“Caritas in Veritate” propõe nova cultura empresarial

Arquivado em: Noticias, Opiniões — vidanova at 8:02 am on quinta-feira, julho 16, 2009

Presidente dos empresários cristãos comenta encíclica

SANTIAGO DO CHILE, quarta-feira, 15 de julho de 2009

Rolando Medeiros, presidente da União Social de Empresários Cristãos (USEC) do Chile, escreveu uma carta aos membros de sua associação, com o título “A Caridade na Verdade e o meio empresarial”, na qual destaca três ideias sobre a encíclica Caritas in Veritate, de Bento XVI.

Medeiros afirma, em sua carta remetida a ZENIT, que a encíclica “contém uma reflexão profunda sobre as temáticas sociais atuais com suas luzes e sombras, e as condições para um desenvolvimento humano integral e um progresso sustentável”. 

Destaca três ideias da encíclica que se referem especificamente ao meio empresarial hoje. 

Em primeiro lugar, afirma, o texto “propõe-nos que o primeiro capital a ser salvaguardado e valorizado é a pessoa humana em sua integridade, já que ‘o homem é o autor, centro e fim’ de toda vida econômica e empresarial. Neste sentido, o Papa propõe fazer uma “nova síntese humanista”, ou seja, colocar o necessário desenvolvimento econômico e material como um meio e não como um fim. Meio para alcançar a meta do pleno desenvolvimento humano e social”. 

O segundo tem relação com a ética e o modelo econômico, a propósito da crise. “O Papa assinala – explica Medeiros – que o atual modelo é um instrumento eficaz para operar no mundo dos negócios, mas que, se as pessoas que operam neste carecem de valores, pode ser objeto de abusos, com consequências negativas, hoje conhecidas por todos”. 

“Por isso, o Papa chama a reconstruir a confiança e a solidariedade, que permitam uma maior justiça social. Neste sentido, a Caridade Social é um conceito mais amplo que o de Justiça Social, pois vai além dos mínimos éticos; nos move a não apenas querer o bem para o próximo, mas também a trabalhar por este”, acrescenta. 

Por último, no atual mundo globalizado, “o Papa pede aos dirigentes de empresa que procurem não perder de vista que nossa empresa é formada por uma comunidade de pessoas pela qual temos que velar e proteger por mais dispersas que estejam nossas operações, filiais, acionistas, fornecedores, clientes e públicos de interesse”. 

“É fácil desvincular-se – acrescenta – quando não temos contato diário com as equipes de colaboradores e esquecemos que nosso capital humano é formado por pessoas com nome e sobrenome, com aspirações, potencialidades, famílias e sonhos e cuja contribuição com seu trabalho diário é único e valioso. Para que uma empresa seja altamente produtiva, tem que ser também plenamente humana e socialmente responsável”. 

Por tudo isso, Rolando Medeiros convida “empresários, executivos e profissionais a ler e refletir sobre esta nova carta encíclica e unir-se a esta missão de impregnar de valores as políticas, decisões, cultura e comportamento de suas organizações. A construir em definitivo, uma ‘nova cultura empresarial’”.

TOTALITARISMO E INTOLERÂNCIA

Arquivado em: Afetividade e Sexualidade, Noticias, Opiniões — vidanova at 8:04 am on quinta-feira, junho 18, 2009

Por CARLOS ALBERTO DI FRANCO

Fonte: O Globo, 01 de junho de 2009, Opinião, página 7

            Dois episódios recentes, em Brasília e São Paulo, desnudam a visão totalitária e a intolerância ideológica que dominam estratégias de longo alcance na formação das novas gerações.

            Comecemos por Brasília. O governo quer que sejam incluídos nos livros didáticos a temática de famílias compostas por lésbicas, gays, travestis e transexuais. Ainda na área da educação, recomenda cursos de capacitação para evitar a homofobia nas escolas e pesquisas sobre comportamento de professores e alunos em relação ao tema. Essas são algumas das medidas que integram o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), documento firmado por representantes de 18 ministérios do governo Lula. “É um marco na busca da garantia dos direitos e cidadania”, afirmou o secretários de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, durante o lançamento do plano.

            Vamos, caro leitor, a São Paulo. A Secretaria Estadual da Educação distribuiu a escolas um livro com conteúdo sexual e palavrões, para ser usado como material de apoio por alunos da terceira série do ensino fundamental (faixa etária de 9 anos).

            O livro (“Dez na área, um na banheira e ninguém no gol”) é recheado com expressões como “chupa a rola” e “chupava ela todinha”. São 11 histórias em quadrinhos, feitas por diferentes artistas, que abordam temas relacionados a futebol — algumas usam também a conotação sexual.

            O governo de São Paulo afirmou que houve “falha” na escolha, pois o material é “inadequado para alunos desta idade”. Ótimo. Reconhecer o erro é importante. Mas, aparentemente, o governo entende que o conteúdo seria adequado para alunos de outra faixa etária. Lamentável! É assim que se pretende melhorar a qualidade de ensino? São Paulo, que foi capaz de produzir uma USP, assiste hoje à demissão do dever de educar.

