sobrinhos

A vida é um dom de Deus para ser vivída a dois, em família, em comunidade. Desde quando o Criador colocou o sopro da vida no homem, logo em seguida lhe encaminhou uma ajuda necessária, para dizer que ter companhia, estar com outra pessoa é uma necessidade existencial de toda pessoa humana.

Tenho experimentado em minha família uma grande dificuldade com minha mãe que é viuva já há 3 anos, e sofre muito por morar sozinha. Primeiro porque escolheu isto visto que não faltaram convites para morar com um dos filhos, que são seis; também porque a ajuda que Deus lhe deu: o marido, no caso meu pai, lhe faz muita falta e não existe substituição, apenas consolo e reconforto espiritual.  Estamos rezando e ela está discernindo sobre a possibilidade de morar comigo, com a minha família. Isto é uma grande vitória, pois acreditamos que ninguém foi criado para morar sozinho. Todos precisamos de estar ligados a outrem, por laços de amizade, pela convivência no lar.

Outra realidade também difícil é quando existe separação de casais, e a solidão impera sobre a vida da pessoa, muitas vezes a empurrando a se jogar em outro relacionamento, que pode até ser pior que o primeiro. A solidão é uma doença que está se alastrando nos nossos dias. Existe aquela solidão interior e escondida, onde a pessoa vive casada mas se sente sozinha. Isto porque o cônjuge não lhe dá atenção, não é presença, não conversa abertamente. É uma grande tristeza esta realidade tão presente nas vidas das famílias hoje.

Minha proposta é que cada um procure fugir da solidão. Quem está casado ou casada procure o ajuste da comunicação com seu conjuge, para que jamais ele ou ela se sinta sózinho. Quem está separada ou separado por esta ou aquela situação, busque refugio nos filhos, invista em estar com eles, não se isole, nem busque freneticamente outra companhia conjugal, para não cair no adultério. Se o problema é solidão busque os pais, tios, primos, construa novos relacionamentos de amizade, ninguém foi feito para ficar sózinho neste mundo. A mesma coisa eu proponho aos viuvos e viúvas. Os solteiros já estão sempre na busca de companhia, o que eles sofrem é aquela solidão de família: buscam nas amizades boas ou más preencherem suas vidas e deixam os pais de lado, e no íntimo acabam se sentindo solitários. Todos precisam do aconchego de família, só aí se esvai a solidão.

E até aqueles que realmente não tem ninguém para compartilhar a vida podem ter Deus a seu lado. Pela Sua Palavra Ele se comunica conosco e pela oração lhe respondemos, e o diálogo entre o céu e a terra se torna possível, para que ninguém possa ficar longe desta dinâmica comunicativa própria dos humanos.

Deus abençoe você, e que você saia da solidão, URGENTE.

Diácono Paulo Lourenço – Canção Nova

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Quando me casei em 1984, eu e minha esposa fizemos um propósito para toda a nossa vida: toda noite antes de dormir nós iríamos abrir a nossa Bíblia  e faríamos uma leitura. Hoje depois de quase 27 anos, nós permanecemos fiéis ao nosso propósito e nestes anos todos temos colhido frutos desta prática tão rica: ler a Bíblia.

A Bíblia é um conjunto de livros sagrados, cujos autores inspirados pelo Espírito Santo puderam condensar a Revelação de Deus para a humanidade. Ficar sem mergulhar neste tesouro é uma grande perda para qualquer pessoa. No casamento a Palavra de Deus é primordial pois dá sentido ao compromisso firmado no altar, renova a aliança e coloca a vida sob o olhar de Deus; equilibra o relacionamento, tantas vezes marcado pelo materialismo, pela busca de prazer e bem-estar. Deus precisa fazer parte da vida, e ler a Bíblia diariamente é uma forma magnífica de coloca-Lo no centro de tudo que fazemos.

