{"id":1741,"date":"2007-05-21T23:55:11","date_gmt":"2007-05-21T20:55:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/05\/21\/bento-xvi-%e2%80%93-serenidade-e-firmeza\/"},"modified":"2007-05-24T22:30:49","modified_gmt":"2007-05-24T19:30:49","slug":"bento-xvi-%e2%80%93-serenidade-e-firmeza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2007\/05\/21\/bento-xvi-%e2%80%93-serenidade-e-firmeza\/","title":{"rendered":"Bento XVI \u2013 Serenidade e Firmeza"},"content":{"rendered":"<p><span> <\/span><\/p>\n<p><strong><span>Dr. Carlos Alberto Di Franco &#8211; diretor do Master em Jornalismo, professor de \u00c9tica e doutor em Comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade de Navarra, Espanha;<\/span><span>  <\/span>\u00e9 diretor da Di Franco \u2013 Consultoria em Estrat\u00e9gia de M\u00eddia. E-mail: d&#x69;&#x66;r&#97;&#x6e;co&#x40;&#x63;e&#117;&#x2e;or&#x67;&#x2e;b&#114; &#8211; <\/strong><span>21 de maio de 2007<\/span><strong><span> <\/span><\/strong><\/p>\n<p><span> <\/span><\/p>\n<p><span>A cobertura da imprensa \u00e0 recente visita do papa ao Brasil, completa e profissional, marca um cap\u00edtulo na historia do jornalismo de qualidade. Emissoras de TV, r\u00e1dios, jornais, revistas e sites deram um espet\u00e1culo de compet\u00eancia t\u00e9cnica e informativa. O estere\u00f3tipo de um Papa frio e duro desabou na sua primeira apari\u00e7\u00e3o na sacada do Mosteiro de S\u00e3o Bento. Bento XVI transmitiu uma simplicidade que comoveu e cativou. <\/span><span> <\/span><\/p>\n<p><span>No encontro com milhares de jovens no Est\u00e1dio do Pacaembu, o Papa defendeu a pureza antes do casamento, condenou a infidelidade no matrim\u00f4nio e n\u00e3o deixou de pedir por mais voca\u00e7\u00f5es sacerdotais. Ele tamb\u00e9m reafirmou que a Igreja n\u00e3o precisa de cat\u00f3licos nominais, mas de cat\u00f3licos capazes de seguir o exemplo de Cristo. O discurso, que durou 40 minutos, foi interrompido v\u00e1rias vezes pelos aplausos do p\u00fablico. <\/span><span> <\/span><\/p>\n<p><span>O papa n\u00e3o deixou de falar dos desafios que os jovens enfrentam no mundo moderno, marcado por \u201cum enorme d\u00e9ficit de esperan\u00e7a\u201d, pelo \u201cmedo de morrer\u201d e o \u201cmedo de sobrar\u201d. A alternativa a isso, sublinhou, \u00e9 uma plena ades\u00e3o, de forma convicta e rigorosa, aos mandamentos da Igreja. A resposta dos jovens, surpreendente para alguns, foi uma impressionante ova\u00e7\u00e3o. <\/span><span> <\/span><\/p>\n<p><span>No momento mais informal e descontra\u00eddo de sua viagem ao Brasil, o papa encontrou-se com 2.500 dependentes de drogas. Emocionado, chamou-os de \u201cprediletos de Deus\u201d e deixou-se tocar, abra\u00e7ar e beijar. Mas foi dur\u00edssimo ao se referir aos traficantes. \u201cDeus vai lhes exigir satisfa\u00e7\u00f5es\u201d, disse com energia. \u201cA dignidade humana n\u00e3o pode ser espezinhada dessa maneira.\u201d E completou: \u201cO mal provocado recebe a mesma reprova\u00e7\u00e3o dada por Jesus aos que escandalizavam os \u2018pequeninos\u2019, os preferidos de Deus.\u201d As 7 mil pessoas presentes ao evento interromperam o discurso para o aplauso mais entusiasta do dia. <\/span><span> <\/span><\/p>\n<p><span>Os impressionantes aplausos ao papa Bento XVI, considerado por alguns um solit\u00e1rio na contram\u00e3o da hist\u00f3ria, n\u00e3o podem ser explicados por crit\u00e9rios sociol\u00f3gicos. O \u00edm\u00e3 do pontificado &#8211; do carism\u00e1tico Jo\u00e3o Paulo II, do racional Bento XVI e todos &#8211; reside numa reiterada percep\u00e7\u00e3o secular: a consci\u00eancia de que o Papa \u00e9 o \u00fanico homem no qual milh\u00f5es de pessoas v\u00eaem um v\u00ednculo direto com Deus. O Papa, al\u00e9m disso, galvaniza a nostalgia de Deus que floresce sobre os cacos que sobraram das tentativas de libera\u00e7\u00e3o do transcendente. <\/span><span> <\/span><\/p>\n<p><span>Alguns, equivocadamente, imaginam que o influxo crist\u00e3o sobre os assuntos temporais deveria n\u00e3o existir. Gostariam de ver o papa reduzido \u00e0 lideran\u00e7a de uma ONG da boa vontade. Querem ver a religi\u00e3o reduzida ao culto, sobretudo privado. Entrincheirada no ambiente rarefeito das sacristias, estaria desprovida de qualquer poss\u00edvel proje\u00e7\u00e3o social. A hist\u00f3ria, no entanto, demonstra que o sucessor de Pedro, deposit\u00e1rio da f\u00e9 e da coer\u00eancia doutrinal da Igreja, sempre ser\u00e1 \u201csinal de contradi\u00e7\u00e3o\u201d. E os seus seguidores, embora iguais aos demais, s\u00e3o, ao mesmo tempo, fermento, sal, levedura. <\/span><span> <\/span><\/p>\n<p><span>O crescimento da Igreja, como bem salientou o Papa, se d\u00e1 \u201cmuito mais por atra\u00e7\u00e3o\u201d, nunca por imposi\u00e7\u00e3o. Entre uma pessoa de f\u00e9 e um fan\u00e1tico existe uma fronteira n\u00edtida: o apre\u00e7o pela liberdade. O fan\u00e1tico imp\u00f5e. Empenha-se<br \/>\nem aliciar. A pessoa de f\u00e9, ao contr\u00e1rio, assenta serenamente em seus valores. Por isso, a sua convic\u00e7\u00e3o n\u00e3o a move a impor, mas a estimula a propor, a expor \u00e0 livre aceita\u00e7\u00e3o dos outros as id\u00e9ias que acredita dignas de ser compartilhadas. Nos cinco dias da visita do papa,<br \/>\nem S\u00e3o Paulo e Aparecida, multid\u00f5es foram confirmadas na f\u00e9, cresceram em seguran\u00e7a, sepultaram respeitos humanos e, sobretudo, abriram um grande espa\u00e7o de liberdade. <\/span><span> <\/span><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dr. Carlos Alberto Di Franco &#8211; diretor do Master em Jornalismo, professor de \u00c9tica e doutor em Comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade de Navarra, Espanha; \u00e9 diretor da Di Franco \u2013 Consultoria em Estrat\u00e9gia de M\u00eddia. 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