{"id":17399,"date":"2016-05-30T14:55:56","date_gmt":"2016-05-30T17:55:56","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/?p=17399"},"modified":"2016-05-30T14:55:56","modified_gmt":"2016-05-30T17:55:56","slug":"historia-da-igreja-a-figura-de-joana-darc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2016\/05\/30\/historia-da-igreja-a-figura-de-joana-darc\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Igreja: A figura de Joana D\u00b4Arc"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-17400 alignleft\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2016\/05\/Joana-300x300.jpg\" alt=\"Joana\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2016\/05\/Joana-300x300.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2016\/05\/Joana-150x150.jpg 150w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2016\/05\/Joana.jpg 360w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Os precedentes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O cen\u00e1rio hist\u00f3rico em que\u00a0aparece Joana d&#8217;Arc, \u00e9 o da guerra dita &#8220;dos Cem Anos&#8221; (1337-1453) entre a\u00a0Fran\u00e7a e a Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 1415 Henrique V da Inglaterra invadiu a Fran\u00e7a com o intuito de derrubar o rei Carlos VI. Os\u00a0invasores encontraram apoio da parte da Borgonha, cujo duque Filipe o Bom\u00a0reconheceu Henrique V da Inglaterra como leg\u00edtimo soberano da Fran\u00e7a; ao mesmo\u00a0tempo, Carlos VI, cuja sa\u00fade mental estava abalada, deserdou seu filho e nomeou\u00a0o monarca ingl\u00eas herdeiro e regente do pa\u00eds. Em 1422, morreram Henrique V e\u00a0Carlos VI. o filho deste, Carlos VII fez-se coroar em Poitiers, e estabeleceu\u00a0sua corte em Bourges, enquanto os ingleses caminhavam em territ\u00f3rio franc\u00eas e\u00a0assediavam a cidade de Orle\u00e3es. Carlos VII era figura fraca, que nada fazia\u00a0para deter os invasores, mas, ao contr\u00e1rio, permitia que homens ineptos e\u00a0gozadores dirigissem o seu povo.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Foi ent\u00e3o que entrou em a\u00e7\u00e3o\u00a0uma jovem de 17 anos, que prometia salvar a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>lnterven\u00e7\u00e3o de Joana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Joana nasceu em Domr\u00e9my, de\u00a0fam\u00edlia camponesa, aos 6 de janeiro de 1412. N\u00e3o aprendeu a ler e escrever, mas\u00a0possuia profundo senso religioso. Aos 13 anos de idade, come\u00e7ou a ouvir certas\u00a0vozes, que ela identificou com as de S. Miguel Arcanjo, S. Catarina de\u00a0Alexandria e S. Margarida de Antioquia, virgem e m\u00e1rtir; exortavam-na a ir\u00a0socorrer a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A este prop\u00f3sito j\u00e1 se p\u00f5e\u00a0uma quest\u00e3o debatida: as revela\u00e7\u00f5es que Joana anunciava e que se repetiram at\u00e9\u00a0a sua morte, n\u00e3o ter\u00e3o sido mero fen\u00f4meno de alucina\u00e7\u00e3o? &#8211; Note-se que a\u00a0alucina\u00e7\u00e3o significa um estado patol\u00f3gico, fonte de falsos ju\u00edzos e de\u00a0comportamento moral descontrolado. Ora em toda a conduta de Joana d&#8217;Arc n\u00e3o h\u00e1\u00a0vest\u00edgios de prostra\u00e7\u00e3o f\u00edsica nem de aberra\u00e7\u00e3o intelectual ou de incoer\u00eancia\u00a0de dizeres e atitudes; ao contr\u00e1rio, clarivid\u00eancia