            A pedagogia do palavrão e a metodologia da obscenidade estão ocupando o lugar da educação de qualidade.

            Espero, sinceramente, que o episódio seja pontual e que o governador José Serra, homem de sólida formação acadêmica, e seu secretário da Educação, o ex-ministro Paulo Renato, tomem providências definitivas.

            Na verdade, amigo leitor, uma onda de intolerância avança sobre a sociedade.

            Discriminados assumem a bandeira da discriminação. O tema da sexualidade passou a gerar novos dogmas e novos tabus. E os governos, num espasmo de totalitarismo, querem impor à sociedade um modo único de pensar, de ver e de sentir.

            Uma coisa é o combate à discriminação, urgente e necessário. Outra, totalmente diferente, é o proselitismo de uma opção de vida. Não cabe ao governo, com manuais, cartilhas e material didático, formatar a cabeça dos brasileiros. Tal estratégia tem nome: totalitarismo. O governo deve impedir os abusos da homofobia, mas não pode impor um modelo de família que não bate com as raízes culturais do Brasil e sequer está em sintonia com o sentir da imensa maioria da população.

            A intolerância atual é uma nova “ideologia”, ou seja, uma cosmovisão — um conjunto global de ideias fechado em si mesmo —, que pretende ser a “única verdade”, racional, a única digna de ser levada em consideração na cultura, na política, na legislação, na educação etc. Tal como as políticas nascidas das ideologias totalitárias, a atual intolerância execra — sem dar audiência ao adversário nem manter respeito por ele — os pensamentos que divergem dos seus “dogmas”, e não hesita em mobilizar a “inquisição” de certos setores, para achincalhar — sem o menor respeito pelo diálogo — as ideias ou posições que se opõem ao seu dogmatismo.

            Aborrece-me a intolerância dos “tolerantes”. Incomoda-me o dogmatismo das falanges autoritárias.

            Respeito a divergência e convivo com o contraditório. Sem problema.

            Mas não duvido que é na família, na família tradicional, mais do que em qualquer outro quadro de convivência, o “lugar” onde podem ser cultivados os valores, as virtudes e as competências que constituem o melhor fundamento da educação para a cidadania.

CARLOS ALBERTO DI FRANCO é diretor do Master em Jornalismo.

Fonte: O Globo, 01 de junho de 2009, Opinião, página 7.

SÃO COMPATÍVEIS A CIÊNCIA E A FÉ?

Arquivado em: Conheça Mais, Opiniões — vidanova at 7:46 am on sexta-feira, abril 17, 2009

Por Alfonso Aguiló

Para os que acreditam, Deus está no princípio. Para os cientistas, Deus está no final de todas as suas reflexões.” (Max Planck).

 Pode a Ciência Controlar-se a Si Mesma?

O físico alemão Otto Hahn, inventor da fissão do átomo de urânio, estava internado num campo de concentração inglês, junto com outros eminentes cientistas. Quando, em agosto de 1945, recebeu a notícia de que Hirosshima tinha sido arrasada por uma bomba atômica, sentiu um profundíssimo sentimento de culpa. As suas pesquisas sobre a fissão do urânio tinham acabado por se utilizar para produzir um massacre terrível. Foi tal a sua angústia que tentou abrir as veias nos arames farpados que cercavam o campo. Depois que os seus companheiros conseguiram dissuadi-lo, o velho professor fez-lhes, desolado, a seguinte confissão:”Acabo de perceber que a minha vida não tem mais sentido. Pesquisei pelo puro desejo de revelar a verdade das coisas e todo o meu saber científico acaba de se converter num enorme poder aniquilador”.

 

A experiência pessoal de Otto Hanh foi, na realidade, a experiência amarga de toda uma época. Uma aflitiva impressão de fracasso invadiu os espíritos de todos os que tinham lutado com tanta tenacidade por levar o conhecimento científico a máxima altura possível, convencidos de fazer com isso um grande bem a humanidade. Tinham trabalhado penosamente com a profunda convicção de que o aumento do saber teórico e o incremento da felicidade humana estavam inequivocamente vinculados. Acreditavam que fomentar o conhecimento científico teria sempre um valor positivo, que significaria automaticamente cotas mais elevadas de felicidade e igualdade. Pensaram que se tratava de um bem inquestionável e que, portanto, se traduziria indubitavelmente em bem-estar para o homem.

 

Mas esse entusiasmo plurissecular, que já tinha aberto fendas nas tricheiras de Verdun* (uma das batalhas mais sangrentas da 1ª guerra), ruiu estrepitosamente com os horrores da 2ª guerra mundial. O terrível poder destruidor das armas nucleares, os intensivos bombardeios da população civil, o extermínio sistemático e profundamente cruel de toda uma raça e um saldo de cinquenta milhões de mortos puseram tragicamente de manifesto que o saber teórico pode traduzir-se num saber técnico, e este, por sua vez, num amplo poder sobre a realidade, mas, por desgraça, todo esse domínio não leva automaticamente a uma maior felicidade dos homens se aqueles que detem esse poder não possuem uma consciência ética proporcional a sua responsabilidade.

