{"id":17812,"date":"2016-12-13T11:35:59","date_gmt":"2016-12-13T13:35:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/?p=17812"},"modified":"2016-12-13T11:35:59","modified_gmt":"2016-12-13T13:35:59","slug":"as-imperfeicoes-morais-sao-pecados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2016\/12\/13\/as-imperfeicoes-morais-sao-pecados\/","title":{"rendered":"As imperfei\u00e7\u00f5es morais s\u00e3o pecados?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-17813 alignleft\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2016\/12\/acorrentadopelopecado-300x173.jpg\" alt=\"acorrentadopelopecado\" width=\"300\" height=\"173\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2016\/12\/acorrentadopelopecado-300x173.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2016\/12\/acorrentadopelopecado.jpg 663w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u201cPode haver imperfei\u00e7\u00f5es morais que n\u00e3o sejam pecados (nem sequer pecados leves)? Estar\u00e1 o homem obrigado a praticar, em tudo, o que h\u00e1 de mais perfeito?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Antes do mais, conv\u00e9m delimitar devidamente o conceito de imperfei\u00e7\u00e3o moral. A seguir, determinaremos as rela\u00e7\u00f5es desta com o pecado. Por fim, \u00e0 guisa de conclus\u00e3o, ser\u00e3o formuladas algumas normas de alcance pr\u00e1tico.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>1. Que \u00e9 a imperfei\u00e7\u00e3o moral propriamente dita?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por \u00abimperfei\u00e7\u00e3o moral\u00bb em sentido estrito entende-se o ato que, embora n\u00e3o viole algum preceito expl\u00edcito da lei de Deus, vem a ser contradi\u00e7\u00e3o a um conselho dado direta ou indiretamente pelo Senhor a fim de facilitar a uni\u00e3o da alma com Deus; seria a pr\u00e1tica de um bem menor, com rejei\u00e7\u00e3o consciente de um bem maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em outros termos: designa-se como imperfei\u00e7\u00e3o moral o ato de vontade pelo qual determinada pessoa, podendo escolher entre dois alvitres, honestos ambos, mas de valor desigual, opta deliberadamente pela solu\u00e7\u00e3o que tal pessoa julga ser a menos perfeita do ponto de vista moral. \u2014 N\u00e3o v\u00eam ao caso, portanto, as pequenas faltas que escapam \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o do agente, por mais virtuoso que seja; ficam involunt\u00e1rias e subtra\u00eddas \u00e0 responsabilidade do sujeito (a menos que este deliberadamente d\u00ea ocasi\u00e3o remota a tais \u00edmpetos da natureza).<a href=\"http:\/\/loja.cleofas.com.br\/a-conquista-das-virtudes\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-63194 alignright\" src=\"http:\/\/cleofas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/conquista_virtudes.png\" alt=\"conquista_virtudes\" width=\"190\" height=\"190\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eis alguns exemplos assaz significativos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um jovem estudante, sequioso do bem, mas um tanto leviano, viu-se certa vez em situa\u00e7\u00e3o penosa da sua vida; resolveu ent\u00e3o durante nove dias consecutivos assistir \u00e0 S. Missa celebrada na capela mesma de sua escola, ora antes, ora depois das aulas. Uma vez terminados esses exerc\u00edcios de piedade, verificou que n\u00e3o lhe haviam prejudicado o cumprimento dos deveres de estado. Em consequ\u00eancia, surgiu-lhe espontaneamente no esp\u00edrito, \u00e1vido de bem, uma perspectiva nova, que o come\u00e7ou a torturar: poderia continuar a participar diariamente da Missa, \u00e0 semelhan\u00e7a de tais e tais colegas que o faziam sem negligenciar suas obriga\u00e7\u00f5es profissionais. N\u00e3o indo \u00e0 Missa, dedicava os tr\u00eas quartos de hora respectivos a leituras ilustrativas \u2014 leituras que ele poderia dispensar ou que, com um pouco de generosidade, procurando distribuir melhor o tempo, poderia fazer em outro per\u00edodo do dia. Em \u00faltima an\u00e1lise, punha-se-lhe o dilema: \u00abmaior generosidade\u00bb ou \u00abmenor generosidade\u00bb no servi\u00e7o de Deus?