Doze desafios da Igreja, segundo João Paulo II

Filed under: Papa João Paulo II — vidanova at 8:57 pm on quinta-feira, julho 31, 2008

Quais são os desafios que a Igreja Católica tem de enfrentar, e em particular seus bispos, neste turbulento início de século? O papa João Paulo II respondeu a esta pergunta ao receber os bispos da América Latina entre março de 2001 e fevereiro de 2003.

Ao final dos encontros que os prelados mantiveram com o papa e expoentes da Cúria Romana em sua qüinqüenal visita “ad limina apostolorum”, o pontífice entregou uma série de discursos aos bispos separados em grupos e foi analisando com eles a situação da Igreja católica atualmente.

As análises do bispo de Roma se referiam de maneira particular à vida dos católicos latino-americanos –que constituem quase a metade dos católicos do mundo.

Em uma intervenção pronunciada ante a assembléia plenária da comissão Pontifícia para a América Latina, celebrada de 24 a 27 de março no Vaticano, o arcebispo Leonardo Sandri, substituto para os Assuntos Gerais da Secretaria de Estado do Vaticano, apresentou aos cardeais e bispos presentes uma síntese dos desafios da Igreja, tal como expôs o papa.
A seguir, os doze desafios expostos pelo papa. Os textos entre aspas estão tomados literalmente da conferência de dom Sandri.

1. Anúncio de Jesus Cristo

O primeiro desafio é “anunciar a Jesus Cristo para alimentar a fé dos fiéis e fazer que os ensinamentos do Evangelho amadureçam neles, transmitindo a mensagem de Cristo em toda sua integridade e beleza, sem deixar de lado sua exigência”. Esta missão deve ser “realizada mediante a pregação da Palavra de Deus, a celebração dos sacramentos e o estímulo à caridade”.

Isso significa apresentar “antes de tudo a pessoa e missão de Cristo, único mediador entre Deus e os homens”. “O anúncio de Jesus Cristo deve ser claro e preciso, explícito e profético”.

2. Comunhão

“Só quando é claramente perceptível uma profunda convivência e unidade dos pastores entre si e com o sucessor de Pedro, como também dos bispos com seus sacerdotes, se poderá dar uma resposta confiável aos desafios que provêm do atual contexto social e cultural”, explicou dom Sandri citando intervenções do papa.

Isso implica, acrescentou, “a conservação do depósito da fé em sua pureza e integridade e a unidade de todo o Colégio dos bispos sob a autoridade do sucessor de Pedro”.

3. Sacerdotes

É “particularmente urgente uma figura de pastor que não só atende aos fiéis próximos, mas que incansavelmente vá a busca dos desorientados e afastados”.

Para isso, antes de tudo, o papa insistiu na necessidade de que os bispos mantenham com os sacerdotes uma relação “de proximidade”. “Uma grande desilusão, especialmente entre o clero jovem, é não perceber a estima do bispo”.

O papa insistiu desta forma na “formação humana, espiritual, intelectual e pastoral permanente”: “trata-se de que (os sacerdotes) apareçam sempre dotados de uma sólida espiritualidade, imitando a Cristo, Bom Pastor, e com uma bagagem intelectual que lhes faça cada dia mais idôneos para transmitir a mensagem evangélica aos homens e mulheres de hoje”.

4. Pessoas consagradas

“Os pastores da Igreja não só devem promover as vocações ao clero diocesano, mais estreitamente vinculado à sua missão, mas também à vida consagrada, assim como velar para que se respeite a identidade de cada instituto, fomentando assim mesmo entre os fiéis a estima pela vida religiosa”.

Por sua parte, os religiosos devem “manter a comunhão e o diálogo com os outros componentes do Povo de Deus, e em primeiro lugar com os próprios bispos. Devem, também, distinguir-se por um especial acatamento e obediência aos pastores da Igreja e às diretrizes da Sé Apostólica”.

 

5. Seminários

Os seminaristas “devem ser recebidos, sentir-se amados e ser convenientemente atendidos nos seminários e casas de formação mediante um processo que ajude a desenvolver a vocação e podem um dia ser servidores de Deus em benefício dos fiéis e de tantos irmãos necessitados”.

Isso exige, portanto, uma adequada “seleção dos formadores” dos seminários. Ao mesmo tempo, “a escassez de sacerdotes não justifica que se faça uma devida e exigente seleção dos candidatos, nem que diminua o nível intelectual exigido”.

