“Salvem a criança, pois tem o direito de viver e ser feliz!”

Filed under: Bioética,Espiritualidade,Santos — vidanova at 7:47 am on sexta-feira, maio 8, 2009

Neste mês de maio, mês em que celebramos o dia das mães, também trouxemos para vocês um pouco da história da Santa Gianna Beretta Molla. Esta mulher, filha de Deus, esposa e mãe que deu a sua vida para que sua filha tivesse o direito de viver…

Gianna Beretta Molla, o décimo segundo filho do casal Alberto Bereta e Maria de Micheli, ambos da Ordem Terceira Franciscana, nasceu em Magenta (Milão,Itália), no dia 4 de outubro de 1922, dia de São Francisco. Desde sua primeira juventude, acolhe plenamente o dom da fé e a educação cristã, recebidas de seus ótimos pais. Esta formação religiosa ensina-lhe a considerar a vida como um dom maravilhoso de Deus, a ter confiança na Providência e a estimar a necessidade e a eficácia da oração.

 No dia 4 de abril de 1928, com cinco anos e meio, fez a Primeira Comunhão. Desde esse dia, mesmo muito pequena, todos os dias acompanhava sua mãe à Santa Missa. Foi Crismada dois anos depois na Catedral de Bérgamo.

 Durante os anos de estudos e na Universidade, enquanto se dedicava diligentemente aos seus deveres, vincula sua fé com um compromisso generoso de apostolado entre os jovens da Ação Católica e de caridade para com os idosos e os necessitados nas Conferências de São Vicente. Formou-se com louvor em medicina e cirurgia em 30 de novembro de 1949 pela Universidade de Pavia (Itália), em 1950 abre seu consultório médico em Mêsero (nos arredores de Milão). Entre seus clientes, demonstra especial cuidado para as mães, crianças, idosos e pobres.

  Especializou-se em Pediatria na Universidade de Milão em 1952, mas freqüentou a Clínica Obstétrica Mangiagalli, pois por seu grande amor às crianças e às mães pretendia unir-se ao seu irmão, Padre Alberto, médico e missionário no Brasil que, com a ajuda do seu outro irmão engenheiro, Francesco, construíram um hospital na cidade de Grajaú, no Estado do Maranhão. A Beata Gianna, por sua saúde frágil, foi desaconselhada pelo Bispo Dom Bernareggi em vir ao Brasil.

 Enquanto exercia sua profissão médica, que a considerava como uma “missão”, aumenta seu generoso compromisso para com a Ação Católica, e consagra-se intensivamente em ajudar as adolescentes. Através do alpinismo e do esqui, manifesta sua grande alegria de viver e de gozar os encantos da natureza. Através da oração pessoal e da dos outros, questiona-se sobre sua vocação, considerando-a como dom de Deus. Opta pela vocação matrimonial, que a abraça com entusiasmo, assumindo total doação “para formar uma família realmente cristã”.

 Em 1954 conheceu o engenheiro Pietro Molla. Noivaram em 11 de abril de 1955. Prepara-se ao matrimônio com expansiva alegria e sorriso. Na basílica de São Martinho, em Magenta, casa aos 24 de setembro de 1955, tendo a cerimônia sido presidida por seu outro irmão Padre Giuseppe. Transforma-se em mulher totalmente feliz. Em novembro de 1956, já é a radiosa mãe de Pedro Luís (Pierluigi); em dezembro de 1957 de Mariolina (Maria Zita) e, em julho de 1959, de Laura. Com simplicidade e equilíbrio, harmoniza os deveres de mãe, de esposa, de médica e da grande alegria de viver.

 Na quarta gravidez, aos 39 anos em setembro de 1961 no final do segundo mês de gravidez, vê-se atingida pelo sofrimento e pela dor. Aparece um fibroma no útero. Três opções lhe foram apresentadas: retirar o útero doente, o que ocasionaria a morte da criança, abortar o feto, ou a mais arriscada, submeter-se a uma cirurgia de risco e preservar a gravidez. Antes de ser operada, embora sabendo o grave perigo de prosseguir com a gravidez, suplica ao cirurgião “Salvem a criança, pois tem o direito de viver e ser feliz!”, então, entrega-se à Divina Providência e à oração. Submeteu-se à cirurgia no dia 6 de setembro de 1961. Com o feliz sucesso da cirurgia, agradece intensamente a Deus a salvação da vida do filho. Passa os sete meses que a distanciam do parto com admirável força de espírito e com a mesma dedicação de mãe e de médica. Receia e teme que seu filho possa nascer doente e suplica a Deus que isto não aconteça.

