Neste Natal do Senhor surpreenda a pessoa que ama com um convite muito especial, o convite de participarem juntos de uma santa Missa de Natal. Celebrar a vitória diante de Deus, que nasce para proporcionar a humanidade a paz total. Jesus é a Paz que sua família precisa, e desta Paz Suprema brota a felicidade tão almejada.

Construir a paz dentro do lar é a missão mais sublime de um casal. E isto só é possível com a presença de Jesus, que derrama graças abundantes, equilibra o relacionamento e promove a vida plena.

Casais felizes estão na Igreja, comungando a Vida, que é Jesus. FELIZ E SANTO NATAL

Diácono Paulo Lourenço – Canção Nova

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                A felicidade é uma meta perene buscada pelos conjuges no casamento. Esta felicidade nunca mais será vivida na individualidade como nos tempos de solteiros, mas se traduzirá numa busca a dois, de encontrar na vida um sentido emocionante e gratificante para se viver. A felicidade pode ser medida pela qualidade das emoções vividas a cada dia, que elevam a alma da pessoa e a fazem se sentir amada e com possibilidade de corresponder a este amor. A felicidade é a força gratificante que brota de um coração que ama e se sente amado.

        Os casais para atingir esta meta terão que construir ao longo de anos de convivência, a intimidade conjugal. Intimidade é uma palavra que provém de outra: “intima” ou “intimo”. Só se é intimo de quem a gente confia plenamente ao ponto de entregar os segredos, na certeza da discrição do outro. Ser íntimo é compartilhar tudo: desde as pequenas coisas até os reconditos da nossa história de vida que é feita de erros, fracassos, pecados, mas também vitórias e conversões. A meu ver só podemos dizer que somos amigos de alguém se somos íntimos nesta dimensão que citei. Para o Teólogo Santo Tomas de Aquino: o casal precisa alcançar a “amizade conjugal”, fruto da intimidade plena.

           Muitos casamentos se frustaram pois alguns conjuges não construiram a intimidade conjugal, talvez por insegurança ou até desconfiança, que maculam o amor verdadeiro. Alguns mantiveram vínculos de intimidade com familiares , principalmente com os pais (mulher com a mãe, por exemplo) Esta é uma das situações que acaba bloqueando a intimidade entre os conjuges. É uma grande tentação se casar e manter estes vínculos com familiares. Diz a Palavra de Deus: “Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua esposa e os dois serão uma só carne” (Mc 10, 7-8a)

           A intimidade conjugal começa no relacionamento sexual, pois ao dar-se um ao outro, os casais entregam aquilo que tem de mais íntimo.  Investir no relacionamento sexual é uma das condições para que o casal cresça na sua intimidade. Isto quer dizer que há a necessidade de se conhecer o  próprio corpo, o corpo do conjuge e as sensações e reações, as emoções provocadas no relacionamento conjugal. A relação entre duas pessoas que se amam, é plena de emoções, de alegria, de satisfações que plenificam a pessoa, que a elevam e a fazem atingir a força gratificante que chamei acima de felicidade. A falta de sensibilidade no relacionamento sexual pode descaracteriza-lo como humano, tirar o seu sentido pleno, isto porque o prazer por si só não preenche a alma. Deus criou  a sexualidade humana para que ” que a vossa alegria seja completa”, onde se une o prazer da carne com o prazer da alma, que é fruto do amor que tem como fonte o próprio Deus.

           O passo seguinte é a conquista da intimidade na afetividade, no carinho mútuo, na aceitação e acolhida da outra pessoa em todas as suas dimensões humanas, e faze-la sentir-se amada a partir de gestos concretos no cotidiano, com destaque aquelas renúncias pessoais tão fecundas em vista da alegria do outro, para fazer a vontade do outro. Quando a gente consegue mergulhar na totalidade da vida do conjuge (isto porque houve uma abertura suficiente), e quando nos deixamos esvaziar de tudo que somos e temos, estaremos construindo a intimidade conjugal.

