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"A beleza é o reflexo da Verdade" Sto Tomás de Aquino

Fracassei!

Estou escrevendo esse texto, no dia 26 de Maio de 2018, é sábado, e acabou de acontecer a final da Liga dos Campeões. Confesso que, me preparei para assistir esse jogo. Esperei ansiosamente por esse momento, porque sabia que seria um jogão. Mas, de alguma forma, eu tinha me esquecido que o futebol é um esporte surpreendente. Relaxa! Você que não curte futebol, o foco não é esse. Mas, eu preciso começar contando isso…

A final era entre Real Madrid e Liverpool. O jogo estava 0 a 0, quando de repente, o goleiro do Liverpool, ao repor a bola, de forma inocente, não percebe o atacante do time rival e por conta disso, o atacante faz o primeiro gol. Lá pelas tantas, quando jogo já estava com o tempo avançado, acontece mais uma falha, o jogador do Real Madrid chuta para o gol e o goleiro do Liverpool não defende uma bola que era muito fácil de pegar.

O resultado final do jogo foi de 3 para o Real Madrid e 1 para o Liverpool. Ficou claro, a atuação ruim do goleiro do Liverpool comprometeu o time inteiro. No fim do jogo, o goleiro chorando não tinha muitos companheiros do time lhe abraçando e consolando. Enquanto chorava, o goleiro, ainda foi até a torcida, e pediu desculpas. Uma cena intrigante que despertou uma certa compaixão.

O goleiro em questão tem somente 24 anos, seu nome é Loris Karius, sua nacionalidade é alemã. Apenas um jovem! Alguém que errou, que fracassou, comprometeu o seu time, chorou e pediu desculpas. A cena, pelo menos pra mim, foi impactante, forte e me levou a reflexão. Com certeza, ele deve ter treinado, se esforçado para chegar a jogar em um dos melhores times do mundo, mas isso não o excluiu da lista daqueles que erram, simplesmente, porque são seres humanos.

Nesse mesmo dia, horas antes, eu também tinha fracassado. Assim como o goleiro errou e provocou uma tristeza em si próprio e nos torcedores, eu também ao errar e fracassar provoquei uma certa tristeza em mim e em outros. Não foi o meu primeiro fracasso, com certeza também não será o último. Me identifiquei com aquele jovem, de alguma forma, a derrota dele também era a minha.

Como é difícil encarar o fracasso! Como é doloroso e humilhante, olhar nos olhos daqueles que confiaram em você, mas de alguma forma, você não correspondeu como devia. Quando fracasso, me percebo como uma pessoa nua em frente às demais, que são capazes de perceber o quão frágil eu sou. Nesse momento resta a pergunta: o que fazer com meus erros?

Penso que primeiro preciso de fato me reconhecer como ser humano. Calma, eu explico, é que às vezes parece que nós, ao sairmos de casa, colocamos nossa roupa de super herói e como alguém que tem super poderes, tenta a todo custo mostrar e afirmar os poderes que possui, como quem diz: “olha só o que eu faço, o que eu consigo fazer, o que eu posso fazer…”. Ninguém sai com uma plaquinha dizendo o que não consegue fazer, o que não tem e os erros que comete! Existe, pelos menos comigo, uma tentativa de uma auto afirmação, quero ser aceito por determinadas pessoas, quero levantar troféus e títulos e sustentar uma imagem de herói e ser reconhecido. Claro, jamais quero errar.

É tão difícil aceitar que eu errei e que não sou perfeito! É complicado constatar que todo esse tempo eu tentei sustentar uma imagem de perfeição. Afinal, quem escreveu que eu deveria ser perfeito e nunca errar? Esse perfeito, que não tem espaço para o erro, estipulado por tantos, com certeza não é algo humano! O perfeito não é aquele que nunca erra, mas aquele que sabe reconhecer e lidar com seus erros ao ponto de trilhar um caminho maturidade e crescimento pessoal. Acredito que é saudável e necessário, alguém que traz em si o desejo por uma perfeição, uma santidade de vida, mas que se dá ao longo da vida em gestos concretos e graduais, com uma determinada determinação e com a ajuda da Graça Divina.

