{"id":1401,"date":"2007-04-15T19:44:52","date_gmt":"2007-04-15T16:44:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/04\/15\/a-permanente-caridade-da-igreja-parte-ii\/"},"modified":"2007-04-15T19:45:59","modified_gmt":"2007-04-15T16:45:59","slug":"a-permanente-caridade-da-igreja-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/04\/15\/a-permanente-caridade-da-igreja-parte-ii\/","title":{"rendered":"A permanente caridade da Igreja - Parte II"},"content":{"rendered":"<p><span><\/span><span><\/span><span><\/span><\/p>\n<p><span><\/span><span><\/span><span>Durante os s\u00e9culos ap\u00f3s a morte de Carlos Magno em 814, muito dos cuidados aos pobres, at\u00e9 ent\u00e3o a carga das par\u00f3quias da Igreja, migraram para os mosteiros. Nas palavras do rei S. Luiz IX da Fran\u00e7a, os mosteiros eram \u201co patrim\u00f4nio dos pobres\u201d; o que sempre foi desde o s\u00e9c. IV. Em cada lugar onde surgia um mosteiro, nos vales e montanhas, formavam-se centros de vida religiosa organizada com escolas, modelos para a agricultura, ind\u00fastria, piscicultura, reflorestamento, prote\u00e7\u00e3o aos viajantes, al\u00edvio para os pobres, \u00f3rf\u00e3os, cuidado dos doentes, e atividade cultural como j\u00e1 vimos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Durante os per\u00edodos mais escuros da Idade M\u00e9dia, os monges deram ref\u00fagio aos peregrinos aliviando os horrores da neve nos Alpes. Os beneditinos premostratenses, bem como as Ordens mendicantes de S. Domingos de Gusm\u00e3o e de S. Francisco de Assis se destacaram na caridade. Para S. Bento \u201ccada visitante devia ser recebido no mosteiro como se fosse o pr\u00f3prio Cristo\u201d. Mas os monges n\u00e3o apenas esperavam os pobres virem a eles, iam atr\u00e1s dos pobres e doentes para socorr\u00ea-los. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>O que aconteceu com os mosteiros da Inglaterra de Henrique VIII, no s\u00e9c. XVI, aconteceu tamb\u00e9m na Fran\u00e7a com a Resolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789, quando os mesmos revolucion\u00e1rios confiscaram as propriedades da Igreja: secou a fonte da caridade. Na \u00e9poca o arcebispo de Aix em Proven\u00e7a alertou que tal roubo era uma amea\u00e7a \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 provis\u00e3o do povo. Em 1847 a Fran\u00e7a tinha 47% hospitais a menos do que no ano do confisco e em 1799 os 50.000 estudantes das universidades se reduziram a 12000 [<\/span><span> Davies, Michel, \u201c For Altar and Throne: The Rising in the Vend\u00e9e, St. Paul, Minn.: Remmant Press, 1997, pag 11<\/span><span>].<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>O que poucos estudantes universit\u00e1rios sabem, e que muitos professores escondem, \u00e9 que a Igreja Cat\u00f3lica revolucionou a caridade na civiliza\u00e7\u00e3o ocidental tanto no seu esp\u00edrito quanto em sua realiza\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m como a Igreja socorreu tanto os pobres, \u00f3rf\u00e3os, vi\u00favas e doentes. E isto n\u00e3o apenas durante um per\u00edodo de sua Hist\u00f3ria, mas durante os vinte s\u00e9culos de sua exist\u00eancia. <\/span><strong><span>\u00a0<\/span><\/strong><strong><span><\/span><span>Nos tempos dos b\u00e1rbaros a civiliza\u00e7\u00e3o foi abandonada; s\u00f3 a Igreja lutava contra a mis\u00e9ria, socorria os indigentes; os \u201cpobres benditos\u201d que viviam perto da catedral; havia os \u201cfundos de socorro\u201d que estavam em toda parte. Os bispos e sacerdotes amavam os pobres. Havia tamb\u00e9m hosp\u00edcios, hospedarias para estrangeiros e hospitais mantidos pela Igreja; surgiram depois os lepros\u00e1rios e ou \u2018hospitais de L\u00e1zaro\u201d.<\/span><\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Os fracos, pobres, \u00f3rf\u00e3os e vi\u00favos estavam sob a prote\u00e7\u00e3o da Igreja. A maior parte dos rendimentos dos mosteiros era aplicado na caridade. Especialmente nas \u00e9pocas de grandes calamidades, fomes e flagelos, a caridade da Igreja se fazia presente, pois o Estado pouco fazia. O povo, ent\u00e3o, se voltava para os conventos, cujos celeiros, viveiros eram abertos ao povo. \u201cForam numerosas as casas de bispados e mosteiros que venderam os seus tesouros, e at\u00e9 mesmo os vasos sagrados, para arrancarem da fome o povo crist\u00e3o que os rodeava\u201d (Daniel Rops, V. III, 281).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>A partir do s\u00e9c. IX cada par\u00f3quia tinha organizado o aux\u00edlio aos pobres e possu\u00eda um registro, a \u201cmatr\u00edcula\u201d, dos que recebiam ajuda; tudo era subsidiado pela quarta parte dos d\u00edzimos e metade das doa\u00e7\u00f5es feitas \u00e0 par\u00f3quia. Os mosteiros tinham tamb\u00e9m a sua \u201cmatr\u00edcula\u201d sob os cuidados do monge \u201cesmoler\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>A partir do s\u00e9c. XI come\u00e7aram a surgir as Ordens dedicadas \u00e0 caridade. A Ordem hospitalar mais antiga foi a dos \u201cAntoninos\u201d; nasceu em Vienne, em 1095, na par\u00f3quia onde estavam as rel\u00edquias de Santo Ant\u00e3o. Foi a Ordem dos \u201cIrm\u00e3os Hospitalares de S. Ant\u00e3o\u201d. Em 1178 foi fundada por Guy de Montpelier a \u201cOrdem do Esp\u00edrito Santo\u201d, hospital para crian\u00e7as abandonadas; no final do s\u00e9c. XIII tinha cerca de 800 casas. Em 1150 surgiu em Bolonha os \u201cCrucifeu\u201d, e na Bo\u00eamia os \u201cStelliferi\u201d em 1160. Em 1099, ap\u00f3s a tomada de Jerusal\u00e9m pelos cruzados surgiu a \u201cOrdem de S. L\u00e1zaro\u201d, para cuidar dos leprosos do Oriente. Foram trazidos tamb\u00e9m para a Fran\u00e7a por Luiz VII e cresceram muito na Europa e na \u00c1sia, onde chegaram a ter 3000 lepros\u00e1rios. Inoc\u00eancio IV a transformou em \u201cCavaleiros de S\u00e3o L\u00e1zaro\u201d que existem at\u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Assim, com o esfor\u00e7o conjunto da hierarquia da Igreja, das novas Ordens caritativas e da generosidade popular, surgiu uma multid\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de caridade. \u00c9 de se registrar que a Igreja pedia que as crian\u00e7as abandonadas fossem deixadas nas portas dos mosteiros, para n\u00e3o serem mortas. Estas eram cuidadas pela Ordem do Esp\u00edrito Santo ou pelos hospital\u00e1rios de S\u00e3o Jo\u00e3o de Jerusal\u00e9m, que vieram do Oriente para prestar seus servi\u00e7os na Europa. Alguns desses asilos de crian\u00e7as eram enormes e elas s\u00f3 sa\u00edam da\u00ed trabalhando. Havia casas especializadas em leprosos, o grande mal daquele tempo. A Igreja tinha aprendido com o \u201cbeijo de S. Francisco de Assis no leproso\u201d, a ver neles um irm\u00e3o<br \/>\nem Cristo. S. Luiz de Fran\u00e7a, Santa Isabel da Hungria e Santa Hedwiges se destacaram nessa caridade. S\u00f3 na Fran\u00e7a em 1225, o rei Luiz VIII comprovou a exist\u00eancia de mais de dois mil lepros\u00e1rios. S. Roque (1293-1327), patrono dos leprosos, consagrou toda a sua vida ao cuidado deles, tendo morrido leproso.