{"id":1011,"date":"2007-03-28T16:59:15","date_gmt":"2007-03-28T13:59:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/03\/28\/a-vida-o-planeta-e-o-aborto\/"},"modified":"2007-03-28T16:59:15","modified_gmt":"2007-03-28T13:59:15","slug":"a-vida-o-planeta-e-o-aborto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/03\/28\/a-vida-o-planeta-e-o-aborto\/","title":{"rendered":"A vida, o planeta e o aborto"},"content":{"rendered":"<p><span>Ogeni Luiz Dal Cin &#8211; <\/span><span>\u00a0<\/span>fil\u00f3sofo e advogado. <span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span><\/span><span>\u00a0<\/span><span>A maior press\u00e3o internacional para legalizar o aborto e fomentar sua pr\u00e1tica generalizada decorre, em \u00faltima an\u00e1lise, de um imperativo c\u00f3smico de redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. E essa imposi\u00e7\u00e3o se alia ao paradoxal \u201cabsoluto\u201d, dentro do reino do relativismo, isto \u00e9, ao \u201cdireito humano da mulher sobre seu corpo\u201d. Assim, esta poder\u00e1 livrar-se do \u201cinc\u00f4modo\u201d indesejado de ter outra vida humana dentro de si<br \/>\nem gesta\u00e7\u00e3o. De fato, a vida humana em gesta\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi reduzida a zero em muitos pa\u00edses e a vida humana \u201cin\u00fatil\u201d poder\u00e1 tamb\u00e9m ser destru\u00edda pela eutan\u00e1sia. <\/span><span><\/span><span>\u00a0<\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>O discurso do aquecimento global \u00e9 mais um argumento, agora c\u00f3smico, para reduzir a popula\u00e7\u00e3o. Ora, a mat\u00e9ria, que ningu\u00e9m sabe ao certo o que \u00e9, \u00e9, para o novo \u201ciluminismo\u201d, a \u00fanica realidade existente. Mesmo sendo um existente n\u00e3o sabido, agem seus ac\u00f3litos como profetas desse n\u00e3o sabido, acreditando que o que ainda n\u00e3o se sabe, saber-se-\u00e1, pois \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de tempo e de ci\u00eancia. O Planeta-mat\u00e9ria passa a ser o \u00fanico deus. Essa a f\u00e9 dos materialistas que n\u00e3o sabem sequer o que \u00e9 a mat\u00e9ria em si, sua origem e seu fim. Nessa contraditoriedade, gestam-se as for\u00e7as da morte da vida humana, surge a \u201ccultura da morte\u201d.<\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span><\/span><span>\u00a0<\/span>O antropocentrismo direcionado a mergulhar sempre mais fundo na iman\u00eancia, que se organiza a partir da Idade Moderna, caminhou, no que se refere ao sentido da exist\u00eancia humana, para um Planetacentrismo materialista, tornando-nos seres descart\u00e1veis, produtos destruidores do criador. O personalismo, no sentido de ter a pessoa humana como centro e fim de toda ordem humana e natural, est\u00e1 sendo empurrado para fora da hist\u00f3ria humana, o homem vai abdicando de ser o sujeito da Hist\u00f3ria.<span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span><\/span><span>\u00a0<\/span>A vida humana est\u00e1 se tornando cega, surda e muda, indiferente ao avan\u00e7o das for\u00e7as da morte. Por isso, a vida humana vai so\u00e7obrando, por etapas. Sem nenhum direito absoluto em si mesmo, nem mesmo o da pr\u00f3pria vida, \u00e9 poss\u00edvel ainda construir a democracia para as gera\u00e7\u00f5es futuras?<span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span><\/span><span>\u00a0<\/span>A liberdade sexual tornou-se o orgasmo da nossa civiliza\u00e7\u00e3o, diluindo a fam\u00edlia e adentrando no casamento de homossexuais. O uso de drogas passa a ser mais uma fonte de prazer do que um perigo \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>No meio de tudo isso, a saudade de Deus, que emerge da vis\u00e3o materialista, faz com que se escolha o \u201cPlaneta\u201d como o novo Deus e Senhor da Vida. S\u00f3 que esse \u201cDeus\u201d est\u00e1 a exigir de seus ministros sacrif\u00edcios de vidas humanas, a fim de que lhe seja aplacada a ira.