o que é o "luto"?

“Os anos nesta terra duram o tempo de um relâmpago. Não apenas surge e já se apaga. Todavia, é nesse ‘intervalo vital’ que temos chance de lapidar na alma as palavras eternas de Nosso Senhor que disse: Quem comer do pão que eu vou dar terá a vida eterna! (Jo 6,51) Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que esteja morto, viverá! (Jo 11,25)”. (Pe. Delton)

Diante da morte da pessoa amada, é preciso ver contemplar Nossa Senhora aos pés da cruz do seu Amado. Ela perdeu o Filho Único…, que é Deus, e que foi morto de uma maneira tão cruel como nenhum de nós o será. Ela perdeu muito mais do que nós e não se desesperou. Certamente chorou muito… mas nunca se desesperou e nunca perdeu a fé. Aos pés da cruz de Jesus estava de pé (stabat!). Ofereça nesta hora a sua dor a ela, e sem dúvida, ela o consolará.

Podemos chorar os mortos; as lágrimas são o tributo da natureza, mas sem desespero e sem desilusão.

Até o céu; lá nos voltaremos a ver, ensinam os santos. Que grande felicidade será para nós poder encontrá-los, depois de ter chorado tanto a sua ausência! Não nos deixemos levar ao desespero quando alguém parte; não somos pagãos. Lá não haverá mais pranto, nem lágrimas e nem luto.

São Francisco de Sales disse:“Meu Deus, se a boa amizade humana é tão agradavelmente amável, que não será ver a suavidade sagrada do amor recíproco dos bem-aventurados… Como essa amizade é preciosa e como é preciso amar na terra, como se ama no Céu!”

Deus é Justiça e Misericórdia; mas a Misericórdia supera a Justiça. E Nossa Senhora é Mãe de misericórdia.

Providenciemos os sacramentos para os doentes graves. Devemos trazer para os doentes em risco de vida a Unção dos Enfermos, que consola, perdoa os pecados, cura, e, se for da vontade de Deus o prepara para acolher a morte sem medo. É uma grande caridade para com o que padece.

A morte nos assusta, mas é preciso saber que quem viveu no Coração de Jesus há de morrer neste Coração misericordioso, que fará prodígios nesta hora.

Um ato de resignação e confiança em Deus pode fazer do pior pecador um justo diante de Deus; é o que nos ensina a salvação do bom ladrão. Lembremos de Madalena, de Zaqueu, do filho pródigo. Por isso é preciso dar confiança aos agonizantes.

Precisamos aceitar a própria morte conformados com a vontade de Deus. Santo Afonso via nisto um gesto semelhante ao dos mártires. Pascal dizia que “a morte é a nossa última oferta a Deus”.

No luto, a saudade e as lágrimas voltarão, pois o amor que você sente pela pessoa que se foi nunca se apagará.

A dor de perder um ente querido é singular. Toda pessoa tem o direito de chorar essa perda o quanto desejar, pois somente ela sabe a dor que passa em seu coração. Em muitos momentos de perda, sempre encontramos os “psicólogos de plantão”, os quais, com suas frases pré-fabricadas, não colaboram em nada com quem está sofrendo a separação. Muitos dizem: “Foi a vontade de Deus”, ou “Ele quis assim!” ou ainda “Foi melhor para ele”. Essas frases pobres e sem fundamento não ajudam em nada; pelo contrário, desfiguram o rosto amoroso do Senhor.

Deus não deseja que o ser humano sofra. O sofrimento é uma condição humana, não um desejo divino. O Senhor é amor, e tudo o que desqualifica o amor de Deus é um jeito impróprio de compreendermos a vida e os seus desdobramentos.

Muitos surgem com frases extremamente “formatadas”, afirmando: “Não chore!”. Como não chorar diante da dor da separação de alguém que nos deixou? Temos, sim, o direito de chorar o quanto quisermos e pelo tempo que desejarmos.

Contudo, o luto é um processo e precisa ser elaborado aos poucos. Sufocar a tristeza e as lágrimas pode ser prejudicial. Dê tempo ao luto, pois pode demorar semanas, meses, até mesmo anos. Durante esse tempo, é normal que você sinta raiva, chore, se revolte e até mesmo questione Deus. É preciso viver esse “outono” para que um novo tempo comece a surgir lentamente, anunciando novas esperanças.

Muitos querem ficar sozinhos, outros preferem partilhar sua dor com algumas pessoas. Tudo isso ajuda a elaborar o processo do luto na vida. Outros ainda buscarão forças na oração.

Durante esse processo, muitos questionamentos podem surgir: Por que ofendi tal pessoa naquele dia? Por que não a abracei mais? Por que não lhe disse que a amava? O que não fiz que deveria ter feito? Muitos outros questionamentos poderão surgir. Não os sufoque, mas também não se prenda a eles. Carregue em seu coração a certeza de que Deus, em Seu amor, acolheu seu ente querido.

Alguns rituais podem nos ajudar. Fale, partilhe, desabafe. Nesse momento, é normal que as lágrimas venham. Deixe-as cumprir o papel de desabafo e saudades.

No luto sentimos um vazio enorme. O coração sente que falta algo, um espaço foi aberto. A saudade dói, mas não tenha medo de sorrir novamente, de contemplar as flores, de amar e se sentir amado pelos amigos e familiares. Permita-se recomeçar. A saudade ficará, as lágrimas voltarão, pois o amor que você sente pela pessoa que se foi nunca se apagará. Este amor que você sente lhe dará forças para continuar sua vida e cuidar daqueles que também precisam do seu carinho, do seu abraço e da sua ternura.

Fonte:


Padre Leandro Couto

Natural de Borda da Mata MG, membro da comunidade Canção Nova desde 2007. Atualmente na Missão Canção Nova Cuiabá MT.