6. Pastoral vocacional

“A promoção das vocações sacerdotais é tarefa de todo o povo de Deus e ninguém deve sentir-se excluído deste compromisso”.

 Para alcançar este objetivo, o papa propõe várias estratégias. As três decisivas são: “contar com famílias sadias, estáveis, fundadas nos verdadeiros valores”; “servir-se de organizações de tipo paroquial, escolar ou vinculadas aos movimentos apostólicos que sejam capazes de oferecer uma educação baseada na fé, e que proporcionem um ambiente propício para a inserção de um estilo de vida que mostre interesse pelos demais”; “o testemunho dos sacerdotes e das pessoas consagradas”.

 

7. Leigos

“É necessário um renovado convite aos seculares a participar nos âmbitos que lhes são próprios, ou seja, a inspiração cristã da ordem temporal, a defesa e promoção dos bens da família e a vida, a cultura, a economia, a política, de modo que, como cidadãos e como filhos de Deus e membros da Igreja, assumam suas responsabilidades nestes âmbitos segundo os critérios do Evangelho e a doutrina da Igreja”.

 “Os bispos devem contar com o laicato, outorgando-lhe a confiança que merecem e não recusando atribuir-lhe encargos para os que estejam capacitados”. O “florescer de movimentos e novas comunidades eclesiais” deve ser considerado “como um fenômeno esperançoso que merece especial atenção por parte dos bispos’’.

8. Família

O papa constata “uma crise generalizada e radical desta instituição fundamental”. Pelo que pede enfrentar vários desafios:

 –“A necessidade de uma sólida preparação dos que vão contrair matrimônio”.

–“Impulsionar as condições sociais, econômicas e legais que melhor salvaguardem a unidade e a estabilidade dos lares”.

–Servir a família como “um lugar privilegiado onde se vive e transmite a fé”.

– “Fazer um discernimento pastoral sobre as formas alternativas de união que hoje afetam a instituição da família, especialmente aquelas que consideram como realidade familiar as simples uniões de fato, desconhecendo o autêntico conceito de amor conjugal”.

–“Promover os movimentos e associações de espiritualidade matrimonial”.

9. Missa dominical

“Não se constrói nenhuma comunidade cristã se esta não tem sua raiz e centro na celebração da sagrada Eucaristia”. “Entre as numerosas atividades que desenvolve uma paróquia nenhuma é tão vital ou formativa para a comunidade como a celebração dominical do dia do Senhor e sua Eucaristia”.

10. O mundo da cultura (Universidades e escolas católicas)

“Em algumas ocasiões, a cultura que nos envolve nem sequer propõe a existência de Deus, simplesmente prescinde Dele”. “Para inserir a seiva nova do Evangelho na sociedade contemporânea a Igreja deve servir-se também das Universidades e escolas católicas”.

Para isso, o papa considera que “é necessário que as escolas e Universidades católicas mantenham bem definida sua própria identidade”.

11. Situação social

A Igreja “há de participar das análises das conquistas e expectativas da sociedade, tratando de interpretar à luz do Evangelho os assuntos temporais e sociais para orientar a mesma sociedade, não recusando quando seja o caso a denúncia da injustiça e propondo princípios de caráter moral que hão de orientar também a atuação da vida civil”.

Nesta obra a Igreja deve “favorecer o diálogo entre as partes interessadas em caso de conflito” e também oferecer uma atenção pastoral aos emigrantes.

12. A atenção aos pobres, aos necessitados, aos indígenas…

Após recordar que “amando os pobres o cristão imita as atitudes do Senhor”, o papa propõe:

–”Manter a voz profética diante do perpetuar das situações de discriminação”.

–”Orientar a criatividade para a busca de meios e atividades, por parte de todos e cada um na construção de seu próprio porvir”.

–”A Igreja não pode conformar-se com a busca de um simples bem-estar ou comodidade de vida, mas deve promover o bem integral da pessoa, o respeito à verdadeira dignidade de cada ser humano, o qual implica o respeito aos direitos humanos fundamentais e do sentido de responsabilidade, solidariedade e cooperação para construir um mundo melhor para todos”.

Nota da Redação: As intervenções do papa em sua língua original (castelhano e português) podem ser consultadas em “Discursos do Santo Padre João Paulo II aos bispos de América Latina em visita ad \”Limina Apostolorum Petri et Pauli\”, 2001-2003”, livro editado pela comissão Pontifícia para América Latina (pcal@latinamer.va).

