mai 31st

Conduzidos pelo Espírito ao deserto


Deserto, vem do latim deserto = desabitado, despovoado, solitário, em que não vive gente, lugar solitário, solidão. O povo de Deus caminhou pelo deserto por quarenta anos. O profeta Oséias escreve: “Vou conduzir-te ao deserto para falar ao coração”. Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto. Vemos em outros textos bíblicos que Jesus sempre procurou ficar às sós para falar com Deus”. O deserto é o lugar do encontro: encontro com Deus e consigo mesmo. Ir ao deserto, parar, a fim de encontrar-se com a própria alma e com Deus que fez dela sua morada.
Ver a Deus, viver em sua presença é o desejo profundo e persistente de toda a alma. A solidão a chama, o silêncio a atrai, o deserto a conquista. O deserto de que falamos aqui não é este lugar desabitado, solitário, não é ausência de vida, não é cemitério de presenças que passaram, ou areia movediça que o vento arrasta e recolhe sem ordem, sem rumo. Que seria então o deserto se não fosse um grande santuário, se não fosse “casa de Deus e a porta do Céu?” Falamos de um deserto que vive, que pulsa, que canta. A presença do Deus Vivo e três vezes santo envolve e vivifica o grande santuário. O Espírito Santo nos leva a descobrir essa presença de Deus que nos chama a uma intimidade profunda e que quer se relacionar conosco.
O Espírito Santo nos leva a descobrir o caminho da verdadeira adoração onde reconhecemos os direitos soberanos que Deus te sobre nós, onde antecipamos na terra o que vamos viver para sempre no céu: viver na presença de Deus, cantar a sua glória e o seu louvor. Vivemos para testemunhar a glória de Deus. O Espírito ensina-nos a louvar e a amar a Deus. Não tenha medo de ir para o deserto como fez Jesus, não tenha medo da presença de Deus que no seduz para vivermos com Ele. Deixa o Espírito Santo iluminar os eu interior para revelar a sua verdade e dissipar aquilo que não proclama Deus na sua vida. Este é o caminho de conversão que precisamos trilhar. Que a luz seja! Esta seja a nossa oração! Que eu veja! Esse seja o nosso clamor.
O Espírito Santo é o Amigo que revela os mistérios do Reino, que nos aponta a vontade de Deus e nos faz romper com todo o mal para que toda a nossa vida seja um canto de louvor à bondade do Senhor. Venha Espírito Santo! Vinde Logo! Vinde, Espírito Santo!

Vera Lúcia Reis - Comunidade Canção Nova

mai 30th

Novena do Espírito Santo - 9º Dia

Rezemos com confiança!

1- Vinde, Espírito de Sabedoria! Instruí o meu coração para que eu saiba estimar e amar os bens celestes e antepô-lo a todos os bens da terra. (Glória ao Pai…)

2- Vinde, Espírito de Inteligência! Iluminai a minha mente para que entenda e abrace todos os mistérios e mereça alcançar um pleno conhecimento Vosso, do Pai e do Filho. (Glória ao Pai…)

3- Vinde, Espírito de Conselho! Assisti-me em todos os assuntos desta vida instável, tornai-me dócil às Vossas inspirações e guiai-me sempre pelo direito caminho dos divinos mandamentos. (Glória ao Pai…)

4- Vinde, Espírito de Fortaleza! Fortalecei o meu coração em todas as perturbações e adversidades e dai à minha alma o vigor necessário para resistir a todos os meus inimigos. (Glória ao Pai…)

5- Vinde, Espírito de Ciência! Fazei-me ver a vaidade de todos os bens caducos deste mundo, para que não use deles senão para Vossa maior glória e salvação da minha alma. (Glória ao Pai…)

6- Vinde, Espírito de Piedade! Vinde morar no meu coração e inclinai-o para a verdadeira piedade e santo amor de Deus. (Glória ao Pai…)

7- Vinde, Espírito de Temor de Deus! Repassai a minha carne com o Vosso santo temor, de modo que tenha sempre Deus presente e evite tudo o que possa desagradar aos olhos de Sua divina majestade. (Glória ao Pai…)

Divino Espírito Santo, eu vos ofereço todas as preces da santíssima Virgem e dos apóstolos reunidos no cenáculo, e a estas uno todas as minhas orações, suplicando-Vos que Vos apresseis em vir renovar a face da terra. - Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado. - E renovareis a face da terra.

Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos fiéis com a luz do Espírito Santo, dai-nos pelo mesmo Espírito o conhecimento e o amor da justiça e que gozemos sempre da Sua consolação. Amém.

