Olhar a outra pessoa com o coração. Esta frase parece estranha pois nós olhamos com os olhos e não com o coração. Mas estou utilizando esta expressão um tanto poética para dizer que o nosso olhar deve ter sempre uma fonte de julgamento: o coração. Isto porque sempre que olhamos para alguém acontece naturalmente um julgamento, uma análise. Vemos o seu exterior, a situação que se nos apresenta. Quantas vezes olhamos para uma pessoa e a realidade dela, naquele momento é reprovável, ou triste. Outras vezes olhamos a atitude errada de alguém e logo julgamos e condenamos, somente com o olhar. Noutro momento a situação é bela e grandiosa: alguém fazendo o bem, outra sendo generosa, aprovamos de imediato.

A reflexão que estou partilhando com você, é esta: o julgamento que exprimo com meu olhar reflete a realidade interior que estou vivendo. A Bíblia diz que o olho é o espelho da alma. Por isso muitas vezes quando não estamos bem, quando nosso interior está machucado pelas agressões que a vida nos proporciona, quando perdemos o sentido para fazer algumas coisas, ou estamos precisando ser amados, normalmente vemos e julgamos de forma negativa as situações e as pessoas.

Para olharmos o mundo com o coração, isto é transformarmos este olhar em um olhar positivo, é preciso curar o próprio coração. Muitos dão nome a isto de cura interior. Todos precisamos de cura interior. E este é um processo que começa quando temos a coragem de apresentar a Deus as nossas feridas, fraquezas, pecados e imperfeições, também os sofrimentos que a vida nos proporcionou, as pessoas que nos feriram, e pedir que a força redentora da cruz de Cristo atinja tudo isto, e restaure com o Seu supremo Amor, os sentimentos do nosso coração. O passo seguinte é projetar em Jesus uma vida nova, uma nova chance de recomeço, deixando para o passado as situações doloridas, depositando nos sofrimentos de Cristo na cruz, os nossos sofrimentos e pecados, rancores e ressentimentos, mágoas e decepções.

Somente um coração curado poderá fazer com que você e eu possamos ver o mundo e as pessoas com um olhar generoso, capaz de obscurecer os erros e elevar as suas qualidades. Eu quero chamar isto de: olhar a pessoa com o coração. Mas com um coração renovado e curado.

Quem sabe você também não esteja precisando ter este olhar. Então a dica que eu deixo para você: procure curar o seu coração, reze neste sentido e peça a Jesus a sua cura interior, deixando toda a mágoa provocada pelas situações passadas depositadas no coração Dele, e se abra para uma vida nova. Com certeza o seu relacionamento com as pessoas com quem convive, seja esposa, esposo, namorado, filho, filha, irmãos será iluminado por uma nova luz, a luz do amor.

Bom domingo, Deus te abençoe. Diácono Paulo Lourenço.

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O amor é sempre um ato da pessoa humana, que tocada pelo Amor de Deus decide-se por assumir uma postura nova, uma nova forma de viver: amar sempre. Deus se ocupa em derramar a sua graça e sua ternura em toda criatura, e a cada instante podemos tocar nesta realidade: Ele demonstra o seu amor.

A Carta de São Paulo aos Romanos apresenta a idéia do ser humano conhecer a Deus pela suas obras (Rm 1,20) e a maior obra de Deus é a entrega do Seu Filho como prova de amor pela humanidade. Jesus é o amor do Pai personificado e pessoalizado. Quero descatar o fato deste amor ser comprometido, isto é, Deus em Jesus Cristo vai até as últimas consequencias para provar que ama de verdade. Um amor comprometido com o futuro, com a salvação, com a eternidade de cada um de nós.

Esta também é a forma que devemos buscar para amar: comprometendo-se com o outro e se derramando em seu favor a cada instante. Vemos que hoje as pessoas estão mais ligadas a outras por conta de seus interesses pessoais ou buscando desfrutar aquilo que a outra tem para lhe oferecer. Acredito que isto não é amor, pois o amor é ato da minha pessoa para a outra sem esperar retribuição ou qualquer forma de recompensa. Amor comprometido é amor gratuito.

