Mensagem de Natal do Cardeal DOm Odilo Sherer – Arcebispo Metropolitano de São Paulo.
Confira e passa adiante.

terça-feira, 28 Agosto 2012
O tema da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que será realizada em Roma, de 7 a 28 de outubro deste ano, é da maior importância para a vida e a missão da Igreja: “Nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.

Lemos no Livro de Josué que o povo hebreu, depois de ter experimentado as maravilhas de Deus durante o Êxodo e a peregrinação para a terra prometida, deixou-se levar pela idolatria, esquecendo o Deus que os havia salvado. Josué, então, reuniu o povo e o colocou diante dessa escolha: “se lhes desagrada servir a Deus, então sirvam aos ídolos!” Era uma provocação, pois todos sabiam que os ídolos nada podiam e eram pura criação humana: “deuses ao gosto do homem”. O próprio Josué, porém, acrescentou: “de todo jeito, eu e minha família serviremos ao Senhor!”

O povo passou a recordar o que Deus já havia feito por ele; em outras palavras, lembrou o patrimônio de sua fé e fez uma espécie de “nova evangelização”, já naqueles tempos! E concluiu: “nem pensar em abandonar a Deus, para servir aos ídolos! Nós também serviremos ao Senhor, porque ele é nosso Deus!” (cf. Js 24, 1-2.15-18). E, assim, todos renovaram sua fé e sua fidelidade a Deus. É onde também nos deve levar o Ano da Fé, que será aberto pelo Papa no dia 11 de outubro.

A Igreja já vem refletindo há algum tempo sobre a necessidade de uma “renovada evangelização”; na Conferência de Aparecida, os bispos da América Latina e do Caribe trataram dessa questão; no Documento de Aparecida se diz, entre outras coisas, que a Igreja não pode ficar parada, apenas conservando e administrando o que já fez e conseguiu; mas que ela precisa ir ao encontro das novas situações, necessidades e desafios, trazidos pelas mudanças sociais e culturais, que não estão mais permeados com o fermento, o sal e a luz do Evangelho de Cristo.

Muitas pessoas deixaram de crer, ou não sabem mais no que creem; ficaram distantes da prática da vida cristã e da participação na vida eclesial, ou abandonaram a fé católica. Por isso, é preciso proporcionar-lhes uma renovada experiência da fé cristã, o que só é possível mediante um renovado encontro pessoal com Deus, por meio de Jesus Cristo, na graça do Espírito Santo. Tudo isso requer uma verdadeira conversão pastoral de toda a Igreja, suas pessoas, organizações e estruturas, para se colocarem em estado permanente de missão e terem novos focos e preocupações em sua ação evangelizadora. Não só o mundo oferece desafios novos à missão da Igreja, mas esta mesma tem necessidades e urgências novas.

Por isso, o foco da próxima Assembleia do Sínodo dos Bispos será a transmissão da fé cristã: o que é preciso fazer, e como, para que a fé cristã não fique diluída no esquecimento e no indiferentismo, mas continue a ser valorizada e transmitida? Que fazer para que os católicos tenham um novo apreço pelo patrimônio da sua fé, herdada dos apóstolos, do testemunho dos mártires e santos, dos missionários, pregadores, teólogos, mestres da fé, místicos, pessoas simples e cultas, que transmitiram essa herança preciosa de geração em geração, antes de nós, e a enriqueceram com sua própria experiência e testemunho?

Um dos agentes determinantes para a transmissão da fé é a família; são os pais que pedem o Batismo para os filhos e lhes dão a iniciação à vida cristã ainda nos primeiríssimos anos de vida; depois os introduzem na comunidade de fé, que é a Igreja, através da paróquia e da Igreja, de forma mais ampla. E continuam a narrar aos filhos as memórias da fé, fazendo conhecer a vida de Jesus e dos primeiros cristãos, dos mártires e santos, grandes testemunhas da fé ao longo da história bimilenar da Igreja Católica; e não deixam de dar seu próprio testemunho de apreço à fé, praticando-a, rezando com os filhos, e diante deles, participando da comunidade de fé. Ou não o fazem. E deixam de transmitir aos filhos a fé…

Talvez esse seja um dos fatores principais da transmissão da fé e da crise de fé que vivemos hoje. De fato, cada batizado, tornado-se um discípulo-missionário de Jesus Cristo, assume também a tarefa de transmitir a fé aos outros, sem retê-la para si, nem, pior ainda, abandonando-a. Seria muito triste passar a vida inteira sem transmitir a fé a alguém, sem ajudar ninguém mais a se encontrar com Deus. Josué deu o bom exemplo: “eu e minha família continuaremos a servir o Senhor!”

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 28.08.2012

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

@DomOdiloScherer

Dos dias 18 a 26 de abril, será realizada, em Aparecida, a 50ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que comemora 60 anos de fundação em outubro. Durante a Assembleia, também será lembrado o 50º aniversário de início do Concílio Vaticano 2º. São comemorações significativas para nossa Igreja.

O Concílio Vaticano 2º, convocado e iniciado pelo Beato João 23, em 1962, foi continuado e concluído no Pontificado de Paulo 6º, em 1965. Foi uma grande graça para a Igreja Católica, que se pôs à escuta da voz do Espírito Santo e se posicionou, de forma nova, diante dos tempos mudados e dos desafios novos. Permanecendo ela mesma, a Igreja quis dar um impulso renovado à sua missão e à sua presença no mundo. O papa João 23 teria dito, abrindo as janelas da sua sala de trabalho, que era necessário deixar entrar um ar novo na Igreja… Mais tarde, traduzindo a mesma intenção do Concílio, o papa João Paulo 2º convidou cristãos e não cristãos: “abrir as portas ao Redentor”; na passagem para o novo milênio cristão, o mesmo Papa convidou a levar o barco para o alto mar e “lançar as redes em águas mais profundas”…

A comemoração dos 50 anos do Concílio deverá suscitar uma série de iniciativas e reflexões na Igreja do Brasil e do mundo todo. É importante que nos demos conta do extraordinário significado, ainda atual, das grandes intuições e apelos do Concílio para vida da Igreja! Também será bom avaliar os frutos já produzidos nesses 50 anos de Concílio Vaticano 2º e perceber quanto caminho foi andado! Evidentemente, após o Concílio, também apareceram tensões internas na vida da Igreja, motivadas por interpretações divergentes sobre o mesmo Concílio; mas a Igreja não perdeu seu rumo, firme e unida em torno do sucessor de Pedro e do episcopado em comunhão com ele.

No quadro dessas comemorações, o papa Bento 16 abrirá, em outubro, o Ano da Fé, para toda a Igreja. É outra iniciativa muito oportuna e promissora para a Igreja, da qual trataremos no momento oportuno! Desde já, temos a Carta Apostólica Porta Fidei (A Porta da Fé), com a qual o Papa promulgou o Ano da Fé, ainda em outubro de 2011, exatamente um ano antes de sua abertura oficial, em Roma. A Carta Apostólica já está disponível em português nas livrarias católicas.

Os 60 anos de existência da CNBB também representam um marco importante para a Igreja no Brasil e serão comemorados, justamente, durante a 50ª Assembleia Geral da Conferência, em abril deste ano. A CNBB, fundada 10 anos antes do início do Concílio, desempenhou um papel importante na Igreja e na sociedade brasileira durante esses 60 anos. Ainda durante o Concílio, e depois dele, sua atuação foi fundamental para a boa acolhida das decisões conciliares na Igreja do Brasil; no período da ditadura militar, seu papel na defesa dos direitos humanos e na reconquista das liberdades democráticas foi decisivo para a sociedade brasileira; nesses últimos tempos, a CNBB tem atuado na promoção da nova evangelização e se empenhou na defesa da dignidade humana, na garantia do direito à vida, e vida digna para todos, bem como na justiça social.

O tema principal da Assembleia Geral da CNBB deste ano é muito significativo: “Animação bíblica de toda pastoral”. É o mesmo que dizer que a Palavra de Deus deve ser a alma de toda vida da Igreja. De fato, a Igreja existe em função da Palavra de Deus – para acolher, praticar, testemunhar e anunciar esta “palavra da salvação”. Nem podia ser diferente: a Igreja vive para evangelizar, é orientada e conduzida por essa mesma Palavra que ela anuncia e da qual se nutre constantemente, para produzir os frutos de vida e esperança. A Palavra de Deus, em última análise, é o próprio Jesus Cristo – “Palavra de Deus que se fez carne e habitou entre nós”.

O tema do Sínodo de 2008 foi “a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”; depois, o papa Bento 16 escreveu a bela e importante Exortação Apostólica Verbum Domini (A Palavra do Senhor), com a qual orientou e pediu que toda a vida e ação da Igreja tenham como alma, motivação e referência constante a Palavra de Deus. Bento 16 tem repetido com frequência que a Igreja não é “autoreferencial”, mas está referida a Jesus Cristo, sua missão em favor do Reino de Deus e da ação do Espírito Santo. Por isso, ela não parte de uma palavra, mas da Palavra de Deus, a cujo serviço ela está: “Ai de mim, se eu não evangelizar”, dizia São Paulo. A Igreja é discípula, antes de ser missionária.

Que bom, no 60º aniversário da Conferência e na 50ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos vão convidar novamente toda a Igreja do Brasil a acolher esse apelo e exortação. O fruto só pode ser promissor!