 Alguns dias antes do parto, sempre com grande confiança na Providência, demonstra-se pronta a sacrificar sua vida para salvar a do filho: “Se deveis decidir entre mim e o filho, nenhuma hesitação: escolhei – e isto o exijo – a criança. Salvai-a”. Deu entrada, para o parto, no hospital de Monza, na sexta-feira da Semana Santa de 1962. Na manhã do dia seguinte, 21 de abril de 1962, nasce Gianna Emanuela. Apenas teve a filha por breves instantes nos braços. Apesar dos esforços para salvar a vida de ambos, na manhã de 28 de abril, em meio a atrozes dores e após ter repetido a jaculatória “Jesus eu te amo, eu te amo” morre santamente. Tinha 39 anos. Seus funerais transformaram-se em grande manifestação popular de profunda comoção, de fé e de oração. A Serva de Deus repousa no cemitério de Mêsero, distante 4 quilômetros de Magenta, nos arredores de Milão (Itália).

 “Meditata immolazione” (imolação meditada), assim Paulo VI definiu o gesto da Beata Gianna recordando, no Ângelus dominical de 23 de setembro de 1973, “uma jovem mãe da Diocese de Milão que, para dar a vida à sua filha sacrificava, com imolação meditada, a própria”. É evidente, nas palavras do Santo Padre, a referência cristológica ao Calvário e à Eucaristia.

 O milagre da beatificação aconteceu no Brasil, em 1977, na cidade de Grajaú, no Maranhão, naquele hospital onde queria ser missionária, onde foi beneficiada uma jovem que tinha dado à luz.

 Foi Beatificada pelo Papa João Paulo II, em 24 de abril de 1994 no Ano Internacional da Família, tendo sido considerada esposa amorosa, médica dedicada e mãe heróica, que renunciou à própria vida em favor da vida da filha, na ocasião da gestação e do parto.

São José é exemplo perante sociedade consumista do século XXI

Filed under: Santos — vidanova at 8:28 am on segunda-feira, março 16, 2009

O Administrador Apostólico de Valência, Cardeal Agustín García-Gasco, afirmou que São José é modelo de virtudes ante a sociedade consumista do século XXI, que não compreende que o sofrimento vivido com esperança nos prepara “o caminho para um gozo superior”.
“A vida das pessoas está tecida por momentos de todo tipo. Ninguém escapa ao sofrimento. Não é realista conceber a própria existência como um caminho isento de desigualdades”, expressou o Cardeal, quem criticou à sociedade mercantilista e orientada ao consumismo.
“A chamada sociedade do bem-estar resulta ser uma ilusão, uma promessa falsa que torna mais dura a queda. O ensinamento de são José no século XXI é nos animar a considerar que as dores vividas com esperança preparam o caminho para um gozo superior”, indicou.
Em sua recente carta semanal, o Cardeal García-Gasco chamou os católicos a seguir o exemplo de São José, cuja vida o faz “modelo de respeito profundo à dignidade da pessoa”, de proteção do matrimônio e da vida. “José, como pai adotivo, aprende a reconhecer que os filhos não são propriedade de seus pais. Os filhos têm uma missão na vida e na história que os pais têm que aprender a respeitar com alegria”, afirmou.
Do mesmo modo, assinalou que o pai adotivo de Jesus é também “modelo de escuta da vontade de Deus e de liberdade religiosa”, pois quando compreende que Maria e seu Filho “vão ter que sofrer pela salvação do mundo, aceita que há uma ordem superiora na compreensão das coisas que está por cima de qualquer consideração humana. Se deve obedecer a Deus antes que aos homens”.
O íntegra pode ler-se em: http://www.archivalencia.org/contenido.php?pad=81&modulo=42&id=1450&v=41&id_autor=2

Fonte: ACI Digital

Santíssima Trindade segundo São João da Cruz

Filed under: Conheça Mais,Doutrina,Santos — vidanova at 10:15 am on quinta-feira, fevereiro 5, 2009

São João da Cruz é poeta, capta a função da beleza das palavras. É poeta místico, centrado na união da alma com o seu Amado. Deus no homem e o homem em Deus. Simples união em que a alma “fica transformada em Deus por amor” (2 livro da Subida do Monte Carmelo 5,3).

Deus não se pode ser compreendido racionalmente. Por isso os místicos são aqueles que falam do mistério da Trindade com mais propriedade, pois fazem profunda experiência de Deus. Escreve Unamuno que, “os místicos raras vezes dão idéias sobre seu Senhor, porque não é simplesmente pensam sobre Deus, as porque vivem n’ Ele. Vivem em Deus, o que é mais pensá-lo, senti-lo ou querê-lo. A oração deles não é algo que se destaca e se separa dos outros atos da vida, nem precisam recolher-se para faze-la porque a vida deles é oração. Oram vivendo” .

O distintivo da mística está no amor a Deus, com tudo o que a palavra amor implica. Por isso, a Igreja, como construtora da civilização do amor, deve ser formada por ” místicos” , ou seja, é uma ” comunidade que está composta por homens reunidos em Cristo e são dirigidos pelo Espírito Santo em sua peregrinação rumo à casa do Pai” (Gaudium et Spes 1).

O Concílio Vaticano II, fundamenta a Igreja na família trinitária do Pai, Filho e Espírito Santo. A Igreja não é mera instituição humana. É comunidade de amor de Deus com os homens e dos homens com Deus.

São João da Cruz, canta na estrofe da chama viva de Amor: ” oh! Catutério suave! oh! Regalada chaga! Mão branda! oh! Toque delicado…”

A queimadura suave de amor produz “a chaga de amor suave e assim, será regalada suavemente” . O próprio Doutor Místico declarará: “Nestes versos dão a entender à alma, como a três pessoas da Santíssima Trindade, são os que fazem esta divina obra de união. O cautério (fogo) é o Espírito Santo, a mão é o que o Pai, é o toque delicado com que me tocaste e me chagaste na força de teu mistério” (2 livro da Chama viva de amor, 16).

No livro “Cântico Espiritual”, São João da Cruz afirma que ” o Verbo Filho de Deus, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, essencial e presencialmente escondido no íntimo ser da alma. Para achá-lo deve, portanto, sair de todas as coisas segundo a inclinação e a vontade e entrar em sumo recolhimento dentro de si mesma” (Cântico Espiritual 1,6).

A Trindade é o modelo ou protótipo de toda a criação. Em tudo encontramos a marca da presença trinitária. O Pai criador de todas as coisas e mantém a essência e existência de todo o criado. O Verbo, Filho de Deus, modelo do homem novo, novo Adão, o Unigênito de nova humanidade, espiritualmente recriada, ressuscitada. O Espírito Santo é o Artífice do Reino, o Santificador, o fogo que ilumina, aquece e transforma tudo segundo o Eterno desígnio do Pai.

Há três espécies da presença de Deus na alma, segundo São João da Cruz, ou seja, “a primeira (presença natural) é por essência: desta maneira Ele está presente não só nas almas boas e santas, mas também nas más e pecadoras, assim como e todas as criaturas.

A Segunda (presença espiritual) é pela graça, em que Deus habita na lama, satisfeito e contente com ela; nem toda gozam desta espécie de presença, pois as que estão em pecado mortal perdem-na; e a alma não pode saber naturalmente se a possui.

A Terceira (presença afetiva) é por afeição espiritual, e em muitas almas piedosas, costuma Deus conceder algumas manifestações espirituais de sua presença por diversos meios, a fim de proporcionar-lhes consolação, deleite e alegria.

Essas presenças são também, como todas as outras, encobertas; nelas Deus não se mostra tal qual é…” (Cântico 11,3).

Podemos, analogicamente, atribuir ao Pai a presença natural, ao Filho a presença espiritual, sobretudo, através do seu Corpo místico que é a Igreja, sacramento de salvação e ao Espírito santo a presença afetiva, que nos faz saborear interiormente a ação de Deus.

Podemos vislumbrar as conseqüências destas modalidades de presença de Deus na vida da Igreja, por exemplo, na liturgia, nas atividades pastorais, na reflexão teológica, na família, nas relações sociais, além, obviamente, de percebê-la na nossa vida pessoal.

Que os escritos de São João da Cruz nos ajudem a entrar ciranda da trindade Santa e cantar eternamente a formosura do nosso Deus sumamente amado.

6.1 Romances Cristológicos e Trinitários

Como amado no amante
um no outro residia,
e esse amor que os une,
no mesmo coincidia
com o de um e com o de outro
em igualdade e valia.
três pessoas e uma amado
entre todos três havia;
e um amor em todas elas
e um só amante as fazia,
e o amante é o amado
em que cada qual vivia;
que o ser que os três possuem,

Cada qual deles o possuía,
e cada qual deles ama
à que este ser recebia.

