1º Domingo do Advento

Papa Francisco: oração e caridade são tesouros, o consumismo gera violência.

Neste primeiro domingo do Advento, o Papa Francisco celebrou a Santa Missa na Basílica de São Pedro, para a comunidade do Congo que reside em Roma e em outras cidades da Itália. Iniciou comentando sobre as leituras do dia frisando sobre a frequência do verbo “vir”, uma vez que a própria palavra “Advento” significa “vinda”. Neste primeiro dia do Ano Litúrgico, é um anúncio que marca o ponto de partida:

“O Senhor vem: eis a raiz da nossa esperança, a segurança de que entre as tribulações do mundo chegará a nós a consolação de Deus, uma consolação que não é feita de palavras, mas de presença, da sua presença que vem no meio de nós. (…) O Senhor não nos deixa sozinhos. Veio dois mil anos atrás e virá ainda no final dos tempos, mas vem também hoje na minha vida, na sua vida.”

O Papa Francisco salientou que a nossa vida cheia de problemas e angústias recebe a visita do Senhor, ele “jamais se cansará de nós”. Mas “o verbo vir não se conjuga somente para Deus, mas também para nós”. Precisamos aceitar o convite de ir até a casa de Deus, porque ali somos “aguardados e desejados”.

 “… para Deus, vocês são sempre convidados, bem-vindos. Para Ele, para o Senhor, jamais somos estranhos, mas filhos esperados. E a Igreja é a casa de Deus: aqui, portanto, sintam-se sempre em casa”.

Como no tempo de Noé, às vezes dizemos não ao convite para a casa do Senhor: “enquanto algo de novo e impressionante estava para chegar, ninguém percebia”, pois se preocupava em satisfazer as suas vidas. “Não havia espera por alguém, somente a pretensão de ter algo para si, a ser consumido”, acrescentou o Papa, sinalizando os perigos para a fé.

“O consumismo é um vírus que ataca a fé na raiz, porque faz acreditar que a vida depende somente daquilo que você tem, e assim se esquece de Deus que vem ao seu encontro e ao encontro de quem está ao seu lado.”

Depender do consumo, enfatizou, é o verdadeiro perigo que anestesia o coração:

“Então se vive de coisas e não se sabe mais para que coisa; se têm tantos bens, mas não se faz mais o bem; as casas se enchem de coisas, mas se esvaziam de filhos; esse é o drama de hoje. Perde-se tempo nos passatempos, mas não se tem tempo para Deus e para os outros. E quando se vive para as coisas, as coisas jamais saciam, a avidez cresce e os outros se tornam obstáculos na corrida e, assim, se acaba por sentir-se ameaçados e, sempre insatisfeitos e nervosos, se eleva o nível do ódio. É o que vemos hoje onde o consumismo impera: quanta violência, mesmo só verbal, quanta raiva e vontade de buscar um inimigo a todo custo! Assim, enquanto o mundo está cheio de armas que provocam mortos, não percebemos que continuamos a armar o coração de raiva.”

Com o verbo “vigiar”, Jesus então quer nos despertar para esses perigos, afirmou o Papa, ao exortar que devemos abrir o coração ao Senhor e aos irmãos:

“A nós hoje cabe vigiar: vencer a tentação de que o sentido da vida é acumular, desmascarar a mentira de que se é feliz quando se há muitas coisas, resistir às luzes deslumbrantes dos consumos, que brilharão por todos os lados neste mês, e acreditar que a oração e a caridade não são tempo perdido, mas os maiores tesouros.”

 

Fonte:https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-12/papa-francisco-homilia-missa-comunidade-congo-i-domingo-advento.html