 

Após séculos de febril incremento do saber científico, a idéia de que o progresso humano é sempre contínuo e não pode haver retrocesso revelou-se uma farsa irritante. O ideal do domínio científico e a consequente forma de humanismo desfizeram-se em pedaços ao entrarem em colisão com a obstinada realidade da história. Era patente que o futuro não devia caracterizar-se por essa ingênua crença no progresso como princípio motor de uma civilização, mas que era preciso alicerçá-lo em valores mais altos e seguros.

 

História de uma Desilusão.

 

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, depois da sua experiência pessoal em diversos campos de concentração, chegou à conclusão de que não foram os ministérios nazistas de Berlim os verdadeiros responsáveis por aquelas atrocidades, mas a filosofia niilista do século XIX. Se o homem é um simples produto de uma natureza mutável, um simples macaco evoluído, então, da mesma forma que o macaco pode ser enjaulado num zoológico, o homem pode ser encarcerado num campo de extermínio. Se o homem é um simples animal, ainda que extraordinariamente adestrado, e fazemos sabonetes com gordura animal, por que não fazê-lo com gordura humana?

 

O filósofo Edmund Husserl, esclarecido pela falência do mito do eterno progresso por ocasião da Segunda Guerra mundial - na qual viu, entre outras ocasiões, aquela racionalização perfeita da matança em massa de milhões de inocentes - percebeu claramente que a ciência, por força do seu método, não pode ser um princípio motor da vida humana. “O mundo da objetividade científica - escreveu - é um mundo fechado e inóspito. A forma pela qual o homem moderno, na segunda metade do séc. XIX, se deixou determinar totalmente pelas ciências positivas e cegar pela prosperidade a elas devida, significou pôr de lado as questões decisivas para uma humanidade autêntica. As ciências que só comtemplam meros fatos fazem com que os homens só enxergassem meros fatos”.

 

Procurar o conhecimento científico objetivo das coisas é lícito e fecundo. Mas considerar esse modo de conhecer como modelo, como a única forma rigorosa de conhecimento, é uma parcialidade inaceitável, já que empobrece enormemente o homem. A Ilustração - o Iluminismo - pretendia alcançar o ideal renascentista que sonhava entregar o homem a si mesmo, torná-lo livre, permitindo-lhe viver sob o império exclusivo da razão. A esperança de que o homem atingiria a felicidade para sempre num mundo já dominado e sem segredos, por meio de uma ciência que tudo conheceria e tudo poderia, veio a ser um sonho que nunca se alcançaria e que o horror gigantesco das duas Guerras Mundiais converteu em algo pior que um pesadelo. O domínio da realidade escapava ao molde estreito do pensamento racionalista. E o perigo não derivava da ciência em si, mas dessa mentalidade que levava a considerar que só se pode conhecer aquilo que é mensurável, controlável, verificável, e a desprezar os aspectos da realidade que resistem a esse tipo de controle e cálculo.

 

Essa pretensão de domínio sem limites deixava o homem numa situação de desamparo. Logo se viu que a ciência, que tinha dominado com o seu prestígio o Século das Luzes, não podia, por si só, plenificar a vida do homem. Não era sua missão. A ciência não fala de valores, de sentido, de metas nem de fins, e o ser humano precisa de tudo isso para preservar a sua dignidade e ser feliz.

 

O otimismo ilustrado previra horizontes paradisíacos, mas a utopia científica mostrou como nunca a sua impotência. Não há dúvida de que o progresso científico foi grande e que esse desenvolvimento é uma coisa boa, ou pelo menos, não tem porque ser má. Mas, hoje em dia, muito poucos acreditam que tudo isso seja a panacéia, que possa fazer algo mais do que transferir a inquietação de uns temas para outros. O domínio das coisas é muito elevado, mas necessita de um humanismo válido que lhe dê sentido. Porque, do contrário, pode embriagar-se com os seus próprios êxitos e crescer em direções aberrantes para a dignidade do homem.

 

A técnica permite desenvolver meios de comunicação extremamente poderosos, rápidos, atraentes, sugestivos, mas esses meios podem ser uma arma de primeira grandeza para manipular as consciências, moldar as vontades e os sentimentos dos homens. A ciência precisa de alguns limites para a sua pretensão de soberania. Toda a grande conquista traz consigo uma inevitável ambivalência: um avanço num aspecto e um retrocesso em outro, talvez não menos valioso. O aumento de poder não corre sempre paralelamente ao aumento do domínio do homem sobre esse poder. A ciência não pode abandonar-se a sua própria dinâmica, mas deve ser regulada por uma instância externa que a oriente e lhe dê sentido.

 

O Processo Científico Implica um Declive Religioso?

