Liturgia, Sagrada Ceia do Senhor: “O Mistério da Fé”

Introdução À Santa Missa 

o primeiro nome da celebração Eucarística foi “Fração do Pão” (Cf. At 2,42). Também em algumas circunstancia dizia-se Ceia do Senhor. O Apóstolo Paulo chamava de mesa do Senhor. Passados se os séculos vamos ver uma grande evolução no nome dado à Eucaristia.

A Eucaristia é celebrada em memória de Jesus. Ou seja, para realizar o memorial de sua Pascoa. O memorial é mais do que simplesmente um recordar na memória. Na compreensão bíblica, celebrar o memorial é, além de recordar o fato, atualizá-lo de tal forma que, pela celebração ritual, trazemos para aqui e agora os efeitos e a força da Pascoa do Senhor.

“A memória é importante, porque nos permite permanecer no amor, permite recordar, isto é, trazer no coração, não esquecer quem nos ama e a quem somos chamados a amar” (Papa Francisco, Solenidade de Corpus Christi de 2017)

Ceia Pascal de Jesus e dos primeiros Cristãos

A Eucaristia tem origem na ultima Ceia de Jesus com seus Discípulos quando reuniram para a celebração da Páscoa judaica. A Santa Missa tem origem na ceia Judaica, onde ao longo dos séculos foi ganhando a formula que se tem hoje.

Eucaristia e presença real de Cristo

Na celebração da Missa, em que se perpetua o sacrifício da cruz, Cristo está realmente presente: na assembleia reunida em seu nome, na pessoa do ministro, na sua palavra, e, ainda, deforma substancial e permanente, sob as espécies eucarística” (Introdução Geral do Missal Romano , n. 27)

Sobre a presença real de Jesus na Eucaristia Paulo VI nos diz: “Esta presença chama-se ‘real’, não por exclusão, como se as outras não fossem ‘reais’, mas por antonomásia, porque é substancial, quer dizer, por ela está presente, de fato, Cristo completo, Deus e homem. Erro seria, portanto, explicar esta maneira de presença imaginando uma natureza ‘pneumática’, como dizem, do corpo de Cristo, natureza esta que estaria presente em toda a parte; ou reduzindo-a a puro simbolismo, como se tão augusto sacramento consistisse apenas um sinal eficaz ‘da presença espiritual de Cristo e da sua íntima união com os fiéis, membros do Corpo Místico’.” (DH 4412)

Dentro da Celebração da Eucaristia temos duas mesas: a Mesa da Palavra e a Mesa Eucarística. As duas estão interligadas de maneira tão estreita que forma um só ato de culto uma só celebração. As duas partes tem igual importância. A palavra de Deus é apresentada como alimento. Ouvindo-a, comemos e bebemos a Palavra de Deus.

A liturgia da Palavra e a liturgia eucarística, concluída pelos ritos finais, são as duas partes centrais da missa. São momentos distintos, mas inseparáveis, intimamente ligados entre si. Os dois realizam juntos “um só ato de culto” e nos ajudam a viver um único encontro com a pessoa de Jesus.

O anúncio da Palavra visa o fortalecimento de nossa fé quanto ao Mistério Eucarístico. É o próprio Jesus que, no Pão e no Vinho, faz-se Carne e Sangue, verdadeira comida e verdadeira bebida, para nos alimentar e fortificar a nossa fé. A mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia estão intimamente relacionadas: uma indica a necessidade da outra. Ao acolher com fé e gratidão a Palavra de Deus e o Pão da Vida, ficamos fortalecidos para dar razão de nossa esperança.

“Vê-se a partir destas narrações como a própria Escritura leva a descobrir o seu nexo indissolúvel com a Eucaristia. «Por conseguinte, deve-se ter sempre presente que a Palavra de Deus, lida e proclamada na liturgia pela Igreja, conduz, como se de alguma forma se tratasse da sua própria finalidade, ao sacrifício da aliança e ao banquete da graça, ou seja, à Eucaristia». Palavra e Eucaristia correspondem-se tão intimamente que não podem ser compreendidas uma sem a outra: a Palavra de Deus faz-Se carne, sacramentalmente, no evento eucarístico. A Eucaristia abre-nos à inteligência da Sagrada Escritura, como esta, por sua vez, ilumina e explica o Mistério eucarístico. Com efeito, sem o reconhecimento da presença real do Senhor na Eucaristia, permanece incompleta a compreensão da Escritura. Por isso, «à palavra de Deus e ao mistério eucarístico a Igreja tributou e quis e estabeleceu que, sempre e em todo o lugar, se tributasse a mesma veneração embora não o mesmo culto. Movida pelo exemplo do seu fundador, nunca cessou de celebrar o mistério pascal, reunindo-se num mesmo lugar para ler, “em todas as Escrituras, aquilo que Lhe dizia respeito” (L c 24, 27) e atualizar, com o memorial do Senhor e os sacramentos, a obra da salvação»”. (Verbum Domini 55).

 


Padre Leandro Couto

Natural de Borda da Mata MG, membro da comunidade Canção Nova desde 2007. Atualmente na Missão Canção Nova Cuiabá MT.