            Convido você a refletir sobre isto e dar passos, dialogar sobre o assunto com o seu conjuge. Sempre é tempo de recomeçar. Um novo tempo desponta para seu relacionamento.

Deus te abençoe. Diácono Paulo Lourenço

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O que é o ciúme? O ciúme na Bíblia é destacado por São Paulo na Carta aos Gálatas, como obra da carne (Gl 5,20), como concupiscência humana, derivada do pecado original, que atinge a pessoa tirando dela a sua dignidade de filho de Deus, criado à Sua imagem e semelhança  (Gn 1,27). Esta concupiscência para o apóstolo Thiago gera o pecado, e este uma vez consumado produz a morte (Tg 1,15). Nesta linha de pensamento o ciúme é próprio da humanidade ferida pelo pecado.

No Livro do Genesis há um relato muito importante sobre o ciúme: o caso dos irmãos Abel e Caim (Gn 4, 1-8), que acabou assassinando seu irmão por causa do ciúme da oferta que o seu irmão fez, talvez também por causa das qualidades e da bondade do seu irmão. O ciúme gera morte. O amor próprio ferido pelo complexo de inferioridade provoca o ciúme, porque ao se comparar com os outros, os homens se perdem na dinâmica do melhor e do pior, deixando de lado o particular valor de cada pessoa, sua dignidade intrínseca.

Outro ponto que provoca ciúme é o medo. Medo de perder a posse da outra pessoa, como se isso fosse possível, embora existam alguns casos assim, mas sem dúvidas são casos patológicos. Medo e insegurança nas suas próprias possibilidades de ser. A insegurança gera a desconfiança em si próprio, que também é fruto de comparar-se a outros. Isto é muito destrutivo num relacionamento. As vezes as pessoas acabam até dizendo que um pouco de ciúme é sinal de amor. Ouso discordar, para afirmar que esta desconfiança produz mais separação que união entre as pessoas.

O ciúme provoca brigas entre casais e discussões sem motivos, separações, divórcios, desunião entre irmãos. Quando o ciúme leva a pessoa a se lançar no pecado da inveja, a situação do relacionamento fica insuportável.

O ciumento é quase sempre uma pessoa centrada em si mesma, que se acha tão importante que deve ser o centro das atenções, puxando para si a pessoa amada com uma exclusividade doentia. A cura para esta doença, a meu ver, começa com o reconhecimento de que o ciúme é pecado, que nasce da concupiscência da carne, e que se é inflamado pelo diabo (divisor) produz um verdadeiro inferno no relacionamento.

Quero depois deste texto provocar você a refletir:

Eu sou ciumento (a) ? Tenho consciência que isto é pecado e que preciso me confessar disto? Será que conseguiria me conter quando este sentimento maléfico brota em mim? Eu confio na pessoa ou nas pessoas com quem convivo no meu dia-a-dia? Sou invejoso (a)?

Minha sugestão:Faça uma ruminação com o texto de Genesis 4, 1-8 (Abel e Caim), busque uma boa confissão e fique livre de tudo isto. É para esta liberdade que Cristo nos chamou. (GL 5,13).

Deus te abençoe você. Diácono Paulo Lourenço

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Diante de tantos momentos vividos num matrimônio: momentos bons  que fortaleceram a relação entre os conjuges, e outros que romperam laços afetivos importantes, vejo que o passo definitivo para a concórdia é a reconciliação. Precisamos diferenciar perdão de reconciliação. Perdão implica em colocar uma pedra em cima de algum fato acontecido e de esquecer o mal recebido, perdoar é fazer com aquele fato ruim se torne nulo. Talvez o perdão não implique em conviver de novo e da mesma forma com a pessoa. Mas é o primeiro passo para o viver reconciliado.

O viver reconciliado implica em “voltar ao amor original” para com a pessoa que nos ofendeu, magoou, agrediu, prejudicou. É viver de novo, com a mesma intensidade a amizade quebrada pela briga, pela discórdia na certeza que estes fatos foram “pontes” para o crescimento do relacionamento. O viver reconciliado faz cada pessoa crescer no amor. E isto precisa ser uma atitude nova a ser adotada: a atitude reconciliadora.

