Liturgia: concílio de Trento I Parte

No século XVI a situação da liturgia no Ocidente é lamentável. Pode comparar-se a um cadáver ricamente adornado, mas sem vida e com sintomas de decomposição. Os ritos e as cerimônias são executadas sem sentido pastoral e acompanhadas de uma série de abusos e superstições” (J. Llopis, La liturgia a través de los siglos)

Os 400 anos que separa o concilio de Trento do Concílio Vaticano II, podem ser divididos em três partes:

I) os primeiros e os últimos 50 anos se caracterizam por um intenso florescimento litúrgico;

II) No meio estão 300 anos de imobilidade, rubricismo e uniformidade litúrgica;

III) com o documento conciliar sobre a Sagrada Liturgia, publicado a 4 de dezembro de 1963, inicia uma nova era na liturgia.

O “outono da Idade Média” (período de intensa crise eclesial) constitui o condicionamento histórico básico da reforma protestante. Numa situação de crise eclesial (problemas internos de extraordinária gravidade e a inovação protestante), da qual a liturgia é parte essencial, toma força no começo do século XVI a aspiração para uma reforma da Igreja “na cabeça e nos membros”.

Os reformadores e o culto. Lutero expõe em seus escritos as suas preocupações pastorais devido aos abusos cometidos em seu tempo, mas se mantém na perspectiva da tradição. Karlstadt e Zwilling são os primeiros a instituir uma “missa evangélica”, a abolir as missas privadas e proibir a adoração ao Santíssimo Sacramento. Pouco depois do De captivitate babylonica (1520), Lutero escreveu seu Abroganda missa privata (1522), atacando a missa privada em todo seu sentido, ou seja, o sacrifício da missa em geral. Lutero também vacila em introduzir um novo culto. Se não bastasse no Natal desse mesmo ano, Karlstadt celebra diante de uma grande assembléia a “missa alemã”, pronunciando o relato da instituição em voz alta e em alemão e omite o resto do cânon com a elevação; na celebração, ele usa vestes seculares.  O culto cristão é para Lutero um culto da Palavra; ora, esse culto da Palavra não pode ser realizado de maneira frutífera pela comunidade se a Palavra não for compreendida.

Devido esta realidade Trento assumiu como objetivo essencial a tarefa de distinguir a verdade católica da doutrina não-católica, demonstrando os aspectos unilaterais e reducionistas da doutrina dos reformadores diante das fontes da fé, do processo salvífico e da concepção espiritualista e subjetiva da Igreja. Alguns aspectos da reforma intra-eclesial (terceiro período do Concílio 1562-1563): criar um novo clero por meio de seminários: ressuscitar a imagem do bispo como pastor, presente à sua comunidade e nela residindo.

Fonte Para Pesquisa:

Google Book:  A Celebração Na Igreja, DIONISIO BOROBIO

Documento em word: A LITURGIA NA HISTORIA – estef.Doc

 

 

Padre Leandro Couto

Comunidade Canção Nova


Padre Leandro Couto

Natural de Borda da Mata MG, membro da comunidade Canção Nova desde 2007. Atualmente na Missão Canção Nova Cuiabá MT.