Ler a Bíblia é questão de hábito. Se você começa a ler já começa a se encantar e não quer mais parar. Na verdade o alicerce do casamento precisa ser a Palavra de Deus, pois ela tem a capacidade de iluminar todos os fatos do cotidiano do casal. Muitas situações precisam ser iluminadas. As vezes vemos casais que se separam porque algo está “sem brilho” , “sem luz”. Outros casais passam também por situações semelhantes, mas como estão alicerçados na Palavra de Deus, conseguem superar, e voltar a viver de forma iluminada o relacionamento.

Vejo que é uma questão de decisão, que produz vida no casamento. Façam a experiência! Começem hoje a ler a Bíblia, como casal.

Se você acha que tem dificuldade de ler a Bíblia, busque um método. A Igreja propõe a Lectio Divina, ou leitura orante da Bíblia.

Vou dar algumas dicas:

1) Escolha o trecho que vair ler. No Livro do Monsenhor Jonas Abib: “A Bíblia no meu dia-a-dia“, Ele propõe uma sequencia de livros para se começar a ler. Você pode adquirir este Livro no shopping da Canção Nova.

Vou dar a dica do livro do Monsenhor para você começar hoje: a sequencia começa com a Primeira Carta de João, depois o Evangelho de João, e depois toda a sequencia que ele proõe. (veja no Livro é muito interessante)

2) Leia com calma o trecho. Um capítulo por dia (I Jo, 1). Reze antes de começar a Leitura, pedindo luzes ao Espírito Santo. Eu costumo ler a oração do “Veni Creator”

“Vinde Espírito Criador, as nossas almas visitai e enchei os corações com vossos dons celestiais. Vós sois chamados o Intercessor de Deus, excelso Dom sem par, a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.   Sois doador dos sete dons e sois poder na mão do Pai, por Ele prometido a nós, por nós seus feitos proclamais. A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor, nossa fraqueza encorajai, qual força eterna e protetor.   Nosso inimigo repeli, e concedei-nos vossa paz, se pela graça nos guiais, o mal deixamos para trás. Ao Pai e ao Filho Salvador, por vós possamos conhecer que procedeis do Seu amor, fazei-nos sempre firmes crer. Amém”

Agora pegue papel e caneta e responda: O que diz o texto?  Marque o que achou importante, anote no seu diário espiritual.

3) Meditação. Passe os olhos sobre a leitura e se responda: O que este texto diz para mim? E anote no diário  a direção que a Palavra te dá  para viver o dia (Rema). Pode ser apenas um Rema a se por em prática.

4) Oração. Reze  a Deus a partir do texto lido. Quais motivações vieram no coração para rezar: agradecimento, pedido de perdão, mudança em algum comportamento, etc.

5) Meditação . Feche os olhos, fique em silêncio e entre na presença de Deus, Ele está presente e Vivo. Perceba que Deus te visita, o Adore em Espírito e Verdade. Se entregue a Sua Vontade.

Tudo isto demora em torno de 30 a 40 minutos, e o casal passa a vida a limpo diante do Altíssimo, e é agraciado a cada dia com a Sua Visita.

Deus abençoe você que assumiu este lindo propósito.

Diácono Paulo Lourenço – Canção Nova

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                A felicidade é uma meta perene buscada pelos conjuges no casamento. Esta felicidade nunca mais será vivida na individualidade como nos tempos de solteiros, mas se traduzirá numa busca a dois, de encontrar na vida um sentido emocionante e gratificante para se viver. A felicidade pode ser medida pela qualidade das emoções vividas a cada dia, que elevam a alma da pessoa e a fazem se sentir amada e com possibilidade de corresponder a este amor. A felicidade é a força gratificante que brota de um coração que ama e se sente amado.

        Os casais para atingir esta meta terão que construir ao longo de anos de convivência, a intimidade conjugal. Intimidade é uma palavra que provém de outra: “intima” ou “intimo”. Só se é intimo de quem a gente confia plenamente ao ponto de entregar os segredos, na certeza da discrição do outro. Ser íntimo é compartilhar tudo: desde as pequenas coisas até os reconditos da nossa história de vida que é feita de erros, fracassos, pecados, mas também vitórias e conversões. A meu ver só podemos dizer que somos amigos de alguém se somos íntimos nesta dimensão que citei. Para o Teólogo Santo Tomas de Aquino: o casal precisa alcançar a “amizade conjugal”, fruto da intimidade plena.