e firmeza not\u00e1veis se\u00a0manifestaram. Torna-se, por conseguinte, dif\u00edcil, se n\u00e3o il\u00f3gico, sustentar a\u00a0tese das &#8220;alucina\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Somente tr\u00eas anos mais\u00a0tarde, em 1428, a\u00a0jovem resolveu atender aos apelos celestes. Um tio levou-a ent\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a do\u00a0capit\u00e3o Robert de Baudricourt, delegado do rei em Vancouleurs. Vendo-a,\u00a0o oficial desprezou-a, devolvendo-a a seu pai; este amea\u00e7ou afog\u00e1-la. Joana\u00a0voltou a procurar o capit\u00e3o, impressionando-o por sua energia. Roberto mandou-a\u00a0ter com o rei Carlos VII, acompanhada por uma escolta de seis homens, que\u00a0deviam defend\u00ea-la na caminhada por estradas perigosas. A donzela pediu e obteve\u00a0tamb\u00e9m um cavalo e trajes masculinos (mais adaptados \u00e0 miss\u00e3o militar que ela\u00a0empreendia). Chegando em Chinon aos 6 de mar\u00e7o de 1429, Joana identificou o rei\u00a0dissimulado entre os seus cortes\u00f5es. Logo lhe pediu soldados para ir levantar o\u00a0cerco de Orle\u00e3es. Todavia aquela jovem de 17 anos, vestida de trajes\u00a0masculinos, n\u00e3o inspirava confian\u00e7a. Tendo insistido, Joana foi submetida a\u00a0interrogat\u00f3rios e exames sobre a f\u00e9 e a moral pelo espa\u00e7o de tr\u00eas semanas; j\u00e1\u00a0que o laudo resultou favor\u00e1vel, Carlos VII reconheceu o poss\u00edvel valor do\u00a0empreendimento de Joana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A situa\u00e7\u00e3o para a Fran\u00e7a era\u00a0t\u00e3o grave que somente uma interven\u00e7\u00e3o do c\u00e9u poderia salvar a na\u00e7\u00e3o. O rei\u00a0concedeu-lhe ent\u00e3o um pequeno batalh\u00e3o destinado a ir socorrer a sitiada cidade\u00a0de Orle\u00e3es, que estava para cair. Joana n\u00e3o combateria, mas estimularia os\u00a0guerreiros, empunhando um estandarte branco, sobre o qual estava a figura de\u00a0Cristo entre dois anjos. Finalmente, aos 8 de maio de 1429 os ingleses muito\u00a0imprevistamente levantaram o cerco de Orle\u00e3es, dando entrada na cidade a Joana\u00a0d&#8217;Arc e sua tropa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim vitoriosa, a jovem\u00a0quis levar Carlos VII a Reims para que recebesse a sagra\u00e7\u00e3o r\u00e9gia &#8211; o que se\u00a0deu a 17 de julho de 1429. Ao lado do monarca, a benem\u00e9rita hero\u00edna Ihe disse\u00a0ent\u00e3o: &#8220;Gentil roi, maintenant est faict le plaisir de Dieu (&#8230;) Gentil rei,\u00a0agora est\u00e1 feito o prazer de Deus&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Joana dava por finda a sua\u00a0miss\u00e3o, quando o rei Ihe pediu continuasse a guerra. A donzela, d\u00f3cil, muito se\u00a0empenhou pela reconquista de Paris, mas aos 23 de maio de 1430, perto de\u00a0Compi\u00e9gne, foi presa pelos burg\u00fandios, aliados dos ingleses. Estes a compraram\u00a0pelo pre\u00e7o de 10.000 francos-ouro, e a levaram para Ru\u00e3o, onde Joana deveria\u00a0ser julgada. Aos ingleses interessava n\u00e3o apenas manter a donzela encarcerada,\u00a0mas tamb\u00e9m destruir o seu prest\u00edgio aos olhos do p\u00fablico. &#8211; Este plano haveria\u00a0de ser executado mediante pretextos religiosos que, para os homens da \u00e9poca,\u00a0eram os mais persuasivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Mentalidade