 

Jonathan Ferreira

Um erro

Um erro… quando passo por uma experiência com determinada coisa e na primeira oportunidade, tento fazer com que uma segunda pessoa faça a mesma experiência, obrigado-a a fazer a mesma leitura que eu anteriormente fiz, com os mesmos sentimentos, com as mesmas emoções para chegar na  mesma conclusão.

O fato de uma pessoa ter a experiência X, não obriga as demais a terem a mesma experiência X. Claro que, a realidade é, independente do que eu pense sobre ela. Mas, existe algo chamado experiência, essa é adquirida conforme a pessoa vive e se relaciona com o universo ao seu redor. A experiência é algo pessoal e até pode ser única.

Por exemplo: A pessoa A, olha para uma montanha e, ao olhar para essa montanha, dentro dessa pessoa, existe uma certa admiração com tudo o que é a montanha, provocando até o desejo de escalar tal montanha. Já, a pessoa B, pode olhar para a mesma montanha e reconhecer que se trata de uma montanha enorme e que lhe causa muito medo. Na pessoa B, o efeito da contemplação da montanha é terrível e lhe causa muito medo, bem diferente da pessoa A que admira a montanha e se sente provocada a escalar.

Qual é a realidade? A montanha, bela, enorme e maravilhosa, difícil de escalar, com animais, vegetação própria e cheia de perigos.

Qual é a experiência pessoal? O fato de a pessoa A, se admirar com a montanha ao ponto de desejar escalar a mesma. E o fato de a pessoa B, sentir medo e não querer se aproximar da montanha.

Uma pessoa, não pode sentir ou pensar por outra e ainda querer tirar as conclusões em seu lugar. O que seria bom é justamente ajudar tal pessoa a entender e elaborar da melhor forma possível alguma experiência, na qual a pessoa será responsável. Nunca roubar a capacidade de ser humano. O que compete a pessoa que pretende ajudar é apresentar a verdade e até procurar a melhor forma para apresentar essa verdade. 

Existe um maravilhar da parte da pessoa quando a mesma se depara com a Verdade. Por isso, ao invés de procurar convencê-la a partir das minhas experiências, é melhor me esforçar a lhe apresentar a Verdade e da melhor forma possível.

 

Jonathan Ferreira

Não somos Tarzan!

 

Talvez você já tenha conhecido a história do Tarzan. Um menino que vai com seus pais para a África e ao chegarem no continente seus pais morrem. O menino, agora sem pai e mãe, é “adotado” por animais que cuidam dele e lhe dão o nome de Tarzan. A partir disso, Tarzan consegue sobreviver e se comunicar com os animais que o cercam e uma coisa se destaca em seu ser, a bondade. Diferente de todos os homens (que ele nem se quer teve contato), Tarzan é uma pessoa onde a bondade encontrou espaço para crescer expansivamente.

O detalhe de o Tarzan ser uma pessoa com uma bondade que se destaca, mesmo num ambiente inóspito, me fez pensar: o homem é capaz de ser bom, mesmo em ambientes considerados hostis? Antes de responder essa pergunta, é melhor explicar o porquê a estou fazendo. Eu estou no meu bairro de origem, na periferia de São Paulo, Itaim Paulista, Zona Leste. Ao visitar esse bairro, comecei a reparar nas pessoas, a forma como elas se tratavam, a educação ou falta de educação que uma tinha com a outra. Escutei os palavrões. Escutei as músicas e prestei bem atenção nas letras. Reparei nas roupas e nas conversas. Observei os pais e os filhos. E entendi que para muitos, nada é além do “normal”.

No meio dessa reflexão, eu lembrei do Tarzan e de toda sua história. Por isso, quero fazer um paralelo, da realidade do meu bairro com a floresta que o Tarzan cresceu. Assim como na floresta, também no meu bairro, as crianças crescem sem pais. Da mesma forma, como na “tribo” do Tarzan, aqui no bairro, alguns pais tratam os filhos como animais, com soco, grito e humilhação. Não sei na floresta do Tarzan, mas no meu bairro, existem traições, prisões, brigas e mortes. Aqui no bairro, a música é tocada com o volume bem alto e as letras falam sobre sexo. As pessoas vivem, comem e bebem, sem se perguntarem o porque estão fazendo tais coisas. Não existe questionamentos e isso me parece bem parecido com a floresta do Tarzan (Me parece, porque apenas suponho que a razão leva a reflexão). Ok! Chega de comparações!

