{"id":3090,"date":"2014-12-01T12:00:09","date_gmt":"2014-12-01T14:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/?p=3090"},"modified":"2014-12-01T12:04:17","modified_gmt":"2014-12-01T14:04:17","slug":"o-dom-da-comunhao-e-da-comunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/o-dom-da-comunhao-e-da-comunidade\/","title":{"rendered":"O dom da Comunh\u00e3o e da Comunidade"},"content":{"rendered":"<p><strong>A vida fraterna em comunidade<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_3092\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3092\" class=\"wp-image-3092 size-full\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/files\/2014\/12\/vida-comunitaria-cancao-nova-discipulado-2012.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"558\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/files\/2014\/12\/vida-comunitaria-cancao-nova-discipulado-2012.jpg 1000w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/files\/2014\/12\/vida-comunitaria-cancao-nova-discipulado-2012-300x167.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/files\/2014\/12\/vida-comunitaria-cancao-nova-discipulado-2012-900x502.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-3092\" class=\"wp-caption-text\">Membros do Discipulado 2012, Comunidade Can\u00e7\u00e3o Nova<\/p><\/div>\n<p>Hoje, proponho como reflex\u00e3o o primeiro capitulo do documento &#8220;<em>A Vida Fraterna em Comunidade<\/em>&#8221; publicada pela <em>Congrega\u00e7\u00e3o para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de vida apost\u00f3lica,<\/em>\u00a0pois em ocasi\u00e3o do <a href=\"http:\/\/papa.cancaonova.com\/carta-apostolica-do-papa-para-ano-da-vida-consagrada\/\"><em>Ano da Vida Consagrada<\/em><\/a>, proposto pelo Papa Francisco pra 2015. Esta publica\u00e7\u00e3o\u00a0traz um r\u00e1pido olhar \u00e0s mudan\u00e7as acontecidas nos aspetos que puderam influenciar mais de perto a qualidade da vida fraterna e seu modo de atua\u00e7\u00e3o nas v\u00e1rias comunidades religiosas. Boa leitura!<!--moreContinue lendo...--><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Antes de ser uma constru\u00e7\u00e3o humana, a comunidade religiosa \u00e9 um dom do Esp\u00edrito.<\/strong> De fato, \u00e9 do amor de Deus difundido nos cora\u00e7\u00f5es por meio do Esp\u00edrito que a comunidade religiosa se origina e por ele se constr\u00f3i como uma verdadeira fam\u00edlia reunida no nome do Senhor.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode compreender, portanto, a comunidade religiosa sem partir do fato de ela ser dom do Alto, de seu mist\u00e9rio e de seu radicar-se no cora\u00e7\u00e3o mesmo da Trindade santa e santificante, que a quer como parte do mist\u00e9rio da Igreja, para a vida do mundo.<\/p>\n<p>Criando o ser humano \u00e0 pr\u00f3pria imagem e semelhan\u00e7a, Deus o criou para a comunh\u00e3o. O Deus criador que se revelou como Amor, Trindade, comunh\u00e3o, chamou o homem a entrar em \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com Ele e \u00e0 comunh\u00e3o interpessoal, isto \u00e9, \u00e0 fraternidade universal.<\/p>\n<p><strong>Essa \u00e9 mais alta voca\u00e7\u00e3o do homem: entrar em comunh\u00e3o com Deus e com os outros homens, seus irm\u00e3os.\u00a0<\/strong>Esse des\u00edgnio de Deus foi comprometido pelo pecado que quebrou todo o tipo de rela\u00e7\u00e3o: entre o g\u00eanero humano e Deus, entre o homem e a mulher, entre irm\u00e3o e irm\u00e3, entre os povos, entre a humanidade e a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em seu grande amor, o Pai mandou seu Filho para que, novo Ad\u00e3o, reconstitu\u00edsse e levasse toda a cria\u00e7\u00e3o \u00e0 plena unidade. Ele, vindo entre n\u00f3s, constituiu o inicio do novo povo de Deus chamando ao redor de si ap\u00f3stolos e disc\u00edpulos, homens e mulheres, par\u00e1bola viva da fam\u00edlia humana reunida em unidade. A eles anunciou a fraternidade universal no Pai que nos fez seus familiares, filhos seus e irm\u00e3os entre n\u00f3s. Assim ensinou a igualdade na fraternidade e a reconcilia\u00e7\u00e3o no perd\u00e3o. Inverteu as rela\u00e7\u00f5es de poder e de dom\u00ednio, dando ele mesmo exemplo de como servir e colocar-se no \u00faltimo lugar.<\/p>\n<p>Durante a \u00faltima ceia, confiou-lhes o mandamento novo do amor m\u00fatuo: <em>&#8220;Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; como eu vos tenho amado, assim amai-vos tamb\u00e9m v\u00f3s uns aos outros&#8221;<\/em>\u00a0(Jo 13, 34; <em>Cf<\/em>. 