{"id":6324,"date":"2020-06-09T10:51:18","date_gmt":"2020-06-09T13:51:18","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/aracaju\/?p=6324"},"modified":"2020-06-09T10:56:02","modified_gmt":"2020-06-09T13:56:02","slug":"saudade-que-toma-conta-de-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/aracaju\/saudade-que-toma-conta-de-nos\/","title":{"rendered":"A saudade que toma conta de n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p>No meio do confinamento em que nos encontramos, um sentimento come\u00e7a a ocupar um espa\u00e7o cada vez maior em nosso cora\u00e7\u00e3o. Sim, \u00e9 a famosa saudade, que d\u00e1 t\u00edtulo a este texto. A dor e a melancolia que v\u00eam ao cora\u00e7\u00e3o pela recorda\u00e7\u00e3o da pessoa ou coisa ausente e querida \u00e9 um sentimento que est\u00e1 ao alcance de todo e qualquer ser humano que ame. Dizem, contudo, que s\u00f3 o nosso idioma portugu\u00eas logrou dar nome a esse sentimento espec\u00edfico e t\u00e3o lembrado nos poemas e nas m\u00fasicas.<\/p>\n<p>Passadas algumas semanas, quantos av\u00f3s se ressentem da aus\u00eancia dos seus netos, a quem est\u00e3o impedidos de abra\u00e7ar e afagar? Quantos filhos, por caridade, n\u00e3o podem visitar, diariamente, seus pais, para preserv\u00e1-los do risco de contamina\u00e7\u00e3o pelo COVID-19? Quantos pessoas, que tiveram amigos muito pr\u00f3ximos e queridos arrancados do seu conv\u00edvio, aguardam ansiosos o momento do reencontro, do abra\u00e7o, da celebra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Alguns anos atr\u00e1s, passei quatro meses fora do Brasil fazendo um curso pelo meu trabalho. Foi uma oportunidade muito enriquecedora pessoalmente, mas me custou muito a aus\u00eancia da minha esposa e dos meus filhos \u2013 naquela \u00e9poca, eram s\u00f3 dois. Lembro muito bem, especialmente das \u00faltimas semanas, quando eu j\u00e1 estava bem pr\u00f3ximo de voltar para casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_6325\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/aracaju\/saudade-que-toma-conta-de-nos\/99431774_3285041171520578_6174717268476297216_n\/\" rel=\"attachment wp-att-6325\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6325\" class=\"wp-image-6325 size-full\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/aracaju\/files\/2020\/06\/99431774_3285041171520578_6174717268476297216_n.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/aracaju\/files\/2020\/06\/99431774_3285041171520578_6174717268476297216_n.jpg 640w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/aracaju\/files\/2020\/06\/99431774_3285041171520578_6174717268476297216_n-300x169.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/aracaju\/files\/2020\/06\/99431774_3285041171520578_6174717268476297216_n-384x216.jpg 384w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/aracaju\/files\/2020\/06\/99431774_3285041171520578_6174717268476297216_n-512x288.jpg 512w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6325\" class=\"wp-caption-text\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Foto Internet<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea gosta de sentir a dor da saudade<\/strong><br \/>\nEu passava boa parte do dia sonhando acordado, imaginando o momento em que iria reencontrar a minha esposa e meus filhos: como ela estaria vestida? Qual seria a primeira coisa que eu diria? E ela, o que me responderia? Meus filhos correriam para me abra\u00e7ar? Eu choraria de emo\u00e7\u00e3o? Eu me perdia imaginando as respostas para essas e outras perguntas. O que eu fazia era antecipar o momento do reencontro em minha cabe\u00e7a, algo que \u00e9 bastante comum a quem sofre de saudade. Essa antecipa\u00e7\u00e3o, por sinal, s\u00f3 torna a saudade mais intensa, mas parece ser justamente isso que n\u00f3s queremos. A saudade \u00e9 uma dor que gostamos de sentir quando sabemos que reencontraremos aqueles de cuja aus\u00eancia nos ressentimos.<\/p>\n<p>Diante desse sentimento t\u00e3o forte, nesse contexto de isolamento social, h\u00e1 algo que n\u00e3o me sai da mente: eu, que participava, diariamente, da Santa Missa, que encontrava Jesus Eucar\u00edstico fisicamente todos os dias, comungando Seu Corpo e Seu Sangue, agora s\u00f3 posso v\u00ea-lo por foto ou v\u00eddeo, e justamente no tempo da Quaresma. Era meu amigo mais querido, mas Ele foi tirado de mim e n\u00e3o sei quando poderei O reencontrar.