&#8230; \u00abMais perfei\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00abmenos perfei\u00e7\u00e3o\u00bb (sem que houvesse transgress\u00e3o de algum preceito) no exerc\u00edcio da vida crist\u00e3?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caso optasse, nas circunst\u00e2ncias acima, pela n\u00e3o assist\u00eancia \u00e0 Missa fora dos dias de preceito, o jovem teria cometido um ato dos que chamamos acima \u00abimperfei\u00e7\u00e3o moral\u00bb. N\u00e3o est\u00e1 claro que tal imperfei\u00e7\u00e3o seria tamb\u00e9m um pecado. Por isto interessa-nos neste artigo indagar se haveria pecado ou n\u00e3o no ato de recusa do jovem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outro exemplo: Ludovico costuma conceder a si mesmo pequemos prazeres desnecess\u00e1rios, como o uso de fumo, refrescos especiais, conversas demasiadamente prolongadas&#8230; Em- determinada ocasi\u00e3o da vida, ele percebe que a ren\u00fancia a tais concess\u00f5es lhe daria mais liberdade e vigor espiritual para procurar a Deus; passa ent\u00e3o a experimentar continuamente o chamado da gra\u00e7a que o convida a mudar de regime. \u00c9 assim que se p\u00f5e em sua alma o dilema: \u00abbem maior\u00bb ou \u00abbem menor\u00bb na caminhada para Deus? Dado que n\u00e3o se renda ao convite, cometer\u00e1 uma \u00abimperfei\u00e7\u00e3o moral\u00bb. Ser\u00e1 isso um pecado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim exposto o conceito de \u00abimperfei\u00e7\u00e3o moral\u00bb, vejamos -como se relaciona com o pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>2. Imperfei\u00e7\u00e3o moral e pecado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O assunto tem sido ardorosamente estudado pelos te\u00f3logos, ficando at\u00e9 hoje aberta a quest\u00e3o. H\u00e1, sim, autores que distinguem claramente entre imperfei\u00e7\u00e3o moral e pecado, julgando que aquela possa ocorrer sem culpa do sujeito respectivo. Neste caso, a pessoa se deveria arrepender sinceramente de suas imperfei\u00e7\u00f5es, repudiando-as por serem entraves \u00e0 a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a na alma, mas n\u00e3o as deveria acusar em confiss\u00e3o sacramental, pois, n\u00e3o sendo pecados, n\u00e3o constituiriam mat\u00e9ria para absolvi\u00e7\u00e3o. A imperfei\u00e7\u00e3o seria um ato defeituoso, n\u00e3o, por\u00e9m, pecaminoso. \u2014 O primeiro autor que haja sustentado esta senten\u00e7a parece ser o te\u00f3logo Jo\u00e3o de Lugo, professor de Moral no Col\u00e9gio Romano de 1620 a 1641 (cf. \u00abDe paenitentia\u00bb, disp. III, sect I Ti&#8221; 9s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outros te\u00f3logos, seguindo um ensinamento mais tradicional, afirmam que toda imperfei\u00e7\u00e3o consciente e volunt\u00e1ria (como acima descrevemos) vem a ser pecado (ao menos, leve).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na verdade, por muito estranho que isto pare\u00e7a, deve-se dizer que .as duas senten\u00e7as n\u00e3o se excluem; antes, completam-se mutuamente, desde que se fa\u00e7a o que muitas vezes se deve fazer em tais casos: uma distin\u00e7\u00e3o. Distinguiremos, portanto, no nosso problema entre o plano te\u00f3rico, abstrato, e a linha pr\u00e1tica, dos atos concretos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A. Em teoria&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Consideremos a imperfei\u00e7\u00e3o moral em si mesma ou independentemente de quaisquer circunst\u00e2ncias em que ela na realidade concreta ocorra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Imperfei\u00e7\u00e3o, diz\u00edamos, n\u00e3o \u00e9 viola\u00e7\u00e3o de um preceito do Senhor, mas apenas neglig\u00eancia de um conselho ou de uma norma que visa promover maior perfei\u00e7\u00e3o espiritual. Ora a