{"id":1443,"date":"2018-12-19T16:54:17","date_gmt":"2018-12-19T18:54:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/?p=1443"},"modified":"2018-12-19T16:54:17","modified_gmt":"2018-12-19T18:54:17","slug":"edith-stein-o-misterio-natal-e-o-misterio-mal-estao-intimamente-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/2018\/12\/19\/edith-stein-o-misterio-natal-e-o-misterio-mal-estao-intimamente-unidos\/","title":{"rendered":"Edith Stein: \u201cO mist\u00e9rio do Natal e o mist\u00e9rio do mal est\u00e3o intimamente unidos\u201d"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"mrf-title\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/files\/2016\/11\/10514627_640836882651254_1558443024961048590_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1045\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/files\/2016\/11\/10514627_640836882651254_1558443024961048590_n-300x277.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/files\/2016\/11\/10514627_640836882651254_1558443024961048590_n-300x277.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/files\/2016\/11\/10514627_640836882651254_1558443024961048590_n-768x708.jpg 768w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/files\/2016\/11\/10514627_640836882651254_1558443024961048590_n.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/h1>\n<div class=\"post-text\">\n<div class=\"io-div\">\n<h2 class=\"subtitle\">Uma reflex\u00e3o natalina magistral da fil\u00f3sofa judia que se converteu a Cristo, morreu m\u00e1rtir em Auschwitz e foi canonizada pela Igreja<\/h2>\n<p>No recolhimento da abadia beneditina de Beuron, em 1932, tr\u00eas anos antes de entrar no Carmelo,&nbsp;Edith Stein&nbsp;escreveu uma riqu\u00edssima medita\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica sobre o&nbsp;Natal. O texto, pronunciado numa confer\u00eancia da Associa\u00e7\u00e3o de Acad\u00eamicos Cat\u00f3licos de Ludwigshafen, na Ren\u00e2nia-Palatinado, Alemanha, foi publicado pela primeira vez em 1950, em Col\u00f4nia.<\/p>\n<div class=\"mrf-adv sRoba mrf-preInsertedMad mad\">&nbsp;<\/div>\n<p>Fil\u00f3sofa, judia, ateia, convertida, religiosa e m\u00e1rtir, essa mulher especial come\u00e7a a medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o com uma cita\u00e7\u00e3o erudita, como quem se esfor\u00e7asse por captar as aten\u00e7\u00f5es, e sim com uma reflex\u00e3o que surpreende pela simplicidade; pela&nbsp;simplicidade&nbsp;de quem tem o olhar inclusivo da fenomenologia. Edith Stein destaca que o fasc\u00ednio do Natal atinge a todos, mesmo os que pertencem a outras religi\u00f5es e os n\u00e3o crentes, para quem a antiga hist\u00f3ria do Menino de Bel\u00e9m n\u00e3o diz nada.<\/p>\n<p>Nas semanas anteriores ao dia de Natal, \u201cuma c\u00e1lida corrente de amor inunda toda a terra\u201c, porque \u201ctodos preparam a festa e tentam irradiar um raio de alegria\u201c. \u00c9 sempre apreci\u00e1vel o gesto de procurar e dar&nbsp;alegria, de preparar e de preparar-se para uma festa: s\u00e3o gestos estruturalmente humanos. Para o crist\u00e3o, por\u00e9m, especialmente para os crist\u00e3os cat\u00f3licos, a estrela que leva at\u00e9 a manjedoura \u00e9 diferente. O cora\u00e7\u00e3o de quem vive com a Igreja, desde o repicar do&nbsp;Rorate Coeli&nbsp;at\u00e9 os cantos do Advento, come\u00e7a a bater em un\u00edssono com a sagrada liturgia que emoldura um momento \u00fanico: o tempo de uma espera que \u00e9 tamb\u00e9m ardente nostalgia. Uma&nbsp;espera-nostalgia&nbsp;que cresce durante o Advento e encontra satisfa\u00e7\u00e3o somente quando os sinos da Missa do Galo anunciam que \u201co Verbo se fez carne\u201c. Com este an\u00fancio, vemo-nos sempre diante do fasc\u00ednio do Menino na manjedoura, que estende as m\u00e3os e parece j\u00e1 dizer, sorrindo, o que mais tarde os seus l\u00e1bios de Mestre repetir\u00e3o at\u00e9 o \u00faltimo suspiro na cruz: \u201cSegue-Me\u201c.