Este ser é cada uma
e este só as unia
num inefável abraço
que se dizer não podia.
pelo qual era infinito
o amor que os unia,
porque o mesmo amor três têm,
e sua essência se dizia;
que o amor quanto mais uno,
tanto mais amor fazia

 

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por Frei Rubens de Servilha Carmelita Descalço
site:www.carmelo.com.br

São Braz

Filed under: Santos — vidanova at 12:27 pm on terça-feira, fevereiro 3, 2009

Em Latin S.Blasius, em Catalão Blai, em Francês Blaise, em Espanhol Blas. São Braz ficou famoso porque retirou de uma criança, sem nenhum instrumento um espinho que o mesmo tinha na garganta. Por isso é considerado padroeiro das doenças da garganta e no dia de sua festa, 3 de fevereiro, nas cidades da Espanha e algumas do interior do Brasil, as mães levam os filhos para benzerem a garganta.

Morreu em 316, foi bispo de Sebaste na Armênia .Quando as perseguições começaram sob o Imperador Dioclecius (284-305), Braz fugiu para uma caverna onde ele cuidou dos animais selvagens Anos mais tarde, caçadores o encontraram e o levaram preso para o governador Agricolaus, da Capadócia na Baixa Armênia, durante a perseguição do então Imperador Licinius Lacinianus (308-324). Braz foi torturado com ferros em brasa e depois foi decapitado. O costume de abençoar as gargantas no seu dia continua até hoje e em alguns locais são usadas nas cerimonias comemorativas e velas. As velas são usadas porque a mãe do menino curado por São Braz, levou para ele velas na prisão.Muitos eventos miraculosos são mencionados nos estudos sobre São Braz e ele muito venerado na França e Espanha.

Suas relíquias estão em Brusswick,Mainz, Lubeck, Trier e Cologne na Alemanha. Na França em Paray-le-Monial.Em Dubrovnik na antiga Iugoslávia e em Roma, Taranto e Milão na Itália.
Na liturgia da Igreja Católica São Braz é mostrado com velas nas mãos e em frente a ele, uma mãe carregando uma a criança com mão na garganta, como pedindo para ele cura-la. Daí se originou a benção da garganta no seu dia. Alguns interpretam como sendo uma mãe pedindo a benção de São Braz para a garganta do filho.

Após se tornar um bispo, durante a perseguição dos cristãos recebeu uma mensagem Divina para se esconder nas colinas para escapar. Os homens que o caçavam descobriram um caverna cercada de animais selvagens que estavam doentes. Dentro da caverna estava São Braz, que andava entre eles, sem que os animais o atacassem. Reconhecido como bispo foi levado para julgamento. No caminho de volta ele convenceu o um lobo a soltar um porco que pertencia a uma camponesa. A sentença foi para que morresse vagarosamente de fome na prisão.
Duas mulheres o visitaram na prisão. A do porco que levava de uma maneira muito engenhosa comida para ele, e a outra a do menino que levava velas.

Lá pelas tantas, como São Braz não parecia definhar de fome, o governador mandou decapita-lo.
Ele é padroeiro dos animais selvagens.

É padroeiro dos Veterinários junto com Santo Egídio.

A benção das gargantas é feito da seguinte forma: Duas velas são abençoadas, e seguras ligeiramente abertas e comprimidas de encontro a garganta do doente e a benção então é pronunciada.

Sua festa é celebrada no dia 3 de fevereiro

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por
site:www.cademeusanto.com.br

 

Santo Tomás de Aquino

Filed under: Liturgia,Santos — vidanova at 8:32 am on quarta-feira, janeiro 28, 2009

São Tomás de Aquino, Dominicano italiano, doutor da Igreja (Roccasecca, Aquino, 1224 ou 1225 – Fossanova, Tarracina, 7.3.1274). É o teólogo mais representativo da escolástica cristã e, por isso mesmo, eminente testemunha do renascimento cultural do séc. XIII.

1. Vida.
Nasceu no norte de Nápoles e fez os primeiros estudos no vizinho Mosteiro de Monte Cassino, bastião da cultura e símbolo do regime feudal, que começava a ser fortemente abalado. Continuou a formação na Universidade de Nápoles, recém-fundada, e na qual já se estudavam as últimas novidades, numa primeira iniciação à ciência árabe e à razão grega. Foi aí que se decidiu o futuro do jovem estudante: entrou na ordem dos Frades Pregadores, recentemente fundada por Domingos de Gusmão no Sul da França e da qual acabara de chegar a Nápoles um pequeno grupo (1231). O significado deste passo fica manifesto com a viva oposição da família, que fez prender o noviço quando se dirigia a Paris: não se tratava de conflito afetivo, mas ruptura do jovem com o seu meio tradicional, a fim de se empenhar nas instituições e na cultura de um mundo novo. Se ficasse em Monte Cassino, não teria existido Tomás de Aquino: a Universidade de Paris é que será o lugar fecundo do seu pensamento e da sua teologia. Com efeito, toda a vida de Tomás de Aquino vai desenrolar-se no seio desta instituição superior, em Paris, Colônia, Roma e Nápoles.