           Muitos casamentos se frustaram pois alguns conjuges não construiram a intimidade conjugal, talvez por insegurança ou até desconfiança, que maculam o amor verdadeiro. Alguns mantiveram vínculos de intimidade com familiares , principalmente com os pais (mulher com a mãe, por exemplo) Esta é uma das situações que acaba bloqueando a intimidade entre os conjuges. É uma grande tentação se casar e manter estes vínculos com familiares. Diz a Palavra de Deus: “Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua esposa e os dois serão uma só carne” (Mc 10, 7-8a)

           A intimidade conjugal começa no relacionamento sexual, pois ao dar-se um ao outro, os casais entregam aquilo que tem de mais íntimo.  Investir no relacionamento sexual é uma das condições para que o casal cresça na sua intimidade. Isto quer dizer que há a necessidade de se conhecer o  próprio corpo, o corpo do conjuge e as sensações e reações, as emoções provocadas no relacionamento conjugal. A relação entre duas pessoas que se amam, é plena de emoções, de alegria, de satisfações que plenificam a pessoa, que a elevam e a fazem atingir a força gratificante que chamei acima de felicidade. A falta de sensibilidade no relacionamento sexual pode descaracteriza-lo como humano, tirar o seu sentido pleno, isto porque o prazer por si só não preenche a alma. Deus criou  a sexualidade humana para que ” que a vossa alegria seja completa”, onde se une o prazer da carne com o prazer da alma, que é fruto do amor que tem como fonte o próprio Deus.

           O passo seguinte é a conquista da intimidade na afetividade, no carinho mútuo, na aceitação e acolhida da outra pessoa em todas as suas dimensões humanas, e faze-la sentir-se amada a partir de gestos concretos no cotidiano, com destaque aquelas renúncias pessoais tão fecundas em vista da alegria do outro, para fazer a vontade do outro. Quando a gente consegue mergulhar na totalidade da vida do conjuge (isto porque houve uma abertura suficiente), e quando nos deixamos esvaziar de tudo que somos e temos, estaremos construindo a intimidade conjugal.

            Convido você a refletir sobre isto e dar passos, dialogar sobre o assunto com o seu conjuge. Sempre é tempo de recomeçar. Um novo tempo desponta para seu relacionamento.

Deus te abençoe. Diácono Paulo Lourenço

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O que é o ciúme? O ciúme na Bíblia é destacado por São Paulo na Carta aos Gálatas, como obra da carne (Gl 5,20), como concupiscência humana, derivada do pecado original, que atinge a pessoa tirando dela a sua dignidade de filho de Deus, criado à Sua imagem e semelhança  (Gn 1,27). Esta concupiscência para o apóstolo Thiago gera o pecado, e este uma vez consumado produz a morte (Tg 1,15). Nesta linha de pensamento o ciúme é próprio da humanidade ferida pelo pecado.

No Livro do Genesis há um relato muito importante sobre o ciúme: o caso dos irmãos Abel e Caim (Gn 4, 1-8), que acabou assassinando seu irmão por causa do ciúme da oferta que o seu irmão fez, talvez também por causa das qualidades e da bondade do seu irmão. O ciúme gera morte. O amor próprio ferido pelo complexo de inferioridade provoca o ciúme, porque ao se comparar com os outros, os homens se perdem na dinâmica do melhor e do pior, deixando de lado o particular valor de cada pessoa, sua dignidade intrínseca.

Outro ponto que provoca ciúme é o medo. Medo de perder a posse da outra pessoa, como se isso fosse possível, embora existam alguns casos assim, mas sem dúvidas são casos patológicos. Medo e insegurança nas suas próprias possibilidades de ser. A insegurança gera a desconfiança em si próprio, que também é fruto de comparar-se a outros. Isto é muito destrutivo num relacionamento. As vezes as pessoas acabam até dizendo que um pouco de ciúme é sinal de amor. Ouso discordar, para afirmar que esta desconfiança produz mais separação que união entre as pessoas.

