{"id":16333,"date":"2015-01-23T14:40:05","date_gmt":"2015-01-23T16:40:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/?p=16333"},"modified":"2015-01-23T14:40:05","modified_gmt":"2015-01-23T16:40:05","slug":"a-igreja-e-a-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2015\/01\/23\/a-igreja-e-a-caridade\/","title":{"rendered":"A Igreja e a Caridade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2015\/01\/Igreja-e-caridade.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-16334 size-medium\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2015\/01\/Igreja-e-caridade-300x223.png\" alt=\"Igreja e caridade\" width=\"300\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2015\/01\/Igreja-e-caridade-300x223.png 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2015\/01\/Igreja-e-caridade.png 490w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/strong>A Igreja moldou a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental em todos os seus campos: arte, m\u00fasica, arquitetura, direito, economia, moral, ci\u00eancia, letras, l\u00ednguas, etc., mas, o ponto mais marcante foi o da caridade. Seria imposs\u00edvel escrever a hist\u00f3ria completa da caridade da Igreja, desde que Jesus ensinou os seus disc\u00edpulos a \u201ca amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o incont\u00e1veis os n\u00fameros de hospitais, sanat\u00f3rios, escolas para crian\u00e7as pobres, asilos, creches, etc. que os filhos da Igreja sempre mantiveram durante todos esses vinte s\u00e9culos de cristianismo. E ainda hoje essa rede imensa de caridade continua; s\u00f3 para dar um exemplo, basta dizer que 25% de todas as obras de assist\u00eancia aos aid\u00e9ticos hoje s\u00e3o mantidas pela Igreja cat\u00f3lica em todo o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mesmo o franc\u00eas Voltaire, talvez o maior anticat\u00f3lico do s\u00e9culo XVIII, teve de reconhecer a caridade dos filhos da Igreja. Ele disse que \u201ctalvez n\u00e3o haja nada maior na terra do que o sacrif\u00edcio da juventude e da beleza, realizado pelo sexo feminino para trabalhar nos hospitais para aliviar a mis\u00e9ria humana\u201d.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade cat\u00f3lica sempre foi totalmente gratuita, desinteressada, diferente de muitas outras formas de filantropia que esperavam algum retorno seja em forma de reconhecimento ou de destaque social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade ensinada por Cristo foi \u201calgo novo\u201d no mundo antigo; onde se deve \u201camar at\u00e9 o inimigo\u201d e \u201cperdoar os que nos maltratam\u201d. Tamb\u00e9m para a Igreja vale a frase do Ap\u00f3stolo: \u201ca sua imensa caridade encobre a multid\u00e3o dos pecados dos seus filhos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os Padres da Igreja que legaram seus ensinamentos ao mundo, mesmo entre suas enormes ocupa\u00e7\u00f5es, tiveram tempo de se dedicar ao servi\u00e7o da caridade. Santo Agostinho fundou um hospital para peregrinos, resgatou escravos, e socorreu os pobres. Ele pedia ao povo n\u00e3o lhe dar roupas, mas vend\u00ea-las e dar o dinheiro aos pobres. S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, o grande Patriarca de Constantinopla no s\u00e9culo IV, fundou ali uma s\u00e9rie de hospitais. S\u00e3o Cipriano de Cartago e Santo Efr\u00e9m organizaram grandes trabalhos nos tempos de pragas e fome. N\u00e3o h\u00e1 um santo sequer da Igreja que n\u00e3o tenha vivido exemplarmente a caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja desde o seu in\u00edcio cuidou dos \u00f3rf\u00e3os e vi\u00favas, numerosos por causa das guerras, e estava presente para socorrer os doentes em todas as epidemias. Muitos e muitos santos e cat\u00f3licos perderam as suas vidas socorrendo os doentes. Durante a peste que atingiu Cartago e Alexandria, os crist\u00e3os ganharam respeito e admira\u00e7\u00e3o pela coragem e bravura com que consolavam os moribundos e enterravam os mortos, enquanto os pag\u00e3os abandonavam at\u00e9 mesmo os amigos \u00e0 sua terr\u00edvel sorte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sabemos que hospitais como temos hoje, n\u00e3o havia na civiliza\u00e7\u00e3o grega e romana; a Igreja Cat\u00f3lica foi pioneira em cri\u00e1-los com m\u00e9dicos, enfermeiros, rem\u00e9dios, e demais procedimentos. No s\u00e9culo IV a Igreja