{"id":16526,"date":"2015-04-29T11:05:59","date_gmt":"2015-04-29T14:05:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/?p=16526"},"modified":"2015-04-29T11:05:59","modified_gmt":"2015-04-29T14:05:59","slug":"mecanica-quantica-e-misticismo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2015\/04\/29\/mecanica-quantica-e-misticismo-2\/","title":{"rendered":"Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica e misticismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2015\/04\/A06.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-16527 alignleft\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2015\/04\/A06-300x188.jpg\" alt=\"A06\" width=\"300\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2015\/04\/A06-300x188.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2015\/04\/A06.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pedi ao amigo Alexandre Zabot, Mestre e doutorando em F\u00edsica pela Universidade Federal de Santa Catarina, que escrevesse um breve artigo sobre a F\u00edsica Qu\u00e2ntica, tendo em vista que algumas pessoas a t\u00eam usado para tentar justificar doutrinas espirituais, o que n\u00e3o tem cabimento. Segue o artigo do Alexandre, pelo que lhe agrade\u00e7o muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, desde seu surgimento, sempre foi objeto de debates acalorados de f\u00edsicos e fil\u00f3sofos. Arquitetada sobre conceitos nada comuns para explicar fen\u00f4menos f\u00edsicos tampouco usuais, tem sido aplicada hoje em dia a uma diversidade enorme de assuntos, para espanto de muitos. Est\u00e1 na moda que m\u00edsticos elaborem suas doutrinas qu\u00e2nticas aplicando jarg\u00f5es de maneira inescrupulosa. Sem o menor pudor, usam a reputa\u00e7\u00e3o da teoria f\u00edsica para \u201cvalidar\u201d suas mais v\u00e3s filosofias. O que poucas pessoas avaliam \u00e9: at\u00e9 que ponto \u00e9 v\u00e1lido transportar conceitos de uma \u00e1rea para outra?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A teoria qu\u00e2ntica nasceu em 1900, de maneira totalmente imprevista, para explicar um problema de import\u00e2ncia subestimada na f\u00edsica. A maneira como os corpos aquecidos irradiam luz. Como a sua l\u00e2mpada de filamento em casa, ou o Sol, por exemplo. Seu criador foi um f\u00edsico alem\u00e3o, Max Planck. Ele mesmo a considerou \u201cmoderninha\u201d demais para seu paladar de f\u00edsico do s\u00e9culo XIX. Quem deu o primeiro reconhecimento \u00e0 teoria foi outro f\u00edsico alem\u00e3o, mais conhecido, Albert Einstein. Ele aplicou-a para explicar o efeito fotoel\u00e9trico e o calor espec\u00edfico dos s\u00f3lidos. Somente alguns anos depois \u00e9 que a teoria ganhou corpo e prest\u00edgio. Seus aspectos incomuns foram sendo reconhecidos aos poucos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Destes, o mais conhecido \u00e9 o princ\u00edpio da incerteza, que foi elaborado por outro f\u00edsico alem\u00e3o, Werner Heisenberg. Segundo este princ\u00edpio, na natureza \u00e9 imposs\u00edvel medir com precis\u00e3o infinita, simultaneamente, alguns pares de grandezas f\u00edsicas. Como a velocidade e a posi\u00e7\u00e3o de uma part\u00edcula, por exemplo. Por isso o nome, princ\u00edpio da incerteza. Sempre h\u00e1 uma indetermina\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca nas medidas. Isso se deve, segundo Heisenberg, ao fato de que o ato de medir inexoravelmente interfere no objeto medido. O interessante, \u00e9 que esta indetermina\u00e7\u00e3o n\u00e3o se resume \u00e0 experi\u00eancia. \u00c9 preciso, acreditam os f\u00edsicos, lev\u00e1-la em conta tamb\u00e9m na hora de construir a teoria, de elaborar as equa\u00e7\u00f5es. \u00c9 curioso que Einstein, apesar de ter sido um dos primeiros a usar a f\u00edsica qu\u00e2ntica, tenha se oposto veementemente, sem sucesso, a esta conclus\u00e3o. A grande revolu\u00e7\u00e3o da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica foi, portanto, acabar com o determinismo da mec\u00e2nica cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas o objetivo aqui n\u00e3o \u00e9 discutir f\u00edsica. A ideia \u00e9 deixar claro algo que, apesar de \u00f3bvio, \u00e9 sempre esquecido. O dom\u00ednio e a aplicabilidade da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica \u00e9 o mundo da f\u00edsica! N\u00e3o \u00e9 l\u00edcito tirar um conceito de uma \u00e1rea e aplicar diretamente a outra. \u00c9 poss\u00edvel fazer uma analogia, usar compara\u00e7\u00f5es, claro. Por\u00e9m, n\u00e3o se pode usar as mesmas constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas da f\u00edsica para fazer \u201cteologia\u201d. Voc\u00ea n\u00e3o pode querer usar a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica para explicar Deus, nem nossas almas, ou o mundo espiritual, por exemplo. Ela n\u00e3o foi criada pra isso. N\u00e3o \u00e9 neste campo que ela funciona. Ela funciona na f\u00edsica e, por isso mesmo, \u00e9 l\u00e1 que ela ganhou respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entretanto, o pior n\u00e3o \u00e9 usar constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica como se fossem teol\u00f3gicas. O pior \u00e9 usar a autoridade que ela conquistou no seu dom\u00ednio, a f\u00edsica, para justificar teorias absurdas. Argumentos do tipo, \u201cj\u00e1 foi provado pela mec\u00e2nica qu\u00e2ntica\u201d, ou \u201csegundo a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica\u201d s\u00e3o completamente desprovidos de sentido quando usadas fora da f\u00edsica. O que foi provado pela qu\u00e2ntica, foi provado somente para a f\u00edsica. Al\u00e9m do mais, este tipo de afirma\u00e7\u00e3o usa uma velha t\u00e1tica maldosa de persuas\u00e3o, conhecida como \u201cargumentos de autoridade\u201d. Se usa este tipo de constru\u00e7\u00e3o quando, na verdade, n\u00e3o se consegue provar o que deseja!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">V\u00e1rios livros e filmes recentes, al\u00e9m de aplicarem a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica fora de seu contexto, a distorcem totalmente, inventando coisas que n\u00e3o existem na teoria. Os mais conhecidos s\u00e3o o livro \u201cO Segredo\u201d e o filme \u201cQuem somos n\u00f3s\u201d. Enganam o p\u00fablico dizendo que o observador interfere no objeto com o pensamento e que isso \u00e9 explicado pela mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. Um pensamento n\u00e3o \u00e9 uma intera\u00e7\u00e3o f\u00edsica com o objeto medido, n\u00e3o \u00e9 uma medi\u00e7\u00e3o. Est\u00e1, portanto, fora do escopo do princ\u00edpio da incerteza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entendo que seja uma conclus\u00e3o natural que seja v\u00e1lido fazer especula\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas baseadas na mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. Tomando o devido cuidado, entretanto, de n\u00e3o aplicar seus conceitos f\u00edsicos diretamente, mas como analogias, inspira\u00e7\u00f5es. Evidentemente que isto n\u00e3o justifica o uso indevido que se tem feito ultimamente por muitas pessoas que distorcem totalmente o que a teoria diz. Aplicam estas distor\u00e7\u00f5es diretamente a \u00e1reas radialmente diferentes e, maldosamente, iludem os menos precavidos com argumentos de autoridade que n\u00e3o tem valor algum, especialmente fora da f\u00edsica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Alexandre Zabot &#8211; al&#101;&#x78;&#x61;&#x6e;dre&#122;&#x61;&#x62;&#x6f;t&#64;&#103;&#109;&#x61;&#x69;&#x6c;.c&#111;&#x6d;<\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedi ao amigo Alexandre Zabot, Mestre e doutorando em F\u00edsica pela Universidade Federal de Santa Catarina, que escrevesse um breve artigo sobre a F\u00edsica Qu\u00e2ntica, tendo em vista que algumas pessoas a t\u00eam usado para tentar justificar doutrinas espirituais, o&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[65],"tags":[19343,173541,67776,173542],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16526"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16526"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16526\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16528,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16526\/revisions\/16528"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}