execu\u00e7\u00e3o de uma tal norma ou de um conselho ficar\u00e1 sempre facultativa; em si mesma nunca poder\u00e1 constituir um dever; paralelamente, portanto, a sua viola\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 nunca equivaler\u00e1 a um pecado. O conselho que impusesse obriga\u00e7\u00e3o, j\u00e1 deixaria de ser conselho para tornar-se preceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Donde se v\u00ea que, abstratamente considerada, a imperfei\u00e7\u00e3o moral n\u00e3o pode ser tida como pecado. Por si, ela ainda \u00e9 um ato bom, ato concorde, sim, com a Lei de Deus; apenas se lamenta que tenha por objeto um bem ex\u00edguo, em vez de um bem maior, que o agente, se fosse mais generoso, poderia, sem d\u00favida, escolher. Contudo o \u00abbem menor\u00bb n\u00e3o pode ser confundido com o \u00abmal\u00bb, como o \u00abmenos branco\u00bb n\u00e3o chega a ser \u00abnegro\u00bb, nem o \u00abmenos quente\u00bb chega a ser \u00abfrio\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Consequentemente, dever-se-\u00e1 dizer: em teoria, ou abstratamente falando, n\u00e3o peca o estudante que, voluntariamente, deixa de, assistir \u00e0 S. Missa em dia de semana para se dedicar entrementes a leituras ilustrativas ou mesmo a pr\u00e1ticas esportivas moralmente l\u00edcitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo \u00e9 de notar que na realidade pr\u00e1tica n\u00e3o existem atos abstratos, independentes de circunst\u00e2ncias concretas que inevitavelmente v\u00e3o influir na qualifica\u00e7\u00e3o moral da conduta humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por isto faz-se mister voltemos agora a nossa aten\u00e7\u00e3o para outro aspecto da quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>B. Na pr\u00e1tica&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todo ato humano (consciente e deliberado) \u00e9 inspirado por determinada inten\u00e7\u00e3o do respectivo agente, que, assim agindo, visa atingir tal ou tal objetivo preciso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ora a inten\u00e7\u00e3o do agente \u00e9, sempre e necess\u00e0riamente, ou boa ou m\u00e1, do ponto de vista moral; em outros termos, a inten\u00e7\u00e3o do agente, em todo e qualquer caso, est\u00e1 necessariamente voltada para um objetivo que, em \u00faltima an\u00e1lise, ou \u00e9 conforme \u00e0 Lei de Deus ou contradiz a esta (todo homem age sempre, direta ou indiretamente, em vista do \u00faltimo Fim ou em vista de Deus, ensina a \u00c9tica geral).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Digamos ent\u00e3o que algu\u00e9m seja colocado diante de um conselho de perfei\u00e7\u00e3o espiritual&#8230; conselho que convida a fazer uma obra de maior virtude do que as que tal pessoa costuma praticar (tratar-se-ia, por exemplo, de renunciar ao fumo, a conversas sup\u00e9rfluas, assistir \u00e0 S. Missa em dia de semana&#8230;). A pessoa assim intimada entrar\u00e1 em delibera\u00e7\u00e3o consigo mesma, a fim de proferir o seu \u00absim\u00bb ou o seu \u00abn\u00e3o\u00bb ao convite do momento. &#8230; Se, depois de deliberar, ela puder sinceramente dizer: \u00ab\u00c9 bom para mim n\u00e3o atender a tal conselho, pois essa omiss\u00e3o favorecer\u00e1 o desenvolvimento normal da minha vida de amor a Deus\u00bb, tal pessoa, deixando de praticar o conselho, estar\u00e1 realizando um ato bom, um ato de virtude; escolhendo um bem (em si mesmo) menor em vez do bem (em si mesmo) maior, tal pessoa n\u00e3o estar\u00e1 cometendo pecado; nem estar\u00e1 praticando um ato moralmente neutro ou indiferente, mas, sim, um ato positivamente bom, ato diretamente encaminhado para a maior uni\u00e3o com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A esta altura, surge espontaneamente a quest\u00e3o: como justificar t\u00e3o estranha senten\u00e7a? Quais seriam os motivos pelos quais uma obra (em si mesma) menos perfeita poderia ser rejeitada em nome da pr\u00f3pria virtude ou da maior uni\u00e3o com Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/o-que-e-virtude\/\" target=\"_blank\">O que \u00e9 virtude?