 

A Idade Moderna começou por cultivar insistentemente as questões de método. Bacon, Descartes e Spinoza, por exemplo, concentraram a sua filosofia em torno da busca de um método rigoroso que lhes permitisse chegar à certeza e assentar a vida sobre convicções sólidas, inquebrantáveis, inexpugnáveis. Como as ciências avançam sobre dados seguros e conferidos, verificados pela experiência, foram surgindo pensadores convencidos de que, sempre que a ciência descobria um segredo, a religião dava um passo atrás. Parecia-lhes que o progresso da ciência reduzia inexoravelmente o domínio do religioso, cada dia mais confinado. Em contraposição ao que consideravam o crédulo espírito medieval, o homem moderno haveria de encontrar, apenas com a força da sua razão, um método sem fendas. E o grande modelo do pensamento autêntico era, para eles, o saber matemático.

 

Se se trabalha com a devida lógica, articulando bem os diversos passos do raciocínio – afirmavam -, chega-se em matemática a conclusões apodícticas, inquestionáveis. A ordem no raciocínio torna-se a chave do pensamento e do conhecimento retos. E essa ordem é estabelecida pela razão, pois a razão é o grande privilégio do homem. Por esse caminho – acabavam por concluir -, o homem basta-se a si mesmo, já que a razão lhe oferece recursos de sobra para descobrir as leis da realidade e conseguir um rápido domínio sobre ela. Mas de novo a passagem do tempo veio mostrar como esse domínio só é possível em termos quantitativos, naquilo que pode submeter-se a cálculo e medida. Mas o espírito escapa ao método matemático e à lógica cartesiana. Ao possibilitar a opção livre, o espírito torna possíveis muitas coisas que denunciam a insuficiência do modelo racionalista. Poderiam citar-se muitos exemplos.

 

Um dos mais característicos é a tentativa racionalista de explicar a inteligência humana. É difícil saber exatamente o que é o pensamento, mas, se eu reduzo o problema a uma questão de neurônios, posso conseguir uma tranqüilizadora impressão de exatidão: 1.350 gramas de cérebro humano, constituído por 100.000 milhões de neurônios, cada um dos quais forma entre 1.000 e 10.000 sinapses e recebe a informação que lhe chega dos olhos através de 1.000.000 de axônios acumulados no nervo ótico. Por sua vez, cada célula viva pode ser explicada pela química orgânica….Deste modo, posso pretender explicar a inteligência num plano biológico, a biologia em termos de processos químicos e a química em forma de matemática. Pois bem, qualquer leitor medianamente crítico perguntar-se-á o que têm a ver as porcentagens de carbono e hidrogênio, os neurônios e toda a matemática associada a esses processos, com algo tão humano e tão pouco matemático como conversar, entender uma piada, captar um olhar de carinho ou compreender o sentido da justiça.

 

A ciência moderna, com as suas descobertas maravilhosas, com as suas leis de uma exatidão assombrosa, oferece a tentação – um empenho que se deu em Descartes com uma força irresistível – de querer conhecer toda a realidade com uma exatidão matemática. Mas costuma-se esquecer algo essencial: que a matemática é exata à custa de considerar unicamente os aspectos quantificáveis da realidade. E reduzir toda a realidade ao quantificável é uma notável simplificação, é um reducionismo. Poderíamos replicar como aquele velho professor universitário, quando um aluno fazia alguma afirmação reducionista: “Isso é como se eu lhe perguntasse o que é esta mesa, e você me respondesse: cento e cinqüenta quilos”.

 

As grandezas matemáticas prestaram e prestarão um grande serviço à ciência, e à humanidade no seu conjunto, mas sempre prestaram um péssimo serviço quando se quis empregá-las de um modo exclusivista. A totalidade do real nunca poderá ser expressa só em cifras, porque as cifras expressam unicamente grandezas e a grandeza é apenas uma parte da realidade. E não é questão de dar mais números ou com mais decimais. Por muitos ou muito exatos que sejam, oferecem sempre um conhecimento notoriamente insuficiente. Você pesa 70 quilos, mas não é 70 quilos. E mede 1,83 metros, mas não é 1,83 metros. As duas medidas são exatas, mas você é muito mais que uma soma exata de centímetros e quilos. As suas dimensões mais genuínas não são quantificáveis: não podem ser determinadas numericamente as suas responsabilidades, a sua liberdade real, a sua capacidade de amar, a sua simpatia por tal pessoa ou a sua vontade de ser feliz.

 

Não querer reconhecer uma realidade alegando que não pode ser medida experimentalmente, seria proceder mais ou menos como um químico que se negasse a admitir as propriedades especiais dos corpos radioativos, sob o pretexto de que não obedecem às mesmas leis que explicam o que acontece com os outros corpos já conhecidos. Acima da ciência há outra face da realidade: a mais importante, e também a mais interessante do ser humano, aquela em que aparecem aspectos tão pouco quantificáveis como, por exemplo, os sentimentos – não é possível pesá-los, mas nada pesa mais do que eles na vida. Um pensamento ou um sentimento não podem honestamente ser qualificados como materiais. Não têm cor, sabor ou extensão, e escapam a qualquer instrumento que sirva para medir propriedades físicas. “Os fenômenos mentais – afirma John Eccles, Prêmio Nobel de Neurocirurgia – transcendem claramente os fenômenos da fisiologia e da bioquímica”.

