{"id":3403,"date":"2015-01-28T10:54:16","date_gmt":"2015-01-28T12:54:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/?p=3403"},"modified":"2015-01-28T10:54:16","modified_gmt":"2015-01-28T12:54:16","slug":"carta-apostolica-ano-da-vida-consagrada-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/carta-apostolica-ano-da-vida-consagrada-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Carta apost\u00f3lica: \"Ano da Vida Consagrada\" (Papa Francisco)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Carta apost\u00f3lica \u00e0s pessoas consagradas para proclama\u00e7\u00e3o do Ano da Vida Consagrada<\/strong><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3409\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/files\/2015\/01\/papa-francisco-ano-da-vida-consagrada-cleber-rodrigues-cancao-nova.jpg\" alt=\"papa-francisco-ano-da-vida-consagrada-cleber-rodrigues-cancao-nova\" width=\"999\" height=\"562\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/files\/2015\/01\/papa-francisco-ano-da-vida-consagrada-cleber-rodrigues-cancao-nova.jpg 999w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/files\/2015\/01\/papa-francisco-ano-da-vida-consagrada-cleber-rodrigues-cancao-nova-300x168.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/cleberrodrigues\/files\/2015\/01\/papa-francisco-ano-da-vida-consagrada-cleber-rodrigues-cancao-nova-900x506.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 999px) 100vw, 999px\" \/><\/p>\n<p>Consagradas e consagrados car\u00edssimos!<\/p>\n<p><strong>Escrevo-vos como Sucessor de Pedro, a quem o Senhor Jesus confiou a tarefa de confirmar na f\u00e9 os seus irm\u00e3os (cf. Lc 22, 32), e escrevo-vos como vosso irm\u00e3o, consagrado a Deus como v\u00f3s.\u00a0<\/strong>Juntos, damos gra\u00e7as ao Pai, que nos chamou para seguir Jesus na plena ades\u00e3o ao seu Evangelho e no servi\u00e7o da Igreja e derramou nos nossos cora\u00e7\u00f5es o Esp\u00edrito Santo que nos d\u00e1 alegria e nos faz dar testemunho ao mundo inteiro do seu amor e da sua miseric\u00f3rdia.<!--moreContinue lendo...--><\/p>\n<p>Fazendo-me eco do sentir de muitos de v\u00f3s e da Congrega\u00e7\u00e3o para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apost\u00f3lica, por ocasi\u00e3o do quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio da <em><strong>Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica Lumen gentium<\/strong><\/em> sobre a Igreja, que no cap\u00edtulo VI trata dos religiosos, bem como do <em><strong>Decreto Perfectae caritatis<\/strong><\/em> sobre a renova\u00e7\u00e3o da vida religiosa, decidi proclamar um <strong>Ano da Vida Consagrada<\/strong>. Ter\u00e1 in\u00edcio no dia 30 do corrente m\u00eas de Novembro, I Domingo de Advento, e terminar\u00e1 com a festa da Apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus no Templo a 2 de Fevereiro de 2016.<\/p>\n<p>Depois de ter ouvido a Congrega\u00e7\u00e3o para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apost\u00f3lica, indiquei como objetivos para este Ano os mesmos que S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II propusera \u00e0 Igreja no in\u00edcio do terceiro mil\u00e9nio, retomando, de certa forma, aquilo que j\u00e1 havia indicado na Exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal Vita consecrata: <em>\u00abV\u00f3s n\u00e3o tendes apenas uma hist\u00f3ria gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande hist\u00f3ria a construir! Olhai para o futuro, para o qual vos projecta o Esp\u00edrito a fim de realizar convosco ainda coisas maiores\u00bb<\/em> (n. 110).<\/p>\n<h3><strong>I- Os objetivos do Ano da Vida Consagrada<\/strong><\/h3>\n<p><strong>1. O primeiro objetivo \u00e9 olhar com gratid\u00e3o o passado.<\/strong> Cada um dos nossos Institutos prov\u00e9m duma rica hist\u00f3ria carism\u00e1tica. Nas suas origens, est\u00e1 presente a ac\u00e7\u00e3o de Deus que, no seu Esp\u00edrito, chama algumas pessoas para seguirem de perto a Cristo, traduzirem o Evangelho numa forma particular de vida, lerem com os olhos da f\u00e9 os sinais dos tempos, responderem criativamente \u00e0s necessidades da Igreja. Depois a experi\u00eancia dos in\u00edcios cresceu e desenvolveu-se, tocando outros membros em novos contextos geogr\u00e1ficos e culturais, dando vida a modos novos de implementar o carisma, a novas iniciativas e express\u00f5es de caridade apost\u00f3lica. \u00c9 como a semente que se torna \u00e1rvore alargando os seus ramos.<\/p>\n<p>Neste Ano, ser\u00e1 oportuno que cada fam\u00edlia carism\u00e1tica recorde os seus in\u00edcios e o seu desenvolvimento hist\u00f3rico, para agradecer a Deus que deste modo ofereceu \u00e0 Igreja tantos dons que a tornam bela e habilitada para toda a boa obra (cf. Lumen gentium, 12).