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>\u00c9 imposs\u00edvel enumerar todas as formas de caridade assumidas pelas pessoas da Igreja. Algumas se consagraram \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o das prostitutas, essa chaga social. Inoc\u00eancio III numa bula de 1198 prometeu remiss\u00e3o total dos pecados aos homens piedosos que desposassem essas mulheres reconduzindo-as ao bom caminho. Pedro o Eremita fundou uma Congrega\u00e7\u00e3o para salv\u00e1-las; e surgiram outras com a mesma finalidade. A mais c\u00e9lebre foi a Ordem das \u201cIrm\u00e3s penitentes de Santa Madalena\u201d, as \u201dmadalenetas\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Tamb\u00e9m os viajantes e peregrinos eram protegidos pela caridade crist\u00e3. Na It\u00e1lia, os Hospital\u00e1rios d\u2019Altapaseio guiavam os viajantes nos p\u00e2ntanos perigosos de Luca; na Espanha, os Cavaleiros de Santiago protegiam os peregrinos de Compostela; na Palestina, essa era uma das fun\u00e7\u00f5es dos Templ\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>A Cristandade n\u00e3o era uma no\u00e7\u00e3o abstrata, mas sim a pr\u00f3pria for\u00e7a de Cristo animando a sociedade. H\u00e1 a caridade que vai mais longe ainda. N\u00e3o podemos deixar de falar aqui das \u201cOrdens redentoras\u201d, que na \u00c1sia e na \u00c1frica; esses her\u00f3is que partiam para os pa\u00edses mu\u00e7ulmanos e se ofereciam para substituir os fi\u00e9is cativos e escravos correndo risco de morte. S\u00e3o as Ordens fundadas em 1198 por S\u00e3o Jo\u00e3o da Mata (os Trinit\u00e1rios); em 1223 pelo franc\u00eas S\u00e3o Pedro Nolasco (os Merced\u00e1rios \u2013 Nossa Senhora dos Merc\u00eas) e por S. Raimundo de Pe\u00f1afort, espanhol. Desde a sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789), estas duas Ordens libertaram mais de 600.000 cativos, entre os quais Cervantes, o mestre espanhol.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>Essa caridade da Igreja ultrapassa em muitas as nossas obras sociais e a Previd\u00eancia Social de hoje. O regulamento dos hospitais de Paris, em 1230, dizia que se deviam receber \u201cos pobres e doentes como ao Senhor\u201d. Em todos os testamentos parisienses, da Idade M\u00e9dia, h\u00e1 uma doa\u00e7\u00e3o para o \u201cHotel-Dieu\u201d de Paris (o Hotel de Deus).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span><\/span><\/p>\n<p><span>E a Igreja, em 2000 anos, nunca precisou lan\u00e7ar m\u00e3o da ideologia marxista para fazer caridade, jogando os ricos contra o pobres e promovendo a luta de classe e a\u00e7\u00f5es fora da lei; ao contr\u00e1rio, sempre a condenou como um grande mal. A caridade de Cristo, dos Ap\u00f3stolos, dos Santos e das Santas, de Madre Teresa de Calcut\u00e1, de S. Francisco de Assis, de S. Camilo de Lellis, de S.Jo\u00e3o Bosco&#8230;, nunca precisou de uma ideologia materialista e inimiga de Deus para a impulsionar. A for\u00e7a propulsora desta caridade bimilenar sempre foi a ora\u00e7\u00e3o, a Eucaristia, o amor a Deus e aos irm\u00e3os, vendo no que sofre o Cristo que padece. \u00c9 por isso que n\u00e3o entendemos e nem aceitamos as ra\u00edzes <\/span><span>\u00a0<\/span>da teologia da liberta\u00e7\u00e3o. <span>\u00a0<\/span><span><\/span><span>Prof. Felipe Aquino <\/span><span>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span><\/span><span><\/span><span><\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante os s\u00e9culos ap\u00f3s a morte de Carlos Magno em 814, muito dos cuidados aos pobres, at\u00e9 ent\u00e3o a carga das par\u00f3quias da Igreja, migraram para os mosteiros. Nas palavras do rei S. 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