Publicado no jornal O SÃO PAULO, edição de 13/03/2012

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

@DomOdiloScherer

No dia 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, a Igreja celebrou também o Dia Mundial do Enfermo. Em Lourdes, com as aparições de Nossa Senhora a Santa Bernardete, surgiu uma fonte para onde verdadeiras multidões de pessoas já acorreram para procurar a cura de suas doenças.

Certamente, a comemoração do Dia Mundial do Enfermo na festa de Nossa Senhora de Lourdes está relacionada com esse dado. Na Europa, ainda hoje, partem “trens-enfermaria” de muitos lugares com destino a Lourdes, levando doentes de todo tipo, acompanhados durante essa viagem para a “fonte da saúde”, aos pés de Nossa Senhora, por médicos, enfermeiros e voluntários em grande número.

Todos os anos, o Papa emite uma bela mensagem para o Dia Mundial do Enfermo. Neste ano, ao mesmo tempo em que a mensagem é confortadora para os enfermos, ela se refere aos “Sacramentos da Cura” – Penitência, ou Reconciliação e Unção dos Enfermos. Partindo da cura dos dez leprosos e da palavra – “vai, a tua fé te salvou” – dita por Jesus àquele único que voltou para agradecer a Jesus por sua cura (cf Lc 17,11-19), o Papa fala da importância da fé em Deus para aqueles que se encontram nas angústias do sofrimento e da enfermidade.

As fragilidades da saúde abrem o coração mais facilmente para Deus, fazem experimentar os limites e procurar o Senhor da vida. No encontro com ele, o doente pode ter a certeza de não estar sozinho, abandonado à própria sorte. Deus está próximo de todos nós e nos envolve com sua paternal providência; mas o doente pode perceber ainda melhor que, em suas angústias e sofrimentos, o “Bom Samaritano” ajuda a quem está caído a se levantar, a carregar e suportar seu fardo. Em Deus, a fragilidade humana encontra amparo: “teu bastão e teu cajado me dão segurança!” (Sl 22).

Bento 16 chama a atenção para a missão religiosa específica dos Ministros da Igreja em relação aos doentes e à cura dos “corações atribulados”. O Sacramento da Penitência, ou Reconciliação, é um dos Sacramentos da Cura, e oferece às pessoas a possibilidade de restaurar as dilacerações da alma, provocadas pelo pecado. Graças à misericórdia de Deus, buscada e acolhida através desse Sacramento, a experiência do pecado não degenera em desespero, mas encontra o amor que perdoa e transforma.

O Sacramento da Unção dos Enfermos faz prolongar na vida e na ação da Igreja aquele amor atencioso, compassivo e delicado de Jesus em relação aos doentes, que se aproximavam dele em grande número. Por esse Sacramento, os doentes são ajudados a viver na dimensão da fé o tempo da enfermidade, que não deve ser um tempo desperdiçado na vida, pois tem enorme valor e fecundidade, quando vivido no horizonte da fé em Deus. Mediante a Unção dos Enfermos, acompanhada pela oração dos sacerdotes, a Igreja inteira recomenda os doentes ao Senhor sofredor e glorificado, a fim de que alivie suas penas e os salve; e exorta os próprios enfermos a unirem-se espiritualmente à paixão e morte de Jesus, para contribuir, deste modo, para o bem do Povo de Deus.

O Papa exorta a Igreja a valorizar mais, tanto na reflexão teológica quanto na prática pastoral, a Unção dos Enfermos, que não deve ser considerado como um “Sacramento menor” em relação aos demais; é necessário valorizar mais as diversas situações humanas ligadas à doença, e não apenas o fim da vida, relacionando-as com os conteúdos da fé, do amor e da esperança cristã. E o Papa aponta também para a importância da Eucaristia para os doentes, que podem, através de sua acolhida, associar-se mais estreitamente ao Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.

“Saúde”, finalmente, relaciona-se com a plenitude de vida e a salvação eterna das pessoas. Como cristãos, devemos estar atentos para não deixar que as pessoas enfermas e próximas da morte sejam confiadas apenas aos serviços técnicos dos profissionais da saúde – que também não devem faltar. Nessa hora, não devem faltar a assistência e o conforto da fé para quem se encontra diante da grande decisão de sua vida, antes de apresentar-se diante de Deus. As comunidades católicas estejam, por isso, muito atentas para que não faltem as palavras da fé e o “Pão da Vida”, para aqueles que dele tanto necessitam!