Fonte: ZENIT

Missa presidida por Bento XVI lembra o 3º ano da morte de JPII

Filed under: Papa João Paulo II,Santa Sé — vidanova at 9:20 am on quinta-feira, abril 3, 2008

Rádio Vaticano

Na presença de cerca de 40 mil fiéis e peregrinos, Bento XVI presidiu, na manhã desta quarta feira, na Praça de São Pedro, uma Celebração Eucarística no terceiro aniversário da morte de João Paulo II.

Com o Papa concelebraram os cardeais Ângelo Sodano, decano do Colégio cardinalício e ex-secretário de estado, e João Batista Re, prefeito da Congregação dos Bispos e ex substituto da Secretaria de Estado. Entre as dezenas de cardeais e bispos que participaram na celebração encontravam-se os colaboradores mais íntimos de JPII, como o vigário do Papa para a Diocese de Roma, Cardeal Camilo Ruini e seus dois secretários: Dom Estanislau, hoje cardeal arcebispo de Cracóvia e D. Mietek, hoje bispo coadjutor de Leopolis dos Latinos.

“A única esperança para o homem está na misericórdia de Deus”. Palavras de João Paulo II evocadas pelo seu sucessor na homilia da Missa.

Toda a vida de João Paulo II, especialmente o seu ministério petrino, pode ser lido sob o signo de Cristo Ressuscitado, sublinhou Bento XVI. As palavras do anjo da ressurreição “Não tenhais medo!” constituíram, uma palavra de ordem, assente não nas forças humanas, mas unicamente na Cruz e na Ressurreição de Cristo.

O Papa começou lembrando a comoção de todo o mundo, há três anos, diante da morte do servo de Deus João Paulo II. Ao longo de diversos dias, recordou, a basílica e a Praça de São Pedro “foram verdadeiramente o coração do mundo”, com “um caudal ininterrupto de peregrinos” para prestar homenagem ao despojos do venerado Pontífice. Há poucos dias da celebração da Páscoa, o coração da Igreja encontrava-se ainda profundamente imerso no mistério da Ressurreição do Senhor.
 
“Na verdade, podemos ler toda a vida do meu amado predecessor, em particular o seu ministério petrino, sob o signo de Cristo Ressuscitado. N’Ele nutria uma fé extraordinária, com Ele se detinha em conversação íntima, singular e ininterrupta. Entre as tantas qualidades humanas e sobrenaturais, tinha também a de uma excepcional sensibilidade espiritual e mística”.

“O seu Não tenhais medo não se baseava nas forças humanas, nem nos sucessos obtidos, mas unicamente na Palavra de Deus, na Cruz e na Ressurreição de Cristo. À medida que ia sendo despojado de tudo, até mesmo da sua própria palavra, foi aparecendo com crescente evidência o seu confiar-se a Cristo. Como aconteceu a Jesus, também para João Paulo II no final as palavras deram lugar ao extremo sacrifício, ao dom de si. E a morte foi o sigilo de toda uma existência dada a Cristo, a Ele conformada mesmo fisicamente nas marcas do sofrimento e do abandono confiante nos braços do Pai celeste”.

Entre os muitos fiéis presentes na Praça de São Pedro, nesta Missa de sufrágio por João Paulo II, encontravam-se umas sete mil pessoas que participam nestes dias no I Congresso Mundial sobre a Divina Misericórdia. Bento XVI sublinhou que “a misericórdia de Deus é uma privilegiada chave de leitura do pontificado” do Papa Wojtyla. “Ele queria que o mensagem do amor misericordioso de Deus chegasse a todos os homens e exortava os fiéis a testemunhá-la”.

“O servo de Deus João Paulo II tinha conhecido e vivido pessoalmente as imensas tragédias do século XX e por muito tempo se interrogou o que é que poderia deter a maré do mal. A resposta não podia encontrar-se senão no amor de Deus.
De fato só a Divina Misericórdia está em condições de colocar um limite ao mal; só o amor onipotente de Deus pode derrotar a prepotência dos malvados e o poder destrutivo do egoísmo e do ódio”.

Foi por isso que, durante a sua última visita à Polónia, regressando à sua terra natal, ele fez questão de afirmar que “não há para o homem outra fonte de salvação senão a misericórdia de Deus”.