Nos relacionamentos humanos há a necessidade de se espelhar no amor de Deus, para que exista o amor verdadeiro. Quem ama se esforça para que o outro cresça e que seja feliz. Se comprometer é a forma mais autêntica de amar. Quando falo de esforço isto quer dizer que requer renúncia de si próprio, mas se Deus é quem dá sentido a este amor, ele é grandioso.

Faça uma reflexão hoje sobre a forma de amar que você tem adotado em seus relacionamentos. E se for preciso adote o modelo do comprometimento, de assumir o outro em todas as situações, enfim amar como Jesus nos amou.

Deus te abençoe. Diácono Paulo Lourenço

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PHN quer dizer “Por hoje não vou mais pecar” é decisão de viver a santidade a cada dia, e todo dia lutar para vencer as tendências ao pecado que cada pessoa tem, fruto do pecado original existente em nós. Estas tendências ao pecado precisam ser dominadas a cada dia.

Entre os casais isto é sempre uma grande luta, pois para viver a castidade no namoro muitos impulsos, desejos sexuais, a concupiscência da carne, o PHN é indispensável. Quando estão juntos, no beijo e em cada gesto de carinho e as emoções afloradas, o desejo sexual é inevitável, mas precisa ser domado, para que se possa fazer a vontade de Deus.

São Paulo nos ensina o que corresponde a vontade de Deus: ” Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo santa e honestamente, sem se deixar levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Deus”… ” Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade.” (I Tess 4, 3-7)

Neste sentido quero afirmar a necessidade de vigilância diária, o conhecer-se a si mesmo e saber os nossos limites humanos, para resguardar a sexualidade para após o casamento, mantendo a castidade durante o namoro. O sexo entre casais precisa estar vinculado a um compromisso, caso contrário a relação se torna “usufruir” do outro, buscando apenas o prazer da carne. O compromisso é o sacramento do matrimônio, por isso jovens namorados se segurem, digam PHN a cada dia, vigiem e orem para se manterem fiéis a Deus. Quando seu namoro estiver querendo “pagar fogo” cada um diga para o outro: PHN meu amor, nosso namoro é namoro PHN.

Deus abençoe seu namoro!

Diácono Paulo Lourenço

Canção Nova (blog.cancaonova.com/diaconopaulo)

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Respeito: uma palavra que diz tudo no relacionamento entre as pessoas, e é imprescindível no relacionamento de um casal, seja um casal de namorados, noivos, casados. Meu pai me ensinou desde menino que eu devia ter respeito pelos mais velhos e não permitia de forma alguma que se faltasse ao respeito com ninguém.

Vivemos uma crise profunda neste sentido, principalmente na família: é só olhar para a forma e o jeito que os filhos se relacionam com seus pais, também dos pais com relação aos filhos, sem falar dos esposos que deixaram esta virtude se perder no tempo, e é principalmente no modo de falar um com o outro que se destaca o desrespeito: palavras de ofendem, que ferem a dignidade da outra pessoa, ofensas, gritos, ou desrepeito pela não consideração das opiniões do outro.

Respeitar o outro é acolhê-lo na sua humanidade e compreender que é uma pessoa incompleta, mas que é portadora de valores, crenças pessoais, convicções construidas ao longo de sua vida, que tem uma família e foi educada de forma diferente da que eu fui educado, é aceitar a possibilidade de falhas mas que estas não definem o representa a pessoa. Respeitar é ter consciência que preciso colocar em mim  os “freios” da prudência ao me dirigir a outra pessoa, pois ela é templo do Espírito Santo, detentora da dignidade de filho de Deus, merecedora de ser acolhida fraternalmente.

Olhar para quem se ama com respeito, como um “solo sagrado” que precisa de cuidado para não ferir a sua individualidade, é condição essencial para se manter um bom relacionamento e provar que este amor é verdadeiro.

Eu pergunto: tenho respeitado meu conjuge, ou namorada (o) ou noiva (o), ou imponho as minhas vontades, me acho no direito de corrigi-lo , de modificar a sua vida adequando-a ao meu modo de ver, tirando enfim o seu direito de fazer escolhas??? Talvez na resposta desta pergunta podemos ver porque muitos relacionamentos se acabaram com o tempo, faltou o respeito à outra pessoa.

É tempo de retomar, de enxergar a outra pessoa mais humanamente, isto é enxerga-la com os olhos de Deus, e a partir disto construir a possibilidade de deixa-la ser comigo, sem deixar de ser ela mesma, pois é assim que o Pai nos permite viver: Ele respeita a nossa liberdade de ser, e nos chama a viver com Ele. Que o Pai te conceda a graça de refletir sobre isto.

