O 1º Congresso Arquidiocesano de Leigos viveu, neste último fim de semana, um momento importante, com a conclusão da sua etapa nas seis regiões episcopais. As oficinas temáticas realizadas, conforme regulamento estabelecido, ao longo de quase três meses, ofereceram a ocasião para uma tomada de consciência sobre os muitos campos de vida e missão dos cristãos leigos na Igreja e no mundo. Graças a Deus, os Congressos “Regionais” foram coroados de êxito e desejo manifestar meu agradecimento a todos aqueles que se empenharam na sua realização.

 

Agora se abre diante de nós a última etapa do Congresso, que nos faz olhar para a  Arquidiocese e a cidade como um todo. É um momento muito importante. O tema do Congresso coloca-nos diante desta missão: ser discípulos e missionários de Jesus Cristo na cidade de São Paulo. Nossa Arquidiocese é inteiramente urbana e isso não deve ser indiferente. Temos a vocação, a graça e a missão de ser Igreja de Jesus Cristo neste complexo mundo metropolitano, com seus areópagos mais variados, seus contrastes econômicos abissais, suas situações e problemas sociais muitas vezes dolorosos, seus muitos cultos, religiões e não-religiões… Que fazemos nós nesta cidade?!

 

Como Deus chamou e enviou o profeta Jonas a Nínive, “a grande cidade”, assim também chama e envia sua Igreja para estar na cidade imensa de São Paulo; não, certamente, para anunciar que será destruída, mas para chamá-la aos caminhos de Deus e para lhe fazer conhecer o amor e a presença salvadora de Deus: “Deus habita esta cidade e tem amor pelo seu povo” (cf Sl 47,9). A presença de milhões de cidadãos católicos e de outros cristãos nesta cidade deve fazer alguma diferença, mediante o fermento, o sal e a luz do Evangelho introduzidos no convívio social, no mundo do trabalho e das ocupações, na educação, na comunicação, na gestão da vida econômica e política, nas manifestações religiosas e culturais. Temos a firme convicção de que o Evangelho e a proposta cristã de vida e convivência são “boa nova” para este mundo urbano. Se isto aparece, ou não, cabe-nos constatar, e tirar as conseqüências.

 

A Igreja não poderá exercer de maneira adequada esta missão sem uma ativa e corajosa participação de todos os seus membros: clero, religiosos e leigos. Somos todos discípulos missionários de Jesus Cristo na cidade de São Paulo, cada um com seu dom e sua competência no Corpo de Cristo, o Povo de Deus, que é a Igreja. Os leigos, de modo especial, são os apóstolos do Evangelho no vasto e complexo “mundo secular”, onde são cidadãos e membros da cidade terrena e, ao mesmo tempo, membros e discípulos do reino de Deus. Aos leigos e leigas cabe a missão de introduzir o sal, o fermento e a luz do Evangelho nas “realidades deste mundo” para que tenham sempre mais o jeito e o sabor das coisas de Deus. Na diversidade e no pluralismo das convicções e visões culturais, os cristãos têm algo de próprio a dizer e contribuir para que a cidade seja melhor, mais digna e justa para cada um de seus habitantes e mais digna de Deus, que nela habita. Tenhamos a certeza de que o testemunho cristão, coerente com o Evangelho, é bom e faz bem à cidade.

 

Eis, agora, a terceira etapa do Congresso Arquidiocesano de Leigos, que se estenderá até o Domingo de Cristo Rei, 21 de novembro, encerramento do Congresso. O objetivo desta etapa é a reflexão sobre a participação dos cristãos leigos no conjunto da Arquidiocese e da vida da cidade. É chegado o momento de elaborar projetos de organização, formação e ação dos leigos. Mais uma vez, as oficinas temáticas ajudarão a agregar os leigos por afinidade de formação, profissão e ocupação no mundo e na Igreja, conforme vem exposto no Regulamento do Congresso. Faço votos de bons trabalhos a todos!

 

Enquanto isso, as paróquias, comunidades e organizações de base da Igreja também podem fazer as mesmas oficinas temáticas em âmbito local. Tenho a certeza de que os frutos serão abundantes! Que o apóstolo São Paulo, “apóstolo urbano”, contagie a todos com seu ardor e paixão por Cristo e pela sua Igreja!

 

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 31.08.2010

Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo