade Vida Nova

Ser missionário…

Filed under: Missões — vidanova at 9:02 am on sexta-feira, setembro 28, 2007

Especialmente em outubro, período em que a Igreja celebra o mês missionário, um bispo brasileiro pede que os fiéis intensifiquem sua oração pelas missões.
O primeiro e mais eficaz contribuição que todos podem oferecer à ação missionária é a oração, afirma Dom Nelson Westrupp, bispo de Santo André (São Paulo).
Segundo o prelado, cada fiel é convidado a refletir sobre a importância da ação missionária na Igreja e no mundo.
Com efeito, o mandamento missionário, confiado por Cristo aos apóstolos, é válido ainda hoje, escreve, em mensagem difundida esta quinta-feira pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
Temos certeza de que Jesus Cristo, Missionário por excelência do Pai, nos acompanha na tarefa essencial da Igreja, que é evangelizar. Pois Ele mesmo disse: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 20).
Dom Nelson explica que Bento XVI, em sua Mensagem para o 81º Dia Mundial das Missões 2007, convida as Igrejas locais de cada continente a uma partilha da consciência sobre a urgente necessidade de relançar a ação missionária perante os numerosos e graves desafios de nosso tempo.
Enorme esforço para a difusão do Evangelho já foi feito. Muitos missionários e missionárias derramaram seu sangue e gastaram a sua vida a serviço da evangelização.
Contudo – prossegue o bispo –, a ação missionária deve ser permanente. Ela não pode parar. Portanto, nada impeça nosso ardor missionário. Ainda que nossa cultura apareça cada vez mais “laica” e secularizada, jamais podemos duvidar da presença divina em nosso trabalho apostólico, pois a força do Espírito da verdade guiará nossos passos nos caminhos da missão.
De acordo com Dom Nelson, também a Conferência de Aparecida, cujas orientações pastorais estão a ser implementadas pelas diferentes Conferências episcopais da América Latina, recorda que a missão da Igreja é evangelizar.
“Por isso, nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo” (Documento de Aparecida, nº. 30). Cumpramos, então, nossa missão seguindo os passos de Jesus e adotando suas atitudes. “Na generosidade dos missionários se manifesta à generosidade de Deus, na gratuidade dos apóstolos aparece à gratuidade do Evangelho” (ibidem, nº. 31), cita.
Queira o Senhor da messe que o espírito missionário penetre mais profundamente no coração de todos os batizados», afirma o bispo, desejando que o exemplo dos missionários suscite novas vocações e uma renovada consciência missionária» entre os fiéis.

Fonte: Zenit

Deus abençoe !

José Eduardo Areas Caetano
Comunidade Vida Nova