{"id":18900,"date":"2018-05-30T10:00:23","date_gmt":"2018-05-30T13:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/?p=18900"},"modified":"2018-05-30T10:00:23","modified_gmt":"2018-05-30T13:00:23","slug":"a-figura-de-joana-darc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/2018\/05\/30\/a-figura-de-joana-darc\/","title":{"rendered":"A figura de Joana d'Arc"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2018\/05\/Joana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-18901 alignleft\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2018\/05\/Joana-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2018\/05\/Joana-300x300.jpg 300w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2018\/05\/Joana-150x150.jpg 150w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/felipeaquino\/files\/2018\/05\/Joana.jpg 360w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os precedentes<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O cen\u00e1rio hist\u00f3rico em que&nbsp;aparece Joana d&#8217;Arc, \u00e9 o da guerra dita &#8220;dos Cem Anos&#8221; (1337-1453) entre a&nbsp;Fran\u00e7a e a Inglaterra.<\/p>\n<p>Em 1415 Henrique V da Inglaterra invadiu a Fran\u00e7a com o intuito de derrubar o rei Carlos VI. Os&nbsp;invasores encontraram apoio da parte da Borgonha, cujo duque Filipe o Bom&nbsp;reconheceu Henrique V da Inglaterra como leg\u00edtimo soberano da Fran\u00e7a; ao mesmo&nbsp;tempo, Carlos VI, cuja sa\u00fade mental estava abalada, deserdou seu filho e nomeou&nbsp;o monarca ingl\u00eas herdeiro e regente do pa\u00eds. Em 1422, morreram Henrique V e&nbsp;Carlos VI. o filho deste, Carlos VII fez-se coroar em Poitiers, e estabeleceu&nbsp;sua corte em Bourges, enquanto os ingleses caminhavam em territ\u00f3rio franc\u00eas e&nbsp;assediavam a cidade de Orle\u00e3es. Carlos VII era figura fraca, que nada fazia&nbsp;para deter os invasores, mas, ao contr\u00e1rio, permitia que homens ineptos e&nbsp;gozadores dirigissem o seu povo.<!--more--><\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que entrou em a\u00e7\u00e3o&nbsp;uma jovem de 17 anos, que prometia salvar a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Interven\u00e7\u00e3o de Joana<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/loja.cleofas.com.br\/voce-sabe-o-que-foi-o-caso-de-santa-joana-darc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-71504 alignright\" src=\"http:\/\/cleofas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/voce-sabe-caso-joana-darc.jpg\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"190\"\/><\/a>Joana nasceu em Domr\u00e9my, de&nbsp;fam\u00edlia camponesa, aos 6 de janeiro de 1412. N\u00e3o aprendeu a ler e escrever, mas&nbsp;possu\u00eda profundo senso religioso. Aos 13 anos de idade, come\u00e7ou a ouvir certas&nbsp;vozes, que ela identificou com as de S. Miguel Arcanjo, S. Catarina de&nbsp;Alexandria e S. Margarida de Antioquia, virgem e m\u00e1rtir; exortavam-na a ir&nbsp;socorrer a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito j\u00e1 se p\u00f5e&nbsp;uma quest\u00e3o debatida: as revela\u00e7\u00f5es que Joana anunciava e que se repetiram at\u00e9&nbsp;a sua morte, n\u00e3o ter\u00e3o sido mero fen\u00f4meno de alucina\u00e7\u00e3o? &#8211; Note-se que a&nbsp;alucina\u00e7\u00e3o significa um estado patol\u00f3gico, fonte de falsos ju\u00edzos e de&nbsp;comportamento moral descontrolado. Ora em toda a conduta de Joana d&#8217;Arc n\u00e3o h\u00e1&nbsp;vest\u00edgios de prostra\u00e7\u00e3o