{"id":15573,"date":"2014-05-08T00:01:49","date_gmt":"2014-05-08T03:01:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/?p=15573"},"modified":"2014-05-07T16:12:07","modified_gmt":"2014-05-07T19:12:07","slug":"o-rosario-na-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2014\/05\/08\/o-rosario-na-historia\/","title":{"rendered":"O Ros\u00e1rio na Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2014\/05\/01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-15574 alignleft\" style=\"margin: 5px\" alt=\"01\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2014\/05\/01-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2014\/05\/01-300x199.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2014\/05\/01.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O Ros\u00e1rio na hist\u00f3ria: desde o come\u00e7o at\u00e9 \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da sua estrutura atual<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 quase imposs\u00edvel voltar a percorrer com precis\u00e3o os passos que levaram \u00e0 atual estrutura do Ros\u00e1rio. Mas podemos, ao contr\u00e1rio, seguir o nascimento e o desenvolvimento dos motivos b\u00e1sicos, que se relacionaram entre si dando origem a uma s\u00edntese de sentido e a um m\u00e9todo de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes de mais, a ora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua muitas vezes condensou-se numa f\u00f3rmula breve. A este respeito \u00e9 conhecido a sugest\u00e3o de repetir: &#8220;Vinde depressa, Senhor, ter comigo, v\u00f3s sois a minha ajuda&#8221; (Sl 69, 2; Cassiano, Confer\u00eancia 10, 10), ou a exorta\u00e7\u00e3o: &#8220;Respirai sempre Cristo&#8221; (Santo Atan\u00e1sio, Vida de Ant\u00f4nio, 91, 3), da qual aparecer\u00e1 o exicasmo. Mas a repeti\u00e7\u00e3o levou \u00e0 ora\u00e7\u00e3o num\u00e9rica, porque repeti\u00e7\u00e3o e tempos de espera indeterminados geram ansiedade, enquanto um n\u00famero apresenta um limite e um termo.<br \/>\n<!--more-->A ora\u00e7\u00e3o num\u00e9rica deu origem ao sentido do n\u00famero: quantas f\u00f3rmulas e em refer\u00eancia a qu\u00ea? A resposta foi: em refer\u00eancia ao Salt\u00e9rio. Relacionada com esta intui\u00e7\u00e3o surgiu outra, a\u00a0 substitui\u00e7\u00e3o, no sentido de que um determinado n\u00famero de f\u00f3rmulas breves substituiu os Salmos. A pr\u00e1xis fortaleceu-se\u00a0 sobretudo quando um n\u00famero crescente de pessoas j\u00e1 n\u00e3o era capaz de ter acesso ao Salt\u00e9rio. Desta forma, verificou-se a substitui\u00e7\u00e3o do Salt\u00e9rio com 150 f\u00f3rmulas, ou a substitui\u00e7\u00e3o das horas can\u00f4nicas atrav\u00e9s de um\u00a0 n\u00famero variante de Pater e Ave para cada uma. Foi dito num latim macarr\u00f4nico: &#8220;Qui non potest psallere debet patere&#8217; .&#8217;Quem n\u00e3o pode recitar os Salmos deve recitar alguns Pater&#8221; (Cf. Meersseman, Ordo fraternitatis III, p\u00e1gs. 1444-1445).<\/p>\n<p>Com a tend\u00eancia num\u00e9rica, afirmou-se na ora\u00e7\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o aos &#8220;mist\u00e9rios&#8221; de Cristo. J\u00e1 presente nos Padres, a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 humanidade de Cristo para alguns derivaria da adora\u00e7\u00e3o da Cruz na Sexta-Feira Santa, cada vez mais carregada de resson\u00e2ncias afetivas e marianas. Desta tr\u00edplice tend\u00eancia &#8211; mist\u00e9rios de Cristo, dimens\u00e3o mariana, resson\u00e2ncia afetivas &#8211; com vista ao Ros\u00e1rio interessam\u00a0 duas realiza\u00e7\u00f5es: os Salt\u00e9rios marianos e as medita\u00e7\u00f5es sobre a vida de Cristo.