<\/p>\n<p>Repassar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria \u00e9 indispens\u00e1vel para manter viva a identidade e tamb\u00e9m robustecer a unidade da fam\u00edlia e o sentido de perten\u00e7a dos seus membros. N\u00e3o se trata de fazer arqueologia nem cultivar in\u00fateis nostalgias, mas de repercorrer o caminho das gera\u00e7\u00f5es passadas para nele captar a centelha inspiradora, os ideais, os projectos, os valores que as moveram, a come\u00e7ar dos Fundadores, das Fundadoras e das primeiras comunidades. \u00c9 uma forma tamb\u00e9m para se tomar consci\u00eancia de como foi vivido o carisma ao longo da hist\u00f3ria, que criatividade desencadeou, que dificuldades teve de enfrentar e como foram superadas. Poder-se-\u00e1 descobrir incoer\u00eancias, fruto das fraquezas humanas, e talvez mesmo qualquer esquecimento de alguns aspectos essenciais do carisma. Tudo \u00e9 instrutivo, tornando-se simultaneamente apelo \u00e0 convers\u00e3o. Narrar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria \u00e9 louvar a Deus e agradecer-Lhe por todos os seus dons.<\/p>\n<p>De modo particular, agradecemos-Lhe por estes \u00faltimos 50 anos ap\u00f3s o Conc\u00edlio Vaticano II, que representou uma \u00abventania\u00bb do Esp\u00edrito Santo sobre toda a Igreja; gra\u00e7as ao Conc\u00edlio, de fato, a vida consagrada empreendeu um fecundo caminho de renova\u00e7\u00e3o, o qual, com as suas luzes e sombras, foi um tempo de gra\u00e7a, marcado pela presen\u00e7a do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Que este Ano da Vida Consagrada seja ocasi\u00e3o tamb\u00e9m para confessar, com humildade e simultaneamente grande confian\u00e7a em Deus Amor (cf. 1 Jo 4, 8), a pr\u00f3pria fragilidade e para a viver como experi\u00eancia do amor misericordioso do Senhor; ocasi\u00e3o para gritar ao mundo com for\u00e7a e testemunhar com alegria a santidade e a vitalidade presentes na maioria daqueles que foram chamados a seguir Cristo na vida consagrada.<\/p>\n<p><strong>2. Al\u00e9m disso, este Ano chama-nos a viver com paix\u00e3o o presente.<\/strong> A lembran\u00e7a agradecida do passado impele-nos, numa escuta atenta daquilo que o Esp\u00edrito diz hoje \u00e0 Igreja, a implementar de maneira cada vez mais profunda os aspectos constitutivos da nossa vida consagrada.<\/p>\n<p>Desde os in\u00edcios do primeiro monaquismo at\u00e9 \u00e0s \u00abnovas comunidades\u00bb de hoje, cada forma de vida consagrada nasceu da chamada do Esp\u00edrito para seguir a Cristo segundo o ensinamento do Evangelho (cf. Perfectae caritatis, 2). Para os Fundadores e as Fundadoras, a regra em absoluto foi o Evangelho; qualquer outra regra pretendia apenas ser express\u00e3o do Evangelho e instrumento para o viver em plenitude. O seu ideal era Cristo, aderir inteiramente a Ele podendo dizer com Paulo: \u00abPara mim, viver \u00e9 Cristo\u00bb (Flp 1, 21); os votos tinham sentido apenas para implementar este seu amor apaixonado.<\/p>\n<p>A pergunta que somos chamados a p\u00f4r neste Ano \u00e9 se e como nos deixamos, tamb\u00e9m n\u00f3s, interpelar pelo Evangelho; se este \u00e9 verdadeiramente o \u00abvademecum\u00bb para a vida de cada dia e para as op\u00e7\u00f5es que somos chamados a fazer. Isto \u00e9 exigente e pede para ser vivido com radicalismo e sinceridade. N\u00e3o basta l\u00ea-lo (e no entanto a leitura e o estudo permanecem de extrema import\u00e2ncia), nem basta medit\u00e1-lo (e fazemo-lo com alegria todos os dias); Jesus pede-nos para p\u00f4-lo em pr\u00e1tica, para viver as suas palavras.<\/p>\n<p>Jesus \u2013 devemos perguntar-nos ainda \u2013 \u00e9 verdadeiramente o primeiro e o \u00fanico amor, como nos propusemos quando professamos os nossos votos? S\u00f3 em caso afirmativo, poderemos \u2013 como \u00e9 nosso dever \u2013 amar verdadeira e misericordiosamente cada pessoa que encontramos no nosso caminho, porque teremos aprendido d\u2019Ele o que \u00e9 o amor e como amar: saberemos amar, porque teremos o seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os nossos Fundadores e Fundadoras sentiram em si mesmos a compaix\u00e3o que se apoderava de Jesus quando via as multid\u00f5es como ovelhas extraviadas sem pastor. Tal como Jesus, movido por tal compaix\u00e3o, comunicou a sua palavra, curou os doentes, deu o p\u00e3o para comer, ofereceu a sua pr\u00f3pria vida, assim tamb\u00e9m os Fundadores se puseram ao servi\u00e7o da humanidade, \u00e0 qual eram enviados pelo Esp\u00edrito servindo-a dos mais diversos modos: com a intercess\u00e3o, a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho, a catequese, a instru\u00e7\u00e3o, o servi\u00e7o aos pobres, aos doentes\u2026 A inventiva da caridade n\u00e3o conheceu limites e soube abrir in\u00fameras estradas para levar o sopro da Evangelho \u00e0s culturas e aos setores sociais mais diversos.