15, 12); instituiu a Eucaristia que, fando-nos comungar no \u00fanico p\u00e3o e no \u00fanico c\u00e1lice, alimenta o amor m\u00fatuo. Dirigiu-se ent\u00e3o ao Pai pedindo, como s\u00edntese de seus desejos, a unidade de todos conforme o modelo da unidade trinit\u00e1ria: <em>&#8220;Meu Pai, que es estejam em n\u00f3s, assim como tu est\u00e1s em mim e eu em ti; que eles sejam um!&#8221;<\/em> (Jo 17, 21).<\/p>\n<p>Entregando-se, depois, \u00e0 vontade do Pai, no mist\u00e9rio pascal realizou aquela unidade que havia ensinado os disc\u00edpulos viverem e que havia pedido ao Pai. Com sua morte de cruz destruiu o muro de separa\u00e7\u00e3o entre povos, reconciliando todos na unidade (Cf. Ef 2, 14-16), ensinando-nos assim que a comunh\u00e3o e a unidade s\u00e3o o fruto da condivis\u00e3o de seu mist\u00e9rio de morte.<\/p>\n<p>A vinda do Esp\u00edrito Santo, primeiro dom aos que t\u00eam f\u00e9, realizou a unidade querida por Cristo. Efundido sobre os disc\u00edpulos reunidos no cen\u00e1culo com Maria, deu visibilidade \u00e0 Igreja que, desde o primeiro momento, se caracteriza como fraternidade e comunh\u00e3o, na unidade de um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e de uma s\u00f3 alma (Cf. At 4, 32).<\/p>\n<p>Essa comunh\u00e3o \u00e9 o vinculo da caridade que une entre si todos os membros do mesmo Corpo de Cristo, e o Corpo com sua Cabe\u00e7a. A mesma presen\u00e7a vivificante do Esp\u00edrito Santo constr\u00f3i em Cristo a coes\u00e3o org\u00e2nica: Ele unifica a Igreja na comunh\u00e3o e no minist\u00e9rio; Ele a coordena e rege com diversos dons hier\u00e1rquicos e carism\u00e1ticos que se complementam entre si; Ele a embeleza com seus frutos.<\/p>\n<p>Em sua peregrina\u00e7\u00e3o por este mundo, a Igreja, una e santa, se caracterizou constantemente por uma tens\u00e3o, muitas vezes sofrida, rumo \u00e0 unidade efetiva. Ao longo de seu caminho hist\u00f3rico, tomou sempre maior consci\u00eancia de ser povo e fam\u00edlia de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Esp\u00edrito, Sacramento da intima uni\u00e3o do g\u00eanero humano, comunh\u00e3o, \u00edcone da Trindade. O Conc\u00edlio Vaticano II ressaltou, como talvez nunca antes de ent\u00e3o, essa dimens\u00e3o mist\u00e9rica e comunional da Igreja.<\/p>\n<p><strong>A Comunidade religiosa: express\u00e3o da comunh\u00e3o eclesial<\/strong><\/p>\n<p>A vida consagrada, desde seu nascimento, compreendeu essa \u00edntima natureza do cristianismo. De fato, a comunidade religiosa se sentiu em continuidade com o grupo daqueles que seguiam a Jesus. Ele os havia chamado pessoalmente, um a um, para viver em comunh\u00e3o com Ele e com os outros disc\u00edpulos, para compartilhar sua vida e seu destino (Cf. Mc 3, 13-15), de modo a serem sinal da vida e da comunh\u00e3o inaugurada por Ele. As primeiras comunidades mon\u00e1sticas olharam para a comunidade dos disc\u00edpulos que seguiam a Cristo e para a comunidade de Jerusal\u00e9m como para um ideal de vida. Como a Igreja nascente, tendo um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma, os monges, reunindo-se entre si ao redor de um guia espiritual, o abade, propuseram-se a viver a radical comunh\u00e3o dos bens materiais e espirituais e a unidade instaurada por Cristo. Essa comunh\u00e3o encontra seu arqu\u00e9tipo e seu dinamismo unificante na vida de unidade das Pessoas da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p>Nos s\u00e9culos seguintes surgem m\u00faltiplas formas de comunidade sob a a\u00e7\u00e3o carism\u00e1tica do Esp\u00edrito. Ele, que perscruta o cora\u00e7\u00e3o humano, vai-lhes ao encontro e responde a suas necessidades. Suscita assim homens e mulheres que, iluminados com a luz do Evangelho e sens\u00edveis aos sinais dos tempos, d\u00e3o vida a novas fam\u00edlias religiosas e, portanto, a novas maneiras de atuar a \u00fanica comunh\u00e3o, na diversidade dos minist\u00e9rios e das comunidades.<\/p>\n<p>De fato, n\u00e3o se pode falar, de modo un\u00edvoco, de comunidade religiosa. A hist\u00f3ria da vida consagrada testemunha maneiras diferentes de viver a \u00fanica comunh\u00e3o, de acordo com a natureza de cada um dos institutos. Assim hoje podemos admirar a \u00abmaravilhosa variedade\u00bb das fam\u00edlias religiosas das quais a Igreja \u00e9 rica e que a tornam preparada para qualquer obra boa e, portanto, podemos admirar a variedade das formas de comunidades religiosas.