Publicado no jornal O SÃO PAULO, edição de 14/02/2012

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

@DomOdiloScherer

1. Qual a opinião do senhor sobre o episódio da Reuters com o Papa Bento 16?
Dom Odilo Scherer – É lamentável que uma Agência de Notícias, como a Reuters, que era tão conceituada, se preste para veicular uma notícia totalmente distorcida a respeito do Papa Bento XVI. Os títulos, muitas vezes, acabam fazendo a notícia, mesmo se a matéria não confere com o título. Isso é falta de ética na Comunicação. Eu esperaria um bom pedido de desculpas público da parte da Reuters.

2. Para a imprensa, em especial, para aos veículos católicos, qual a lição que fica desse episódio?
Dom Odilo Scherer – A Comunicação deve primar pela verdade, sem induzir as pessoas a conhecimentos e julgamentos falsos a respeito de pessoas e suas afirmações e de fatos. É preciso deixar de lado a tentação do sensacionalismo e de apresentar os fatos e as pessoas, com suas afirmações, através de filtros ideológicos; nem se deve colocar na boca dos outros, de autoridades, aquilo que gostaríamos nós de afirmar. Não é ético.

3. Como as pessoas devem lidar com as informações passadas pela mídia?
Dom Odilo Scherer – Devem ler e ouvir muito, não ficando com uma única informação superficial, não se contentar com a leitura dos títulos, nem apenas com informações já filtradas; melhor é sempre procurar a afirmação original, do próprio autor. De fato, eu havia lido o discurso do Papa aos representantes do Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé e não vi nada daquilo que o título da Reuters fazia pensar… Diante de tanta informação, pode-se ficar confuso e informado erroneamente. É preciso manter a cabeça fria e não perder o senso crítico, nem o senso da verdade e da ética.

A educação das novas gerações é decisiva para o futuro da sociedade. Pode parecer um lugar comum e a coisa mais sabida do mundo; na prática, porém, as coisas não são tão óbvias assim. Não se põe em dúvida a necessidade de todas as crianças e jovens terem acesso à escola, mas é bom que nos perguntemos sobre a qualidade da educação que lhes é proporcionada.

O dia 1° de janeiro é, para a Igreja Católica, o Dia Mundial da Paz e o Papa envia todos os anos à Igreja, aos governantes e responsáveis por organizações internacionais uma mensagem, na qual ele aborda algum aspecto importante para a edificação e a preservação da paz. Neste ano, o tema da mensagem foi: educar os jovens para a justiça e a paz.

Há algum tempo, o ano novo vem iniciando em meio a crises e incertezas quanto ao futuro; novas tensões e situações de guerra surgem entre povos, ou no interior de nações. Enquanto a crise econômica e financeira mundial balançou economias, que pareciam tão sólidas, no Brasil, finalmente, respira-se com certo alívio; mas há quem diga que a crise global ainda está longe da solução.

Bento 16 diz que os jovens têm o direito de sonhar e de esperar por um futuro bom; e eles próprios podem, com seu entusiasmo, oferecer nova esperança para o mundo. E convida pais e famílias, com os diversos âmbitos da vida religiosa, social, econômica, política e cultural a prestarem especial atenção ao mundo juvenil, valorizando suas possibilidades de contribuir para um futuro de justiça e de paz.

No entanto, muitos jovens olham o futuro com apreensão e se perguntam sobre as razões que dariam sentido e esperança à vida. Seu idealismo choca-se, muitas vezes, com a dura realidade do meio em que vivem, onde os sonhos altos parecem carecer de fundamento; podem, então, ser tentados a amoldar-se ao vazio de valores, enredados nas tensões primitivas do individualismo, da ganância e da sede de poder e vaidades, passando a respirar os mesmos ares intoxicados que lhes causavam, no despertar de sua consciência juvenil, fortes arrepios de indignação e horror. Tentação sempre próxima é o gozo ávido e inconsequente da vida, até nos vícios suicidas da droga e do álcool.

Como evitar que eles percam cedo o entusiasmo juvenil e sua fé no futuro bom? Algumas questões são fundamentais. Primeira de todas, é educar para a verdade, sem ceder à tentação do relativismo absoluto, ou da redução de todos os valores à utilidade e à vantagem pessoal. Atenção especial merece a verdade sobre a pessoa humana, para descobrir o valor e a dignidade de si e da própria vida; isso é necessário para desenvolver atitudes construtivas diante da dignidade e dos direitos inalienáveis das outras pessoas. A pessoa humana é um bem em si mesma e não pode ser sacrificada em função de bens particulares, sejam econômicos ou sociais, individuais ou coletivos.

Outra questão crucial é formar para a liberdade autêntica – “valor precioso, mas delicado, pois pode ser mal entendida e também usada mal”. A educação leva a compreender que a liberdade não se identifica com a ausência de vínculos, nem com o império do arbítrio, nem ainda com o egocentrismo subjetivo. Quando o homem crê ser um senhor absoluto, que não depende de ninguém e pode tudo o que lhe apetece, acaba prisioneiro de si mesmo e perde a própria liberdade. Esta é um bem relacional, que se mede constantemente com a liberdade dos outros e com Deus.