<\/p>\n<p>Os Salt\u00e9rios marianos come\u00e7aram no s\u00e9culo XII em algumas comunidades cistercienses com o uso de acrescentar aos Salmos uma ant\u00edfona mariana. Derivou daqui a tend\u00eancia para editar unicamente as ant\u00edfonas e compor diretamente Salt\u00e9rios marianos, como aquele que \u00e9 atribu\u00eddo a Santo Anselmo de Aosta (+ 1213), com 150 ant\u00edfonas r\u00edtmicas derivadas do vers\u00edculo de um salmo.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0s medita\u00e7\u00f5es, uma certa antecipa\u00e7\u00e3o da estrutura do Ros\u00e1rio encontra-se nas Medita\u00e7\u00f5es sobre as alegrias da Santa Virgem do cisterciense Est\u00eav\u00e3o de Sallay (falecido em 1252), que prop\u00f5e um exerc\u00edcio de ora\u00e7\u00e3o de 15 &#8220;alegrias&#8221; marianas divididas em tr\u00eas sec\u00e7\u00f5es. Se o n\u00famero 15\u00a0 e as alegrias relacionam o que se escreveu com o Ros\u00e1rio, a complexidade e o comprimento marcam a sua diferen\u00e7a. Foram mais decisivas em rela\u00e7\u00e3o ao esp\u00edrito do Ros\u00e1rio as Meditaciones vite Christi, do in\u00edcio de 1300, atribu\u00eddas a S\u00e3o Boaventura e agora a Jo\u00e3o de Caulibus e dispon\u00edveis numa edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica no volume 153 do CCCM. As medita\u00e7\u00f5es sobre a vida p\u00fablica de Jesus come\u00e7am com o batismo e concluem-se com a \u00faltima ceia (cap. 16-73) e \u00e9 prestada aten\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a de Maria: a Ela Jesus pede a b\u00ean\u00e7\u00e3o antes do minist\u00e9rio p\u00fablico recebendo a sua resposta: &#8220;Vai, com a b\u00ean\u00e7\u00e3o do Pai e com a minha&#8221; (p\u00e1g. 173, 9-10); a Ela, na ceia em Bet\u00e2nia (cap. 72), mesmo se a Escritura n\u00e3o fala disto (p\u00e1g. 240, 2-3), Cristo revela a imin\u00eancia da paix\u00e3o e aparece-Lhe Ressuscitado (cap. 82) saudando-a: &#8220;Salve sancta parens&#8221; (p\u00e1g. 301, 28-29). Mais determinante para o Ros\u00e1rio foi a\u00a0 Vita Jesu Christi e quattuor Evangelis et scriptoribus ortodoxis concinnatta ou Vida de Cristo, de Ludolfo de Sax\u00f3nia (+ 1377), publicada em Estrasburgo em 1474 e que, em pouco tempo, chegou a 78 edi\u00e7\u00f5es latinas. O autor, dominicano, e depois cartuxo, com um esquema vasto (da gera\u00e7\u00e3o do Verbo \u00e0 par\u00fasia), com cita\u00e7\u00f5es de Padres e de autores medievais, com a conclus\u00e3o orante de cada cap\u00edtulo, contribui para enraizar estavelmente a refer\u00eancia aos mist\u00e9rios de Cristo na ora\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n<p>Mudaram tamb\u00e9m as f\u00f3rmulas. No in\u00edcio, a\u00a0 mais\u00a0 usada foi o Pai Nosso, tanto que Paternoster designava o instrumento para contar as ora\u00e7\u00f5es. Depois, devido a v\u00e1rios\u00a0 fatores &#8211; incluindo a tradu\u00e7\u00e3o do Akathistos em latim por volta do s\u00e9culo IX &#8211; come\u00e7ou a prevalecer o uso do Ave, como testemunham S\u00e3o Pedro Dami\u00e3o (+ 1072) e um s\u00ednodo parisiense realizado por volta de 1200, que acrescentou ao Pater e ao Credo o Ave como ora\u00e7\u00e3o quotidiana a ser ensinada ao povo (PL 145, 564; Mansi 22, 681). Formou-se assim um &#8220;Ros\u00e1rio&#8221; de 50 Ave e um &#8220;Salt\u00e9rio&#8221; de 150 Ave, que j\u00e1 no s\u00e9culo XIII era recitado por pessoas devotas individualmente ou em grupos, como a Santim\u00f3nia de Gand.