(Rezar três Ave-Marias a Nossa Senhora de Pentecostes com a invocação:

“Rainha dos Apóstolos, rogai por nós!”

Deus abençoe seu dia,

Ritinha


mai 30th

O poder da palavra imperativa

O amor é o melhor jeito de responder às questões do mundo

IImperar é atributo que sugere poder.

O imperador comanda o império, rege com autoridade.

Imperativo é tudo o que ordena, o que governa.

Na linguagem temos os verbos imperativos. São aqueles que dão ordens.

Sempre que os leio escuto gritos, vozes querendo me convencer do conteúdo que sugerem.

O verbo é a casa da ação. Dele se desdobram movimentos.

Verbos mobilizam os sujeitos. É a regra da gramática, mas é também a regra da vida.

Penso nas palavras que me ordenam. Quero compreender a razão de gritarem tanto sobre os meus ouvidos e de me moverem para a vida que vivo.

A interpretação que faço do mundo passa pelos verbos que imperam sobre mim. Por isso, a qualidade da vida depende dos verbos que imperam sobre ela.

Gosto de conjugar o verbo “amar” no imperativo – “Ame!” Não há necessidade de complementos. Ame este ou aquele. Ame agora ou depois. Não há justificativas. É só amar.

É só seguir a ordem que o verbo sugere. “Ame!” Repito.

Não escuto gritos, mas uma voz mansa com poder de conselho. Voz que reconheço ser a de Jesus a me conduzir por um caminho seguro que me fará viver melhor. “Ame!” Ele repete! “Ame!” Ele aconselha.

Tenho aprendido que o amor é o melhor jeito de responder às questões do mundo. Experimento isso na carne.

Eu fico melhor cada vez que amo. Digo isso como homem religioso que sou.

A religião é a casa do amor, assim como o verbo é a casa da ação. Se não o é, não é religião. É esconderijo onde acomodamos nossa hipocrisia. É lugar onde justificamos nossas intolerâncias. É guerra fria que fazemos em nome de Deus.

Eu ainda acredito que o amor é a religião que o mundo precisa. Jesus ensinou isso. Morreu por crer assim. Elevou à potência máxima o imperativo do amor e não fugiu das conseqüências.

Tenho medo quando nos especializamos em qualificar as pessoas como boas ou ruins, em nome da religião.

Tenho medo de deixar que outros verbos imperem sobre minha vida.

Verbos que excluem, abandonam, jogam fora e que condenam a partir de aparências…

É nesta hora que eu me recordo do imperativo de meu Mestre - “Ame!” E só assim eu descanso.

Eu sei que você também costuma se perder em tantas realidades desta vida.

Eu sei que o seguimento de Jesus costuma nos colocar em encruzilhadas, porque não há seguimento sem escolhas.

É natural que nasçam dúvidas e a gente se pergunte – E agora? Como ser de Deus no meio de tantas realidades contrárias? Como manter o olhar fixo no que cremos sem que a gente precise cometer o absurdo de desprezar os que crêem diferente de nós?

Nem sempre conseguimos acertar, fazer da melhor forma.

Quer um conselho? Ame!

Padre Fábio de Melo

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mai 29th

Curso sobre Paulo e suas Cartas-Inlustrado

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No ano Paulino temos a oportunidade de conhecer mais a Jesus seguindo os passos de São paulo. Este Curso foi ministrado pelo Pe. Mariano Weizenmann,scj da Faculdade Dehoniana de Taubaté nos dias 11 e 12, 14…

Espero que possas te ajudar!

Deus lhe abenço,

Ritinha

mai 29th

Novena do Espírito Santo - 8º Dia

Rezemos com confiança!

1- Vinde, Espírito de Sabedoria! Instruí o meu coração para que eu saiba estimar e amar os bens celestes e antepô-lo a todos os bens da terra. (Glória ao Pai…)

2- Vinde, Espírito de Inteligência! Iluminai a minha mente para que entenda e abrace todos os mistérios e mereça alcançar um pleno conhecimento Vosso, do Pai e do Filho. (Glória ao Pai…)

3- Vinde, Espírito de Conselho! Assisti-me em todos os assuntos desta vida instável, tornai-me dócil às Vossas inspirações e guiai-me sempre pelo direito caminho dos divinos mandamentos. (Glória ao Pai…)

4- Vinde, Espírito de Fortaleza! Fortalecei o meu coração em todas as perturbações e adversidades e dai à minha alma o vigor necessário para resistir a todos os meus inimigos. (Glória ao Pai…)

5- Vinde, Espírito de Ciência! Fazei-me ver a vaidade de todos os bens caducos deste mundo, para que não use deles senão para Vossa maior glória e salvação da minha alma. (Glória ao Pai…)