 

“A ciência, apesar dos seus progressos incríveis – escreve o médico e pensador Gregório Maranón -, não pode nem poderá nunca explicar tudo. Cada vez ganhará mais terreno no campo daquilo que hoje parece inexplicável. Mas os limites fronteiriços do saber, por muito longe que cheguem, terão sempre pela frente um infinito mundo de mistério”.

 

A Fé Desaparecerá Quando a Sociedade Amadurecer?

 

Em um dos seus livros, López Quintás conta que um dia, ao entardecer, depois de visitar a catedral de Notre-Dame, enquanto vagueava pela velha Paris, deparou, sem querer, com um pequeno edifício abandonado, com as suas sórdidas janelas cruzadas por sarrafos de madeira. Aquela construção quase em ruínas era o famoso “Templo da Nova Religião da Ciência” que o filósofo francês Augusto Comte tinha erigido fazia século e meio. O contraste foi tão brusco como expressivo. O templo com o qual se pretendera dar culto ao progresso científico estava em ruínas. A velha catedral, pelo contrário, irradiava as suas melhores galas, como na sua brilhante época medieval. A música combinava nela com a harmonia das linhas arquitetônicas, com as belas palavras dos oradores, com o magnífico esplendor litúrgico que num dia de Natal, anos atrás, emocionara o grande poeta Claudel, até levá-lo à conversão.

 

A história daquele templo esquecido está aparentada com a da Ilustração, que no seu tempo se ergueu com o sonho de “despojar o homem dos grilhões irracionais das crenças e conhecimentos supersticiosos baseados na autoridade e nos costumes”. O pensamento ilustrado da Enciclopédia considerava os conhecimentos religiosos como “simples e ingênuas explicações sobre a vida dadas pelo homem não científico”. Na sua aversão à fé, uma multidão de pensadores deleitava-se em atribuir a origem mais baixa possível ao sentimento religioso. Concebiam os nossos antepassados como “seres perpetuamente atemorizados, empenhados em conjurar as forças hostis do céu e da terra mediante práticas irracionais”. Viam a Deus como um simples “produto do medo das civilizações primitivas, num tempo em que esses espíritos atrasados ainda acreditavam em fábulas”. A teoria de Comte sobre a evolução humana através dos três estados – religiosidade, pensamento filosófico e conhecimento científico – gozou na sua época de grande aceitação e em sua honra foi erigido aquele templo dedicado à “Nova Religião da Ciência”.

 

Não é curioso que a ciência adquirisse essa faceta religiosa? Foi efetivamente um curioso fenômeno de substituição. Fascinado pela ciência, o homem elevou-a até ocupar o lugar do sagrado. Mas não era um simples conflito entre a ciência e a fé. Com efeito, entronizar uma bonita mocinha parisiense na catedral de Notre–Dame – como fizeram durante a Revolução Francesa - , dando–lhe o título de “Deusa Razão”, não parece que fizesse parte das ciências experimentais. Por trás de tudo aquilo latejava o empenho ateu de proclamar a salvação da humanidade por si mesma, e o advento de uma sociedade iluminada unicamente pela razão humana.

 

Passaram-se menos de dois séculos, e o estado de abandono em que se encontra hoje aquele templo laico é talvez um fiel reflexo do abandono da concepção do homem que tanta força teve na sua época. Aquela ilusão segundo a qual o advento da era científica permitiria eliminar o mal do mundo acabou por ser um doloroso engano. As suas hipóteses acabaram por estar mais impregnadas de ingenuidade do que a que eles atribuíam às épocas históricas anteriores.

 

A Ciência Pode Explicar Tudo?

 

Um olhar sobre o progresso científico com um pouco de perspectiva histórica deixa-nos espantados com a rapidez com que as máquinas são ultrapassadas e vão parar nos museus. Muitas afirmações das revistas científicas atuais provavelmente serão motivos de riso ou de assombro para as gerações futuras, talvez em menos tempo ainda. A história da ciência adverte-nos, com teimosa insistência, sobre um fato irrefutável: poucas teorias científicas conseguem manter-se em pé, mesmo que por poucos séculos; muitas vezes, só por alguns anos; e em alguns casos, menos ainda. A maioria das afirmações da ciência vai sendo substituída, uma atrás da outra, pouco a pouco, por outras explicações mais complexas e mais fundamentadas dessa mesma realidade. Eram hipóteses tidas como certas durante uma série de anos, ou de séculos, e que um dia se descobre que estão superadas. Umas vezes, são englobadas dentro de teorias mais completas, das quais a antiga hipótese é um corolário ou um simples caso particular. Outras ficaram obsoletas e desapareceram por completo do âmbito científico. A postura própria da ciência experimental deve ser, portanto, extremamente cautelosa nas suas afirmações.