<\/p>\n<div class=\"mrf-adv sRoba mrf-preInsertedMad mad\">&nbsp;<\/div>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o: a Luz da estrela e o encanto do Menino na manjedoura duram um piscar de olhos. \u201c\u00c0 luz descida do c\u00e9u, op\u00f5e-se, ainda mais escura, a noite do pecado\u201c. Diante do Menino, ao mesmo tempo, os esp\u00edritos se dividem em \u201ccontra\u201d e \u201ca favor\u201d. Diante do \u201cSegue-Me\u201c,&nbsp;quem n\u00e3o \u00e9 por Ele \u00e9 contra Ele. N\u00e3o por acaso, no dia depois do Natal, enquanto ainda ecoam os sons festivos dos sinos da noite e das festivas liturgias natalinas, a Igreja se desveste do branco de festa e se reveste do vermelho do sangue, e, no quarto dia, j\u00e1 usa o roxo do luto para recordar o primeiro m\u00e1rtir, Est\u00eav\u00e3o, e as crian\u00e7as inocentes que foram mortas por Herodes. O que isto significa? Onde foi parar o encanto do Menino na manjedoura? Onde est\u00e1 o bem-aventurado sil\u00eancio da noite santa?<\/p>\n<section class=\"mrf-inlineNextArticles mrf-snapperElement--stopper\">\n<div class=\"inlineNextArticles mrf-page mrf-composedLayout mrf-composedLayout--photoSlider\">\n<div class=\"mrf-nativeScrollView mrf-nativeHorizontal\">\n<div class=\"mrf-contentSlideView\">\n<article class=\"mrf-article mrf-article--photo mrf-page mrf-noFillet mrf-subtitle mrf-author mrf-m mrf-image \">\n<div class=\"img  mrf-article-image mrf-article__image \">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"mrf-articleText\">\n<h1 class=\"mrf-article__title\">O que preciso mudar para ser mais feliz?<\/h1>\n<\/div>\n<\/article>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<article class=\"mrf-article mrf-article--photo mrf-page mrf-noFillet mrf-subtitle mrf-author mrf-m mrf-image \">\n<div class=\"img  mrf-article-image mrf-article__image \">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"mrf-articleText\">\n<h1 class=\"mrf-article__title\">Gestos de amor e carinho que quebraram o protocolo da fam\u00edlia real brit\u00e2nica<\/h1>\n<\/div>\n<\/article>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<article class=\"mrf-article mrf-article--photo mrf-page mrf-noFillet mrf-subtitle mrf-author mrf-m mrf-image \">\n<div class=\"img  mrf-article-image mrf-article__image \">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"mrf-articleText\">\n<h1 class=\"mrf-article__title\">Como encontrar ajuda e esperan\u00e7a para depress\u00e3o durante as festas de fim de ano<\/h1>\n<\/div>\n<\/article>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<article class=\"mrf-article mrf-article--photo mrf-page mrf-noFillet mrf-author mrf-video mrf-m mrf-image \">\n<div class=\"img  mrf-article-image mrf-article__image \">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"mrf-articleText\">\n<h1 class=\"mrf-article__title\">O santo que adorava meditar sobre o Natal<\/h1>\n<\/div>\n<\/article>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<article class=\"mrf-article mrf-article--photo mrf-page mrf-noFillet mrf-author mrf-m mrf-image \">\n<div class=\"img  mrf-article-image mrf-article__image \">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"mrf-articleText\">\n<h1 class=\"mrf-article__title\">O