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao instrumento, no antigo Paladino fala-se de um certo Paulo que recitava 300 formas por dia, recolhendo &#8220;igual n\u00famero de pequenas pedras que levava no peito lan\u00e7ando fora uma por cada ora\u00e7\u00e3o feita&#8221; (Hist\u00f3ria laus\u00edaca 20, 1). Depois era usada uma corda com n\u00f3s, que alguns dizem que se tenha afirmado, atrav\u00e9s da Espanha, por influ\u00eancia da corda enodada &#8211; a subha ou tashbi &#8211; que no isl\u00e3o servia e serve para contar os 99 Nomes divinos e para apoiar o dirk, isto \u00e9, a recorda\u00e7\u00e3o do Nome: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel demonstrar esta deriva\u00e7\u00e3o mas \u00e9 bonito pensar que seja verdadeira. Entre os crist\u00e3os do Oriente afirmou-se um an\u00e1logo ter\u00e7o de corda ou de l\u00e3 denominado kombol\u00f3gion ou Kombosko\u00ednon (k\u00f3mbos em grego significa n\u00f3).<\/p>\n<p>Por fim, a influ\u00eancia do teatro como anima\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e depois como representa\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios fora da liturgia\u00a0 fundou o aspecto da cria\u00e7\u00e3o de imagens da medita\u00e7\u00e3o e a refer\u00eancia visual do Ros\u00e1rio: o quadro ou as imagens de um livro.<\/p>\n<p>A converg\u00eancia de todos estes fatores exigia um m\u00e9todo de ora\u00e7\u00e3o que os simplificasse e os harmonizasse. Isto verificou-se com tr\u00eas interven\u00e7\u00f5es decisivas mesmo se n\u00e3o estavam coordenadas.<\/p>\n<p>A primeira foi a divis\u00e3o do Salt\u00e9rio das 150 Ave em 15 dezenas, sendo cada uma delas precedida de\u00a0 um Pater (na \u00e9poca o Ave n\u00e3o inclu\u00eda a atual Segunda parte nem assuntos a serem meditados). A opera\u00e7\u00e3o \u00e9 atribu\u00edda ao cartuxo Enrico Egher de Kalcar (+ 1408), que\u00a0 outros, e\u00a0 n\u00e3o\u00a0 ele, fazem remontar a uma sugest\u00e3o de Nossa Senhora. A divis\u00e3o era feliz porque conservava o n\u00famero\u00a0 150 &#8211; o Salt\u00e9rio &#8211; e ritmava o seu comprimento adotando o esquema decimal, o mais \u00f3bvio\u00a0 porque se baseava\u00a0 nos dedos das m\u00e3os.<\/p>\n<p>A segunda interven\u00e7\u00e3o remonta ao cartuxo Domingos da Pr\u00fassia (+ 1460), que, partindo do Ros\u00e1rio das 50 Ave, uniu uma cl\u00e1usula ao nome de Jesus variante para cada uma, compondo um ros\u00e1rio ininterrupto de 50 Ave e 50 cl\u00e1usulas e inspirando-se num op\u00fasculo que resumia a Vida de Cristo de Ludolfo. Este ros\u00e1rio era o espelho e o equil\u00edbrio perfeito do seu <a title=\"Conhe\u00e7a tamb\u00e9m o livro: O Socorro da Virgem Maria\" href=\"http:\/\/goo.gl\/UJWeA3\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15576 alignright\" alt=\"cpa_o_socorro_da_virgem_maria\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2014\/05\/cpa_o_socorro_da_virgem_maria.jpg\" width=\"130\" height=\"194\" \/><\/a>tempo e talvez um equil\u00edbrio absoluto. De fato, n\u00e3o substitu\u00eda nem a lit\u00fargia nem a Escritura; unia a inspira\u00e7\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o num\u00e9rica com a medita\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios de Cristo; concedia espa\u00e7o ao que, comovendo, podia suscitar\u00a0 devo\u00e7\u00e3o (14 cl\u00e1usulas \u00e0 inf\u00e2ncia, 23 \u00e0 paix\u00e3o, apenas 7 \u00e0 gl\u00f3ria); permanecia aberto a toda a vida de Cristo com 6 cl\u00e1usulas sobre a vida p\u00fablica: Jesus, &#8220;que Jo\u00e3o batizou no Jord\u00e3o, indicando-o como o cordeiro de\u00a0 Deus \/ que jejuou durante quarenta dias no deserto e que satan\u00e1s tentou tr\u00eas vezes \/ que, tendo reunido os disc\u00edpulos, anunciou ao mundo o reino dos c\u00e9us \/ que restituiu a vista aos cegos, curou os leprosos, os paral\u00edticos e libertou todos os que estavam oprimidos pelo diabo \/ cujos p\u00e9s Maria Madalena lavou com as suas l\u00e1grimas, enxugou com os cabelos, beijou e cobriu de perfume \/ que ressuscitou L\u00e1zaro morto havia j\u00e1 tr\u00eas dias e tamb\u00e9m outros mortos&#8221;.