come\u00e7ou a mant\u00ea-los nas cidades menores, atendendo viajantes e doentes, vi\u00favos, \u00f3rf\u00e3os e pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma mulher chamada Fab\u00edola, por caridade crist\u00e3, criou o primeiro hospital p\u00fablico em Roma. S\u00e3o Bas\u00edlio Magno fundou um hospital em Cesareia, na Terra Santa, ainda no s\u00e9culo IV, especialmente para os leprosos. Os mosteiros tamb\u00e9m prestaram muitos atendimentos aos doentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Risse Guenter, em <em>A History of Hospitals<\/em>, mostra que quando caiu o Imp\u00e9rio Romano do ocidente (476), os mosteiros assumiram cada vez mais os cuidados dos doentes como nunca foi feito na Europa por v\u00e1rios s\u00e9culos. Esses mosteiros se tornaram verdadeiras escolas de medicina entre os s\u00e9culos V e X; falava-se do per\u00edodo da medicina mon\u00e1stica. Durante os anos do reavivamento (s\u00e9culo IX) com Carlos Magno, os mosteiros se destacaram como os principais centros de estudo e transmiss\u00e3o dos textos antigos de medicina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os Cavaleiros de S\u00e3o Jo\u00e3o (Hospitaleiros), deixaram na Europa a sua marca na hist\u00f3ria dos hospitais, desde 1080, ajudaram os pobres e os peregrinos que iam \u00e0 Terra Santa. Os \u201cHospitais de S\u00e3o Jo\u00e3o\u201d impressionavam pelo profissionalismo, onde se realizavam at\u00e9 pequenas cirurgias e os doentes recebiam visitas duas vezes ao dia dos m\u00e9dicos, banhos e duas refei\u00e7\u00f5es principais, al\u00e9m de roupas limpas e brancas. Esses hospitais foram modelos para a Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade da Igreja sempre foi t\u00e3o grande que impressionou at\u00e9 os seus inimigos. O escritor pag\u00e3o L\u00facio (130-200) escrevia impressionado com a urg\u00eancia com que os crist\u00e3os se ajudavam mutuamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O pr\u00f3prio imperador Juliano, o Ap\u00f3stata, inimigo do cristianismo, que tentou restabelecer o paganismo no imp\u00e9rio, por volta de 360, elogiava a caridade dos crist\u00e3os e reconheceu que enquanto os sacerdotes pag\u00e3os abandonavam os pobres, os \u201codiados galileus\u201d os tratavam com caridade, com as mesas preparadas para os indigentes, algo que era comum entre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mesmo Martinho Lutero, inimigo da Igreja, foi obrigado a reconhecer que \u201csob o Papa o povo era ao menos caridoso, e que n\u00e3o era preciso usar a for\u00e7a para conquistar as almas, e que agora, no \u201creino do Evangelho (Protestantismo) ao inv\u00e9s de dar, eles roubam um ao outro\u201d [Baluffi].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Frederick Huiter, um bi\u00f3grafo do Papa Inoc\u00eancio III declarou: \u201cTodas as institui\u00e7\u00f5es beneficentes que a humanidade possui nesses dias para ajudar os pobres, todos os que t\u00eam sido feito para a prote\u00e7\u00e3o dos indigentes e aflitos&#8230; E todos os tipos de sofrimentos, v\u00eam direta ou indiretamente da Igreja de Roma\u201d [Baluffi].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No s\u00e9culo XVI quando Henrique VIII tornou-se inimigo da Igreja e suprimiu os mosteiros da Inglaterra e confiscou as suas propriedades, a consequ\u00eancia social, foi enorme. Houve uma rebeli\u00e3o popular em 1536, conhecida como \u201cPeregrina\u00e7\u00e3o da Gra\u00e7a\u201d, que teve muito a ver com a ira do povo com o desaparecimento da caridade dos mosteiros [Daniel Rops. V.1, p\u00e1g. 181]. A dissolu\u00e7\u00e3o dos mosteiros ingleses e a redistribui\u00e7\u00e3o de suas terras \u2013 garante Philip Hughes \u2013 \u201csignificou a ru\u00edna de milhares de pobres camponeses, a destrui\u00e7\u00e3o de pequenas comunidades que os sustentavam\u201d. Milhares de desempregados das fazendas foram colocados nas ruas; o pauperismo cresceu assustadoramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Durante os s\u00e9culos ap\u00f3s a morte de Carlos Magno em 814, muito dos cuidados aos pobres, at\u00e9 ent\u00e3o a carga das par\u00f3quias da Igreja, migraram para os mosteiros. Nas palavras do rei S\u00e3o Lu\u00eds IX da Fran\u00e7a, os mosteiros eram \u201co patrim\u00f4nio dos pobres\u201d; o que sempre foi desde o s\u00e9culo IV. Em cada lugar onde surgia um mosteiro, nos