Deus te abençoe!

Diácono Paulo Lourenço – Canção Nova (blog.cancaonova.com/diaconopaulo)

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A palavra transpor inspira a superação de algo que atravessa o nosso caminho. Por exemplo, para se chegar do outro lado de um rio, você precisa atravessá-lo, isto é transpor as águas correntes à sua frente. Você pode fazê-lo nadando ou utilizar-se de um barco e assim por diante. Transpor sempre requer um esforço pessoal, a utilização de força de vontade, uso de ferramentas e até desenvolver uma estratégica correta para vencer o obstáculo.

Na vida de um casal de esposos, de noivos ou de namorados, existem situações diárias a se transpor, também na criação e educação dos filhos, no caso dos casados. Na verdade a vida é um constante movimento de transposição, que requer esforço e dedicação para se chegar lá. E o que move este dínamo que gera a força necessária para se conseguir transpor é o amor. Quem ama de verdade busca no próprio amor a capacidade de transpor as barreiras, até do próprio relacionamento. Quem ama é criativo nisto, se utiliza de ferramentas como a paciência, a aceitação das limitações do outro, a coragem de ser verdadeiro e buscar um diálogo franco.

Quem ama sempre tem uma estratégica no coração para contornar situações difíceis, estratégica esta sempre estruturada no perdão e na misericórdia. Quem ama perdoa fácil e está sempre disposto a recomeçar o relacionamento transpondo a si próprio, e colocando como sentido de sua vida: o viver para o outro. Transpor significa dar um salto de qualidade, elevar-se como pessoa, se humanizando cada vez mais, buscando a verdadeira felicidade que está na conquista de si mesmo, o dominio dos instintos de dominio e de violência que estão sempre querendo se sobresair em nossos relacionamentos.

Pense neste final de semana naquelas coisas que você precisa transpor. Veja que Deus derrama o seu Espírito Santo como sopro que empurra a nossa vida nesta direção: transpor todas as barreiras que a vida nos ofereçe, até que um dia vamos transpor o céu e encontrar o nosso lugar definitivo: Deus.

Deus te abençoe.

Diácono Paulo Lourenço – Canção Nova (blog.cancaonova.com/dianocopaulo)

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Uma palavra pode fazer toda a diferença em nossa vida: uma palavra amiga e acolhedora, que consola o nosso coração e nos faz crescer, nos levanta de nossas fragilidades e daquilo que estamos passando naquele momento da vida.

Por isso São Paulo ensina: “nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem”. (Efésios 4,29)

A ordem é controlar a língua para não falar aquilo que possa ferir os outros, e não economizar palavras boas que levem os outros para cima, que o ajudem a enfrentar a vida com esperança e fé. Basta uma palavra para destruir ou para construir um relacionamento. É tempo de construir o outro e tudo começa pelas nossas palavras e é verdadeira conversão controlar o que se fala.

Vejo que é esta conversão que Deus nos chama: mudar a forma de se relacionar, colocar mais doçura, mansidão, carinho nas nossas palavras. É exercício diário, você é convidado a isto, começando hoje.

Deus te abençoe.

Diácono Paulo Lourenço

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Você pode imaginar quanto é dificil uma ruptura num relacionamento. É só olhar as separações como são doloridas e deixam marcas profundas nos cônjuges e nos filhos.  Muitas destas separações são frutos do pecado que casais acabam vivendo a dois: situações de mentira, desregramentos, afastamento de Deus, agressividade; desrespeito; palavras de ofensa um para com o outro e assim por diante.