<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/os-enganos-que-o-demonio-usa-para-que-deixemos-o-caminho-da-virtude-2\/\" target=\"_blank\">Os enganos que o dem\u00f4nio usa para que deixemos o caminho da virtude<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/os-prejuizos-espirituais-dos-pecados-veniais\/\" target=\"_blank\">Os preju\u00edzos espirituais dos pecados veniais<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/breve-reflexao-sobre-as-virtudes-cardeais\/\" target=\"_blank\">Breve reflex\u00e3o sobre as virtudes cardeais<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/o-homem-responsavel-por-seus-atos-eb\/\" target=\"_blank\">O homem respons\u00e1vel por seus atos \u2013 EB<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/o-povo-de-deus-e-santo-e-pecador\/\" target=\"_blank\">O povo de Deus \u00e9 santo \u00e9 pecador<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/quais-sao-as-raizes-do-pecado\/\" target=\"_blank\">Quais s\u00e3o as ra\u00edzes do pecado?<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os moralistas costumam indicar quatro raz\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1) a obra mais perfeita entraria em conflito com outra obra que, embora mais modesta, n\u00e3o poderia ser prejudicada, por pertencer aos deveres de estado do sujeito. Em outros termos, o conselho contrariaria a algum preceito): por exemplo, a m\u00e3e de fam\u00edlia que s\u00f3 pudesse ir \u00e0 S. Missa em dia de semana, abandonando seu filhinho gravemente doente em casa, em nome da virtude mesma deveria desistir de praticar o conselho de perfei\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">2) a obra mais perfeita imporia ao nosso pr\u00f3ximo sacrif\u00edcios que a caridade exigiria lhe fossem poupados: por exemplo, uma pessoa cega que s\u00f3 pudesse ir \u00e0 S. Missa quando acompanhada por outrem, deveria levar em conta a situa\u00e7\u00e3o da acompanhante; eventualmente, em nome da caridade mesma, teria que renunciar \u00e0 S. Missa;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3) a obra mais perfeita exigiria do sujeito sacrif\u00edcios tais que este perderia a alegria necess\u00e1ria \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o de suas for\u00e7as ou \u00e0 expans\u00e3o normal de sua vida ps\u00edquica. Em outros termos: sendo ainda principiante na vida crist\u00e3, a pessoa n\u00e3o aguentaria a ren\u00fancia que a obra melhor exigiria de sua parte. Tal \u00e9 o caso de quem ainda precisa de suas horas de recreio (conversas, leituras, divertimentos l\u00edcitos&#8230;), porque o sil\u00eancio prolongado e o isolamento seriam mais prejudiciais do que ben\u00e9ficos \u00e0 sua sa\u00fade mental;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Ou\u00e7a tamb\u00e9m:\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/ensine-a-beleza-das-virtudes\/\" target=\"_blank\">Ensine a beleza das virtudes<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">4) a preocupa\u00e7\u00e3o de seguir as obras de conselho provocaria obsess\u00e3o e perturba\u00e7\u00f5es nervosas que entravariam a vida espiritual do sujeito. \u00c9 o que se pode dar com pessoas tendentes aos escr\u00fapulos \u00e0s quais indiscriminadamente se quisesse incutir a pr\u00e1tica do mais perfeito (facilmente perderiam o senso do equil\u00edbrio).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Digamos, por\u00e9m, que, depois de deliberar consigo, a pessoa n\u00e3o possa indicar algum dos motivos acima ou, em suma, algum motivo razo\u00e1vel para declinar o conselho. Ao contr\u00e1rio, ela v\u00ea claramente que a obra aconselhada, embora mortifique a natureza, muito concorreria para desenvolver a sua caridade, sem preju\u00edzo para o pr\u00f3ximo, sem mesmo contraindica\u00e7\u00e3o alguma&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>No caso, como julgaria o moralista?