Estrutura da Missa: Liturgia Eucarística

 

3. Introdução a Liturgia Eucarística

Na liturgia eucarística atingimos o ponto alto da celebração. Durante ela a Igreja irá tornar presente o sacrifício que Cristo fez para nossa salvação. Não se trata de outro sacrifício, mas sim de trazer à nossa realidade a salvação que Deus nos deu. Durante esta parte a Igreja eleva ao Pai, por Cristo, sua oferta e Cristo dá-se como oferta por nós ao Pai, trazendo-nos graças e bênçãos para nossas vidas.

É durante a liturgia eucarística que podemos entender a missa como uma ceia, pois afinal de contas nela podemos enxergar todos os elementos que compõem uma: temos a mesa – mais propriamente a mesa da Palavra e a mesa do pão. Temos o pão e o vinho, ou seja, o alimento sólido e líquido presentes em qualquer ceia. Tudo conforme o espírito da ceia pascal judaica, em que Cristo instituiu a eucaristia.

E de fato, a Eucaristia no início da Igreja era celebrada em uma ceia fraterna. Porém foram ocorrendo alguns abusos, como Paulo os sinaliza na Primeira Carta aos Coríntios. Aos poucos foi sendo inserida a celebração da palavra de Deus antes da ceia fraterna e da consagração. Já no século II a liturgia da Missa apresentava o esquema que possui hoje em dia.

Após essa lembrança de que a Missa também é uma ceia, podemos nos questionar sobre o sentido de uma ceia, desde o cafezinho oferecido ao visitante até o mais requintado jantar diplomático. Uma ceia significa, entre outros: festa, encontro, união, amor, comunhão, comemoração, homenagem, amizade, presença, confraternização, diálogo, ou seja, vida. Aplicando esses aspectos a Missa, entenderemos o seu significado, principalmente quando vemos que é o próprio Deus que se dá em alimento. Vemos que a Missa também é um convívio no Senhor.

A liturgia eucarística divide-se em: apresentação das oferendas, oração eucarística e rito da comunhão. (http://www.clerus.org/clerus/dati/2007-11/23-13/missa.html)

 

3.1 Liturgia Eucarística

Jesus, na ultima Ceia, tomou o pão e o cálice com vinho (preparação das oferendas), deu graças (oração eucarística), partiu e deu a seus discípulos (rito de comunhão). Podemos dizer que Jesus, na ultima Ceia, realizou três ações muito importantes que continuam até hoje. Na primeira ação, Jesus pega o pão e o Cálice com vinho; na segunda, faz a ação de graças; na Terceira, parte o pão com seus convidados.

A Liturgia eucarística acompanha as ações de Jesus na ultima Ceia, como encontramos nos relatos bíblicos e nas orações eucarísticas, desde os primeiros tempos…

Procissão das oferendas

A liturgia eucarística começa com a procissão das oferendas. O essencial desse rito consiste em colocar sobre o altar o pão e o vinho. Após a oração de apresentação dos dons, feita em voz baixa pelo presidente, pode-se incensar as oferendas colocadas no altar, bem como o próprio altar. Também o padre e o povo podem ser incensados pelo diácono ou por outro ministro, depois de incensar as oferendas do altar (cf. IGMR, n. 75).

O gesto que conclui a apresentação dos dons é feito pelo presidente da celebração: lavar as mãos. Nesse momento ele exprime o desejo de purificação spiritual para dar continuidade ao mistério que esta sendo celebrado.

Oração sobre as oferendas

A oração sobre as oferendas faz referencia aos dons do pão e do vinho apresentados no altar e realça a estreita relação entre as oferendas, a oração eucarística e a comunhão (cf. IGMR, n. 77). Põe em destaque a oferenda do povo sacerdotal que, unido ao sacrifício de Cristo, oferece e se oferece.

Oração Eucarística

A origem da oração eucarística está nos gestos e nas palavras do próprio Cristo na ultima Ceia. Há uma profunda relação entre a Eucaristia e a Ceia judaica. A palavra hebraica berakah , em grego eulogein, eulogia, ou eucharistein, eucharistia, em latim benedicere, benediction – todas significam bênção.