f\u00edsica nem de aberra\u00e7\u00e3o intelectual ou de incoer\u00eancia&nbsp;de dizeres e atitudes; ao contr\u00e1rio, clarivid\u00eancia e firmeza not\u00e1veis se&nbsp;manifestaram. Torna-se, por conseguinte, dif\u00edcil, se n\u00e3o il\u00f3gico, sustentar a&nbsp;tese das &#8220;alucina\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Somente tr\u00eas anos mais&nbsp;tarde, em 1428, a&nbsp;jovem resolveu atender aos apelos celestes. Um tio levou-a ent\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a do&nbsp;capit\u00e3o Robert de Baudricourt, delegado do rei em Vancouleurs. Vendo-a,&nbsp;o oficial desprezou-a, devolvendo-a a seu pai; este amea\u00e7ou afog\u00e1-la. Joana&nbsp;voltou a procurar o capit\u00e3o, impressionando-o por sua energia. Roberto mandou-a&nbsp;ter com o rei Carlos VII, acompanhada por uma escolta de seis homens, que&nbsp;deviam defend\u00ea-la na caminhada por estradas perigosas. A donzela pediu e obteve&nbsp;tamb\u00e9m um cavalo e trajes masculinos (mais adaptados \u00e0 miss\u00e3o militar que ela&nbsp;empreendia). Chegando em Chinon aos 6 de mar\u00e7o de 1429, Joana identificou o rei&nbsp;dissimulado entre os seus cortes\u00f5es. Logo lhe pediu soldados para ir levantar o&nbsp;cerco de Orle\u00e3es. Todavia aquela jovem de 17 anos, vestida de trajes&nbsp;masculinos, n\u00e3o inspirava confian\u00e7a. Tendo insistido, Joana foi submetida a&nbsp;interrogat\u00f3rios e exames sobre a f\u00e9 e a moral pelo espa\u00e7o de tr\u00eas semanas; j\u00e1&nbsp;que o laudo resultou favor\u00e1vel, Carlos VII reconheceu o poss\u00edvel valor do&nbsp;empreendimento de Joana.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o para a Fran\u00e7a era&nbsp;t\u00e3o grave que somente uma interven\u00e7\u00e3o do c\u00e9u poderia salvar a na\u00e7\u00e3o. O rei&nbsp;concedeu-lhe ent\u00e3o um pequeno batalh\u00e3o destinado a ir socorrer a sitiada cidade&nbsp;de Orle\u00e3es, que estava para cair. Joana n\u00e3o combateria, mas estimularia os&nbsp;guerreiros, empunhando um estandarte branco, sobre o qual estava a figura de&nbsp;Cristo entre dois anjos. Finalmente, aos 8 de maio de 1429 os ingleses muito&nbsp;imprevistamente levantaram o cerco de Orle\u00e3es, dando entrada na cidade a Joana&nbsp;d&#8217;Arc e sua tropa.<\/p>\n<p>Assim vitoriosa, a jovem&nbsp;quis levar Carlos VII a Reims para que recebesse a sagra\u00e7\u00e3o r\u00e9gia &#8211; o que se&nbsp;deu a 17 de julho de 1429. Ao lado do monarca, a benem\u00e9rita hero\u00edna Ihe disse&nbsp;ent\u00e3o: &#8220;Gentil roi, maintenant est faict le plaisir de Dieu (&#8230;) Gentil rei,&nbsp;agora est\u00e1 feito o prazer de Deus&#8221;.<\/p>\n<p>Joana dava por finda a sua&nbsp;miss\u00e3o, quando o rei Ihe pediu continuasse a guerra. A donzela, d\u00f3cil, muito se&nbsp;empenhou pela reconquista de Paris, mas aos 23 de maio de 1430, perto de&nbsp;Compi\u00e9gne, foi presa pelos burg\u00fandios, aliados dos ingleses. Estes a compraram&nbsp;pelo pre\u00e7o de 10.000 francos-ouro, e a levaram para Ru\u00e3o, onde Joana deveria&nbsp;ser julgada. Aos ingleses interessava n\u00e3o apenas manter a donzela encarcerada,&nbsp;mas tamb\u00e9m destruir o seu prest\u00edgio aos olhos do p\u00fablico. &#8211; Este plano haveria&nbsp;de ser executado mediante pretextos religiosos que, para os homens da \u00e9poca,&nbsp;eram os mais persuasivos.