A história do Tarzan, não passa de ficção, fruto da mente do autor, Edgar Rice. Entretanto, o bairro no qual estou, esse sim é uma realidade. E me arrisco a dizer, uma realidade que as crianças não estão tendo a mesma sorte que aquele menino Tarzan. A inocência não encontra espaço. Não aprendem a se comunicarem. Aprendem palavrões, mas não aprendem a se desculparem! Aprendem a roubar, xingar, brigar e matar. Não aprendem a amar, não são amadas.

Abandonado pelo Governo, manipulado por discursos religiosos que ora lhe prometem terras prosperas, ora lhe entorpecem com falácias que não correspondem ao Evangelho. Pouco favorecido pelo ensino escolar. Quem virá em seu socorro? Quem mudará a sua história? Talvez, igual a Itaim Paulista, existam vários outros abandonados, manipulados, entorpecidos e pouco favorecidos.

O homem, embora seja livre, é lesado no discernimento de suas escolhas. Pode ser levado pelas influências que chegam até ele e/ou pela própria inclinação ao mal que carrega em si. Dentro de cada homem, existe a potência que impulsiona para o bem supremo. Mas, também existe a inclinação para o mal que distorce a verdadeira beleza e usa de uma falsa beleza para persuadir.

Na floresta de Itaim Paulista, o homem será capaz de encontrar a bondade? E se encontrar tamanha bondade, saberá o homem abraçar essa raridade. Como abraçar se ninguém lhe ensinou o que é abraço? Quem poderá lhe apresentar o que é bom?

“Nós venceremos com amor não com armas. O mal desaparecerá, porque o mal devorará a si mesmo. Mas se o amor não triunfar o mal voltará com um nome diferente” (São João da Cruz)

 

 

Uma conversa sobre: morte, vida e amor

Olhar à vida, as possibilidades e limitações que nela se encontram, de uma forma que leve em consideração a nossa finitude nesta terra, faz-nos dar valor para cada instante. A morte sempre recorda o quão frágeis e impotentes somos diante dela. Ao mesmo tempo, o quanto vale a pena aproveitar a vida. E quando digo aproveitar a vida, não estou falando da minha vida somente, mas de todas as outras que me circundam. Aproveitar, no sentido de, dar o valor devido para cada oportunidade de vida, é isso mesmo, cada oportunidade de vida e não somente da vida. Com seu mistério, com sua riqueza e também pobreza.

A morte conduz o ser humano para a reflexão. A angústia toma conta do ser. Alguns se entristecem e choram, outros fogem como que tentando evitar a realidade do sepultamento. Para ambos, talvez fosse mais fácil, se antes de a morte bater a porta, ela perguntasse:

– Posso entrar?
E na maioria das vezes responderíamos:
– Não! Espere, só mais um minuto. Não entre agora!

Como viver então, de tal forma que, tenhamos a certeza de que a vida valeu a pena? Limpando todo tipo de ressentimento. Chorando com aqueles que choram, sorrindo com aqueles que se alegram. Ajudando a quem precisa. Olhando nos olhos, dando ouvidos quando não se quer dar a mínima. Pensando bem, e se amarmos uns aos outros? Sim, amar, foi isso o que eu disse.

Enquanto a morte, é foice, que ceifa o trigo da vida. O amor é a força que faz com que a vida não termine na morte. O trigo se transforma em pão. No amor, a morte se torna passagem, apenas passagem, para uma vida ainda maior e sem fim. Não estou dizendo que não haverá dor, pelo contrário, sofreremos muito mesmo amando. Com amor ainda teremos lágrimas e dor, entretanto, com um profundo sentido. O amor é espaçoso e porque não dizer, expansivo; não deixa espaço para o ressentimento, para o ódio, para a culpa ou dúvida.

O amor é a voz que ecoa sem cessar, em meio ao infinito, uma voz que jamais cessará. Só o amor é capaz de dar sentido a algumas ações e reações. Só o amor é capaz de dar a vida para que assim haja ainda mais vida. Morte, vida e amor quem poderá compreender?

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