<\/p>\n<p>Mas a interven\u00e7\u00e3o decisiva foi feita pelo dominicano bret\u00e3o Alano de la Toche (+ 1475), que estabilizou\u00a0 o Ros\u00e1rio assumindo-o tamb\u00e9m como instrumento pastoral. Com esta finalidade, instituiu a primeira confraria entre 1464 e 1468, aprovada pela ordem dominicana a 16\/5\/1470: tratava-se de antigas confrarias que Alano revitalizou dando-lhes a ora\u00e7\u00e3o do Salt\u00e9rio mariano, revigorando-as com a prega\u00e7\u00e3o e um novo impulso. Tudo isto tornou usual, naquele tempo, uma ora\u00e7\u00e3o que por si s\u00f3, talvez tivesse desaparecido com os seus inspiradores. Alano conhecia e recomendava muitos ros\u00e1rios ou salt\u00e9rios, com o Pater ou com Ave, s\u00f3 cristol\u00f3gicos ou s\u00f3 marianos, com ou sem cl\u00e1usulas. Mas preferia as 15 dezenas em virtude dos 15 Pater que, segundo uma cren\u00e7a, num anno honravam as feridas da paix\u00e3o do Senhor, que teriam sido 5475, isto \u00e9, 365 (os dias do ano) vezes 15. Alano insistia sobre o Salt\u00e9rio: todos os dias os confrades deviam rezar com 150 f\u00f3rmulas e evitar o mais poss\u00edvel a palavra ros\u00e1rio que, na \u00e9poca, tinha uma marca mundana. Entre as numerosas propostas de Alano encontra-se tamb\u00e9m o nosso atual Ros\u00e1rio, como um &#8220;Rezar diretamente dirigindo-se a Cristo. E assim, as primeiras cinquenta sejam rezadas em honra de Cristo encarnado. A segunda de Cristo que sofre a paix\u00e3o. A terceira em honra de Cristo que ressuscita, que se eleva ao c\u00e9u, que manda o Par\u00e1clito, que se senta \u00e0 direita do Pai, que vir\u00e1 para julgar&#8221; (Apologia 14, 20). Por fim, Alano deu ao Salt\u00e9rio da Virgem um fundamento espiritual, reencontrando-o na ora\u00e7\u00e3o dos monges, dos Padres, dos Ap\u00f3stolos e da pr\u00f3pria Virgem Maria, que o entregou de maneira particular a S\u00e3o Domingos. Este \u00faltimo \u00e9 um clamoroso falso historiador, mas devemos reconhecer a habilidade de Alano, que imp\u00f4s esta interpreta\u00e7\u00e3o a toda a\u00a0 iconografia, e n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 iconografia.<\/p>\n<p>Como passou o Ros\u00e1rio da fluidez ainda presente em Alano \u00e0 estabilidade que conhecemos? Tratou-se de um processo ao mesmo tempo espont\u00e2neo e em est\u00edmulos convergentes nos quais agiram: certas prefer\u00eancias de Alano sobre os tr\u00eas grupos e sobre as 15 dezenas; o impulso unificador derivante da confraria; o uso do quadro e a exig\u00eancia de um crit\u00e9rio \u00fanico de dispor os mist\u00e9rios; a estabiliza\u00e7\u00e3o que sucede ao come\u00e7o variado de qualquer experi\u00eancia; a refer\u00eancia ao modo de lucrar as indulg\u00eancias e, posteriormente, o clima da contra-reforma que tendia para a exatid\u00e3o na ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os mist\u00e9rios s\u00e3o quase os atuais na xilografia de Francisco Domenech de 1488 e na \u00e1rea espanhola. Em Veneza, em 1521, Alberto de Castello publicava o Ros\u00e1rio da glorios\u00edssima Virgem Maria, mantendo 150 cl\u00e1usulas, mas\u00a0 unindo a medita\u00e7\u00e3o com o Pater e denominando-a &#8220;mist\u00e9rio&#8221; e, por conseguinte, favorecendo a ordem atual. Deve notar-se que a publica\u00e7\u00e3o ainda considera o ros\u00e1rio uma ora\u00e7\u00e3o visual, com 165 imagens, uma para cada Pater e Ave.