vales e montanhas, formavam-se centros de vida religiosa organizada com escolas, modelos para a agricultura, ind\u00fastria, piscicultura, reflorestamento, prote\u00e7\u00e3o aos viajantes, al\u00edvio para os pobres, \u00f3rf\u00e3os, cuidado dos doentes, e atividade cultural como j\u00e1 vimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Durante a Idade M\u00e9dia os monges deram ref\u00fagio aos peregrinos aliviando os horrores da neve nos Alpes. Os beneditinos premonstratenses, bem como as Ordens mendicantes de S\u00e3o Domingos de Gusm\u00e3o e de S\u00e3o Francisco de Assis se destacaram na caridade. Para S\u00e3o Bento \u201ccada visitante devia ser recebido no mosteiro como se fosse o pr\u00f3prio Cristo\u201d. Mas os monges n\u00e3o apenas esperavam os pobres virem a eles, iam atr\u00e1s dos pobres e doentes para socorr\u00ea-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que aconteceu com os mosteiros da Inglaterra de Henrique VIII, no s\u00e9culo XVI, aconteceu tamb\u00e9m na Fran\u00e7a com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789, quando os mesmos revolucion\u00e1rios confiscaram as propriedades da Igreja: secou a fonte da caridade. Na \u00e9poca o arcebispo de Aix em Proven\u00e7a alertou que tal roubo era uma amea\u00e7a \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 provis\u00e3o do povo. Em 1847 a Fran\u00e7a tinha 47% hospitais a menos do que no ano do confisco e em 1799 os 50.000 estudantes das universidades se reduziram a 12000 [Davies, Michel, <em>For Altar and Throne: The Rising in the Vend\u00e9e,<\/em> St. Paul, Minn.: Remmant Press, 1997, p. 11].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos tempos dos b\u00e1rbaros a civiliza\u00e7\u00e3o foi abandonada; s\u00f3 a Igreja lutava contra a mis\u00e9ria, socorria os indigentes; os \u201cpobres benditos\u201d que viviam perto da catedral; havia os \u201cfundos de socorro\u201d que estavam em toda parte. Os bispos e sacerdotes amavam os pobres. Havia tamb\u00e9m hosp\u00edcios, hospedarias para estrangeiros e hospitais, mantidos pela Igreja; surgiram depois os lepros\u00e1rios e ou \u201chospitais de L\u00e1zaro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os fracos, pobres, \u00f3rf\u00e3os e vi\u00favos estavam sob a prote\u00e7\u00e3o da Igreja. A maior parte dos rendimentos dos mosteiros era aplicado na caridade. Especialmente nas \u00e9pocas de grandes calamidades, fomes e flagelos, a caridade da Igreja se fazia presente, pois o Estado pouco fazia. O povo, ent\u00e3o, se voltava para os conventos, cujos celeiros, viveiros eram abertos ao povo. \u201cForam numerosas as casas de bispados e mosteiros que venderam os seus tesouros, e at\u00e9 mesmo os vasos sagrados, para arrancarem da fome o povo crist\u00e3o que os rodeava\u201d (Daniel Rops, V. III, 281).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir do s\u00e9culo IX cada par\u00f3quia tinha organizado o aux\u00edlio aos pobres e possu\u00eda um registro, a \u201cmatr\u00edcula\u201d, dos que recebiam ajuda; tudo era subsidiado pela quarta parte dos d\u00edzimos e metade das doa\u00e7\u00f5es feitas \u00e0 par\u00f3quia. Os mosteiros tinham tamb\u00e9m a sua \u201cmatr\u00edcula\u201d sob os cuidados do monge \u201cesmoler\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir do s\u00e9culo XI come\u00e7aram a surgir as Ordens dedicadas \u00e0 caridade. A Ordem hospitalar mais antiga foi a dos \u201cAntoninos\u201d; nasceu em Vienne, em 1095, na par\u00f3quia onde estavam as rel\u00edquias de Santo Ant\u00e3o. Foi a Ordem dos \u201cIrm\u00e3os Hospitalares de Santo Ant\u00e3o\u201d. Em 1178 foi fundada por Guy de Montpelier a \u201cOrdem do Esp\u00edrito Santo\u201d, hospital para crian\u00e7as abandonadas; no final do s\u00e9culo XIII tinha cerca de 800 casas. Em 1150 surgiu em Bolonha o \u201cCrucifeu\u201d, e na Bo\u00eamia os \u201cStelliferi\u201d em 1160. Em 1099, ap\u00f3s a tomada de Jerusal\u00e9m pelos cruzados surgiu a \u201cOrdem de S\u00e3o L\u00e1zaro\u201d, para cuidar dos leprosos do Oriente. Foram trazidos tamb\u00e9m para a Fran\u00e7a por Luiz VII e cresceram muito na Europa e na \u00c1sia, onde chegaram a ter 3000 lepros\u00e1rios. Inoc\u00eancio IV a transformou em \u201cCavaleiros de S\u00e3o L\u00e1zaro\u201d que existem at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim, com o esfor\u00e7o