<\/p>\n<p>O Ano da Vida Consagrada questiona-nos sobre a fidelidade \u00e0 miss\u00e3o que nos foi confiada. Os nossos servi\u00e7os, as nossas obras, a nossa presen\u00e7a correspondem \u00e0quilo que o Esp\u00edrito pediu aos nossos Fundadores, sendo adequados para encal\u00e7ar as suas finalidades na sociedade e na Igreja atual? H\u00e1 algo que devemos mudar? Temos a mesma paix\u00e3o pelo nosso povo, solidarizamo-nos com ele at\u00e9 ao ponto de partilhar as suas alegrias e sofrimentos, a fim de podermos compreender verdadeiramente as suas necessidades e contribuir com a nossa parte para lhes dar resposta? Como a seu tempo pedia S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, \u00aba mesma generosidade e abnega\u00e7\u00e3o que impeliram os Fundadores devem levar-vos a v\u00f3s, seus filhos espirituais, a manter vivos os seus carismas, que continuam \u2013 com a mesma for\u00e7a do Esp\u00edrito que os suscitou \u2013 a enriquecer-se e adaptar-se, sem perder o seu car\u00e1cter genu\u00edno, para se porem ao servi\u00e7o da Igreja e levarem \u00e0 plenitude a implanta\u00e7\u00e3o do seu Reino\u00bb[1].<\/p>\n<p>Ao recordar as origens, h\u00e1 que evidenciar mais um componente do projecto de vida consagrada. Os Fundadores e as Fundadoras viviam fascinados pela unidade dos Doze ao redor de Jesus, pela comunh\u00e3o que caracterizava a primeira comunidade de Jerusal\u00e9m. Cada um deles, ao dar vida \u00e0 sua comunidade, pretendeu reproduzir tais modelos evang\u00e9licos, formar um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma, gozar da presen\u00e7a do Senhor (cf. Perfectae caritatis, 15).<\/p>\n<p>Viver com paix\u00e3o o presente significa tornar-se \u00abperitos em comunh\u00e3o\u00bb, ou seja, \u00abtestemunhas e art\u00edfices daquele \u201cprojecto de comunh\u00e3o\u201d que est\u00e1 no v\u00e9rtice da hist\u00f3ria do homem segundo Deus\u00bb[2]. Numa sociedade marcada pelo conflito, a conviv\u00eancia dif\u00edcil entre culturas diversas, a prepot\u00eancia sobre os mais fracos, as desigualdades, somos chamados a oferecer um modelo concreto de comunidade que, mediante o reconhecimento da dignidade de cada pessoa e a partilha do dom que cada um \u00e9 portador, permita viver rela\u00e7\u00f5es fraternas.<\/p>\n<p>Por isso, sede mulheres e homens de comunh\u00e3o, marcai presen\u00e7a com coragem onde h\u00e1 disparidades e tens\u00f5es, e sede sinal cred\u00edvel da presen\u00e7a do Esp\u00edrito que infunde nos cora\u00e7\u00f5es a paix\u00e3o por todos serem um s\u00f3 (cf. Jo 17, 21). Vivei a m\u00edstica do encontro: a capacidade de ouvir atentamente as outras pessoas; \u00aba capacidade de procurar juntos o caminho, o m\u00e9todo\u00bb[3], deixando-vos iluminar pelo relacionamento de amor que se verifica entre as tr\u00eas Pessoas divinas (cf. 1 Jo 4, 8) e tomando-o como modelo de toda a rela\u00e7\u00e3o interpessoal.<\/p>\n<p><strong>3. Abra\u00e7ar com esperan\u00e7a o futuro \u00e9 o terceiro objetivo que se pretende neste Ano.<\/strong> Conhecemos as dificuldades que enfrenta a vida consagrada nas suas diversas formas: a diminui\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es e o envelhecimento, especialmente no mundo ocidental, os problemas econ\u00f3micos na sequ\u00eancia da grave crise financeira mundial, os desafios da internacionalidade e da globaliza\u00e7\u00e3o, as ins\u00eddias do relativismo, a marginaliza\u00e7\u00e3o e a irrelev\u00e2ncia social\u2026 \u00c9 precisamente nestas incertezas, que partilhamos com muitos dos nossos contempor\u00e2neos, que se actua a nossa esperan\u00e7a, fruto da f\u00e9 no Senhor da hist\u00f3ria que continua a repetir-nos: \u00abN\u00e3o ter\u00e1s medo (\u2026), pois Eu estou contigo\u00bb (Jr 1, 8).<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a de que falamos n\u00e3o se funda sobre n\u00fameros ou sobre as obras, mas sobre Aquele em quem pusemos a nossa confian\u00e7a (cf. 2 Tm 1, 12) e para quem \u00abnada \u00e9 imposs\u00edvel\u00bb (Lc 1, 37). Esta \u00e9 a esperan\u00e7a que n\u00e3o desilude e que permitir\u00e1 \u00e0 vida consagrada continuar a escrever uma grande hist\u00f3ria no futuro, para o qual se deve voltar o nosso olhar, cientes de que \u00e9 para ele que nos impele o Esp\u00edrito Santo a fim de continuar a fazer, conosco, grandes coisas.