6- Vinde, Espírito de Piedade! Vinde morar no meu coração e inclinai-o para a verdadeira piedade e santo amor de Deus. (Glória ao Pai…)

7- Vinde, Espírito de Temor de Deus! Repassai a minha carne com o Vosso santo temor, de modo que tenha sempre Deus presente e evite tudo o que possa desagradar aos olhos de Sua divina majestade. (Glória ao Pai…)

Divino Espírito Santo, eu vos ofereço todas as preces da santíssima Virgem e dos apóstolos reunidos no cenáculo, e a estas uno todas as minhas orações, suplicando-Vos que Vos apresseis em vir renovar a face da terra. - Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado. - E renovareis a face da terra.

Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos fiéis com a luz do Espírito Santo, dai-nos pelo mesmo Espírito o conhecimento e o amor da justiça e que gozemos sempre da Sua consolação. Amém.

(Rezar três Ave-Marias a Nossa Senhora de Pentecostes com a invocação:

“Rainha dos Apóstolos, rogai por nós!”

Deus abençoe seu dia,

Ritinha

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mai 29th

Curso sobre Paulo e suas Cartas

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Temas controvertidos

u Paulo, solteiro ou casado (1Cor 7,7-8. 25-26, no contexto maior de 1Cor 7,1-40);

v Paulo, solitário ou solidário (ver as missões, Cartas, At e Rm 16);

w Paulo e a situação social da época: autoridade (Rm 13,1-7), discriminação social (1Cor 11,17-22), pobreza/coleta (2Cor 8 – 9; Rm 15,25-28), escravidão (Fm; 1Cor 7,20-24);

x Paulo e a discriminação feminina: silêncio (1Cor 14,33-35) e véu (1Cor 11,2-16) das mulheres, na assembléia;

y Paulo e o “espinho na carne” (2Cor 12,7-10);

z Paulo e as carnes consagradas aos ídolos (1Cor 8 – 10);

{ Paulo e os carismas (1Cor 12 – 14).

u Paulo, solteiro ou casado (1Cor 7,7-8. 25-26, no contexto maior de 1Cor 7,1-40)

Os textos que nos ajudam são os de 1Cor 7,7-8. 25-26. Mas é importante vê-los no contexto de todo o capítulo 7,1-40.

v Paulo, solitário ou solidário

(ver as missões, Cartas, At e Rm 16)

Das fontes disponíveis podemos deduzir a figura de Paulo bem solidário, não solidão; não individualista, mas de comunhão:

u a vida comunitária,

v as missões,

w as Cartas (especialmente Rm 16),

x o livro de At.

Paulo não foi um pregador solitário. Pelo contrário, foi um homem de comunidade: viveu em comunidade e relacionou-se assiduamente com as comunidades. Típico líder das origens cristãs, manteve amplo leque de contatos. Apreciemos apenas alguns dados demonstrativos:

µ At individua ao menos 32 pessoas (3 mulheres) com quem Paulo manteve contato personalizado, sem contar os fiéis de, ao menos, 10 comunidades;

µ Sua última Carta (aos Romanos) apresenta um elenco com nada menos de 29 pessoas (com qualificativos), entre as quais 11 mulheres, além de 08 irmãos que estão com o Apóstolo (cf. Rm 16).

µ Paulo, geralmente, escreve as cartas em companhia de seus companheiros de missão:

à Escreve 1Cor com Sóstenes (+ Estéfanas, Fortunato e Acaico);

à Com Timóteo escreve 2Cor (+ Tito), Fl (+ Epafrodito), 1Ts (+ Silvano) e Fm (+ Epafras, Marcos, Aristarco, Demas e Lucas).

w Paulo e a situação social da época: autoridade (Rm 13,1-7), discriminação social (1Cor 11,17-22), pobreza/coleta (2Cor 8 – 9; Rm 15,25-28), escravidão (Fm; 1Cor 7,20-24)

Apreciemos a questão sob quatro aspectos:

u Autoridade (Rm 13,1-7);

v Discriminação social (1Cor 11,17-22);

w Pobreza/coleta (2Cor 8 – 9;

Rm 15,25-28);

x Escravidão (Fm ; 1Cor 7,20-24).

3.1. Obediência à autoridade civil

â O texto de Rm 13,1-7 recomenda a aceitação e obediência à autoridade estabelecida, “… pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus” (Rm 13,1);

â Ap 13 oferece uma orientação política decididamente contrária: a autoridade do governo imperial é coisa da “Besta”, é blasfemo a Deus.

Quem tem razão? Por que posturas tão diferentes, até opostas? Pode a Palavra de Deus contradizer-se?