Para se viver reconciliado com os outros, com a pessoa amada especialmente, há a necessidade de se atingir antes três dimensões da reconciliação:

1) Reconciliar-se com Deus. Quantas pessoas estão em pecado a muitos anos e não se confessam, se afastaram da amizade de Deus, por isso não conseguem viver em paz com as outras pessoas. O primeiro passo para isto é procurar o padre e se reconcilar com Deus, beber de Sua misericórdia e Seu amor infinito, que nos ama apesar de nossas fraquezas.

2) Reconciliar-se consigo mesmo, numa atitude de auto acolhida como filho de Deus, como portador de qualidades e valores. Muitos vivem em decepção consigo mesmo, não se aceitando e nem se amando e se valorizando como imagem e semelhança de Deus. Se for preciso precisaremos reconstruir a nossa auto imagem para ter uma imagem melhor dos outros e sendo misericórdioso consigo mesmo, poderemos perdoar e se reconciliar com quem amamos.

3) Reconciliar-se com a vida, ou com aquilo que a vida nos proporcionou. Muitos reclamam de tudo e de todos, e nada satisfaz aqueles que lutam para ser ou ter aquilo que nem precisam para viver. Reconciliar-se com a vida é buscar o sentido em cada coisa que nos acontece, em tudo que Deus nos dá pela Sua Providência. E sorrir mais que reclamar, agradecer mais que pedir. Podemos fazer a escolha por viver de forma positiva e alegre, num mundo que morre pelo pessimismo e tristeza, depressão e solidão.

Só vive na solidão aquele ou aquela que não aprendeu a se contentar com o que tem, ou com quem tem para dividir a vida. Em no dia do hoje procure refletir sobre este assunto: a reconciliação, e se encaminhe para gestos concretos: vá ao encontro de alguém com quem está “brigado”, se for o seu conjuge, não deixe para amanhã,  perdoe e se deixe perdoar, enfim se reconcilie e poderá ver que esta é uma forma eficaz de ser feliz.

Bom final de semana. Deus abençoe você. Diácono Paulo Lourenço

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Um elemento que provoca ruptura no amor conjugal é a falta de respeito de uma pessoa para com a outra. Não basta dizer que ama, pois o amor exige respeito. O conceito que o psicanalista alemão Erich Fromm apresenta é contundente:

Respeito não é medo e temor; denota, de acordo com a raiz da palavra (respicere = olhar para), a capacidade de ver uma pessoa tal como é, ter conhecimento de sua individualidade singular. Respeito significa a preocupação de que a outra pessoa cresça e se desenvolva como é. Respeito, assim, implica ausência de exploração. Quero que a pessoa amada cresça e se desenvolva por si mesma, por seus próprios modos, e não para o fim de me servir. Se eu amo a outra pessoa, sinto-me um com ela, ou ele, mas com ela tal como é, não como eu necessito que seja para objeto de meu uso. O respeito só existe na base da liberdade… o amor é filho da liberdade, nunca da dominação”.

É sempre uma tentação querer dominar, estar à frente, liderar. Mas no caso do casal cristão, numa relação matrimonial sadia, isso será pernicioso, pois dominar fere o princípio da liberdade da pessoa, a qual sempre precisa ser respeitada. Se eu amo de verdade eu quero que a pessoa amada cresça e se desenvolva, para ela ser mais; e não para meu benefício, para me fazer feliz ou me fazer crescer, pois isso seria pura exploração.

A proposta cristã é um respeito incondicional para com a outra pessoa, e esse respeito só existe se houver o conhecimento mútuo. O não conhecer o outro é grande causa de divergência nas relações humanas entre homens e mulheres. Há várias camadas de conhecimento; o conhecimento, que é um dos aspectos do amor, é aquele que não fica na periferia, mas penetra até o âmago. Só é possível quando posso transcender a preocupação por mim mesmo e ver a outra pessoa em seus próprios termos. Poderíamos dizer que conhecer profundamente, ou no seu âmago, a sua alma, é desligar-se até daquilo que ela apresenta exteriormente.