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Omitir a obra aconselhada equivale a uma atitude desarrazoada (frequentemente mesmo, a uma atitude inspirada por neglig\u00eancia ou pregui\u00e7a); ora comportar-se voluntariamente de maneira desarrazoada em rela\u00e7\u00e3o a Deus \u00e9 pecado&#8230;, pecado leve ou grave conforme as consequ\u00eancias desse comportamento desarrazoado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todavia n\u00e3o poderia algu\u00e9m dizer com plena paz de esp\u00edrito: \u00abOmito a obra aconselhada, n\u00e3o porque nutra m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es, mas simplesmente porque n\u00e3o \u00e9 obra absolutamente obrigat\u00f3ria\u00bb? \u2014 Replicariam os moralistas que essa neutralidade seria ilus\u00f3ria; na verdade serviria de cobertura \u00abhonesta\u00bb ou de pretexto para o comodismo a covardia ou o ego\u00edsmo da pessoa. Em \u00faltima analise, uma das leis fundamentais de todo tipo de vida (por conseguinte, tamb\u00e9m da vida crist\u00e3) \u00e9 \u00abcrescer e desenvolver-se\u00bb; a vida \u00e9 din\u00e2mica, de modo que quem consente em paralis\u00e1-la, j\u00e1 a est\u00e1 sufocando; em consequ\u00eancia, quem voluntariamente rejeite o bem maior para praticar o bem menor sem motivo justificado,&#8230; unicamente por covardia,&#8230; est\u00e1 derrogando \u00e0s leis de sua vida espiritual, concorrendo para atrofi\u00e1-la \u2014 o que vem a ser um ato desarrazoado ou, mais precisamente, um mal moral, um pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Assista tamb\u00e9m:\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/e-preciso-cultivar-uma-cultura-de-virtudes\/\" target=\"_blank\">\u00c9 preciso cultivar uma cultura de virtudes<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem se acostuma a sufocar a voz da consci\u00eancia todas as vezes- que esta indica uma obra melhor (n\u00e3o, por\u00e9m, de preceito), arrisca-se a extinguir por completo essa voz interior assim como a a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a em sua alma. \u00c9 de recear que o dom de Deus, sucessivamente repelido pelo crist\u00e3o comodista, j\u00e1 n\u00e3o seja concedido a este; ent\u00e3o as concupisc\u00eancias tomam vulto, as paix\u00f5es explodem com facilidade,.levando a alma ao pecado grave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em resumo: de quanto acaba de ser exposto, dever-se-\u00e1 concluir que, na pr\u00e1tica, a omiss\u00e3o consciente e deliberada de atos melhores (n\u00e3o preceituados pelo Senhor Deus, mas apenas aconselhados) em caso algum escapa a uma das seguintes classifica\u00e7\u00f5es: \u00abato moralmente bom\u00bb, \u00abato moralmente mau ou pecaminoso\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ali\u00e1s tal conclus\u00e3o n\u00e3o constitui sen\u00e3o uma faceta de um princ\u00edpio estabelecido por abalizados mestres da vida espiritual: na pr\u00e1tica, todos os atos do justo (ou da alma em estado de gra\u00e7a) que n\u00e3o sejam pecados veniais, s\u00e3o atos merit\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Imp\u00f5em-se agora algumas normas complementares, que o t\u00edtulo- abaixo apresentar\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>3. Ulteriores observa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3.1 Na vida cotidiana pode acontecer que n\u00e3o consigamos perceber com exatid\u00e3o o verdadeiro motivo de nossas a\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es: prud\u00eancia aut\u00eantica, construtiva, ou covardia, neglig\u00eancia m\u00f3rbida? E com efeito, dif\u00edcil discernir onde termina a genu\u00edna sabedoria e onde come\u00e7a o descaso. Em casos de d\u00favida, a alma bem intencionada optar\u00e1 pelo alvitre que lhe parecer mais acertado; o Senhor Deus ent\u00e3o levar\u00e1 em conta a sinceridade com que essa criatura estiver procurando alcan\u00e7ar a perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3.2. Justamente