Solução: situar o texto no contexto!

3.2. Superação da discriminação

O texto que nos instrui sobre este assunto é o de 1Cor 11,17-22…

Qual é o problema concreto que tanto enfurece Paulo? Pelo amor e pela fé em Jesus, a comunidade cristã, a modo de fermento na massa, deveria contribuir na melhoria da sociedade. A decepção de Paulo é que, além de não contribuir na transformação da sociedade excludente, a comunidade traz para dentro de si as discriminações da sociedade.

Solução: conversão séria à Eucaristia, remédio à carestia.

3.3. Coleta de ajuda aos pobres

Paulo é o organizador da primeira coleta cristã de que se tem conhecimento.

2Cor 8 – 9 (também Rm 15,26-27) apresenta longa explicação e motivação de Paulo, sobre a coleta em favor da comunidade de Jerusalém (se é a mesma de At 11,27-30, então Lucas a muda de contexto).

Destacamos alguns elementos:

j O pioneirismo da iniciativa;

k A generosa contribuição dos irmãos da Macedônia e da Acaia;

l A importante colaboração e o zelo de Tito;

m Liberalidade, sem prejudicar-se;

n Bom senso de Paulo que delega funções;

o A recompensa dos que participam;

p A “teologização” do gesto:

è Inspiração em Jesus (2Cor 8,9),

è Intercâmbio de bens, espirituais e materiais (Rm 15,27).

3.4. A questão da Escravidão

Paulo ocupa-se explicitamente com o tema em Fm e, de passagem, no texto de 1Cor 7,20-24.

Seria anacrônico exigir de Paulo uma consciência sociológica dos direitos humanos como nós, hoje, a temos. Os dois textos muito próximos, cronologicamente, mostram posturas diferentes. Paulo, portanto, não quer fornecer doutrinas sistemáticas, mas oferecer instruções práticas.

u Em 1Cor 7,20-24 Paulo parece desestimular os anseios de liberdade. Paulo é movido por liberdade e quer os fiéis livres: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1a); “não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28). Como, pois, entender as recomendações de 1Cor ?

v A posição de Fm é decididamente outra. Agora, senhor e escravo são, ambos, irmãos e por isso não cabe a escravidão mas a fraternidade.

x Paulo e a discriminação feminina: silêncio (1Cor 14,33-35) e véu (1Cor 11,2-16) das mulheres, na assembléia

O tema da suposta discriminação de Paulo, em relação às mulheres, aparece em dois episódios:

u a ordem de que as mulheres se calem na assembléia;

v a recomendação do uso de véu durante a celebração. Ambas as questões são abordadas na 1Cor.

Lembremos que esta Carta retrata um verdadeiro aprendizado e laboratório de criatividade pastoral para Paulo e sua equipe missionária. De novo, Paulo não dá normas perenes e gerais, mas orientações práticas e pontuais.

Como Paulo sabe dos problemas que acontecem na dinâmica e turbulenta comunidade de Corinto?

R Por pessoas da “casa” de Cloé (1Cor 1,11);

R A partir de uma carta que os próprios coríntios lhe escreveram (1Cor 7,1).

Em 1Cor 11,2-16 há uma ordem expressa de que as mulheres usem véu durante a celebração. Para motivar sua determinação Paulo até ensaia uma teologia. Mas, à certa altura, parece anular todo o discurso: “Pois se a mulher foi tirada do homem, o homem nasce pela mulher, e tudo vem de Deus” (1Cor 11,12).

Duas extranhezas:

V É mesmo vergonhoso o homem usar cabelo comprido (v. 4) e cobrir a cabeça (v. 7), a saber que na Palestina os homens usavam cabelo comprido e cobriam a cabeça para orar? Eis, portanto, uma questão cultural, válida para Corinto, não em todo lugar.

V O que dizer dos “Anjos” que ficariam atrapalhados se as mulheres deixassem o cabelo solto (v. 10)?…

Qual é, pois, o motivo de todas essas recomendações de Paulo?

Corinto é uma cidade portuária (“bimaris”, dois portos: Jônico e Egeu) e a fama da cidade não é das melhores. Na época até havia uma expressão “viver a la Corinto”, isto é, devassamente.

Só por isso? Não! Próximo ao porto de Cencréia existia um templo com prostituição sagrada, onde as “ministras” acolhiam e provocavam os homens com os meneios dos cabelos.

Paulo absolutamente não quer que as mulheres cristãs pareçam com as prostitutas sagradas.

O segundo tema polêmico é a ordem de que as mulheres se calem na assembléia: 1Cor 14,33-35.