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Pio V foi principalmente a Bula Consueverunt (17\/9\/1569), na qual se l\u00ea que &#8220;o Ros\u00e1rio ou Salt\u00e9rio da Bem-Aventurada Virgem Maria&#8221; \u00e9 uma &#8220;forma de ora\u00e7\u00e3o&#8221; atrav\u00e9s da qual Maria &#8220;\u00e9 venerada com a Sauda\u00e7\u00e3o Ang\u00e9lica repetida 150 vezes segundo o n\u00famero dos Salmos de David, intercalando cada dez Ave com a ora\u00e7\u00e3o do Senhor, com medita\u00e7\u00f5es que ilustram toda a vida do mesmo Senhor Jesus Cristo&#8221;. Para uma leitura correta \u00e9 preciso\u00a0 notar que n\u00e3o apresenta o elenco dos mist\u00e9rios; n\u00e3o s\u00e3o mencionadas as cl\u00e1usulas, mas sim o Salt\u00e9rio; a medita\u00e7\u00e3o parece estar ligada ao Pater (segundo a f\u00f3rmula precedente de Alberto de Castello) e estende-se a\u00a0 &#8220;toda&#8221; a vida de Cristo.<\/p>\n<p>De Alano em diante, incluindo o Magist\u00e9rio, deve-se observar\u00a0 que por medita\u00e7\u00e3o se entende sempre mais a ora\u00e7\u00e3o mental &#8211; da qual o esquema de repetir as palavras meditando &#8211; e menos a repeti\u00e7\u00e3o ligada aos l\u00e1bios, segundo a senten\u00e7a: &#8220;os iustii meditabitur sapientiam \/ os\u00a0 l\u00e1bios do justo meditam a sabedoria&#8221; (Sl 36, 30). Al\u00e9m disso, os documentos papais at\u00e9 Le\u00e3o XIII, excluindo-o, descrevem o Ros\u00e1rio principalmente em fun\u00e7\u00e3o de determinar as suas indulg\u00eancias. Por fim, a refer\u00eancia ao Salt\u00e9rio foi-se enfraquecendo cada vez mais, e ap\u00f3s a morte de Alano a confraria de Col\u00f4nia passava a obriga\u00e7\u00e3o das 150 f\u00f3rmulas de di\u00e1ria para semanal e autorizava a\u00a0 divis\u00e3o em cinquenta.<\/p>\n<p>A estabiliza\u00e7\u00e3o acima descrita acompanhar\u00e1 o Ros\u00e1rio at\u00e9 aos nossos dias, com a persist\u00eancia das cl\u00e1usulas na \u00e1rea anglossax\u00f4nica. O resto pertence a preciosismos destinados a n\u00e3o terem continuidade &#8211; como o Ros\u00e1rio m\u00edstico dos dons excelentes e das gra\u00e7as que Deus deu \u00e0 Bem-Aventurada Maria Madalena, do cartuxo Lanspergio (+ 1539) &#8211; ou a vari\u00e1veis que n\u00e3o afetam a estrutura do Ros\u00e1rio, ou \u00e0 hist\u00f3ria do seu uso pastoral. Paulo VI na MC 51 previa &#8220;exerc\u00edcios de piedade que v\u00e3o buscar a sua for\u00e7a ao Ros\u00e1rio&#8221;, mas que n\u00e3o alteravam a sua estrutura. A recente carta Apost\u00f3lica RVM prop\u00f5e novamente, refundindo-os de novo, alguns elementos de m\u00e9todo (as cl\u00e1usulas, mas n\u00e3o s\u00f3) e de conte\u00fado (os mist\u00e9rios da luz). Tamb\u00e9m isto j\u00e1 \u00e9 hist\u00f3ria, mas n\u00f3s ainda o vemos como atualidade.<\/p>\n<p><strong>Riccardo Barile<\/strong><br \/>\n<strong>Professor na Faculdade Teol\u00f3gica<\/strong><br \/>\n<strong>Dominicana de Bolonha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><a href=\"http:\/\/feedburner.google.com\/fb\/a\/mailverify?uri=ProfFelipeAquino\">Cadastre-se gr\u00e1tis e receba os meus artigos no seu e-mail<\/a><\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Ros\u00e1rio na hist\u00f3ria: desde o come\u00e7o at\u00e9 \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da sua estrutura atual \u00c9 quase imposs\u00edvel voltar a percorrer com precis\u00e3o os passos que levaram \u00e0 atual estrutura do Ros\u00e1rio. Mas podemos, ao contr\u00e1rio, seguir o nascimento e o&#8230; <a href=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2014\/05\/08\/o-rosario-na-historia\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[451],"tags":[8331,123849,261,17269,15641],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15573"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15573"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15573\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15583,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15573\/revisions\/15583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}