A oração eucarística é o conjunto dos textos que vão desde o diálogo inicial do prefacio até a oração “por Cristo, com Cristo, em Cristo…”, que precede o Pai-nosso.

A oração Eucarística é o centro de toda celebração. É uma prece de ação de graças e de santificação. É louvor a Deus por toda a obra da salvação, principalmente pela Páscoa de Jesus. Lembra as bênçãos judaicas que proclamam, sobretudo durante a refeição, as obras de Deus: criação, a redenção e a santificação (cf. CIC, n. 1328).

O sentido dessa oração é o de que toda assembleia se une a Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e na oblação do sacrifício (cf. IGMR, n. 54). “O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: É uma só e mesma vítima, é o mesmo que oferece agora pelo mistério dos sacerdotes, que se ofereceu a si mesmo então na cruz. Apenas a maneira de oferecer difere. E porque neste divino sacrifício que se realiza na missa, este mesmo Cristo, que se ofereceu a si mesmo uma vez de maneira cruenta no altar da cruz, está contido e é imolado de maneira incruenta, este sacrifício é verdadeiramente propiciatório”. (CIC, n. 1367).

  • Cruento: o qual há derramamento de sangue.
  • Incruento: em que não há derramamento de sangue.

A Eucaristia é igualmente o sacrifício da Igreja. A Igreja, que é o corpo de Cristo, participa na oblação da sua Cabeça. Com Ele, ela própria é oferecida integralmente. Ela une-se à sua intercessão junto do Pai em favor de todos os homens. Na Eucaristia, o sacrifício de Cristo torna-se também o sacrifício dos membros do seu corpo. A vida dos fiéis, o seu louvor, o seu sofrimento, a sua oração, o seu trabalho unem-se aos de Cristo e à sua oblação total, adquirindo assim um novo valor. O sacrifício de Cristo presente sobre o altar proporciona a todas as gerações de cristãos a possibilidade de se unirem à sua oferta. (CIC, n. 1368)

O prefácio e o santo

O prefacio é um hino de ação de graças ao Pai por toda obra da salvação. Ou por alguns aspectos particulares desta, Segundo os diversos dias, tempos ou festa, e que nos introduz no mistério eucarístico.

Ao final do prefacio a assembleia proclama a santidade de Deus com o canto do “Santo”. Esse louvor esta relacionado à vitória do Cordeiro que foi imolado, mas que esta de pé diante do trono de Deus.

Invocação do Espirito Santo

A invocação do Espirito Santo sobre o pão e o vinho acontece no momento em que o celebrante, em nome da Igreja, implora, por meio de invocações especiais, o poder divino para que os dons oferecidos sejam consagrados, isto é, se tornem o Corpo e o Sangue de Cristo (cf. IGMR, 79c) (epiclese)

Narrativa da instituição

A narrativa da instituição é o momento “quando pelas palavras e ações de Cristo se realiza o sacrifício que Ele instituiu na Última Ceia, ao oferecer seu Corpo e Sangue sob as espécies de pão e vinho, e ao entregá-lo aos apóstolos como comida e bebida, dando-lhes a ordem de perpetuar este mistério” (cf. IGMR, n. 79d).

É o momento em que o presidente da celebração toma o pão e o apresenta-o à assembleia, falando as palavras que Jesus mandou dizer: “Tomai, todos, e comei… Tomai, todos, e bebei…”.

Neste momento é feito silêncio sagrado. Nem mesmo se deve fazer a tradicional aclamação “Graças e louvores se deem a todo o momento”, muito menos entoar canções inadequadas como “Jesus Esta aqui…”, “Eu te adoro, hóstia divina” e outros. São aclamações piedosas e devocionais, mas não adequadas para esse momento da Liturgia eucarística.

 

 

Veja também:

Estrutura da Missa: Liturgia da Palavra

Estrutura da Missa: Ritos Iniciais

Liturgia, Sagrada Ceia do Senhor: “O Mistério da Fé”

 


Padre Leandro Couto

Natural de Borda da Mata MG, membro da comunidade Canção Nova desde 2007. Atualmente na Missão Canção Nova Cuiabá MT.