“um semeador saiu a semear. E, semeando, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram. Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque a terra era pouco profunda. Logo, porém, que o sol nasceu, queimou-se, por falta de raízes. Outras sementes cairam entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram. Outras, enfim, cairam em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um. Aquele que tem ouvidos, ouça. Mt 13, 4-8.

Esta parábola expressa algumas identidades pessoais, pois cada um de nós conhecemos a nossa própria identidade ao defronta-la com Jesus Cristo, que é Deus, mas é o verdadeiro homem. Por isso toda vez que nos defrontamos com o Cristo Palavra, nos defrontamos conosco mesmo.

O contexto é a semeadura da Palavra: o anúncio da Palavra, que é feita pela Igreja. A Igreja semea constantemente a Palavra Viva, Jesus Cristo. Mas para que esta Palavra produza efeitos é preciso que seja acolhida pelo coração do ouvinte: que ele ouça e leve ao coração, para que possa coloca-la em prática na sua vida.

E cada pessoa tem uma reação, ou uma postura quando recebe este evangelho, a Boa-Nova.  E o evangelista Matheus nesta parábola quer revelar o tipo de acolhimento que as pessoas poderão ter com relação à Palavra recebida. Vou chamar isto nesta reflexão de: “Os quatro corações”.

Primeiro coração: O coração distraído.  a pessoa que tem este tipo de coração é aquela que está sempre a caminho de alguma coisa e nunca consegue atingi-lo. Está distraído com o ambiente que o envolve, com a luzes, com as imagens que vê, com o que percebe nos outros, nos que estão ao seu lado, à sua frente, atrás. É uma personalidade que não consegue se focar, se compenetrar, concentrar ou silenciar interiormente para ouvir a Palavra, e é agitado por muitas distrações. Não percebe quando uma mensagem é importante para sua vida, porque não prestou atenção nela. A gente vê muitos destes personagens na Santa Missa: distraídos e agitados, ou então aproveitam a ocasião para relaxar de seus agitos e acaba dormindo, sobretudo na pregação da Palavra, que acaba caindo no “caminho” de sua vida, não lhe causando impacto nenhum, nem positivo nem negativo.  O evangelista ao explicar a parábola diz que o inimigo rouba o que foi semeado.

Segundo coração:  O coração empedrado. Normalmente esta pessoa passou por muitos traumas e decepções na vida, que deixaram o seu coração insensível e embrutecido principalmente com as pessoas. Quando encontra alguém que está sendo mediador do anúncio da Palavra que não lhe é “simpático”, ou o associa a algo negativo, logo se fecha e não deixa que a Palavra anunciada o atinja produzindo os frutos de salvação. Estas pessoas ficam paralizadas na mediação humana, que é “pecadora”. O evangelho só pode nos atingir se houver quem anuncie, que é o mediador do anúncio. O coração endurecido não acolhe a Palavra por causa do pecado do mediador, e até ouve, mas quando vê quem pregou, perde a profundidade do que ouviu pelo julgamento que faz, a partir de suas afinidades pessoais e até desvios na sua afetividade ferida. Isto o torna inconstante e por causa de tribulações e dificuldades humanas pessoais não se deixa transformar pela Palavra. Um exemplo clássico: um padre prega a Palavra de forma magnífica, mas um dia esta pessoa tem uma decepção com ele, que não o acolheu em outro momento da forma como ele gostaria, o coração se fecha àquela pessoa, perdendo-se a mensagem pregada, por razões humanas primárias, e imaturidade.

Terceiro coração: O coração preocupado.  Uma pessoa preocupada com a sua vida: presente desajustado, passado mal resolvido e futuro incerto, não consegue estar por inteiro no anúncio da Palavra, perdendo-se aquilo que se prega a ele, pois está com a sua mente voltada para outras coisas. A preocupação exagerada faz da pessoa uma escrava de situações e até de dinheiro, posses e bens materiais. Num coração preocupado a Palavra de Deus não pode produzir muito, pois o próprio amor as coisas deste mundo é que provoca as preocupações. O primeiro fruto que teríamos que colher é o despojamento de tudo para ouvir e servir a Deus. A preocupação humana é uma incoerencia à própria realidade de filho de Deus, que tudo vê e rege com a Sua Providência.

Quarto coração: O coração aberto. Este coração que Jesus chama de terra boa, está sulcada pelo desejo de ouvir a Palavra, e sua vontade não importa pois quer se alimentar do Divino para se tornar mais humano. Abrir o coração é sinal de maturidade na fé, sem se importar com o mediador, com as situações, e estar totalmente presente ao anúncio, confiando todas as coisas aos cuidados do Altíssimo. Neste há espaço para reflexão, para corrigir seus desvios e coragem para confronta-los com a Lei do Amor, e com isto consegue desfrutar da Misericórdia de Deus. A pessoa que teve o coração aberto por excelência e que devemos seguir é Jesus Cristo. Ele é a Palavra anunciada e vivida, único que produz cem por cento da vontade do Pai.

Que eu e você possamos abrir o nosso coração à reflexão e a vida nova em Cristo, através de Sua Palavra.

Deus o abençoe. Diácono Paulo Lourenço. Canção Nova

Quando me casei em 1984, eu e minha esposa fizemos um propósito para toda a nossa vida: toda noite antes de dormir nós iríamos abrir a nossa Bíblia  e faríamos uma leitura. Hoje depois de quase 27 anos, nós permanecemos fiéis ao nosso propósito e nestes anos todos temos colhido frutos desta prática tão rica: ler a Bíblia.

A Bíblia é um conjunto de livros sagrados, cujos autores inspirados pelo Espírito Santo puderam condensar a Revelação de Deus para a humanidade. Ficar sem mergulhar neste tesouro é uma grande perda para qualquer pessoa. No casamento a Palavra de Deus é primordial pois dá sentido ao compromisso firmado no altar, renova a aliança e coloca a vida sob o olhar de Deus; equilibra o relacionamento, tantas vezes marcado pelo materialismo, pela busca de prazer e bem-estar. Deus precisa fazer parte da vida, e ler a Bíblia diariamente é uma forma magnífica de coloca-Lo no centro de tudo que fazemos.

Ler a Bíblia é questão de hábito. Se você começa a ler já começa a se encantar e não quer mais parar. Na verdade o alicerce do casamento precisa ser a Palavra de Deus, pois ela tem a capacidade de iluminar todos os fatos do cotidiano do casal. Muitas situações precisam ser iluminadas. As vezes vemos casais que se separam porque algo está “sem brilho” , “sem luz”. Outros casais passam também por situações semelhantes, mas como estão alicerçados na Palavra de Deus, conseguem superar, e voltar a viver de forma iluminada o relacionamento.

Vejo que é uma questão de decisão, que produz vida no casamento. Façam a experiência! Começem hoje a ler a Bíblia, como casal.

Se você acha que tem dificuldade de ler a Bíblia, busque um método. A Igreja propõe a Lectio Divina, ou leitura orante da Bíblia.

Vou dar algumas dicas:

1) Escolha o trecho que vair ler. No Livro do Monsenhor Jonas Abib: “A Bíblia no meu dia-a-dia“, Ele propõe uma sequencia de livros para se começar a ler. Você pode adquirir este Livro no shopping da Canção Nova.