do s\u00e9culo XV<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o se poderiam entender\u00a0adequadamente o processo e as maquina\u00e7\u00f5es empreendidos contra Joana d&#8217;Arc se\u00a0n\u00e3o se levasse em conta a mentalidade de ingleses e franceses da \u00e9poca:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">a) Joana dera \u00e0 sua miss\u00e3o militar um car\u00e1ter religioso,\u00a0dizendo que Deus queria por seu interm\u00e9dio libertar a Fran\u00e7a. &#8211; Por\u00a0conseguinte, os inimigos, para desprestigi\u00e1-la, tentariam demonstrar que Joana\u00a0de modo nenhum podia ser enviada de Deus, por estar sob a influ\u00eancia do\u00a0dem\u00f4nio, como herege, bruxa, impostora, etc. &#8211; Caso isto ficasse comprovado,\u00a0tamb\u00e9m o rei Carlos VII perderia a sua autoridade; seria evidente que se aliara\u00a0a uma filha de Satan\u00e1s, por obra da qual havia sido sagrado. Os franceses\u00a0poderiam ent\u00e3o perder a esperan\u00e7a de obter a vit\u00f3ria final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">b) A mentalidade popular da \u00e9poca era levada a crer que vit\u00f3ria\u00a0obtida em guerra era sinal de que Deus apoiava o vencedor. Ora os ingleses\u00a0haviam conseguido um triunfo retumbante em Azincourt (1415), onde cinco mil\u00a0guerreiros tinham prostrado toda a cavalaria francesa, lutando um soldado\u00a0contra seis cavaleiros. T\u00e3o fulgurante vit\u00f3ria, pensava-se, s\u00f3 teria sido\u00a0alcan\u00e7ada com a colabora\u00e7\u00e3o do c\u00e9u; donde podiam muitos concluir que Joana\u00a0contradizia ao curso dos acontecimentos sobre o qual Deus j\u00e1 proferira o seu\u00a0ju\u00edzo.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/quem-foi-santa-joana-darc-2\/\" target=\"_blank\">Quem foi santa Joana D\u2019Arc?<\/a><\/p>\n<p>c) A pr\u00f3pria conduta de Joana se prestava a deturpa\u00e7\u00f5es&#8230; As\u00a0calamidades que assolavam a Fran\u00e7a havia cerca de 75 anos, excitavam a\u00a0imagina\u00e7\u00e3o popular, provocando o surto sucessivo de falsos taumaturgos e\u00a0vision\u00e1rios. Como naquela hora se distinguiria Joana de uma Catarina de la Rochelle ou do pastor\u00a0Guilherme de G\u00e9vaudan, comprovadas v\u00edtimas da ilus\u00e3o? &#8211; Al\u00e9m disto, o esp\u00edrito\u00a0medieval podia facilmente escandalizar-se com a figura de uma jovem vestida de\u00a0cavaleiro a cavalgar junto com uma tropa de soldados; ora tal era o caso de\u00a0Joana. Ningu\u00e9m concebia que uma virgem crist\u00e3 se pudesse apresentar nesses\u00a0termos. Compreende-se ent\u00e3o que muitos dos contempor\u00e2neos da hero\u00edna se tenham\u00a0podido iludir a seu respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">d) Ser\u00e1 preciso levar em conta tamb\u00e9m a colabora\u00e7\u00e3o da Universidade\u00a0de Paris, setor de grande autoridade, que os ingleses ganharam para a sua\u00a0causa. O esp\u00edrito que ent\u00e3o animava os professores dessa institui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era\u00a0muito sadio. Tendiam a considerar-se os luzeiros da S. Igreja; os mais\u00a0moderados entre eles ficavam c\u00e9ticos ao ouvir falar de Joana; muitos, por\u00e9m, lhe eram energicamente contr\u00e1rios. A pobre camponesa, com seus poucos anos de\u00a0idade, deixava-se guiar por pretensas vis\u00f5es