dia em que Padre Pio segurou o Menino Jesus nos bra\u00e7oO mist\u00e9rio da noite de Natal, escreve Edith Stein, carrega uma verdade grave e s\u00e9ria que o encanto da manjedoura n\u00e3o deve encobrir aos nossos olhos: \u201cO mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o e o mist\u00e9rio do mal est\u00e3o intimamente unidos\u201c.A alegria do Menino e das figuras luminosas que se ajoelham em torno da manjedoura, das crian\u00e7as inocentes, dos pastores esperan\u00e7osos, dos reis humildes, dos m\u00e1rtires, dos disc\u00edpulos, dos homens de boa vontade que seguem o chamado do Senhor, essa alegria, enfim, caminha de m\u00e3os dadas com a constata\u00e7\u00e3o de que nem todos os homens s\u00e3o de boa vontade; de que a paz n\u00e3o alcan\u00e7a \u201cos filhos das trevas\u201c; de que, para esses, o Pr\u00edncipe da Paz \u201ctraz a espada\u201c; de que, para esses, Ele \u00e9 a \u201cpedra de trope\u00e7o\u201d que os derruba.&nbsp;Aquele Menino divide e separa, porque, enquanto o contemplamos, Ele nos imp\u00f5e uma escolha: \u201cSegue-Me\u201c. Ele a imp\u00f5e a n\u00f3s tamb\u00e9m, hoje, e nos coloca diante da decis\u00e3o entre a luz e a escurid\u00e3o. As m\u00e3os do Menino \u201cd\u00e3o e exigem ao mesmo tempo\u201c.<\/h1>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Se colocarmos as nossas m\u00e3os nas do Menino Deus e respondermos sim ao seu \u201cSegue-Me\u201c, o que recebemos?<\/p>\n<p>\u201cOh, maravilhoso interc\u00e2mbio! O Criador da humanidade nos d\u00e1, assumindo um corpo, a sua divindade!\u201c. Aqui reside a grandeza do mist\u00e9rio da&nbsp;Encarna\u00e7\u00e3o: quem escolhe a luz, quem fica do lado do Menino, \u201cabre caminho para que a sua vida divina se derrame sobre n\u00f3s\u201d e traz \u201cde forma invis\u00edvel o Reino de Deus dentro de si\u201c. O Natal \u00e9 o come\u00e7o da aventura de deixar a gra\u00e7a \u201cpermear de vida divina toda a vida humana\u201c.&nbsp;Por que Deus se fez homem?&nbsp;Deus se tornou um filho do homem para que os homens se tornem filhos de Deus. Escreve Edith Stein: \u201cUm de n\u00f3s tinha rasgado o v\u00ednculo da filia\u00e7\u00e3o divina; um de n\u00f3s tinha que reat\u00e1-lo e pagar pelo pecado. Mas nenhum descendente da antiga prog\u00eanie, doente e bastarda, tinha condi\u00e7\u00f5es de faz\u00ea-lo. Era preciso enxertar-lhe um ramo novo, saud\u00e1vel e nobre\u201c. Estas palavras de Edith Stein evocam, por analogia \u00f3bvia, uma passagem do \u201cCur Deus Homo\u201d (CDH), de Santo Anselmo, que cont\u00e9m a mesma l\u00f3gica da reden\u00e7\u00e3o: \u201cA restaura\u00e7\u00e3o da natureza humana n\u00e3o teria acontecido se o homem n\u00e3o tivesse pagado a Deus o que lhe devia pelo pecado. Mas a d\u00edvida era t\u00e3o grande que a satisfa\u00e7\u00e3o, de obriga\u00e7\u00e3o apenas do homem, mas poss\u00edvel somente a Deus, precisava ser dada por um homem-Deus\u201d (CDH 2,6).<\/p>\n<p>Edith Stein tinha aprendido, na escola dos professores do Carmelo, Teresa de \u00c1vila e Jo\u00e3o da Cruz em particular, que a&nbsp;gra\u00e7a&nbsp;se desenvolve em n\u00f3s como uma semente que nos transforma, deixando-nos participar da pr\u00f3pria vida de Deus. Por esta raz\u00e3o, a medita\u00e7\u00e3o seguinte insiste nos sinais fundamentais de uma vida humana unida a Deus.