Liturgia na época do Iluminismo

Já no final do século XVII desponta o Iluminismo, uma civilização baseada no direito, na consciência individual e na razão do homem e do cidadão. Esta nova concepção empreende um trabalho inicial de demolição do antigo edifício fundado sobre a religião revelada, a hierarquia, a disciplina, a ordem e autoridade; mas, em seguida, tenta construir os alicerces da futura cidade: uma política sem direito divino, uma religião sem mistério, uma moral sem dogmas. O século XVIII confia na ciência, como poder que está nas mãos do homem para os fins do domínio da natureza, da organização do seu próprio futuro e da conquista do bem-estar e da felicidade.

No século XIX, a Igreja depara com uma cultura em larga medida a-religiosa e anti-eclesiástica, uma cultura não cristã que se tornou pouco a pouco independente dela. Acontece um cisma entre a Igreja e o mundo moderno, a apostasia da classe trabalhadora e o distanciamento cada vez maior, no próprio seio da Igreja, entre as esferas hierárquicas e os fiéis mais presentes no mundo da ciência, do trabalho e da cultura.

Bento XIV (1740-1758), ainda como bispo de Bolonha, ensaiou alguma reforma, sem êxito. As liturgias das dioceses da França, que se multiplicam de maneira anárquica ao longo do século XVIII, não receberam o assentimento da Santa Sé. O Sínodo de Pistoia – Itália (1786), restringiu-se a condenações doutrinais e à sinalização de alguns pontos a reformar no campo litúrgico, como: um só altar em cada templo, participação dos fiéis, abolição da cobrança da missa, redução das procissões, música simples, grave e adaptada ao sentido das palavras, ornamentação que não ofenda nem distraia o espírito, reforma do breviário e do missal, um novo ritual, redução de excessivo número de festas, leitura em um ano da Sagrada Escritura no ofício, etc. A maioria dessas questões encontrou eco no Concílio Vaticano II.

Para a época do Iluminismo, a liturgia se reduz a um meio de educação destinado à humanização do indivíduo; mas já não é entendida como “adoração de Deus em espírito e verdade”.

Referencia

BOROBIO, Dionisio, A Celebracao Na Igreja, 2ed. LOYOLA

 

 

Padre Leandro Couto

Comunidade Canção Nova


Padre Leandro Couto

Natural de Borda da Mata MG, membro da comunidade Canção Nova desde 2007. Atualmente na Missão Canção Nova Cuiabá MT.