Tendo estudado em Paris (1245-1248), sob a direção de Alberto Magno, titular de uma das duas cátedras do colégio universitário do Convento de S. Tiago, e depois em Colônia, também com Alberto Magno, organizador da nova faculdade (1248-1252), Tomás de Aquino regressou a Paris para aí seguir a carreira de professor até atingir, muito cedo, o grau de mestre (1256) e a habilitação para dirigir uma das duas escolas do referido colégio. Daí partiu para Itália, onde ensinou em diversas cidades, regressando em 1268 a Paris, onde o chamava o mais vivo debate sobre os problemas do tempo – natureza do homem e relação da fé com a cultura –, problemas que eram então discutidos com um entusiasmo comparável às grandes horas do Quatrocentos em Florença e Pádua. Em 1272 foi chamado a Nápoles, onde Carlos de Anjou se propunha revitalizar a universidade. Morre durante a viagem para o Concílio de Lyon (1274), para o qual tinha sido convocado como perito.

2. Características da sua obra.
 a) Evangelismo. A entrada de Tomás de Aquino para os Frades Pregadores inseria-o no movimento de renovação evangélica que se desenvolvia na Igreja havia já cerca de um século, graças às fundações de Pedro Valdo, Francisco de Assis, Domingos de Gusmão. Como sempre sucede, este retorno ao Evangelho punha em causa as instituições estabelecidas, comprometidas com o regime feudal, outrora benéfico mas claramente inapto para satisfazer as necessidades de uma humanidade em transformação material e cultural. Em contraste com os monges, as ordens mendicantes encontravam-se em perfeita sintonia com o mundo novo, a ponto de adoptarem as suas instituições democráticas e de se instalarem nas cidades e não já longe do mundo, nas montanhas ou vales. Deste modo, e paradoxalmente, este despertar evangélico conferirá à teologia de Tomás de Aquino uma criatividade que o levará a afrontar, não sem riscos mas com magnanimidade, a nova cultura, no momento em que entram em circulação as obras da antiguidade greco-latina, que vão alimentar os espíritos e fornecer-lhes novos métodos. Contudo, Tomás de Aquino não é, primariamente, o discípulo de Aristóteles, mas o filho espiritual de S. Domingos, a quem chamavam vir evangelicus.

b) A razão teológica. Desde a renascença carolíngia, no séc. IX, que o pensamento cristão recorria às obras da Antiguidade; mas lia-as e compreendia-as apenas no quadro estreito das sete Artes Liberais, que constituíam a enciclopédia do Baixo Império Romano. A gramática e a lógica não podiam ser senão instrumentos da leitura da Bíblia. Com a renascença – dos sécs. XII e XIII, e todo o legado antigo que inunda os espíritos, graças a traduções cada vez mais numerosas, feitas diretamente a partir dos textos gregos, ou através das versões árabes. Tomás de Aquino organiza todo este caudal em torno de dois eixos: a sua teologia constrói-se à luz de uma ativa confiança na razão e em constante referência à natureza. Logos e phusis: tais são as categorias dentro das quais se desenvolve a concepção grega do mundo e do homem; serão as duas dimensões da inteligência e da fé do cristão, que encarna a Palavra de Deus na teia do espírito e nas causalidades da natureza. Optimismo que surpreende a muitos e foi logo desde o início contestado, sob a influência dominante da teologia de Sto. Agostinho, muito mais sensível à miséria do homem e à fraqueza da razão e polarizada por uma referência necessária às «idéias» divinas, não sem prejuízo para as realidades terrenas. Era precisamente isto que estava em jogo nas controvérsias que levaram Tomás de Aquino a Paris, numa crise cujo alcance não se pode reduzir a uma simples disputa entre professores.