Risco insidioso na educação é o relativismo absoluto, que não reconhece nenhuma instância, fora de si, ou valor definitivo, e tem como última referência apenas o próprio eu, com seus desejos; sob a ilusão de liberdade, a pessoa pode estar levantando os muros da própria prisão e do fechamento total em si mesma, separada dos outros, incapaz de se relacionar com o mundo de forma adequada; e aí, cedo ou tarde, chega à angústia e a dúvida sobre a bondade da própria vida e de qualquer projeto a ser edificado em comum com os outros.

Mais um aspecto, que não pode ser subestimado na educação, é a formação acerca dos valores. Há uma norma, que o homem não criou para si, nem é imposta de fora, mas que lhe cabe reconhecer e acatar; ela é natural e está inscrita na consciência, fazendo distinguir o bem do mal. Com seu imperativo silencioso, mas forte, manda escolher o bem e evitar o mal. Formar para a consciência moral é indispensável para o bom exercício da liberdade, para o reconhecimento da dignidade do outro e para a convivência justa, respeitosa e pacífica entre as pessoas.

Justiça e paz não são fatos dados e prontos, mas o fruto de uma busca denodada e conjunta, onde as pessoas compartilham valores e atitudes. Paz não existe sem justiça, como não existe justiça, sem honra à dignidade humana. E esses bens são a fina flor do esforço de gerações, que acreditam neles; por isso, também os passam às novas gerações pelo processo da educação. Pais e famílias, apesar de tudo o que se possa dizer em contrário, ainda são os grandes agentes desse processo; e o Papa os encoraja a assumirem seu papel, apesar de todas as dificuldades. Mas também são poderosos agentes de educação a escola e outras estruturas educativas formais e informais, bem como os meios de comunicação social.

Se a qualidade da educação for boa, haverá justiça e paz; e os jovens não deixarão de fazer a parte que lhes cabe. A eles, Bento 16 volta seu apelo, já no final da Mensagem: jovens, sois um dom precioso para a sociedade! Não desanimeis, nem confieis em falsas soluções para superar os problemas. Sabei que vós mesmos também servis de exemplo e estímulo para os adultos, quando vos esforçais para superar injustiças e corrupção e vos comprometeis com a construção de um futuro melhor!

Publicado no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, ed. de 14/01/2012