É preciso romper com o pecado e não romper com o relacionamento. O pecado precisa ser extirpado da nossa relação. Tudo que corrompe aquilo que Deus criou por amor não pode mais fazer parte de nossa vida. Vejo que o pecado mais sutil e que mais destrói matrimônios é a mentira. Mentir, enganar o outro ou até omitir alguma coisa pode custar caro, isto porque fere a dignidade da outra pessoa e põe em risco a confiança e a fidelidade. Escolher o caminho de não falar a verdade, mesmo que seja nas pequenas coisas, é escolher pela traição da confiança que o cônjuge depositou em você. Isto mesmo a mentira já é traição!´

Jesus disse: ” e a verdade vos livrará” (João 8,32b). E é nesta perpectiva que os nossos relacionamentos podem amadurecer e tornarem-se fecundos: quando uma pessoa pode confiar na outra, e que o outro ou a outra está sempre lhe dizendo a verdade, nada ficando às escuras, escondido porque muitas vezes não é bom. O primeiro passo é se decidir pela verdade, pela sua verdade e é nesta verdade que Deus pode agir, que as coisas vão tomando o rumo certo, e se contrói uma vida feliz.

Fica a dica de hoje: rompa com o pecado da mentira no seu relacionamento. Se decida por falar, e viver sempre a partir da verdade, na luz, na graça de Deus. Que Ele te abençoe neste propósito. Diácono Paulo Lourenço.

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A base teórica da Economia é o dualismo: necessidades ilimitadas e recursos escassos. Isto nos remete a verificação de qual é a real necessidade de estarmos adquirindo bens, numa situação econômica do país cada dia mais instável, principalmente do ponto de vista das desigualdades.

Eu levo a cabo esta discussão introdutória para refletir sobre a busca frenética de compras, nestes dias, impulsionado pelas exaustivas propagandas. Dia dos namorados, dia de gastar com quem você ama. Será que todos os que querem presentear os namorados tem os recursos financeiros, para isto?. É bom saber que o cartão de crédito tem vencimento e no dia deverá ser honrado o pagamento, senão os juros são da ordem de 10 a 12% ao mês no caso de crédito rotativo. Os carnês correm frouxo, mas os vencimentos logo chegam. Com os cheque pré datado é a mesma coisa. Na verdade as pessoas ficam como que pré-dispostas a comprar, mas é preciso medir as conseqüências.

Outro ponto a pensar: se eu quero comprar, porque não comprar aquilo que o seu amor está necessitando? É porque a indústria das futilidades, dos perfumes caros, dos celulares que muitas vezes são bons telefones, mas apresentam outras utilidades dispensáveis, e que recheiam seus preços.

Se você ama alguém dê a ela o que ela precisa: muito carinho. É de graça, uma palavra carinhosa, um passeio na praça, um beijo. Estamos acostumados a “comprar” as pessoas, ou conquista-las com artifícios materiais. Mas o seu amor, precisa ser amado. O dia dos namorados precisa reencontrar o seu romantismo, e nós podemos fazer a diferença. Um cristão não se prende a busca de presentes caros, mas a certeza que ela me ama, ou ele te ama, te fará ser o presente dele ou dela neste dia.

Eu por exemplo, vou leva-la para jantar fora, conversar com o meu amor, saber como está a sua vida, o seu profissional, as suas dificuldades, as suas alegrias. E partilhar minha vida com ela. Pegar na sua mão, olhar nos seus olhos, e dizer o quanto eu a amo, e o quanto este amor amadureceu nestes 26 anos de casados, 1 ano de noivado e 4 anos de namoro. Um buquê de rosas vermelhas, custa somente R$ 12,00 será entregue, porque isto toda esposa gosta. Bom dia dos Namorados. Diácono Paulo Lourenço

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Sempre e de alguma forma, no reino animal, os filhotes quando nascem são cercados de cuidados, de atenção e proteção. Os gatinhos, cachorrinhos, leãozinhos recebem várias lambidas de suas mães, elas os aconchega junto de si aquecendo-os. As aves colocam seus filhotes em baixo de suas asas, outras mães entregam os seus filhos aos cuidados dos pais e partem em busca de alimento para o sustento de seus filhotes. Conforme vão se desenvolvendo estes cuidados vão diminuindo até que o filhote se torne capaz de lutar pela sua própria sobrevivência, no entanto alguns continuam vivendo junto ao seu bando.

Um pouco diferente dos nossos amigos animais, parece que as pessoas necessitam constantemente deste calor humano. Diversas pesquisas revelam que o contato físico, o toque, o olhar e a proteção transmitidos por gestos concretos favorecem o desenvolvimento físico, psíquico e espiritual do ser humano.

Spitz em suas pesquisas com bebês institucionalizados, com ou sem a presença de suas mães chega à conclusão que aqueles que não são trazidos ao colo para serem amamentados, que são deixados por longo período sozinhos em seus berços desenvolvem o que chama de marasmo, um estado de letargia, de não-expressão e podem até chegar a óbito precoce, sem causa específica.