 

“Uma cilada perniciosa” – escrevia John Eccles pouco depois de ter recebido o Prêmio Nobel pelas suas pesquisas em neurocirurgia – surge da pretensão de alguns cientistas, mesmo eminentes, de que a ciência não demorará a proporcionar uma explicação completa de todas as nossas experiências subjetivas. É uma pretensão extravagante e falsa, que foi qualificada ironicamente por Popper como “materialismo promissório”. É importante reconhecer que, mesmo que um cientista possa manifestar essa pretensão, não se comportaria como cientista, mas como um profeta mascarado de cientista. Isso seria cientificismo, não ciência, embora impressione fortemente os profanos que pensam que a ciência produz de forma incontroversa a verdade. O cientista não deve pensar que possui um conhecimento certo de toda a verdade. O máximo que nós, os cientistas, podemos fazer é chegar mais perto de um entendimento verdadeiro dos fenômenos naturais mediante a eliminação de erros em nossas hipóteses. É da maior importância para os cientistas que apareçam perante o público como o que realmente são: humildes buscadores da verdade”.

 

Em contrapartida, a imodéstia costuma caminhar a par da ignorância. A auto-suficiência com que alguns falam reflete uma atitude muito pouco científica, pois os cientistas sensatos nunca conferem a categoria de dogma às suas hipóteses. O cientificismo orgulhoso prestou sempre um péssimo serviço ao rigor da verdadeira ciência.

 

A Razão Precisa da Fé?

 

O combate que o homem trava contra o mal excede infinitamente os meios da razão e da ciência. É o que demonstram fatos tão atuais como o racismo, a droga ou o alcool. Ou como todos esses terríveis crimes cometidos por totalitarismos ateus sistemáticos e pretensamente científicos ao longo do século XX: desde o genocídio nazista de Hitler até o de Pol Pot no Camboja, passando pelos do lenismo, do stalinismo ou do maoísmo.

 

O pior é que a maior parte desses crimes em massa foram cometidos em nome de teorias que, na sua época, receberam o aplauso de milhões de pessoas. Foram autênticos infernos fabricados por homens que procuravam um mundo perfeito que se bastasse a si mesmo e já não tivesse necessidade de Deus.

E assim como, lendo Lênin, se podia notar que os direitos do indivíduo não iam ser respeitos num sistema comunista, do mesmo modo, estudando as premissas da Ilustração, viu-se claramente que a Modernidade não atenderia às necessidades globais do ser humano. Não basta a razão para que uma sociedade seja justa, solidária e equilibrada. Para que haja equilíbrio na pessoa e na sociedade, é preciso atender, juntamente com a razão, à vontade e à sensibilidade. A pessoa e a sociedade, devem ter por objetivo procurar o bem, a verdade e a beleza; e isso significa falar de vontade, inteligência e sentimentos; e, por sua vez, de ética, de ciência e de arte. Quando se idolatra um método da inteligência, como é a razão, sem elevar à sua altura a ética e a estética, desenquilibram-se o indivíduo e a sociedade. Esse foi o fracasso da Ilustração.

 

Fracassou por ter pensado que da razão deriva automaticamente a ética, coisa que se demonstrou falsa ao ser confrontada com a realidade. A razão não pode ser salva pela razão. Isso seria ilusório. Esses crimes demonstram o que o homem pode chegar a fazer. E vimos como a razão não os impediu.

 

Os ilustrados pensavam que, mostrando ao homem o que é racional, este o adotaria, e a razão seria suficiente para organizar a sociedade. Mas não foi assim. Não basta proclamar o que é racional para que os homens o pratiquem.

 

O comportamento humano está cheio de sombras e de matizes alheias à razão, que desembestam cada qual por sua conta movendo as molas da vontade e do coração. Reconhecer os perigos que a razão encerra – afirma Jean–Marie Lustiger – é salvar a sua honra. Conceber a razão como a grande soberana, independente do bem que o homem deve procurar, é mais ou menos como pôr-se nas mãos de um computador: é um instrumento muito capaz, processa grande quantidade de dados que toma do exterior, todo o seu desenvolvimento é perfeitamente lógico, mas alguém tem de garantir que está bem programado. A verdadeira fé é um guia insubstituível, pois a razão pode extraviar-se.

 

Não quero, com isto, menosprezar a razão, antes pelo contrário. A razão é uma das mais nobres capacidades que distinguem a espécie humana, e alegra-nos ver os seus triunfos, bem como conquistas da ciência e a sua luta por construir um mundo melhor. Mas convém nunca esquecer a limitação humana, e igualmente a ordem natural imposta por Deus, que permite ao homem preservar a sua dignidade e evitar erros.

 

A história está cheia de cadáveres ideológicos, e ninguém acha estranho encontrá-los perfeitamente alinhados quando olha pra trás com a disposiçào de aprender. E, entre eles, espalhados ao longo dos séculos, pode-se ver toda uma legião de profetas que foram anunciando – sobretudo nos últimos duzentos anos – o próximo e definitivo desaparecimento da religião e da Igreja.

