Olhar à vida, as possibilidades e limitações que nela se encontram, de uma forma que leve em consideração a nossa finitude nesta terra, faz-nos dar valor para cada instante. A morte sempre recorda o quão frágeis e impotentes somos diante dela. Ao mesmo tempo, o quanto vale a pena aproveitar a vida. E quando digo aproveitar a vida, não estou falando da minha vida somente, mas de todas as outras que me circundam. Aproveitar, no sentido de, dar o valor devido para cada oportunidade de vida, é isso mesmo, cada oportunidade de vida e não somente da vida. Com seu mistério, com sua riqueza e também pobreza.

A morte conduz o ser humano para a reflexão. A angústia toma conta do ser. Alguns se entristecem e choram, outros fogem como que tentando evitar a realidade do sepultamento. Para ambos, talvez fosse mais fácil, se antes de a morte bater a porta, ela perguntasse:

– Posso entrar?
E na maioria das vezes responderíamos:
– Não! Espere, só mais um minuto. Não entre agora!

Como viver então, de tal forma que, tenhamos a certeza de que a vida valeu a pena? Limpando todo tipo de ressentimento. Chorando com aqueles que choram, sorrindo com aqueles que se alegram. Ajudando a quem precisa. Olhando nos olhos, dando ouvidos quando não se quer dar a mínima. Pensando bem, e se amarmos uns aos outros? Sim, amar, foi isso o que eu disse.

Enquanto a morte, é foice, que ceifa o trigo da vida. O amor é a força que faz com que a vida não termine na morte. O trigo se transforma em pão. No amor, a morte se torna passagem, apenas passagem, para uma vida ainda maior e sem fim. Não estou dizendo que não haverá dor, pelo contrário, sofreremos muito mesmo amando. Com amor ainda teremos lágrimas e dor, entretanto, com um profundo sentido. O amor é espaçoso e porque não dizer, expansivo; não deixa espaço para o ressentimento, para o ódio, para a culpa ou dúvida.

O amor é a voz que ecoa sem cessar, em meio ao infinito, uma voz que jamais cessará. Só o amor é capaz de dar sentido a algumas ações e reações. Só o amor é capaz de dar a vida para que assim haja ainda mais vida. Morte, vida e amor quem poderá compreender?