<\/p>\n<p>N\u00e3o cedais \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros e da efici\u00eancia, e menos ainda \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de confiar nas vossas pr\u00f3prias for\u00e7as. Com atenta vigil\u00e2ncia, perscrutai os horizontes da vossa vida e do momento atual. Repito-vos com Bento XVI: \u00abN\u00e3o vos unais aos profetas de desventura, que proclamam o fim ou a insensatez da vida consagrada na Igreja dos nossos dias; pelo contr\u00e1rio, revesti-vos de Jesus Cristo e muni-vos das armas da luz \u2013 como exorta S\u00e3o Paulo (cf. Rm 13, 11-14) \u2013, permanecendo acordados e vigilantes\u00bb[4]. Prossigamos, retomando sempre o nosso caminho com confian\u00e7a no Senhor.<\/p>\n<p>Dirijo-me sobretudo a v\u00f3s, jovens. Sois o presente, porque viveis j\u00e1 activamente dentro dos vossos Institutos, prestando uma decisiva contribui\u00e7\u00e3o com o frescor e a generosidade da vossa op\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo sois o seu futuro, porque em breve sereis chamados a tomar nas vossas m\u00e3os a lideran\u00e7a da anima\u00e7\u00e3o, da forma\u00e7\u00e3o, do servi\u00e7o, da miss\u00e3o. Este Ano h\u00e1-de ver-vos protagonistas no di\u00e1logo com a gera\u00e7\u00e3o que vai \u00e0 vossa frente; podereis, em comunh\u00e3o fraterna, enriquecer-vos com a sua experi\u00eancia e sabedoria e, ao mesmo tempo, repropor-lhe o ideal que conheceu no seu in\u00edcio, oferecer o \u00edmpeto e o frescor do vosso entusiasmo, a fim de elaborardes em conjunto novos modos de viver o Evangelho e respostas cada vez mais adequadas \u00e0s exig\u00eancias de testemunho e de an\u00fancio.<\/p>\n<p>Fico feliz em saber que ides ter ocasi\u00f5es para vos encontrardes entre v\u00f3s, jovens dos diferentes Institutos. Que o encontro se torne caminho habitual de comunh\u00e3o, de apoio m\u00fatuo, de unidade.<\/p>\n<h3><strong>II &#8211; As expectativas para o Ano da Vida Consagrada<\/strong><\/h3>\n<p>Que espero eu, em particular, deste Ano de gra\u00e7a da vida consagrada?<\/p>\n<p><strong>1. Que seja sempre verdade aquilo que eu disse uma vez: <em>&#8220;Onde est\u00e3o os religiosos, h\u00e1 alegria&#8221;<\/em>.<\/strong> Somos chamados a experimentar e mostrar que Deus \u00e9 capaz de preencher o nosso cora\u00e7\u00e3o e fazer-nos felizes sem necessidade de procurar em outro lugar a nossa felicidade, que a aut\u00eantica fraternidade vivida nas nossas comunidades alimenta a nossa alegria, que a nossa entrega total ao servi\u00e7o da Igreja, das fam\u00edlias, dos jovens, dos idosos, dos pobres nos realiza como pessoas e d\u00e1 plenitude \u00e0 nossa vida.<\/p>\n<p>Que entre n\u00f3s n\u00e3o se vejam rostos tristes, pessoas desgostosas e insatisfeitas, porque \u00abum seguimento triste \u00e9 um triste seguimento\u00bb. Tamb\u00e9m n\u00f3s, como todos os outros homens e mulheres, sentimos dificuldades, noites do esp\u00edrito, desilus\u00f5es, doen\u00e7as, decl\u00ednio das for\u00e7as devido \u00e0 velhice. Mas, nisto mesmo, deveremos encontrar a \u00abperfeita alegria\u00bb, aprender a reconhecer o rosto de Cristo, que em tudo Se fez semelhante a n\u00f3s e, consequentemente, sentir a alegria de saber que somos semelhantes a Ele que, por nosso amor, n\u00e3o Se recusou a sofrer a cruz.<\/p>\n<p>Numa sociedade que ostenta o culto da efici\u00eancia, da sa\u00fade, do sucesso e que marginaliza os pobres e exclui os \u00abperdedores\u00bb, podemos testemunhar, atrav\u00e9s da nossa vida, a verdade destas palavras da Escritura: \u00abQuando sou fraco, ent\u00e3o \u00e9 que sou forte\u00bb (2 Cor 12, 10).<\/p>\n<p>Bem podemos aplicar \u00e0 vida consagrada aquilo que escrevi na Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Evangelii gaudium, citando uma homilia de Bento XVI: \u00abA Igreja n\u00e3o cresce por proselitismo, mas por atrac\u00e7\u00e3o\u00bb (n. 14). \u00c9 verdade! A vida consagrada n\u00e3o cresce, se organizarmos belas campanhas vocacionais, mas se as jovens e os jovens que nos encontram se sentirem atra\u00eddos por n\u00f3s, se nos virem homens e mulheres felizes! De igual forma, a efic\u00e1cia apost\u00f3lica da vida consagrada n\u00e3o depende da efici\u00eancia e da for\u00e7a dos seus meios. \u00c9 a vossa vida que deve falar, uma vida da qual transparece a alegria e a beleza de viver o Evangelho e seguir a Cristo.<\/p>\n<p>O que disse aos Movimentos eclesiais, na passada Vig\u00edlia de Pentecostes, repito-o aqui para v\u00f3s tamb\u00e9m: \u00abFundamentalmente, o valor da Igreja \u00e9 viver o Evangelho e dar testemunho da nossa f\u00e9. A Igreja \u00e9 sal da terra, \u00e9 luz do mundo; \u00e9 chamada a tornar presente na sociedade o fermento do Reino de Deus; e f\u00e1-lo, antes de mais nada, por meio do seu testemunho: o testemunho do amor fraterno, da solidariedade, da partilha\u00bb (18 de Maio de 2013).<\/p>\n<p><strong>2. Espero que <em>&#8220;desperteis o mundo&#8221;<\/em>, porque a nota caracter\u00edstica da vida consagrada \u00e9 a profecia.