conjunto da hierarquia da Igreja, das novas Ordens caritativas e da generosidade popular, surgiu uma multid\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de caridade. \u00c9 de se registrar que a Igreja pedia que as crian\u00e7as abandonadas fossem deixadas nas portas dos mosteiros, para n\u00e3o serem mortas. Estas eram cuidadas pela Ordem do Esp\u00edrito Santo ou pelos hospital\u00e1rios de S\u00e3o Jo\u00e3o de Jerusal\u00e9m, que vieram do Oriente para prestar seus servi\u00e7os na Europa. Alguns desses asilos de crian\u00e7as eram enormes e elas s\u00f3 sa\u00edam da\u00ed trabalhando. Havia casas especializadas em leprosos, o grande mal daquele tempo. A Igreja tinha aprendido com o \u201cbeijo de S\u00e3o Francisco de Assis no leproso\u201d, a ver neles um irm\u00e3o em Cristo. S\u00e3o Lu\u00eds de Fran\u00e7a, Santa Isabel da Hungria e Santa Hedwiges se destacaram nessa caridade. S\u00f3 na Fran\u00e7a em 1225, o rei Lu\u00eds VIII comprovou a exist\u00eancia de mais de dois mil lepros\u00e1rios. S\u00e3o Roque (1293-1327), patrono dos leprosos, consagrou toda a sua vida ao cuidado deles, tendo morrido tamb\u00e9m como leproso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 imposs\u00edvel enumerar todas as formas de caridade assumidas pelas pessoas da Igreja. Algumas se consagraram \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o das prostitutas, essa chaga social. Inoc\u00eancio III numa bula de 1198 prometeu remiss\u00e3o total dos pecados aos homens piedosos que desposassem essas mulheres reconduzindo-as ao bom caminho. Pedro o Eremita fundou uma Congrega\u00e7\u00e3o para salv\u00e1-las; e surgiram outras com a mesma finalidade. A mais c\u00e9lebre foi a Ordem das \u201cIrm\u00e3s penitentes de Santa Madalena\u201d, as \u201dmadalenetas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m os viajantes e peregrinos eram protegidos pela caridade crist\u00e3. Na It\u00e1lia, os Hospital\u00e1rios d\u2019Altapaseio guiavam os viajantes nos p\u00e2ntanos perigosos de Luca; na Espanha, os Cavaleiros de Santiago protegiam os peregrinos de Compostela; na Palestina, essa era uma das fun\u00e7\u00f5es dos Templ\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Cristandade n\u00e3o era uma no\u00e7\u00e3o abstrata, mas sim a pr\u00f3pria for\u00e7a de Cristo animando a sociedade. H\u00e1 a caridade que vai mais longe ainda. N\u00e3o podemos deixar de falar aqui das \u201cOrdens redentoras\u201d, que na \u00c1sia e na \u00c1frica; esses her\u00f3is que partiam para os pa\u00edses mu\u00e7ulmanos e se ofereciam para substituir os fi\u00e9is cativos e escravos correndo risco de morte. S\u00e3o as Ordens fundadas em 1198 por S\u00e3o Jo\u00e3o da Mata (os Trinit\u00e1rios); em 1223 pelo franc\u00eas S\u00e3o Pedro Nolasco (os Merced\u00e1rios \u2013 Nossa Senhora dos Merc\u00eas) e por S\u00e3o Raimundo de Pe\u00f1afort, espanhol. Desde a sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789), estas duas Ordens libertaram mais de 600.000 cativos, entre os quais Cervantes, o mestre espanhol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa caridade da Igreja ultrapassa em muitas as nossas obras sociais e a Previd\u00eancia Social de hoje. O regulamento dos hospitais de Paris, em 1230, dizia que se deviam receber \u201cos pobres e doentes como ao Senhor\u201d. Em todos os testamentos parisienses, da Idade M\u00e9dia, h\u00e1 uma doa\u00e7\u00e3o para o \u201cHotel-Dieu\u201d de Paris (o Hotel de Deus).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade de Cristo, de Madre Teresa de Calcut\u00e1, de S\u00e3o Francisco de Assis, de S\u00e3o Camilo de Lellis, de S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco, e de tantos santas e santas nunca precisou de uma ideologia materialista e inimiga de Deus para a impulsionar. A for\u00e7a propulsora desta caridade bi-milenar sempre foi a ora\u00e7\u00e3o, o amor a Deus e aos irm\u00e3os, vendo no que sofre o Cristo que padece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Prof Felipe Aquino<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja moldou a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental em todos os seus campos: arte, m\u00fasica, arquitetura, direito, economia, moral, ci\u00eancia, letras, l\u00ednguas, etc., mas, o ponto mais marcante foi o da caridade. 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