<\/p>\n<p>Como disse Santo Agostinho: \u201cEle se esconde, porque quer ser procurado\u201d. Face a essa realidade, a pergunta que n\u00e3o canso de me fazer, todos os dias, desde ent\u00e3o, \u00e9: tenho cultivado a minha saudade de Jesus? O que quero dizer com isso? Como falei, quem sente saudade antecipa o reencontro. Sonha acordado, ensaia di\u00e1logos, imagina situa\u00e7\u00f5es. Faz isso, porque ama e n\u00e3o quer tirar o amado da sua mente. Eu tenho antecipado o meu reencontro com Jesus?<\/p>\n<p>A cada Santa Missa que acompanho pela TV ou pela Internet, tenho procurado trazer \u00e0 mem\u00f3ria os momentos triviais que eu vivia nas Santas Missas das quais eu participava presencialmente e que se tornaram t\u00e3o preciosos. Quando come\u00e7a o momento da comunh\u00e3o, fecho os olhos e vejo-me na par\u00f3quia que frequento, no banco onde costumo sentar-me com minha esposa e meus quatro filhos. Revivo cada instante.<\/p>\n<p>Primeiro, h\u00e1 um sinal visual que eu e minha esposa sempre fazemos um para o outro quando \u00e9 a hora de irmos para a fila da comunh\u00e3o. Em seguida, eu me levanto com minha filha mais nova no colo e entro na fila. Aguardo que minha esposa passe \u00e0 minha frente, segurando outros dois filhos pela m\u00e3o. Atr\u00e1s dela, vai nosso filho adolescente. Enquanto seguimos na fila, esfor\u00e7amo-nos para, discretamente, mantermos a filha de nove anos e, em especial, o filho de cinco anos na linha, j\u00e1 que eles, facilmente, distraem-se e esquecem onde est\u00e3o. Ainda de olhos fechados, revivo o gosto caracter\u00edstico da H\u00f3stia Consagrada e fa\u00e7o disso uma doce lembran\u00e7a que se converte em saudade.<\/p>\n<p>Rezo a ora\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o espiritual do Papa Francisco e fico conversando com Deus, imaginando a primeira Santa Missa da qual participarei quando tudo isso acabar. Fico pedindo a Deus a gra\u00e7a de meu cora\u00e7\u00e3o fazer festa por esse momento. Pe\u00e7o que Jesus me conceda a gra\u00e7a de, como Ele mesmo disse, desejar ardentemente comer esta P\u00e1scoa. E me vejo vigilante: n\u00e3o posso pecar! N\u00e3o posso sair do estado de gra\u00e7a, porque n\u00e3o quero correr o menor risco de n\u00e3o poder comungar o Corpo de Cristo quando surgir a primeira oportunidade de participar da Santa Missa presencialmente.<\/p>\n<p><strong>Sentir saudade da maneira certa<\/strong><br \/>\n\u00c9 justo e desej\u00e1vel sentir a falta dos nossos entes queridos. \u00c9 sinal de que somos seres humanos, sinal de que amamos. Mas como podemos n\u00e3o amar o Amor? Para amarmos as pessoas da maneira certa, at\u00e9 para sentirmos saudade da maneira certa, precisamos, primeiro, amar Jesus acima de todas as coisas. E isso significa que a primeira saudade, a saudade mais pungente que devemos sentir \u00e9 de reencontrarmos Jesus na Eucaristia, o nosso maior tesouro.<\/p>\n<p>Essa P\u00e1scoa foi, para a grande maioria dos cat\u00f3licos como eu, a primeira sem a Eucaristia. Celebrei como poss\u00edvel, participando do Tr\u00edduo Pascal pela TV, rezando em fam\u00edlia, adorando Jesus Eucar\u00edstico \u00e0 dist\u00e2ncia, em Esp\u00edrito e em Verdade.<\/p>\n<p>Passada a P\u00e1scoa, n\u00e3o esmore\u00e7amos. Pelo contr\u00e1rio, pe\u00e7amos que Deus nos conceda a gra\u00e7a de uma saudade sem tamanho de reencontr\u00e1-Lo. Uma saudade que doa no peito, que nos fa\u00e7a contar as horas at\u00e9 o feliz dia em que, novamente, poderemos receber Seu Corpo e Seu Sangue como alimento. Neste dia, talvez sintamos, ao comungar, o doce beijo de Jesus na nossa alma, como disse Santa Teresinha do Menino Jesus.<\/p>\n<p>Autor: Jos\u00e9 Leonardo Ribeiro Nascimento &#8211; membro do segundo elo da Comunidade Can\u00e7\u00e3o Nova desde 2007.<\/p>\n<p>Instagram: @leonardonascimentocn<br \/>\nFacebook: @leonardonascimentocn<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No meio do confinamento em que nos encontramos, um sentimento come\u00e7a a ocupar um espa\u00e7o cada vez maior em nosso cora\u00e7\u00e3o. Sim, \u00e9 a famosa saudade, que d\u00e1 t\u00edtulo a este texto. 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