Winnicott estudando crianças abandonadas, órfãs da 2ª. grande guerra, observa que o nível de delinqüência e agressividade são altíssimos entre elas. Entretanto, pesquisas atuais, revelam que crianças em condições semelhantes às estudadas por Winnicott, mas que receberam auxílio através de pessoas que as acolheram, dispensando cuidados físicos e emocionais, desenvolveram habilidades sociais, perspectivas de um futuro construtivo e força para enfrentar as adversidades que a vida oferece, de forma a tornarem-se pessoas mais humanas e altruístas.

A pesquisadora americana Tiffany Field demonstra, a partir de suas pesquisas, que o toque, o contato físico além de aliviar o estresse e a ansiedade, também diminui a criminalidade. A privação do contato físico são as causas básicas de diversos distúrbios emocionais e de sono, abuso de álcool e drogas. A falta de sono leva a irritabilidade que afeta o sistema imunológico favorecendo o aparecimento de diversas doenças, entre elas diarréias, prisão de ventre e infecções respiratórias.

A partir destes fatos basta nos perguntarmos: como estou me relacionando com as pessoas, principalmente com os mais próximos? Eu já abracei alguém hoje? Liguei pra alguém a fim de saber como ela está?

Se não, não perca tempo, abrace, beije, brinque, acaricie, sorria, … Você não se arrependerá e viverá mais, feliz e saudável.

Mara Silvia M. Lourenço

Psicóloga e membro da Comunidade Canção Nova

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Caros leitores. Gostaria de partilhar com vocês um trecho do Livro: “O personalismo” de Emanuel Monier, um filósofo que estudou a pessoa humana e suas estruturas de personalidade. Dentre as estruturas da pessoa humana ele destaca a comunicação, que acontece através do amor. Ele afirma neste Livro: “ser é amar”. Um texto filosófico é sempre complexo, mas espero que gostem da leitura e busquem traduzir isto nos seus relacionamentos pessoais:

Diácono Paulo Lourenço – Canção Nova

O primeiro ato da pessoa deve ser, pois, a criação com os outros duma sociedade de pessoas, cujas estruturas, costumes, sentimentos e até instituições estejam marcados pela natureza de pessoas: sociedade de que apenas começamos a entrever e a esboçar os costumes. Funda-se numa série de atos originais que não tem equivalente em mais parte nenhuma no universo: 1º. – Sair para fora de nós próprios. A pessoa é uma existência capaz de se libertar de si própria, de se desapossar, de se descentrar para se tornar disponível aos outros. Para a tradição personalista (principalmente para a cristã), a ascese do despojamento é a ascese central da vida pessoal; só liberta o mundo e os homens aquele que primeiramente libertou a si próprio. Os antigos falavam da luta contra o amor-próprio; nós chamamos hoje egocentrismo, narcisismo, individualismo. 2º.Compreender. Deixar de me colocar sempre no meu próprio ponto de vista, para me situar no ponto de vista dos outros. Não me procurar numa pessoa escolhida e igual a mim, não conhecer os outros apenas com um conhecimento geral , mas captar com minha singularidade à sua singularidade, numa atitude de acolhimento e num esforço de recolhimento. Ser todo para todos sem deixar de ser e de ser eu. 3º. – Tomar sobre nós, assumir o destino, os desgostos, as alegrias, as tarefas dos outros: “sofrer na nossa própria carne”. . Dar. A força viva do ímpeto pessoal não está, nem na reivindicação (individualismo pequeno-burguês), nem na luta de morte (existencialismo), mas na generosidade e no ato gratuito, ou seja, numa palavra, na dádiva sem medida e sem esperança de recompensa. A economia da pessoa é uma economia de dádiva, não de compensação ou de cálculo. A generosidade dissolve a opacidade e anula a solidão da pessoa, mesmo quando esta nada recebe em troca. 5º. Ser fiel. A aventura da pessoa é uma aventura constante desde o nascimento à morte. As dedicações pessoais, amor, amizade, só podem ser perfeitas na continuidade.” 1

1 Emmanuel MOUNIER, O Personalismo, Lisboa, 1964, p. 65-67

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