<\/strong> Como disse aos Superiores Gerais, \u00aba radicalidade evang\u00e9lica n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3pria s\u00f3 dos religiosos: \u00e9 pedida a todos. Mas os religiosos seguem o Senhor de uma maneira especial, de modo prof\u00e9tico\u00bb. Esta \u00e9 a prioridade que agora se requer: \u00abser profetas que testemunham como viveu Jesus nesta terra (\u2026). Um religioso n\u00e3o deve jamais renunciar \u00e0 profecia\u00bb (29 de Novembro de 2013).<\/p>\n<p>O profeta recebe de Deus a capacidade de perscrutar a hist\u00f3ria em que vive e interpretar os acontecimentos: \u00e9 como uma sentinela que vigia durante a noite e sabe quando chega a aurora (cf. Is 21, 11-12). Conhece a Deus e conhece os homens e as mulheres, seus irm\u00e3os e irm\u00e3s. \u00c9 capaz de discernimento e tamb\u00e9m de denunciar o mal do pecado e as injusti\u00e7as, porque \u00e9 livre, n\u00e3o deve responder a outros senhores que n\u00e3o seja a Deus, n\u00e3o tem outros interesses al\u00e9m dos de Deus. Habitualmente o profeta est\u00e1 da parte dos pobres e indefesos, porque sabe que o pr\u00f3prio Deus est\u00e1 da parte deles.<\/p>\n<p>Deste modo espero que saibais, sem vos perder em v\u00e3s \u00abutopias\u00bb, criar \u00aboutros lugares\u00bb onde se viva a l\u00f3gica evang\u00e9lica do dom, da fraternidade, do acolhimento da diversidade, do amor rec\u00edproco. Mosteiros, comunidades, centros de espiritualidade, cidadelas, escolas, hospitais, casas-fam\u00edlia e todos aqueles lugares que a caridade e a criatividade carism\u00e1tica fizeram nascer \u2013 e ainda far\u00e3o nascer, com nova criatividade \u2013, devem tornar-se cada vez mais o fermento para uma sociedade inspirada no Evangelho, a \u00abcidade sobre o monte\u00bb que manifesta a verdade e a for\u00e7a das palavras de Jesus.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, como aconteceu com Elias e Jonas, pode vir a tenta\u00e7\u00e3o de fugir, de subtrair-se ao dever de profeta, porque \u00e9 demasiado exigente, porque se est\u00e1 cansado, desiludido com os resultados. Mas o profeta sabe que nunca est\u00e1 sozinho. Tamb\u00e9m a n\u00f3s, como fez a Jeremias, Deus assegura: \u00abN\u00e3o ter\u00e1s medo (\u2026), pois Eu estou contigo para te livrar\u00bb (Jr 1, 8).<\/p>\n<p><strong>3. Os religiosos e as religiosas, como todas as outras pessoas consagradas, s\u00e3o chamados a ser <em>&#8220;peritos em comunh\u00e3o&#8221;<\/em>.<\/strong> Assim, espero que a \u00abespiritualidade da comunh\u00e3o\u00bb, indicada por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, se torne realidade e que v\u00f3s estejais na vanguarda abra\u00e7ando \u00abo grande desafio que nos espera\u00bb neste novo mil\u00e9nio: \u00abfazer da Igreja a casa e a escola da comunh\u00e3o\u00bb[5]. Estou certo de que, neste Ano, trabalhareis a s\u00e9rio para que o ideal de fraternidade perseguido pelos Fundadores e pelas Fundadoras cres\u00e7a, nos mais diversos n\u00edveis, como que em c\u00edrculos conc\u00eantricos.<\/p>\n<p>A comunh\u00e3o \u00e9 praticada, antes de mais nada, dentro das respectivas comunidades do Instituto. A este respeito, convido-vos a reler frequentes interven\u00e7\u00f5es minhas onde n\u00e3o me canso de repetir que cr\u00edticas, bisbilhotices, invejas, ci\u00fames, antagonismos s\u00e3o comportamentos que n\u00e3o t\u00eam direito de habitar nas nossas casas. Mas, posta esta premissa, o caminho da caridade que se abre diante de n\u00f3s \u00e9 quase infinito, porque se trata de buscar a aceita\u00e7\u00e3o e a solicitude rec\u00edprocas, praticar a comunh\u00e3o dos bens materiais e espirituais, a correc\u00e7\u00e3o fraterna, o respeito pelas pessoas mais fr\u00e1geis\u2026 \u00c9 \u00aba \u201cm\u00edstica\u201d de viver juntos\u00bb que faz da nossa vida \u00abuma peregrina\u00e7\u00e3o sagrada\u00bb[6]. Tendo em conta que as nossas comunidades se tornam cada vez mais internacionais, devemos questionar-nos tamb\u00e9m sobre o relacionamento entre as pessoas de culturas diferentes. Como consentir a cada um de se exprimir, ser acolhido com os seus dons espec\u00edficos, tornar-se plenamente co-respons\u00e1vel?<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, espero que cres\u00e7a a comunh\u00e3o entre os membros dos diferentes Institutos. N\u00e3o poderia este Ano ser ocasi\u00e3o de sair, com maior coragem, das fronteiras do pr\u00f3prio Instituto para se elaborar em conjunto, a n\u00edvel local e global, projectos comuns de forma\u00e7\u00e3o, de evangeliza\u00e7\u00e3o, de interven\u00e7\u00f5es sociais? Poder-se-\u00e1 assim oferecer, de forma mais eficaz, um real testemunho prof\u00e9tico. A comunh\u00e3o e o encontro entre diferentes carismas e voca\u00e7\u00f5es \u00e9 um caminho de esperan\u00e7a. Ningu\u00e9m constr\u00f3i o futuro isolando-se, nem contando apenas com as pr\u00f3prias for\u00e7as, mas reconhecendo-se na verdade de uma comunh\u00e3o que sempre se abre ao encontro, ao di\u00e1logo, \u00e0 escuta, \u00e0 ajuda m\u00fatua e nos preserva da doen\u00e7a da auto-referencialidade.