mais do que pelas id\u00e9ias dos\u00a0professores; queira passar por mais perita do que os capit\u00e3es do ex\u00e9rcito, sem\u00a0pedir v\u00eania nem autoriza\u00e7\u00e3o aos doutos lentes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c0 luz destas caracter\u00edsticas\u00a0da mentalidade da \u00e9poca, analisemos agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O desfecho da hist\u00f3ria de\u00a0Joana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os ingleses, tendo que\u00a0apelar para motivos religiosos na sua a\u00e7\u00e3o contra a jovem guerreira,\u00a0encontraram apoio valioso na pessoa do bispo de Beauvais, Pierre Cauchon, todo\u00a0devotado \u00e0 causa dos invasores e, por isto, refugiado em Ru\u00e3o, territ\u00f3rio\u00a0possu\u00eddo pelos ingleses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o foi dif\u00edcil encontrar\u00a0pretexto para se iniciar um processo contra Joana: as suas apregoadas mensagens\u00a0celestiais forneciam fundamento a acusa\u00e7\u00f5es de bruxaria e heresia! Cauchon foi\u00a0constitu\u00eddo presidente do respectivo tribunal. Para dar ao j\u00fari o aspecto e a\u00a0autoridade de tribunal da Inquisi\u00e7\u00e3o (tribunal oficial da S. Igreja!), chamaram\u00a0a participar da mesa o Vice-inquisidor de Ru\u00e3o, Jean Lemaitre. Cauchon convidou\u00a0ainda grande n\u00famero de assessores e jurados, aos quais o governo ingl\u00eas fez\u00a0saber que tinha meios para os coagir, caso rejeitassem participar do processo;\u00a0113 juristas aceitaram a intima\u00e7\u00e3o, dos quais 80 pertenciam \u00e0 Universidade de\u00a0Paris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O j\u00fari era de todo\u00a0ileg\u00edtimo, pois Cauchon n\u00e3o tinha sobre Joana nem a autoridade de bispo\u00a0diocesano nem a de legado pontif\u00edcio. A Santa S\u00e9 n\u00e3o fora em absoluto informada\u00a0da constitui\u00e7\u00e3o de tal tribunal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo o processo foi\u00a0encaminhado. A jovem sofreu maus tratos f\u00edsicos e morais; submetida a\u00a0interrogat\u00f3rios capciosos, que visavam a arrancar-lhe a confiss\u00e3o de heresia e\u00a0supersti\u00e7\u00e3o, respondeu sempre com simplicidade e nobreza; chegou a apelar para\u00a0o Santo Padre: &#8220;Pe\u00e7o que me leveis \u00e0 presen\u00e7a do Senhor nosso, o Papa: diante\u00a0dele responderei tudo o que tiver que responder Tudo que eu disse, seja levado\u00a0a Roma e entregue ao Sumo Pont\u00edfice, para o qual dirijo o meu apelo!&#8221; Em v\u00e3o,\u00a0por\u00e9m, apelou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Finalmente, ap\u00f3s perip\u00e9cias\u00a0diversas, Joana foi fraudulentamente condenada qual herege, relapsa, ap\u00f3stata,\u00a0id\u00f3latra. Entregue ao bra\u00e7o secular, sofreu a morte pelas chamas aos 30 de maio\u00a0de 1431, enquanto olhava para o Crucifixo e orava. Na \u00faltima manh\u00e3 de sua vida,\u00a0ainda dizia Joana a Cauchon: &#8220;Eu morro por causa de V.S.; se me tiv\u00e9sseis\u00a0colocado nos c\u00e1rceres da Igreja (&#8230;.), isto n\u00e3o teria acontecido.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A opini\u00e3o p\u00fablica viu-se\u00a0profundamente abalada pelo ocorrido. Apesar de todas as acusa\u00e7\u00f5es, a massa do\u00a0povo ainda tinha Joana na conta de v\u00edtima da injusti\u00e7a de seus inimigos.