Vou dar a dica do livro do Monsenhor para você começar hoje: a sequencia começa com a Primeira Carta de João, depois o Evangelho de João, e depois toda a sequencia que ele proõe. (veja no Livro é muito interessante)

2) Leia com calma o trecho. Um capítulo por dia (I Jo, 1). Reze antes de começar a Leitura, pedindo luzes ao Espírito Santo. Eu costumo ler a oração do “Veni Creator”

“Vinde Espírito Criador, as nossas almas visitai e enchei os corações com vossos dons celestiais. Vós sois chamados o Intercessor de Deus, excelso Dom sem par, a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.   Sois doador dos sete dons e sois poder na mão do Pai, por Ele prometido a nós, por nós seus feitos proclamais. A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor, nossa fraqueza encorajai, qual força eterna e protetor.   Nosso inimigo repeli, e concedei-nos vossa paz, se pela graça nos guiais, o mal deixamos para trás. Ao Pai e ao Filho Salvador, por vós possamos conhecer que procedeis do Seu amor, fazei-nos sempre firmes crer. Amém”

Agora pegue papel e caneta e responda: O que diz o texto?  Marque o que achou importante, anote no seu diário espiritual.

3) Meditação. Passe os olhos sobre a leitura e se responda: O que este texto diz para mim? E anote no diário  a direção que a Palavra te dá  para viver o dia (Rema). Pode ser apenas um Rema a se por em prática.

4) Oração. Reze  a Deus a partir do texto lido. Quais motivações vieram no coração para rezar: agradecimento, pedido de perdão, mudança em algum comportamento, etc.

5) Meditação . Feche os olhos, fique em silêncio e entre na presença de Deus, Ele está presente e Vivo. Perceba que Deus te visita, o Adore em Espírito e Verdade. Se entregue a Sua Vontade.

Tudo isto demora em torno de 30 a 40 minutos, e o casal passa a vida a limpo diante do Altíssimo, e é agraciado a cada dia com a Sua Visita.

Deus abençoe você que assumiu este lindo propósito.

Diácono Paulo Lourenço – Canção Nova

Podemos dizer que a revelação divina se manifesta por diversos meios, mas Deus não fica somente na manifestação de sua glória, ele que se comunicar conosco e comunicar-se a Si mesmo e isto acontece através da Palavra de Deus, que está contida nas Sagradas Escrituras. O documento “Dei Verbum” escrito no Concílio Vaticano II, afirma que nas Sagradas Escrituras “manifesta-se a admirável condescendência da eterna sabedoria, para conhecermos a inefável benignidade de Deus…”

Mas não basta Deus se manifestar e revelar à pessoa humana, esta terá que acolher e se maravilhar pela Sua Palavra, na qual podemos tocar na sabedoria e bondade de Deus que quer fazer parte de nossa história, acolhendo nosso passado com acertos e erros, equilibrando nosso presente a ser vivido a partir da inspiração que a Palavra fornece, e apontando para um futuro melhor e eterno nos braços do Pai.

Poderia comparar a Palavra de Deus com uma fonte inesgotável de águas que geram a vida. Mas não basta existir a fonte, é preciso beber desta fonte. Muitos homens e mulheres de nosso tempo vivem a procura de prazeres ou de respostas, na verdade a procura de sentido existencial. Este sentido, esta direção precisa de uma bússola, de um mapa, e a Sagrada Escritura contêm a única direção correta para se encontrar com a verdadeira felicidade.

Por isso o convite de Deus é que O conheçamos, pela profunda meditação de Sua Palavra, e neste encontro possamos ver a Sua face e nos maravilharmos com Suas orientações, sobretudo porque toda a Sagrada Escritura leva a pessoa humana a Cristo: fonte do amor do Pai. E neste amor, que vem do próprio Deus, encontrar a forma mais humana possível para se viver. Não basta viver, é preciso viver como ser humano, cuja característica essencial é ter a capacidade de amar. Este Deus que é amor, é quem nos ensina a amar através de Sua Palavra. Todo relacionamento humano precisa estar pautado na Palavra de Deus para ser realmente humano.

Peçamos um verdadeiro encantamento pela Palavra de Deus, e bebamos desta fonte inesgotável, que nos faz participar dos bens divinos, fonte de salvação e vida nova, revelação da Sua vontade para nossa vida.

Diácono Paulo Lourenço – Canção Nova.

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