Família e os problemas atuais e civilização do Amor IIª parte

Devido a crescente perca de valores o homem esta deixando de lado o verdadeiro conceito do amor, principalmente no seio familiar; o amor ao outro que, segundo o filósofo Emmanuel Mounier “é a mais forte certeza do homem”. O espírito de amizade e amor está se perdendo, e desta forma perde-se como consequência a experiência comunitária, social e interpessoal. O individualismo tem tomado conta da sociedade, onde cada pessoa, cada cidadão e cada membro da família têm buscado seus interesses pessoais.

Diante da secularização que a instituição Familiar vem sofrendo São João Paulo II afirmou que “a primeira e a mais importante é a família: uma via comum, mesmo se permanece particular, única e irrepetível, como irrepetível é cada homem; uma via da qual o ser humano não pode separar-se. Com efeito, normalmente ele vem ao mundo no seio de uma família, podendo-se dizer que a ela deve o próprio fato de existir como homem. Quando falta a família logo à chegada da pessoa ao mundo, acaba por criar-se uma inquietante e dolorosa carência que pesará depois sobre toda a vida”.[1]

No centro da constituição de toda família está a necessidade humana fundamental de “não estar só”, o que constitui uma necessidade bem mais ampla do que a de dois seres.A família se dirige para a construção de objetivos bem maiores que podem tornar este mundo melhor. Cada família constituída diminui não somente a solidão de duas pessoas, mas diminui a solidão no mundo e pode fazer crescer a família humana, não somente em quantidade, mas em qualidade”.[2]

Não podemos esquecer que foi Deus quem instituiu o matrimonio, pois esta é a vontade de Deus, “E Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher” (Gn 1, 27). “Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe, e se une à sua mulher, e eles dois se tornam uma só carne”(Gn 2, 26).

A família foi sempre considerada como a primeira e fundamental expressão da natureza social do homem. No seu núcleo essencial, tampouco esta visão mudou hoje. Se bem que, em nossos dias, prefere-se ressaltar na família, que constitui a mais pequena e primordial comunidade humana, quanto provém do contributo pessoal do homem e da mulher. A família é realmente uma comunidade de pessoas, para quem o modo próprio de existirem e viverem juntas é a comunhão: comunhão de pessoas”. […]

Na família assim constituída, manifesta-se uma nova unidade, na qual encontra pleno cumprimento a relação de comunhão dos pais. A experiência ensina que esse cumprimento representa, no entanto, uma tarefa e um desafio. A tarefa empenha os cônjuges, na atuação da sua aliança originária. Os filhos, por eles gerados, deveriam — está aqui o desafio — consolidar tal aliança, enriquecendo e arraigando a comunhão conjugal do pai e da mãe. Quando tal não sucede, há que perguntar-se se o egoísmo, que, por causa da inclinação humana para o mal, se esconde inclusive no amor do homem e da mulher, não seja mais forte do que este amor. É preciso que os esposos estejam bem cientes disso. É necessário que, desde o princípio, eles tenham os corações e os pensamentos voltados para aquele Deus, «do Qual toda a paternidade toma o nome», a fim de que a sua paternidade e maternidade tire daquela fonte a força de se renovarem continuamente no amor.[3]

 A família é importante, porque ela é o seio da sociedade. E destruindo a instituição familiar coloca em risco a própria existência da sociedade. Por isso devemos lutar pelos verdadeiros valores, colocando a família e a vida em primeiro lugar.


[1] Disponível em: < https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1994/documents/hf_jp-ii_let_02021994_families.html > acesso 16 de maio de 2018

[2] Ibid.

[3] Ibid.

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Padre Leandro Couto

Comunidade Canção Nova

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Família e os problemas atuais e civilização do Amor

 


Padre Leandro Couto

Natural de Borda da Mata MG, membro da comunidade Canção Nova desde 2007. Atualmente na Missão Canção Nova Cuiabá MT.