 

No entanto, a história mostra que são precisamente aqueles que, com tanta paixão, lançam essas condenações e essas profecias os que desaparecem uns após outros, enquando a Igreja continua adiante depois de dois mil anos, e a religiosidade continua a ser uma constante em todas as civilizações de todos os tempos.

 

A Igreja, que presenciou catástrofes que varreram impérios inteiros, testemunha pela sua mera subsistência e força que palpita nela. “Os povos passam – observa Napoleão -, os tronos e as dinastias desmoronam-se, mas a Igreja permanece”. É uma realidade que leva a pensar que o fato religioso faz parte da natureza do homem, e que a Igreja está animada de um espírito que não é de origem humana.

 

 

 

Fonte: É Razoável Crer? Questões Atuais sobre a Fé – AGUILÓ Alfonso – Tradução: Roberto da Silva Martins - Editora Quadrante - São Paulo 2006 - Coleção Vértice; 60.

CAIU A MÁSCARA DO PRESIDENTE

Arquivado em: Opiniões — vidanova at 9:44 am on sexta-feira, março 13, 2009

Por Taiguara Fernandes de Sousa

Finalmente o Presidente Lula deixou cair a máscara. Não que para os atentos sua verdadeira face ainda estivesse escondida. Mas há aqueles que, cegando-se completamente, vendo o Lula como paladino da salvação desta nação, arauto da liberdade e do desenvolvimento, ignoram e propositadamente se eximem de ver o mal que este Presidente tem causado ao Brasil.

Desde que o Lula assumiu o poder, a esquerda no Brasil tem travado uma verdadeira guerra contra a moral e a ética. A exaltação de contra-valores, o desprezo dos valores morais mais enraizados no coração do povo brasileiro, tem produzido uma casta de políticos e cidadão despreocupados com o respeito por si mesmo, pelos outros e por Deus.

Em grande parte, é esta crise de valores que torna quase impossível no Brasil combater a corrupção por meios legais. Um governo corruptor, favorecedor da corrupção e da destruição dos valores morais, estimula o errado como certo. A impunidade (também ela mazela da imoralidade) reina no Brasil. A corrupção é tolerada com normalidade, como são toleradas com normalidade as campanhas (oficiais e extra-oficiais) do Governo Federal em prol do aborto, dos preservativos e do sexo livre, da união de homossexuais, e por aí vai. A reeleição de Lula após o triste episódio do Mensalão  é a prova mais cabal de que o brasileiro está imerso numa crise moral sem precedentes, e não mais diferencia o certo do errado: é tudo uma coisa só.

Mas para os que ainda duvidavam da guerra de Lula contra Moral, felicita-nos saber que agora há a prova. Finalmente o Presidente deixou cair a sua máscara.

Ora, há os que diziam que o projeto de descriminalização do aborto era coisa do Genoíno, do PT em geral, do Ministro Temporão, mas nunca do Lula. “Não, o Lula não. É coisa dos outros, não do Lula”. Como se Lula não mandasse no Genoíno, como se Lula não desse as cartas no PT, como se não tivesse sido Lula que levou o abortista Temporão ao Ministério da Saúde. Se há algum mérito que deve ser reconhecido na ação do Presidente estes anos, é a aura de “santidade insuspeita” que ele conseguiu criar ao seu redor.  Tudo tem a mão do Lula, mas todos insistem em não ver: é o Presidente, hoje, o maior favorecedor do aborto no Brasil.

E agora, Lula finalmente mostrou a cara. Confirmou, para júbilo dos que sempre denunciaram sua postura dúbia e hipócrita, o que sempre foi dito com respeito à sua posição sobre o aborto. Em entrevista no Programa 3 a 1, da TV Brasil, o Lula disse, sobre o aborto: “Há 26 anos, tenho uma posição, que é tratar de aborto como questão de saúde pública. Se você perguntar para mim, presidente Lula, o senhor é contra o aborto? Sou contra, minha mulher é contra, mas o Estado tem que dar atendimento”. Quer dizer então que o Presidente é contra, mas o Estado tem que dar atendimento às mulheres que queiram o aborto. Isto é, o Estado tem que garantir o aborto? Nestas circunstâncias, então, pouco importa que o Presidente ou sua mulher sejam contra: é a garantia do Estado ao aborto que matará milhares de criancinhas. E se, como disse o Presidente, “o Estado tem que dar atendimento”, então estes pequenos brasileiros já estão condenados à morte antes de nascerem, pouco importando que o Presidente seja contra ou a favor do aborto. Não é possível compreender, entretanto, como um Presidente se diz a favor do aborto e quer que o aborto seja descriminalizado no Brasil. É, no mínimo, suspeito.

