“…não tenhais medo de tomar decisões definitivas.

Disse: PAPA BENTO XV, aos jovens

Generosidade não vos falta, perante o risco de se comprometer para uma vida inteira quer no matrimônio quer numa vida de especial consagração, sentis medo…

Não será que eu, com uma decisão definitiva, jogo a minha liberdade e me prendo com as minhas próprias mãos?

Eu digo-vos: Coragem! Ousai tomar decisões definitivas, porque na verdade são as únicas que não destroem a liberdade, mas lhe criam a justa direção, possibilitando seguir em frente e alcançar algo de grande na vida…  quando o jovem não se decide, corre o risco de ficar uma eterna criança.

“A fé não é uma teoria. Crer significa entrar numa relação pessoal com Jesus e viver a amizade com Ele em comunhão com os demais, na comunidade da Igreja. Confiai a Cristo a vossa vida e ajudai os vossos amigos a alcançar a fonte da vida, Deus”.

Papa Bento XVI, aos jovens conterrâneos e aos que falavam seu idioma, disse-lhes em alemão.

Queridos irmãos e irmãs!

Estou muito contente de ver vocês aqui na praça de Castel Gandolfo e de retomar as audiências interrompidas no mês de julho.

Eu gostaria de continuar com o tema que iniciamos, isto é, uma “escola de oração”, e que, hoje, de modo um pouco diferente, sem nos distanciarmos do tema, assinalar alguns aspectos de caráter espiritual e concreto, que me parecem úteis não só para quem vive em certas partes do mundo um período de férias de verão , como nós [na Europa], mas também para todos aqueles que estão empenhados no trabalho cotidiano.

Quando temos um momento de pausa em nossas atividades, de modo especial durante as férias, normalmente pegamos nas mãos um livros que desejamos ler. E é justamente sobre este aspecto que gostaria hoje de destacar.

Cada um de nós tem necessidade de um tempo e um espaço para se recolher, meditar, se acalmar… Graças a Deus é assim!

De fato, esta experiência nos mostra que não somos feitos só para trabalhar, mas também para pensar, refletir, ou simplesmente para seguir com a mente e com o coração uma história, uma história que nos coloca de um certo modo “perdidos” para depois nos re-encontrarmos enriquecidos.

Naturalmente, muitos desses livros de leitura que pegamos durante as férias são, na sua maioria, para “fugir” [da realidade] e isso é normal. Entretanto, várias pessoas, particularmente aquelas que podem ter um espaço de pausa e de relaxamento prolongado, se dedicam a ler algo mais empenhativo.

Gostaria agora de fazer uma proposta: por que não descobrir alguns livros da Bíblia que normalmente não são conhecidos? Ou aqueles que talvez escutamos qualquer pedaço durante a Liturgia, mas que jamais lemos por inteiro?

Na realidade, muitos cristãos nunca leram a Bíblia e tem um conhecimento muito limitado e superficial. A Bíblia – como diz o nome – é uma coleção de livros, um pequena “biblioteca”, nascida com o passar de um milênio.

Alguns desses livrinhos que a compõe permanecem quase que desconhecidos para a maior parte das pessoas, também para bons cristãos. Alguns são bem breves, como o “Livro de Tobias”, um livro que contem um sentido muito alto de família e de matrimônio; o Livro de Ester, no qual a rainha judia, com a fé e a oração, salva seu povo do extermínio. Ou ainda um mais brevre: o Livro de Rute,  uma estrangeira que conhece Deus e experimenta sua providência. Estes pequenos livros podem ser lidos por inteiro em uma hora.

Mais desafiadores, e verdadeiras obras primas, são: o Livro de Jó, que aborda a grande problemática da dor do inocente; o Eclesiastes que debate a desconcertante modernidade na qual coloca em discussão o sentido da vida e do mundo; e o Cantico dos Canticos, estupendo poema simbólico do amor humano.

Como vocês podem ver, estes são todos livros do Antigo Testamento. E o Novo? Certo, o Novo Testamento é mais conhecido e são gêneros menos diversificados. Porém, a beleza de ler um Evangelho completo é a descoberta, bem como recomento os Atos dos Apóstolos ou uma das Cartas.

Em conclusão, queridos amigos, hoje, quero sugerir de ter em mãos, durante às férias ou nos momentos de pausa, a santa Bíblia, para apreciá-la de modo novo, lendo subsequentemente alguns de seus Livros, aqueles menos conhecidos e também aqueles mais notáveis, como o Evangelho, mas uma leitura contínua.

Fazendo assim, os momentos de descanso podem-se tornar, além de um enriquecimento cultural, também um nutrimento do espírito, capaz de alimentar o conhecimento de Deus e o diálogo com Ele, na oração.

Esta parece ser uma uma boa ocupação para as férias: pegar um livro da Bíblia tendo um momento de descontração e, ao mesmo tempo, entrar no grande espaço da Palavra de Deus e aprofundar nosso contato com o Eterno, justamente como propósito do tempo livre que o Senhor nos dá.

Boletim da Santa Sé
Tradução de Nicole Melhado – equipe CN Notícias

A revelação definitiva desse Amor foi-nos dada na Cruz. O amor que Deus tem por nós chega ao “limite” da entrega da sua vida. O Coração aberto de Jesus, na Cruz, como consequência de ter sido trespassado pela  lança do soldado, é a maior expressão de quanto Deus nos ama e de como nos ama. Diz o Papa, na sua mensagem: “Do Coração aberto de Jesus na cruz brotou a vida divina” (Mensagem JMJ). Assim, na Cruz, Jesus transforma o nosso “coração de pedra”, ferido pelo pecado, num “coração de carne”, como o seu: dá-nos o seu amor e, por sua vez, torna-nos capazes de amar com o seu próprio amor.

Como Maria, com filial confiança, deixemos que Jesus transforme o nosso coração muitas vezes endurecidos, tristes, magoados, decepcionados, em um coração manso e humilde como o Seu!

Jesus, Manso e Humilde de coração,fazei o meu coração semelhante ao vosso.
Com carinho, Fátima

O problema do coração do homem só se resolve definitivamente no encontro com o Coração de Deus. A este respeito, diz Santo Agostinho: “Fizeste-nos, Senhor, para Ti, e o nosso coração permanecerá inquieto até que em Ti descanse”. A inquietação de que fala o santo de Hipona refere-se à dificuldade de “alcançar” o Amor, como consequência da nossa condição de criaturas; somos finitos e, além disso, somos pecadores.  Uma e outra vez tropeçamos na pedra do nosso egoismo, da desordem das nossas paixões que nos impedem de alcançar esse Amor. O coração do homem “necessitava” um Coração que, por um lado, estivesse ao seu “nível”, e que, por outro lado, fosse omnipotente para o arrancar à sua finitude e ao seu pecado. Em Jesus Cristo, Deus foi ao encontro do homem, e a nós, homens, amou-nos “com coração humano”. No encontro do coração do homem com o Coração de Jesus realizou-se o mistério da Redenção: “A partir do horizonte infinito do seu amor, de facto, Deus quis entrar nos limites da história e da condição humana, assumiu um corpo e um coração, para que possamos contemplar e encontrar o infinito no finito, o Mistério invisível e inefável no Coração humano de Jesus, o Nazareno”. (Bento XVI, Angelus 1 de Junho de 2008)

Como Maria, confiantes, depositemos o nosso coração nas mãos de Deus, Pai de Infinita  Misericórdia!

Deus lhe abençoe!
Fátima

foto: http://www.flickr.com/photos/aussiegall/374268661/