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a vida consagrada \u00e9 chamada a procurar uma sinergia sincera entre todas as voca\u00e7\u00f5es na Igreja, a come\u00e7ar pelos presb\u00edteros e os leigos, a fim de \u00abfazer crescer a espiritualidade da comunh\u00e3o, primeiro no seu seio e depois na pr\u00f3pria comunidade eclesial e para al\u00e9m dos seus confins\u00bb[7].<\/p>\n<p><strong>4. Espero ainda de v\u00f3s o mesmo que pe\u00e7o a todos os membros da Igreja: sair de si mesmo para ir \u00e0s periferias existenciais.<\/strong> \u00abIde pelo mundo inteiro\u00bb foi a \u00faltima palavra que Jesus dirigiu aos seus e que continua hoje a dirigir a todos n\u00f3s (cf. Mc 16, 15). A humanidade inteira aguarda: pessoas que perderam toda a esperan\u00e7a, fam\u00edlias em dificuldade, crian\u00e7as abandonadas, jovens a quem est\u00e1 vedado qualquer futuro, doentes e idosos abandonados, ricos saciados de bens mas com o vazio no cora\u00e7\u00e3o, homens e mulheres \u00e0 procura do sentido da vida, sedentos do divino\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o vos fecheis em v\u00f3s mesmos, n\u00e3o vos deixeis asfixiar por pequenas brigas de casa, n\u00e3o fiqueis prisioneiros dos vossos problemas. Estes resolver-se-\u00e3o se sairdes para ajudar os outros a resolverem os seus problemas, anunciando-lhes a Boa Nova. Encontrareis a vida dando a vida, a esperan\u00e7a dando esperan\u00e7a, o amor amando.<\/p>\n<p>De v\u00f3s espero gestos concretos de acolhimento dos refugiados, de solidariedade com os pobres, de criatividade na catequese, no an\u00fancio do Evangelho, na inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida de ora\u00e7\u00e3o. Consequentemente almejo a racionaliza\u00e7\u00e3o das estruturas, a reutiliza\u00e7\u00e3o das grandes casas em favor de obras mais c\u00f4nsonas \u00e0s exig\u00eancias atuais da evangeliza\u00e7\u00e3o e da caridade, a adapta\u00e7\u00e3o das obras \u00e0s novas necessidades.<\/p>\n<p><strong>5. Espero que cada forma de vida consagrada se interrogue sobre o que pedem Deus e a humanidade de hoje.\u00a0<\/strong>Os mosteiros e os grupos de orienta\u00e7\u00e3o contemplativa poderiam encontrar-se entre si ou conectar-se nos mais variados modos, para trocarem entre si as experi\u00eancias sobre a vida de ora\u00e7\u00e3o, o modo como crescer na comunh\u00e3o com toda a Igreja, como apoiar os crist\u00e3os perseguidos, como acolher e acompanhar as pessoas que andam \u00e0 procura duma vida espiritual mais intensa ou necessitam de um apoio moral ou material.<\/p>\n<p>O mesmo poder\u00e3o fazer os Institutos caritativos, dedicados ao ensino, \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da cultura, aqueles que est\u00e3o lan\u00e7ados no an\u00fancio do Evangelho ou desempenham particulares servi\u00e7os pastorais, os Institutos Seculares com a sua presen\u00e7a capilar nas estruturas sociais. A inventiva do Esp\u00edrito gerou modos de vida e obras t\u00e3o diferentes que n\u00e3o podemos facilmente catalog\u00e1-los ou inseri-los em esquemas pr\u00e9-fabricados. Por isso, n\u00e3o consigo referir cada uma das in\u00fameras formas carism\u00e1ticas. Mas, neste Ano, ningu\u00e9m deveria subtrair-se a um s\u00e9rio controle sobre a sua presen\u00e7a na vida da Igreja e sobre o seu modo de responder \u00e0s incessantes e novas solicita\u00e7\u00f5es que se levantam ao nosso redor, ao clamor dos pobres.<\/p>\n<p>S\u00f3 com esta aten\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades do mundo e na docilidade aos impulsos do Esp\u00edrito \u00e9 que este Ano da Vida Consagrada se tornar\u00e1 um aut\u00eantico kair\u00f2s, um tempo de Deus rico de gra\u00e7as e de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>III &#8211; Os horizontes do Ano da Vida Consagrada<\/strong><\/h3>\n<p><strong>1. Com esta minha carta, al\u00e9m das pessoas consagradas, dirijo-me aos leigos que, com elas, partilham ideais, esp\u00edrito, miss\u00e3o.<\/strong> Alguns Institutos religiosos possuem uma antiga tradi\u00e7\u00e3o a tal respeito, outros uma experi\u00eancia mais recente. Na realidade, \u00e0 volta de cada fam\u00edlia religiosa, bem como das Sociedades de Vida Apost\u00f3lica e dos pr\u00f3prios Institutos Seculares, est\u00e1 presente uma fam\u00edlia maior, a \u00abfam\u00edlia carism\u00e1tica\u00bb, englobando os v\u00e1rios Institutos que se reconhecem no mesmo carisma e sobretudo os crist\u00e3os leigos que se sentem chamados, precisamente na sua condi\u00e7\u00e3o laical, a participar da mesma realidade carism\u00e1tica.