Havia ainda aqueles que diziam que o Lula não era a favor da união de homossexuais. “Não, o Lula não. é coisa da Marta, do PT… Mas do Lula não…”

Novamente a aura de “santidade insuspeita” protegendo o Presidente… como se não fosse ele o mandante da Marta “relaxa-e-goza” Suplicy, ou do PT…

Mas disse o Presidente: “Temos que parar com hipocrisia, porque a gente sabe que existe. Tem homem morando com homem, mulher morando com mulher e muitas vezes vivem bem, de forma extraordinária. Constroem uma vida junto, trabalham juntos e por isso eu sou favorável. Uma coisa que me cala profundamente é porque os políticos que são contra não recusam os votos deles, porque o Estado brasileiro não recusa os imposto de renda que eles pagam? O importante é que sejam cidadãos brasileiros, respeitem a Constituição e cumpram com seu compromisso com a nação. O resto é problema deles e eu sou defensor da união civil”.

Aplausos para o Presidente.

Tem homem morando com homem, mulher morando com mulher, e tudo isso é “extraordinário” para o Presidente!

Abaixo os valores morais!

Abaixo o matrimônio e a lei natural!

O extraordinário mesmo é ter homem morando com homem e mulher morando com mulher!

E por isso o Presidente diz, agora abertamente: “Eu sou defensor da união civil de homossexuais”.

Que lástima, Presidente…

Que lástima…

Onde está a Moral, Presidente?

Onde fica a Moral?

No caixão?

Ou guardada no bolso de seu paletó, para que quando seja útil e necessária, para que quando seja atrativo de votos, possa ser vestida como uma máscara, escondendo a face da podridão e da vergonha?

Onde fica a Moral, Presidente?

Onde está a Moral?

Que a nação brasileira esteja atenta: a guerra deste Presidente e de seu governo contra a Moral e a Ética é aberta e insuspeita. Os brasileiros parem de se preocupar em demasia com a economia, adotando uma postura materialista, e dêem um pouco de atenção a questão da Moral em nosso país: o Presidente Lula e o governo do PT querem destruir os valores morais de nossa sociedade, que sustentam as famílias e a civilização. Quer destruir o que de mais caro existe ao ser humano: a ordem, a moralidade, o decoro.

E nós vamos ficar de braços cruzados, deixando que o faça?

Levantai-vos, grande nação brasileira!

Levantai-vos, que a hora é essa.

Fonte: www.veritatis.com.br

Brasil quer conceder asilo político ao italiano Cesare Battisti

Arquivado em: Noticias, Opiniões — vidanova at 8:23 am on quarta-feira, janeiro 28, 2009

Por Dom Benedicto de Ulhoa Vieira

Causou estranheza e mal-estar diplomático terem autoridades brasileiras tomado a decisão de conceder asilo político ao italiano Cesare Battisti. A grave decisão de aspecto humanitário foi originalmente tomada pelo ministro Tarso Genro e posteriormente acolhida e defendida pelo Presidente da República como “questão de soberania nacional”.

A decisão, aparentemente humanitária, não recebeu aprovação unânime nem dentro do próprio governo, como a Folha de São Paulo registrou. Não é a primeira vez que o Brasil concede asilo a pessoas condenadas no seu próprio país. Heitor Cony lembrou, na sua crônica de domingo, inúmeros casos desta benignidade brasileira, sobretudo o de Gustav Wagner que, carrasco e carcereiro na perseguição aos judeus, chegava – como relata Cony – a arrancar “crianças do colo das mães e espatifava a cabeça delas num poste”. Até a este o Brasil acolheu!

No caso recente, o que espanta não é o fato de dar refúgio a um fugitivo de país estrangeiro, mas o fato de o Governo atual ter negado asilo a dois boxeadores cubanos, que nenhum crime haviam cometido e apenas desejavam fugir da ditadura de Fidel Castro. Agora nossas autoridades concedem a graça do acolhimento político a um condenado à prisão perpétua pela justiça italiana, por quatro homicídios. Isto espanta.

A benignidade do Governo brasileiro assombrou (é esta a palavra) ao Presidente italiano Giorgio Napolitano, que, em carta ao Governo Brasileiro demonstra sua “amargura” e sua decepção. E dá o motivo desta amargura: ter o Brasil concedido “status de refugiado político” a um condenado pela Justiça italiana à prisão perpétua por quatro homicídios “com finalidades terroristas”.

Sob o ponto de vista cristão, os maiores crimes que se possa cometer, como os de Battisti, são perdoados pela bondade paterna de Deus quando há verdadeiro e profundo arrependimento com o desejo firme e sincero de emenda. Não temos como avaliar se o assassino em questão é realmente um convertido. Oxalá…

Sob o ponto de vista da Justiça humana, que o condenou, a pena recebida e não cumprida parece justificar tanto a amargura do Presidente da Itália, como o espanto de qualquer brasileiro diante da benignidade por parte das autoridades do Brasil.
Você concorda com a Justiça italiana ou com benignidade do Governo brasileiro? É livre pensar.

Dom Benedicto de Ulhoa Vieira
Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Uberaba/MG.
E-mail: benedictusvieira@netsite.com.br

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