<\/p>\n<p>O primeiro sinal da&nbsp;filia\u00e7\u00e3o divina&nbsp;\u00e9 \u201cser um s\u00f3 com Deus\u201c. O Menino desceu ao mundo para ser um \u201ccorpo misterioso\u201d conosco: \u201cEle \u00e9 a nossa cabe\u00e7a, n\u00f3s os Seus membros\u201c. N\u00e3o existimos mais \u201cum ao lado do outro, como pessoas isoladas, aut\u00f4nomas, e sim, todos juntos, como uma s\u00f3 coisa com Cristo\u201c. O segundo sinal da filia\u00e7\u00e3o divina \u00e9 \u201cser um s\u00f3 em Deus\u201c: \u201cSe, no corpo m\u00edstico, Cristo \u00e9 o corpo e n\u00f3s os membros, ent\u00e3o somos membros uns dos outros e, todos juntos, somos um s\u00f3 em Deus\u201c. A medida do nosso amor a Deus \u00e9 o nosso amor para com o pr\u00f3ximo, \u201cseja parente ou n\u00e3o, seja-nos simp\u00e1tico ou n\u00e3o, seja moralmente digno da nossa ajuda ou n\u00e3o; quem ama com o amor de Cristo, ama a humanidade por Deus e n\u00e3o por si\u201c. O terceiro sinal da filia\u00e7\u00e3o divina \u00e9 a disponibilidade para aceitar qualquer coisa da m\u00e3o de Deus: o \u201cfa\u00e7a-se a Tua vontade!\u201c, em toda a sua extens\u00e3o, deve ser o crit\u00e9rio da vida crist\u00e3. Ele deve permear a jornada da manh\u00e3 at\u00e9 a noite, o curso do ano e de toda a vida. \u201cDeve ser a \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o. Todas as outras o Senhor as toma para Si\u201c.<\/p>\n<p>\u00c0 luz e ao calor da Noite Santa, quando mal come\u00e7amos a nos confiar ao Menino, apertamos confiantes a Sua m\u00e3o e vemos com clareza o que devemos fazer ou n\u00e3o fazer. Mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficar\u00e1 assim para sempre. Quem v\u00ea o encanto do Menino na Noite Santa n\u00e3o pode fingir que n\u00e3o percebe que&nbsp;o caminho que parte de Bel\u00e9m conduz ao G\u00f3lgota, vai da manjedoura at\u00e9 a cruz. \u201cQuem pertence a Cristo deve viver toda a vida d\u2019Ele\u201c.&nbsp;A noite de Natal e a noite da cruz s\u00e3o uma \u00fanica noite. Chegar\u00e1 o tempo do sofrimento e da morte para cada homem. Quando ele vier, a confian\u00e7a em Deus permanecer\u00e1 firme? Estaremos dispostos a aceitar qualquer coisa da Sua m\u00e3o? Seremos ainda capazes de dizer \u201cfa\u00e7a-se a Tua vontade\u201c, mesmo na&nbsp;\u201cnoite escura\u201c, quando a luz divina j\u00e1 n\u00e3o brilhar e a voz do Senhor silenciar?<\/p>\n<p>Os mist\u00e9rios do cristianismo s\u00e3o um todo indivis\u00edvel. Quem se aprofunda em um, acaba por tocar os outros todos, escreve Edith Stein. Sobre o luminoso esplendor da manjedoura paira a sombra da cruz. A luz da Noite Santa se apaga na escurid\u00e3o da Sexta-Feira Santa, mas volta a brilhar mais forte na manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o. O Filho encarnado de Deus, atrav\u00e9s da cruz e da paix\u00e3o, chega at\u00e9 a gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que cada homem deve sofrer e morrer. Se for um membro vivo do Corpo de Cristo, por\u00e9m, o seu sofrimento e a sua morte se tornar\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 divindade da Cabe\u00e7a do corpo, redentores: \u201cCada um de n\u00f3s, toda a humanidade, chegar\u00e1, com o Filho do homem, atrav\u00e9s do sofrimento e da morte, at\u00e9 a mesma gl\u00f3ria\u201c. E o Salvador, sabendo que somos homens em luta di\u00e1ria com as nossas fraquezas, vem em nosso aux\u00edlio com aqueles que Edith Stein chamava de \u201cmeios de salva\u00e7\u00e3o\u201c: \u201cestar todos os dias em rela\u00e7\u00e3o com Deus\u201d atrav\u00e9s da escuta da Palavra, da ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e interior, da vida sacramental. Mas \u00e9 principalmente para o \u201cSalvador eucar\u00edstico\u201d que precisamos abrir espa\u00e7o, para podermos transformar a nossa vida na d\u2019Ele. Assim como o corpo terreno precisa do p\u00e3o de cada dia, assim tamb\u00e9m a vida divina aspira em n\u00f3s a ser alimentada continuamente: \u201cEm quem realmente faz d\u2019Ele o seu p\u00e3o de cada dia, cumpre-se diariamente o mist\u00e9rio do Natal, a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo\u201c. E esta \u00e9, sem d\u00favida, a maneira mais segura de manter ininterrupta a uni\u00e3o com Deus e de enraizar-se todos os dias e cada vez mais firmemente no corpo m\u00edstico de Cristo.