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

@DomOdiloScherer

No Natal, os cristãos comemoram o nascimento de Jesus Cristo. Aconteceu há cerca de 2 mil anos, quando ainda não se fazia registro do nascimento, com lugar, dia e hora; isso é bastante recente. Mas quem duvidaria que Jesus nasceu e existiu? Vinte séculos de testemunhos ininterruptos mantiveram viva sua memória, apesar das tentativas de apagar sua lembrança da história. Perseguições aos seus seguidores, regimes totalitários ou simplesmente movimentos culturais já se propuseram eliminar, depurar ou passar para a posteridade de maneira distorcida o legado de Jesus Cristo para a humanidade. Não conseguiram. Isso já começou logo que Jesus nasceu. Conta-nos o evangelista São Mateus que o rei Herodes, encarregado romano de governar a Judeia, ao saber que em Belém havia nascido um menino, procurado e admirado por gente de toda parte, ficou assustado e quis saber mais sobre o pequeno: era Jesus, filho de Maria, casada com José, o Carpinteiro de Nazaré. Sábios e intérpretes das Escrituras Sagradas afirmavam ao rei que as profecias sobre o ressurgimento do reino de Davi apontavam para Belém e o futuro rei poderia ser esse mesmo, o pequeno que acabara de nascer. Herodes, enciumado e furioso, tentou eliminá-lo já no berço, mas não conseguiu; o bom José tomou o menino e sua mãe e fugiu com eles para o Egito. Enquanto isso, Herodes espalhava terror e luto em Belém e arredores, com a ordem para que todos os meninos abaixo de 2 anos de idade fossem mortos (cf Mt 2). Nos primeiros tempos do Cristianismo, os cristãos comemoraram mais a Páscoa do que o Natal; o anúncio do Evangelho estava centrado sobretudo no significado dos padecimentos, da morte e ressurreição de Jesus, no início da pregação dos apóstolos e no surgimento prodigioso da Igreja. Aos poucos, porém, também foi incluída a reflexão sobre a origem de Jesus, seu nascimento e infância, que a Igreja comemora no Natal (cf Mt 1-2; Lc 1-2). Teólogos e pregadores dos séculos seguintes elaboraram reflexões de extraordinária beleza e profundidade sobre esta primeira etapa da vida de Jesus, partindo da fé dos cristãos: nesse menino, o próprio Deus veio ao encontro da humanidade e assumiu nossa condição frágil e precária, para redimi-la e dar-lhe sentido e perspectiva de futuro. A Liturgia católica do Natal ainda conserva algumas dessas jóias, que o pensamento teológico lapidou naquela época: “ó Deus, nesta noite santa, o céu e a terra trocam seus dons… No momento em que vosso Filho assume a nossa fraqueza, a natureza humana recebe uma incomparável dignidade!” São Nicolau, um bispo do 4º século nascido em Mira, na atual Turquia, e cujo sarcófago está conservado na catedral de Bari, no sul da Itália, compreendeu isso muito bem: na festa do Natal, saía pelas ruas distribuindo presentes aos pobres, sobretudo às crianças. Queria, assim, compartilhar a festa e a alegria com todos porque o Natal de Jesus era um imenso presente de Deus para a humanidade inteira! Talvez nasceu aí a tradição dos presentes de Natal e da festa contagiante, que também hoje se faz. Na Idade Média, São Francisco de Assis não se cansava de contemplar o “sublime mistério” do Natal: o Grande Deus veio a nós na simplicidade e na fragilidade de uma criança! Alguém poderia ter imaginado algo assim?! Ninguém mais precisa ter medo de se aproximar do Eterno! Os braços estendidos do menino são o abraço de Deus, que acolhe a todos com infinita ternura! Francisco, poeta e cantor da beleza, quis que a cena do Natal de Jesus, narrada nos Evangelhos, fosse percebida concretamente e “criou” o presépio, com a ambientação e os figurantes dos relatos bíblicos sobre o nascimento de Jesus. A tradição dos presépios no Natal espalhou-se rapidamente pelo mundo cristão. Os tempos modernos deram-se conta de que o Natal tinha um apelo comercial muito bom e vendia bem! Natal virou coisa para comprar! E para promover melhor o seu consumo, foi criado um garoto-propaganda, chamado Papai Noel, o “bom velhinho”, de barbas brancas, botas, roupão vermelho e gorro de lã… Alguma coisa nele ainda lembra o bispo São Nicolau, de outros tempos, que distribuía presentes de verdade! Papai Noel saiu da fantasia, talvez de trenó puxado por renas imaginárias, lá dos espaços nórdicos, onde faz frio nesta época do ano. Mas deu-se muito bem nos trópicos também… Que importa um pouco de suor debaixo das pesadas roupas invernais? Doce fantasia, que encanta crianças e também agrada a adultos! Natal se tornou a festa de Papai Noel. E o menino Jesus, onde ficou? Não era dele a festa? Será que o “bom velhinho” – hô-hô-hô -, na sua pachorra, vai conseguindo o que Herodes não conseguiu com sua ira – eliminar o menino da cena? Presépio? Em seu lugar, uma árvore enfeitada de desejos coloridos; duendes e bruxas, em lugar do menininho de braços estendidos; bichinhos da Disney em lugar dos pastores de Belém e suas ovelhas; e uma infinidade de pacotes e de doces em vez do ouro, incenso e mirra, oferecidos pelos reis magos ao menino Jesus! Pois é… quase tudo como no começo! Quando Maria estava para dar à luz, José, muito aflito, batia de porta em porta e procurava um lugar em Belém para que o Filho de Deus pudesse nascer entre os homens. São Lucas informa apenas: “não havia lugar para eles”. Por isso, Jesus veio ao mundo num abrigo para animais, fora da cidade. Na cidade não havia lugar para ele. E, no entanto, continua atual o anúncio do anjo aos pastores nos campos gelados de Belém: “não tenhais medo! Eis que vos anuncio uma boa notícia, e será boa também para todo o povo! Hoje nasceu para vós um salvador, que é o Cristo, Senhor”! Mais atual do que nunca! Publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, ed. de 10.12.2011 Card. Odilo P. Scherer Arcebispo de São Paulo

 

Advento é um tempo bonito, alegre e marcado pela esperança; mas é breve, como nossa vida que, de fato, é o tempo real significado por este tempo litúrgico. O Advento coloca- nos no contexto das promessas de salvação, anunciadas pelos profetas e cumpridas com o envio do Salvador prometido ao mundo e sua manifestação na palavra e na ação de Jesus. É tempo de esperança e de alegria.

A celebração do Natal recorda-nos a surpreendente proximidade de Deus em relação aos homens; o Filho de Deus veio ao mundo para estar próximo de cada pessoa e para revelar-lhe humanamente o amor de Deus. Por que, será, que o Natal nos traz um clima geral de serenidade e paz, de alegria e fraternidade? Não será porque nos sentimos mais próximos de Deus, amados por Ele e “salvos” de nossas limitações e preocupações diárias?