Muitas pessoas são agressivas exteriormente, mas isso pode ser fruto de algum sofrimento interior que só quem ama saberá conhecer e compreender essa atitude. Quem conhece deverá se dispor a ajudar a pessoa naquilo que ela tem de deficiente, nas suas imperfeições; e se pode, a partir deste pressuposto, interferir para ajudá-la a sair de uma situação inferior para que cresça em sua pessoalidade. E isso é como desvendar um mistério, pois a pessoa apresenta “segredos”, de forma que conhecê-la passa a ser um desafio, pois para conhecer alguém será sempre necessário o autoconhecimento.

Fica a dica para o leitor: se despoje de você mesmo para experimentar, em uma relação a dois, a graça da felicidade: fruto de um profundo respeito que nasce do conhecimento mútuo. Deus te abençoe.

Diácono Paulo Lourenço

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Quando se começa um relacionamento, qualquer que seja: de esposos ou familiar, de pais e filhos, entre parentes e até entre amigos, acontece a meu ver um processo de entrelaçamento de vida que se apresenta na prática em 4 fases distintas: o encantamento, o sofrimento, a decepção e a superação.

A primeira fase do relacionamento é o encantamento, porque é a fase inicial, quando se conheçe a pessoa, no caso do pai ou da mãe quando  vê o filho recém nascido, eles “babam” de encantamento. Quando namorados começam a namorar é a mesma reação, tudo leva a olhar com amor, a querer bem, os defeitos ficam totalmente obscurecidos pela paixão, é um encantamento. O mesmo aconteçe com todos os tipos de relacionamentos humanos.

Com o passar do tempo as pessoas, principalmente as que vivem juntas, começam a se ferir com os desencontros de opiniões, as discussões, os desencontros e brigas, palavras colocadas inadequadamente, egoísmos. É a fase do sofrimento. Quem a gente ama nos provoca muito sofrimento, e fazemos sofrer a quem mais amamos. E é natural que isto aconteça, porque a pessoa trás em si misérias e pecados que acabam se revelando no processo de comunicação; em meio as virtudes que todos temos, estes pecados sempre acabam provocando sofrimento na pessoa com quem se convive.

O relacionamento chega ao ápice da crise quando a pessoa amada apresenta-se totalmente inversa daquilo que a gente sonhou que fosse. Isto porque nós temos a facilidade de idealizar a pessoa e construir “castelos de areia” sobre o que imaginamos que ela é, ou possa ser. A fase da decepção, onde tudo isto cai por terra, por traições físicas ou espirituais, ficando um vazio no relacionamento, a vontade de desistir de tudo, por conta da quebra de qualquer expectativa da possibilidade de viver com esta pessoa, que decepcionou profundamente, gerando mágoas e ressentimentos enormes, uma verdadeira crise. Todos decepcionamos alguém e fomos decepcionados no processo de vida em comum.

Vejo que esta crise, e no casamento aconteçem muitas, é também muito importante para o crescimento espiritual do casal. Porque só se cresce, a partir de crises. A este crescimento eu chamo de superação, que é a fase madura do relacionamento. A superação é a recuperação da fase do encantamento através de atitudes de acolhimento da fraqueza da outra pessoa. Num relacionamento dilacerado pelas fases intermediárias (sofrimento e decepção)  a superação é a busca de um novo entendimento, visando uma nova relação humana, pautada no conhecimento profundo, sem máscaras ou fingimentos.

Superação é a “palavra chave” do relacionamento, pois ninguém se exime de viver a decepção e o sofrimento provocado pelo outro. O caminho que proponho é a cada momento buscar o diálogo visando superar tudo isto e reavivar o amor, tendo como premissa o amor de Deus que é grandioso , que perdoa sempre e supera nossa humanidade ferida pelo pecado, dando a cada dia uma nova chance, um começar tudo de novo, com a alma lavada pelo Seu sangue e totalmente perdoada. Olhando para esta atitute de Deus dê passos para viver esta superação nos seus relacionamentos humanos.