O ciúme provoca brigas entre casais e discussões sem motivos, separações, divórcios, desunião entre irmãos. Quando o ciúme leva a pessoa a se lançar no pecado da inveja, a situação do relacionamento fica insuportável.

O ciumento é quase sempre uma pessoa centrada em si mesma, que se acha tão importante que deve ser o centro das atenções, puxando para si a pessoa amada com uma exclusividade doentia. A cura para esta doença, a meu ver, começa com o reconhecimento de que o ciúme é pecado, que nasce da concupiscência da carne, e que se é inflamado pelo diabo (divisor) produz um verdadeiro inferno no relacionamento.

Quero depois deste texto provocar você a refletir:

Eu sou ciumento (a) ? Tenho consciência que isto é pecado e que preciso me confessar disto? Será que conseguiria me conter quando este sentimento maléfico brota em mim? Eu confio na pessoa ou nas pessoas com quem convivo no meu dia-a-dia? Sou invejoso (a)?

Minha sugestão:Faça uma ruminação com o texto de Genesis 4, 1-8 (Abel e Caim), busque uma boa confissão e fique livre de tudo isto. É para esta liberdade que Cristo nos chamou. (GL 5,13).

Deus te abençoe você. Diácono Paulo Lourenço

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Em qualquer tipo de relação entre as pessoas, quer seja em amizades, num relacionamento conjugal, profissional ou outro qualquer, o respeito pela outra pessoa é uma coisa imprescindível. Aquilo que a outra pessoa pensa, as suas aspirações, suas experiëncias, seu modo de viver e de ser precisam ser respeitados sempre, mesmo que isto tudo não venha a ser o nosso modo de pensar, nossas aspirações, nossas experiencias pessoais, nosso modo de viver ou agir. As vezes nos damos o direito de entrar na vida do outro querendo mudar os seus pensamentos, aquilo que ele acredita como verdadeiro, que faz ou a forma como vive a sua vida. Que ousadia!

A desculpa mais frequente que se observa é a bendita “sinceridade” : querer ser sincero com o outro, e por isso  julgamos com poder de colocar a “colher” na sua vida, na sua subjetividade, as vezes até querendo moldá-lo do nosso jeito, com a nossa cara. Mas cada pessoa é uma pessoa, e as diferenças pessoais ajudam este mundo a ser um mundo pensante, dialogal, relacional.

Penso que em todo tipo de relação a pessoa é soberana enquanto fomos criados por Deus e por isso “seus filhos” amados, mas em construção, para atingir a maturidade do “homem novo: Jesus Cristo. Por isso a acolhida de toda e qualquer pessoa é o gesto mais nobre que se pode ter nesta vida. Talvez a via de santificação pessoal mais autëntica seja o amor que brota de um coração que acolhe a todos. E este acolhimento joga fora qualquer tipo de crítica, correção (quanto orgulho!) que podemos fazer mas que nada constrói, antes provoca a cisão do relacionamento. Isto muitos chamariam de sinceridade, de “não ter respeito humano” ou “é melhor falar do que calar”, “jogar na cara o erro do outro”. Eu diria que é melhor ser prudente ao dizer algo a alguém, ou dizer algo de alguém para os outros (pecado da difamação, obra do demönio), mesmo que seja verdade, isto em nome do respeito ä dignidade da pessoa. Melhor calar do que dizer o que “mata” o outro. Melhor pensar dez vezes antes de fazer algo que venha a “ferir”a dignidade do outro.

Para se falar coisas sérias a alguém, primeiro ganhe o seu coração, e fale com amor. Reflita hoje sobre isto.

Deus abençoe vocë.

Diácono Paulo Lourenço – blog.cancaonova.com/diaconopaulo

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Quando um casal forma uma família nasce um novo espaço sagrado no mundo, lugar reservado por Deus para que os valores do Reino sejam implantados e vividos. Nesta perspectiva o lar cristão precisa se tornar o próprio Reino de Deus, local de Sua santa morada, mas isto só é possivel com a colaboração dos próprios conjuges, que têm a missão de implantar este Reino que é de Amor, de Paz e de Justiça.

