{"id":1151,"date":"2017-04-25T16:38:21","date_gmt":"2017-04-25T19:38:21","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/?p=1151"},"modified":"2017-04-25T16:38:21","modified_gmt":"2017-04-25T19:38:21","slug":"sindrome-de-gilles-de-la-tourette-o-que-e-e-o-que-a-ciencia-pode-oferecer-no-tratamento-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/2017\/04\/25\/sindrome-de-gilles-de-la-tourette-o-que-e-e-o-que-a-ciencia-pode-oferecer-no-tratamento-atual\/","title":{"rendered":"Sindrome de Gilles de la Tourette, o que \u00e9, e o que a ci\u00eancia pode oferecer no tratamento atual:"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A s\u00edndrome de Gilles de la Tourette (SGT) \u00e9 transtorno neuropsiqui\u00e1trico de in\u00edcio na inf\u00e2ncia, que se caracteriza pela presen\u00e7a de tiques motores e vocais. Desde a sua primeira descri\u00e7\u00e3o\u00a0em 1885, muito aspectos dessa entidade nosol\u00f3gica ainda permanecem obscuros. Parte desse desconhecimento pode ser atribu\u00eddo ao fato de que, at\u00e9 h\u00e1 poucas d\u00e9cadas, muitos profissionais da \u00e1rea de sa\u00fade desconheciam as caracter\u00edsticas cl\u00ednicas ou n\u00e3o admitiam causa org\u00e2nica para este transtorno.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A partir dos anos 60, pesquisadores em todo o mundo v\u00eam descrevendo novos aspectos desse transtorno. Sabe-se hoje que essa condi\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada a altera\u00e7\u00f5es neurofisiol\u00f3gicas e neuroanat\u00f4micas<\/span><span class=\"s2\"><sup>\u00a0<\/sup><\/span><span class=\"s1\">de etiologia, no entanto, ainda desconhecida. H\u00e1 ainda in\u00fameras lacunas a serem esclarecidas tais como: um modelo neurobiol\u00f3gico preciso, o modo de transmiss\u00e3o gen\u00e9tica e o espectro cl\u00ednico desse transtorno.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u00a0A idade dos pacientes varia de 7 a 50 anos, m\u00e9dia 20,33 anos. A idade de in\u00edcio dos sintomas varia de 3 a 15 anos, sendo a m\u00e9dia 7,81 anos. O tique motor \u00e9 o sintoma inaugural em \u00a0at\u00e9 79% dos pacientes. Quanto aos tiques complexos, a coprolalia est\u00e1 presente em 27,6%; a copropraxia em 20,1%; a palilalia em 20,1%; a ecolalia em 27,6%; e a ecopraxia em 27,6%. Em rela\u00e7\u00e3o a manifesta\u00e7\u00f5es associadas, 25,8% apresentavam d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o\/ hiperatividade e 39,6% transtorno obsessivo-compulsivo. O fen\u00f4meno sensitivo est\u00e1 presente em 54,8% dos pacientes<\/span><span class=\"s3\">.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\">Uma vez tomada a decis\u00e3o de utiliza\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos para a supress\u00e3o dos tiques, podemos definir 2 n\u00edveis de tratamento: o primeiro com f\u00e1rmacos n\u00e3o neurol\u00e9pticos (antipsic\u00f3ticos), menos agressivo, mas com efic\u00e1cia provavelmente menor, usado em casos mais ligeiros; o segundo n\u00edvel recorre a f\u00e1rmacos antipsic\u00f3ticos, provavelmente mais eficazes, mas \u00e0 custa de efeitos adversos potencialmente mais graves. Recomenda-se, em primeiro lugar, o recurso aos f\u00e1rmacos de n\u00edvel 1, e s\u00f3 depois aos de n\u00edvel 2. No entanto, o tratamento deve ser sempre selecionado em fun\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Podemos considerar ainda num terceiro n\u00edvel f\u00e1rmacos menos usuais, como a tetrabenazina e a toxina botul\u00ednica. No entanto, alguns autores defendem a utiliza\u00e7\u00e3o de tetrabenazina como primeira alternativa aos antipsic\u00f3ticos, uma vez que esta n\u00e3o provoca os efeitos adversos tardios t\u00edpicos dessa classe de f\u00e1rmacos. A toxina botul\u00ednica pode ser utilizada em tiques motores e vocais refrat\u00e1rios, geralmente apenas em casos excepcionais. Tem um papel importante na redu\u00e7\u00e3o dos sintomas premonit\u00f3rios. Deve ser considerada para o tratamento de um tique espec\u00edfico, bem reconhecido, que causa disfun\u00e7\u00e3o significativa, e n\u00e3o responde ao tratamento farmacol\u00f3gico mais usual<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\"><span class=\"s1\"><b>Neurocirurgia funcional: estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Foi publicado em 1999 o primeiro relato de ECP no tratamento de SGT refrat\u00e1ria. Existem neste momento pouco mais de 360 casos reportados na literatura cient\u00edfica mundial, dos quais 93,6% obtiveram melhoria moderada dos tiques ap\u00f3s ECP.<\/span><\/p>\n<p class=\"p4\"><span class=\"s1\">V\u00e1rias \u00e1reas cerebrais t\u00eam sido usadas como alvo de ECP, incluindo o globo p\u00e1lido interno (GPi) \u00e2ntero-medial, n\u00facleo subtal\u00e2mico, complexo centromediano-parafascicular do t\u00e1lamo, n\u00facleo\u00a0accumbens\u00a0e bra\u00e7o anterior da c\u00e1psula interna. Permanece a d\u00favida acerca do alvo que poder\u00e1 trazer mais benef\u00edcios cl\u00ednicos, mas os resultados dispon\u00edveis sugerem que o GPi parece ser atualmente o mais vantajoso e merece investiga\u00e7\u00e3o adicional futura neste \u00e2mbito.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O grupo de trabalho da\u00a0European Society for the Study of Tourette Syndrome\u00a0(ESSTS) publicou recentemente um documento de consenso que afirma que, \u00e0 luz do conhecimento atual, a ECP deve ser \u00a0utilizada no tratamento de doentes com doen\u00e7a grave e incapacitante apesar do tratamento m\u00e9dico e psicoterap\u00eautico.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sindrome de Guilles de la Tourette, o que \u00e9 e o que fazer diante deste quadro neurol\u00f3gico e neuropsiqui\u00e1trico <a href=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/2017\/04\/25\/sindrome-de-gilles-de-la-tourette-o-que-e-e-o-que-a-ciencia-pode-oferecer-no-tratamento-atual\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2501,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[10631],"tags":[189826,5011,189829,24096,19129,24095,160138,189824,22578,189827,189825],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1151"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2501"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1151"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1151\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1152,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1151\/revisions\/1152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}