Deus te abençoe.

Diácono Paulo Lourenço

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Olhar a outra pessoa com o coração. Esta frase parece estranha pois nós olhamos com os olhos e não com o coração. Mas estou utilizando esta expressão um tanto poética para dizer que o nosso olhar deve ter sempre uma fonte de julgamento: o coração. Isto porque sempre que olhamos para alguém acontece naturalmente um julgamento, uma análise. Vemos o seu exterior, a situação que se nos apresenta. Quantas vezes olhamos para uma pessoa e a realidade dela, naquele momento é reprovável, ou triste. Outras vezes olhamos a atitude errada de alguém e logo julgamos e condenamos, somente com o olhar. Noutro momento a situação é bela e grandiosa: alguém fazendo o bem, outra sendo generosa, aprovamos de imediato.

A reflexão que estou partilhando com você, é esta: o julgamento que exprimo com meu olhar reflete a realidade interior que estou vivendo. A Bíblia diz que o olho é o espelho da alma. Por isso muitas vezes quando não estamos bem, quando nosso interior está machucado pelas agressões que a vida nos proporciona, quando perdemos o sentido para fazer algumas coisas, ou estamos precisando ser amados, normalmente vemos e julgamos de forma negativa as situações e as pessoas.

Para olharmos o mundo com o coração, isto é transformarmos este olhar em um olhar positivo, é preciso curar o próprio coração. Muitos dão nome a isto de cura interior. Todos precisamos de cura interior. E este é um processo que começa quando temos a coragem de apresentar a Deus as nossas feridas, fraquezas, pecados e imperfeições, também os sofrimentos que a vida nos proporcionou, as pessoas que nos feriram, e pedir que a força redentora da cruz de Cristo atinja tudo isto, e restaure com o Seu supremo Amor, os sentimentos do nosso coração. O passo seguinte é projetar em Jesus uma vida nova, uma nova chance de recomeço, deixando para o passado as situações doloridas, depositando nos sofrimentos de Cristo na cruz, os nossos sofrimentos e pecados, rancores e ressentimentos, mágoas e decepções.

Somente um coração curado poderá fazer com que você e eu possamos ver o mundo e as pessoas com um olhar generoso, capaz de obscurecer os erros e elevar as suas qualidades. Eu quero chamar isto de: olhar a pessoa com o coração. Mas com um coração renovado e curado.

Quem sabe você também não esteja precisando ter este olhar. Então a dica que eu deixo para você: procure curar o seu coração, reze neste sentido e peça a Jesus a sua cura interior, deixando toda a mágoa provocada pelas situações passadas depositadas no coração Dele, e se abra para uma vida nova. Com certeza o seu relacionamento com as pessoas com quem convive, seja esposa, esposo, namorado, filho, filha, irmãos será iluminado por uma nova luz, a luz do amor.

Bom domingo, Deus te abençoe. Diácono Paulo Lourenço.

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    Este final de semana assisti a celebração de um matrimônio de duas pessoas que já moravam juntas a dezessete anos, e tem dois filhos. Foi muito emocionante porque eles estavam com a vida estruturada longe da Igreja e viveram bem todos estes anos, mas resolveram colocar a vida de casados, diante de Deus e pedir a benção nupcial. Notei neles o desejo ardente de participar da Igreja e dos sacramentos, principalmente da Eucaristia. Foi um grande testemunho para os filhos e pude dar ênfase a esta escolha: ajustar a vida a dois diante de Deus, para afirmar aquilo que o evangelista João disse: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo15,5b).

O amor humano, eu disse na homilia, não é suficiente para criar vínculos definitivos capazes de permanecerem juntos até a morte. O sacramento do matrimônio tem em si mesmo, pela benção nupcial, a graça de gerar nos esposos esta disposição e fortaleza.