O Reino do Amor começa com o próprio relacionamento do casal que deve a cada dia ser construido através de gestos de acolhida, carinho, proteção, afeto mútuo, compreensão.  Também uma dose de emoção e sentimentos que terão que se renovar a cada dia, recheado de palavras que elevam a outra pessoa e revelam o que ela tem de mais precioso. Infelizmente em alguns lares não vemos casais apaixonados e se apaixonando pela aventura de viver juntos, acabam esfriando a paixão do namoro, deixando de lado o prazer sexual como fonte de alegria, relegando isto a busca de prazer às custas do outro. O sexo sem amor é alienante pois leva a pessoa a categoria de “animal” que quer prazer a todo custo. O componente do amor enquanto vivência de carinho e de afeto demonstrados a cada dia, faz a diferença na vida conjugal. O Reino de Deus é repleto de amor, deste amor que se dá, mais do que se recebe. Que é mais doação de vida, sacrificio pelo outro do que busca de se preencher pessoalmente. O Reino de Deus acontece quando promovemos o amor e fazemos dele o centro de nossas vidas.

O Reino também é de Paz, e esta paz só acontece a partir da presença do Príncipe da Paz, que é Jesus Cristo. Toda família precisa ter como fonte de Paz, a pessoa de Jesus. E isto acontece a partir da participação dos membros da família na Igreja: a vivência sacramental. Se fizéssemos uma enquete sobre o assunto certamente iríamos descobrir que famílias que participam da Santa Missa todo domingo, por exemplo, conseguem conservar a paz e banir a discórdia, as divisões internas, brigas, no interior de seus lares.  Não há paz longe de Jesus Cristo, Ele é o Shalom de Deus, Paz completa, Paz duradoura e perene. Este valor do Reino, a Paz, não se consegue implantar com as próprias forças, mas é fruto da Presença de Jesus. Somos cooperadores desta graça, nos expondo  e se colocando na presença de Cristo, através da Igreja.

Outro valor do Reino a ser implantado na família, é a Justiça. Não a justiça de quem pensa em fazer o que correto perante a lei tão somente. Isto é até fácil, mas a justiça do Reino de Deus é tirar de si e dar ao outro. Tudo que temos e que não estamos utilizando não nos pertençe, portanto não é nosso, mas de outro que está precisando. Não podemos reter para nós o que não necessitamos para ter uma vida digna, sabendo que outra pessoa não tem esta mesma vida digna porque não partilhamos com ele o que nos sobra. O Reino de Justiça é o Reino da solidariedade, da partilha, da caridade expressa em ajuda mútua. É bem fácil achar-se justo dentro da nossa individualidade e a partir do egocentrismo que é tão presente na atual sociedade. Na família cristã deve-se viver a fraternidade, para que o mundo seja melhor  a partir de cada um de nós.

Tudo isto começa na família, a partir dos conceitos cristãos que precisamos absorver , ensinar os nossos filhos a viverem: o amor, a participação sacramental em busca da paz e a justiça. É esta a  nossa missão: implantar o Reino de Deus a partir da formação moral de homens e mulheres, para se tornarem novos para um mundo novo, o que só é possível no ambiente familiar.

Deus abençoe você e sua família. Diácono Paulo Lourenço

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Diante de tantos momentos vividos num matrimônio: momentos bons  que fortaleceram a relação entre os conjuges, e outros que romperam laços afetivos importantes, vejo que o passo definitivo para a concórdia é a reconciliação. Precisamos diferenciar perdão de reconciliação. Perdão implica em colocar uma pedra em cima de algum fato acontecido e de esquecer o mal recebido, perdoar é fazer com aquele fato ruim se torne nulo. Talvez o perdão não implique em conviver de novo e da mesma forma com a pessoa. Mas é o primeiro passo para o viver reconciliado.

O viver reconciliado implica em “voltar ao amor original” para com a pessoa que nos ofendeu, magoou, agrediu, prejudicou. É viver de novo, com a mesma intensidade a amizade quebrada pela briga, pela discórdia na certeza que estes fatos foram “pontes” para o crescimento do relacionamento. O viver reconciliado faz cada pessoa crescer no amor. E isto precisa ser uma atitude nova a ser adotada: a atitude reconciliadora.