Mas o Advento também aponta para o futuro, para a realização plena da salvação de Deus. Desde agora, já vislumbramos, através do véu da fé, aquilo que ainda esperamos; sabemos que Deus é fiel e cumprirá suas promessas. Por isso, enquanto vivemos “de esperança em esperança”, a Igreja nos recorda sempre de novo que, durante este tempo, devemos ser operosos na prática do bem e vigilantes, para não distrair-nos, nem desviar-nos do caminho certo. O Senhor glorioso pode vir ao nosso encontro a qualquer momento e pedir contas de nossa vida; quem tiver sido fiel a Deus na vida, perseverante na prática do bem e coerente com o reino de Deus, verá a plenitude da vida. É o que todos desejamos e buscamos!

Em nossos tempos é muito importante recordar este horizonte de esperança da nossa existência e a responsabilidade que todos temos de viver bem, pois a vida é dom e tarefa. Recordava o Papa Bento 16, na encíclica Spe salvi (Salvos na Esperança), que um dos aspectos mais preocupantes da cultura do nosso tempo é a ausência da esperança – daquela grande Esperança, que vai além daquilo que nós mesmos podemos dar-nos, e que somente Deus pode dar-nos.

Li, recentemente, a entrevista de uma pessoa que afirmava não crer em Deus e que estava bem assim: “não quero ser salva, não preciso de Deus”. Será mesmo?! Muitas vezes, o sonho inteiro de uma vida se resume em comer, beber, divertir-se, ter casa, dinheiro, saúde… São coisas boas, e quem não as quer?! Mas não são elas o objetivo da vida. Nosso coração deseja mais e continua inquieto. Não devemos enganá-lo, dando-lhe apenas “coisas”, que não podem satisfazê-lo plenamente! Só Deus mesmo é o supremo bem do homem.

Pensando nisso, não deixa de preocupar que este período do ano, mais que todos, é marcado pelo consumismo desenfreado: a promessa da felicidade em cada artigo posto à venda, a corrida compulsiva às compras, a necessidade de comer e beber bastante no Natal, presentes dados e recebidos… É difícil resistir ao clima contagiante que a corrida ao consumo de bens cria; parece que a felicidade tem fórmula mágica e hora marcada para acontecer: “a gente pensa que em pacotes compra a paz”… É sempre mais evidente a perda do sentido cristão do Advento e do Natal!

O Advento cristão é um convite para ouvir mais a Palavra de Deus, rezar mais intensamente, voltar-se para os motivos mais profundos do nosso viver, fazer um balanço de nossas vidas; é tempo de acordar a esperança sobrenatural esquecida, de praticar a solidariedade, confessar os pecados, abrir as portas e acolher o Deus-que-vem e já está no meio de nós! Não percamos de vista nossa fé e esperança!

Eis a nossa tarefa de cristãos! Não deixemos de dar nossa contribuição para uma cultura que se empobrece sempre mais e perde os altos referenciais para a vida humana. Anunciamos a dimensão sobrenatural da nossa existência e o caminho para alcançá-la Esta luz brilhou para os pastores na noite de Belém e continua a brilhar para todos na pessoa de Jesus Cristo, “luz do mundo”!

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 29.11.2011

Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo

 

 

É bem pedagógica a Liturgia da Igreja. Ao longo do ano, são celebrados os grandes Mistérios da Fé no rito, na Palavra de Deus e no Sacramento; e assim a Liturgia não celebra apenas coisas do passado, mas nos envolve na ação de Deus, que acontece hoje e naquilo que Deus ainda realizará no futuro. E nós podemos aderir à ação de Deus mediante a fé e o testemunho de vida; estes, por sua vez, nutrem-se nos Mistérios da Fé.

Enquanto o ano litúrgico já vai chegando ao fim, somos convidados a olhar para as realidades escatológicas da nossa fé, que são também o objeto da esperança cristã: a morte, o julgamento de Deus, a vida eterna, o paraíso e a felicidade plena junto de Deus – na “Jerusalém celeste”, conforme a bela imagem usada no Apocalipse para falar do céu (cf Ap 21,2.10). A festa de Todos os Santos nos lembra: para essa cidade, também nós caminhamos “pressurosos”, apressados; ainda peregrinamos pelas estradas da vida “na penumbra da fé”, mas já entrevendo a luz da glória celeste; esta já se manifestou em Jesus Cristo ressuscitado e nos santos do céu.