<\/span><span>\u00a0 <\/span>Os profetas de plant\u00e3o desse novo deus proclamam que a popula\u00e7\u00e3o humana deve ser reduzida, sob pena de todos sermos castigados. Imp\u00f5e-se, assim, legalizar formas de ceifar vidas sem incidir<br \/>\nem crime. Diviniza-se o Estado, que passa a ter direito \u00e0 vida de seus s\u00faditos. Sim, o Estado enquanto eco do Planeta, o Planeta que se consubstancia no transcendente absoluto. Reinventa-se, por essa via, o \u201ccosmologismo\u201d, p\u00e1lida imagem dos gregos antigos da fase mitol\u00f3gica, no qual o homem \u00e9 apenas parte do cosmos, que s\u00f3 vive enquanto estiver para o cosmos.<span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span><\/span><span>\u00a0<\/span>Enquanto tal ambiente \u00e9 criado, surge a voz de um ep\u00edgono [filho, disc\u00edpulo] do Planeta Terra, o aspirante ao posto da Casa Branca, que promete lutar pela salva\u00e7\u00e3o de todos. Diante desses Estados Unidos t\u00e3o desacreditados, o fulgente candidato quer redimir a imagem do seu pa\u00eds e apresentar o caminho para a humanidade, promovendo a\u00e7\u00f5es para diminuir o aquecimento global, cujo encaminhamento sup\u00f5e a redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a press\u00e3o para legalizar o aborto e a eutan\u00e1sia. \u00c9 claro, contudo, que quem vai pagar o pre\u00e7o \u00e9 o pr\u00f3prio ser humano, pois seu direito de viver \u00e9 relativizado. Em verdade, os valores morais, h\u00e1 muito, v\u00eam sendo considerados relativos, despidos, portanto, de for\u00e7a social. Objetivamente, nada mais valem, igualando-se a meros preconceitos. Os valores passam a ser considerados formas de discrimina\u00e7\u00e3o. Por isso, quanto menos valores t\u00eam a pessoa, mais \u201cmoderna\u201d ela \u00e9. A pr\u00f3pria lei esvazia-se do valor de que deve ser guardi\u00e3, transformando-se em mero regramento formal. Consagra-se o formalismo jur\u00eddico. O honesto, porque se guia por valores, vai se tornando sin\u00f4nimo de bobo.<span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>O pretenso rem\u00e9dio do relativismo, para o agir humano, \u00e9 o veneno capaz de reduzir a popula\u00e7\u00e3o, seguindo o princ\u00edpio de que quanto menos comensais, mais prazer, mais fartura e menos polui\u00e7\u00e3o haver\u00e1. <\/span><span>A Hist\u00f3ria, contudo, pode trazer em seu bojo efeitos colaterais contr\u00e1rios aos pretendidos. Ora, os que cr\u00eaem no Deus da Vida e Senhor do Planeta, mesmo com a legaliza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es contra a vida, continuar\u00e3o gerando, com responsabilidade, seus filhos. <\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>Enquanto as for\u00e7as da morte pugnam em reduzir a vida, as for\u00e7as da vida buscar\u00e3o mant\u00ea-la<br \/>\nem plenitude. O resultado n\u00e3o ser\u00e1 outro. Os filhos da vida dominar\u00e3o a Terra. \u00c9 que a ideologia da redu\u00e7\u00e3o da vida humana sobre a Terra poder\u00e1 produzir um grande genoc\u00eddio demogr\u00e1fico de si mesma, de sua cren\u00e7a, de seu deus. A vida sair\u00e1 vitoriosa, pois vencer\u00e1 a pr\u00f3pria morte.<\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span><\/span><span>\u00a0<\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ogeni Luiz Dal Cin &#8211; \u00a0fil\u00f3sofo e advogado. \u00a0 \u00a0A maior press\u00e3o internacional para legalizar o aborto e fomentar sua pr\u00e1tica generalizada decorre, em \u00faltima an\u00e1lise, de um imperativo c\u00f3smico de redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. 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