Vida de aparências, superficialidade e vazio existencial

Estamos vivendo uma mudança de época, e no mundo da tecnologia uma verdadeira revolução. Podemos perceber o quão rápido a tecnologia une o mundo em uma grande rede de comunicação. Mas também tenho percebido, o quanto muitos tem buscado se fazer ser vistos, buscando uma forma de aparecer, até mesmo no meio religioso. Por exemplo: veja o quanto cresceu as postagens contendo selfies… isso demonstra uma crescente fixação em si mesmo.

Receber várias curtidas, chamar a atenção e ser admirado tem levado muitos a buscar esta auto exposição. Parece haver um desejo pelo olhar constante do outro.

Com isso vai se criando uma necessidade em parecer alguma coisa, impressionar os outros, chamar a atenção seja onde for. O sociólogo francês Michel Maffesoli, um dos principais pensadores sobre questões ciberculturais, vê nos selfies uma expressão contemporânea da iconofilia, essa adoração da autoimagem num eterno looping.

Em muitos casos vemos varias pessoas nas redes sociais mostrado uma felicidade utópica por meio de suas postagens, algo que na realidade muitas vezes não existe. Pelo contrário, na vida real vemos uma multidão de pessoas, vivendo uma profunda falta de sentido, mas em suas postagens aparentam outra realidade.

Há pessoas tão preocupadas em se mostrar bem e agradar, que acabam se perdendo de si mesmas. Percebo que na maioria das vezes, só postamos aquilo que queremos que os outros vejam. Outros Postam aquilo que querem ser, mas na verdade não é aquilo que aparenta ser. Vemos pessoas que estão prestes a cair num precipício, mas querem que todos pensem o contrário.

Muito mais hoje com a busca desenfreada por “likes” transforma homens e mulheres em reféns de suas próprias mentiras. Também vemos uma grande disputa nas redes sociais, onde as postagens dos outros se tornam uma verdadeira provocação e para não ficar para traz muitos acham que é preciso se mostrar melhor. Alguns vão longe de mais, pois mudar a aparência já não é mais suficiente, é preciso fingir outra vida. Vivemos, de fato, na sociedade do espetáculo.

Uma pesquisa feita pela Royal Society for Public Health, instituição de saúde pública do Reino Unido, mostrou justamente este efeito.

De acordo com o levantamento, 90% das pessoas entre 14 e 24 anos usam redes sociais. Dentro desta faixa etária, as taxas de ansiedade e depressão aumentaram 70% nos últimos 25 anos e a razão seria o tempo excessivo gasto com as redes.

Foram entrevistados 1.479 jovens. O estudo apontou que 7 em cada 10 voluntários disseram que a rede de compartilhamento de fotos é que mais faz com que eles se sintam piores em relação à própria autoimagem. O efeito é ainda pior entre as meninas: 9 em cada 10 se disseram infelizes com seus corpos e afirmaram pensar constantemente em mudar a própria aparência, inclusive através de cirurgias plásticas.

Usuários que passam mais de duas horas diárias visitando redes sociais são mais propensos a desenvolverem distúrbios de saúde mental, como ansiedade, baixa autoestima e estresse psicossocial.


Padre Leandro Couto

Natural de Borda da Mata MG, membro da comunidade Canção Nova desde 2007. Atualmente na Missão Canção Nova Cuiabá MT.