que tem me impulsionado a seguir Jesus?

Há dias venho pensando sobre essa realidade do seguimento de Cristo, tenho percebido muitos buscando dar uma resposta seja nessa ou naquela vocação e isso alegrou meu coração, mas ao mesmo tempo me levou a pensar na radicalidade desse seguimento. Dentro dessa dinâmica me deparei com o Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas no capitulo novo, versos de 57 a 62.
 
Enquanto caminhavam, um homem lhe disse: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que vás.Jesus replicou-lhe: As raposas têm covas e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.A outro disse: Segue-me. Mas ele pediu: Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai.Mas Jesus disse-lhe: Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus.Um outro ainda lhe falou: Senhor, seguir-te-ei, mas permite primeiro que me despeça dos que estão em casa.Mas Jesus disse-lhe: Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus.(Lc 9,57-62).
 
Nesse Evangelho Jesus fala que para segui-lo é preciso ter consciência desse seguimento, que ele implica em um ato bem pensado e que não pode ser tomado na emoção, no calor da situação em um retiro onde fomos tocados por Deus e já queremos deixar tudo, ou porque nosso amor pro ele é tão grande que não pensamos em mais nada a não ser segui-lo. 
 
Se for assim certamente lá na frente haverá muita decepção, isso me lembra outro momento do Evangelho de São Lucas.
 
 Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la?Para que, depois que tiver lançado os alicerces e não puder acabá-la, todos os que o virem não comecem a zombar dele,dizendo: Este homem principiou a edificar, mas não pode terminar.Ou qual é o rei que, estando para guerrear com outro rei, não se senta primeiro para considerar se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?De outra maneira, quando o outro ainda está longe, envia-lhe embaixadores para tratar da paz.Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo. ( Lc 14,28-32).
 
Precisa haver em nós esse parar e realizar o calculo da decisão que iremos tomar, isso é fundamental em todas as circunstâncias da vida, sobretudo no assunto que estamos tratando.
 
Voltando para Lucas 9,57-62 perceba que é necessário o entendimento de que o não ter onde reclinar a cabeça é não ter uma vida acomodada, talvez como tínhamos em nossa casa, é um constante desinstalar-se, uma provocação a sair de nossa zona de conforto. Outras vezes precisamos entender que estaremos longe daqueles que mais amamos, não acompanharemos o crescimento de nossos sobrinhos(as), o envelhecimento de nossos pais e tantas outras coisas de família que vivíamos juntos. Os mortos enterrarem seus mortos é saber que não há como participar na vida dos nossos como participávamos antes, fizemos uma escolha e essa comporta o deixar, e esse é uma constante em nossa vida, estamos sempre deixando. 
 
Também não posso ficar olhando para traz e pensando: Quando eu estava “lá fora” eu tinha isso, fazia aquilo, podia isso e tal. Esse olhar para traz envolve de sombras a nossa vocação que deixa de brilhar e vai ficando opaca e se torna lenta, pesada.
 
O seguimento a Cristo implica de fato em fazer uma boa analise de até que ponto estou disposto a viver tudo isso. afinal nossa vocação ela é sim uma resposta amorosa ao chamado de Deus, mas lembremo-nos que o amor é uma decisão e não um sentimento. 
 
Deus abençoe você.
 
Marcelo Moraes.

Padre Leandro Couto

Natural de Borda da Mata MG, membro da comunidade Canção Nova desde 2007. Atualmente na Missão Canção Nova Cuiabá MT.