â Também aqui precisamos olhar o que acontecia na comunidade de Corinto. É possível que numa sociedade discriminadora como aquela, de fato as mulheres não tivessem acesso à instrução. Contudo, a comunidade de Corinto conhece duas mulheres que, certamente, eram instruídas e Paulo as elogia muito em Rm 16,1-3: a diaconisa Febe e Priscila.

â Parece que o problema está justamente nisso: havia mulheres que intervinham, justamente por saberem das coisas. Isso, porém, não era bem visto pela sociedade local e Paulo quer evitar tumultos ao interno da comunidade e fofocas fora dela.

y Paulo e o “espinho na carne” (2Cor 12,7-10)

O contexto em que aparece o tema é o da defesa que Paulo faz de si e de seu ministério ante os coríntios que o contestam.

Nosso texto é o de 2Cor 12,7-10. Estamos diante de uma confissão do próprio Paulo, justamente para contrapor a referida fraqueza à magnífica experiência mística narrada imediatamente antes (2Cor 12,1-6).

u A partir da concepção grega o “espinho na carne” poderia sugerir um preocupante defeito, vício ou pecado. A fantasia moralizante sugeriu que Paulo tivesse problemas de masturbação…

v Pelo que de Paulo conhecemos, no contexto em que estamos e pela sua forte característica judaica, o “espinho na carne” tem a ver com sua vida habitual, isto é, vida humana (na carne: da concepção à última respiração. Assim, o mais provável é que o “espinho” seja:

R Seu temperamento impetuoso e impaciente;

R O sofrimento de ver sua gente recusar Jesus;

R Alguma doença que lhe causava desconforto.

NB. Dois temas polêmicos que apenas elencamos:

As carnes consagradas aos ídolos (1Cor 8 – 10);

O discernimento, acolhida e cultivo dos carismas

(1Cor 12 – 14).

mai 28th

Curso sobre Paulo e suas Cartas

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4. O prisioneiro, organizador das comunidades:

dos 53 anos até a morte

Ao final de sua terceira viagem, Paulo chega a Jerusalém e participa de uma reunião em casa de Tiago (At 21,17-24). Assim começa o quarto período de sua vida, amargando 4 anos de prisão. É tempo de olhar para trás, fazer revisão.

a) Paulo, o homem da transição.

Durante os treze anos de sua vida itinerante, Paulo viveu e provocou transição: * Do mundo hebraico para o grego; * Do rural para o urbano; * De uma Igreja monocultural judaica à uma Igreja multicultural e multiétnica; * Da liderança única de Jerusalém para as múltiplas lideranças na gentilidade; * Da herança litúrgica, doutrinária e disciplinar judaica para as novas expressões de fé; * Da religião ligada a um povo para uma religião universal.

Quando Paulo foi preso em Jerusalém, esse “Novo Êxodo” estava em andamento. Os conservadores e reacionários ao Êxodo se opunham a ele e quiseram liquidá-lo.

b) O aprendizado de Paulo na prática.

Paulo foi atento e perspicaz no aprender. Aprendeu com a vida. Foi bom missionário porque bom discípulo.

Aprendizado com os judeus. Paulo nunca negou nem desconsiderou a eleição do povo judeu. Aprendeu a vê-la não como privilégio, mas como sinal e missão, na linha do Dêutero-Isaías e de Gn 12,3b. O que Deus realizou em Israel é uma amostra do que será benefício para todos os povos. O Criador de todos é também o Salvador de todos. Para isso é que foram escritos os livros sagrados (Rm 15,4; 1Cor 10,16).

Aprendizado com os gentios. No encontro com as gentes Paulo descobre e aprofunda o mistério (o termo aparece 14 vezes em Paulo, num total de 18 no NT): Ef 1,4; 3,9; 4,6; Cl 1,15-16; 2Cor 3,14-15.

Aprendizado com os adversários. Os adversários fazem Paulo viver a realidade da cruz, como acontecera com Jesus. Daí que seu anúncio enaltece e valoriza tanto a cruz (Rm 5,8; 6,5-6; Fl 2,7-8). Pela “Palavra da Cruz anuncia o Evangelho” e por ela comunica a energia da salvação.

Aprendizado consigo mesmo. Embora tenha tido um momentâneo momento alto, no caminho de Damasco, a conversão de Paulo foi um processo longo, penoso e, ao mesmo tempo, alegre: At 9,1-22; Rm 7,22-23.

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Chaves de leitura para compreender Paulo e suas cartas

1-O perfil de Paulo

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Ao começar sua missão cristã, Paulo tinha uns 40 anos (longa preparação, como o Mestre). Para conhecer uma pessoa o melhor é saber dela própria, o que faz e pensa.

