NOVOS RUMOS (Jornal ValeParaibano)

Boy brilha longe dos bastidores

Músico de Lorena que se tornou conhecido como arranjador e produtor de grupos de música católica lança o álbum duplo ‘Getsêmani’

Lorena

A guitarra é a voz do músico Antonio de Aquino Filho, 43 anos. É com ela que ele expressa suas emoções e sentimentos, transformados em riffs, acordes e melodias.

Conhecido pelo seu apelido, Boy (de “playboy”, “boyzinho”), que ganhou porque sempre andava arrumadinho, ou nas palavras dele, “incrementado”, pelas ruas de Lorena, sua cidade natal, o músico se prepara para lançar o segundo CD de sua carreira, “Getsêmani”, que está “no forno” e deverá ficar pronto entre o final deste mês e o início de abril.

Com 34 músicas, o álbum duplo mostrará a vertente de compositor e multi-instrumentista de Boy, famoso no meio musical pela sua performance nos bastidores como arranjador e produtor dos principais grupos de música católica do país.

“É um CD que traz muita novidade e pesquisa em quase 180 minutos de música. Espero que o público goste”, disse Boy.

A guitarra, em primeiro plano, ganha como companheiros violões, violas, banjo, bandolim, bateria e baixo, todos tocados pelo músico, além de flautas e gaitas, que somam influências sutis de suas andanças pelo Brasil.

Mas engana-se que imagina que a ligação de Boy com a música religiosa transforma seu CD em algo doce e tranquilo.

Revestido do mais puro rock progressivo e outras tantas variedades mais pesadas do rock como hard, country, melódico, com pitadas de blues e R&B, o instrumentista está pronto para cativar as chamadas platéias seculares, sem ligação com igrejas, e, ao mesmo tempo, cultivar os fãs católicos.

“A música instrumental fala direto ao coração sem o intermédio das palavras e por isso chega a todos os tipos de público. Seja pelo lado da crítica musical –que analisa a melodia, a pegada, o ritmo, a qualidade instrumental–, seja pelo lado dos fiéis –que vão em busca da mensagem–, ela pode ser apreciada por todo mundo”, afirmou Boy, que não esquece as origens no meio católico e faz questão de presentear o público cristão: no encarte, para cada melodia pequenos textos apresentarão mensagens que inspiraram o compositor e que buscam inspirar os corações do ouvintes.

AULA – O lado professor de Boy também aparece no lançamento, que incluirá um segundo CD vendido separadamente, em forma de “playback” que poderá ser usado por músicos ou professores interessados em aprender e ensinar um pouco mais sobre os mistérios da guitarra.

“Getsêmani” –que será vendido pela internet e nas apresentações e workshops do músico– chega ao mercado dez anos depois do primeiro álbum, “Apocalipse”. Lançado em 1996, o CD foi considerado o primeiro disco de rock progressivo da Igreja Católica mundial –título que Boy encara com sua modéstia habitual.

“Dizem que fui o precursor do rock progressivo, mas não sei não, não fiz nada com essa intenção. Era o que eu sabia fazer…”, disse.

LINHAS DE ANZOL – A semente da música nasceu no coração de Boy quando era ainda uma criança.

Com seis anos de idade, ganhou uma “violinha” de quatro cordas feitas de linhas de anzol que se tornou seu brinquedo preferido e fonte inesgotável de solos para bandas de imaginação.

Os ensaios da banda do irmão mais velho, Notty, eram verdadeiras salas de aula para o menino. Era observando tudo bem quietinho que Boy aprendeu os segredos dos instrumentos de corda.

O esforço logo foi recompensado: aos sete anos Notty o presenteou com seu primeiro instrumento de verdade, um violão Gianini de 12 cordas –“era praticamente do meu tamanho!”, recorda.

As primeiras apresentações, com 14 anos, inseriram o adolescente no circuito musical católico. Primeiro foram os “Rebanhões”, em Cruzeiro, retiros espirituais durante o Carnaval. Depois vieram encontros, acampamentos, cenáculos, festivais e também bailes e festas seculares.

Em meados dos anos 1970, bandas como Genesis e Yes despertaram uma nova paixão, desta vez pelo rock progressivo, que se tornaria sua marca registrada.

“Eram músicas imensas de 15, 20 minutos que me chamaram atenção porque elas têm essa personalidade de trilha de filme. Além disso, elas mudam durante a execução, até os três minutos é uma coisa, daqui a pouco, outra coisa, e seguem se modificando até se tornarem totalmente diferentes do que eram no começo”, filosofou.

A virada na carreira do músico tem como data o ano de 1978, marco de sua estréia como arranjador no LP “Anuncia-me”, do padre Jonas Abib, fundador da comunidade Canção Nova.

Desde então, produziu álbuns para os principais grupos e cantores católicos como Mensagem Brasil, Banda Cristi, Cristoatividade, Nelsinho Corrêa, Banda Canção Nova, Dunga, Ricardo Sá, Banda Nova Aliança, Celina Borges, Ministério Pentecostes, padre Léo, padre Antônio Maria e muitos outros.

Com “Getsêmani”, finalmente o músico espera cobrir a lacuna em sua própria carreira. Responsável por fazer tantos artistas despontarem para o sucesso, agora ele quer a oportunidade de também poder brilhar.

Matéria Completa: http://jornal.valeparaibano.com.br/2006/03/02/viv01/boy.html 

 

Em sua volta ao mercado fonográfico, após 10 anos, Boy quer conquistar um público diversificado

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *