{"id":1391,"date":"2007-04-15T19:23:47","date_gmt":"2007-04-15T16:23:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/04\/15\/a-permanente-caridade-da-igreja-parte-i\/"},"modified":"2007-04-15T19:23:47","modified_gmt":"2007-04-15T16:23:47","slug":"a-permanente-caridade-da-igreja-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/04\/15\/a-permanente-caridade-da-igreja-parte-i\/","title":{"rendered":"A permanente caridade da Igreja - Parte I"},"content":{"rendered":"<p><span><\/span><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><span>A Igreja moldou a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental em todos os seus campos: arte, m\u00fasica, arquitetura, direito, economia, moral, ci\u00eancia, letras, l\u00ednguas, etc,; mas, o ponto mais marcante foi o da caridade. Seria imposs\u00edvel escrever a hist\u00f3ria completa da caridade da Igreja, desde que Jesus ensinou os seus disc\u00edpulos a \u201ca amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>S\u00e3o incont\u00e1veis os n\u00fameros de hospitais, sanat\u00f3rios, escolas para crian\u00e7as pobres, asilos, creches, etc&#8230; que os filhos da Igreja sempre mantiveram durante todos esses vinte s\u00e9culos de cristianismo. E ainda hoje essa rede imensa de caridade continua; s\u00f3 para dar um exemplo, basta dizer que 25% de todas as obras de assist\u00eancia aos aid\u00e9ticos hoje s\u00e3o mantidas pela Igreja cat\u00f3lica em todo o mundo. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Mesmo o franc\u00eas Voltaire, talvez o maior anti-cat\u00f3lico do s\u00e9c. XVIII, <\/span><span>\u00a0<\/span>teve de reconhecer a caridade dos filhos da Igreja. Ele disse que \u201ctalvez n\u00e3o haja nada maior na terra do que o sacrif\u00edcio da juventude e da beleza, realizado pelo sexo feminino para trabalhar nos hospitais para aliviar a mis\u00e9ria humana\u201d.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>A caridade cat\u00f3lica sempre foi totalmente gratuita, desinteressada, diferente de muitas outras formas de filantropia que esperavam algum retorno seja em forma de reconhecimento ou de destaque social.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>A caridade ensinada por Cristo foi \u201calgo novo\u201d no mundo antigo; onde se deve \u201camar at\u00e9 o inimigo\u201d e \u201cperdoar os que nos maltratam\u201d. Esta caridade foi a mola propulsora de todas as a\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica, embora muitos de seus filhos possam \u00e0s vezes ter negado isto com seus atos; mas isto n\u00e3o anula este fator determinante<\/span><span>\u00a0 <\/span>na vida e na a\u00e7\u00e3o das pessoas e das institui\u00e7\u00f5es da Igreja. Tamb\u00e9m para a Igreja vale a frase do Ap\u00f3stolo: \u201ca sua imensa<span>\u00a0 <\/span>caridade encobre a multid\u00e3o dos pecados dos seus filhos.\u201d<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Os Padres da Igreja que legaram seus ensinamentos ao mundo, mesmo entre suas enormes ocupa\u00e7\u00f5es, tiveram tempo de se dedicar ao servi\u00e7o da caridade. Santo Agostinho fundou um hospital para peregrinos, resgatou escravos, e socorreu os pobres. Ele pedia ao povo n\u00e3o lhe dar roupas, mas vend\u00ea-las e dar o dinheiro aos pobres. S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, o grande Patriarca de Constantinopla no s\u00e9culo IV, fundou ali uma s\u00e9rie de hospitais. S\u00e3o Cipriano de Cartago e S. Efr\u00e9m organizaram grandes trabalhos nos tempos de pragas e fome. N\u00e3o h\u00e1 um santo sequer da Igreja que n\u00e3o tenha vivido exemplarmente a caridade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>A Igreja desde o seu in\u00edcio cuidou dos \u00f3rf\u00e3os e vi\u00favas,<\/span><span>\u00a0 <\/span>numerosos por causa das guerras, e estava presente para socorrer os doentes em todas as epidemias. Muitos e muitos santos e cat\u00f3licos perderam as suas vidas socorrendo os doentes. Durante a peste que atingiu Cartago e Alexandria, os crist\u00e3os ganharam respeito e admira\u00e7\u00e3o pela coragem e bravura com que consolavam os moribundos e enterravam os mortos, enquanto os pag\u00e3os abandonavam at\u00e9 mesmo os amigos \u00e0 sua terr\u00edvel sorte. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Sabemos que hospitais como temos hoje n\u00e3o havia na civiliza\u00e7\u00e3o grega e romana; a Igreja Cat\u00f3lica foi pioneira em cri\u00e1-los com m\u00e9dicos, enfermeiros, rem\u00e9dios, e demais procedimentos. No s\u00e9culo IV a Igreja come\u00e7ou a mant\u00ea-los nas cidades menores, atendendo viajantes e doentes, vi\u00favos, \u00f3rf\u00e3os e pobres. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Uma mulher chamada Fab\u00edola, por caridade crist\u00e3, criou o primeiro hospital p\u00fablico<\/span><span>\u00a0 <\/span><br \/>\nem Roma. S. Bas\u00edlio Magno fundou um hospital em Cesar\u00e9ia, na Terra Santa, no s\u00e9culo IV, especialmente para os leprosos. Os mosteiros tamb\u00e9m prestaram muitos atendimentos aos doentes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Risse Guenter, em \u201cA History of Hospitals\u201d, mostra que quando caiu o imp\u00e9rio romano do ocidente (476), os mosteiros assumiram cada vez mais os cuidados dos doentes como nunca foi feito na Europa por v\u00e1rios s\u00e9culos.<\/span><span>\u00a0 <\/span>Esses mosteiros se tornaram verdadeiras escolas de medicina entre os s\u00e9culos V e X; falava-se do per\u00edodo da medicina mon\u00e1stica. Durante os anos do reavivamento (s\u00e9c. IX) com Carlos Magno, os mosteiros se destacaram como os principais centros de estudo e transmiss\u00e3o dos textos antigos de medicina. <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Durante as Cruzadas, as ordens militares cat\u00f3licas administraram hospitais em toda a Europa. Por exemplo, os Cavaleiros de S\u00e3o Jo\u00e3o (Hospitaleiros), que deixaram na Europa a sua marca na hist\u00f3ria dos hospitais, desde 1080, ajudaram os pobres e os peregrinos que iam \u00e0 Terra Santa. Com Godofredo de Bulh\u00f5es esses hospitais cresceram de import\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Os \u201cHospitais de S\u00e3o Jo\u00e3o\u201d impressionavam pelo profissionalismo, onde se realizavam at\u00e9 pequenas cirurgias e os doentes recebiam visitas duas vezes ao dia dos m\u00e9dicos, banhos e duas refei\u00e7\u00f5es principais, al\u00e9m de roupas limpas e brancas. Esses hospitais foram modelos para a Europa.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>A caridade da Igreja sempre foi t\u00e3o grande que impressionou at\u00e9 os seus inimigos. O escritor pag\u00e3o L\u00facio (130-200) escrevia impressionado com a urg\u00eancia com que os crist\u00e3os se ajudavam mutuamente. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>O pr\u00f3prio imperador Juliano, o Ap\u00f3stata, inimigo do cristianismo, que tentou restabelecer o paganismo no imp\u00e9rio, por volta de 360, elogiava a caridade dos crist\u00e3os e reconheceu que enquanto os sacerdotes pag\u00e3os abandonavam os pobres, os \u201codiados galileus\u201d os tratam com caridade, com as mesas preparadas para os indigentes, algo que era comum entre eles. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Mesmo Martinho Lutero, inimigo da Igreja, fundador do protestantismo, <\/span><span>\u00a0<\/span>foi obrigado a reconhecer que \u201csob o Papa o povo era ao menos caridoso, e que n\u00e3o era preciso a for\u00e7a para conquistar as almas, e que agora, no \u201creino do Evangelho\u201d (Protestantismo) ao inv\u00e9s de dar, eles roubam um ao outro\u201d. [Baluffi, ].<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Frederick Huiter, um bi\u00f3grafo do Papa Inoc\u00eancio III declarou: \u201cTodas as institui\u00e7\u00f5es beneficentes que a humanidade possui nesses dias para ajudar os pobres, todos os que t\u00eam sido feito para a prote\u00e7\u00e3o dos indigentes e aflitos&#8230; e todos os tipos de sofrimentos, vem direta ou indiretamente da Igreja de Roma\u201d. [Baluffi].<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>No s\u00e9c.XVI quando Henrique VIII tornou-se inimigo da Igreja e suprimiu os mosteiros da Inglaterra e confiscou as suas propriedades, a conseq\u00fc\u00eancia social, foi enorme. Houve uma rebeli\u00e3o popular em 1536 conhecida como \u201cPeregrina\u00e7\u00e3o da Gra\u00e7a\u201d, que teve muito a ver com a ira do povo com o desaparecimento da caridade dos mosteiros. [Daniel Rops. V.1, p\u00e1g. 181]. A dissolu\u00e7\u00e3o dos mosteiros ingleses e a redistribui\u00e7\u00e3o de suas terras \u2013 garante Philip Hughes &#8211; <\/span><span>\u00a0<\/span>significou a ru\u00edna de milhares de pobres camponeses, a<span>\u00a0 <\/span>destrui\u00e7\u00e3o de pequenas comunidades que os sustentavam\u201d. Milhares de desempregados das fazendas foram colocados nas ruas; o pauperismo cresceu assustadoramente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Prof. Felipe\u00a0Aquino &#8211; site: <a href=\"http:\/\/www.cleofas.com.br\/\">www.cleofas.com.br<\/a><\/p>\n<p><span>\u00a0<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 A Igreja moldou a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental em todos os seus campos: arte, m\u00fasica, arquitetura, direito, economia, moral, ci\u00eancia, letras, l\u00ednguas, etc,; mas, o ponto mais marcante foi o da caridade. 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