<\/p>\n<p>No entanto, na variedade de suas formas, a vida fraterna em comum sempre apareceu como uma radicaliza\u00e7\u00e3o do comum esp\u00edrito fraterno que une todos os crist\u00e3os. A comunidade religiosa \u00e9 visualiza\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o que funda a Igreja e, ao mesmo tempo, profecia da unidade \u00e0 qual tende como sua meta final. <strong>\u00abPeritos em comunh\u00e3o, os religiosos s\u00e3o chamados a ser, na comunidade eclesial e no mundo, testemunhas e art\u00edfices daquele projeto de comunh\u00e3o que est\u00e1 no v\u00e9rtice da hist\u00f3ria do homem segundo Deus. Antes de tudo, com a profiss\u00e3o dos conselhos evang\u00e9licos, que liberta de qualquer impedimento o fervor da caridade, eles se tornam comunitariamente sinal prof\u00e9tico da \u00edntima uni\u00e3o com Deus sumamente amado&#8221;. <\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pela cotidiana experi\u00eancia de uma comunh\u00e3o de vida, de ora\u00e7\u00e3o e de apostolado, como componente essencial e distintivo de sua forma de vida consagrada, fazem-se &#8220;sinal de comunh\u00e3o fraterna&#8221;.<strong> De fato, num mundo muitas vezes t\u00e3o profundamente dividido e diante de todos os seus irm\u00e3os na f\u00e9, testemunham a capacidade de comunh\u00e3o dos bens, do afeto fraterno, do projeto de vida e de atividade. Essa capacidade lhes prov\u00e9m do fato de terem atendido ao convite para seguir mais livremente e mais de perto Cristo Senhor, enviado pelo Pai, a fim de que, primog\u00eanito entre muitos irm\u00e3os, institu\u00edsse, no dom de seu Esp\u00edrito, uma nova comunh\u00e3o fraterna\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p>Isso ser\u00e1 tanto mais vis\u00edvel quanto mais eles, n\u00e3o s\u00f3 sintam com e dentro da Igreja, mas tamb\u00e9m sintam a Igreja, identificando-se com ela em plena comunh\u00e3o com sua doutrina, sua vida, seus pastores, seus fi\u00e9is e sua miss\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p>Particularmente significativo \u00e9 o testemunho dado pelos contemplativos e pelas contemplativas. Para eles a vida fraterna tem dimens\u00f5es mais vastas e mais profundas, que derivam da exig\u00eancia fundamental dessa especial voca\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, a busca somente de Deus no sil\u00eancio e na ora\u00e7\u00e3o. Sua cont\u00ednua aten\u00e7\u00e3o a Deus torna mais delicada e respeitosa a aten\u00e7\u00e3o aos outros membros da comunidade; a contempla\u00e7\u00e3o se torna uma for\u00e7a libertadora de qualquer forma de ego\u00edsmo.<\/p>\n<p><strong>A vida fraterna em comum, num mosteiro, \u00e9 chamada a ser sinal vivo do mist\u00e9rio da Igreja: quanto maior o mist\u00e9rio da gra\u00e7a, tanto mais rico o fruto da salva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Assim o Esp\u00edrito do Senhor que reuniu os primeiros fi\u00e9is e que continuamente convoca a Igreja numa \u00fanica fam\u00edlia, convoca e sustenta as fam\u00edlias religiosas que, atrav\u00e9s de suas comunidades esparsas por toda a terra, t\u00eam a miss\u00e3o de ser sinais particularmente leg\u00edveis da \u00edntima comunh\u00e3o que anima e constitui a Igreja e de ser sustent\u00e1culo para a realiza\u00e7\u00e3o do plano de Deus.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/ccscrlife\/documents\/rc_con_ccscrlife_doc_02021994_fraternal-life-in-community_po.html\" target=\"_blank\">Fonte: <em>Congregavit nos in unum Christi amor (C<\/em>ap\u00edtulo\u00a0I)<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida fraterna em comunidade Hoje, proponho como reflex\u00e3o o primeiro capitulo do documento &#8220;A Vida Fraterna em Comunidade&#8221; publicada pela Congrega\u00e7\u00e3o para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de vida apost\u00f3lica,\u00a0pois em ocasi\u00e3o do Ano da Vida&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4539,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3090"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4539"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3090"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3090\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3101,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3090\/revisions\/3101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}