Somos privilegiados pelo acesso às cartas autênticas de Paulo, expressões extraordinárias de uma personalidade excepcional.

Paulo foi uma irrupção imprevisível na Igreja:

Ninguém pensou nele, ninguém o preparou e ninguém se preparou para acolhê-lo;

Quando se tornou cristão, não sabiam o que fazer com ele e mandaram-no de volta a Tarso;

Viveu e trabalhou fora dos quadros estabelecidos;

Não foi escolhido pela hierarquia nem recebeu “ordenação”;

Foi um leigo (como o Mestre), precursor de tantos leigos que depois mudariam os rumos da Igreja (os monges, Bento, Francisco de Assis, Teresa d’Ávila…).

Reivindicou apaixonadamente o título de “Apóstolo” que sempre lhe foi contestado (até por seu grande admirador Lucas que o reserva aos Doze). Depois a Igreja de Roma fez-lhe justiça concedendo-lhe tal título.

Celebrado como Coluna da Igreja de Roma, junto com Pedro, embora na “cidade eterna” fosse recebido e tratado mal. Lucas, em At, procura reabilitar Paulo diante dos preconceitos:

Atenua sua radicalidade de pensamento e personalidade;

Procura mostrar que nunca houve oposição entre Pedro e Paulo. Pelo contrário, Pedro fez antes o que Paulo faria, legitimando sua prática;

Os encontros entre os dois são apresentados como momentos de harmonia e sintonia (Lucas seleciona os fatos…)

Lucas faz a idealização de pessoas já santificadas pelo martírio;

Mesmo que Paulo, em suas cartas, mostre-se fraco, Lucas apresenta-o forte, com poderes milagrosos (como o Mestre).

NB. Em polêmica com os missionários judeu-cristãos, Paulo apresenta sete títulos de “vanglória segundo a carne” (Fl 3,5-6).

mai 28th

Quinta-feira de Adoração

ADORAÇÃO: o termo «adoração» deve ter para os cristãos, e que não é o da mera submissão, mas que «a palavra latina ad-oratio, ao contrário, denota o contato físico, o beijo, o abraço, que está implícito na idéia do amor. O aspecto da submissão prevê uma relação de união, porque aquele a quem nos submetemos é Amor. De fato, na Eucaristia a adoração deve converter-se em união: união com o Senhor vivo e depois com seu Corpo místico», explica Bento XVI

Na Jornada Mundial da Juventude de Colônia o Papa diz: na Eucaristia se vive a «profunda transformação da violência em amor, da morte em vida; ela arrasta consigo as demais transformações. Pão e vinho se convertem em seu Corpo e Sangue».

Neste sentido, animou também a redescobrir outras práticas ligadas à Eucaristia, como o jejum, especialmente na Quaresma, «não só como prática ascética, mas também como preparação para a Eucaristia e como arma espiritual para lutar contra todo eventual apego desordenado a nós mesmos».

«Que este período intenso da vida litúrgica nos ajude a afastar tudo aquilo que distrai o espírito e a intensificar o que nutre a alma, abrindo-a ao amor a Deus e ao próximo».

Neste dia de adoração, procure reservar um tempo para estar com o Senhor!

Deus lhe abençoe,

Ritinha

mai 28th

Novena do Espírito Santo - 7º Dia

Rezemos com confiança!

1- Vinde, Espírito de Sabedoria! Instruí o meu coração para que eu saiba estimar e amar os bens celestes e antepô-lo a todos os bens da terra. (Glória ao Pai…)

2- Vinde, Espírito de Inteligência! Iluminai a minha mente para que entenda e abrace todos os mistérios e mereça alcançar um pleno conhecimento Vosso, do Pai e do Filho. (Glória ao Pai…)

3- Vinde, Espírito de Conselho! Assisti-me em todos os assuntos desta vida instável, tornai-me dócil às Vossas inspirações e guiai-me sempre pelo direito caminho dos divinos mandamentos. (Glória ao Pai…)

4- Vinde, Espírito de Fortaleza! Fortalecei o meu coração em todas as perturbações e adversidades e dai à minha alma o vigor necessário para resistir a todos os meus inimigos. (Glória ao Pai…)

5- Vinde, Espírito de Ciência! Fazei-me ver a vaidade de todos os bens caducos deste mundo, para que não use deles senão para Vossa maior glória e salvação da minha alma. (Glória ao Pai…)

6- Vinde, Espírito de Piedade! Vinde morar no meu coração e inclinai-o para a verdadeira piedade e santo amor de Deus. (Glória ao Pai…)

7- Vinde, Espírito de Temor de Deus! Repassai a minha carne com o Vosso santo temor, de modo que tenha sempre Deus presente e evite tudo o que possa desagradar aos olhos de Sua divina majestade. (Glória ao Pai…)

Divino Espírito Santo, eu vos ofereço todas as preces da santíssima Virgem e dos apóstolos reunidos no cenáculo, e a estas uno todas as minhas orações, suplicando-Vos que Vos apresseis em vir renovar a face da terra. - Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado. - E renovareis a face da terra.

Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos fiéis com a luz do Espírito Santo, dai-nos pelo mesmo Espírito o conhecimento e o amor da justiça e que gozemos sempre da Sua consolação. Amém.

(Rezar três Ave-Marias a Nossa Senhora de Pentecostes com a invocação:

“Rainha dos Apóstolos, rogai por nós!”

Deus abençoe seu dia,

Ritinha

Continue mandando suas intençoes!

mai 27th

Curso sobre Paulo e suas Cartas

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2-Paulo escreve em meio ao trabalho missionário

Paulo não escreveu no conforto de um escritório, propício à elaboração de um pensamento sistemático. Talvez escrevesse num albergue, em companhia de seus colaboradores, depois de um dia de labutas missionárias ou de suor para seu sustento. Suas cartas são circunstanciais e não tratados sistemáticos. É possível que, antes de escrever, discutisse o assunto com os companheiros. Ele ditava e outro escrevia (veja Rm 16,22).

3-Paulo escreve para instruir e evangelizar

As cartas de Paulo não são apenas necessidade de comunicar-se e cultivar amizades. Refletem sua preocupação, zelo e responsabilidade pelas comunidades, para orientá-las nos perigos e dificuldades. Daí seu estilo tantas vezes polêmico e belicoso. O Evangelho, além de lhe servir de alimento pessoal é partilhado com as comunidades. Coloca-o e coloca-se a serviço da evangelização.

4-Paulo conhece o Antigo Testamento

Mais que os outros apóstolos, Paulo conhece bem o AT. Ele não ouviu o Mestre falar. O Evangelho que recebe, ele o reflete e confronta com as Escrituras, aprofunda-o e coloca seus conhecimentos a serviço das comunidades. A partir da fé em Jesus relê o AT e elabora uma reflexão sobre a obra da salvação e, com essa visão, interpreta os acontecimentos. Paulo não conviveu com Jesus, mas viveu Jesus. Reinterpreta a mensagem do Mestre essencialmente rural e palestinense para o meio urbano do mundo greco-romano. É-nos, assim, modelo em nossas atuais buscas de falar ao cidadão/cristão da cidade, é mestre na arte de inculturar o Evangelho.

5-Somos destinatários e herdeiros de Paulo

Também a nós são dirigidas as cartas de Paulo, não como a pessoas individuais, mas comunitariamente. O que descobrimos é para benefício comum.

O que nos é transmitido e acolhemos é para ser relevante e pertinente hoje. Portanto, cabe-nos estar atentos à realidade, aos problemas da comunidade e do povo. A Palavra de sempre é para iluminar nossos caminhos de hoje, uma vez que ela nos foi transmitida para ajudar a viver e testemunhar o Senhor.

6-Docilidade ao Espírito Santo

Só mesmo a docilidade ao Espírito e com disposições de serviço é que podemos desenvolver a verdadeira “solicitude por todas as Igrejas” (2Cor 11,28). Assim, as cartas de Paulo são para nós o que as Escrituras foram para ele (Rm 15,4; 2Tm 3,16-17).

Estudo de Filipenses:

1. A cidade de Filipos

Filipos é cidade antiga e de muita história. Era uma das principais cidades da Macedônia (At 16,12). Situada em região fértil, fora construída pelo rei macedônio Filipe II que lhe deu o nome.

Conquistada pelos romanos, a partir de 42 a.C. torna-se colônia de militares aposentados. O imperador Otaviano concede-lhe o juz italicum e, por isso mesmo, gozava de privilégios especiais. A propósito, os filipenses orgulhavam-se de sua cidadania romana. Paulo, atento a esse sentimento não perde ocasião para evangelizar a partir dele: Fl 1,27; 3,20.

Além da maioria romana, a população constava de macedônios, gregos e alguns hebreus.

Paulo e Silas foram presos pela cura de uma escrava que, com seus distúrbios, dava lucro aos patrões (At 16,16-24).

Religiosamente a cidade era muito dinâmica. Coexistiam religiões mistéricas provindas do Oriente, com o ocultismo e o culto obrigatório ao imperador.

2. A origem da comunidade

Paulo dá grande importância à entrada do Evangelho na Europa, e isso através de Filipos. Em At 16,9-10 fala-se de uma visão sua a respeito. É também aqui que o autor de Atos passa a usar o “nós” ao relatar os fatos missionários. Além de Silas e Timóteo, o autor (da fonte de Lucas, ou do próprio Lucas?) integra o grupo dos evangelizadores.

A comunidade de Filipos nasce com o acolhimento e adesão à Boa Nova de algumas mulheres (At 16,13-15). Por não haver sinagoga na cidade reuniam-se às margens do rio Maritisa ou Hebrus, para as suas orações. Entre elas destaca-se Lídia, negociante de púrpura que, com sua casa, adere ao Senhor. É em sua casa que o grupo de evangelizadores aceita hospedagem. Filipos representa as primícias eclesiais na Europa.

3. A Carta aos Filipenses

Junto à carta de Filêmon é a carta mais pessoal e afetuosa de Paulo. A comunidade tem especial lugar no coração do apóstolo. O próprio Deus é testemunha do seu bem querer e ternura (Fl 1,7-8).

Sabendo que Paulo estava preso em Éfeso, os filipenses enviam-lhe donativos, através de Epafrodito. Este adoeceu e, uma vez curado, Paulo fá-lo portador de sua carta (Fl 2,25-30). Embora prevaleça o tom terno e carinhoso, Paulo também está preocupado com intrusos que estragam a comunidade e os repreende severamente (Fl 3,2. 18-19).

Por vários motivos, a Carta aos Filipenses, como hoje a conhecemos, certamente não foi escrita de uma vez só. Deve ser compilação de cartas escritas em situações e, talvez, lugares, diferentes.

4. Três cartas que compõem a atual Fl:

Cartinha de agradecimento (Fl 4,10-23);

Carta principal sobre a situação da comunidade de Filipos (Fl 1,1—3,1a; 4,4-7);

Carta contra os adversários, judaizantes? (Fl 3,1b—4,3; 4,8-9).

5. Onde e quando foi escrita Fl?

Na prisão de Éfeso, durante a 3ª viagem missionária? – anos 55/56;

Na prisão de Cesaréia, após a chegada em Jerusalém? – anos 58/60;

Na prisão em Roma, aguardando o julgamento de César? – anos 61/63.

6. Esquema de Fl, como atualmente se apresenta:

u Saudação inicial: 1,1-2;

v Ação de graças e contentamento: 1,3-11;

w Vicissitudes de Paulo: 1,12-26;

x Exortação à comunidade: 1,27 – 2,18 (Hino Cristológico: 2,6-11);

y Elogio a Timóteo e Epafrodito: 2,19 – 3,1;

z Advertência contra os judaizantes: 3,2 – 4,1;

{ Exortações a agradecimentos: 4,2-20;

| Saudação final: 4,21-23.

7. Chaves de leitura para Fl

j Alegria:

A primeira comunidade cristã caracterizava-se pela alegria

(At 2,46);

A alegria perpassa a Carta aos Filipenses (Fl 1,3-4. 18-19; 2,17; 4,1.10);

As festas populares de nossos dias são marcados pela festa.

k Opção radical por Jesus Cristo:

Jesus Cristo é o centro da comunidade;

Viver com Ele e por Ele, fá-lo o único absoluto, diante do qual tudo o mais é relativo (Fl 3,7-9).

l Perseverança na luta:

* Seguir Jesus é ter seus sentimentos e manter-se fiel no testemunho (Fl 1,27; 2,5.15);

* É preciso coragem para não se amedrontar (Fl 1,28).

m Hino Cristológico (Fl 2,6-11):

É a pedra preciosa incrustada na carta. Trata-se de uma chave privilegiada para saber quem é Jesus Cristo e aprender a segui-lo. O Filho assume o humano, faz-se servo e, com a morte de cruz, torna-se maldito.

Por isso é exaltado, com um nome acima de todo nome, constituído Senhor da História. Pela κένοσις (kénosis) torna-se Κύριος (Kýrios): abaixamento kenótico e exaltação kyriótica.

Proposta de seqüência para ler as Cartas de Paulo:

As Cartas Paulinas (14) comportam um total de 100 capítulos

Protopaulinas: 1Ts (05 capítulos), 1Cor (16 caps.), Fl (04 caps.), Fm (01 cap.), 2Cor (13 caps.), Gl (06 caps.), Rm (16 caps.) = 61;

Deuteropaulinas: Cl (04 caps.), Ef (06 caps.), 2Ts (03 caps.), 1Tm (06 caps.), Tt (03 caps.), 2Tm (04 caps.), Hb (13 caps.) = 39.