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:&nbsp;<\/strong><a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/quem-foi-santa-joana-darc-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Quem foi santa Joana D&#8217;Arc?<\/a><\/p>\n<p><strong>Mentalidade do s\u00e9culo XV<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se poderiam entender&nbsp;adequadamente o processo e as maquina\u00e7\u00f5es empreendidos contra Joana d&#8217;Arc se&nbsp;n\u00e3o se levasse em conta a mentalidade de ingleses e franceses da \u00e9poca:<\/p>\n<p><strong>a)<\/strong> Joana dera \u00e0 sua miss\u00e3o militar um car\u00e1ter religioso,&nbsp;dizendo que Deus queria por seu interm\u00e9dio libertar a Fran\u00e7a. &#8211; Por&nbsp;conseguinte, os inimigos, para desprestigi\u00e1-la, tentariam demonstrar que Joana&nbsp;de modo nenhum podia ser enviada de Deus, por estar sob a influ\u00eancia do&nbsp;dem\u00f4nio, como herege, bruxa, impostora, etc. &#8211; Caso isto ficasse comprovado,&nbsp;tamb\u00e9m o rei Carlos VII perderia a sua autoridade; seria evidente que se aliara&nbsp;a uma filha de Satan\u00e1s, por obra da qual havia sido sagrado. Os franceses&nbsp;poderiam ent\u00e3o perder a esperan\u00e7a de obter a vit\u00f3ria final.<\/p>\n<p><strong>b)<\/strong> A mentalidade popular da \u00e9poca era levada a crer que vit\u00f3ria&nbsp;obtida em guerra era sinal de que Deus apoiava o vencedor. Ora os ingleses&nbsp;haviam conseguido um triunfo retumbante em Azincourt (1415), onde cinco mil&nbsp;guerreiros tinham prostrado toda a cavalaria francesa, lutando um soldado&nbsp;contra seis cavaleiros. T\u00e3o fulgurante vit\u00f3ria, pensava-se, s\u00f3 teria sido&nbsp;alcan\u00e7ada com a colabora\u00e7\u00e3o do c\u00e9u; donde podiam muitos concluir que Joana&nbsp;contradizia ao curso dos acontecimentos sobre o qual Deus j\u00e1 proferira o seu&nbsp;ju\u00edzo.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/loja.cleofas.com.br\/historia-da-igreja-idade-media\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-65261 alignright\" src=\"http:\/\/cleofas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/hitoria_da_igreja_idade_media.png\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"190\"\/><\/a>c)<\/strong> A pr\u00f3pria conduta de Joana se prestava a deturpa\u00e7\u00f5es&#8230; As&nbsp;calamidades que assolavam a Fran\u00e7a havia cerca de 75 anos, excitavam a&nbsp;imagina\u00e7\u00e3o popular, provocando o surto sucessivo de falsos taumaturgos e&nbsp;vision\u00e1rios. Como naquela hora se distinguiria Joana de uma Catarina de la Rochelle ou do pastor&nbsp;Guilherme de G\u00e9vaudan, comprovadas v\u00edtimas da ilus\u00e3o? &#8211; Al\u00e9m disto, o esp\u00edrito&nbsp;medieval podia facilmente escandalizar-se com a figura de uma jovem vestida de&nbsp;cavaleiro a cavalgar junto com uma tropa de soldados; ora tal era o caso de&nbsp;Joana. Ningu\u00e9m concebia que uma virgem crist\u00e3 se pudesse apresentar nesses&nbsp;termos. Compreende-se ent\u00e3o que muitos dos contempor\u00e2neos da hero\u00edna se tenham&nbsp;podido iludir a seu respeito.<\/p>\n<p><strong>d)<\/strong> Ser\u00e1 preciso levar em conta tamb\u00e9m a colabora\u00e7\u00e3o da Universidade&nbsp;de Paris, setor de grande autoridade, que os ingleses ganharam para a sua&nbsp;causa. O esp\u00edrito que ent\u00e3o animava os professores dessa institui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era&nbsp;muito sadio. Tendiam a considerar-se os luzeiros da S. Igreja; os mais&nbsp;moderados entre eles ficavam c\u00e9ticos ao ouvir falar de Joana; muitos, por\u00e9m, lhe eram energicamente contr\u00e1rios. A pobre camponesa, com seus poucos anos de&nbsp;idade, deixava-se guiar por pretensas vis\u00f5es mais do que pelas id\u00e9ias dos&nbsp;professores; queira passar por mais perita do que os capit\u00e3es do ex\u00e9rcito, sem&nbsp;pedir v\u00eania nem autoriza\u00e7\u00e3o aos doutos lentes!