 Já no séc. XII, Abelardo tinha aplicado metodicamente aos textos bíblicos os processos da dialéctica – técnica profana como nenhuma outra –, ao tempo mais prestigiada, na cultura, do que a gramática e a retórica. Esta audácia tinha escandalizado S. Bernardo, para quem a comunhão no mistério de Deus excluía qualquer curiosidade intemperante, e cuja famosa diatribe contra as escolas de Paris manifestava a rejeição de uma tal curiosidade institucionalizada. Com a leitura das obras de Aristóteles, tornado «compreensível aos latinos» (como o tinha desejado Alberto Magno), a empresa assumia uma dimensão temível, na medida em que os Analíticos forneciam não apenas um aperfeiçoamento instrumental, mas apresentavam em todo o seu rigor a exigência racional do espírito, comandada pelas regras da evidência e da demonstração, com o objectivo de descobrir as «razões» das coisas. Isso equivalia a condenar a fé, certeza sem evidência, impenetrável às razões, e reduzi-la à desprezível debilidade das «opiniões». Mais: juntamente com esta epistemologia referida, os filósofos gregos procuravam uma visão do mundo e do homem, num saber físico e metafísico – visão estranha à história sagrada e que entrava em competição com os próprios objetos desta. Nunca até então o crente e o teólogo tinham sido assim confrontados com a racionalidade científica, a sua densidade humana e a sua sedução, precisamente no momento em que os progressos técnicos faziam passar o homem de uma economia rudimentar de subsistência agrária para a civilização urbana, com a produção organizada das corporações, com a economia dos mercados e uma exaltada sensibilidade comunitária. As gerações novas, tanto no mundo como entre os clérigos, reagiam contra a mística do desprezo das realidades terrenas, experimentavam a verdade racional do domínio do mundo. A filosofia de Aristóteles estruturava desde dentro esta promoção da inteligência.

A própria techné era uma via de acesso à verdade; as artes mecânicas eram forças de humanização no cosmos. Deste modo, ultrapassava-se a velha disputa dos universais, já de si muito sugestiva, e elaborava-se, em perfeita coerência, uma metafísica do saber e do mundo. Para medir a intensidade desta descoberta da razão e discernir os riscos que então correu a fé, é preciso vê-los em ação na posição do filósofo Averróis (m. 1198), o comentador por excelência de Aristóteles, cujas obras entraram nesta altura nas escolas parisienses e se encontram na mesa de trabalho de Tomás de Aquino Não parece poder-se duvidar da sinceridade da fé corânica do cadi de Córdova; no entanto, como discípu­lo lúcido e declarado do Estagirita, crê na verdade da razão, em todos os domínios em que esta se exerce e pode exercer. Ele é profundamente «racionalista», o que explica a viva oposição que encontrou entre os seus correligionários e no Ocidente cristão, todas as vezes que procede como tal, até em plena Renascença italiana. A controvérsia gira em torno da solução que propõe, opondo entre si a fé e a razão, fontes de «duas verdades» diferentes e, no seu limite, inconciliáveis. Apesar de usarem os mesmos vocábulos, nem o método, nem a medida, nem o objecto são comuns. A autonomia da razão não é compatível com a obediência da fé, com o projecto da esperança e com a subjectividade do amor. A oposição entre estes dois saberes parece irreconciliável, a ponto de as forças de um constituírem as debilidades do outro. Quem puser em prática a ambos, não poderá encontrar a unidade da sua inteligência. Podem chegar a contradizer-se, por exemplo, a propósito do destino da alma, a qual é imortal para o crente, mas, segundo a análise do filósofo puro, morre com o corpo ao qual está substancialmente unida. Enunciada de modo abrupto, esta tese é desconcertante. E, com efeito, ela desconcertou os teólogos em Paris, Roma, Nápoles e Colónia.