Para se viver reconciliado com os outros, com a pessoa amada especialmente, há a necessidade de se atingir antes três dimensões da reconciliação:

1) Reconciliar-se com Deus. Quantas pessoas estão em pecado a muitos anos e não se confessam, se afastaram da amizade de Deus, por isso não conseguem viver em paz com as outras pessoas. O primeiro passo para isto é procurar o padre e se reconcilar com Deus, beber de Sua misericórdia e Seu amor infinito, que nos ama apesar de nossas fraquezas.

2) Reconciliar-se consigo mesmo, numa atitude de auto acolhida como filho de Deus, como portador de qualidades e valores. Muitos vivem em decepção consigo mesmo, não se aceitando e nem se amando e se valorizando como imagem e semelhança de Deus. Se for preciso precisaremos reconstruir a nossa auto imagem para ter uma imagem melhor dos outros e sendo misericórdioso consigo mesmo, poderemos perdoar e se reconciliar com quem amamos.

3) Reconciliar-se com a vida, ou com aquilo que a vida nos proporcionou. Muitos reclamam de tudo e de todos, e nada satisfaz aqueles que lutam para ser ou ter aquilo que nem precisam para viver. Reconciliar-se com a vida é buscar o sentido em cada coisa que nos acontece, em tudo que Deus nos dá pela Sua Providência. E sorrir mais que reclamar, agradecer mais que pedir. Podemos fazer a escolha por viver de forma positiva e alegre, num mundo que morre pelo pessimismo e tristeza, depressão e solidão.

Só vive na solidão aquele ou aquela que não aprendeu a se contentar com o que tem, ou com quem tem para dividir a vida. Em no dia do hoje procure refletir sobre este assunto: a reconciliação, e se encaminhe para gestos concretos: vá ao encontro de alguém com quem está “brigado”, se for o seu conjuge, não deixe para amanhã,  perdoe e se deixe perdoar, enfim se reconcilie e poderá ver que esta é uma forma eficaz de ser feliz.

Bom final de semana. Deus abençoe você. Diácono Paulo Lourenço

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Um elemento que provoca ruptura no amor conjugal é a falta de respeito de uma pessoa para com a outra. Não basta dizer que ama, pois o amor exige respeito. O conceito que o psicanalista alemão Erich Fromm apresenta é contundente:

Respeito não é medo e temor; denota, de acordo com a raiz da palavra (respicere = olhar para), a capacidade de ver uma pessoa tal como é, ter conhecimento de sua individualidade singular. Respeito significa a preocupação de que a outra pessoa cresça e se desenvolva como é. Respeito, assim, implica ausência de exploração. Quero que a pessoa amada cresça e se desenvolva por si mesma, por seus próprios modos, e não para o fim de me servir. Se eu amo a outra pessoa, sinto-me um com ela, ou ele, mas com ela tal como é, não como eu necessito que seja para objeto de meu uso. O respeito só existe na base da liberdade… o amor é filho da liberdade, nunca da dominação”.

É sempre uma tentação querer dominar, estar à frente, liderar. Mas no caso do casal cristão, numa relação matrimonial sadia, isso será pernicioso, pois dominar fere o princípio da liberdade da pessoa, a qual sempre precisa ser respeitada. Se eu amo de verdade eu quero que a pessoa amada cresça e se desenvolva, para ela ser mais; e não para meu benefício, para me fazer feliz ou me fazer crescer, pois isso seria pura exploração.

A proposta cristã é um respeito incondicional para com a outra pessoa, e esse respeito só existe se houver o conhecimento mútuo. O não conhecer o outro é grande causa de divergência nas relações humanas entre homens e mulheres. Há várias camadas de conhecimento; o conhecimento, que é um dos aspectos do amor, é aquele que não fica na periferia, mas penetra até o âmago. Só é possível quando posso transcender a preocupação por mim mesmo e ver a outra pessoa em seus próprios termos. Poderíamos dizer que conhecer profundamente, ou no seu âmago, a sua alma, é desligar-se até daquilo que ela apresenta exteriormente.