a dificuldade que experimentamos para avaliar devidamente o motivo de nossas omiss\u00f5es, leva-nos a crer que cometemos imperfei\u00e7\u00f5es (atos pouco generosos, covardes&#8230;) n\u00e3o de todo conscientes e volunt\u00e1rias. Essas, na medida mesma em que s\u00e3o indeliberadas, ficam aqu\u00e9m da moralidade, n\u00e3o podendo ser classificadas nem como atos bons nem como atos pecaminosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De modo geral, verifica-se que todo homem pratica muitos atos t\u00e3o espont\u00e2neos que antecedem qualquer reflex\u00e3o e uso da liberdade. Por estas circunst\u00e2ncias, tais atos n\u00e3o acarretam san\u00e7\u00e3o (recompensa ou pena) sobre si; propriamente \u00abn\u00e3o contam\u00bb na vida moral do indiv\u00edduo. Contudo \u2014 deve-se dizer \u2014 s\u00e3o atos que. Embora n\u00e3o constituam um mal moral em si mesmos, ao menos interrompem a caminhada para a perfei\u00e7\u00e3o espiritual, impedem que a vida do sujeito seja inteiramente cheia, disseminam o vazio nas jornadas da pessoa. Faz-se mister, portanto, combater a ocorr\u00eancia de tais atos, a fim de que n\u00e3o se perca alguma parcela de tempo e seja devidamente desdobrado o potencial de perfei\u00e7\u00e3o latente em cada personalidade. O combate ser\u00e1 travado na medida em que a alma procurar mais e mais controlar suas a\u00e7\u00f5es, vencendo a concupisc\u00eancia desregrada assim como a rotina espiritual. Verdade \u00e9 que nem os santos conseguiram sempre evitar todos os atos indeliberados; contudo progrediram pela senda da perfei\u00e7\u00e3o na medida em que os foram debelando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3.3. Procurando adquirir o pleno dom\u00ednio sobre si, a alma justa estar\u00e1 enfrentando outro obst\u00e1culo para a perfei\u00e7\u00e3o: os atos t\u00edbios ou \u00abremissos\u00bb. Estes s\u00e3o atos em que n\u00e3o est\u00e1 empenhado todo o vigor religioso da pessoa; processam-se como que na periferia da alma, deixando adormecida uma boa parte de suas energias sobrenaturais. K o que se d\u00e1, por exemplo, com quem possui dez talentos ou \u00abdez graus de amor\u00bb a Deus, mas na realidade age como se tivesse apenas cinco talentos ou \u00abcinco graus de amor\u00bb; e assim age porque \u00e9 voluntariamente mole ou covarde&#8230; Os atos remissos ou t\u00edbios disp\u00f5em ao pecado grave, pois deixam inexplorado o vigor sobrenatural da alma, acarretando-lhe uma esp\u00e9cie de atrofia espiritual (\u00e0 semelhan\u00e7a do que se d\u00e1 com quem tem dois bra\u00e7os, mas s\u00f3 se serve de um, talvez por estar engessado o outro; este outro, permanecendo inerte, tende a se atrofiar e perder). Como se compreende, a atrofia espiritual assim induzida permitir\u00e1 o desenvolvimento de concupisc\u00eancias e paix\u00f5es, as quais cedo ou tarde sobrepujar\u00e3o os bons h\u00e1bitos, provocando faltas graves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Destas considera\u00e7\u00f5es se depreende a import\u00e2ncia da luta contra a rotina ou contra todo modo de agir superficial e t\u00edbio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3.4. Ap\u00f3s o que foi dito, v\u00ea-se que resposta dar \u00e0 quest\u00e3o: est\u00e1 o crist\u00e3o obrigado, sob pecado, a praticar sempre o que h\u00e1 de mais perfeito, n\u00e3o lhe sendo l\u00edcito optar por um ato bom menos perfeito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A solu\u00e7\u00e3o se reduz aos seguintes termos: o crist\u00e3o est\u00e1, sim, obrigado a seguir sempre o alvitre mais perfeito (em caso contr\u00e1rio, sufocaria a sua vida espiritual). Observe-se, por\u00e9m:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">a) n\u00e3o se trata do mais perfeito entendido de maneira absoluta, pois este n\u00e3o estaria talvez proporcionado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es individuais e \u00e0s gra\u00e7as que Deus distribui pessoalmente a tal sujeito. Trata-se apenas