\u00a0Consequentemente, pouco depois de entrar solenemente em Ru\u00e3o (dezembro de\u00a01449), o rei Carlos VII deu in\u00edcio a uma revis\u00e3o do processo condenat\u00f3rio,\u00a0revis\u00e3o que terminou favor\u00e1vel a jovem. Seguiu-se em 1445 o inqu\u00e9rito\u00a0pontif\u00edcio, j\u00e1 que Joana fora abusivamente sentenciada em nome da Inquisi\u00e7\u00e3o:\u00a0ap\u00f3s numerosos interrogat\u00f3rios, o arcebispo de Reims, aos 7 de julho de 1456,\u00a0perante numerosa assembl\u00e9ia de cl\u00e9rigos e leigos em Ru\u00e3o, publicou a conclus\u00e3o\u00a0do &#8220;processo do processo&#8221;, reabilitando a mem\u00f3ria da donzela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De modo oficial e solene, a\u00a0Igreja restaurou a mem\u00f3ria de Joana d&#8217;Arc, reconhecendo-lhe os m\u00e9ritos e a\u00a0santidade em 1920.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Por que tanto se fez esperar\u00a0essa completa reabilita\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os tempos que se seguiram ao\u00a0ano de 1456, foram de rea\u00e7\u00e3o contra o esp\u00edrito e a vida da Idade M\u00e9dia: na\u00a0\u00e9poca da Renascen\u00e7a o adjetivo &#8220;g\u00f3tico&#8221; vinha a ser sin\u00f4nimo de &#8220;b\u00e1rbaro&#8221;;\u00a0quebravam-se os vitrais das catedrais para substitui-los por vidra\u00e7as brancas;\u00a0o famoso poeta Pierre de Ronsard (?1585), imitador dos cl\u00e1ssicos gregos e\u00a0latinos, qualificava o per\u00edodo medieval de &#8220;s\u00e9culos grosseiros&#8221;; mais tarde,\u00a0Voltaire (.?1778) e ainda Anatole France (? 1924) mostravam-se diretamente infensos\u00a0\u00e0 jovem guerreira de Domr\u00e9my. Foi preciso que a opini\u00e3o p\u00fablica em geral\u00a0proferisse um ju\u00edzo mais objetivo sobre a Idade M\u00e9dia para se pensar em exaltar\u00a0a figura t\u00e3o caracteristicamente medieval de Joana d&#8217;Arc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em conclus\u00e3o: A condena\u00e7\u00e3o\u00a0de Joana d&#8217;Arc \u00e9 fato hist\u00f3rico profundamente doloroso. Jamais, por\u00e9m, poder\u00e1\u00a0ser considerado fora do contexto do s\u00e9c. XV, que bem o marca e ilumina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Trata-se de um processo\u00a0inspirado por interesses pol\u00edticos e nacionais e justificado perante a opini\u00e3o\u00a0p\u00fablica do s\u00e9c. XV mediante pretextos religiosos (pretextos que podiam\u00a0impressionar naquela \u00e9poca). Lamentavelmente houve prelados e cl\u00e9rigos que se\u00a0prestaram ao papel de ju\u00edzes de Joana d&#8217;Arc. N\u00e3o procederam, por\u00e9m, em nome da\u00a0autoridade suprema da Igreja, mas, sim, por autoridade a eles conferida pelo\u00a0rei da Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entende-se, pois, que a S.\u00a0Igreja, de maneira oficial e solene, tenha procedido \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o e\u00a0canoniza\u00e7\u00e3o de Joana d&#8217;Arc.<br \/>\n__________________________<br \/>\n<strong>Por D. Estev\u00e3o\u00a0Bettencourt,osb<\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os precedentes O cen\u00e1rio hist\u00f3rico em que\u00a0aparece Joana d&#8217;Arc, \u00e9 o da guerra dita &#8220;dos Cem Anos&#8221; (1337-1453) entre a\u00a0Fran\u00e7a e a Inglaterra. 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