Muitas pessoas são agressivas exteriormente, mas isso pode ser fruto de algum sofrimento interior que só quem ama saberá conhecer e compreender essa atitude. Quem conhece deverá se dispor a ajudar a pessoa naquilo que ela tem de deficiente, nas suas imperfeições; e se pode, a partir deste pressuposto, interferir para ajudá-la a sair de uma situação inferior para que cresça em sua pessoalidade. E isso é como desvendar um mistério, pois a pessoa apresenta “segredos”, de forma que conhecê-la passa a ser um desafio, pois para conhecer alguém será sempre necessário o autoconhecimento.

Fica a dica para o leitor: se despoje de você mesmo para experimentar, em uma relação a dois, a graça da felicidade: fruto de um profundo respeito que nasce do conhecimento mútuo. Deus te abençoe.

Diácono Paulo Lourenço

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Quando se começa um relacionamento, qualquer que seja: de esposos ou familiar, de pais e filhos, entre parentes e até entre amigos, acontece a meu ver um processo de entrelaçamento de vida que se apresenta na prática em 4 fases distintas: o encantamento, o sofrimento, a decepção e a superação.

A primeira fase do relacionamento é o encantamento, porque é a fase inicial, quando se conheçe a pessoa, no caso do pai ou da mãe quando  vê o filho recém nascido, eles “babam” de encantamento. Quando namorados começam a namorar é a mesma reação, tudo leva a olhar com amor, a querer bem, os defeitos ficam totalmente obscurecidos pela paixão, é um encantamento. O mesmo aconteçe com todos os tipos de relacionamentos humanos.

Com o passar do tempo as pessoas, principalmente as que vivem juntas, começam a se ferir com os desencontros de opiniões, as discussões, os desencontros e brigas, palavras colocadas inadequadamente, egoísmos. É a fase do sofrimento. Quem a gente ama nos provoca muito sofrimento, e fazemos sofrer a quem mais amamos. E é natural que isto aconteça, porque a pessoa trás em si misérias e pecados que acabam se revelando no processo de comunicação; em meio as virtudes que todos temos, estes pecados sempre acabam provocando sofrimento na pessoa com quem se convive.

O relacionamento chega ao ápice da crise quando a pessoa amada apresenta-se totalmente inversa daquilo que a gente sonhou que fosse. Isto porque nós temos a facilidade de idealizar a pessoa e construir “castelos de areia” sobre o que imaginamos que ela é, ou possa ser. A fase da decepção, onde tudo isto cai por terra, por traições físicas ou espirituais, ficando um vazio no relacionamento, a vontade de desistir de tudo, por conta da quebra de qualquer expectativa da possibilidade de viver com esta pessoa, que decepcionou profundamente, gerando mágoas e ressentimentos enormes, uma verdadeira crise. Todos decepcionamos alguém e fomos decepcionados no processo de vida em comum.

Vejo que esta crise, e no casamento aconteçem muitas, é também muito importante para o crescimento espiritual do casal. Porque só se cresce, a partir de crises. A este crescimento eu chamo de superação, que é a fase madura do relacionamento. A superação é a recuperação da fase do encantamento através de atitudes de acolhimento da fraqueza da outra pessoa. Num relacionamento dilacerado pelas fases intermediárias (sofrimento e decepção)  a superação é a busca de um novo entendimento, visando uma nova relação humana, pautada no conhecimento profundo, sem máscaras ou fingimentos.

Superação é a “palavra chave” do relacionamento, pois ninguém se exime de viver a decepção e o sofrimento provocado pelo outro. O caminho que proponho é a cada momento buscar o diálogo visando superar tudo isto e reavivar o amor, tendo como premissa o amor de Deus que é grandioso , que perdoa sempre e supera nossa humanidade ferida pelo pecado, dando a cada dia uma nova chance, um começar tudo de novo, com a alma lavada pelo Seu sangue e totalmente perdoada. Olhando para esta atitute de Deus dê passos para viver esta superação nos seus relacionamentos humanos.

Deus te abençoe.

Diácono Paulo Lourenço

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