De fato, como cristãos, estamos com os pés bem plantados na terra e devemos ser operosos na prática do bem durante esta vida, como bons trabalhadores na vinha do Senhor, operários na sua messe, gratos colaboradores na sua obra, zeladores atentos e responsáveis do mundo confiado a nós. Ao mesmo tempo, porém, nosso coração e nossos olhos já estão voltados para “as realidades celestes”, que nos oferecem um horizonte de compreensão nova e de esperança grande, uma meta que vai além dos bens que este mundo já nos pode oferecer. Nós não cremos só para esta vida e para as realidades presentes: “se é só para esta vida que pomos a nossa esperança em Cristo, somos de todos os homens os mais dignos de compaixão” (1Cor 15,39).

Somos pessoas de esperança; não apenas de esperança humana, que se esgota nas realizações humanas. Somos animados pela esperança grande, sobrenatural, que decorre diretamente da fé e da fidelidade de Deus – verdadeiro, justo e bom. Esta esperança é uma virtude sobrenatural, ligada ao fato de sermos, já neste mundo, “filhos de Deus” (cf 1Jo 3,1-3). E só Deus pode satisfazer esta esperança sobrenatural. Ela nos dá força, coragem e perseverança na prática do bem, da justiça e da retidão, mesmo nas maiores dificuldades, ou quando não parece haver mais motivos humanos para isso. Cremos em Deus, por isso esperamos; e agimos em conformidade com nossa fé e nossa esperança.

A solenidade de Todos os Santos nos convida a elevar nossos olhos e contemplar, na fé, a “cidade celeste”, a “Jerusalém do alto”, onde a multidão dos santos vive junto de Deus. E quem acaso “viu”, para poder nos contar? São João responde: “o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai; ele, que desde sempre viu, nos veio contar (cf Jo 1,18). Jesus Cristo usou muitas imagens para falar do céu: reino de Deus, casa do Pai, banquete e festa, vida feliz na comunhão com Deus… Sempre deu a entender que o céu é a coisa melhor que podemos desejar na vida; e a exclusão dele é a pior desgraça que pode sobrevir ao homem! Também São Paulo fala de sua experiência mística das coisas celestes, descritas por ele como belíssimas, inimagináveis. (cf 2Cor 1-6); e afirma que “os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais imaginou aquilo que Deus preparou para aqueles que o amam” (cf 1Cor 2,9).

A fé cristã, portanto, afirma corajosamente a redenção plena e radical do ser humano. É uma pena, e é tão pobre, que às vezes se relacione e reduza a prática religiosa apenas à busca de alguma vantagem para esta vida; pior ainda, quando se faz da religião um mecanismo mágico na busca da prosperidade material, a ser obtida com uma espécie de relação comercial com Deus… Também é pobre, e é ruim, converter a religião em instrumento ideológico, na busca e afirmação do poder e vaidades sociais e políticas.

A prática religiosa honesta e fiel, por certo, também atrai a bênção de Deus para esta vida e tem conseqüências inquestionáveis para o convívio social. Seu objetivo final, no entanto, nunca poderá ser reduzido a uma realização humana e histórica, mas se projeta para a Esperança grande, para o futuro de Deus, para aquilo que só Ele pode nos dar. E nós o acolhemos com superabundância, louvor e alegria!

Publicado em O SÃO PAULO, de 08.11.2011

Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo

Párocos, Vigários paroquiais Colégios Católicos, Entidades, Associações, Movimentos, Pastorais

 A Caritas Nacional lançou um apelo à solidariedade de milhões de pessoas na África Oriental (Etiópia, Somália, Eritréia…) Todos somos chamados a nos mobilizar, neste momento dramático da vida destes povos. Vimos sugerir, que além dos adultos, também as crianças e jovens das comunidades, grupos catequese, escola e outros, façam um gesto de solidariedade ofertando algum valor, mesmo que pequeno, para as CRIANÇAS DA ÁFRICA ORIENTAL. As crianças e jovens poderiam oferecer o valor de um lanche, ou de um refrigerante, ou pelo menos R$ 1,00 (um real). Assim ajudarão a matar a fome e a sede de alguma criança africana. Os valores recolhidos devem ser depositados na Conta da Caritas Arquidiocesana de São Paulo (Banco Itaú – Agência 7657 – C/C 10834-1 – CNPJ: 62.021.308/0001-70).

 “O QUE TEMOS É POUCO, MAS PODE SER REPARTIDO!”

A solidariedade, como gesto de amor, educa e transforma o ser humano. No site da Caritas Nacional (www.caritas.org.br), é possível encontrar um vídeo de sensibilização, com a palavra de Dom Leonardo Steiner, Secretário Geral da CNBB. A campanha para doações ficará aberta até o dia 12 de outubro (Dia da Criança). “DEUS AMA QUEM DÁ COM ALEGRIA!”

 
 

Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer

 Arcebispo de São Paulo

Pe. Marcelo Alvares Monge Matias

CARITAS ARQUIDIOCESANA

Sueli Camargo

 Coordenadora Arquidiocesana da Pastoral do Menor