do mais perfeito proporcional \u00e0s possibilidades de cada indiv\u00edduo. Assim nem todos est\u00e3o obrigados a abra\u00e7ar o celibato por amor a Cristo, embora este g\u00eanero de vida seja em si mais perfeito do que o estado conjugal (cf. 1 Cor 7). H\u00e1 casos, sem d\u00favida, (e numerosos) em que o mais perfeito, para tal e tal sujeito, consiste em, contrair matrim\u00f4nio; na vida matrimonial ent\u00e3o o crist\u00e3o dever\u00e1 manter viva a consci\u00eancia de que foi chamado a praticar a perfei\u00e7\u00e3o ou a ser santo;<a href=\"http:\/\/loja.cleofas.com.br\/os-pecados-e-as-virtudes-capitais\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-63207 alignright\" src=\"http:\/\/cleofas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/pecados_e_virtudes.png\" alt=\"pecados_e_virtudes\" width=\"189\" height=\"189\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">b) para que haja obriga\u00e7\u00e3o de seguir o alvitre mais perfeito \u00e9 necess\u00e1rio outrossim que a pessoa o veja como tal, isto \u00e9, tenha certeza de que \u00e9 o Esp\u00edrito Santo que lhe est\u00e1 indicando uma obra mais perfeita a realizar. Recusar arbitrariamente a inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo percebida com clareza, dizem bons autores, n\u00e3o \u00e9 atitude inspirada pelo amor a Deus, nem atitude que se concilie com inten\u00e7\u00e3o e aspira\u00e7\u00f5es retas; vem a ser, antes, algo de desarrazoado ou, no caso, um pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3.5. Concluindo, dir-se-\u00e1 de maneira geral: na pr\u00e1tica a alma deve lembrar-se de que o seu programa de vida consiste n\u00e3o somente em n\u00e3o recair no pecado, mas em subir constantemente para Deus&#8230; e subir em ritmo acelerado; como a pedra cai com velocidade crescente na medida em que se aproxima da terra que a atrai, assim as almas devem caminhar mais e mais rapidamente para Deus, na medida em que se aproximam do Senhor e s\u00e3o&#8221; atra\u00eddas por Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por conseguinte, n\u00e3o se preocupem as almas com demasiada casu\u00edstica, indagando sutilmente quais as fronteiras entre o l\u00edcito e o il\u00edcito, onde cessa o bem e onde come\u00e7a o pecado&#8230; A vida constitui algo de din\u00e2mico; a sua lei capital \u00e9 positiva: \u00abcrescer e multiplicar- se\u00bb (cf. G\u00ean 1,28), e n\u00e3o meramente negativa (\u00abn\u00e3o se mutilar\u00bb); quem apenas pensa em n\u00e3o se mutilar, sem se preocupar com o desdobramento positivo e constante de suas energias, est\u00e1 na verdade, ocasionando o depauperamento e a extin\u00e7\u00e3o de sua vida. A vitalidade ou cresce ou diminui; n\u00e3o pode, por\u00e9m, permanecer estagnada; toda estagna\u00e7\u00e3o \u00e9 passo para a morte. Eis o que se verifica tanto no plano da vida f\u00edsica como no da vida espiritual crist\u00e3. Possam as almas sequiosas do bem abrir o olho para estas verdades t\u00e3o importantes, mas na pr\u00e1tica t\u00e3o pouco valorizadas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Est\u00eav\u00e3o Bettencourt (OSB)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Revista Pergunte e Responderemos.Dezembro.1961.n.48<\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPode haver imperfei\u00e7\u00f5es morais que n\u00e3o sejam pecados (nem sequer pecados leves)? Estar\u00e1 o homem obrigado a praticar, em tudo, o que h\u00e1 de mais perfeito?\u201d Antes do mais, conv\u00e9m delimitar devidamente o conceito de imperfei\u00e7\u00e3o moral. A seguir, determinaremos&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[11521],"tags":[57189,78534,17105,29940,18570],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17812"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17812"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17814,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17812\/revisions\/17814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}