Sabemos que existem milhares de casais que vivem a mesma experiência: vivem juntos, sendo muitas vezes desempedidos, mas que não buscaram o sacramento, vivendo a vida de casados contando apenas com as suas forças humanas, com o esforço pessoal, a busca de realizar um projeto de vida juntos, ter filhos e dar segurança e bem estar a eles, garantindo o seu futuro. Mas a graça de Deus, aliada a vontade humana faz a diferença, porque na vida conjugal existem muitos momentos de dificuldades e outros de crises.

As dificuldades até podem ser superadas com o esforço, diálogo, e acabam unindo os casais que conseguem superar estas dificuldades, como o desemprego, a educação dos filhos, a economia do lar, os problemas familiares, etc.  Mas quando vêm as crises, a situação fica mais dificil, pois nas crises existenciais, nas crises de comportamento, onde tudo é colocado na “berlinda” e o amor parece desfalecer em meio a falta de vontade de ficar juntos, porque nestas crises o lado pecaminoso, doentio da pessoa vem para fora, e suportar estas crises é algo sobrehumano.

Neste momento o sacramento faz a diferença, pois Deus com a sua presença reconciliadora, com seu Amor que tudo perdoa, tudo suporta, tudo sofre, leva os casais a superarem , com muitos sacrificios é verdade, as crises. O amor humano repito não é suficiente nas crises matrimoniais, precisamos nos valer do Amor Divino e apoiado Nele levar adiante a vida, pois crise passa e as coisas se renovam com a ajuda de Deus.

Penso que muitos casais que vivem juntos podem seguir o exemplo deste casal que falei acima, e buscarem a graça do sacramento do matrimônio, com certeza será a fonte de grandes bençãos em suas vidas e de seus filhos. Se você está vivendo esta situação, reflita sobre isto e dê o passo, procure a sua paróquia, faça uma boa preparação e receba o sacramento. Deus abençoe você. Diácono Paulo Lourenço.

acesse também: blog.cancaonova.com/diacoanopaulo

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O amor é sempre um ato da pessoa humana, que tocada pelo Amor de Deus decide-se por assumir uma postura nova, uma nova forma de viver: amar sempre. Deus se ocupa em derramar a sua graça e sua ternura em toda criatura, e a cada instante podemos tocar nesta realidade: Ele demonstra o seu amor.

A Carta de São Paulo aos Romanos apresenta a idéia do ser humano conhecer a Deus pela suas obras (Rm 1,20) e a maior obra de Deus é a entrega do Seu Filho como prova de amor pela humanidade. Jesus é o amor do Pai personificado e pessoalizado. Quero descatar o fato deste amor ser comprometido, isto é, Deus em Jesus Cristo vai até as últimas consequencias para provar que ama de verdade. Um amor comprometido com o futuro, com a salvação, com a eternidade de cada um de nós.

Esta também é a forma que devemos buscar para amar: comprometendo-se com o outro e se derramando em seu favor a cada instante. Vemos que hoje as pessoas estão mais ligadas a outras por conta de seus interesses pessoais ou buscando desfrutar aquilo que a outra tem para lhe oferecer. Acredito que isto não é amor, pois o amor é ato da minha pessoa para a outra sem esperar retribuição ou qualquer forma de recompensa. Amor comprometido é amor gratuito.

Nos relacionamentos humanos há a necessidade de se espelhar no amor de Deus, para que exista o amor verdadeiro. Quem ama se esforça para que o outro cresça e que seja feliz. Se comprometer é a forma mais autêntica de amar. Quando falo de esforço isto quer dizer que requer renúncia de si próprio, mas se Deus é quem dá sentido a este amor, ele é grandioso.

Faça uma reflexão hoje sobre a forma de amar que você tem adotado em seus relacionamentos. E se for preciso adote o modelo do comprometimento, de assumir o outro em todas as situações, enfim amar como Jesus nos amou.

Deus te abençoe. Diácono Paulo Lourenço

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