<\/p>\n<p>Encorajo-vos tamb\u00e9m a v\u00f3s, leigos, a viver este Ano da Vida Consagrada como uma gra\u00e7a que pode tornar-vos mais conscientes do dom recebido. Celebrai-o com toda a \u00abfam\u00edlia\u00bb, para crescerdes e responderdes juntos aos apelos do Esp\u00edrito na sociedade atual. Em determinadas ocasi\u00f5es, quando os consagrados de v\u00e1rios Institutos se reunirem uns com os outros neste Ano, procurai estar presente tamb\u00e9m v\u00f3s como express\u00e3o do \u00fanico dom de Deus, a fim de conhecer as experi\u00eancias das outras fam\u00edlias carism\u00e1ticas, dos outros grupos de leigos e assim vos enriquecerdes e sustentardes mutuamente.<\/p>\n<p><strong>2. O Ano da Vida Consagrada n\u00e3o diz respeito apenas \u00e0s pessoas consagradas, mas \u00e0 Igreja inteira.<\/strong> Assim dirijo-me a todo o povo crist\u00e3o, para que tome cada vez maior consci\u00eancia do dom que \u00e9 a presen\u00e7a de tantas consagradas e consagrados, herdeiros de grandes Santos que fizeram a hist\u00f3ria do cristianismo. Que seria a Igreja sem S\u00e3o Bento e S\u00e3o Bas\u00edlio, sem Santo Agostinho e S\u00e3o Bernardo, sem S\u00e3o Francisco e S\u00e3o Domingos, sem Santo In\u00e1cio de Loyola e Santa Teresa de \u00c1vila, sem Santa \u00c2ngela Mer\u00edcia e S\u00e3o Vicente de Paulo? E a lista tornar-se-ia quase infinita, at\u00e9 S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco, a Beata Teresa de Calcut\u00e1. O Beato Paulo VI afirmava: \u00abSem este sinal concreto, a caridade que anima a Igreja inteira correria o risco de se resfriar, o paradoxo salv\u00edfico do Evangelho de se atenuar, o \u201csal\u201d da f\u00e9 de se diluir num mundo em fase de seculariza\u00e7\u00e3o\u00bb (Evangelica testificatio, 3).<\/p>\n<p>Por isso, convido todas as comunidades crist\u00e3s a viverem este Ano, procurando antes de mais nada agradecer ao Senhor e, reconhecidas, recordar os dons que foram recebidos, e ainda recebemos, por meio da santidade dos Fundadores e das Fundadoras e da fidelidade de tantos consagrados ao seu pr\u00f3prio carisma. A todos vos convido a estreitar-vos ao redor das pessoas consagradas, rejubilar com elas, partilhar as suas dificuldades, colaborar com elas, na medida do poss\u00edvel, para a prossecu\u00e7\u00e3o do seu servi\u00e7o e da sua obra, que s\u00e3o ali\u00e1s os da Igreja inteira. Fazei-lhes sentir o carinho e o encorajamento de todo o povo crist\u00e3o.<\/p>\n<p>Bendigo o Senhor pela feliz coincid\u00eancia do Ano da Vida Consagrada com o S\u00ednodo sobre a fam\u00edlia. Fam\u00edlia e vida consagrada s\u00e3o voca\u00e7\u00f5es portadoras de riqueza e gra\u00e7a para todos, espa\u00e7os de humaniza\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es vitais, lugares de evangeliza\u00e7\u00e3o. Podem-se ajudar uma \u00e0 outra.<\/p>\n<p><strong>3. Com esta minha carta, ouso dirigir-me tamb\u00e9m \u00e0s pessoas consagradas e aos membros de fraternidades e comunidades pertencentes a Igrejas de tradi\u00e7\u00e3o diversa da cat\u00f3lica.<\/strong> O monaquismo \u00e9 um patrim\u00f3nio da Igreja indivisa, bem vivo at\u00e9 agora quer nas Igrejas ortodoxas quer na Igreja cat\u00f3lica. Nele bem como nas sucessivas experi\u00eancias do tempo em que a Igreja do Ocidente ainda estava unida, se inspiram iniciativas an\u00e1logas surgidas no \u00e2mbito das Comunidades eclesiais da Reforma, tendo estas continuado a gerar no seu seio novas express\u00f5es de comunidades fraternas e de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>A Congrega\u00e7\u00e3o para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apost\u00f3lica tem em programa iniciativas para fazer encontrar os membros pertencentes a experi\u00eancias de vida consagrada e fraterna das diversas Igrejas. Encorajo calorosamente estes encontros, para que cres\u00e7a o conhecimento m\u00fatuo, a estima, a coopera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, de modo que o ecumenismo da vida consagrada sirva de ajuda para o caminho mais amplo rumo \u00e0 unidade entre todas as Igrejas.<\/p>\n<p><strong>4. N\u00e3o podemos esquecer tamb\u00e9m que o fen\u00f4meno do monaquismo e doutras express\u00f5es de fraternidade religiosa est\u00e1 presente em todas as grandes religi\u00f5es.<\/strong> N\u00e3o faltam experi\u00eancias, mesmo consolidadas, de di\u00e1logo inter-mon\u00e1stico da Igreja cat\u00f3lica com algumas das grandes tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Fa\u00e7o votos de que o Ano da Vida Consagrada seja ocasi\u00e3o para avaliar o caminho percorrido, sensibilizar as pessoas consagradas neste campo, questionar-nos sobre os novos passos a dar para um conhecimento rec\u00edproco cada vez mais profundo e uma colabora\u00e7\u00e3o crescente em muitos \u00e2mbitos comuns do servi\u00e7o \u00e0 vida humana.<\/p>\n<p>Caminhar juntos \u00e9 sempre um enriquecimento e pode abrir caminhos novos nas rela\u00e7\u00f5es entre povos e culturas que, neste per\u00edodo, aparecem carregadas de dificuldades.<\/p>\n<p><strong>5. Por fim dirijo-me, de modo particular, aos meus irm\u00e3os no episcopado. Que este Ano seja uma oportunidade para acolher, cordial e jubilosamente, a vida consagrada como um capital espiritual que contribua para o bem de todo o corpo de Cristo (cf. <em>Lumen gentium<\/em>, 43) e n\u00e3o s\u00f3 das fam\u00edlias religiosas.<\/strong> \u00abA vida consagrada \u00e9 dom feito \u00e0 Igreja: nasce na Igreja, cresce na Igreja, est\u00e1 totalmente orientada para a Igreja\u00bb[8]. Por isso, enquanto dom \u00e0 Igreja, n\u00e3o \u00e9 uma realidade isolada ou marginal, mas pertence intimamente a ela, situa-se no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o da Igreja, como elemento decisivo da sua miss\u00e3o, j\u00e1 que exprime a natureza \u00edntima da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e a tens\u00e3o de toda a Igreja-Esposa para a uni\u00e3o com o \u00fanico Esposo; portanto \u00abest\u00e1 inabalavelmente ligada \u00e0 sua vida e santidade\u00bb (Ibid., 44).<\/p>\n<p>Neste contexto, convido-vos, a v\u00f3s Pastores das Igrejas particulares, a uma especial solicitude em promover nas vossas comunidades os diferentes carismas, tanto os hist\u00f3ricos como os novos carismas, apoiando, animando, ajudando no discernimento, acompanhando com ternura e amor as situa\u00e7\u00f5es de sofrimento e fraqueza em que se possam encontrar alguns consagrados, e sobretudo esclarecendo com o vosso ensino o povo de Deus sobre o valor da vida consagrada, de modo a fazer resplandecer a sua beleza e santidade na Igreja.<\/p>\n<p>A Maria, Virgem da escuta e da contempla\u00e7\u00e3o, primeira disc\u00edpula do seu amado Filho, confio este Ano da Vida Consagrada. Para Ela, filha predileta do Pai e revestida de todos os dons da gra\u00e7a, olhamos como modelo insuper\u00e1vel de seguimento no amor a Deus e no servi\u00e7o do pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Agradecido desde j\u00e1, com todos v\u00f3s, pelos dons de gra\u00e7a e de luz com que o Senhor quiser enriquecer-nos, acompanho-vos a todos com a B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>Vaticano, 21 de Novembro \u2013 Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o de Maria \u2013 do ano 2014.<\/p>\n<p><strong>Francisco<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] Carta ap. Os caminhos do Evangelho, aos Religiosos e \u00e0s Religiosas da Am\u00e9rica Latina, por ocasi\u00e3o do V centen\u00e1rio da Evangeliza\u00e7\u00e3o do Novo Mundo (29 de Junho de 1990), 26: L\u2019Osservatore Romano (ed. portuguesa de 29\/VII \/1990), 360.<br \/>\n[2] Congrega\u00e7\u00e3o para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apost\u00f3lica, Doc. Religiosos e promo\u00e7\u00e3o humana (12 de Agosto de 1980), 24: L\u2019Osservatore Romano (ed. portuguesa de 18\/I\/1981), 31.<br \/>\n[3] Discurso aos reitores e estudantes dos Pontif\u00edcios Col\u00e9gios e Internatos de Roma (12 de Maio de 2014): L\u2019Osservatore Romano (ed. portuguesa de 22\/V\/2014), 11.<br \/>\n[4] Homilia na Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus no Templo (2 de Fevereiro de 2013): L\u2019Osservatore Romano (ed. portuguesa de 10\/II\/2013), 11.<br \/>\n[5] Carta ap. Novo millennio ineunte (6 de Janeiro de 2001), 43: L\u2019Osservatore Romano (ed. portuguesa de 13\/I\/2001), 25.<br \/>\n[6] Carta ap. Evangelii gaudium (24 de Novembro de 2013), 87.<br \/>\n[7] Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Vita consecrata (25 de Mar\u00e7o de 1996), 51: L\u2019Osservatore Romano (ed. portuguesa de 30\/III\/1996), 149.<br \/>\n[8] D. Jorge M\u00e1rio Bergoglio, Interven\u00e7\u00e3o no S\u00ednodo sobre a vida consagrada e a sua miss\u00e3o na Igreja e no mundo (XVI congrega\u00e7\u00e3o geral, 13 de Outubro de 1994).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta apost\u00f3lica \u00e0s pessoas consagradas para proclama\u00e7\u00e3o do Ano da Vida Consagrada Consagradas e consagrados car\u00edssimos! Escrevo-vos como Sucessor de Pedro, a quem o Senhor Jesus confiou a tarefa de confirmar na f\u00e9 os seus irm\u00e3os (cf. 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