<\/p>\n<p>Edith Stein escreveu vinte p\u00e1ginas de medita\u00e7\u00e3o sobre o Natal, dens\u00edssimas, para lembrar que os mist\u00e9rios do cristianismo s\u00e3o um todo indivis\u00edvel, porque todos s\u00e3o mist\u00e9rios portadores de salva\u00e7\u00e3o.&nbsp;Encarna\u00e7\u00e3o, cruz e ressurrei\u00e7\u00e3o s\u00e3o insepar\u00e1veis. S\u00f3 porque verdadeiramente o Filho, que \u00e9 Deus, \u201cse fez carne\u201d \u00e9 que Ele poderia morrer e ressuscitar, arrebatando-nos da morte e nos abrindo um futuro em que esta&nbsp;\u201ccarne\u201d,&nbsp;a nossa exist\u00eancia terrena, entrar\u00e1 na eternidade do Reino de Deus. Celebramos o Natal como um convite a nos deixar transformar por Aquele que entrou em nossa carne, que se uniu a n\u00f3s e nos uniu a Si, para permear de vida divina toda a vida humana.<\/p>\n<p>Que o mist\u00e9rio da noite de Natal nos lembre que algo extraordin\u00e1rio acontece mediante a encarna\u00e7\u00e3o:&nbsp;a carne se torna o instrumento da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cVerbum caro factum est\u201c: o Verbo Se fez carne, escreve Jo\u00e3o Evangelista, e um autor crist\u00e3o do s\u00e9culo III, Tertuliano, afirma: \u201cCaro salutis est cardo\u201c, a carne \u00e9 o eixo da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cSe a alma se torna totalmente de Deus, \u00e9 a carne que o torna poss\u00edvel! A carne \u00e9 batizada para que a alma seja purificada; a carne \u00e9 ungida para que a alma seja consagrada; a carne \u00e9 marcada pela cruz para que a alma fique inc\u00f3lume; a carne \u00e9 coberta pela imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os para que a alma seja iluminada pelo Esp\u00edrito; a carne se nutre do Corpo e do Sangue de Cristo para que a alma se sacie de Deus. Elas n\u00e3o ser\u00e3o, pois, separadas no dia da recompensa, porque estiveram unidas durante as obras\u201d (De carnis resurrectione, 8,3: PL 2,806).<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edith Stein: \u201cO mist\u00e9rio do Natal e o mist\u00e9rio do mal est\u00e3o intimamente unidos\u201d <a href=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/2018\/12\/19\/edith-stein-o-misterio-natal-e-o-misterio-mal-estao-intimamente-unidos\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2501,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[10601],"tags":[189860,5011,18643,80076,31],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1443"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2501"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1443"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1443\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1444,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1443\/revisions\/1444"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1443"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1443"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/drnasser\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1443"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}