 É evidente que o fiel não pode admitir um tal dualismo, pois atribui ao mesmo Deus criador as verdades da razão e a revelação do mistério. Por outro lado, a especificidade dos dois domínios, cujas diferenças o cristão experimenta, não pode nem deve ser reduzida ao universalismo dos saberes e ao subjetivismo da crença, ao universalismo da ciência e à incomunicável interioridade da fé, a uma certeza e à comunhão de um testemunho. Foi precisamente nesta linha de tensão que se inscreveu a tese de um jovem mestre da Faculdade das Artes de Paris, Siger de Brabante, seguido por alguns dos seus colegas. Tomás de Aquino, regressado por então de uma longa estada em Itália (1259-1266), opõe-se vivamente, tanto às teses averroístas de Sigério, como à sua interpretação de Aristóteles. Esta oposição não impedirá Dante de colocar Sigério entre os 12 «luminares» do quarto céu do seu Paraíso, nem de pôr na boca de Tomás de Aquino o famoso elogio: «da eterna luz de Sigério, o qual ensinando na Rua du Fouarre, silogismou verdades inoportunas…» Com estes versos enigmáticos, Dante, partidário da separação dos poderes, assinalava entre os grandes espíritos o mestre peripatético que proclamava a autonomia da razão. Quando Tomás de Aquino morreu, os mestres de Artes da Universidade de Paris solicitaram a honra de conservar-lhe o corpo. Este comovente pedido exprime a estima e reconhecimento por um teólogo que, ao contrário de muitos outros, tinha compreendido o valor das ciências profanas e as exigências das suas razões. Esta sadia racionalidade da fé, obtida graças à intrepidez da graça evangélica, dá à teologia o seu estatuto e manifesta a sua coerência cultural com essa idade da razão que foi, no Ocidente, o período de 1190 a 1270. Desta era, a das catedrais góticas e das sumas de teologia, Tomás de Aquino foi o doutor, ou melhor, o profeta.

c) A pedagogia escolástica. É neste período que radica e se desenvolve a teologia chamada «escolástica», por ser elaborada nas escolas, mas, mais profundamente, porque encontra a sua forma literária e a sua pedagogia neste uso orgânico da razão. É assim que se apresentam os textos de Tomás de Aquino, cujo estilo se tornou estranho ao homem de hoje. Com efeito, as obras de Tomás de Aquino repartem-se pelos diversos planos de um ensino que vai da leitura dos textos fundamentais de cada disciplina à controvérsia pública. A primeira zona, a lectio, dedica-se à interpretação literária e conceitual, quer se trate da Escritura, para o teólogo, quer de obras dos filósofos, tais como Aristóteles, Platão, Boécio ou o Pseudodionísio. Trata-se de uma leitura totalmente diferente da leitura piedosa, a meditatio, que constituíra até então, salvo excepções, a trama da teologia monástica e mesmo a das grandes obras dos Padres da Igreja. Seguidamente, como resultado de uma investigação mais rigorosa e crítica, surge a questão do conteúdo desses textos, de que nascem as quaestiones como forma literária da dialéctica. Num estádio posterior, e devido a divergência das interpretações e soluções, organiza-se a «disputa», quaestio dísputata, acto universal por excelência. As Quaestiones Disputatae são a grande obra de Tomás de Aquino. Finalmente, duas vezes por ano, em sessões solenes, havia uma disputa de um gênero especial, nas quais a iniciativa da discussão não vinha do professor, que escolhia determinado assunto, e sobre um assunto previamente escolhido e anunciado, mas da assembleia dos assistentes, que lançavam para a discussão, ao sabor da sua vontade e capricho, os problemas mais variados. Tomás de Aquino manteve em Paris 12 disputas de quodlibet. Foi à margem da docência que Tomás de Aquino redigiu as suas duas sumas: a Summa contra Gentiles (1259­-1264), análise crítica das filosofia e teologia anteriores, e, mais tarde, a Summa Theologica (1267-1274), cujo alcance prestigioso se mede mais pelas articulações da concepção cristã do mundo e do homem do que pelas determinações particulares dos problemas abordados. A unidade de trabalho e de redação é o «artigo», esquema reduzido da questão disputada e seus diversos elementos. De um extremo ao outro da obra, é uma empresa de conceptualização na qual entram em jogo as opções religiosas e filosóficas mais pessoais.

d) A Natureza. Estava na lógica deste racionalismo reconhecer as leis da natureza a sua consistência própria, mesmo na vida da graça; porque existe uma phusis, com a necessidade das suas leis, e que a ciência se pode construir num logos. Esta é a coerência de toda a Renascença, tanto da do séc. XIII como da do Quattrocento. Tomás de Aquino afasta assim a tentação de sacralizar as forças da natureza, numa sensibilidade ingênua ao maravilhoso e num recurso infantil à providência de Deus. É todo um mundo sobrenatural, que projectava a sua luz sobre as coisas e os homens, através da arte românica e dos costumes sociais, que se apaga nas imaginações: será por outras vias que a natureza, descoberta na sua realidade profana, tomará o seu valor religioso, e conduzirá a Deus. Será ainda a filosofia grega – a do Timeu de Platão e da Física de Aristóteles – que é utilizada para estabelecer a inteligibilidade do cosmos. Mas o recurso à Antiguidade vai muito além de uma simples curiosidade acadêmica; inscreve-se num naturalismo que penetra tudo, nos espíritos, nos costumes, nas artes, na conduta política. João de Meung, esse perfeito burguês das novas cidades e vizinho de Tomás de Aquino na Rua de S. Tiago em Paris, manifesta no seu Roman de la Rose (c. 1270) o mais cru realismo, tanto na observação do universo físico como na descrição das leis da procriação. A Ars amandi de Ovídeo é difundida em inúmeros manuscritos, e André de Chapelain, no seu De Deo amoris (1180), adapta para o grande público as suas refinadas receitas. Por seu lado, a renascença do direito romano oferece estruturas às aspirações que levam as novas gerações a organizar a sociedade e até o Estado, para além de um paternalismo ultrapassado, segundo os processos jurídicos da justiça, em vez do recurso místico às ordálias e aos juízos de Deus. Estas descobertas da natureza e da sociedade não deixavam de exercer uma sedução que ameaçava tanto a liberdade do homem como a providência de Deus e, mais ainda, a gratuitidade da graça. Na sua teologia da criação e do governo divino, Tomás de Aquino dá intelegibilidade a estes altos valores cristãos, na linha de Sto. Agostinho; mas, ao contrário deste, preserva a autonomia da natureza e da liberdade. «Tirar qualquer coisa da perfeição da criatura é diminuir a perfeição da potência criadora.» Axioma metafísico, mas também princípio místico, que constitui a chave da espiritualidade de Tomás de Aquino.

e) O homem. É na lógica desta filosofia do mundo que se desenvolve uma filosofia do homem, natureza na grande Natureza e, segundo o termo grego em voga, «microcosmo». Também aqui, Tomás de Aquino defronta a opinião comum do seu tempo, a qual, devido ao pendor de um espiritualismo alimentado de platonismo, tendia a depreciar o lugar e papel da matéria no ser do homem e no destino do universo. O mundo material, na sua esfera física e biológica, apenas aparecia como uma espécie de palco onde se jogava a história das pessoas espirituais, da sua cultura e da sua salvação ou condenação. Esse palco permanecia insensível ao acontecer espiritual, e a história da natureza só por acaso era o teatro dessa história espiritual. Na história da natureza, o homem seria um estranho, cuja verdadeira pátria estava para além deste mundo, num reino de puro espírito, enquanto a história da natureza seguiria imperturbavelmente o seu férreo caminho. Tomás de Aquino, pelo contrário, observa a inclusão da história da natureza na história do espírito, ao mesmo tempo que acentua a importância da história do espírito para a história da natureza. Ontologicamente, o homem encontra-se situado na junção de dois universos como «horizonte do corporal e do espiritual» nele se realiza, para além das distinções, uma homogeneidade intrínseca do espírito e da matéria. Aristóteles fornece a Tomás de Aquino as categorias necessárias ã expressão desta concepção; mas também os doutores gregos cristãos, particularmente o Pseudodionísio, com a sua filosofia da participação hierárquica e da iluminação: a inteligência é a «forma» do corpo; e a experiência sensível é a única via de alimentação das obras do espírito. Para quem conhece a densidade do vocábulo aristotélico, um tal enunciado provoca a hesitação do cristão: respeitará ele suficientemente a transcendência do espírito, de modo que a alma possa sobreviver depois da morte do corpo, de modo que seja salvaguardada a personalidade da inteligência nesta sociologia cósmica? Foi em Paris, c. 1270, que uma grave crise deu a Tomás de Aquino ocasião de definir adequadamente a sua doutrina. Aliás, o conflito prolongou-se e encontrou o seu fecho violento após a morte de Tomás de Aquino, em 1277, com a intervenção dos mestres de Paris – naquele tempo a mais alta instância teológica da Igreja. Num elenco de 219 proposições, rejeitavam, não sem razão, mas numa precipitação confusa, toda a espécie de naturalismos e também uma dezena de afirmações de Tomás de Aquino. Foi, sem dúvida, a mais grave condenação da Idade Média, com repercussão perdurável no movimento das ideias, ao dar consistência durante séculos a certo espiritualismo permanentemente oposto ao realismo cósmico e antropológico de Tomás de Aquino A canonização deste, em 1323, reabilitará a sua memória, mas a honra concedida não restituirá a eficácia que poderia ter tido o «tomismo». Doutor da Igreja desde 1567, e conhecido pelo «Doutor Angélico» e «Doutor comum», a memória litúrgica de S. Tomás e Aquino é a 28 de Janeiro.

Marie-Dominique Chenu, op

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