<\/p>\n<p>\u00c0 luz destas caracter\u00edsticas&nbsp;da mentalidade da \u00e9poca, analisemos agora.<\/p>\n<p><strong>O desfecho da hist\u00f3ria de&nbsp;Joana<\/strong><\/p>\n<p>Os ingleses, tendo que&nbsp;apelar para motivos religiosos na sua a\u00e7\u00e3o contra a jovem guerreira,&nbsp;encontraram apoio valioso na pessoa do bispo de Beauvais, Pierre Cauchon, todo&nbsp;devotado \u00e0 causa dos invasores e, por isto, refugiado em Ru\u00e3o, territ\u00f3rio&nbsp;possu\u00eddo pelos ingleses.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi dif\u00edcil encontrar&nbsp;pretexto para se iniciar um processo contra Joana: as suas apregoadas mensagens&nbsp;celestiais forneciam fundamento a acusa\u00e7\u00f5es de bruxaria e heresia! Cauchon foi&nbsp;constitu\u00eddo presidente do respectivo tribunal. Para dar ao j\u00fari o aspecto e a&nbsp;autoridade de tribunal da Inquisi\u00e7\u00e3o (tribunal oficial da S. Igreja!), chamaram&nbsp;a participar da mesa o Vice-inquisidor de Ru\u00e3o, Jean Lemaitre. Cauchon convidou&nbsp;ainda grande n\u00famero de assessores e jurados, aos quais o governo ingl\u00eas fez&nbsp;saber que tinha meios para os coagir, caso rejeitassem participar do processo;&nbsp;113 juristas aceitaram a intima\u00e7\u00e3o, dos quais 80 pertenciam \u00e0 Universidade de&nbsp;Paris.<\/p>\n<p>O j\u00fari era de todo&nbsp;ileg\u00edtimo, pois Cauchon n\u00e3o tinha sobre Joana nem a autoridade de bispo&nbsp;diocesano nem a de legado pontif\u00edcio. A Santa S\u00e9 n\u00e3o fora em absoluto informada&nbsp;da constitui\u00e7\u00e3o de tal tribunal.<\/p>\n<p>Contudo o processo foi&nbsp;encaminhado. A jovem sofreu maus tratos f\u00edsicos e morais; submetida a&nbsp;interrogat\u00f3rios capciosos, que visavam a arrancar-lhe a confiss\u00e3o de heresia e&nbsp;supersti\u00e7\u00e3o, respondeu sempre com simplicidade e nobreza; chegou a apelar para&nbsp;o Santo Padre: &#8220;Pe\u00e7o que me leveis \u00e0 presen\u00e7a do Senhor nosso, o Papa: diante&nbsp;dele responderei tudo o que tiver que responder Tudo que eu disse, seja levado&nbsp;a Roma e entregue ao Sumo Pont\u00edfice, para o qual dirijo o meu apelo!&#8221; Em v\u00e3o,&nbsp;por\u00e9m, apelou.<\/p>\n<p>Finalmente, ap\u00f3s perip\u00e9cias&nbsp;diversas, Joana foi fraudulentamente condenada qual herege, relapsa, ap\u00f3stata,&nbsp;id\u00f3latra. Entregue ao bra\u00e7o secular, sofreu a morte pelas chamas aos 30 de maio&nbsp;de 1431, enquanto olhava para o Crucifixo e orava. Na \u00faltima manh\u00e3 de sua vida,&nbsp;ainda dizia Joana a Cauchon: &#8220;Eu morro por causa de V.S.; se me tiv\u00e9sseis&nbsp;colocado nos c\u00e1rceres da Igreja (&#8230;.), isto n\u00e3o teria acontecido.&#8221;<\/p>\n<p>A opini\u00e3o p\u00fablica viu-se&nbsp;profundamente abalada pelo ocorrido. Apesar de todas as acusa\u00e7\u00f5es, a massa do&nbsp;povo ainda tinha Joana na conta de v\u00edtima da injusti\u00e7a de seus inimigos.&nbsp;Consequentemente, pouco depois de entrar solenemente em Ru\u00e3o (dezembro de&nbsp;1449), o rei Carlos VII deu in\u00edcio a uma revis\u00e3o do processo condenat\u00f3rio,&nbsp;revis\u00e3o que terminou favor\u00e1vel a jovem. Seguiu-se em 1445 o inqu\u00e9rito&nbsp;pontif\u00edcio, j\u00e1 que Joana fora abusivamente sentenciada em nome da Inquisi\u00e7\u00e3o:&nbsp;ap\u00f3s numerosos interrogat\u00f3rios, o arcebispo de Reims, aos 7 de julho de 1456,&nbsp;perante numerosa assembl\u00e9ia de cl\u00e9rigos e leigos em Ru\u00e3o, publicou a conclus\u00e3o&nbsp;do &#8220;processo do processo&#8221;, reabilitando a mem\u00f3ria da donzela.<\/p>\n<p>De modo oficial e solene, a&nbsp;Igreja restaurou a mem\u00f3ria de Joana d&#8217;Arc, reconhecendo-lhe os m\u00e9ritos e a&nbsp;santidade em 1920.<\/p>\n<p><strong>Assista tamb\u00e9m:<\/strong>&nbsp;<a href=\"http:\/\/cleofas.com.br\/voce-sabe-o-que-foi-o-caso-de-joana-darc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Voc\u00ea sabe o que foi o caso de Joana D&#8217;Arc?<\/a><\/p>\n<p><strong>Por que tanto se fez esperar&nbsp;essa completa reabilita\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Os tempos que se seguiram ao&nbsp;ano de 1456, foram de rea\u00e7\u00e3o contra o esp\u00edrito e a vida da Idade M\u00e9dia: na&nbsp;\u00e9poca da Renascen\u00e7a o adjetivo &#8220;g\u00f3tico&#8221; vinha a ser sin\u00f4nimo de &#8220;b\u00e1rbaro&#8221;;&nbsp;quebravam-se os vitrais das catedrais para substitui-los por vidra\u00e7as brancas;&nbsp;o famoso poeta Pierre de Ronsard (?1585), imitador dos cl\u00e1ssicos gregos e&nbsp;latinos, qualificava o per\u00edodo medieval de &#8220;s\u00e9culos grosseiros&#8221;; mais tarde,&nbsp;Voltaire (.?1778) e ainda Anatole France (? 1924) mostravam-se diretamente infensos&nbsp;\u00e0 jovem guerreira de Domr\u00e9my. Foi preciso que a opini\u00e3o p\u00fablica em geral&nbsp;proferisse um ju\u00edzo mais objetivo sobre a Idade M\u00e9dia para se pensar em exaltar&nbsp;a figura t\u00e3o caracteristicamente medieval de Joana d&#8217;Arc.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/loja.cleofas.com.br\/colecao-historia-da-igreja-idade-media\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-62534 alignright\" src=\"http:\/\/cleofas.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/hist_igreja_media.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\"\/><\/a>Em conclus\u00e3o:<\/strong> A condena\u00e7\u00e3o&nbsp;de Joana d&#8217;Arc \u00e9 fato hist\u00f3rico profundamente doloroso. Jamais, por\u00e9m, poder\u00e1&nbsp;ser considerado fora do contexto do s\u00e9c. XV, que bem o marca e ilumina.<\/p>\n<p>Trata-se de um processo&nbsp;inspirado por interesses pol\u00edticos e nacionais e justificado perante a opini\u00e3o&nbsp;p\u00fablica do s\u00e9c. XV mediante pretextos religiosos (pretextos que podiam&nbsp;impressionar naquela \u00e9poca). Lamentavelmente houve prelados e cl\u00e9rigos que se&nbsp;prestaram ao papel de ju\u00edzes de Joana d&#8217;Arc. N\u00e3o procederam, por\u00e9m, em nome da&nbsp;autoridade suprema da Igreja, mas, sim, por autoridade a eles conferida pelo&nbsp;rei da Inglaterra.<\/p>\n<p>Entende-se, pois, que a S.&nbsp;Igreja, de maneira oficial e solene, tenha procedido \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o e&nbsp;canoniza\u00e7\u00e3o de Joana d&#8217;Arc.<\/p>\n<p><strong>D. Estev\u00e3o&nbsp;Bettencourt, osb.<\/strong><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os precedentes O cen\u00e1rio hist\u00f3rico em que&nbsp;aparece Joana d&#8217;Arc, \u00e9 o da guerra dita &#8220;dos Cem Anos&#8221; (1337-1453) entre a&nbsp;Fran\u00e7a e a Inglaterra. 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